domingo, 23 de abril de 2017

Porto do Açu, Distrito Industrial, Desenvolvimento! Afinal, qual é a verdadeira situação do município sede?

Sobre a reocupação das terras no entorno do porto do Açu, depois de oito anos do processo de desapropriação coordenado pelo Estado do Rio de Janeiro, a Prumo, gestora do porto do Açu, emitiu a seguinte nota:

“A Prumo em conjunto com o Estado do Rio de Janeiro, contribui para o desenvolvimento do Distrito Industrial de São João da Barra, promovendo a atração de empresas para gerar emprego e renda para a sociedade, bem como acelerando a economia local e o aumento na arrecadação de tributos em toda a região Norte Fluminense. Para que este desenvolvimento econômico aconteça, é importante que as áreas estejam livres de desembaraços para o uso industrial – que é vocação das áreas, de acordo com o Plano Diretor do município e o planejamento de desenvolvimento socioeconômico do Estado do Rio de Janeiro”.

Vejam como os discursos em torno do desenvolvimento para o município são fantasiosos. A figura, a seguir apresenta dados de emprego e renda no comércio e na indústria de transformação no município, para os anos de 2006, 2010 e 2015.

















Fonte: Elaboração própria com base no MTE

Vejamos então a verdadeira situação do município. Em 2006, portanto, antes das obras do porto do Açu, a participação do emprego no comércio era 10,96% em relação ao emprego total. Observe que no auge da construção em 2010, a participação do emprego no comércio caiu para 8,77% e já na fase de operação em 2015 a mesma participação se manteve em 9,04%. No caso da remuneração média nominal do comércio, podemos observar um forte declínio de sua participação. Em 2006 a participação era de 7,29% na renda total, caindo para 4,78% em 2010 e voltando a cair para 3,82% em 2015. Fica evidente que o setor de comércio não absorveu toda a dinâmica da construção e nem do início de operação do porto do Açu, a partir de 2014. Existem fortes indicativos de fuga da riqueza gerada pelos investimentos, em função da combinação do processo de importação de mão-de-obra na construção civil e da exportação de capital, bem de acordo com a relação centro/periferia.

No caso da indústria de transformação, a participação que era de 10,71% do emprego total em 2006, caiu fortemente no pico da construção em 2010 para 5,72%, voltando a crescer para 14,01% em 2015 na fase de operação. Considerando o ingresso de R$10 bilhões de investimento no período de 2007 a 2015 e algo em torno de uma dúzia de grandes empresas no aglomerado, o crescimento de 2015 está longe de representar a realidade esperada. A participação da renda média no setor que era de 16,20% em 2006, antes do porto, caiu fortemente para 4,32% em 2010 e voltou a crescer para 16,47% em 2015, atingindo o patamar de 2006.

Resta então a reflexão: será que trocamos seis por dúzia e arcamos com as externalidades negativas, próprias de investimentos dessa natureza? Ou será que estamos vivenciando uma situação bem pior do que antes da chegada do porto do Açu? 


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os reflexos do verão no emprego no comércio em São João da Barra


















São João da Barra é um Município produtor de petróleo e sede do porto do Açu. Os recursos gastos no planejamento, construção e operação do complexo portuário do Açu, no período de 2007 a 2016, somaram a bagatela de R$13 bilhões. Complementarmente, pelos menos R$350,0 milhões enchem os cofres do governo anualmente. Bem! Estamos falando de um Município muito rico, considerando que a sua população não passa de 35 mil habitantes. 

Essas observações ajudam a leitura do gráfico acima, que apresenta os saldos gerados de emprego no comércio no trimestre (janeiro-fevereiro-março) no período de 2007 a 2017. É importante ainda observar que estamos tratando de um período de férias escolares, verão, onde o Município "turístico" costuma gastar fortunas em shows e eventos diversos com a justificativa de aquecer o comércio.  

Meus amigos, ai está o resultado dessa discussão. Os saldos positivos de emprego nos anos de 2008 a 2011 e em 2014, foram pífios para as condições do Município. Pior ainda é que nos outros anos os resultados foram negativos, ou seja, o comércio eliminou empregos, mesmo com grandes volumes de recursos gastos pelo governo com a justificativa de animar o comércio. 

No primeiro trimestre de 2017, onde uma grande movimentação de navios no porto do Açu é motivo para propaganda política, uma nova gestão pública se inicia. Com o discurso de que o Município voltou a sorrir, novos gastos foram alocados em infraestrutura para atividades turísticas nada transparentes, além de substancias com a mesma justificava de animar o comercio. Vejam que nesse mesmo período o Município eliminou 9 vagas no comércio. Uma grande contradição! E ai?


