Participação relativa do trabalho nos setores econômicos em São João da Barra




















A avaliação relativa da movimentação econômica em São João da Barra, nos últimos quinze anos, pela ótica do emprego, mostra poucas mudanças no quadro. É importante considerar que o município é produtor de petróleo, portanto, beneficiário de royalties e participações especiais.
Em termos absolutos, podemos até considerar que houve crescimento econômico, já que em 31 de dezembro de 2005 o município contabilizou 3.892 vínculos e R$2.670.384,15 de remuneração nominal do trabalho. Esses valores evoluíram para 10.499 vínculos e R$29.574.707,60 de remuneração nominal do trabalho em 2015.
O que chama atenção nessa trajetória é a participação relativa da administração pública, que apesar da diminuição do seu peso, conseguiu manter a liderança entre os outros setores de atividade. Em 2005, o vínculo trabalhista representava 51,7% e a remuneração 59,31%. Em 2015, o vínculo caiu para 35,7% e a remuneração para 35,49%. Podemos observar que a relação remuneração /vínculo, em 2015, diminuiu em relação a mesma relação em 2005.
O setor de construção civil apresentou mudanças importantes, em função dos investimentos nas atividades ligadas ao Porto do Açu. Em 2005 o vínculo tinha 6,63% de participação e a remuneração 4,72%, evoluindo para 23,62% e 32,75% em 2010, caindo para 19,79% e 19,55%, consecutivamente, em 2015. Podemos observar uma evolução salarial, principalmente em 2010, pela forte demanda por trabalhadores, fato que não se repetiu em 2015, em função da crise econômica instalada.
O setor de serviços apresentou uma participação de 9,17% de vinculo e 10,53% de remuneração em 2005, uma pequena evolução de 11,14 de vinculo e 9,16% de remuneração em 2010 e, ainda, evolução para 18,38% de vinculo e 18,88% de remuneração em 2015.
O setor de indústria de transformação, que apresentou participação de 14,03% de vinculo e 15,59% de remuneração em 2005, caiu fortemente em 2010 para 5,72% de vinculo e 4,08% de remuneração, retornando a posição anterior em 2015 com 14,01% de vinculo e 16,6% de remuneração.
Já os setores de atividade que deveriam se beneficiar da trajetória de crescimento absoluto da economia, se deprimiram em termos relativo. A agropecuária que apresentou participação relativa de 4,45% de vínculo e 2,18% de remuneração em 2005, retraiu para 1,02% de vinculo e 0,38% de remuneração em 2015. O baixo padrão salarial pode ser observado através dos indicadores acima.
Já o comércio apresentou participação de 13% de vinculo e 7,58% de remuneração em 2005, caindo para 8,77% de vinculo e 4,66% de remuneração em 2010, com leve evolução do vínculo para 9,04% em 2015 e o aprofundamento da queda de participação da remuneração para 3,84%, no mesmo ano. Novamente podemos observar a desvalorização do salario neste setor. 
Uma conclusão evidente é de que a absorção dos benefícios do crescimento absoluto do emprego (vínculo e remuneração) é inexistente no município. 

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