terça-feira, 26 de abril de 2016

Governo do estado do Rio de Janeiro reinventa regras econômicas

Estão virando os manuais econômico pelo avesso. Esqueceram que só existe governo porque existe uma sociedade e, é esta sociedade, que viabiliza o orçamento que deve ser utilizado em benefício dela própria. Empresas e famílias são tributadas, transferindo riqueza para o governo que nada cria, só usa a riqueza gerada pela sociedade.  

Partido desse princípio, o governo não pode distribuir riqueza que não existe. Ações populistas do tipo programas sociais não podem ser prioritárias a quebra de contrato constitucional de pagamentos de salários e aposentadorias dos servidores públicos. Tal decisão gera claramente apropriação indébita, já que a aposentadoria é resultado de contribuições realizadas ao longo da vida desses aposentados e, o salário da ativa, representa apropriação indébita do trabalho do servidor, quebrando contrato constitucional.

Portanto, negar o pagamento da aposentadoria pela justificativa de que o dinheiro em caixa é destinado a programas sociais e obras, é contraditório já que, além dos argumentos anteriores, investimento não tem sido o forte do governo que tem um histórico importante de uso dos recursos orçamentários em custeio. Isso define claramente uma ineficiência forte na gestão pública do estado. 


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Microrregiões geradoras de emprego no estado do Rio de Janeiro


O estado do Rio de Janeiro eliminou 61.577 vagas no trimestre deste ano. Destas, 43.149 vagas foram eliminados na microrregião Rio de Janeiro. Outros resultados negativos foram contabilizados na microrregião Vale do Paraíba Fluminense (eliminação de 5.140 vagas); microrregião Macaé (eliminação de 3.660 vagas) e microrregião Campos dos Goytacazes (eliminação de 2.658 vagas).
Curiosamente, as únicas microrregiões do estado que geraram saldos positivos de emprego foram as microrregiões Macacu-Caceribu com 608 vagas, Santo Antônio de Pádua com 330 vagas e Santa Maria Madalena com 33 vagas. 
A microrregião com maior saldo de emprego, Macacu-Caceribu, é composta pelos municípios de Cachoeiras de Macacu, com saldo positivo na indústria de transformação e Rio Bonito, com saldos positivos na construção civil e no comércio. 
Conforme podemos observar, os grandes investimentos baseados em recursos naturais - petróleo e portos - não foram capazes reverter a situação negativa nas microrregiões beneficiárias dos investimentos.

Emprego formal em março na região Norte Fluminense

O quadro do emprego formal na região Norte Fluminense, apesar de negativo, foi menos pior em março, com relação a fevereiro. Foram eliminadas 1.796 vagas de emprego em março, concentradas em Macaé com 1.329 vagas eliminadas e Campos dos Goytacazes com 540 vagas eliminadas no mês.
No acumulado do trimestre, foram eliminadas 6.318 na região. Macaé eliminou 3.585 vagas, sendo 2.041 vagas no setor de serviços, 745 vagas no setor de construção civil, 654 vagas no comércio e 144 vagas na indústria de transformação.
Campos dos Goytacazes eliminou 2.564 vagas no trimestre, sendo 865 vagas na indústria de transformação, 635 vagas no comércio, 577 vagas no setor de serviços, 368 vagas na construção civil e 89 vagas no setor agropecuário.
O estado do Rio de Janeiro eliminou 61.577 vagas e o país eliminou 323.052 vagas de emprego formal no trimestre.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A real situação das finanças no estado do Rio de Janeiro

Os dados mais completos da execução orçamentária do governo do estado do Rio de Janeiro, estão no balanço de 2014, publicado na Secretaria do Tesouro Nacional. No balanço, as receitas orçamentárias realizadas somaram R$71.344 milhões, sendo R$57.709 milhões de receitas correntes e R$13.635 milhões de receita de capital. As receitas tributárias somaram R$37.403 milhões e as transferências de royalties e participações especiais R$8.706 milhões neste ano. Importante observar que as rendas de petróleo representam somente 15,08% das receitas correntes.

