sexta-feira, 31 de julho de 2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Medo das agências de risco?

30/07/2015  09h05 - Atualizado às 10h21

fernando canzian


Antes mesmo do provável rebaixamento pelas agências de classificação de riscos, o Brasil é o emergente que mais tem sofrido com a fuga de investidores de seus ativos nas últimas semanas.
Um dos maiores engodos do capitalismo está prestes a retirar do Brasil o chamado "grau de investimento" e classificá-lo como "investimento especulativo". Com isso, o país perderá o selo de "bom pagador".
Vistas como bedéis dos mercados financeiros, as chamadas agências de classificação de risco estão normalmente atrasadas e desorientadas. Desta vez não parece diferente.
Antes da crise global de 2008, essas agências davam notas máximas (AAA) a títulos que, soubemos depois, tinham como lastro até imóveis caindo aos pedaços no Alabama.
Quando a crise estourou, vimos que elas tinham capacidade muito limitada de avaliar riscos. Principalmente de papéis com "ativos podres" (como casas no Alabama) escondidos atrás de nomes incríveis e cheios de superlativos.
Embora desacreditadas, as agências ainda funcionam por uma questão de fé depositada por investidores em uma igreja de falsos profetas. Consequência da falta de racionalidade e bússola confiável nos mercados.
Mesmo assim, perder o selo de "bom pagador" significa que fundos que cuidam do dinheiro de aposentados ao redor do mundo, por exemplo, não poderão mais (por contrato) investir em papéis brasileiros.
Isso desvalorizará nossos ativos (ações, imóveis, moeda). Ficaremos mais pobres e mais distantes da recuperação da crise em que Dilma Rousseff nos meteu.
No caso brasileiro (com recessão, inflação alta e dívida pública crescente), as agências só seguem uma manada de dinheiro grosso que já começou a atravessar a porteira de saída faz algum tempo.
O gráfico abaixo mostra como os maiores fundos de investimento do mundo passaram a agir em relação às economias emergentes desde junho.
No canto direito está o Brasil. É o país que mais sofre com a fuga de investidores (queda de 3,5% do total aplicado). Os dados são do Institute for International Finance (espécie de Febraban global).
Editoria de Arte/Folhapress
Na prática, com pouquíssimas exceções (Índia é a maior delas, com crescimento previsto de 7,5% neste ano), quase todos os emergentes estão sofrendo com a fuga de investidores.
O movimento nem é recente. Vem sendo ensaiado desde os meses finais de 2013, como mostra o gráfico abaixo. Nele, a linha azul indica o fluxo de investimentos para os países ricos. A vermelha, para os emergentes.
Editoria de Arte/Folhapress
Depois de alguma dúvida em meados do ano passado, o mercado aparentemente decidiu, agora com convicção, proteger seu dinheiro grosso em ativos dos países ricos.
Isso ocorre porque as economias avançadas de EUA e Europa finalmente parecem sair com mais força do atoleiro em que se meteram desde 2008. Com isso, vão crescer mais, comparativamente aos emergentes, oferecendo mais chances de ganhos futuros.
Pelas projeções do FMI, o crescimento nos dois lados do Atlântico Norte será consistente em 2015: nos EUA, 3,1% (2,4% no ano passado); na Europa rica, 1,7% (1,3%). Até a Espanha, que vinha patinando mais do que a média nos últimos anos, tem alta do PIB projetada em 2,5% neste ano (1,4% em 2014).
Entre os emergentes, sofrerá mais quem crescer menos. Para saber disso, não precisamos sequer de agências desacreditadas.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Informativo UENF

Economista da UENF lança site com análises regionais e estaduais

CONEFLUAnálises técnicas com abordagens fáceis, porém precisas, para difundir conhecimento econômico acerca do cenário do Estado do Rio de Janeiro e nortear políticas públicas. Esses são os objetivos do boletim eletrônico Conjuntura Econômica Fluminense, o Coneflu, editado pelo doutor economista, professor e assessor da Pró-Reitoria de Extensão da UENF (PROEX), Alcimar das Chagas Ribeiro. O site com a primeira edição — três publicações — está no ar http (www.coneflu.com) e apresentará novos textos periodicamente.
Nesta primeira edição, o leitor poderá ter uma análise profunda sobre a trajetória das receitas de royalties e participações Eespeciais nos municípios da Bacia de Campos e suas antecipações, a movimentação do emprego formal em junho de 2015 no estado do Rio, e a dinâmica econômica dos municípios da Bacia de Campos nos últimos dez anos.
As análises do Coneflu observarão sempre cinco temas: emprego e renda; sistema financeiro; execução orçamentária; evolução do comércio, indústria e serviços; e movimentação do comércio exterior. Segundo explicou o professor Alcimar, a rigidez dos artigos científicos dificulta sua leitura e utilização, enquanto matérias jornalísticas tendem a ser superficiais. Assim, o boletim visa flexibilizar o método cientifico, sem prejuízo à sua efetividade.
— Buscamos, também, contribuir para a formulação de políticas públicas mais estratégicas — acrescenta.

