domingo, 31 de julho de 2016

As contradições da estrutura produtiva de Campos dos Goytacazes















A estrutura produtiva do município de Campos dos Goytacazes apresenta contradições importantes que precisam ser combatidas urgentemente. Olhando pela ótica do trabalho, o município apresentou um estoque de 103.218 empregos formais em 2014, com a seguinte distribuição: 37,42% no setor de serviços; 26,86% no comércio; 14,45% na administração pública; 8,79% da indústria de transformação; 7,66% na construção civil, 2,58% na agropecuária e 0,33% na indústria extrativa mineral. O gráfico a seguir, apresenta a participação relativa setorial do emprego e renda em relação ao total do município.

Uma primeira observação diz respeito ao baixo padrão da renda assalariada, oriunda do trabalho. Observe que a proporção da renda é inferior a proporção do estoque de emprego no setor extrativa mineral, na indústria de transformação, na construção civil e na agropecuária. Somente os setores de serviços e administração pública se diferem. No setor de serviços as proporções se igualam, enquanto na administração pública, a proporção da renda supera em duas vezes a proporção do estoque de emprego. A renda média assalariada alcançou a 3,02 salários mínimos neste ano.

Olhando para o setor de serviços, o mais importante em termos de participação relativa, ou seja, 37,42% no emprego e 37,82% na renda, observamos uma renda média de R$2.219,16 em 2014, portanto próxima da renda média total. O setor de administração pública, apesar da participação inferior do estoque de emprego, apresentou uma renda média assalariada de R$4.466,70 no mesmo ano, ou praticamente o dobro da renda do maior setor em termos de emprego.

Se considerarmos que o setor público não cria riqueza e que o setor de serviços apresenta baixo padrão de conhecimento e, consequentemente, baixo padrão de renda assalariada, temos 51,87% da força de trabalho concentrada nesses dois setores. Complementando a análise e, entendendo que o comércio é uma atividade estéril que, simplesmente, transfere produtos, sem nada modificar, a proporção de trabalho concentrado sobe para 78,73% nos três setores. Ou seja, o município tem quase 80% da força de trabalho concentrada em três setores que não suportam a responsabilidade de geração de riqueza. Por outro lado, os setores que realmente poderiam gerar riqueza, a agropecuário e a indústria de transformação, concentram somente 11,37% do total e detém os menores padrões de renda. A Industria de transformação R$1.574,05 e o setor agropecuário R$1.331,02 no mesmo ano.


No primeiro semestre de 2016, podemos confirmar essas contradições. O município eliminou 1.594 vagas de emprego de janeiro a junho, com participação negativa do comércio, eliminando 1.482 vagas e do setor de serviços, eliminando 1.025 vagas no mesmo período. Contrariamente, o setor agropecuário aliviou um problema que poderia ser maior, já que criou 2.360 vagas no mesmo semestre. Entretanto, tal fato é consequência do início da safra de cana de açúcar que movimenta a única cadeia produtiva do município. Nesse período o campo e a cidade se integram em torno do setor sucro-energético que se dinamiza em função do funcionamento de oficinas, transporte, usina de processamento e outros serviços relacionados. Uma pena que no final do ano toda essa dinâmica se desfaz, o que mostra a insuficiência dos setores de serviço, comércio e administração pública de suportar a necessária dinâmica produtiva do município. Isso nos leva a confirmar a tese de que é preciso acionar a indústria de transformação e planejar outras cadeias produtivas como base da dinâmica produtiva e do desenvolvimento municipal.

sábado, 30 de julho de 2016

Ortigueira no PR apresentou o melhor Índice de Gestão Fiscal no País

























Imagens do município campeão do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) no Brasil, ano base 2015. Ortigueira, no Paraná, obteve os maiores conceitos entre todos os municípios do país. O índice geral foi 0,9570 (a escala vai de 0 a 1), com a seguinte distribuição: Receitas Próprias (0,8965); Gasto com Pessoal (0,9181), Investimento (1,000); Liquidez (1,000) e custo da dívida (1,000). Obteve conceito "A" em todos os fundamentos.
O município tem 23.418 habitantes, Produto Interno Bruto de R$412.189 mil, distribuídos em 45,67% no setor agropecuário; 21,22% no setor de serviços e 10,12% no setor industrial. As receitas orçamentárias somaram R$81.825 mil em 2015.

