O comportamento da inflação no país em 2015

A inflação medida pelo índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, variou 10,67% em 2015, percentual muito superior a variação de 6,41% registrada em 2014. Neste último ano, os maiores aumentos ocorreram nos grupos de alimentação e bebidas, cujo crescimento foi 12,03%, habitação com crescimento de 18,31% e transporte com crescimento de 10,36%. Os principais componentes da inflação anual apresentam características de custo (em maior proporção), de demanda (em menor proporção), além do perverso efeito psicológico.

Sobre os componentes de custo, acentua-se a transferência dos subsídios governamentais concedidos, fundamentalmente, energia elétrica e combustíveis, para a conta dos consumidores. Importante também considerar a forte valorização cambial do dólar frente ao real em 48,75%, o que encareceu, de sobremaneira, as matérias primas, peças, componentes e produtos importados que fazem parte da vida da população brasileira.

Relativos a demanda, os efeitos climáticos de prolongadas secas e alagamentos em algumas regiões, tiveram impactos importantes nas oscilações de alguns preços. Diversos alimentos tiveram a sua oferta reduzida com reflexos em altas acentuadas de preço, mesmo considerando um contexto de queda da renda assalariada ao longo do ano, em função do aprofundamento do desemprego.

Já sobre o efeito psicológico, o comportamento racional de autodefesa do individuo é um fator realimentador dos preço e da inflação. O baixo padrão de confiança da sociedade na política e na economia do país, leva a um processo de descontrole dos preços relativos. Diversos produtos e serviços são aumentados sem qualquer critério, a não ser a proteção dos ofertadores. No médio prazo, essa prática passa a representar um grande gargalo no esforço de equilíbrio inflacionário.

Uma outra questão importante é que a inflação de 2015 afetou mais, fortemente, padrões de renda mais baixo. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, a inflação acumulada para esses grupos foi de 11,52%, enquanto que a inflação para todos os níveis de renda no país foi de 10,71%.


Para o ano de 2016, a expectativa é de desaceleração do índice inflacionário, porém em um patamar ainda acima do teto da meta. Tal fato deve-se a esperança de um melhor quadro nas condições hídricas, comparativamente ao ano passado, correção mais moderadas nos preços administrados de energia elétrica e combustíveis e, fundamentalmente, a esperança de melhoria no processo de gestão nos desajustes das contas públicas.

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