Antecipação dos Royalties e Participações Especiais

http://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/rjintertv-1edicao/videos/t/edicoes/v/86-do-publico-da-inter-tv-e-contra-a-antecipacao-dos-o-repasse-dos-royalties-do-petroleo/4355147/

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Trajetória das Receitas de Royalties e PE nos Municípios Produtores da Bacia de Campos: até que ponto justifica a antecipação dessas receitas?

July 27

www.coneflu.com

Alcimar das Chagas Ribeiro (economista, D. Sc., pesquisador da UENF)


As receitas de royalties e participações especiais consolidadas nos principais municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos, no período entre 2007 a 2014, somaram a bagatela de R$20.225,8 milhões, cuja distribuição demonstramos no gráfico a seguir.


Gráfico 1: Receitas de royalties e PE consolidadas em 2007-2014
Fonte: Elaboração própria com base na ANP


Vejam que Campos dos Goytacazes contabilizou 44,8% das transferências, Macaé 18,5% e Rio das Ostras 12,0% do total, ficando o restante, equivalente a 24,7% para os municípios de Cabo Frio, São João da Barra, Quissamã e Casimiro de Abreu. A taxa de crescimento anual média das receitas, observada ao longo do período, coloca São João da Barra como o maior beneficiário com 40,05% de crescimento, seguido por Cabo Frio com 12,61% de crescimento, Casimiro de Abreu com 11,38% de crescimento, Campos dos Goytacazes com 10,11% de crescimento, Macaé com 8,96% de crescimento, Rio das ostras com 7,72% de crescimento e Quissamã com -1,47% de queda anual durante o período analisado.

Com exceção de Quissamã, todos os municípios registraram crescimento médio real, já que a inflação medida pelo IGP-M  bateu 5,93% no período analisado. Esse mesmo crescimento real das receitas de royalties e participações especiais deveria refletir positivamente na expansão do nível de investimento público, tendo em vista a sua natureza.

Neste caso, a taxa média de investimento por município até o ano de 2013, já que o fechamento da contabilidade de 2014 ainda não foi divulgado, é apresentada no gráfico 2 a seguir:

Gráfico 2: Taxa média de investimento no período 2007 a 2013
Fonte: Elaboração própria com base nos dados STN


Por esta análise, Rio das Ostras apresentou o melhor resultado com a aplicação de 38,37% das receitas de royalties e Participações especiais em investimento, seguido por Campos com 31,53%, São João da Barra com 26,78% e Macaé 26,35%. Cabo Frio investiu 23,79%, Casimiro de Abreu 17,85% e Quissamã 17,85% das rendas de royalties. Se considerarmos que o petróleo é finito e, portanto, as suas rendas responsáveis pela construção de projetos estruturantes nesses mesmos municípios, temos de reconhecer a baixa propensão a investir e, por outro lado, a grande facilidade dos mesmos em alocar recursos escassos em custeio e ampliação da máquina pública.

Como podemos observar, nesse período de abundância, preocupações como planejamento, implementação de projetos estruturantes, incentivo a criação de negócios sustentáveis, etc., parece não ter ocupado as prateleiras das prioridades nesses municípios. Com a desvalorização continuada do preço internacional do petróleo a partir de junho de 2014, caindo de US$ 108,37 neste mesmo mês para US$47,45 em janeiro de 2015, com lenta recuperação em US$61,3 em junho, as contas públicas se desorganizaram. Veja no gráfico a seguir a evolução dos preços de junho de 2014 a junho de 2015. 


Gráfico 3: Preço mensal por barril de petróleo
Fonte: Index mundi


Entretanto, uma análise mais detalhada permite afirmar que o problema da desorganização das contas públicas tem forte relação com a falta de visão dos gestores e, consequentemente, com a inexistência de planejamento. Os gestores só observaram o problema quando a sua contabilidade, pelo regime de caixa, viu minguar as suas receitas. Já era tarde demais!

A falta de visão sistêmica e o foco no populismo, cegaram os gestores públicos em relação à recessão mundial posterior a 2008, que levaria a retração da demanda de petróleo, assim como, o crescimento da oferta, fundamentalmente, pelo lado americano com a larga produção de gás de xisto, fatos que impactariam na presente desvalorização do preço do petróleo.

Por outro lado, o Brasil seria impactado negativamente, já que é exportador de commodities, dentre elas, o petróleo. Assim, só eles não sabiam que a conjuntura econômica do país se desestabilizaria, fraquejando o comércio exterior e as contas públicas. Como consequência, o emprego seria desacelerado e a inflação avançaria. Essa conjuntura afetaria as receitas orçamentárias dos municípios que deveriam ter se protegido com um melhor gerenciamento das despesas lá atrás.

Na ausência de fundamentos de qualidade na gestão pública dos municípios, sobrou a alternativa de recomposição das receitas presentes, através da antecipação dos royalties futuros. Diante desse quadro, um primeiro argumento contrário a essa engenharia financeira é a certeza da manutenção da prática gastadora sem as preocupações elencadas anteriormente. Um segundo argumento consiste nas bases da Lei de Responsabilidade Fiscal, que prega a necessidade de equilíbrio orçamentário em cada exercício fiscal. Um terceiro argumento se baseia, exatamente, na baixa propensão a investir dos municípios selecionados. Um quarto argumento se baseia nos pífios resultados históricos sociais (saúde, educação, segurança, e saneamento) e econômicos (baixo padrão de emprego e renda, fraca atividade industrial, setor de serviço de baixa qualificação e renda concentrada).