Índice Firjan de Gestão Fiscal em 2015

A FIRJAN divulgou estudo sobre a gestão fiscal dos municípios do país, ano base 2015. Selecionamos os municípios campeões nos estados da federação, de forma a identificar a avaliação do estado do Rio de Janeiro. O Município do estado com a melhor avaliação é o Rio de Janeiro com avaliação 0,7908 (nota B), considerando as notas de de A a D. O Município apresentou conceitos máximos nos fundamentos receitas próprias e investimento, e conceito B nos gastos com pessoal. A pior avaliação foi no fundamento liquidez com conceito C.
A classificação do primeiro município do estado do Rio de Janeiro, no contexto do estado, foi 28º lugar. Observe que os primeiros municípios dos estados do Paraná, Ceará, São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul Goiás e Mato Grosso do Sul, ocuparam posições acima do Rio de Janeiro, fato que explica as dificuldades fiscais por que passa os municípios do mesmo estado. Vejam que, além da crise macroeconômica, existem problemas de ordem doméstica muito sérios.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A valorização da produção doméstica e seus reflexos na riqueza local

Essas imagens mostram a valorização da produção local em San Sebastián na Espanha, cidade bem próxima a fronteira com a França. Com 190 mil habitantes, esta cidade aproveita muito bem a sua estrutura produtiva local, integrando-a com eficiência a um sistema turístico rico. Banhada pelo mar cantábrico, na temporada de verão recebe turistas do mundo inteiro, que deixam valores expressivos em Euro. Fora do período de verão, a cidade recebe turistas para a prática de esqui nas montanhas. Como podemos observar, o comércio se dinamiza a partir do funcionamento das cadeias produtivas agropecuárias e do processamento de produtos e serviços provenientes do rico estoque de recursos naturais. Esse formato de planejamento e gestão econômica funciona e permite a geração de riqueza com melhor distribuição para a população interna.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O emprego formal no país em junho de 2016

O país eliminou 91.032  empregos em junho e 549.543 no primeiro semestre do ano. Na comparação com o primeiro semestre de 2015, a situação piorou já que foram eliminados 389.533 empregos neste semestre. 
O estado do Rio de Janeiro eliminou 15.748 empregos em junho e 104.767 no acumulado de janeiro a junho. Na comparação com o mesmo período de 2015, o quadro também piorou já que foram eliminados 78.964 empregos neste semestre.
A região Norte Fluminense apresentou uma contribuição de 8,8% no saldo negativo do estado do Rio de Janeiro, no primeiro semestre deste ano.

Emprego formal em junho na região Norte Fluminense

A região Norte Fluminense eliminou 473 empregos formais em junho. Macaé puxou o saldo negativo com 886 empregos eliminados, enquanto Campos dos Goytacazes contribuiu positivamente com geração de 530 empregos no mês. São Francisco de Itabapoana também contribuiu positivamente com geração de 130 empregos no mês.
No acumulado de janeiro a junho, foram eliminados 9.232 empregos na região, cuja liderança ficou por conta de Macaé com 6.892 empregos eliminados, sendo: 4.011 no setor de serviços; 1.511 na construção civil; 999 no comércio; 176 na indústria de transformação e 166 na indústria extrativa mineral.
Campos dos Goytacazes eliminou 1.532 empregos no semestre, sendo: 1.455 no comércio; 862 no setor de serviços; 805 na indústria de transformação; 588 na construção civil. O setor agropecuário se destacou positivamente gerando 2.354 vagas no semestre.
São João da Barra eliminou 665 empregos  no semestre, sendo: 384 na construção civil; 127 no setor de serviços; 62 no comércio; 43 na indústria de transformação e 43 na indústria extrativa mineral.  
São Francisco de Itabapoana se destacou positivamente com a geração de 403 empregos no semestre, com participação efetiva do setor agropecuário gerando 424 vagas e o setor de serviços com 45 vagas geradas no período.  