As despesas orçamentárias somaram R$70.855 milhões, portanto, um superávit de 0,69% no ano. Nesse grupo, as despesas correntes somaram R$59.702 milhões, sendo as despesas com pessoal e encargo R$18.171 milhões. Os gastos com pessoal tem um proporção de 31,48% das receitas correntes realizadas e 48,58% das receitas tributárias realizadas. Outras despesas correntes somaram R$38.298 milhões, relativas à transferências para municípios no valor de R$10.121 milhões e demais despesas correntes, não especificadas, no valor de R$28.177 milhões. As despesas de capital somaram R$11.153 milhões, sendo R$7.615 milhões de investimento.

Na análise das despesas por função, sobressaem a alocação de alguns valores expressivo, tais como: previdência social R$13.493 milhões; saúde R$5.078 milhões; Educação R$6.244 milhões; segurança pública R$7.657 milhões; encargos especiais R$18.994 milhões. Nesta última rubrica estão contabilizados o refinanciamento da dívida interna R$3.857 milhões, serviço da dívida interna R$2.542 milhões, outros encargos R$1.686 milhões e transferências R$ 9.819 milhões.

Nos registros de 2015, no portal da transparência do estado, as informações não são completas. Segundo esse informativo, as receitas orçamentárias somaram R$74.015 milhões, registrando um aumento nominal de 3,7% em relação a 2014. Nesse conjunto, as receitas correntes somaram R$67.246 milhões, crescimento nominal de 16,52% em relação a 2014 e as receitas de capital somaram R$6.769 milhões, registrando uma queda nominal de 50,35% em relação ao ano anterior.

Em relação as receitas de royalties e participações especiais, verificamos uma transferência de R$5.832 milhões, valor menor R$2.874 milhões em relação ao ano anterior.

No grupo das despesas, nesse ano, As despesas de pessoal e encargos somaram R$17.115 milhões, registrando uma redução nominal de 5,81% em relação a 2014, enquanto o valor de outras despesas correntes de R$27.783 milhões, apresentaram uma queda nominal de 27,45% no mesmo período. Apesar das informações resumidas, as contas estão equilibradas, inclusive com aumento das receitas orçamentárias, mesmo em um ambiente de queda das rendas de royalties de petróleo.


Em 2016, considerando o primeiro trimestre, as receitas correntes realizadas somaram R$10.887 milhões e despesas de capital R$615 milhões. As despesas correntes liquidadas somaram R$11.489 milhões (R$4.121milhões de pessoal e R$7.078 milhões de outras despesas correntes). Entretanto, quando olhamos para as despesas efetivamente pagas no primeiro trimestre do ano, o valor encontrado é de R$4.640 milhões. Resumindo, a falta de pagamento de pessoal e encargos não é problema de caixa. O problema está nas definições de prioridades, consideradas mais importantes pelos gestores.  

terça-feira, 12 de abril de 2016

Enfim, apareceu o dinheiro!

O discurso do governo do estado do Rio de Janeiro de eleger a folha de pagamento e encargos dos servidores como pilar da crise financeira, já foi  ensaiado, no inicio do ano, pelo secretário de fazenda, em entrevista ao jornal O Dia. A verdade é que existem outros gastos com grau de prioridade superior aos gastos com os servidores. A manobra do governo no sentido de distorcer os fatos não funcionou, em função da forte pressão nos diferentes setores.  Os salários e encargos dos servidores representam 1/3 das receitas correntes realizadas. A média de investimento nos últimos três anos é de 10% das receitas correntes. Nesse caso, podemos afirmar que em torno de 90% das receitas correntes realizadas vão para custeio, onde 30% representam salários e encargos. O resultado é que 60% das receitas correntes são gastos em custeio. O problema está ai! É preciso gerenciar melhor os gastos em custeio que são elevados.

Olhando ainda a movimentação orçamentária pelo regime de caixa, observamos que das despesas liquidadas, no valor de R$11.662 milhões, no primeiro trimestre de 2016, foram pagas, efetivamente, somente R$4.640 milhões, contra uma receita corrente realizada no valor de R$10.954 milhões. Esses números comprovam que a questão não é a falta de dinheiro e sim a determinação de prioridades de gastos do governo, onde os salários dos serviços tem grau inferior.

