domingo, 29 de janeiro de 2017

RELEMBRANDO!

Sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Comemorando dez anos de sua concepção e três anos de execução, o complexo portuário do Açu, localizado no Estado do Rio de Janeiro, no município de São João da Barra, foi motivado na necessidade de projetos estruturantes capazes de minimizar os reflexos da dependência regional à indústria petrolífera, face os riscos de longo prazo, em função da natureza finita desta atividade econômica.

A frente da Secretaria Estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro em 1999, o então secretário Wagner Victer foi o responsável pelas ações que gerariam a concepção inicial de um novo Terminal Portuário e de Apoio Offshore para a Petrobras. A iniciativa se justificava pela importância da bacia de Campos, responsável naquele momento, por 82% do petróleo produzido no Brasil e, sobretudo, pela necessidade da Petrobras por uma melhor estrutura de apoio Offshore, já que o porto de Macaé apresentava condições de saturação. Num estágio seguinte, o projeto foi ampliado, visando à movimentação de graneis líquidos e sólidos.

Nessa configuração, os potenciais investidores seriam o Governo do Estado, um grupo de empresas privadas e a Petrobras, que dividiriam um capital de US$100 milhões. Este projeto foi apresentado em 2000 à sociedade sanjoanense, onde o mesmo secretário mostrou a sua viabilidade técnica no litoral do município, em função dos estudos de batimetria realizados no litoral da Região Norte Fluminense.

Posteriormente, com a desistência da Petrobrás, o projeto foi redirecionado para a movimentação de granéis sólidos, especialmente minério de ferro, cuja atividade estava concentrada na Vale do Rio Doce, que também não demonstrou interesse pelo projeto.

Sem os principais investidores, o mesmo projeto foi apresentado ao empreendedor Eike Batista que enxergou uma grande oportunidade para novos investimentos no setor, desenvolvendo, posteriormente, estudos mais aprofundados sobre a viabilidade operacional do transporte do minério da mina para o porto e, paralelamente, adquirindo as terras onde hoje se desenvolvem as obras do complexo portuário do Açu. Assim, a pedra fundamental foi instalada em 27 de dezembro de 2006 e as obras iniciadas no final de 2007, com um investimento previsto da ordem de US$1,6 bilhão.

Com quase três anos de obras e com investimento em torno de R$1,5 bilhão executado, os reflexos econômicos em São João da Barra estão muito aquém das expectativas. O fato de a aglomeração ter se concentrado em um espaço rural fora da sede do município, inibiu a possibilidade de uma melhor dinâmica do comércio local. Observa-se certa movimentação de trabalhadores do complexo portuário na cidade de Campos dos Goytacazes, já que a mesma cidade oferece uma boa estrutura de serviços de toda natureza, portanto mais atraente do que São João da Barra, com a vantagem da distância de locomoção ser praticamente a mesma.

Entretanto, o indicador de emprego formal tem favorecido São João da Barra. Em 2006 existiam 3.994 pessoas trabalhando com carteira assinada no município, segundo o Ministério do Trabalho. Em primeiro de janeiro de 2010 este número passou para 6.383 trabalhadores, ou seja, um crescimento de 59,81% no período. Entretanto, há de se considerar que dos 2.500 funcionários lotados no porto, aproximadamente, 60% vem de outras regiões, fato que leva os mesmos a transferirem parte de suas rendas para a suas cidades de origem. É ainda importante verificar que o salário médio dos trabalhadores da cidade envolvidos nas obras é baixo, enquanto que os trabalhadores com salários mais altos têm outra origem e buscam mercados mais sofisticados para o seu consumo.

Um outro indicador positivo em função dos investimentos é a arrecadação de Imposto sobre Serviço, o qual apresentou uma forte variação no período. Em 2006 o valor da receita somou R$919.528,75 enquanto em 2009 o valor se elevou para R$1.831.935,00 correspondendo a um acréscimo de 99,22%. É verdade também que o aumento de receita pública não representa, necessariamente, uma melhor dinâmica econômica local.

Finalmente, a transferência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) representa, fundamentalmente, a dinâmica econômica local, já que o Estado distribui o valor correspondente usando, em maior representatividade, o critério de valor adicionado em cada município. Neste caso, quanto mais dinâmica a economia do município, maior a parcela de ICMS depositada pelo Estado. Numa avaliação temporal, pode-se observar que o município recebeu R$13,1 milhões em 2004 e R$16,4 em 2009, indicando um crescimento nominal de 25,19% no período. Considerando a inflação medida pelo IGP-M de 37,41% nesse mesmo período, pode-se afirmar que o crescimento real foi negativo em 8,89%. Na verdade, não podemos considerar nenhum avanço na atividade econômica interna, considerando esse importante indicador.