sábado, 23 de julho de 2016

http://www.revextuenf.com/#!primeira-edicao/cee5

Está no ar a 5ª edição da revista de extensão. Boa leitura a todos. Abraços, Alcimar

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Receitas semestrais de royalties de petróleo

As receitas de royalties em milhões de reais (parcelas mensais) recebidas pelos municípios de Campos, Macaé e São João da Barra, no primeiro semestre de cada ano, são apresentadas no gráfico. Observa-se uma trajetória crescente de 2010 a 2014, com declínio acentuado nos anos de 2015 e 2016. 
A evolução das linhas mostram que, apesar da forte queda das receitas nos últimos dois anos, a comparação entre 2016 e 2010, indica uma queda de 45,5% em Campos, queda de 29,1% em Macaé e queda de 28,7% em São João da Barra. Considerando uma média de dependência de 60% desses municípios às receitas de royalties, a queda no contexto do orçamento foi de 27,3% em Campos, queda de 17,5% e queda 17,2% em São João da Barra.
Uma conclusão que podemos chegar é de que a evolução ascendente das receitas de royalties impulsionou um crescimento muito forte no custeio. Como não houve um bom planejamento, a crise do setor nocauteou as finanças dos municípios produtores de petróleo.  

sábado, 9 de julho de 2016

Trajetória dos royalties nos municípios produtores




















As receitas de royalties acumuladas relativas as parcelas mensais, ou seja, sem as parcelas de participações especiais, nos municípios relacionados, no período de janeiro a maio de cada ano, são apresentadas no gráfico. Observa-se uma forte trajetória de crescimento no período de 2010 a 2014, com uma leve interrupção em 2013. Nos anos de 2015 e 2016 a queda foi acentuada em função da forte queda do preço do barril de petróleo. A queda de arrecadação de royalties em Campos foi de 58,8% nos cinco meses de 2016 em relação ao mesmo período de 2014. Macaé viu sua arrecadação cair 48,8%, Quissamã perdeu 57,6% e São João da Barra perdeu 47,3% no mesmo período. 
Quando olhamos para o período 2010 a 2014, observamos um crescimento de 33,1% em Campos,  41,5% em Macaé, 39,9% em São João da Barra e 21,6% em Quissamã. A conclusão que se chega é de que a crise financeira atual desses municípios, tem raízes no não aproveitamento do período de crescimento dos royalties. A receita acrescida gerou aumento da máquina pública que não conseguiu se ajustar ao período de retração da mesma receita.


domingo, 3 de julho de 2016

A Atividade Leiteira nas regiões Norte e Noroeste Fluminense

A atividade leiteira nas regiões Norte e Noroeste Fluminense perde expressão econômica devido a sua precária organização produtiva. Com um formato microeconômico, onde as propriedades atuam individualizadas, as políticas públicas dirigidas para o setor não revolvem os seus gargalos. As unidades produtivas têm escala insuficiente, baixo padrão tecnológico, baixa qualidade dos produtos e custos elevados que inibem a possibilidade competitiva do setor.
A produção leiteira no Brasil cresceu 2,68% em 2014, com base em 2103. No estado do Rio de Janeiro foi registrado uma queda de 5,1% e Campos dos Goytacazes perdeu 20,8% de sua produção em litros, no mesmo período. Itaperuna contribuiu positivamente com um crescimento de 9% e São Francisco de Itabapona contribuiu com um crescimento de 36,1% no período analisado.