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Emprego formal em março na região Norte Fluminense

A situação do emprego formal piorou na região Norte Fluminense. Foram eliminadas 1.815 vagas em março, contra 457 vagas eliminadas em fevereiro. Macaé eliminou 1.487 vagas de emprego, seguido por Campos dos Goytacazes que eliminou 321 vagas. O único município que gerou saldo positivo foi São João da Barra com 98 vagas criadas no mês.
No primeiro trimestre do ano, somente Conceição de Macabu e São João da Barra geraram vagas de emprego na região. Macaé lidera a eliminação de emprego no trimestre com 2.034 vagas, seguido por Campos dos Goytacazes com 867 vagas eliminadas. 
No total do trimestre foram eliminados 3.003 empregos na região. Setorialmente, a construção civil eliminou 620 vagas em Macaé, 358 vagas em Campos e 209 vagas em São João da Barra. O comércio eliminou 445 vagas em Campos, 437 vagas em Macaé e 9 vagas em São João da Barra. A indústria de transformação eliminou 80 vagas em Campos, 57 vagas em Macaé e 16 vagas em São João da Barra. Finalmente, o setor de serviços eliminou 531 vagas em Macaé, 7 vagas em Campos e criou 328 novas vagas em São João da Barra.
O estado do Rio de Janeiro eliminou 279 vagas no trimestre, enquanto o país gerou 13.399 vagas de emprego no mesmo período.

terça-feira, 18 de abril de 2017

As aglomerações portuárias cumprem o que prometem?

A propaganda em torno dos benefícios locais, provocados pela instalação de infraestrutura portuária pelo país é enganosa. Especialmente em relação ao porto do Açu no município de São João da Barra-RJ, movimento que acompanhei bem de perto, foi vendida a ideia de desenvolvimento econômico pelo empreendedor e pelos governantes. O discurso era de que o comércio local se transformaria em um grande fornecedor de bens e serviços das empresas recém-chegadas, impactando no aumento do emprego, renda e novos negócios. Esse ciclo virtuoso se materializaria em desenvolvimento econômico. Evidente que não passou de discurso.

Para comprovar tal afirmativa selecionamos três municípios impactados por projetos dessa natureza. São João da Barra-RJ (porto do Açu), Ipojuca-PE (porto de SUAPE) e Itaguaí (porto de Itaguaí).  Usamos a análise estatística de regressão múltipla, considerando o emprego como variável dependente e as variáveis emprego total, receitas correntes, investimento público, operações de crédito e crédito agropecuário como variáveis independentes, em uma série de 12 anos (2004 a 2015).

Os resultados gerados pelo modelo estatístico mostraram que em São João da Barra, a cada 1 (um) emprego total gerado, refletia na redução de -0,02 emprego no comércio. Isso quer dizer que em 100 (cem) empregos totais criados, 2 (dois) empregos no comércio eram eliminados. A correlação inversa mostra uma realidade oposta aos discursos, já que a riqueza gerada pelo investimento acaba fugindo do local que internaliza as externalidades negativas.

A situação de Ipojuca não é diferente, já que a cada 1 (um) emprego total gerado, o reflexo é de -0,044 emprego no comércio. Ou seja, para 100 (cem) empregos criados, -4,4 (quatro) empregos no comércio são eliminados. Os argumentos colocados acima se ajustam também na presente situação.

Finalmente, em Itaguaí a situação é diferente, pois ocorre um padrão de correlação positiva e mediana entre as variáveis emprego total e emprego no comércio. Em termos de previsão podemos afirmar que para cada 1 (um) emprego total criado, ocorre a criação de 0,016 emprego no comércio, ou seja, 100 (cem) empregos totais criados geram 1,6 empregos no comércio.

Nesse caso, podemos observar que o município de Itaguaí apresenta um melhor padrão de absorção das externalidades positivas do investimento, medida pelo emprego no comércio, do que Ipojuca-PE e São João da Barra-RJ, cuja correlação é inversa. Entretanto, a capacidade de absorção das externalidades positivas oriunda desses investimentos, por esses municípios, é inexiste ou ainda baixa para capacita-los ao esforço do desenvolvimento endógeno.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

DIVULGAÇÃO




Está no ar a sétima edição da Revista de Extensão da UENF. Boa leitura! Click no link abaixo.


sábado, 8 de abril de 2017

Instituições fazem diferença!

Sobre o modelo estatal operado pela Noruega, precisamos conhecer alguns pontos. Um deles a ser destacado:  o baixíssimo nível de corrupção (entre os menores do mundo), tanto no serviço público quanto no privado, que está fortemente ligado à transparência quase irrestrita. Diferentemente de outros países, onde o sigilo fiscal é inviolável e um valor defendido de forma apaixonada, na Noruega a renda e os impostos pagos por qualquer cidadão está disponível a quem estiver interessado desde o ano de 1814 (época em que era unida com a Suécia), quando essas informações já podiam ser obtidas nas prefeituras. Hoje, com a internet, os habitantes da Noruega conseguem facilmente descobrir quanto ganham e os impostos que pagam cada um de seus compatriotas, o que simplifica enormemente o combate à sonegação fiscal e enriquecimento ilícito.

http://voyager1.net/economia/o-livre-mercado-e-chave-para-prosperidade-noruega-prova-que-nao/

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A importância da terra para o desenvolvimento econômico



SINOP UMA CIDADE EM TRANSFORMAÇÃO - YouTube


Esta cidade tem 133 mil habitantes. Não tem petróleo e sim agronegócio.

PARA REFLETIR!