Finalmente, entendemos que esse é o momento ideal para uma grande reflexão sobre as práticas impostas à política e econômica no interior de todo o estado fluminense. Questões como a economia baseada em recursos naturais explorados por investimentos exógenos até a exaustão, o domínio exacerbado das forças políticas sobre a sociedade e a forte desigualdade social observada, precisam ser repensadas e transformadas em benefício da população.



sábado, 25 de julho de 2015

Mineração e incertezas

http://www.valor.com.br/empresas/4148594/prejuizo-bilionario-leva-anglo-american-cortar-6-mil-empregos

Entenda o processo de evolução das rendas de petróleo e os benefícios para a população

Muito se discute sobre a antecipação das receitas de royalties e participações especiais na região, em função da desvalorização do preço do petróleo, porém a informação é falha. Como contribuição para um melhor entendimento, vamos analisar o caso de São João da Barra. A figura mostra os valores de royalties e participações especiais em milhões de reais, no período de 2007 a 2013, assim como os valores de valor adicionado fiscal. O valor adicionado é representado pelas remunerações realizadas nas empresas em seu processo operacional anualmente, ou seja, remuneração do trabalho, do capital próprio e terceiros e dos aluguéis. Esse valor é uma boa medida da geração de riqueza no Município e o valor mais atual é de 2013.
Vejamos, o município arrecadou R$1.260,4 milhões no período e alocou em investimento R$337,5 milhões, ou seja, atingiu uma taxa média de investimento de 26,78% das rendas de petróleo. Isso quer dizer que mais de 2/3 do valor arrecado foram gastos em custeio (aumento da estrutura pública), rubrica com baixo padrão de benefícios para os munícipes.
Outro ponto interessante é que as receitas de royalties e PE apresentaram um crescimento nominal médio anual de 45,44% no período, enquanto o valor adicionado fiscal apresentou um crescimento médio de 12,9%, confirmando a tese de que parte substancial das altas rendas de petróleo foi desperdiçada no período analisado. Fica claro a inexistência de planejamento e projetos de infraestrutura no município. Até mesmo a lei de tratamento de resíduos sólidos imposta pelo governo federal, a cinco anos atrás, foi ignorada pelo município. 
Por outro lado, a falta de visão dos gestores públicos não permitiu enxergar a recessão mundial, posterior a 2008, a perspectiva de desvalorização do preço do petróleo, pelo aumento da oferta e, conseqüentemente, a queda das rendas de petróleo e das outras transferências constitucionais, em função da retração da economia do país. 
Realmente, fica evidente o desinteresse dos gestores públicos pelo longo prazo, pelo planejamento e, fundamentalmente, pelo bem estar da população. A solução de recomposição da receita sem a devida preocupação com as despesas é uma loucura. Estão ignorando a Lei de Responsabilidade Fiscal e enganando a população que carece de informação credibilizada.


sábado, 18 de julho de 2015

Emprego formal em junho na região Norte Fluminense

O inicio da safra da cana de açúcar em Campos dos Goytacazes deu um "gás" no mercado de trabalho na região Norte Fluminense que passou do saldo negativo de 611 vagas eliminadas em maio para 333 vagas criadas em junho. Porém o saldo consolidado no primeiro semestre continua negativo com um saldo de 4.283 vagas eliminadas, ou 5,42% das 78.964 vagas eliminadas no estado do Rio de Janeiro no mesmo período.
Segundo a tabela, Campos criou 435 vagas em junho e mantém um acumulado de 1.698 vagas eliminadas no semestre. O comércio liderou com 902 vagas eliminadas, seguido pela construção civil com 674 vagas eliminadas e da indústria de transformação com 667 vagas eliminadas no período. O setor de serviço criou 552 vagas e o setor agropecuário criou 345 vagas no semestre.
Macaé eliminou 136 vagas em junho e 2.395 vagas no semestre. Destas, o setor de serviços eliminou 824 vagas, o comércio eliminou 566 vagas e a construção civil eliminou 533 vagas no semestre.
Já em São João da Barra foram criadas 19 vagas em junho, enquanto no semestre foram eliminadas 279 vagas. O setor de serviço eliminou 165 vagas e a construção civil eliminou 114 vagas no semestre.

Contradições!!

Prumo assina contrato com Votorantim para operação de bauxita e coque no Porto do Açu

Visita da Folha ao Porto do Açu, 27-05-2015 foto Rodrigo Silveira (300)A Prumo assinou nesta sexta-feira (17) contrato com a Votorantim Metais para movimentação de bauxita e coque no Terminal Multicargas (TMULT) do Porto do Açu. O contrato é um marco para o empreendimento, pois possibilita o início da operação do TMULT, primeiro terminal próprio da Prumo no Porto do Açu.
O contrato tem duração de 3 anos e prevê a movimentação de 300 mil toneladas por ano de bauxita e coque, com a 1ª operação prevista para agosto deste ano. A previsão é que o TMULT movimente 2 milhões de toneladas de bauxita por ano.
O presidente da Prumo, Eduardo Parente, observou que o contrato “abre o Porto para toda região”. Os caminhões com bauxita já começam a chegar ao Açu a partir da próxima semana e o primeiro embarque será realizado no início de agosto. “A gente chega com força, não chega para fazer um pouquinho. O minério de ferro é um exemplo disso. Estamos operando há praticamente um ano e já recebemos 25 navios”, disse Parente, destacando a importância do anúncio “casado” do início da operação do TMULT e o contrato com a Votorantim.
A bauxita será transportada de Miraí, em Minas Gerais, até o Porto do Açu.