Ainda sobre a redução das receitas orçamentárias em 2016, realmente a crise econômica do país e os problemas da Petrobras tem influencia importante, porém o estado tem uma dependência orçamentária dos royalties de petróleo da ordem de 14%, diferente dos municípios produtores. Mais uma vez, o discurso precisa ser revisto. Insito que o problema é de gestão.


domingo, 10 de abril de 2016

Visão curta do eleitor ou interesse de grupos? O processo eleitoral em São João da Barra

Relativo ao processo político de São João da Barra, quero chamar atenção para a memória curta das pessoas que veem na oposição a panaceia para a solução de todos os males do município. Ao contrário da eficiência creditada à gestão anterior, por muitos, sinto decepcioná-los informando que o aumento dos royalties, na mesma gestão, gerou uma perigosa ampliação dos gastos em custeio, que refletiu na gestão atual.

Em uma rápida avaliação podemos identificar que as receitas de royalties de petróleo e participações especiais cresceram 46,4% em 2012, com base em 2009. No último ano da gestão passada, a dependência orçamentária às rendas de petróleo era de 62,8% no município, enquanto as receitas tributárias representavam 12,02% das receitas correntes.

Olhando comparativamente esses dados com os dados dos três anos do atual governo, podemos ver claramente que o quadro difere dos discursos oposicionistas. A gestão atual amargou uma queda de 24,7% nas receitas de royalties e participações em 2015, com base em 2012, em um contexto de custeio substancialmente elevado pela gestão anterior. Esse fato é inibidor de investimentos importantes.

Ainda, considerando um ambiente de crise, o município apresentou pelo menos dois indicadores importantes. Redução da dependência orçamentária, pela queda da participação das rendas de petróleo em relação as receitas orçamentárias, saindo de 62,32% em 2012 para 50,51% em 2015. Aumento da participação das receitas tributárias em relação as receitas correntes, saindo de 12,02% em 2012 para 21,95% em 2015. Aumento das receitas próprias é um elemento importante para a economia do município.


Observar esses indicadores é importante na análise de qualquer gestão pública. A partidarização ou, no interior, a "gruporização" representa um atraso que é perverso para a população.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Execução Orçamentária no estado do Rio de Janeiro

Números da execução orçamentária do estado do Rio de Janeiro, divulgados no Portal Transparência.

Total do Estado (executivo, legislativo, judiciário e Ministério Público)

Ano                      Rec realizadas           Desp liquidadas          Resultado (R - D)

2015                  61.654.165.716,82        65.631.364.714,60         déficit 6,06%

2016 (jan-mar)  12.302.667.761,63        11.877.108.533,60     superávit  3,58%


Executivo

Ano                      Rec realizadas           Desp liquidadas                Resultado

2015                  60.065.812.990,68        58.739.032.440,57    superávit   2,26%

2016 (jan-mar)  11.881.769.323,21         10.403.694.308,83  superávit  14,21%


O relatório da execução orçamentária do Estado do Rio de Janeiro, publicado no portal da transparência, mostra uma situação bem diferente da falência financeira difundida pelo Governador e seus secretários. Conforme os números acima, a execução orçamentária no conjunto do estado foi deficitária em 6,06% em 2015 e no executivo foi superavitária em 2,26%

Já em 2016 (janeiro a março), a execução foi superavitária em 3,58% no conjunto do estado e superavitária em 14,121% no executivo, considerando o mesmo período.


Os números desmentem o governo!

Fonte: www.transparencia.rj.gov.br/

segunda-feira, 4 de abril de 2016

VISITA AO PORTO DO AÇU

https://carlosaadesa.wordpress.com/2016/04/04/visita-ao-porto-do-acu/

Carlos Augusto Sá, jornalista.

