domingo, 28 de fevereiro de 2016

A alternativa a pesca de captura é possível


Durante oito anos trabalhamos forte na divulgação de um projeto de piscicultura de tilápia em São João da Barra. Fomos contemplados com um projeto da Petrobras no edital do programa Fome Zero, construímos as instalações necessárias, contratamos profissionais da área, através de bolsas de extensão da UENF e implementamos todo o processo com uma metodologia apropriada. Todas as etapas sugeridas pela metodologia foram implementadas com sucesso nos possibilitando a obtenção de exito, já que diversos trabalhos foram publicados em congressos pelo país, além de publicações em revistas cientificas. 
Em um dado momento fomos obrigados a encerrar o projeto por motivos que estão relatados em artigos científicos publicados. Basicamente, faltou interesse dos governantes no sentido de abraçar o projeto, já que a sua natureza era social. O seu objetivo era gerar trabalho produtivo com inserção social e melhoria de vida dos trabalhadores no campo e na cidade. 
Muito bem, o projeto foi encerrado mas a ideia permaneceu viva e pude acompanhar alguns iniciativas isoladas. A que quero relatar nesse momento está ratificada nas fotos acima.
Trata-se de uma inovação importante, já que o autor decidiu construir um tanque de concreto com apoio de um sistema de oxigenação artificial caseiro, cujo resultado já é sucesso. São 500 peixes, pesando em média 500 gramas cada, em um espaço de 7 x 14 metros, ou seja, 98 m2. Fiquei muito feliz com o que vi, já que confirma a nossa percepção. Tudo o que precisamos, especialmente nesse momento de crise econômica, é gerar trabalho produtivo com incremento de conhecimento. Os governantes precisam absorver as ideias sobre a estratégia de indução à geração de trabalho produtivo através do uso coletivo dos recursos locais. 
O desenvolvimento socioeconômico passa por esse esforço.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

PT apresenta programa anti-crise com corte de juros, PAC e CPMF

http://www.valor.com.br/politica/4456592/pt-apresenta-programa-anti-crise-com-corte-de-juros-pac-e-cpmf

O resgate da visão keynesiana (década de 30) de ampliação do gasto público para combater o desemprego, precisa considerar a eficiência na gestão orçamentária, além de estratégias de bloqueio a corrupção. O foco na ampliação dos gastos, ancorado no aumento da tributação, pode não levar a lugar algum. Um outro postulado muito frágil é a defesa do atual modelo de exploração do pré-sal, que exige participação mínima de 30% da Petrobrás. A proposta aprovada pelo Senado derruba tal obrigatoriedade. Nessa discussão o PT não levou em consideração a frágil capacidade de investimento da Petrobrás, exatamente pela desastroso processo de corrupção apurado pela operação Lava Jato da Polícia Federal. 

Retrato do emprego no estado do Rio por microrregião no mês de janeiro de 2016

O estado do Rio de Janeiro eliminou 25,5 mil vagas de emprego em janeiro deste ano. Na avaliação por microrregião do estado, separando a microrregião Rio de Janeiro, a do Vale do Paraíba Fluminense eliminou 2.075 vagas, concentradas nos seguintes setores: industria de transformação com 773 vagas, construção civil com 451 vagas, 482 vagas no comércio, 309 no setor de serviços. Conforme podemos observar, a microrregião composta pelos municípios (Barra Mansa, Itatiaia, Pinheiral, Pirai, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro e Volta Redonda) tem importante base industrial, setor que mais sofre em períodos de crise.
A microrregião Campos, composta pelos municípios (Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra) eliminou 1.072 vagas, com predominância nos setores de serviços, comércio e indústria de transforação.
A microrregião de Três Rios, composta pelos municípios (Areal, Comendador Levy Gasparian, Paraíba do Sul, Sapucaia e Três Rios) eliminou 846 vagas, com predominância no setor de serviços.
A microrregião Macaé, composta pelos municípios (Carapebus, Conceição de Macabu, Macaé e Quissamã) eliminou 833 vagas, com predominância nos setores de serviços, construção civil e comércio.
Conforme indicado na tabela, as microrregiões com resultados positivos de geração de vagas de emprego em janeiro foram: Santo Antônio de Pádua, composta pelos municípios (Aperibé, Cambuci, Itaocara, Miracema, Santo Antônio de Pádua e São José de Ubá); Cantagalo-Cordeiro (Cantagalo, Carmo, Cordeiro e Macucu); Lagos (Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba Grande, São Pedro de Aldeia e Saquarema) e Macacu-Caceribu (Cachoeiro de Macacu e Rio Bonito). 

