domingo, 23 de abril de 2017

Porto do Açu, Distrito Industrial, Desenvolvimento! Afinal, qual é a verdadeira situação do município sede?

Sobre a reocupação das terras no entorno do porto do Açu, depois de oito anos do processo de desapropriação coordenado pelo Estado do Rio de Janeiro, a Prumo, gestora do porto do Açu, emitiu a seguinte nota:

“A Prumo em conjunto com o Estado do Rio de Janeiro, contribui para o desenvolvimento do Distrito Industrial de São João da Barra, promovendo a atração de empresas para gerar emprego e renda para a sociedade, bem como acelerando a economia local e o aumento na arrecadação de tributos em toda a região Norte Fluminense. Para que este desenvolvimento econômico aconteça, é importante que as áreas estejam livres de desembaraços para o uso industrial – que é vocação das áreas, de acordo com o Plano Diretor do município e o planejamento de desenvolvimento socioeconômico do Estado do Rio de Janeiro”.

Vejam como os discursos em torno do desenvolvimento para o município são fantasiosos. A figura, a seguir apresenta dados de emprego e renda no comércio e na indústria de transformação no município, para os anos de 2006, 2010 e 2015.

















Fonte: Elaboração própria com base no MTE

Vejamos então a verdadeira situação do município. Em 2006, portanto, antes das obras do porto do Açu, a participação do emprego no comércio era 10,96% em relação ao emprego total. Observe que no auge da construção em 2010, a participação do emprego no comércio caiu para 8,77% e já na fase de operação em 2015 a mesma participação se manteve em 9,04%. No caso da remuneração média nominal do comércio, podemos observar um forte declínio de sua participação. Em 2006 a participação era de 7,29% na renda total, caindo para 4,78% em 2010 e voltando a cair para 3,82% em 2015. Fica evidente que o setor de comércio não absorveu toda a dinâmica da construção e nem do início de operação do porto do Açu, a partir de 2014. Existem fortes indicativos de fuga da riqueza gerada pelos investimentos, em função da combinação do processo de importação de mão-de-obra na construção civil e da exportação de capital, bem de acordo com a relação centro/periferia.

No caso da indústria de transformação, a participação que era de 10,71% do emprego total em 2006, caiu fortemente no pico da construção em 2010 para 5,72%, voltando a crescer para 14,01% em 2015 na fase de operação. Considerando o ingresso de R$10 bilhões de investimento no período de 2007 a 2015 e algo em torno de uma dúzia de grandes empresas no aglomerado, o crescimento de 2015 está longe de representar a realidade esperada. A participação da renda média no setor que era de 16,20% em 2006, antes do porto, caiu fortemente para 4,32% em 2010 e voltou a crescer para 16,47% em 2015, atingindo o patamar de 2006.

Resta então a reflexão: será que trocamos seis por dúzia e arcamos com as externalidades negativas, próprias de investimentos dessa natureza? Ou será que estamos vivenciando uma situação bem pior do que antes da chegada do porto do Açu? 


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os reflexos do verão no emprego no comércio em São João da Barra


















São João da Barra é um Município produtor de petróleo e sede do porto do Açu. Os recursos gastos no planejamento, construção e operação do complexo portuário do Açu, no período de 2007 a 2016, somaram a bagatela de R$13 bilhões. Complementarmente, pelos menos R$350,0 milhões enchem os cofres do governo anualmente. Bem! Estamos falando de um Município muito rico, considerando que a sua população não passa de 35 mil habitantes. 

Essas observações ajudam a leitura do gráfico acima, que apresenta os saldos gerados de emprego no comércio no trimestre (janeiro-fevereiro-março) no período de 2007 a 2017. É importante ainda observar que estamos tratando de um período de férias escolares, verão, onde o Município "turístico" costuma gastar fortunas em shows e eventos diversos com a justificativa de aquecer o comércio.  

Meus amigos, ai está o resultado dessa discussão. Os saldos positivos de emprego nos anos de 2008 a 2011 e em 2014, foram pífios para as condições do Município. Pior ainda é que nos outros anos os resultados foram negativos, ou seja, o comércio eliminou empregos, mesmo com grandes volumes de recursos gastos pelo governo com a justificativa de animar o comércio. 

