sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Impactos da fase de operação do porto do Açu no emprego em São João da Barra



















As expectativas em relação a forte geração de emprego, gerada pela fase de operação do porto do Açu, não têm se consolidado. Na fase de construção os empregos gerados ficaram abaixo das expectativas e a justificativa era que, na fase de operação, os empregos apareceriam. A fase de operação teve inicio no segundo semestre de 2014 e, dois anos depois, o saldo negativado entre demissões e desligamentos só aumenta. Em 2014 foram eliminados 383 vagas, em 2015 foram eliminadas 568 vagas e em 2016 (janeiro a setembro), foram eliminadas 989 vagas de emprego.
A estrutura portuária é uma realidade e vem ampliando os negócios de interesse empresarial, sem dúvidas. Entretanto, a absorção interna das externalidades positivas parece bem distante, enquanto as externalidades negativas tem afetado o território de forma bastante acentuada. A mudança na condução do executivo no município, não garante nada de novo, já que as práticas são as mesmas e a ausência de competências no âmbito da gestão pública, é uma triste realidade.  

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Quais são os principais municípios eliminadores de emprego no estado do Rio de Janeiro?

O gráfico apresenta os nove principais municípios, responsáveis pela eliminação de 86,5% do total dos empregos formais no estado do Rio de Janeiro, no período de janeiro a setembro deste ano. Do total de 168.134 vagas de emprego eliminadas no estado, o município do Rio de Janeiro foi responsável por 59,5%, Macaé por 6,3%, Niterói por 5,8%, Duque de Caxias por 4,4%, Angra dos Reis por 2,6%, Volta Redonda  por 2,2%, São João da Barra e São Gonçalo por 2,0% e Campos dos Goytacazes por 1,7% do total. Como podemos observar, menos de 10% dos municípios do estado foram responsáveis por 86,5% do total de empregos eliminados no estado. A crise no setor de petróleo tem um papel fundamental nesse processo.

Emprego formal em setembro na região Norte Fluminense

A região Norte Fluminense eliminou 2.591 vagas de emprego formal em setembro, superando as 2.141 vagas eliminadas em agosto. Macaé eliminou 1.359 vagas, Campos eliminou 776 vagas, São Francisco de Itabapoana eliminou 383 vagas e São João da Barra eliminou 113 vagas no mês.
No acumulado de janeiro a setembro, a região eliminou 15.201 vagas, número superior 93,3% ao saldo do mesmo período de 2015.
Na análise por setor de atividade, considerando o período de janeiro a setembro, Campos dos Goytacazes eliminou 1.581 vagas no comércio, 1.475 vagas no setor de serviços, 903 vagas na indústria de transformação, 561 vagas na construção civil e 7 vagas no setor extrativa mineral. O setor agropecuário apresentou um saldo positivo de 1.830 vagas criadas no período.
Macaé eliminou 6.322 vagas no setor de serviços, 1.831 vagas na construção civil, 1.269 vagas no comércio, 926 vagas na industria de transformação, 287 vagas no setor extrativa mineral e 24 vagas no setor agropecuário.
São João da Barra eliminou 583 vagas na construção civil, 128 vagas no setor de serviços, 102 vagas no comércio, 45 vagas no setor extrativa mineral, 34 vagas na industria de transformação e 6 vagas no setor agropecuário.
Como podemos observar, a recuperação econômica da região parece está bem distante.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

PEC 241: essência do mal ou começo do bem?

http://www.valor.com.br/brasil/4754743/pec-241-essencia-do-mal-ou-comeco-do-bem

VALOR ECONÔMICO
25/10/2016 às 05h0


As críticas que se fazem à Constituição de 1988 não atingem o que se pode chamar a sua "filosofia". Ela pretende instituir uma sociedade onde os homens possam gozar de plena liberdade para se realizarem; onde a igualdade de oportunidades é um valor importante e onde a atividade econômica será, preferencialmente, exercida pelo setor privado, sob o .......................


domingo, 16 de outubro de 2016

Depois da queda das rendas petrolíferas, um ciclo desafiador para os municípios produtores da Bacia de Campos

Um novo ciclo desafiador para Campos dos Goytacazes e municípios da rota petrolífera da Bacia de Campos se inicia. Na esfera política, especialmente, o município de Campos dos Goytacazes encerra uma etapa sob o domínio de um grupo político que, não desprezando a sua importância, se desgastou com o tempo, abrindo espaço para novas lideranças que souberam aproveitar o forte sentimento de mudança da população.