Movimentação do emprego formal na região Norte Fluminense em janeiro de 2016

O emprego formal Mantém o seu ritmo de deterioração em janeiro deste ano. 
Foram eliminadas 99,7 mil vagas de emprego no país, 25,5 mil vagas no estado do Rio de Janeiro e 1,9 mil vagas na região Norte Fluminense no mês de janeiro.
Na comparação com janeiro do ano passado, onde foram eliminadas 2,4 mil vagas de emprego, o último resultado negativo foi menor, mas não muda em nada a situação do desemprego geral.
O município de Campos dos Goytacazes foi o que mais eliminou empregos na região em janeiro. Foram descartadas 971 vagas, sendo 288 vagas na indústria de transformação, 23 vagas na construção civil, 246 vagas no comércio, 307 vagas no setor de serviços e 94 vagas no setor agropecuário.
Macaé eliminou 834 vagas de emprego, sendo 102 vagas na indústria de transformação, 311 vagas na construção civil, 235 vagas no comércio e 297 vagas no setor de serviços. O setor extrativa mineral gerou 108 vagas de emprego no mês.
Já São João da Barra eliminou 96 vagas de emprego, sendo 52 na construção civil, 16 vagas no comércio e 34 vagas no setor de serviços.
Como podemos verificar, tudo indica que a recuperação está longe.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O petróleo é nosso?

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1743055-senado-aprova-projeto-que-desobriga-petrobras-a-operar-sozinha-no-pre-sal.shtml

Essa medida era esperada, já que a Petrobrás perdeu a capacidade de investimento. O interesse de investidores estrangeiros precisa ser considerado para não inviabilizar a cadeia petrolífera no país.

Aumento de tributação e queda na arrecadação. Não podia dar outra coisa!

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1743160-arrecadacao-de-impostos-cai-67-em-janeiro-somando-r-129-bilhoes.shtml

Apesar do esforço de aumento de impostos como alternativa ao déficit orçamentário, o resultado foi de queda de 6,7% na arrecadação em janeiro de 2016. Ao contrário da estratégia do governo, o esforço precisa ir em direção contrária, ou seja, na indução ao crescimento da atividade produtiva que naturalmente fomentará aumento do valor tributado.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O petróleo está se esgotando?

http://www.valor.com.br/empresas/4451612/exploracao-na-costa-e-mais-baixa-desde-1970

Os municípios produtores da rota de petróleo fluminense precisam buscar alternativas econômicas. Os caminhos políticos como estratégia de recuperação são falsos. Esses municípios precisam incentivar  trabalho produtivo. Essa estratégia é urgente!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Reajustes salariais ficaram em 10% em janeiro, abaixo da inflação acumulada no período