" As informações são contraditórias. Um movimento envolvendo 25 navios em praticamente um ano, enquanto a Receita de Imposto sobre Serviços caiu 0,66% no período de janeiro a maio de 2015 com base no mesmo período de 2014" no município.
De janeiro a maio de 2014 a arrecadação de ISS somou R$25,5 milhões, enquanto no mesmo período de 2015 a arrecadação somou R$25,3 milhões. Estamos subsidiando grandes grupos empresariais, enquanto a cidade empobrece?

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Economia Fluminense

http://www.coneflu.com/

Prezados este é o link do site Conjuntura Econômica Fluminense. Boa leitura, abraços, Alcimar

quinta-feira, 16 de julho de 2015

PIB do Brasil deve cair 1,8% neste ano e crescer 1% em 2016, diz Moody's

ÁLVARO CAMPOS E SÉRGIO CALDAS - O ESTADO DE S. PAULO
16 Julho 2015 | 10h 55

Agência de classificação de risco afirmou em relatório que a atividade econômica fraca continuará sendo um desafio para as empresas brasileiras pelo menos até meados de 2016.

SÃO PAULO - Em meio à visita de sua equipe ao Brasil, para analisar o rating soberano do País, a agência de classificação de risco Moody's divulgou relatório no qual afirma que a atividade econômica fraca continuará sendo um desafio para as empresas brasileiras pelo menos até meados de 2016. No texto, a Moody's diz que o PIB brasileiro deve recuar 1,8% este ano, em meio a incertezas políticas, inflação elevada e deterioração na confiança dos investidores. Já para 2016 é esperado um crescimento de 1%.

"A economia do Brasil encolheu 1,6% no primeiro trimestre de 2015, comparado com o mesmo período do ano anterior - pior do que a queda de 0,2% no quarto trimestre do ano passado", diz no documento o vice-presidente e analista sênior da Moody's, Marcos Schimdt. "As investigações de corrupção têm limitado significativamente a economia brasileira, pesando sobre os setores de construção e energia, com efeitos de contágio nas indústrias de aço e materiais de construção", acrescenta.

A Moody's afirma que a operação Lava Jato, da Polícia Federal, tem deixado os investidores cautelosos sobre as empresas brasileiras não financeiras, limitando o acesso dessas companhias aos mercados globais de dívida. Além disso, a confiança de empresas e famílias tem se deteriorado, em função do aumento no endividamento dos consumidores, altas taxas de juros, crescente inflação e desemprego. A agência diz que os consumidores brasileiros cortaram gastos em bens duráveis e mesmo em itens não discricionários, como produtos farmacêuticos.

Schmidt aponta que as fracas condições econômicas e a reduzida demanda de passageiros vai limitar o crescimento da receita e das margens para as companhias aéreas brasileiras pelo menos até meados de 2016. O mesmo deve acontecer com as empresas de telecomunicação, com queda na base de consumidores e nas receitas, enquanto as mineradoras sofrem com a demanda global frágil e os preços baixos do minério de ferro e outros metais básicos.


Já as fabricantes de celulose devem se beneficiar da queda do real. Ainda assim, a inflação, o desemprego e a retração na confiança dos consumidores deve impedir que essas empresas elevem preços. 

Isso é CIDADANIA!!

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/07/parlamentares-aprovam-reducao-de-seus-salarios-no-pr-apos-protestos.html

Esse comportamento deveria ser copiado!!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Royalties em junho na região Norte Fluminense

As receitas de royalties de petróleo mantem o quadro de queda em junho, por conta da desvalorização internacional do preço de petróleo. 
Comparativamente a junho de 2014, verifica-se uma queda de 26,24% na região Norte Fluminense, queda de 19,61% no conjunto dos municípios do Rio de janeiro e queda de 19,74% no conjunto dos municípios do país. A arrecadação de Campos foi menor 29,3% em junho último, comparativamente ao mesmo mês do ano passado, em Macaé a queda foi de 22,4% e em São João da Barra a queda foi de 18%.
Conforme podemos observar a Bacia de Campos vem sofrendo perda de produtividade pelo processo de amadurecimento dos campos em operação. 

domingo, 5 de julho de 2015

Aprendendo as lições da estagnação


THE ECONOMIST
02 Julho 2015 | 18h 14

JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO

Com os anos de crescimento galopante cada vez para trás, é hora da América Latina pensar seriamente no futuro



Entrada do Complexo Petroquímico do Rio: empresas relatam prejuízos
Entrada do Complexo Petroquímico do Rio: empresas relatam prejuízos

