terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Cadê o dinheiro que estava aqui?

Governadores recorrem ao governo federal falido para solucionar problemas financeiros. Todos esqueceram dos escândalos com obras super faturadas, corrupção de toda natureza na saúde, transporte, educação, etc., além da festa de contratações sem nenhum critério. Este quadro se estende para os municípios. Todos devem lembrar das matérias do Fantástico aos domingos "Cadê o dinheiro que estava aqui?"

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Perspectivas nada otimistas para a economia da região Norte Fluminense em 2016

O que esperar da economia da região Norte Fluminense em 2016? O quadro é tenso e as perspectivas não são nada otimistas. A região vem desacelerando o saldo de emprego formal desde 2012. É importante observar que a crise financeira americana, que se estendeu para Europa, posteriormente, teve um papel importante. Vimos o mercado internacional se fragilizar para as exportações de nossas commodities, assim como, a desaceleração dos investimentos das empresas estrangeiras na cadeia petrolífera e no setor portuário. 

Observe que foram gerados 12.625 empregos em 2010 crescendo, o mesmo saldo, para 17.641 empregos em 2011. A partir desse ponto o saldo se desacelerou até se negativar em 2015, onde foi registrado um saldo de -11.947 empregos destruídos até novembro.
A trajetória de queda do saldo de emprego no período analisado, não é compatível com a arrecadação de royalties (parcela sem a participação especial) destinada aos municípios produtores, cujo declinou só ocorreu em 2015, em função da queda acentuada da cotação do barril de petróleo a partir do segundo semestre de 2014.
A região recebeu R$1,0 bilhão em 2010, valor crescente até 2014, onde foi contabilizado a entrada de R$1,4 bilhão e a consequente queda para R$869,4 milhões até novembro de 2015.
Os números mostram um baixo aproveitamento dos recursos finitos de royalties na região, no que diz respeito, a indução de negócios sustentáveis.
A presente fragilidade de planejamento econômico regional  e os reflexos negativos da desatenta política macroeconômica, que incentivou o consumo agregado em descompasso com a oferta agregada, deixou como herança, grandes gargalos orçamentários, um alto endividamento das famílias, desemprego ascendente, queda do nível de renda disponível, alto padrão de desconfiança na classe empresarial e desaceleração do investimento. 
No contexto de uma quadro tão negativo e considerando a frágil competência de gestão pública nos municípios, não existe margem para se pensar na evolução econômica regional, considerando a expectativa de um bom padrão de investimento público e privado, geração de emprego e renda e redução da desigualdade social.
A confirmação dessa afirmativa está nos números do gráfico que apresentam o percentual de investimento público em Macaé, Campos e São João da Barra, no período de 2010 a 2014. Observem que a parcela relativa das receitas correntes que são alocadas em investimento, especialmente, em São João da Barra, é uma aberração. Macaé tem melhores indicadores, porém ainda muito baixos para as suas necessidades, enquanto Campos dos Goytacazes se destaca entre os municípios selecionados. 
O retorno a uma condição mais razoável vai depender, fundamentalmente, do resgate da confiança dos empresários e da recuperação orçamentária dos municípios. 

"Os dados de investimento em 2015 para Campos e São João da Barra vão até outubro e os de Macaé até agosto". 



domingo, 27 de dezembro de 2015

Desastre orçamentário nos municípios brasileiros

Pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), indica que 40% dos municípios do país devem fechar suas contas no vermelho em 2015. Informa, ainda, que 62% dos prefeitos estão em débito com fornecedores e 13% devem salários aos servidores. A justificativa sempre isenta de culpa os gestores públicos desses municípios afetados e recai sobre as outras esferas de governo (estadual e federal).


O nosso entendimento é que esse quadro é lamentável e injustificável, já que governos não criam riqueza, só consome a riqueza produzida pelo trabalho e pelo capital. Neste caso, o gasto público superior a receita chega a ser imoral. Principalmente governos que não investem e desperdiçam recursos finitos na ampliação do custeio. Qualquer justificativa desses gestores é absurda, já que o planejamento é ignorado.

Grandes shows, fuga de riqueza e involução econômica.


