Um olhar para a economia de Campos dos Goytacazes, através do Emprego e renda média

O IBGE divulgou os dados de emprego formal e remuneração média referentes a 2015, para os municípios do país. Levantamos os dados de Campos dos Goytacazes para uma avaliação, mesmo que estática, da conjuntura econômica, pelo foco das mesmas variáveis. Segundo o gráfico a seguir, fica evidente a concentração do emprego nos setores de comércio e serviços.



















Esses dois setores absorvem 66,8% do emprego total no município, enquanto a administração pública absorve 14,61%. Os setores de industria de transformação e agropecuária participam com 8,08% e 1,73%, consecutivamente.
A análise da participação relativa da remuneração média setorial, capta um maior desvio nos setores de comércio (emprego 27,14% / renda 16,94%) e administração pública (emprego 14,61% / renda 26,73%). Aliás, podemos confirmar que a relação entre as variáveis na administração pública quase dobra, acentuando a maior remuneração nesse setor (5,31 salários mínimos).
Uma outra análise nos permite observar que o emprego e a renda do município se concentra em três setores: Serviços (emprego 39,66% e renda 40,90%); Comércio (emprego 27,14% e renda 16,94%) e Administração Pública (emprego 14,61% e renda 26,73%). O total de participação dos três setores atinge 81,41% para a variável emprego e 84,57% para a variável renda do trabalho.
O que esse quadro representa? Efetivamente, problemas. O discurso de que o município é especializado em serviços não se sustenta, já que, apesar do consistente peso relativo, fica evidente que o setor tem baixa remuneração média, ou seja, em torno de 2,99 salários mínimos. 
Um outro problema está na forte participação do rendimento médio na administração pública, ou seja, 40,90% do rendimento total. Nesses setores avaliados, o trabalho produtivo tem pouca expressão. Os setores de indústria de transformação e agropecuário apresentam natureza produtiva, já que estimulam a formação de cadeias de produção. Neste caso, o município apresenta a sua fragilidade, já que a participação do trabalho soma 9,81% e o rendimento médio soma 6,91% somente. O resultado desse quadro de total fragilidade econômica é que somos importadores de bens e serviços e geramos emprego e renda fora.
O combate a esse quadro exige estratégias de indução ao trabalho produtivo. Nesse caso, diagnosticar os recursos tangíveis e intangíveis, além de planejar a integração universidade-governo-firmas, passa a ser o papel essencial do poder público, que deve ampliar parcerias com as organizações não governamentais. 

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