Em junho de 2006, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Itaboraí, uma cidade modorrenta, aninhada numa área rural em que os campos adjacentes à Baía de Guanabara encontram a Serra do Mar. O objetivo da visita era anunciar a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um projeto faraônico que deveria englobar duas refinarias de petróleo e um conjunto de plantas petroquímicas. Estimava-se a criação de 220 mil novos empregos.
Com 150 mil habitantes, Itaboraí se preparou para um período de grande prosperidade. Hoje, porém, é quase uma cidade fantasma. Ao longo de sua avenida principal há um shopping center que não chegou a ser inaugurado, além de diversos edifícios residenciais e comerciais, um deles com heliporto no telhado, todos concluídos nos últimos meses e exibindo placas de "vende-se". "Muita gente apostou nesse novo Eldorado em Itaboraí, e não aconteceu", diz Wagner Sales, do sindicato de trabalhadores das obras do Comperj.
E o que aconteceu? Grupos privados que deveriam se associar à Petrobrás para investir nas plantas petroquímicas mudaram de ideia quando o boom do gás de xisto baixou enormemente os custos de seus concorrentes nos Estados Unidos. Lula e sua sucessora, Dilma Roussef, sobrecarregaram a Petrobrás ao determinar que empresa explorasse o pré-sal como operadora monopolista, ao mesmo tempo em que incluíam em seus planos de expansão a construção de três outras refinarias. O escândalo envolvendo o pagamento de propinas e a baixa mundial dos preços do petróleo deixaram a companhia em situação bastante ruim. O Comperj foi reduzido a uma pequena refinaria; e a conclusão das obras foi adiada para meados de 2016.
O secretário de desenvolvimento econômico de Itaboraí, Luiz Fernando Guimarães, calcula que existam 4 mil imóveis comerciais desocupados na cidade. Há dois anos, o prefeito resolveu apostar no potencial de Itaboraí como centro logístico. Mas seu maior trunfo - a localização próxima ao entroncamento da BR-101 com uma nova estrada contornando a baía de Guanabara - foi por água abaixo, pois, sob o comando "daquela maldita dona Dilma", como Guimarães se refere à presidente, o governo federal desistiu de construir o trecho que faltava para a rodovia chegar à cidade.
Dissabores semelhantes aos da cidade fluminense, mesmo que não tão dramáticos, são sentidos por toda a América Latina. A alta nos preços das commodities - minério, petróleo e grãos -, provocada pela industrialização chinesa, fez a região (ou, mais precisamente, os países sul-americanos que são exportadores desse tipo de mercadoria), embarcar numa década de ouro. Entre 2002 e 2012, o crescimento médio foi de 4,1%. A transformação social veio a reboque: 60 milhões de pessoas deixaram a pobreza, e a classe média engordou.
Mas os bons tempos acabaram. A economia latino-americana pisou fundo no freio: o crescimento ficou em apenas 1,3% no ano passado. E, segundo cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), este ano não deve passar de 0,9%. Se a projeção se confirmar, será o quinto ano consecutivo de desaceleração. Isso não apenas pegou a maioria dos analistas de surpresa, como pôs a América Latina na posição de região emergente que menos cresce no mundo. Muitos acreditam que as economias latino-americanas entraram numa "nova normalidade", com o crescimento estabilizado entre 2% e 3% ao ano. É um desfecho que poria os recentes ganhos sociais em risco; os índices de pobreza já pararam de cair.
Muitos acreditam que as economias latino-americanas entraram numa 'nova normalidade', com o crescimento estabilizado entre 2% e 3% ao ano.
O que deu errado? Teria a América Latina desperdiçado o período de vacas gordas? A explicação que se apresenta de imediato, antes mesmo de uma análise mais detida, é a queda nos termos de troca da região - a relação entre os preços de suas exportações e importações. Depois de triplicar entre 2003 e 2011, os preços das commodities caíram um pouco e então, no ano passado, desabaram. De 2011 para cá, o investimento nas economias da região decresceu: técnicos do FMI observam que há forte correlação entre os dois fatores. A reação dos mercados financeiros não se fez esperar. Nos últimos doze meses, as principais moedas da região se desvalorizaram, em média, 20% frente ao dólar, e na maioria das bolsas de valores predomina o desânimo. A iminente elevação da taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) encarecerá a captação de recursos.
Fim da expansão. Antes, esse tipo de reversão abrupta tendia a provocar pânico e fuga de capitais. Desta vez as coisas estão um pouco diferentes. Políticas macroeconômicas mais adequadas, como câmbio flutuante e níveis mais baixos de endividamento público, permitiram que vários países se ajustassem sem maiores transtornos. Chile, Colômbia e Peru, que administraram suas economias com responsabilidade, continuam a crescer, embora em ritmo bem menos acelerado. (A Bolívia, cujo governo de esquerda tem agido com relativa prudência, também ainda está crescendo.) O México, os países da América Central e a República Dominicana, que são importadores líquidos de commodities, devem ter um desempenho acima da média nos próximos anos.