No primeiro trimestre de 2017, onde uma grande movimentação de navios no porto do Açu é motivo para propaganda política, uma nova gestão pública se inicia. Com o discurso de que o Município voltou a sorrir, novos gastos foram alocados em infraestrutura para atividades turísticas nada transparentes, além de substancias com a mesma justificava de animar o comercio. Vejam que nesse mesmo período o Município eliminou 9 vagas no comércio. Uma grande contradição! E ai?


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Emprego formal em março na região Norte Fluminense

A situação do emprego formal piorou na região Norte Fluminense. Foram eliminadas 1.815 vagas em março, contra 457 vagas eliminadas em fevereiro. Macaé eliminou 1.487 vagas de emprego, seguido por Campos dos Goytacazes que eliminou 321 vagas. O único município que gerou saldo positivo foi São João da Barra com 98 vagas criadas no mês.
No primeiro trimestre do ano, somente Conceição de Macabu e São João da Barra geraram vagas de emprego na região. Macaé lidera a eliminação de emprego no trimestre com 2.034 vagas, seguido por Campos dos Goytacazes com 867 vagas eliminadas. 
No total do trimestre foram eliminados 3.003 empregos na região. Setorialmente, a construção civil eliminou 620 vagas em Macaé, 358 vagas em Campos e 209 vagas em São João da Barra. O comércio eliminou 445 vagas em Campos, 437 vagas em Macaé e 9 vagas em São João da Barra. A indústria de transformação eliminou 80 vagas em Campos, 57 vagas em Macaé e 16 vagas em São João da Barra. Finalmente, o setor de serviços eliminou 531 vagas em Macaé, 7 vagas em Campos e criou 328 novas vagas em São João da Barra.
O estado do Rio de Janeiro eliminou 279 vagas no trimestre, enquanto o país gerou 13.399 vagas de emprego no mesmo período.

terça-feira, 18 de abril de 2017

As aglomerações portuárias cumprem o que prometem?

A propaganda em torno dos benefícios locais, provocados pela instalação de infraestrutura portuária pelo país é enganosa. Especialmente em relação ao porto do Açu no município de São João da Barra-RJ, movimento que acompanhei bem de perto, foi vendida a ideia de desenvolvimento econômico pelo empreendedor e pelos governantes. O discurso era de que o comércio local se transformaria em um grande fornecedor de bens e serviços das empresas recém-chegadas, impactando no aumento do emprego, renda e novos negócios. Esse ciclo virtuoso se materializaria em desenvolvimento econômico. Evidente que não passou de discurso.

Para comprovar tal afirmativa selecionamos três municípios impactados por projetos dessa natureza. São João da Barra-RJ (porto do Açu), Ipojuca-PE (porto de SUAPE) e Itaguaí (porto de Itaguaí).  Usamos a análise estatística de regressão múltipla, considerando o emprego como variável dependente e as variáveis emprego total, receitas correntes, investimento público, operações de crédito e crédito agropecuário como variáveis independentes, em uma série de 12 anos (2004 a 2015).

Os resultados gerados pelo modelo estatístico mostraram que em São João da Barra, a cada 1 (um) emprego total gerado, refletia na redução de -0,02 emprego no comércio. Isso quer dizer que em 100 (cem) empregos totais criados, 2 (dois) empregos no comércio eram eliminados. A correlação inversa mostra uma realidade oposta aos discursos, já que a riqueza gerada pelo investimento acaba fugindo do local que internaliza as externalidades negativas.

A situação de Ipojuca não é diferente, já que a cada 1 (um) emprego total gerado, o reflexo é de -0,044 emprego no comércio. Ou seja, para 100 (cem) empregos criados, -4,4 (quatro) empregos no comércio são eliminados. Os argumentos colocados acima se ajustam também na presente situação.