Desde 2000, quando Wagner Victer, então secretário estadual de Minas, Energia, Indústria Naval e Petróleo, apresentou o projeto de um porto na antiga fazenda de Poço D´Antas em palestra na Câmara Municipal, que eu tinha vontade de conhecer o empreendimento. Queria compará-lo com as notícias dos antigos jornais sobre o porto flúvio-marítimo instalado na margem direita do delta do rio Paraíba do Sul, mais precisamente em frente à nossa cidade e responsável pelo seu progresso. Quando, por diversas razões, incluindo-se a chegada da ferrovia, o porto naufragou, por pouco o município não naufragou junto. Pelo porto antigo, segundo o engenheiro e geólogo Alberto Lamego, eram exportados café, madeira, açúcar, farinha, carne salgada e toda a produção do norte-fluminense, e importados sal, máquinas, equipamentos, implementos, sementes, tecidos e pessoal para a região.
Na época, junto com amigos, fiz uma incursão à região das praias do Rancho e do Vega, próximas à lagoa de Iquipari, onde o porto poderia ser montado. Aproveitei a ideia de ver qual o estado da lagoa do Salgado, esse abandonado e depredado monumento geopaleontológico, conhecido internacionalmente, que o S. JOÃO DA BARRA, jornal que eu então editava e que trouxe a lagoa de volta ao noticiário sanjoanense, para observar o local. A primeira visita à lagoa tinha sido feita em companhia do amigo Célio Aquino, decano dos intelectuais do município, para conhecer a região proposta para o porto. Era uma vastidão de restinga desolada, como ainda é, exceto pelo local onde o porto foi instalado.
Por falar nisso, como está a lagoa do Salgado, descoberta e assim denominada pelos Sete Capitães? Os novos donos da região a adotaram e preservaram? Livraram seu entorno dos invasores e da coleta de estromatólitos para fazer cal e adubo? É preciso cuidar muito bem dessa lagoa, não se pode perder esse, como já disse, histórico monumento da natureza. A lagoa cuja área original era de 16 km, está reduzida a 4 km e não pode diminuir mais.
Voltando à recente visita, saímos em ônibus contratado pela Prumo, atual dona do complexo portuário, e fui, a cada quilômetro percorrido, revivendo imagens e emoções, principalmente a partir do momento em que o veículo entrou em Cajueiro, percorrendo parte do caminho para o sítio Quiriba, que pertenceu a meu pai, lugar onde minha família e eu passamos dias inesquecíveis, tanto que motivou as poesias “Poema do cajueiro”, publicado em meu livro “Anotações de viagem e outros poemas” e selecionado para participar de uma antologia poética no Rio de Janeiro, e “Amanhecer em Quiriba”, que faz parte do meu livro “Duas lendas sanjoanenses”.
Cajueiro mudou muito, em nada lembra o Cajueiro do meu tempo, com seus novos residenciais, belos sítios e casas. Quem passa pela BR-356 não imagina o progresso que se esconde em suas margens. Fiquei, porém, espantado com a quantidade de terras desapropriadas e reservadas para um futuro Distrito industrial. Muita gente teve de deixar suas terras, sua rede de apoio social e se mudar para a Vila da Terra. Alguns se deram bem. Esse enorme terreno reservado para o Distrito industrial é parte do sonho megalomaníaco do empresário Eike Batista, que chegou a ser uma das maiores fortunas do país e hoje precisou lançar ao mar, no ano novo, uma lancha carregada com moedas de ouro, perfumes e outros presentes para Iemanjá, por sugestão de uma mãe de santo, para voltar ao topo, como a imprensa carioca contou.
Do sonho de um ousado empresário fascinado pelo brilho do ouro, do minério de ferro e da bauxita e dos holofotes nasceu esse sofisticado empreendimento, de moderna tecnologia,  que por algum tempo afetou a vida da cidade de São João da Barra, oferecendo empregos a quem não tinha qualificação, fazendo os preços dos imóveis subir a níveis inimagináveis para a região, seja para compra ou aluguel. Afetou ainda a vida da praia de Grussaí, cujas pousadas tinham um movimento que crescia com o incremento do turismo regional e que foram transformadas em alojamento de peões das empresas que se instalavam no porto. Também os casarões de praia dos veranistas foram transformados em repúblicas para peões. Os executivos das empresas preferiram morar na cidade de Campos, que oferecia melhor infraestrutura social, educação, saúde e lazer. São João da Barra correu atrás, mas chegou atrasada, antes oferecia apenas estradas precárias, atendimento médico insuficiente, nenhum bom hotel, poucos restaurantes e lojas criadas às pressas, que vivem vazias. Faltou gestão pública para que usufruíssemos mais do presente de Eike. A prefeitura deveria ter acompanhado de perto todos os passos para a implantação do porto e não só atendendo as ordens emanadas de seus criadores e interferindo sempre que necessário.