A maldição dos recursos naturais é um problema real encontrado principalmente em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, fato este que está ligado a uma estrutura política fraca e muitas vezes corrupta. A ganância de governantes e gestores corruptos faz com que os rendimentos do petróleo, principalmente na forma de pagamento de royalties ou outras indenizações, sejam desviadas ilegalmente não atingindo a quem deveria e principalmente, não gerando nenhum tipo de benefício para a sociedade (ENNS e BERSAGLIO 2015).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os negócios com a carne brasileira no exterior não foram afetados pela operação carne fraca em março

A operação carne fraca gerou desconfiança no exterior entre os parceiros comerciais do país, porém não afetou a exportação em março. O volume embarcado em tonelada da carne suína in natura, cresceu 24,3% em março com relação a fevereiro e caiu 3,4% em relação a março de 2016. O preço por tonelada exportada em março foi maior 8,5% em relação a fevereiro e maior 44,3% em relação a março do ano passado.
Já o volume em tonelada da carne bovina in natura cresceu 23,8% em março com relação a fevereiro e caiu 11,3% em relação a março do ano passado. O preço negociado em tonelada em março foi menor 0,06% em relação a fevereiro, porém maior 10,6% em relação a março de 2016.
A carne de frango in natura apresentou um crescimento de 14,1% no volume embarcado em tonelada em março, com relação a fevereiro, e uma queda de 6,8% em relação a março do ano passado. O preço negociado em março foi menor 0,3% em em relação a fevereiro e maior 20,0% em relação a março do ano anterior.
Agora é esperar para ver o comportamento das commodities nos próximos meses.

Resultado da Balança Comercail do Brasil em março

O Brasil apresentou um saldo superavitário de US$7.145 milhões em março, correspondente a US$20.085 milhões de exportação e US$12.940 milhões de importação. No acumulado do trimestre, o saldo superavitário bateu US$14.424 milhões, resultado de US$50.466 milhões de exportação e US$46.042 milhões de importação. 
Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, as exportações cresceram 24,4% no trimestre deste ano, enquanto as importações cresceram 12,0% no mesmo período. 
O comércio exterior é um dos indicadores positivos que vem animando a economia do país. A expectativa de excelente safra de grãos nesse ano promete aquecer ainda mais as relações comerciais com o exterior.  

Exportação de petróleo bruto em março

A exportação de petróleo em tonelada apresentou queda de 35,7% em março, com base no mês anterior. A receita em dólar também apresentou uma queda da ordem de 36,7% no mesmo período.
Na comparação com março de 2016, o volume embarcado em tonelada cresceu 32,4%, enquanto a receita em dólar cresceu 157,0% no mesmo período.
A receita aumentada se deu em função da boa recuperação do preço do petróleo em março deste ano. O valor bateu US$327,6 a tonelada embarcada para o exterior, representando um crescimento de 94,2% em relação a março do ano passado.

Exportação de Minério de Ferro em março

O volume em tonelada de minério de ferro exportado em março cresceu 41,4% em relação a fevereiro, enquanto a receita em dólar cresceu 58,3% no mesmo período. 
Na comparação com março de 2016, o crescimento do volume embarcado cresceu 20,0% e a receita cresceu 199,7% em decorrência da substancial recuperação do preço de exportação no período. O gráfico mostra a evolução do preço do minério para o mês de março, no período de 2012 a 2017.

Conforme podemos observar, depois que o preço de exportação da commoditie chegou a US$25,6 a tonelada em março de 2016, foi verificado um importante avanço para US$63,9 a tonelada em março de 2017, representando um crescimento de 149,6% em um ano.

Exportação de Açúcar em Bruto em março

A exportação de açúcar bruto em março apresentou uma queda 25,8% no volume embarcado em toneladas e uma queda de 21,0% na receita em dólar. 
Na comparação com março de 2016, a queda no volume embarcado atingiu 30,5% em março desse ano, enquanto a queda na receita atingiu 5,1% no mesmo período.
O preço por tonelada avançou 6,4% em março, com base em fevereiro deste ano. O gráfico a seguir mostra a trajetória do preço para o mês de março ao longo do período 2012 a 2017. 

Conforme podemos observar, depois de uma trajetória de queda no período de 2012 a 2016, considerando o mês de março, a recuperação começa a ocorrer em 2017.

sábado, 1 de abril de 2017

A trajetória do porto do Açu e seus reflexos

Segundo dados da Prumo Logística Global, a movimentação de navios nos terminais do Porto do Açu, em São João da Barra, vem sendo ampliada substancialmente. 

Em 2014, ano que marcou o início do processo de operação do porto, três navios movimentaram 240 mil toneladas de minério de ferro em direção ao exterior. Em 2015, a movimentação contabilizou 195 embarcações, em 2016 foram 966 embarcações e, só no primeiro trimestre de 2017, foi contabilizado uma movimentação de 129 embarcações, entre graneleiros, petroleiros, cargueiros e outras de apoio offshore ao setor petrolífero.

Já na ótica financeira, durante a fase de construção do porto foi movimentado um volume de investimento da ordem de 7,6 bilhões, enquanto na fase de operação foi movimentado um investimento de R$5,4 bilhões, consolidando um total de R$13,0 bilhões de 2007 a 2016.