Finalmente, em Itaguaí a situação é diferente, pois ocorre um padrão de correlação positiva e mediana entre as variáveis emprego total e emprego no comércio. Em termos de previsão podemos afirmar que para cada 1 (um) emprego total criado, ocorre a criação de 0,016 emprego no comércio, ou seja, 100 (cem) empregos totais criados geram 1,6 empregos no comércio.

Nesse caso, podemos observar que o município de Itaguaí apresenta um melhor padrão de absorção das externalidades positivas do investimento, medida pelo emprego no comércio, do que Ipojuca-PE e São João da Barra-RJ, cuja correlação é inversa. Entretanto, a capacidade de absorção das externalidades positivas oriunda desses investimentos, por esses municípios, é inexiste ou ainda baixa para capacita-los ao esforço do desenvolvimento endógeno.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

DIVULGAÇÃO




Está no ar a sétima edição da Revista de Extensão da UENF. Boa leitura! Click no link abaixo.


sábado, 8 de abril de 2017

Instituições fazem diferença!

Sobre o modelo estatal operado pela Noruega, precisamos conhecer alguns pontos. Um deles a ser destacado:  o baixíssimo nível de corrupção (entre os menores do mundo), tanto no serviço público quanto no privado, que está fortemente ligado à transparência quase irrestrita. Diferentemente de outros países, onde o sigilo fiscal é inviolável e um valor defendido de forma apaixonada, na Noruega a renda e os impostos pagos por qualquer cidadão está disponível a quem estiver interessado desde o ano de 1814 (época em que era unida com a Suécia), quando essas informações já podiam ser obtidas nas prefeituras. Hoje, com a internet, os habitantes da Noruega conseguem facilmente descobrir quanto ganham e os impostos que pagam cada um de seus compatriotas, o que simplifica enormemente o combate à sonegação fiscal e enriquecimento ilícito.

http://voyager1.net/economia/o-livre-mercado-e-chave-para-prosperidade-noruega-prova-que-nao/

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A importância da terra para o desenvolvimento econômico



SINOP UMA CIDADE EM TRANSFORMAÇÃO - YouTube


Esta cidade tem 133 mil habitantes. Não tem petróleo e sim agronegócio.

PARA REFLETIR!

A maldição dos recursos naturais é um problema real encontrado principalmente em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, fato este que está ligado a uma estrutura política fraca e muitas vezes corrupta. A ganância de governantes e gestores corruptos faz com que os rendimentos do petróleo, principalmente na forma de pagamento de royalties ou outras indenizações, sejam desviadas ilegalmente não atingindo a quem deveria e principalmente, não gerando nenhum tipo de benefício para a sociedade (ENNS e BERSAGLIO 2015).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os negócios com a carne brasileira no exterior não foram afetados pela operação carne fraca em março

A operação carne fraca gerou desconfiança no exterior entre os parceiros comerciais do país, porém não afetou a exportação em março. O volume embarcado em tonelada da carne suína in natura, cresceu 24,3% em março com relação a fevereiro e caiu 3,4% em relação a março de 2016. O preço por tonelada exportada em março foi maior 8,5% em relação a fevereiro e maior 44,3% em relação a março do ano passado.
Já o volume em tonelada da carne bovina in natura cresceu 23,8% em março com relação a fevereiro e caiu 11,3% em relação a março do ano passado. O preço negociado em tonelada em março foi menor 0,06% em relação a fevereiro, porém maior 10,6% em relação a março de 2016.
A carne de frango in natura apresentou um crescimento de 14,1% no volume embarcado em tonelada em março, com relação a fevereiro, e uma queda de 6,8% em relação a março do ano passado. O preço negociado em março foi menor 0,3% em em relação a fevereiro e maior 20,0% em relação a março do ano anterior.
Agora é esperar para ver o comportamento das commodities nos próximos meses.

Resultado da Balança Comercail do Brasil em março

O Brasil apresentou um saldo superavitário de US$7.145 milhões em março, correspondente a US$20.085 milhões de exportação e US$12.940 milhões de importação. No acumulado do trimestre, o saldo superavitário bateu US$14.424 milhões, resultado de US$50.466 milhões de exportação e US$46.042 milhões de importação. 
Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, as exportações cresceram 24,4% no trimestre deste ano, enquanto as importações cresceram 12,0% no mesmo período. 
O comércio exterior é um dos indicadores positivos que vem animando a economia do país. A expectativa de excelente safra de grãos nesse ano promete aquecer ainda mais as relações comerciais com o exterior.  