Na esfera econômica, tanto o diagnóstico da conjuntura presente, quanto as expectativas de médio prazo, não são tão animadoras. Os gestores públicos ignoraram a crise econômica mundial iniciada em 2008, cujo papel foi importante na redução do consumo de petróleo mundialmente e, consequentemente, no desequilíbrio entre a oferta em expansão e a demanda em retração. O resultado, naturalmente, não seria outro, senão a queda do preço da commodity e a redução das transferências de royalties e participações essenciais para os municípios produtores de petróleo.

Dados da ANP mostram que, em 2009, a participação relativa da produção de petróleo no Rio de Janeiro era equivalente a 85% da produção do país, caindo para 67,9% a mesma participação em 2015.

O ciclo de vida útil da Bacia petrolífera de Campos, foi outro elemento não observado. Como o processo de produção comercial offshore teve início em 1977, no campo de Enchova, era de esperar a desaceleração da produtividade quase quatro décadas depois, fato ignorado pelos gestores públicos beneficiários dos royalties de petróleo.

Diante desse quadro, fundamentalmente, em Campos dos Goytacazes, pode-se observar, ainda, o crescimento do custeio frente ao crescimento das receitas correntes realizadas. Em 2009, as despesas com custeio absorviam 74% das receitas correntes, evoluindo para 85% em 2014. Os dados de 2015 e 2016 não estão disponíveis, porém sabe-se que o grau de comprometimento das receitas correntes aumentou fortemente, levando o município a recorrer a diversos empréstimos junto a órgãos financeiros. A figura mostra a trajetória da curva de custeio.

Como conclusão, podemos afirmar que a equação é complexa já que combina arrecadação em queda, despesas orçamentárias aumentadas, frágil estrutura produtiva, baixo rendimento do trabalho assalariado e um forte padrão de desigualdade social.  Nesse caso, a recuperação da economia local deve passar por um eficiente diagnóstico dos recursos, tanto tangíveis, quanto intangíveis; por efetivo comprometimento no processo de interação governo-universidade-empresa; por uma melhoria do padrão de eficiência da estrutura de governança do setor público; pelo esforço de resgate da confiança, como elemento da ação coletiva e, finalmente; pelo incentivo ao afloramento do espirito empreendedor no contexto da sociedade.

“O foco no trabalho produtivo, resgatando Adam Smith, se caracteriza na estratégia mais promissora para o município de Campos dos Goytacazes e região da rota de petróleo da Bacia de Campos”.

“Somente a combinação produtiva de recursos tangíveis e intangíveis é capaz de criar cadeias produtivas, responsáveis pelo aumento do rendimento crescente e seus reflexos no aumento do emprego, da renda e do bem-estar da população”.

domingo, 9 de outubro de 2016

A pecuária leiteira em Campos dos Goytacazes, Itaperuna e SFI em 2015

A divulgação dos dados da pecuária municipal pelo IBGE, em 2015, expôs mais um indicador ruim para Campos dos Goytacazes. Neste ano, o número de vacas ordenhadas não variou em relação a 2014, que já vinha de uma queda acentuada, comparativamente, a 2013. 
A produção leiteira, por sua vez, caiu 27% em 2015 com base em 2014, indicando uma retração da produtividade de 1.158,79 litros/vaca ano em 2014, para 845,92 litros/vaca ano em 2015.
Em São francisco de Itabapoana, o número de vacas ordenhadas e a produção leiteira caíram 16,7% em 2015, com base em 2014, mantendo a produtividade em 1.200,27 litros/vaca ano.
Já Itaperuna, apresentou um crescimento de 16,6% no número de vacas ordenhadas e na produção leiteira em 2015, com base em 2014, mantendo a produtividade de 1.236,0 litros/vaca/ano.
Os três municípios tem um estoque de vacas ordenhadas da ordem de 84.193 cabeças, equivalentes a 20,8% do estoque do estado, enquanto a produção leiteira é de 93.932 mil litros, ou o equivalente a 18,3% do total do estado.
O valor da produção leiteira desses municípios soma R$ 90.442 mil, equivalentes a 17,7% do valor da produção no estado.
Temos muito o que fazer ainda!