Nesse contexto de sucesso do empreendimento privado, hoje podemos dizer que a sua instalação gerou externalidades negativas profundas. A desnecessária e perturbadora desapropriação de terras dos produtores rurais está sendo questionada na justiça e o governante da época e o empresário beneficiado, estão na cadeia. Os reflexos ambientais estão presentes nas lagoas e no subsolo salinizado, enquanto os reflexos sociais podem ser vistos no avanço da violência, na deficiência dos serviços de saúde, educação e moradia.


Enquanto esse quadro perverso aprofunda, as externalidades positivas fogem das mãos da população nativa. As vagas de emprego são ocupadas por trabalhadores de outras regiões, o fornecimento de insumos é feito por empresas de fora no município, o executivo não tributa corretamente os serviços executados no âmbito do porto e o comércio afunda em um ambiente de geração de riqueza. Um mundo de contradições! 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Produção Industrial no Estado do Rio de Janeiro

A produção física industrial geral do estado do Rio de Janeiro cresceu 4,6% em janeiro de 2017, com base no mesmo mês do anterior, enquanto o crescimento no país foi de 1,4% no mesmo período, segundo o IBGE. O crescimento industrial no Rio de Janeiro foi puxado pela indústria de metalurgia que cresceu 31,3%, seguido pela indústria extrativa com crescimento de 13% e pela indústria de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos com crescimento de 9,4%.

O destaque negativo ficou por conta da indústria de impressão e reprodução de gravações com queda de 73,7% e da fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores que apresentou uma queda de 40,5% no mesmo período analisado.


No Brasil, o destaque positivo ficou por conta da indústria de fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos com crescimento de 18% e o destaque negativo ficou por conta da fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis com queda de 11,1% em janeiro, com base no mesmo mês do ano anterior.

domingo, 19 de março de 2017

Em busca dos benefícios de grandes projetos nos municípios sede: o caso de São João da Barra

















Um indicador importante para medir a absorção interna das externalidades positivas dos grandes projetos, poderia ser o número de empresas constituídas no período equivalente. Na busca de um melhor entendimento sobre o caso de São João da Barra, sede do porto do Açu e produtor de petróleo, levantamos o número de constituição de empresas no período entre 2006 a 2016. Para auxiliar a análise, comparamos a mesma movimentação com São Francisco de Itabapoana e Santo Antonio de Pádua. Os dois municípios não receberam grandes investimentos no padrão de São João da Barra e não são produtores de petróleo.  
Como podemos observar na imagem acima, São João da Barra superou São Francisco na constituição de empresas no período entre 2010 a 2015, porém as diferenças foram pequenas, considerando a movimentação de riqueza em cada município.  Nos outros anos, praticamente não existiram diferenças.
Já na comparação com Santo Antônio de Pádua, é nítida a sua superioridade em relação a São João da Barra, fato que levanta dúvidas sobre os benefícios desses grandes projetos ancorados em municípios frágeis economicamente.  

sábado, 18 de março de 2017

O fator intangível na geração de riqueza das nações

Século XXI e ainda insistimos em enxergar o desenvolvimento unicamente pelo aspecto material. Reflita sobre o parágrafo a seguir:

A presente situação das nações é o resultado da acumulação de todas as descobertas, invenções, melhorias, aperfeiçoamento e esforços de todas as gerações que viveram antes de nós: elas formam o capital intelectual da presente raça humana, e toda nação específica só será produtiva na medida em que souber como apropriar-se destas conquistas de gerações anteriores e aumentá-las por meio de suas próprias aptidões (FRIEDRICH LIST, 1841, p. 183).

sexta-feira, 17 de março de 2017

As microrregiões geradoras de emprego no estado do Rio de Janeiro em 2017

















O estado do Rio de Janeiro eliminou 34.644 empregos no primeiro bimestre do ano. A microrregião Rio de Janeiro eliminou 28.676 empregos, ou o equivalente a 83% do total. Quatro microrregiões apresentaram saldos positivos. A microrregião Nova Friburgo com a criação de 207 vagas, a microrregião Itaperuna com a criação de 182 vagas, a microrregião Ilha Grande com a criação de 20 vagas e a microrregião Serrana com a criação de 4 vagas. 

Estados que geraram emprego em fevereiro


Vejam os estados geradores de emprego formal em fevereiro de 2017. São Paulo liderou com a geração de 21.093 novas vagas de emprego formal, ou seja, 51,62% do total de vagas geradas no país.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Emprego formal na região Norte Fluminense em feveriro