Terminado o trecho semiurbano do passeio surgiu a solidão de uma restinga desolada e devastada desde que os Sete capitães instalaram seu último curral para gado no Açu. É de 90 km² a área reservada para o porto, um espanto, pelo menos para mim que fiquei a imaginar quantos anos serão necessários para região ser ocupada por empresas. A área industrial de Macaé, preenchida por empresas que trabalham com e para a Petrobras, muito mais antiga que a do nosso porto, até hoje exibe grandes espaços vazios oferecidos para compra ou aluguel. A de Campos patina. Devo ter a mente muito tacanha para não perceber o alcance da ação do Codin.
Há uma esperança de reflorestamento da área, o que é louvável, e para isso montaram canteiros de mudas e estufas com sementes de árvores da região. Assim deverá ser recuperada a mata do Caroara, tão vandalizada em tempos não tão remotos, quando eram ali buscadas as famosas miniorquídeas. Alertávamos para isso no nosso jornal. Ah, segundo o Google, caroara (ou caruara) significa tremedeira por medo ou cansaço. Nossa restinga, agora transformada em RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Cultural, com 3.845 hectares de vegetação nativa, mereceu um belo livro, que ainda não li, tendo como autor o engenheiro florestal Daniel Ferreira do Nascimento e ilustrado com fotos de Geisa Márcia B. de Siqueira.
E lá fomos nós, por entre cercas de arame farpado e placas mandando a gente se afastar, parece território sagrado, teme-se por certo que voltem a ocupar aquelas areias magras, de onde muitos pequenos produtores rurais foram arrancados com violência. Só faltam guaritas com guardas armados estendendo proteção à ameaçada fauna local (tamanduás-mirims, corujas buraqueiras, gaviões, quero-queros, piaçocas, também conhecidas como jaçanãs em outras regiões do país, lagarto do rabo verde e outros animais menos votados). Mas as caçadas já haviam diminuído há tempos graças à disseminação de geladeiras e televisões.
Saltamos no Centro de visitantes, um belo prédio valorizado com trabalho de paisagismo, onde ouvimos rápida palestra de um gerente, campista com pais sanjoanenses, como frisou, vimos uma maquete com os prédios e instalações construídos ou por construir, os canteiros de mudas nativas, saboreamos um coquetel bem feito, tiramos fotografias para eternizar o momento, para a seguir voltar ao ônibus e continuar o passeio. Seguimos pela ponte por quilômetros e nunca estive tão mar adentro como sobre aquela passarela de concreto. Vimos um navio aguardando carga, os tubos por onde são despejadas os minérios e muito pouco dos 6.000 empregados que disseram ali trabalhar. A acústica dentro do ônibus era péssima e apesar da cicerone falar ao microfone, pouco ouvíamos de suas explicações. Voltei quase tão leigo quanto fui em relação ao porto, não fosse a ajuda de Marcela Toledo, que em um banco logo antes do nosso dava algumas informações, inclusive a de que existe no complexo três restaurantes funcionando e que tem aumentado o número de conterrâneos ali trabalhando. Em panfletos distribuídos na ocasião, fui informado que a Prumo, em parceria com a prefeitura e com o Instituto de Capacitação Técnica Profissional, tem realizado cursos de qualificação para operadores portuários, excelente iniciativa e que parte dos alunos já formados foi contratada pela empresa.
Enfim uma tarde proveitosa em que matei minha vontade de conhecer visualmente o porto do Açu e revi locais com gostosa descarga de emoções. Mas não deu para comparar com o porto naufragado da nossa cidade, tão importante que mereceu a visita de um chefe de estado, o imperador Pedro II e permitiu a colonização do nortefluminense. ]
SJB, abril.16