Essas avaliações comprovam que a consistente movimentação financeira executada em torno das obras de infraestrutura para funcionamento do complexo portuário não refletiu no sistema econômico local na dimensão divulgada e esperada pela sociedade. Conforme já havíamos levantado à questão, projetos dessa natureza provocam externalidades positivas e negativas, sendo que as negativas afetam toda a sociedade local, entretanto as positivas beneficiam os mais bem adaptados. Existe, efetivamente, uma seleção natural, onde sobrevivem os mais aptos.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Porto do Açu em alta e deterioração do comércio em São João da Barra

São João da Barra, sede do porto do Açu, que após sete anos de construção, inciou a fase de operação na segunda metade de 2014, vê a deterioração do comércio local. 
O pior resultado, desde 2004, veio no ano passado, com a eliminação de 130 vagas de emprego. De acordo com este quadro, qual seria a política pública do atual governo para incentivar o comércio local? Adianto que a programação de verão não terá nenhum impacto, pois a história nos mostra, claramente, os resultados dessa politica. Os comerciantes do município devem se preocupar com essa situação que é muito grave.

domingo, 22 de janeiro de 2017

A movimentação do emprego formal na região Norte Fluminense em 2016

A região Norte Fluminense eliminou 2.167 empregos em dezembro, resultado pior do que o de novembro. 
No acumulado de janeiro a dezembro, foram 20.191 empregos eliminados, ou 8,36% do total eliminado pelo estado. O país eliminou 1,4 milhões de empregos em 2016.
Na região, o campeão de eliminação de emprego foi Macaé com 12.294 vagas, seguido por Campos com 5.532 vagas e São João da Barra com 1.436 vagas eliminadas no ano.
Na análise setorial em Campos, o setor de serviços eliminou 2.152 vagas, o comércio eliminou 1.617 vagas, a construção civil eliminou 1.283 vagas e a industria de transformação 1.250 vagas. De positivo, o único setor a gerar novos empregos foi o agropecuário com 932 vagas no ano.
Em Macaé, o setor de serviços eliminou 7.453 vagas, o setor de construção civil eliminou 1.838 vagas, o setor de comércio eliminou 1.266 vagas, a indústria de transformação eliminou 1.000 vagas e a extrativa mineral eliminou 724 vagas no ano.
Já em São João da Barra, a construção civil eliminou 956 vagas, a indústria de transformação eliminou 179 vagas, o comércio eliminou 130 vagas, o setor de serviços eliminou 106 vagas, a extrativa mineral 50 vagas e o setor agropecuário eliminou 15 vagas no ano. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Davos vê desemprego, exclusão e populismo como riscos imediatos

http://www.valor.com.br/internacional/4833714/davos-ve-desemprego-exclusao-e-populismo-como-riscos-imediatos


Desemprego, exclusão social, aumento do populismo, ameaças na área ambiental. Estes são os riscos mais imediatos à globalização das economias em 2017, segundo o Fórum Econômico Mundial.......

Valor Econômico.


sábado, 14 de janeiro de 2017

Um maior orçamento público garante o bem estar da população?

A crise financeira que afeta, principalmente, os municípios produtores de petróleo do estado do Rio de Janeiro, reacende a discussão sobre a partilha dos tributos entre a união estados e municípios. Os críticos defendem uma maior parcela de transferência constitucional para que os municípios possam atender melhor a população. Essa tese simplista não leva em consideração a eficiência da alocação dos recursos públicos. O foco é só no volume.
Vejamos a comparação entre os municípios de São João da Barra, produtor de petróleo e sede do porto do Açu e Itaperuna, sem os benefícios desses grande investimentos.  
A seguir, a figura apresenta as receitas correntes realizadas no período de 2004 a 2015 para os dois municípios.













Podemos observar que as receitas correntes em Itaperuna só superaram as receitas de São João da Barra nos anos de 2005, 2006 e 2007. Nos outros anos as receitas de São João da barra superaram e muito as receitas de Itaperuna. 
Nesse caso, todas as condições nos levam a garantir que São João da Barra deve superar Itaperuna em termos desenvolvimento. Não é o que acontece.
A figura a seguir apresenta os indicadores de desenvolvimento municipal apurado pela FIRJAN.