A decisão do governo de São João da Barra de cancelar os shows de artistas renomados está correta. Esses eventos milionários levam o dinheiro da cidade e não deixam nenhum benefício. O gráfico acima comprava tal afirmativa. Vejam que no período entre 2011 a 2015, considerando, somente, os meses de janeiro, fevereiro e março, o município, ao contrário da expectativa de geração de emprego no comércio, mais desligou que admitiu, gerando saldos negativos de emprego. Na comparação com São Fidélis, município não produtor de petróleo, sem praia e sem porto, podemos observar a grande vantagem em relação a São João da Barra, já que os saldos foram positivos e bem superior no mesmo período. 
Os argumentos complementares sobre os benefícios gerados para os ambulantes, não são importantes. Uma economia sustentável precisa gerar trabalho produtivo no contexto da formalidade e de cadeias produtivas criadoras de emprego e renda. Qualquer outra situação precisa ser negada.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Felicitações!


Aos amigos e leitores do Blog Economia Norte Fluminense, desejo um FELIZ NATAL e um ANO NOVO de muitas realizações. Um grande abraço de Alcimar Chagas.

sábado, 19 de dezembro de 2015

O comportamento da região Norte Fluminense nos números do PIB em 2013


Os números do PIB de 2013, divulgados pelo IBGE, mostram um quadro bastante difícil na região Norte Fluminense e comprova que a crise recente já vem se arrastando pelo menos a três anos. O gráfico apresenta as taxas de evolução do PIB real (descontado a inflação) em 2013, com base em 2012, nos municípios das região Norte Fluminense e no estado do Rio de Janeiro. Os municípios produtores de petróleo apresentaram taxas negativas neste ano, enquanto a surpresa positiva ficou por conta de São Francisco de Itabapoana, cujo PIB cresceu 17,31% e Cardoso Moreira, cujo crescimento foi 15,54% no mesmo ano.
A maior queda do PIB neste ano, contabilizada em 21,84%, ocorreu em Quissamã. Logo a seguir, Carapebus registrou uma queda do 16,14% e Campos dos Goytacazes de 13,9%.

Na avaliação de 2013, com base em 2010, ainda em termos reais, São Francisco de Itabapoana apresentou um crescimento de 116,02% e Cardos Moreira de 84,96%, no mesmo período. Na presente avaliação, o pior resultado foi registrado em São João da Barra, cuja queda chegou a 10,92%, enquanto em Quissamã a queda foi de 3,44%. O PIB da região cresceu 9,23%  e o estado cresceu 4,18% no período analisado. 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Emprego formal em novembro na região Norte Fluminense

A trajetória de queda do emprego formal na região Norte Fluminense apresentou uma pequena desaceleração em novembro, porém sem perspectiva de recuperação no médio prazo. Foram eliminados 1.874 empregos em novembro na região, ou o equivalente a 38,4% dos empregos eliminados no estado do Rio de Janeiro, no mesmo período. Conforme indicado na tabela, Macaé eliminou 1.263 vagas, enquanto Campos dos Goytacazes eliminou 421 vagas. No acumulado de janeiro a novembro, a região eliminou 11.947 vagas de emprego. Macaé eliminou 9.622 vagas, sendo 6.300 vagas no setor de serviços, 1.128 vagas na construção civil, 1.017 vagas na indústria de transformação, 697 no comércio, 389 vagas no setor extrativo mineral e 18 vagas na agropecuária.

Campos dos Goytacazes eliminou 1.854, sendo 1.244 vagas na construção civil, 793 vagas no comércio e 762 vagas na indústria de transformação. O setor de serviços gerou saldo positivo de 81 vagas, enquanto a agropecuária gerou 1.220 vagas no período.

São João da Barra eliminou 480 vagas, sendo 260 na construção civil, 224 vagas no setor de serviços e 32 vagas na indústria de transformação. O setor extrativo gerou saldo positivo de 30 vagas, o comércio 3 vagas e a agropecuária 5 vagas no período acumulado.

O Inferno Financeiro da Gestão Pública em CaboFrio

Cabo Frio passa por sérios problemas financeiros. Os servidores da educação, com os salários de novembro em atraso, paralisaram as atividades e foi instalado o caos no município. A população se mobiliza, em torno desses trabalhadores, que têm sofrido as consequências dos atrasos salariais, frente ao atendimento de suas necessidade essenciais. Uma pergunta que surge nesse momento é a seguinte: O que leva um município produtor de petróleo e com grande potencial turístico, perder a capacidade de pagar os salários dos seus servidores?

Buscando explicações nos dados econômicos, vimos que o Valor Adicionado Fiscal, elemento representativo da dinâmica das atividades econômicas industrial, agropecuária e de serviços, apresentou um crescimento médio real anual de 7,66% no período de 2008 a 2014. Esse indicador é que define a partilha de ICMS para o município. Um segundo indicador, as receitas correntes realizadas, também cresceram. Em 2007 somavam R$411,0 milhões e em 2013 R$820,2 milhões. Não conseguimos identificar os valores de 2014 e 2015, já que a contabilidade não está depositada na Secretaria do Tesouro Nacional e o portal da transparência do município está fora do ar.