POR 
Jornal o Globo

RIO - Quase um quinto dos acordos salariais firmados em janeiro resultou em redução de jornada e salários para o trabalhador. É o que mostra o “Salariômetro”, estudo elaborado desde 2007 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O levantamento aponta que houve um salto no número de negociações com imposição de perdas: de dois, em janeiro de 2015, para 50, de um total de 261 negociações firmadas no mês passado. Destes 50, 39 utilizaram o Programa de Proteção ao Emprego, criado pelo governo federal em 2015. A proposta permite a redução da jornada de trabalho em até 30%, com a respectiva diminuição do salário.
— De janeiro de 2015 a janeiro deste ano, foram feitos mais de 300 acordos com redução salarial. É um número pequeno no universo de 20 mil acordos coletivos que são feitos por ano, mas esse crescimento verificado entre os meses de janeiro mostra que há uma tendência de alta. A maior parte dos acordos de redução é na indústria metalúrgica, mas a tendência já está se espalhando para outras indústrias e agora para serviços — explica o economista Hélio Zylberstajn, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do estudo.
REAJUSTE MÉDIO DE 10%
Com o poder de barganha afetado pela recessão, que já extinguiu 1,5 milhão de vagas formais nos últimos 12 meses, os trabalhadores começaram o ano com dificuldades para obter ganho real nas negociações salariais. Segundo Zylberstajn, mais da metade dos 261 acordos coletivos negociados em janeiro não conseguiram sequer obter a reposição da inflação. O “Salariômetro” indica que a mediana dos reajustes com vigência em janeiro foi de 10%, 1,3 ponto percentual abaixo da inflação acumulada nos 12 meses anteriores, que foi de 11,3%, segundo o INPC, que serve como base para essas negociações.
— Durante mais de dez anos, observamos aumentos reais nas negociações coletivas. As empresas repunham a inflação e davam algo a mais. Mas, com a recessão que estamos vivendo, elas não estão conseguindo nem repor o INPC. O resultado é trabalhadores ganhando menos do que um ano atrás em termos reais. Há um ano, a negociação começava com a taxa de inflação e a negociação do ganho real. Agora, é quanto a menos vão ganhar. Hoje, o jogo é esse — ressalta o coordenador do estudo.
É o terceiro mês consecutivo em que, na média, os trabalhadores não obtêm aumento real. Há um ano, a realidade era exatamente oposta: como as expectativas para a economia eram menos pessimistas e a alta de preços, menor, os trabalhadores tiveram, em média, reajuste real de 1,3% sobre uma inflação acumulada de 6,2%.
Como as empresas estão pressionadas por aumento de custos e queda da demanda, o trabalhador fica sem alternativas e sem poder de barganha, complementa Zylberstajn:
— Quando as coisas estão bem, o trabalhador pressiona, e a empresa pode dar, porque está vendendo. Mas, agora, ela tem de cortar os custos. A posição da empresa é essa: ou vocês concordam com um ajuste mais modesto, ou vamos ter de demitir. Esse é o jogo na mesa da negociação. Infelizmente.
REVERSÃO SÓ COM CRESCIMENTO
Para o economista, a trajetória de queda do ganho real ainda está longe de ser revertida:
— Isso é consequência da situação da economia. Essa tendência só se reverterá quando a economia voltar a crescer. Daí as empresas vendem, contratam. Mas isso não é imediato. Para a gente ver essa reversão, o primeiro ponto é o Brasil voltar a crescer.
Ainda de acordo com o estudo da Fipe, a mediana dos pisos com vigência em janeiro de foi R$ 940 (6,8% maior que o salário mínimo, de R$ 880).

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Participação relativa do emprego e renda nas mesorregiões do estado do Rio de janeiro

















A evolução do emprego formal nas mesorregiões do estado do Rio de Janeiro, nos períodos entre 2000-2007-2014, mostra uma desconcentração na mesorregião metropolitana com redistribuição para as outras mesorregiões do estado, com destaque para a mesorregião norte fluminense. No primeiro período entre 2000-2007, esta mesorregião apresentou uma forte evolução, ampliando a sua participação de 3,63% para 5,77% em relação ao estado, enquanto a mesorregião metropolitana viu cair a sua participação de 84,75% em 2000 para 81,84% em 2007. A mesorregião Baixadas também experimentou uma boa evolução de 1,91% para 2,85% no mesmo período. As mesorregiões centro fluminense e sul fluminense tiveram uma leve retração em suas participações e a mesorregião noroeste fluminense aumentou levemente a sua participação no mesmo período. Os investimentos nas atividades petrolíferas tiveram papel fundamental.
No segundo período, entre 2007 a 2014, o processo de desconcentração do emprego na mesorregião metropolitana continuou, porém com uma dinâmica mais fraca. A participação caiu de 81,84% para 80,64%, enquanto a mesorregião norte fluminense subiu de 5,77% em 2007 para 6,05% em 2014. Como podemos observar, o crescimento nesse período não tem a mesma força do período anterior. Apesar dos investimentos no setor de infraestrutura portuária (porto do Açu em São João da Barra), a desaceleração dos investimentos no setor petrolífero foi mais forte e interrompeu a dinâmica observado no primeiro período. A mesorregião baixadas manteve um bom ritmo de crescimento relativo no segundo período e a mesorregião noroeste fluminense viu a sua participação melhorar no segundo período, em relação ao primeiro período.
A análise também considerou a evolução relativa da renda salarial nas mesorregiões nos mesmos períodos. As participações relativas as mesorregiões são apresentadas no gráfico.
                                                                                                            