A região Norte Fluminense continuou eliminando vagas de emprego formal em fevereiro, porém em um volume menor. Foram eliminadas 457 vagas de emprego em fevereiro contra 731 vagas em janeiro desse ano. Campos e Macaé lideram o resultado negativo, só que em janeiro a liderança ficou com Campos, enquanto em fevereiro a liderança ficou com Macaé.
No acumulado de janeiro a fevereiro, Macaé eliminou 547 vagas, sendo 479 vagas na construção civil, 291 vagas no comércio e 263 vagas na industria extrativa mineral. Já o setor de serviços criou 350 vagas, a indústria de transformação criou 132 vagas e o setor agropecuário criou 8 vagas no acumulado do ano.  
Campos dos Goytacazes eliminou 286 vagas no comércio, 223 vagas na construção civil, 60 vagas na indústria de transformação e 15 vagas na indústria extrativa mineral. Saldos positivos de criação de empregos ficaram por conta do setor agropecuário com 21 novas vagas e no setor de serviços com 2 vagas criadas no período.
A região tem um saldo negativo correspondente 1.188 vagas de emprego eliminadas nos dois meses de 2017. 
O estado do Rio de Janeiro eliminou 34.644 vagas e o país eliminou 5.252 vagas.
Em janeiro, o Rio de Janeiro eliminou 26.472 e o país 40.864 vagas de emprego. Conforme podemos observar, o resultado no país foi positivo em fevereiro, com a criação de 35.612 novas vagas de emprego, enquanto o estado do Rio eliminou 8.172 novas vagas. O quadro positivo do emprego no país ficou bem longe do estado do Rio de Janeiro que é receptor de investimentos em setores estratégicos como petróleo e atividades portuária.

A crise política no país é um grande gargalo da reativação econômica

Vivemos uma crise politica sem precedentes no Brasil. Além do robusto processo de corrupção conduzido pela Operação Lava Jato, a classe politica não se intimida. Parece que esses indivíduos sofrem de déficit de inteligência ou realmente não acreditam na justiça e julgam que a população não tem capacidade de perceber as suas ações espúrias. Alguns exemplos confirmam essa tese. 

* No alto comando politico da Nação, o caixa 2 pode não ser crime.

* No estado o Rio de Janeiro, cria-se uma nova secretaria, em meio a uma turbulenta crise financeira, com o objetivo de proteger uma ex deputada e ex prefeita, com problemas na justiça. Felizmente a nomeação foi anulada por determinação justiça. 

* No executivo do Rio de Janeiro, o prefeito, além de nomear o próprio filho - inteligencia brilhante - nomeou ainda outros indivíduos desconhecidos profissionalmente, mas bem conhecidos da justiça, por práticas criminosas. 

* No interior, observa-se a alarmante prepotência do poder. Os eleitos sabem tudo, não precisam contar com o conhecimento cientifico. A articulação politica é a panaceia para solução de todos os problemas, segundo os mesmos.  

Como um ambiente contaminado, como esse, pode pensar em reativação econômica de forma sustável?


quarta-feira, 15 de março de 2017

Divulgação

Departamento História chtuffcht@gmail.com

12:07 (Há 2 horas)
para Cco:mim
Caras e Prezados Colegas, bom dia.
Venho convidá-los para a Abertura do Primeiro Semestre Letivo de 2017 do Departamento de História de Campos da Universidade Federal Fluminense – CHT/UFF – cuja primeira atividade será a Palestra e o Lançamento do mais recente livro do Prof. Dr. Aristides Arthur Soffiati Netto no dia 22/03/2017, quarta-feira, das 19h:30min às 22h, no auditório do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR) da UFF (ver endereço abaixo). O título da palestra é o mesmo do livro a ser lançado: Uma Outra História: Ensaios de Eco-História.
Endereço: Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional – ESR – Rua José do Patrocínio, 59/71 – Centro – Campos dos Goytacazes (RJ) – CEP 28010-385.
Favor Divulgar.
Atenciosamente,

sexta-feira, 10 de março de 2017

Royalties de petróleo na região Norte Fluminense em Fevereiro de 2017

A receita de royalties de petróleo na região Norte Fluminense cresceu 30,13% em fevereiro, com base em janeiro. Macaé cresceu 33,20%, Quissamã cresceu 32,24%, Carapebus cresceu 28,90%, Campos dos Goytacazes cresceu 28,35% e São João da Barra cresceu 21,70%.
Na comparação com fevereiro do ano passado, o crescimento da receita foi de 41,69%. Campos cresceu 32,63%, Carapebus cresceu 44,82%, Macaé cresceu 53,71%, Quissamã cresceu 39,97% e São João da Barra cresceu 27,83%.
Apesar do crescimento nominal da receita na região, a participação do total dos municípios do estado do Rio de Janeiro em relação aos municípios do pais, caiu de 53,69% em fevereiro de 2016 para 52,06% em fevereiro deste ano. É o quadro de envelhecimento da Bacia de Campos. 

O que a sociedade regional espera dos políticos!

Quando um novo governo toma posse, a sociedade espera a exposição de planos detalhados de como serão solucionados os problemas existentes e quais as estratégias que serão implementadas para que o município avance nos seus diversos aspectos (social, econômico, cultural, ambiental, politico, etc.). Não é o que está acontecendo! Os governantes estão gastando muito tempo fazendo exposições dos problemas encontrados, sem dizer como os mesmos serão resolvidos. A população está cansada de saber dos problemas, pois sofre na pele. Precisamos botar as "mãos na massa" para a construção uma nova realidade. Continuo na torcida!.