Receitas de royalties na região Norte Fluminense em março

As receitas de royalties de petróleo em março, na região Norte Fluminense, caíram 24,1% em relação a fevereiro. Dentre os principais municípios, Campos dos Goytacazes perdeu 24,9%, Macaé perdeu 24,2%, Quissamã perdeu 29,9% e São João da Barra perdeu 16,8% no mês.  
Na comparação com março de 2015, Campos dos Goytacazes perdeu 25,1%, Macaé perdeu 16,1%, Quissamã perdeu 19,8% e São João da Barra perdeu 12,4%.
A participação das receitas destinadas aos municípios da região, em relação ao total distribuído aos municípios do país, foi de 18,7% em março deste ano. Em março de 2014, a mesma participação era 22,9%. Em dois anos, a região perdeu 4,2% de participação no total de receitas distribuída para os municípios do país.

O DEBATE PARTIDARIZADO ESCONDE OS PROBLEMAS DO BRASIL

A partidarização no contexto das discussões sobre a crise política e econômica do país, esconde elementos importantes que precisam ser realçados. Uma primeira questão está no fato do governo ter ignorado a crise econômica internacional de 2008 nos Estados Unidos e seus reflexos na Europa nos anos seguintes. Os bons fundamentos da economia brasileira (elevado nível de reservas, inflação baixa, forte geração de emprego, equilíbrio das contas públicas, etc.), neste momento, deveriam servir de munição para a formulação de estratégias de fortalecimento da indústria, avanço tecnológico e rígido controle das contas públicas. O governo fez exatamente o contrário. Manteve a dinâmica do fluxo de gasto em custeio, não exerceu vigilância sobre as contas públicas, possibilitando avanço na corrupção e, ainda, escolheu setores industriais para conceder desonerações tributárias sem critérios razoáveis.  No período entre 2011 a 2014, o governo concedeu cerca de R$32 bilhões de desoneração em IPI (Imposto sobre produtos industrializados). Os setores automotivos e de linha branca foram os grandes beneficiados.

Apesar de grande sangria das contas públicas, por conta das desonerações, o país não melhorou a geração de empregos. Ao contrário, piorou. A tabela a seguir, mostra a trajetória de declínio na geração de emprego no período entre 2011 a 2015.

Ano
Saldo de emprego
2011
1.566.043
2012
868.241
2013
730.687
2014
152.714
2015
-1.625.551
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

Observem que em 2011, o país gerou 1,5 milhão de novas vagas de emprego, enquanto em 2015 o país eliminou 1,6 milhão vagas  de emprego.

Juntamente com o emprego, os outros fundamentos que eram positivos no momento da crise, se deterioraram fortemente. A inflação foi elevada a dois dígitos, o saldo da balança comercial desacelerou até ficar negativo e as contas públicas ficaram deficitárias.

O gráfico a seguir apresenta a evolução do resultado primário (receitas menos despesas, fora juros), no período de 2006 a 2015



Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional


Observe que a deterioração do resultado primário do governo central coincide com o período das desonerações. Tal fato mostra os equívocos das políticas do governo que, mesmo desestruturando as suas contas, não resolveu o problema da geração de emprego e ainda detonou os outros fundamentos. É importante observar que parte da Europa, assim como os Estados Unidos, conseguiram superar a fase mais complexa da crise, enquanto o Brasil mergulhou em uma crise profunda, sem perspectivas no médio prazo. Essa trajetória é importante para entender os reais problema da economia do país.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Saldo da balança comercial em março de 2016

O resultado da balança comercial brasileira foi superavitário em US$ 4.435 milhões em março. As exportações somaram US$15.994 milhões e as importações US$11.559 milhões. No acumulado do ano, o superávit foi de US$ 8.398 milhões, resultado de exportações no valor de US$ 40.585 milhões e importações de US$ 32.186 milhões. 
O saldo superavitário do primeiro trimestre de 2016, comparativamente, ao saldo deficitário do mesmo período do ano passado (US$5.549 milhões), tem como explicação a forte queda de 33,4% nas importações  e a queda de 5,1% este ano.

Exportação de minério de ferro em março de 2016

O volume embarcado de minério de ferro em toneladas, cresceu 1,2% em março, com relação a fevereiro deste ano. Em relação ao mesmo mês do ano possado, foi observada uma queda de 1,5% em março deste ano. O preço negociado no mês de março deste ano ficou menor 43,2% em relação a março de 2015.








O gráfico apresenta a trajetória dos preços praticados no período de 2012 a março de 2016. A desvalorização da commoditie fica evidente, representando um problema para o país que tem o minério com item importante em sua pauta comercial.

Exportação de açúcar em bruto em março

A exportação de açúcar em bruto, em toneladas, caiu 27,4% em março, com relação a fevereiro. A receita em dólar caiu 26,1%, porém o preço cresceu 1,7% no mesmo período analisado. 
Comparativamente ao ano passado, o volume embarcado em março deste ano foi menor 9,4%, a receita foi menor 21,4%, enquanto o preço foi menor 13,2% no mesmo período.