Por outro lado, fica evidente o crescimento das despesas de custeio. Em 2007 o valor representava 79,32% das receitas correntes, passando para 88,15% em 2013. É importante observar que as despesas com pessoal e encargos não exerceram pressão nesse aumento. Outra informação importante é que o nível de investimento público anual médio se situa em torno de 10% das receitas correntes, considerando o período entre 2007 a 2013.

Uma conclusão plausível é de que o aumento das receitas, provenientes da arrecadação de royalties de petróleo, alimentou um crescimento irresponsável do custeio e que a ausência de planejamento facilitou o descompasso fiscal, com a geração de déficit público e, consequentemente, a quebra de contratos com servidores e fornecedores.

Diante desse quadro, não justifica buscar culpados externamente. A culpa pelo desequilíbrio fiscal é da gestão pública que não aproveitou os ciclos favoráveis para avançar a economia do município e, ao contrário, cresceu a estrutura pública de custeio, fragilizado a capacidade produtiva e financeira do município.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Evolução do Valor Adicionado em 2014 na região Norte Fluminense


O valor Adicionado de 2014 no estado do Rio de Janeiro, reflete o fluxo de investimento desconcentrado da região metropolitana. O estado apresentou um crescimento real do valor adicionado de 3,21% em 2014, com base em 2013, enquanto o município do Rio de Janeiro registrou uma queda de -0,29% no mesmo período. O gráfico acima, apresenta os percentuais de evolução do valor adicionado em 2014, em termos reais, para os municípios da região Norte Fluminense. Com exceção de Carapebus e Macaé, que apresentaram queda real do valor adicionado, os outros municípios cresceram acima da taxa do estado. 
São João da Barra se destaca, em função dos investimentos no porto do Açu, enquanto São Francisco de Itabapoana e Campos dos Goytacazes evoluíram por conta das atividades internas. Os municípios de Conceição de Macabu, Cardoso Moreira e São Fidélis (não produtores de petróleo), apresentaram taxas superiores a Quissamã que é produtor de petróleo.
O município de Maricá, fora da região, apresentou uma taxa de crescimento real de 545,54% em 2014, com base em 2013. O município é produtor de petróleo, apresenta atividade de turismo bem estruturada, além de uma boa estrutura de investimento público.
Armação de Búzios e Cabo Frio, municípios produtores de petróleo e turísticos, apresentaram taxas robustas de crescimento de valor adicionado, ou seja, 43,62% e 27,87% em 2014 com base em 2013. Rio das Ostras cresceu somente 1,12%, uma taxa inferior a taxa do estado no mesmo ano. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Capitania dos Portos de São João da Barra homenageia parceiros

Em comemoração ao dia do marinheiro, a Capitania dos Portos de São João da Barra prestou homenagens aos parceiros que apresentaram contribuições, efetivas, à organização. Os indicados como amigos da Marinha do Brasil foram o prefeito José Amaro Martins (Neco) de São João da Barra, o economista e professor da UENF Alcimar das Chagas Ribeiro e a presidente da Colônia de pesca de São Francisco de Itabapoana Diviane Santos. A cerimônia de entrega de medalhas ocorreu nas instalações da Capitania em São João da Barra, com a presença de autoridades e convidados e as comemorações ocorreram na sede do Sesc Mineiro em Grussai. Na ocasião, muitos conversas sobre o novo estágio operacional do porto do Açu e suas perspectivas foram pautadas. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A crise Financeiro do Rio de Janeiro: de quem é a culpa?

A crise financeira do estado do Rio de Janeiro, segundo o secretário de fazenda, tem origem em um quadro inesperado, um tsunami, que impactou, fortemente, na arrecadação fiscal e, consequentemente, no déficit fiscal. Segundo o secretário, esse quadro é geral, e afeta outras Unidades da Federação e o País. Ou seja,fatores externos, como a queda do preço do barril de petróleo, foram responsáveis pelo problema e nenhuma culpa deve recair sobre a gestão interna. Neste caso, a solução proposta pelo secretário passa pela reforma previdenciária, moratória negociada dos juros da dívida e, ainda, pela eliminação da estabilidade do servidor público.