Exportação de petróleo bruto em março

A exportação de petróleo em tonelada apresentou queda de 35,7% em março, com base no mês anterior. A receita em dólar também apresentou uma queda da ordem de 36,7% no mesmo período.
Na comparação com março de 2016, o volume embarcado em tonelada cresceu 32,4%, enquanto a receita em dólar cresceu 157,0% no mesmo período.
A receita aumentada se deu em função da boa recuperação do preço do petróleo em março deste ano. O valor bateu US$327,6 a tonelada embarcada para o exterior, representando um crescimento de 94,2% em relação a março do ano passado.

Exportação de Minério de Ferro em março

O volume em tonelada de minério de ferro exportado em março cresceu 41,4% em relação a fevereiro, enquanto a receita em dólar cresceu 58,3% no mesmo período. 
Na comparação com março de 2016, o crescimento do volume embarcado cresceu 20,0% e a receita cresceu 199,7% em decorrência da substancial recuperação do preço de exportação no período. O gráfico mostra a evolução do preço do minério para o mês de março, no período de 2012 a 2017.

Conforme podemos observar, depois que o preço de exportação da commoditie chegou a US$25,6 a tonelada em março de 2016, foi verificado um importante avanço para US$63,9 a tonelada em março de 2017, representando um crescimento de 149,6% em um ano.

Exportação de Açúcar em Bruto em março

A exportação de açúcar bruto em março apresentou uma queda 25,8% no volume embarcado em toneladas e uma queda de 21,0% na receita em dólar. 
Na comparação com março de 2016, a queda no volume embarcado atingiu 30,5% em março desse ano, enquanto a queda na receita atingiu 5,1% no mesmo período.
O preço por tonelada avançou 6,4% em março, com base em fevereiro deste ano. O gráfico a seguir mostra a trajetória do preço para o mês de março ao longo do período 2012 a 2017. 

Conforme podemos observar, depois de uma trajetória de queda no período de 2012 a 2016, considerando o mês de março, a recuperação começa a ocorrer em 2017.

sábado, 1 de abril de 2017

A trajetória do porto do Açu e seus reflexos

Segundo dados da Prumo Logística Global, a movimentação de navios nos terminais do Porto do Açu, em São João da Barra, vem sendo ampliada substancialmente. 

Em 2014, ano que marcou o início do processo de operação do porto, três navios movimentaram 240 mil toneladas de minério de ferro em direção ao exterior. Em 2015, a movimentação contabilizou 195 embarcações, em 2016 foram 966 embarcações e, só no primeiro trimestre de 2017, foi contabilizado uma movimentação de 129 embarcações, entre graneleiros, petroleiros, cargueiros e outras de apoio offshore ao setor petrolífero.

Já na ótica financeira, durante a fase de construção do porto foi movimentado um volume de investimento da ordem de 7,6 bilhões, enquanto na fase de operação foi movimentado um investimento de R$5,4 bilhões, consolidando um total de R$13,0 bilhões de 2007 a 2016.

Nesse contexto de sucesso do empreendimento privado, hoje podemos dizer que a sua instalação gerou externalidades negativas profundas. A desnecessária e perturbadora desapropriação de terras dos produtores rurais está sendo questionada na justiça e o governante da época e o empresário beneficiado, estão na cadeia. Os reflexos ambientais estão presentes nas lagoas e no subsolo salinizado, enquanto os reflexos sociais podem ser vistos no avanço da violência, na deficiência dos serviços de saúde, educação e moradia.


Enquanto esse quadro perverso aprofunda, as externalidades positivas fogem das mãos da população nativa. As vagas de emprego são ocupadas por trabalhadores de outras regiões, o fornecimento de insumos é feito por empresas de fora no município, o executivo não tributa corretamente os serviços executados no âmbito do porto e o comércio afunda em um ambiente de geração de riqueza. Um mundo de contradições!