sábado, 4 de março de 2017

O emprego Formal na Região Norte Fluminense em janeiro de 2017

A região Norte Fluminense eliminou 731 empregos formais em janeiro. Apesar de continuar com saldo negativo, esse resultado é menos pior do que o resultado de dezembro que contabilizou a eliminação de 2.167 vagas de emprego. Na comparação com janeiro e 2016, onde foram eliminadas 1.905 vagas, o resultado atual também é menos pior.
Observando a movimentação setorial, vimos que o setor de comércio se destacou negativamente. O setor eliminou 173 vagas em Campos dos Goytacazes, eliminou 176 vagas em Macaé e eliminou 3 vagas em São João da Barra. 
A construção civil eliminou 84 vagas em Campos dos Goytacazes, eliminou 161 vagas em Macaé e eliminou 70 vagas em São João da Barra.
O setor extrativa mineral eliminou 15 vagas em Campos, eliminou 180 vagas em Macaé e eliminou 4 vagas em São João da Barra.
A indústria de Transformação reduziu a sua pressão negativa, eliminando 21 vagas em Campos e 1 vaga em São João da Barra.
O setor de serviços eliminou 88 vagas em Campos, mas criou 283 vagas em Macaé e criou 16 vagas em São João da Barra.
A pressão negativa também foi menor no estado do Rio de Janeiro que eliminou 26.472 novas vagas de emprego e no Brasil com a eliminação de 40.864 novas vagas em janeiro.



sexta-feira, 3 de março de 2017

Resultado da Balança Comercial do Brasil em fevereiro

O comércio exterior gerou um saldo superavitário de US$4.560 milhões em fevereiro, resultado de exportações de US$15.472 milhões e importações de US$10.912 milhões. No acumulado de janeiro e fevereiro, o saldo foi superavitário de US$7.285 milhões, resultado de US$30.383 milhões de exportações e US$23.099 de importações.
Na comparação com fevereiro do ano passado, foi contabilizado um crescimento de  49,9% no saldo. As exportações cresceram 15,9% e as importações cresceram 5,93%.
Na comparação entre o acumulado de janeiro e fevereiro de 2017, em relação ao mesmo período de 2016, as exportações cresceram 23,6% e as importações cresceram 12%. Já podemos verificar um bom resultado, já que os superávits anteriores estavam ancorados na queda das importações.

Exportação de petróleo em fevereiro

A receita de exportação de petróleo bruto cresceu 17,5% em fevereiro, com base em janeiro. O volume embarcado em tonelada cresceu 11,9%, enquanto o preço cresceu 5% no mesmo período. 
Na comparação com fevereiro de 2016, verificamos um forte aumento de 304% na receita de exportação. O volume embarcado em tonelada cresceu 94,3% e o preço dólar / tonelada cresceu 108,1% no mesmo período. Uma boa recuperação do preço, no momento de crescimento da produção no pré-sal brasileiro.

Exportação de minério de ferro em fevereiro

A receita de exportação de minério caiu 9,3% em fevereiro, com base em janeiro. O volume embarcado caiu 11% e o preço cresceu 1,96% no mesmo período.
Na comparação com fevereiro do ano passado, verificou-se um forte crescimento de 114,3% na receita, queda de 14,1% no volume embarcado e uma forte aceleração no preço de 149,34% no mesmo período, o que refletiu no aumento da receita.
O gráfico apresenta a evolução do preço do minério de ferro no mês de fevereiro, considerando o período de 2012 a 2017. Observa-se uma boa recuperação em fevereiro último. 

Exportação de Açúcar em Bruto em fevereiro

A receita de exportação de açúcar em bruto caiu 13,2% em fevereiro, com base em janeiro deste ano. O volume em tonelada embarcado caiu 13,2% enquanto o preço apresentou um leve aumento de US$ 0,20 por tonelada.
Na comparação com fevereiro do ano passado, foi verificado uma queda de 1,69% na receita de exportação, uma queda de 31,98% no volume embarcado e um crescimento de 44,54% no preço, considerando o mesmo período.
A boa recuperação do preço em fevereiro último, na comparação com o mesmo mês nos anos anteriores é muito importante.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Crescimento de tributos e eliminação de empregos. Contradições em São João da Barra!



















Fonte: organização própria, com base nos dados da SEFAZ-RJ

O índice de Participação Municipal no ICMS (IPM-ICMS), no estado do Rio de Janeiro, é calculado a partir do destaque da parcela de 25% do total arrecadado de ICMS pelo estado a cada ano. São cinco os critérios estabelecidos para distribuição da parcela correspondente a cada município: população, área geográfica, receitas tributárias próprias, cota mínima e ajuste econômico.

O IPM-ICMS é calculado com base na movimentação do Valor Adicionado de dois anos atrás, ou seja o índice que define o valor do ICMS em 2017 é baseado no Valor Adicionado de 2015. 

Chamamos a atenção para uma grande contradição em São João da Barra. Observem no gráfico que de 2012 a 2015 o índice não se modifica e até cai em em 2015. Fica evidente que a atividade econômica se manteve inalterada nesse período, mesmo com as obras de construção do porto do Açu.

Nos dois últimos anos (2016 e 2017), ocorreu uma modificação acentuada no mesmo índice, puxado pelo inicio de operação do porto do Açu. Em meados de 2014 o processo se iniciou alavancando as receitas próprias do município. Em 2014 foi contabilizada uma receita de ISS de R$57,2 milhões e em 2014 esse valor evoluiu para R$63,7 milhões.  