A mesorregião metropolitana perdeu participação na renda do estado. No primeiro período, a participação caiu de 89,45% em 2000 para 84,07% em 2007. No segundo período a trajetória de queda continuou chegando a 82,43%. Inversamente, a mesorregião Norte Fluminense viu a sua participação da remuneração do trabalho subir fortemente. Em 2000 a participação era de 2,64%, subindo para 7,61% em 2007 e 8,61% em 2014. Assim como no emprego, o crescimento da participação do rendimento foi mais forte no primeira período. A participação do rendimento na mesorregião Baixadas também apresentou uma boa evolução com crescimento mais forte no primeiro período. As observações relatadas na trajetória da participação do emprego explicam também a evolução da participação no rendimento.
A desaceleração da economia mundial, a partir de 2008, afetou a economia brasileira. Entretanto, a prepotência dos desatentos gestores contribuiu para piorar o quadro que combinou corrupção, má gestão orçamentária, crise política e desconfiança generalizada. A desvalorização do preço do barril de petróleo completou toda essa problemática sem indicações de saída no curto prazo.

Os dados foram organizados por Thais Talmai, bolsista de Iniciação Científica e graduanda em Engenharia de Produção da UENF. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Flutuação do emprego formal nos municípios fluminenses selecionados em 2015

















A flutuação do emprego formal em 2015, comparativamente ao ano de 2014, mostra uma forte deterioração da economia fluminense. Os municípios selecionados são os lideres das microrregiões do estado, excluída a capital. O município do Rio de Janeiro gerou 21.257 empregos em 2014 e eliminou 82.705 empregos em 2015, enquanto o estado gerou 54.123 empregos em 2014 e eliminou 183.686 empregos em 2015.
No conjunto dos outros municípios, Itaboraí foi o que mais eliminou empregos em 2015. Foram 15.341 empregos eliminados no ano, contra 2.211 empregos eliminados em 2014. A desaceleração das obras do COMPERJ, refinaria da Petrobrás, teve papel fundamental nesse quadro desolador.
Os reflexos da crise no setor petrolífero, em função do desaquecimento da economia mundial, desvalorização do preço do barril de petróleo e, fundamentalmente, da corrupção na Petrobrás, refletiu frontalmente em Macaé. O município eliminou 12.166 vagas de empregos em 2015, depois de ter gerado 980 vagas em 2014.
Afetado também pela mesma crise, o município de Niterói, base do setor de construção naval, eliminou 10.668 empregos em 2015, depois de ter criado 3.048 vagas de emprego em 2014. 
O gráfico mostra a posição negativa dos outros municípios responsáveis pelo aprofundamento do mesmo quadro. 
Contrariamente, quatro municípios, nesse conjunto, conseguiram gerar resultados positivos.  Cachoeiro de Macacu com a criação de 128 vagas de emprego, predominantemente na administração pública; Miguel Pereira com a criação de 114 vagas nos setores de comércio, serviços e construção civil; São Sebastião do Alto com a criação de 10 vagas na industria de transformação e serviços e Vassouras com a criação de 110 vagas de emprego nos setores de serviços e comércio em 2015. 
Esses mesmos municípios também geraram saldos positivos de emprego em 2014.



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Evolução da participação do Valor Adicionado nos municípios selecionados do estado do Rio de Janeiro


Para uma análise evolutiva da participação dos municípios do estado do Rio de Janeiro no valor adicionado fiscal, selecionamos os mais representativos e verificamos a movimentação de suas participações relativas no período 2002 / 2007 e 2007 / 2014.

