O projeto do porto do Açu e suas contradições

As contradições em torno do Porto do Açu são escandalosas. Penso que as lideranças sanjoanenses estão anestesiadas, já que não reagem a absolutamente nada. Divulguei neste blog matéria do Jornal Valor Econômico que faz ampla propaganda da estrutura portuária. Cita contratos milionários de arrendamento de áreas para novos investimentos, uma ampla movimentação de navios e, sobretudo, a importante diversificação de negócios. Além do minério como âncora, o porto já escoa bauxita, vai movimentar petróleo, e apoio marítimo as plataformas na Bacia de Campos. 
Em uma outra publicação, na folha da manha, se discute um impasse no porto do Açu, proveniente de atrasos de pagamentos aos funcionários de uma empresa de engenharia, com paralisações e muita confusão. A matéria cita que o porto emprega 10.000 funcionários e que 90% a 95% desse contingente é mão de obra local. 
Diante dessas informações fui verificar alguns indicadores para melhor entender o problema. A tabela acima mostra que em 31 de dezembro de 2014 - último dado oficial da RAIS-  São João da Barra tinha 10.415 empregos formais e uma remuneração média total de R$2.049,16 no mesmo mês. No setor de comércio, entretanto, o número de emprego formal era de 888 e uma remuneração de R$1.139,62. 
Para efeito de comparação, no ano de 2004, o número de emprego total era 3.779 com uma remuneração média de R$649,85 no mesmo mês de dezembro. No comércio o número de empregos era 406 com uma remuneração de R$400,45 no mesmo mês.
Simplificando a discussão, podemos dizer que, apesar do crescimento do emprego total no período, a participação percentual do emprego no comércio diminuiu de 10,74% em 2004 para 8,52% em 2014, ocorrendo o mesmo com a remuneração do trabalho no comércio que saiu de 61,62% da remuneração total em 2004 para 55,61% em 2014. 
Para não ficar dúvidas sobre a análise, olhamos São Francisco de Itabapoana e vimos que lá o emprego no comércio aumentou a sua participação percentual de 16,78% em 2004 para 24,96% em 2014. A remuneração do trabalho no comércio também aumentou de 83,20% da remuneração total para 89,21% em 2014. 
Conforme podemos concluir, o emprego gerado em São João da Barra está longe de representar 90% da mão de obra local, já que não reflete no comércio. Por outro lado, fica claro que parte substancial da riqueza gerada por esse investimento foge para outros centros. 
Observem que SFI não é produtor de petróleo e não tem porto, porém apresenta números do emprego no comércio muito próximos de São João da Barra. 
Não tenho dúvidas sobre esta questão!

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