Os mais prejudicados foram os países em que a gestão econômica se mostrou desastrada. Depois de um período de farra fiscal, com os consequentes efeitos inflacionários, o Brasil passa por um ajuste inevitável: segundo o governo do país, a economia encolherá 1,2% este ano, e o desemprego está em alta. A Argentina convive com estagnação prolongada e inflação de dois dígitos. Na Venezuela, a retração este ano será de 7% e a inflação chegará a 95%, prevê o FMI. De janeiro a junho, a moeda venezuelana se desvalorizou 50% ante o dólar, no mercado paralelo.
"O período de expansão acelerada não foi de todo desperdiçado, mas tampouco foi completamente aproveitado", concluem em artigo recente Guillermo Perry e Alejandro Forero, da Universidad de los Andes, de Bogotá. A maior parte da renda gerada ao longo dos anos de prosperidade foi direcionada para o consumo e para as importações. Em contraste com isso, na Ásia, a expansão vem sendo impulsionada pela exportação de produtos industrializados, investimentos e gastos com infraestrutura, o que amplia o potencial de crescimento futuro.
Não se pode dizer, porém, que os níveis de investimento - tradicionalmente baixos na América Latina - não tenham aumentado. Bancos e finanças públicas mais sólidos e mais bem regulamentados e níveis mais elevados de reservas internacionais possibilitaram que a região passasse relativamente incólume pela grande recessão de 2008-2009. O sucesso, porém, subiu à cabeça dos governantes. Muitos demoraram demais para remover os estímulos fiscais então adotados. Com a exceção parcial de Chile e Peru, nenhum governo latino-americano tem margem de manobra agora para tentar aliviar a desaceleração com mecanismos de política monetária ou fiscal.
Para voltar a crescer com mais vigor, a América Latina precisa enfrentar suas crônicas fragilidades estruturais. Basicamente, a região exporta, poupa e investe muito pouco, suas economias não são diversificadas o bastante e há um número excessivo de empresas e trabalhadores improdutivos.
A América Latina exporta, poupa e investe muito pouco. Suas economias não são diversificadas o bastante e há um número excessivo de empresas e trabalhadores improdutivos
Para piorar as coisas, segundo relatório do Banco Mundial publicado em maio, alguns desses problemas foram exacerbados pela ascensão da China - e dos mercados emergentes em geral - ao longo dos últimos 15 anos. A China fez com que a América Latina incorporasse ainda mais o papel de região exportadora de commodities; ao mesmo tempo, o peso relativo das exportações de manufaturados diminuiu, constata o banco. Em parte, isso é consequência da baixa taxa de poupança (inferior a 20% do PIB, quando no Sudeste Asiático chega a 30%). Os países da região têm recorrido à poupança externa, o que fez com que durante os anos de crescimento suas moedas se valorizassem mais do que deveriam, prejudicando a competitividade de muitas das empresas que não atuam no segmento de commodities.
Na década de 90, a América Latina começou a diversificar suas exportações, passando a vender maior variedade de produtos. Mas, do ano 2000 para cá, esse processo sofreu uma regressão: atualmente, nas exportações da região, só um percentual reduzido e declinante de produtos são "complexos" (isto é, resultam do uso intensivo de tecnologia). Isso faz toda a diferença. O economista venezuelano Ricardo Hausmann, da Universidade de Harvard, sustenta haver forte correlação entre a diversidade e a complexidade das exportações e o crescimento econômico subsequente. O problema da América Latina, diz Hausmann, "são as coisas que poderia haver lá e não há". Os latino-americanos "raramente falam em tecnologia e inovação, de modo que não há novos segmentos para ocupar o lugar das commodities e assumir o papel de motores do crescimento".
Em outras palavras, o problema da América Latina é o fato de ela não participar do que os economistas chamam de "cadeias globais de valor" - que, a bem da verdade, são sobretudo regionais. A indústria moderna depende de uma complexa cadeia de suprimentos, com peças sendo fornecidas por vários países, no mais das vezes geograficamente próximos uns dos outros. Cerca de 72% do "valor adicionado estrangeiro" das exportações dos países europeus é intrarregional, ou seja, provém de exportações de outras nações europeias; no Leste Asiático, o índice cai para 56%, e na América Latina, para meros 30%, segundo o Banco Mundial. Dos países da região, só o México, graças a sua integração econômica com os Estados Unidos, participa de dessas cadeias de valor.