Conforme podemos observar, na série de nove anos, somente em 2008 e 2011 São João da Barra superou levemente o índice de Itaperuna. Nos outros anos os índices de Itaperuna superaram os de São João da Barra. Situações similares podem ser encontradas, a exemplo Presidente Kennedy e Venda Nova do Imigrante nos Espirito Santo, dentre outros.
A questão é: Um Maior orçamento garante um maior bem estar da população? Parece que não!

Análise da atividade petrolífera na região em janeiro de 2016


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Reflexos da queda da previsão de investimento da Petrobrás na região Norte Fluminense


Os municípios produtores de petróleo da região Norte Fluminense, assim como os outros da Bacia de Campos, terão mais dificuldades em relação as receitas de royalties e participações especiais nos próximos anos. A previsão de investimento da Petrobrás para o quinquênio 2014-2018 era de US$220,6 bilhões. Com o agravamento da crise generalizada, associada a corrupção, valorização cambial e queda internacional do preço do petróleo, a petroleira atualizou a previsão de investimento no quinquênio 2015-2019 para US$130,3 bilhões. Esta semana, em função da falta de perspectivas, o valor do investimento previsto caiu ainda mais para US$98,4 bilhões, uma queda de 24,5%  do valor estimado inicialmente para esse quinquênio e um queda de 55,4% em relação ao quinquênio anterior. Esse quadro mostra que a Petrobrás perdeu a metade do seu valor de mercado nesta década.
Devemos esperar impactos profundos, já que a petroleira responde por 8,8% dos investimentos do país. Quanto ao estado do Rio de Janeiro, sua riqueza medida pelo PIB, concentra uma parcela importante de 30% nas atividades de petróleo e gás. Em função desse quadro, a queda das rendas de petróleo e ICMS tendem a se agravar. 
Vejam no gráfico, a acentuada queda das rendas de petróleo nos municípios produtores da região Norte Fluminense em 2015 com base em 2014. Campos foi o Município mais afetado com perda de 46,7% da renda, seguido por Quissamã com perda de 39,7%, Carapebus com perda de 38,5%, Macaé com perda de 34,2% e São João da Barra com perda de 29,4% no último ano.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Movimentação de navios no porto do Açu: onde está a receita de tributos?



As receitas orçamentárias realizadas nos anos de 2015 e 2016 (janeiro a outubro), espelham a queda na receita de royalties de petróleo que caiu 47,25% no período, entretanto não refletem a movimentação de centenas de navios levando minério e bauxita para o exterior.  Em 2015 as receitas somaram R$338,3 milhões e em 2016 (janeiro a outubro), somaram R$187,4 milhões. Mantida a média do ano, a receita acumulada deve fechar R$224,9 milhões em 2016. O valor do orçado para 2017 é da ordem de R$322,5 milhões, ou seja, valor 43,4% maior do valor arrecada em 2016. Não estaria o orçamento de 2017 super avaliado?
De qualquer forma, o que chama atenção é a ausência de receitas oriundas da tão divulgada movimentação de navios no porto do Açu.  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Royalties de petróleo na região Norte Fluminense em 2016

As transferências de royalties de petróleo para a região Norte Fluminense somaram R$74,2 milhões em dezembro e R$747,7 milhões no acumulado de janeiro a dezembro de 2016. 
Do valor acumulado, Campos ficou com R$299,9 milhões ou 40,1% e Macaé ficou com R$293,5 milhões ou 39,3%. O terceiro município com maior arrecadação no ano foi São João da Barra com R$70,6 milhões, equivalentes a 9,4% do total.
Na comparação com 2015, a receita de royalties caiu 21,5% na região em 2016. Em Campos foi verificado uma queda de 26,5% no período, enquanto em Macaé a queda foi 15,8%. São João da Barra perdeu 24,0% em 2016.
O valor acumulado de royalties na região em 2016, apresentou uma participação relativa de 18,4% em relação ao total transferido para todos os municípios do país. Esta participação foi menor na comparação com a participação de 2015, que chegou a 20,04%.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Possibilidades de crédito com taxas compatíveis

http://www.valor.com.br/brasil/4827888/bndes-oferece-r-13-bi-para-acelerar-retomada


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai assumir papel inédito como supridor de capital de giro para as empresas nacionais. Até 31 de dezembro, o banco vai oferecer R$ 13 bilhões na linha BNDES Progeren, de fortalecimento da capacidade de geração de emprego e renda, dos quais R$ 5 bilhões de forma direta, o que até agora n..........................