Para melhor entender a questão, resolvi analisar os indicadores da execução orçamentária do estado, no período de 2007 a 2014. Diferente do discurso do secretário, o que se observa é um crescimento real médio anual de 7,29% das receitas correntes nesse período. As receitas tributárias também avançaram na relação com as receitas correntes. Em 2007 representava 58,22%, passando para 64,81% em  2014. As despesas de pessoal e encargos se apresentam sobre controle, em média 28,87% das receitas correntes, enquanto que as despesas com juros da dívida, também estável, se situam em média 5,51% das receitas correntes.

Entretanto, um fato que chama a atenção é o crescimento das despesas correntes, cujo relação com as receitas correntes é deficitária desde de 2012. Assim, podemos constatar que a situação já vem se arrastando, mesmo quando a conjuntura nacional e internacional eram favoráveis. Ao contrário da visão do secretário, o Rio de Janeiro, assim como o país, não aproveitou a fase ascendente do ciclo, onde os preços das commodities estavam muito valorizados, utilizando a riqueza gerada em custeio. O aumento das receitas correntes alimentaram o crescimento da estrutura pública, sem que ocorresse aumento de produtividade. A grande  dificuldade agora é reduzir o tamanho dessa estrutura, em função dos comprometimentos assumidos. O secretária erra no diagnóstico, colocando, indiretamente, o servidor público também como culpado da crise. Claramente, a raiz do problema está na péssima gestão fiscal.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A conjuntura econômica brasileira expõe suas fragilidades


A recessão se aprofunda no país, sem indicativos de recuperação a vista, pelo menos, no médio prazo. A evolução das taxas trimestrais em relação ao trimestre imediatamente anterior, apresenta queda nos três últimos trimestres de 2015. No primeiro trimestre a queda do PIB foi de -0,8%, no segundo trimestre -2,1% e no terceiro trimestre -1,7%. A expectativa é que no quarto trimestre do ano ocorra também uma queda.

O gráfico apresenta as taxas de evolução do PIB e da Formação Bruta do Capital Fixo  nos trimestres de 2014 e 2015. Observem que a trajetória da FBCF (investimento agregado) é de queda em todos os trimestres analisados. Esse indicativo é perigoso, já que mostra a incapacidade de investimento dos governos e  a baixa disposição para investimento do setor privado, em função da crise política que acaba alimentando a crise econômica.

Outro dado importante é a trajetória de queda da atividade industrial desde do segundo trimestre de 2014, fato que caracteriza a falta de disposição para investir do setor privado. Os reflexos podem ser visto também na trajetória do consumo das famílias que apresenta queda nos últimos três trimestres de 2015. O aprofundamento do desemprego, o alto nível de endividamento e a preocupação com o futuro, são elementos importantes na explicação dessa problemática.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Resultado da Balança Comercial do Brasil em novembro

A movimentação do comércio exterior brasileiro, em novembro, gerou exportação de US$13.806 milhões, importação de US$12.609 milhões e saldo superavitário de US$1.197 milhões. O saldo em novembro de 2014 foi deficitário em US$2.427 milhões. No período analisado, as importações caíram 30,23%, enquanto as exportações caíram 11,76%.
No acumulado de janeiro a novembro de 2015, as exportações somaram US$174.351 milhões, as importações somaram US$160.909 milhões e o saldo superavitário somou US$13.442 milhões.

Exportação de minério de ferro em novembro

O volume exportado de minério de ferro no mês de novembro caiu 18,0% em relação a outubro. A receita foi menor 20,6% e o preço médio declinou 3,0% no mesmo mês.
Na comparação com novembro de 2014, em novembro último, foi registrado um crescimento de 7,9% no volume embarcado e uma queda de 43,0% na receita em dólar. O preço médio sofreu uma forte retração de 47,1% no período verificado.
O gráfico apresenta a evolução dos preços praticados no comércio de minério no exterior. Conforme podemos verificar a desvalorização é acentuada no tempo. O ano de 2015 apresentou uma forte desvalorização do preço da commoditie, e as projeções futuras não são nada animadoras.

Exportação de açúcar em bruto em novembro

A exportação de açúcar em bruto em novembro somou 2,0 milhões de toneladas e uma receita de US$580,4 milhões. O preço médio de US$289,9 ficou levemente acima do preço praticado em outubro, porém em uma trajetória de queda. 
Na comparação com novembro de 2014, foi registrado um aumento 14,83% no volume embarcado e uma queda de 11,29% na receita em dólar. O preço médio caiu 22,76% no mesmo período.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços médios praticados no período entre 2012 a 2015. Podemos observar uma forte desvalorização dos preços no mesmo período.