Maquinário obsoleto, falta de escala, informalidade e burocracia. O hiato de produtividade entre a América Latina e o restante do mundo tem aumentado. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o fator de produtividade total da região (a eficiência com que trabalho e capital operam em conjunto) correspondia a pouco mais da metade do fator observado nos Estados Unidos em 2010. Em 1960, chegava a quase 75%. No mesmo período, o Leste Asiático reduziu sua diferença, de cerca de 50% para um terço, em relação à produtividade americana.
Por que os latino-americanos são relativamente tão improdutivos? Considere-se o negócio de Alejandro Valladares, instalado numa rua tranquila do subúrbio de Huaycán, no extremo leste de Lima, capital do Peru. Numa sala grande, com paredes de blocos de concreto, no piso térreo de sua casa, Valladares tem vinte máquinas de tricô, com as quais produz aproximadamente 12 mil pares de meias de bebê por mês. Ele as vende localmente, mas também exporta alguma coisa para o Panamá. Emprega quatro de seus filhos e dois outros funcionários. Consegue tirar o suficiente para o sustento da família, mas não muito mais que isso. O que impede a expansão do negócio? A concorrência dos chineses, diz Berta, uma das filhas de Valladares. As vendas eram melhores há 15 anos, diz ela. Os pedidos aumentaram recentemente, mas só porque a família aceitou trabalhar com margens menores.
Para crescer seria preciso mais capital, acrescenta Valladares. Ele tem carinho por suas máquinas Bentley Komet, de fabricação britânica, adquiridas de segunda-mão; mas trata-se de uma tecnologia anterior à 2ª Guerra. Também falta espaço em sua casa. Depois de atrasar o pagamento das prestações de um empréstimo, Valladares vendeu os carros que tinha e agora recorre a táxis para despachar as mercadorias. E desistiu de fazer negócios com bancos. "Quero uma vida tranquila", diz ele. Sua filha sonha em estudar administração ou arrumar um emprego em que possa aprender a operar máquinas computadorizadas. Mas ela precisa conciliar o trabalho com a criação de dois filhos.
A América Latina tem empresas grandes e modernas, algumas das quais cresceram e se transformaram em bem-sucedidas multinacionais. Mas a típica empresa latino-americana se parece com a pequena confecção de Valladares: sem escala, tecnologia ou gestão profissional.
A América Latina tem empresas grandes e modernas. Mas a típica empresa latino-americana não tem escala, tecnologia ou gestão profissional
São vários os fatores que dificultam que as empresas latino-americanas se tornem mais produtivas. Andrés Velasco, um economista que foi ministro de Finanças do Chile, enfatiza a falta de concorrência nesses que, com exceção de México e Brasil, são pequenos mercados nacionais. Aumentar a escala é fundamental para elevar a produtividade, e isso significa que é preciso partir para o exterior. Mas, apesar de muita conversa sobre integração, a América Latina ainda é bastante protecionista. Extrapolar os limites da região é difícil, tendo em vista sua localização geográfica. Como observa Velasco, na Alemanha e na China os exportadores têm 20% da economia mundial a uma distância relativamente pequena (menos de 3 mil quilômetros); seus colegas chilenos não contam com essa vantagem. Portanto, as cadeias globais de valor talvez estejam fora do alcance para os latino-americanos. "Para vender para a Ásia, você precisa vender o produto inteiro, e não só uma parte dele", diz o economista.
Outra explicação para a baixa produtividade é o fato de que metade dos latino-americanos trabalha no setor informal, onde é difícil obter tecnologia e capital. As empresas informais fazem concorrência desleal às empresas do setor formal e contribuem para aumentar sua carga tributária. Santiago Levy, do BID, acha que alguns governos latino-americanos estimularam a economia informal ao estabelecer, ao lado dos sistemas tradicionais de seguridade social, financiados com a tributação do emprego formal, esquemas que pagam aposentadorias e prestam serviços de saúde gratuitos mesmo para beneficiários que nunca fizeram contribuições.
A informalidade é, em parte, consequência de regulamentações barrocas, que aumentam os custos das empresas. Piero Ghezzi, ministro de Produção do Peru, lamenta que uma das poucas zonas de desenvolvimento industrial do país, situada em Tacna, na fronteira com o Chile, esteja desocupada, embora ofereça às empresas isenção do imposto de renda. O motivo é que os procedimentos para instalar uma empresa no local são extremamente complicados. Recentemente, Ghezzi destacou uma pequena equipe de "desburocratizadores" para tentar eliminar os obstáculos regulatórios.
Estrada bloqueada. Um freio ainda mais poderoso à produtividade é a precariedade de estradas, portos e outros equipamentos de infraestrutura. Enquanto China e Índia investem, respectivamente 9% e 6% de seus PIBs em infraestrutura, na América Latina esse tipo de investimento representa apenas 3% do PIB, segundo o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). A falta de recursos não é mais um grande problema: países como Chile, Colômbia e Peru estabeleceram mecanismos que viabilizam as parcerias público-privadas. A dificuldade é simplesmente fazer as obras. Tome-se o exemplo do Peru, que, entre os países latino-americanos de PIB mais expressivo, foi o que mais cresceu nos últimos dez anos. Entre 2005 e 2013, o governo peruano firmou parcerias para a realização de 62 projetos de infraestrutura, no valor de US$ 15 bilhões. Mas só 55% dos recursos foram gastos, diz o lobista Gonzalo Prialé.
Quem sai de Lima em direção ao sul do país precisa pegar uma estrada que passa pela febril e caótica cidade de Chincha, um centro agrícola. Às vezes, leva-se uma hora para atravessá-la. Um contrato para a construção de um viaduto foi assinado em 2005, mas as autoridades governamentais não conseguiram desapropriar toda a área necessária à obra. E há também a questão das licenças que é preciso obter antes de começar a despejar concreto no local. Os estudos de impacto ambiental levam, em média, três anos para serem realizados, diz Prialé. A construção de um gasoduto de 1,1 mil quilômetro, no sul do país, exigirá a expedição de 4.102 diferentes licenças. Em maio, o Congresso peruano aprovou uma lei para acelerar esse processo, mas sua efetividade ainda não foi posta à prova.