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Um olhar sobre a crise financeira dos municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos

Os dados relacionados à atividade petrolífera da Bacia de Campos acentuam, pelo menos, duas questões fundamentais. A acomodação do município de Campos dos Goytacazes, e dos demais municípios produtores, em relação as rendas de petróleo e a inobservância da realidade produtiva da Bacia de Campos.
Podemos observar na tabela acima que, independente da queda do preço do barril de petróleo ocorrida na segunda metade de 2014, a Bacia petrolífera de Campos, que alimenta com royalties o caixa dos município da região norte do Rio de Janeiro, vem perdendo participação no total do país a algum tempo. A participação relativa dos royalties transferidos para o Rio de Janeiro que era de 20% em 2012, vem caindo ano a ano até atingir 17,94% em 2016 (janeiro a novembro).
Essa tendencia declinante é função da perda de participação relativa do estado do Rio de Janeiro na produção do pais, ao longo do mesmo período. Em 2012, o estado tinha uma participação relativa de 74,43% na produção de petróleo do pais, participação que veio reduzindo até alcançar 66,82% em 2016 (janeiro a novembro).
Com esses dados, fica evidente que a não observação dessa trajetória de queda, assim como, a acomodação desses municípios as receitas petrolíferas, que levou os governos a aumentar substancialmente a estrutura publica, tem um papel fundamental na explicação da presente crise financeira.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A movimentação da Balança Comercial brasileira em 2016

O saldo da Balança Comercial do Brasil foi superavitário em US$4.415 milhões em dezembro. As exportações somaram US$15.941 milhões e as importações somaram US$11.525 milhões.
No acumulado de janeiro a dezembro, o saldo superavitário atingiu US$47.892 milhões. As exportações somaram US$185.244 milhões e as importações US$137.552 milhões. 
O elevado saldo superavitário em 2016, entretanto, é resultado da desaceleração econômica do país que retraiu, fortemente, as importações. As exportações de 2016 caíram 3,1% em relação a 2015, já as importações caíram 19,8% no mesmo período. Conforme podemos observar a retração das importações foi muito mais forte do que a retração das exportações.

Exportação de petróleo em dezembro

O volume em tonelada de petróleo exportado em dezembro, caiu 32,4% em relação a novembro. A receita em dólar caiu 40,6% e o preço caiu 12,1% no mesmo período.
Em comparação com dezembro de 2015, o volume exportado em dezembro de 2016 caiu 29,4%, a receita em dólar caiu 21,3% e o preço cresceu 11,6% no mesmo período.

O gráfico mostra a trajetória do preço praticado em 2016. Apesar da queda em dezembro, com relação a novembro, a evolução ao longo do ano foi positiva. O preço praticado em dezembro foi maior 27% do que o preço praticado em janeiro, entretanto, ainda abaixo dos preços praticados em 2013 e 2014.

Exportação de Minério de Ferro em dezembro

O volume embarcado, em tonelada, de minério de ferro, no mês de dezembro, cresceu 11,7% em relação a novembro. A receita em dólar cresceu 43,4% e o preço 28,6% no mesmo período.
Em comparação com dezembro de 2015, o volume embarcado caiu 11,1%, a receita em dólar cresceu 38,8%, em função do crescimento de 56,0% no preço. 

O gráfico apresenta a evolução do preço da commoditie nos últimos quatro anos. No segundo semestre de 2016 foi observado uma melhora no preço, que sofreu forte desvalorização em 2014 e 2015. Apesar da evolução positiva em 2016, o preço continua muito inferior aos praticados em 2012 e 2013.

Exportação de açúcar em bruto em dezembro

O volume de açúcar exportado em dezembro teve um crescimento de 0,72% em relação a novembro. A receita em dólar cresceu 1,2%, enquanto o preço cresceu 0,49% no mesmo período.
Na comparação com dezembro de 2015, foi observada uma queda de 4,4% no volume embarcado em dezembro de 2016. A receita em dólar cresceu 34,4%, enquanto o preço cresceu 40,7%.

O gráfico apresenta a evolução do preço da commoditie. Podemos observar um boa evolução em 2015, onde o preço de dezembro cresceu 45,1% em relação a janeiro do mesmo ano.