Rendimento médio do salário em Campos dos Goytacazes no período de 2004 e 2015

Verificando o rendimento médio do trabalho em Campos dos Goytacazes, no período de 2004 a 2015, confirmamos a ausência de ações indutivas à atividade produtiva. Pelo menos na primeira metade do período, os preços do barril de petróleo estavam em alta, assim como a produtividade da Bacia de Campos, o que permitiu transferências polpudas de royalties e participações especiais. Os orçamentos elevados parece ter alimentado a estrutura de custeio, apesar do padrão satisfatório de investimento, quando visto pela ótica quantitativa. Vejam que é essencial a combinação quantidade x qualidade. O gráfico mostra a participação percentual do rendimento médio por setor de atividade no município.               















Os setores produtivos agropecuário e indústria de transformação encolheram as suas participações no período. O agropecuário de 4,65% em 2014 para 1,02% em 2015 e a indústria de transformação de 7,49% para 5,93%, no mesmo período. Contrariamente, o setor de administração pública cresceu a sua participação de 20,15% em 2004 para 26,88% em 2015. 
No setor de serviços a participação caiu de 45,93% em 2004 para 41,12% em 2015, enquanto na construção civil a participação foi ampliada de 3,81% em 2004 para 5,61% em 2015.
Esse retrato mostra a fragilidade econômica do município e a sua dependência as rendas de petróleo, cuja trajetória é de queda sem perspetiva de recuperação. Nesse caso, pensar alternativas para a recuperação e sustentabilidade da economia do município  é essencial.

sábado, 8 de outubro de 2016

Um olhar para a economia de Campos dos Goytacazes, através do Emprego e renda média

O IBGE divulgou os dados de emprego formal e remuneração média referentes a 2015, para os municípios do país. Levantamos os dados de Campos dos Goytacazes para uma avaliação, mesmo que estática, da conjuntura econômica, pelo foco das mesmas variáveis. Segundo o gráfico a seguir, fica evidente a concentração do emprego nos setores de comércio e serviços.



















Esses dois setores absorvem 66,8% do emprego total no município, enquanto a administração pública absorve 14,61%. Os setores de industria de transformação e agropecuária participam com 8,08% e 1,73%, consecutivamente.
A análise da participação relativa da remuneração média setorial, capta um maior desvio nos setores de comércio (emprego 27,14% / renda 16,94%) e administração pública (emprego 14,61% / renda 26,73%). Aliás, podemos confirmar que a relação entre as variáveis na administração pública quase dobra, acentuando a maior remuneração nesse setor (5,31 salários mínimos).
Uma outra análise nos permite observar que o emprego e a renda do município se concentra em três setores: Serviços (emprego 39,66% e renda 40,90%); Comércio (emprego 27,14% e renda 16,94%) e Administração Pública (emprego 14,61% e renda 26,73%). O total de participação dos três setores atinge 81,41% para a variável emprego e 84,57% para a variável renda do trabalho.
O que esse quadro representa? Efetivamente, problemas. O discurso de que o município é especializado em serviços não se sustenta, já que, apesar do consistente peso relativo, fica evidente que o setor tem baixa remuneração média, ou seja, em torno de 2,99 salários mínimos. 
Um outro problema está na forte participação do rendimento médio na administração pública, ou seja, 40,90% do rendimento total. Nesses setores avaliados, o trabalho produtivo tem pouca expressão. Os setores de indústria de transformação e agropecuário apresentam natureza produtiva, já que estimulam a formação de cadeias de produção. Neste caso, o município apresenta a sua fragilidade, já que a participação do trabalho soma 9,81% e o rendimento médio soma 6,91% somente. O resultado desse quadro de total fragilidade econômica é que somos importadores de bens e serviços e geramos emprego e renda fora.
O combate a esse quadro exige estratégias de indução ao trabalho produtivo. Nesse caso, diagnosticar os recursos tangíveis e intangíveis, além de planejar a integração universidade-governo-firmas, passa a ser o papel essencial do poder público, que deve ampliar parcerias com as organizações não governamentais. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Balança Comercial brasileira em setembro