No primeiro período foi observado, dentre os municípios selecionados, um crescimento expressivo em Macaé. A sua participação no valor adicionado do estado de 3,493 em 2002 evoluiu para 5,878 em 2007. O crescimento foi de 68,28% no período. Um outro município que se destacou nesse período foi  Angra dos Reis, cuja participação de 4,129 em 2002 subiu para 5,460 em 2007, registrando um crescimento de 32,23% no período. Cabo Frio e Campos dos Goytacazes complementam o conjunto de municípios com variação positiva da participação no Valor Adicionado no estado. Cabo Frio cresceu a sua participação de 1,292 em 2002 para 1,518 em 2007 e Campos dos Goytacazes cresceu a sua participação de 3,241 em 2002 para 3,713 em 2007. Ficou evidente nesse período, o florescimento da conjuntura econômica pró-investimento no país que, beneficiada pela economia mundial, viu potencializar sua Balança Comercial. O apetite da indústria chinesa fez crescer os preços das commodities, enquanto o elevado preço do barril de petróleo irrigava o investimento no setor, fundamentalmente na Bacia de Campos. Nesse panorama, o crescimento do Valor Adicionado ficou concentrado exatamente nos municípios inseridos no setor petrolífero. Importante observar que inversamente, na região Metropolitana, a capital Rio de Janeiro viu a sua participação cair de 47,455 em 2002 para 40,707 em 2007. Também na região, Niterói perdeu participação, saindo de 2,200 em 2002 para 0,873 em 2007.

O segundo período, 2007 a 2014, foi abalado pela crise financeira americana que, posteriormente, se espalhou para Europa, fragilizando a economia do mundo inteiro. Inicialmente, a retração da economia americana, seguida pela desaceleração da economia chinesa, teve fortes impactos na America Latina, especialmente Brasil, Argentina e Venezuela. No caso do Brasil, os primeiros resultados negativos foram observados no saldo da Balança Comercial, endividamento da famílias, queda do investimento público e privado e inflação ascendente.  Mesmo a crise internacional se aprofundando, as expectativas de investimento no país ainda eram grandes nos primeiros  anos do mesmo período. A descoberta do pré-sal em 2007 ampliou os investimentos da Petrobrás em refinarias, além de investimentos privados na infraestrutura portuária, construção civil e construção naval. Os investimentos públicos e privados previstos pela Firjan para a região petrolífera da Bacia de Campos nos biênios 2010-2012; 2011-2013 e 2012-2014 foram estimados em R$12,9 bilhões, R$14,0 bilhões e R$26,0 bilhões sucessivamente. O quadro, entretanto, começou a se deteriorar com a redução da capacidade de investimento da Petrobrás, em função da ingerência do Governo Federal, e com a crise do grupo EBX que coordenava os investimento no Porto do Açu, fatos que derrubaram a intenção de investimento para o biênio 2014-2016 na região para R$0,9 bilhão. A crise ainda se aprofunda no segundo semestre de 2014, quando o preço do barril de petróleo se desvaloriza internacionalmente em aproximadamente 50%. O caos começa a se instalar dando vida a um verdadeiro desastre fiscal no País, no estado do Rio de Janeiro e nos municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos. Nesse quadro, somente Niterói consegue ampliar, com maior vigor, a sua participação do Valor Adicionado, em função da reestruturação da construção naval, que foi beneficiada pelos investimentos dos primeiros anos do período. A participação do Valor Adicionado do município avança de 0,873 (que tinha caído fortemente em 2007 frente a 2002), para 4,294 em 2014. Macaé conseguiu um leve avanço em sua participação indo de 5,878 em 2007 para 6,123 em 2014, enquanto os outros municípios selecionados perderam participação nesse segundo período analisado. Importante ainda mencionar a forte queda de participação de Itaguaí de 1,161 em 2007 para 0,476 em 2014, em função do desmonte dos investimentos na refinaria da Petrobras. Ainda, da queda de participação em Volta Redonda de 4,3639 em 2007 para 2,825 em 2014 pela desaceleração da atividade industrial do país e da queda de participação da capital de 40,707 em 2007 para 37,256 em 2014. No período completo de 2002 a 2014, a capital perdeu 10,199 pontos de participação do Valor Adicionado no estado.

Complementarmente, entendemos que a expectativa é que pelo menos nos próximos três anos a situação se deteriore fortemente, já que a crise do setor petrolífero tende a se agravar em função da corrupção que lavou toda a empresa e, consequentemente, da falta de capacidade financeira para manter os investimentos necessários. Nesse caso, os municípios produtores da Bacia de Campos tendem a amargar redução de suas receitas orçamentárias, já que apresentam dificuldades de reduzir a dependência aos royalties e participações especiais de petróleo.


