A mais nobre atividade de produzir alimentos


O Programa de Alimentação Escolar (PNAE), com sessenta anos de vida, contribui para o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e rendimento escolar dos estudantes, além da formação de hábitos alimentares saudáveis. A sua implantação ainda estimula o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades, por conta da destinação constitucional de  30% do valor transferido pelo Governo Federal para a compra direta à agricultura familiar.

Apesar da sua importância, muitos municípios ainda não se sensibilizaram sobre a questão, preferindo comprar os produtos da merenda escolar de seu municípios em outras regiões, gerando emprego e renda fora do seu território.

As justificativas para a não implantação do PNAE não são coerentes. Por maiores que sejam as dificuldades, um bom planejamento resolveria a questão. Como tenho por hábito provar as minhas teses, vou demonstrar um pequeno experimento caseiro do plantio de feijão e seus desdobramentos.

O experimento ocorreu em um canteiro de 5m², sem qualquer trato, por 60 dias, gerando uma produção de 900 gramas de feijão, ou seja, 180 gramas por m². Importante ainda foi o aprendizado sobre o melhor momento da colheita em função da coloração da vagem, além da ideal divisão do trabalho, no caso da organização da produção ocorrer em uma grande área. Ao contrário do que se pensa, é possível implantar diversas etapas da divisão do trabalho, para aumento da produtividade. Assim, pode-se planejar o plantio, com as atividades intrínsecas; a colheita (retirada das plantas); a separação das vagens das plantas; o processo de debulhamento das vagens; a seleção dos grãos; a embalagem dos grãos; e a preparação da compostagem com as folhas e restos do plantio.

Como podemos observar, para produzir alimentos basta terra, planejamento e disposição para o trabalho produtivo. Aliás, acredito cada vez mais que o elemento cultural tem um papel importante nessa questão. Os estados de Minas Gerais e Espírito Santo desenvolvem as atividades agropecuárias muito diferente do estado do Rio de Janeiro. 

Acredito que fator petróleo pode ser um elemento de diferenciação. Nos acostumamos a condição de rentista dos royalties da produção de petróleo. No Rio de Janeiro as atividades agropecuárias não dão status. O negócio é falar de grandes projetos baseados em recursos naturais, seus milhões de dólares, sem se importar com a destruição do meio ambiente e a exclusão social. Por aí vamos nós, enquanto os estados indicados produzem e geram riqueza de forma sustentada, a partir do uso da terra e os saberes locais.   

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