Onde está a contradição? Veja que a expectativa era de que a movimentação em torno do porto do Açu criasse uma nova dinâmica no comércio, gerando emprego e renda, localmente. Isso não aconteceu, já que verificamos a estabilidade do  IPM-ICMS no primeiro período. 

Os dois anos seguintes (2016 e 2017), refletem o período de operação do porto, ou seja, (2014 e 2015). Sobre o resultado de 2016, observamos que, enquanto o município aumentou a sua receita de ISS e ICMS, houve eliminação de 1.436 vagas de emprego total e eliminação de 130 vagas de emprego no comércio, no mesmo ano. Para 2017, espera-se um quadro semelhante. 

Uma lição importante para São João da Barra

Turismo histórico gera receita
  - ATUALIZADO EM 25/02/2017 14:23 JORNAL FOLHA DA MANHÃ
"O interesse pelo turismo histórico e cultural vem crescendo por parte de turistas, professores e alunos de vários níveis, e isso tem levado muita gente a Quissamã, que conta com casarões antigos restaurados, documentos, fotos, senzalas e ruínas de casa grande. Como exemplo disso, temos o Museu Casa Quissamã, Memorial de Machadinha e Espaço Cultural Sobradinho.
Com retorno das atividades desde o dia 4 de janeiro, os espaços públicos contam com atrações para interesses diversos. Com entrada gratuita, são locais que valem a visita. E tem sido palco de visitas educativas, como o grupo de estudantes de Arquitetura que visitou o Museu há duas semanas. A cidade recebe visitantes de outras cidades, estados e países. O setor é visto por comerciantes locais como alternativa para a geração de emprego e renda.
O espaço mais procurado é o Museu Casa Quissamã, que já passou dos 50 mil visitantes e é considerado o maior conjunto arquitetônico da cidade e que, em seu interior, guarda um rico acervo de objetos e documentos. A alameda de palmeiras e o majestoso Baobá, um dos raros exemplares no Brasil da árvore africana, fazem o visitante se transportar para o século XIX. Aberto de quarta a sexta-feira, das 10h às 16h e, sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h, as visitas de grupo podem ser agendadas pelo telefone (22) 2768-1332.
O Complexo Histórico Fazenda Machadinha, formado pelas ruínas da Fazenda Machadinha (construída no século XIX), uma capela e quatro alas de senzalas, que foram restauradas, hoje são habitadas por descendentes dos negros feitos escravos, que mantiveram suas tradições culturais. Também é possível, em datas especiais, assistir a apresentações de danças, como o Jongo e o Fado. Completa o complexo o Memorial Machadinha, que conta a história dos habitantes do local e também retrata a história do povo africano, sobretudo da região de Kissama, em Angola.
Já o Centro Cultural Sobradinho num antigo casarão na área central, construído em 1870, que foi sede do cartório e dos correios e, após restauração foi transformado em centro cultural, com salão para exposições, biblioteca infantil, sala de leitura, espaço para aulas de arte, dança e música, cantina e palco. Compõe o conjunto uma réplica da Estação da Freguesia, referência do transporte ferroviário em Quissamã desde o final do Século XIX; e o Cine Quissamã. Aberto de segunda a sexta-feira, de 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h.
Comércio vê setor como opção interessante
Representantes da Associação Comercial e Industrial de Quissamã se reuniram com prefeita Fátima Pacheco, em janeiro, para formalizar parceria objetivando a reativação da entidade, fechada há cerca de 10 anos. A Associação tem hoje, em média, 90 cadastrados, mas número deverá quintuplicar nos próximos anos. Um dos temas da pauta foi no pedido de melhor estruturação dos pontos turísticos para o fortalecimento do setor. “Todos estão envolvidos no trabalho de parceria visando o crescimento de Quissamã”, diz o presidente da Associação, Anderson Barcelos.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Arnaldo Mattoso, o turismo é uma importante alternativa econômica para a região. “A crise do petróleo tem impactado diretamente os municípios do Norte Fluminense e é preciso buscar opções. Esse setor merece atenção especial e vamos impulsionar a atividade”, completou."

PARA REFLETIR: Índice de Participação no ICMS em 2017
Quissamã 1,082
São João da Barra 0,890

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Garantia de aquisição da produção agrícola em Campos. É possível?

http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/02/economia/1215293-programa-garante-aquisicao-de-pequenos-produtores.html

Reunião recente na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes discutiu a possibilidade de implementação do Plano de Aquisição de Alimentos do Governo Federal, como instrumento de fomento a produção agrícola municipal. Quero ratificar que esse esforço é de extrema importância, porém precisa ser pensado de forma diferente. 

Recentemente foi negociado com o estado do Espirito Santo, o fornecimento da merenda escolar para o município. A pergunta é: se hoje não conseguimos fomentar a produção para atender a merenda escolar no município, como vamos atender a demanda dos organismos federais? 