Os dados foram organizados pela mestranda em Engenharia de Produção da UENF Natália Rodrigues.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A evolução sócio-econômica depende do conhecimento científico

Sobre o Sistema Nacional de Inovações dos Estados Unidos, o economista inglês Christopher Freeman nos ensina que entre as instituições, a que mais favoreceu o crescimento econômico na Grã-Bretanha foi o espírito científico que permeava a cultura nacional e o apoio as invenções técnicas. Estas características foram transferidas para os Estados Unidos, onde o respeito a ciência e a tecnologia se caracterizou como fundamento duradouro da civilização norte-americana, desde os tempos de Benjamin Franklin.

Segundo Tocqueville (1836)

"Nos Estados Unidos, a parte puramente prática da ciência é admiravelmente entendida e uma atenção especial é dedicada a posição teórica que constitui um requisito imediato para a sua aplicação. Os norte-americanos sempre tiveram sobre este aspecto uma capacidade mental livre, original e inventiva." 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Receitas de royalties em janeiro de 2016 na RNF

As rendas de petróleo em janeiro deste ano, mantiveram a trajetória de queda na região Norte Fluminense.  A queda foi 19,81% em relação a dezembro do ano passado e de 27,94% em relação a janeiro de 2015.
Dentre os municípios produtores de petróleo, o mais afetado foi Quissamã que registrou uma queda de 21,67% em janeiro, com base em dezembro último, seguido por Campos dos Goytacazes com uma queda de 20,69%, Macaé com uma queda de 19,14%, São João da Barra com um queda de 18,86% e Carapebus com uma queda de 17,01%.
O gráfico a seguir, apresenta as variações de janeiro de 2016 em relação a dezembro último para os municípios produtores de petróleo na região, assim como a relação com as rendas totais para todo o país.


Podemos observar que a queda das rendas totais distribuídas aos municípios do país é de 18,42% em janeiro, portanto menor do que a queda de 19,81% nos municípios da região Norte Fluminense. A diferença é intrínseca a desaceleração da produção da Bacia de Campos, frente a produção total do país. Vejam que é essencial o planejamento de novas fontes de recursos orçamentários na referida região.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Resultado da Balança Comercial brasileira em janeiro de 2016

O saldo da Balança Comercial brasileira começou o ano de 2016 superavitário. O resultado somou US$ 923 milhões. As exportações somaram US$11.246 milhões e as importações US$ 10.323 milhões. 
Em janeiro de 2015 o saldo foi deficitário em US$3.170 milhões. As exportações somaram US$13.704 milhões e as importações somaram US$16.874 milhões. Conforme podemos observar, as importações regrediram mais fortemente em 38,8%, enquanto as exportação caíram 17,9% em janeiro deste ano, com relação a janeiro de 2015.

Exportação de minério de ferro em janeiro de 2016

A movimentação do minério de ferro brasileiro, no comércio exterior, inicia o ano de 2016 com sérias dificuldades. O volume em toneladas exportado em janeiro cresceu 7,4% em relação a janeiro do ano passado, entretanto a receita encolheu 45,2% em função da forte desvalorização do preço da commoditie que caiu 49,2% no mesmo período.

O gráfico mostra a evolução dos preços médios praticados ao longo do período 2012 a 2016 (janeiro). A tendencia de queda se acentua cada vez mais, em função da desaceleração da indústria chinesa. A situação não é nada fácil!

Exportação de açúcar em bruto em janeiro de 2016

A exportação da commoditie brasileira açúcar em bruto, começa 2016 com forte desaceleração. A tabela apresenta o valor em dólar da receita de exportação, o volume embarcado em toneladas e o preço médio negociado no mês. A queda no volume embarcado foi de 48,4% em relação a dezembro último e, em relação a janeiro do ano passado, a queda foi 35,5%. A receita em dólar caiu 49,9% em relação ao mês passado e caiu 48,2% em relação a janeiro do ano passado.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços praticados no período de 2012 a 2016 (janeiro). O preço médio praticado no primeiro mês de 2016 é menor 3,0% em relação ao preço de dezembro último e menor 19,7% em relação a janeiro de 2015.