A balança comercial brasileira foi superavitária em US$3.803 milhões em setembro. As Exportações somaram US$ 15.790 milhões, enquanto as Importações somaram US$ 11.987 milhões.
No acumulado deste ano, o saldo superavitário salta para US$ 36.175 milhões, resultado de US$ 139.361 milhões de exportação e US$ 103.166 milhões de importação.
Na comparação com o período de janeiro a setembro de 2015, verifica-se uma queda de 3,6% nas exportações e uma queda de 23,2% nas importações, condição que acelerou o saldo superavitário do período janeiro a setembro de 2016. 

Exportação de petróleo em setembro


O volume de petróleo em toneladas, embarcado para o exterior, cresceu  2,9% em setembro, com relação a agosto, enquanto o preço, praticamente, se manteve constante.

Na comparação com setembro do ano passado, o crescimento do volume embarcado foi de 41,8%, enquanto o preço caiu 1,4% no mesmo período.
A receita de exportação em dólar cresceu 3,1% em setembro, com base em agosto e cresceu 39,8% em relação a setembro de 2015.
O gráfico mostra a evolução do preço por tonelada do petróleo exportado nos meses de 2016. 
Depois de uma trajetória de recuperação, houve uma estabilização no último trimestre.

Exportação de minério de ferro em setembro

O volume embarcado de minério de ferro para o exterior cresceu 2,4% em setembro, com base em agosto, enquanto o preço cresceu 10,4% no mesmo período.
Na comparação com setembro de 2015, o volume exportado caiu 0,8%, enquanto o preço cresceu 13,2% no mesmo período. 
A receita de exportação cresceu 13,1% em setembro, com base em agosto e 12,2% em relação a setembro do ano passado.
O gráfico mostra a evolução do preço do minério de ferro na exportação brasileira. Conforme podemos verificar, a recuperação deste ano ainda é insuficiente para alcançar o padrão do triênio 2012 - 2014.

Exportação de açúcar em bruto brasileiro em setembro

A exportação brasileira de açúcar, vem se recuperando ao longo desse ano. Em setembro, o volume embarcado cresceu 21,1% em relação a agosto, enquanto o preço cresceu 3,5% no mesmo período. 
Na comparação com setembro de 2015, o volume embarcado cresceu 90,9%, enquanto o preço cresceu 29,4%. A receita de exportação em dólar cresceu 25,2% em setembro, com base em agosto e cresceu 147,1% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O gráfico mostra a evolução do preço do açúcar no comércio exterior. Podemos verificar o crescimento neste ano, porém ainda aquém do preço praticado em 2012. 

domingo, 2 de outubro de 2016

A falha da gestão orçamentária somente pelo lado da receita: o caso de Campos dos Goytacazes

A gestão orçamentária em Campos dos Goytacazes é focada estritamente na receita. É uma via de mão única, onde a expectativa de crescimento da receita gera um crescimento efetivo da despesa. Não estão presentes estratégias para a gestão da estrutura de despesas. O gráfico mostra a evolução da relação percentual entre as despesas e receitas no período de 2009 a 2015. 
Já em 2010, observa-se o rompimento do equilíbrio fiscal, onde as despesas totais representaram 101% das receitas totais. É importante observar que a queda abrupta do preço do barril de petróleo veio somente na segunda metade de 2014, o que fortalece a tese de que o problema da gastança é anterior. 
A relação média entre despesas totais e receitas totais ficou em 95% no período analisado, mesmo considerando o ingresso de novos recursos oriundos de empréstimos, fato que também comprova a dificuldade do município no controle das despesas, fundamentalmente, as de custeio. 
No mesmo período, enquanto as despesas totais cresceram 63,78% as receitas totais cresceram 43,23%. Vejam que apesar do ingresso de recursos novos, o equilíbrio fiscal não foi alcançado.