Perspectivas nada otimistas para a economia da região Norte Fluminense em 2016

O que esperar da economia da região Norte Fluminense em 2016? O quadro é tenso e as perspectivas não são nada otimistas. A região vem desacelerando o saldo de emprego formal desde 2012. É importante observar que a crise financeira americana, que se estendeu para Europa, posteriormente, teve um papel importante. Vimos o mercado internacional se fragilizar para as exportações de nossas commodities, assim como, a desaceleração dos investimentos das empresas estrangeiras na cadeia petrolífera e no setor portuário. 

Observe que foram gerados 12.625 empregos em 2010 crescendo, o mesmo saldo, para 17.641 empregos em 2011. A partir desse ponto o saldo se desacelerou até se negativar em 2015, onde foi registrado um saldo de -11.947 empregos destruídos até novembro.
A trajetória de queda do saldo de emprego no período analisado, não é compatível com a arrecadação de royalties (parcela sem a participação especial) destinada aos municípios produtores, cujo declinou só ocorreu em 2015, em função da queda acentuada da cotação do barril de petróleo a partir do segundo semestre de 2014.
A região recebeu R$1,0 bilhão em 2010, valor crescente até 2014, onde foi contabilizado a entrada de R$1,4 bilhão e a consequente queda para R$869,4 milhões até novembro de 2015.
Os números mostram um baixo aproveitamento dos recursos finitos de royalties na região, no que diz respeito, a indução de negócios sustentáveis.
A presente fragilidade de planejamento econômico regional  e os reflexos negativos da desatenta política macroeconômica, que incentivou o consumo agregado em descompasso com a oferta agregada, deixou como herança, grandes gargalos orçamentários, um alto endividamento das famílias, desemprego ascendente, queda do nível de renda disponível, alto padrão de desconfiança na classe empresarial e desaceleração do investimento. 
No contexto de uma quadro tão negativo e considerando a frágil competência de gestão pública nos municípios, não existe margem para se pensar na evolução econômica regional, considerando a expectativa de um bom padrão de investimento público e privado, geração de emprego e renda e redução da desigualdade social.
A confirmação dessa afirmativa está nos números do gráfico que apresentam o percentual de investimento público em Macaé, Campos e São João da Barra, no período de 2010 a 2014. Observem que a parcela relativa das receitas correntes que são alocadas em investimento, especialmente, em São João da Barra, é uma aberração. Macaé tem melhores indicadores, porém ainda muito baixos para as suas necessidades, enquanto Campos dos Goytacazes se destaca entre os municípios selecionados. 
O retorno a uma condição mais razoável vai depender, fundamentalmente, do resgate da confiança dos empresários e da recuperação orçamentária dos municípios. 

"Os dados de investimento em 2015 para Campos e São João da Barra vão até outubro e os de Macaé até agosto". 



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