Insisto que é preciso planejar essa questão e forma sistêmica. É necessário pensar uma estrutura de governança institucional para conhecer a demanda, a oferta, o nível de organização, além de criar mecanismos de sensibilização e capacitação dos agentes envolvidos, para a ação coletiva. É preciso criar estratégias para eliminar gargalos relacionados a escala, tecnologia, organização, gestão, logísticas, etc. Trata-se de uma árdua tarefa que exige alto conhecimento. A política agindo, isoladamente, não mudará as condições já estabelecidas e que representam gargalos que são inibidores dos objetivos estabelecidos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A economia da região Norte Fluminense em debate

Cerimonia de instalação do Instituto Teotônio Vilela (ITV - PSDB) em Campos dos Goytacazes, com posse do Dr. Alexandre Buchaul como diretor, foi realizada nesta segunda feira 13 de fevereiro. 
A programação permitiu um amplo debate sobre a economia regional, especialmente, sobre as dificuldade dos municípios fixar a riqueza do petróleo e da infra estrutura portuária. O professor Alcimar Chagas apresentou indicadores que atestam que os municípios, ainda dependentes das rendas de petróleo, não conseguem resolver os problemas do subdesenvolvimento, enquanto as lideranças mantem as expectativas de solução regional via grandes investimentos.  
Como alternativa, o economista demonstrou o potencial do desenvolvimento endógeno, quando implementado a luz de um processo de governança capaz de desconstruir gargalos instalados, tais como: individualismo exacerbado, dificuldade de cooperar, problemas de confiança, etc. Nesse contexto, os recursos tangíveis e intangíveis de cada local exercem papel fundamental, completa o economista. 
O economista Ranulfo Vidigal, falou sobre as dificuldades orçamentárias vividas especialmente por Campos dos Goytacazes. Levantou as dificuldades do governo manter serviços fundamentais, no contexto da queda acentuada das receitas orçamentarias no exercício de 2017.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Participação especial do petróleo em queda na Bacia de Campos

As receitas relativas as participações especiais da produção de petróleo do 4º trimestre de 2016, transferidas para os municípios da região Norte Fluminense em fevereiro deste ano, cresceram 1,75% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Carapebus perdeu 48,2%, São João da Barra perdeu 15,67%, Quissamã perdeu 5,66% e Macaé perdeu 0,82%. Foi verificado um crescimento de 7,9% somente em Campos dos Goytacazes, no período analisado.
Importante observar que a participação relativa da região no total de receita distribuída para os municípios do país, caiu para 13,99% no ultimo trimestre de 2016, comparativamente, a participação de 24,13% o último trimestre do ano anterior. Este fato é devido a redução da produtividade na Bacia de Campos e a evolução da produção da Bacia de Santos. 

O crescimento do emprego da renda e do valor adicionado, impulsionado pelo porto do Açu, não reflete positivamente na dinâmica econômica local em São João da Barra

A movimentação para construção do porto do Açu iniciou na segunda metade de 2007 e o projeto de impacto ambiental, social e econômico, aprovado pelo INEA, definia, especialmente, na esfera econômica os seguintes impactos e, consequentes, medidas mitigadoras.

Na fase de construção, o impacto relacionado a geração de expectativa e incerteza na população, trazia a medida mitigadora de contratação local, objetivando a redução do desemprego na região.

Já na fase de construção, o impacto previsto de aumento de emprego e efeitos da desmobilização dos canteiros, trazia a medida mitigadora de capacitação de trabalhadores e prioridade na utilização de serviços, comércio e insumos locais, objetivando aumento da arrecadação de impostos e taxas. Um segundo impacto de aumento da demanda por bens e serviços, indicava a medida mitigadora de contratação de mão de obra local para evitar o afluxo de pessoas de outras regiões e, finalmente, o impacto de geração de conflitos com a população, trazia que como medida mitigada o apoio as atividades de agricultura e pesca artesanal.

Para verificar a ocorrência das medidas mitigadoras, recorremos ao instrumento estatístico análise de regressão linear, considerando emprego no comércio, como indicador de dinâmica econômica local e variável dependente, para verificar as respostas, em função das mudanças ocorridas nas variáveis independentes (PIB, PIB per capita, valor adicionado, emprego total, receitas correntes, operações de crédito, depósito à vista privado, receitas tributárias, rendimento do trabalho). Na prática, queríamos verificar até que ponto o crescimento dessas variáveis refletiam no crescimento no emprego no comércio localmente.

Os resultados foram pífios. O pior resultado entre outros municípios que receberam grandes investimentos baseados em recursos naturais, tais como: Campos, Macaé, no Rio de Janeiro; Altamira no Pará e Ipojuca em Pernambuco. O emprego no comércio em São João da Barra respondeu somente a movimentação dos depósitos a vista privado, mesmo assim inversamente. Ou seja, em termos de previsão com base no período analisado de 2004 a 2014, a movimentação de R$ 1,0 milhão de depósito à vista privado apresentou resposta na eliminação de quatro empregos no comércio.

Conforme podemos verificar, não existe correção entre as variáveis que apresentam evolução positiva com a movimentação do comércio, o que orienta a nossa confirmação de que as medidas mitigatórias não foram devidamente implementadas e o município amarga os resultados dos impactos negativos. A riqueza gerada por todo esse período no município seguiu um fluxo de saída, deixando a sociedade local literalmente a ver navios.