O gráfico acima apresenta a trajetória da produção leiteira nos anos 2000 para os municípios de Campos, Itaperuna e São Francisco de Itabapoana.
Conforme podemos verificar, São Francisco de Itabapoana apresenta uma consistente evolução da produção leiteira nos últimos anos, chegando a maior produção individualizada do estado em 2014. Foram produzidos 42,0 milhões de litros de leite ordenhados de 35 mil vagas neste ano.
Entretanto, a performance isolada de qualquer município não é suficiente para aumentar a competitividade do setor. Temos um problema de organização produtiva, cuja solução exige a troca do processo operacional microeconômico por um processo operacional mesoeconômico. Podemos implementar um polo leiteiro em um raio de aproximadamente 100 km, entre Campos a Itaperuna. A estrutura mesoeconômica proposta, consiste na visão de território (integração relacional de espaços de interesse) em substituição a prática de propriedade individualizada; cooperação e reciprocidade como fundamentos de ampliação da escala e redução dos custos de transação; integração universidade - governo - firmas para o fomento à inovação, comercialização e padrões de eficiência gerencial.
A estrutura do polo reúne os municípios leiteiros do Noroeste Fluminense no entorno de Itaperuna (São José de Ubá, Natividade, Miracema, Bom Jesus, Santo Antônio de Pádua, Laje do Muriaé e Porciúncula) e os municípios leiteiros do Norte Fluminense no entorno de Campos dos Goytacazes (Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, São Francisco de Itabapoana e São Fidélis). A produção integrada desse polo somou 135,5 milhões de litros de leite em 2014 ou 25,1% da produção do estado do Rio de Janeiro. Importante observar que esse volume representava 34,3% em 2013. O ano de 2014 não foi bom para a pecuária na região. O total produzido na estrutura do polo indicado foi menor 30,7% em relação a 2013, enquanto a queda da produção do estado do Rio de Janeiro foi de 5,1% no mesmo período.
Os números indicam a necessidade de intervenção e a operacionalização da estrutura proposta para o polo leiteiro, pode viabilizar questões relevantes, tais como: aumento da escala, refinamento dos produtos, diluição dos custos de transação, inovação de produto e processo e a criação de novas firmas e negócios, ampliando as vantagens competitivas do setor, com reflexos no emprego, na renda e no bem-estar entre os envolvidos. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Balança Comercial brasileira em junho de 2016

O saldo superavitário da Balança Comercial em junho, somou US$3.974 milhões. As exportações somaram US$16.743 milhões e as importações US$12.770 milhões no mesmo mês. No acumulado do semestre, o saldo superavitário atingiu US$23.635 milhões, tendo as exportações alcançado US$90.237 milhões e as importações US$23.635 milhões.
Na comparação com o primeiro semestre de 2015, as exportações caíram 4,3% e as importações caíram 27,7%. O saldo do primeiro semestre de 2015 somou US$2.228 milhões.

Exportação de Petróleo Bruto em junho

A exportação de petróleo bruto em volume cresceu 58,0% em junho, com base em maio. A receita em dólar cresceu 81,3% e o preço em tonelada cresceu 14,8% no mesmo período.
Na comparação com junho do ano passado, o volume embarcado caiu 6,5% a receita em dólar caiu 33,2% e o preço por tonelada caiu 28,6% no mesmo período. 

Exportação de Minério de Ferro em junho

A exportação de minério de ferro em volume caiu 14,7% em junho, com base em maio deste ano. O valor em dólar caiu 19,3% e o preço por tonelada caiu 5,6% no mesmo período. Na comparação com junho do ano passado, o volume exportado caiu 9,4% a receita caiu 11,1% e o preço caiu 1,8% no mesmo período.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços praticados no período de 2012 a 2016. Observa-se uma evolução nos preços praticados neste ano, porém muito abaixo dos anos anteriores.

Exportação de Açúcar em junho

A exportação de açúcar em toneladas cresceu 39,5% em junho, com base em maio. A receita em dólar cresceu 42,4% e o preço por tonelada cresceu 2,0% no mesmo período. 
Na comparação com junho de 2015, o volume embarcado em junho deste ano cresceu 55,2% a receita cresceu 64,0%, enquanto o preço cresceu 3,7% no mesmo período.
O gráfico apresenta a trajetória do preço do açúcar no mercado internacional. A evolução crescente em 2016 é importante, porém o preço praticado ainda é muito inferior aos preços praticados nos anos anteriores.