Ruas precárias e transporte público deficiente têm efeitos devastadores em cidades grandes. Os latino-americanos com frequência passam duas horas em ônibus lotados para ir e voltar do trabalho. Muitos, como a família de Valladares, optam por montar um negócio próprio, não muito produtivo, em casa ou em algum lugar próximo. Santiago é a única capital latino-americana com um órgão responsável pelo transporte metropolitano. A falta de planejamento urbano significa que as empresas com frequência têm dificuldades para encontrar terrenos em que possam se expandir.
Uma terceira explicação tradicionalmente dada para a improdutividade da região é a baixa escolaridade de sua força de trabalho. A América Latina realizou enormes avanços no que diz respeito à ampliação do atendimento escolar. Mas a qualidade do ensino é ruim: os oito países latino-americanos que participaram dos testes internacionais do PISA (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação Comparada) para estudantes de 15 anos ficaram todos no terço inferior do ranking. Alguns economistas advertem que a educação não é nenhuma panaceia: há poucos indícios de que exista uma ligação direta entre a elevação das taxas de escolaridade e o aumento da produtividade. Corre-se o risco, dizem eles, de que indivíduos formados em sociologia acabem virando taxistas - a menos que os governos estimulem, junto com a oferta, a demanda por trabalhadores mais qualificados.
Pisco agridoce. Atravessando Chincha, chega-se, 100 km depois, a Ica. Lá, numa construção baixa na entrada da cidade, em meio a vinhedos, está instalado o Centro de Inovação Tecnológica Agroindustrial. Criada pelo governo peruano no ano de 2000, com ajuda espanhola e patrocínio privado, a instituição ajudou a elevar a produtividade dos vinhedos, dos vinicultores e das fábricas de pisco do Peru. Oferece consultorias pagas a fazendeiros e pode pôr a serviço deles um pequeno laboratório de pesquisas e uma destilaria modelo.
Do ano 2000 até o momento, a produção de uvas por hectare mais que dobrou. Atualmente o Peru é o terceiro maior exportador de uvas de mesa para a China; a produção anual de pisco, uma aguardente feita de uva, passou de 1,8 milhão de litros para 7,8 milhões, diz Pedro Olaechea, vinicultor que preside o conselho de administração da instituição. O pisco peruano, um produto tradicional, de origens muito antigas, começa a ganhar reputação mundial. Ghezzi pretende instalar vários outros centros tecnológicos como esse, começando pelos segmentos de couro, de silvicultura e de laticínios.
A América Latina não tem tradição em produzir inovações. O gasto com pesquisa e desenvolvimento, como proporção do PIB, corresponde a menos da metade do observado em países desenvolvidos. As atividades agrícolas são a grande exceção. No Brasil, a agricultura "é o único setor que fez da tecnologia a alma do negócio", diz o economista José Roberto Mendonça de Barros. A mais recente inovação, criada pela Enalta, uma empresa de São Carlos, no norte do Estado de São Paulo, chama-se "agricultura de precisão" e envolve a instalação de sensores em implementos agrícolas com o objetivo de controlar o uso de sementes e fertilizantes, impulsionando a produtividade. Quase metade dos fazendeiros de Mato Grosso adotaram a tecnologia, diz Mendonça de Barros, que projeta um crescimento de 2,5% para o agronegócio este ano - mesmo com o conjunto da economia brasileira se contraindo.
Recorrer à tecnologia para extrair mais valor de recursos naturais é parte do futuro da América Latina. Mas a região também precisa desenvolver novos negócios nos segmentos industrial e de serviços. Em influente relatório divulgado no ano passado, o BID clama pela adoção de "políticas de desenvolvimento produtivo", por meio das quais os governos tentem estimular a criação desses novos empreendimentos.
Na América Latina, políticas industriais excessivamente intervencionistas com frequência produzem resultados negativos. O que aconteceu com o Comperj em Itaboraí é só o último exemplo. A nova abordagem pede intervenções mais comedidas, o municiamento de coisas - do treinamento em habilidades específicas a novas estradas ou subvenções para a inovação - cuja ausência possa desestimular o investimento privado. Exemplo: a agência de investimento da Costa Rica ajudou a desenvolver um segmento de equipamentos cirúrgicos convencendo uma empresa americana a instalar no país um serviço de esterilização. A Start-Up Chile oferece subvenções e vistos a aspirantes a empreendedores do setor de tecnologia de todo o mundo. O programa sobreviveu, com pequenas modificações, a uma mudança de governo. O novo governo se deu conta de que tinha em mãos uma marca global; ainda que poucos estrangeiros estabeleçam definitivamente seus negócios no Chile, os participantes locais aprendem com sua predisposição para assumir riscos. "Percebemos que se tratava de uma ferramenta muito poderosa para mudar a nossa cultura", diz Eduardo Bitrán, da Corfo, a agência de desenvolvimento econômico do país.
Ao longo dos últimos 15 anos, só um país latino-americano tornou-se um importante ponto de intersecção no sistema de comércio internacional, observa Augusto de la Torre, economista-chefe do Banco Mundial para a região. O México passou a participar de cadeias globais de valor, diversificou suas exportações e começou a vender produtos mais complexos. Apesar disso, o crescimento econômico (média anual de 2,4% nos últimos 20 anos) e a produtividade do país são decepcionantes.
Uma explicação possível é que o México tem um número excessivo de monopólios, em especial no setor de serviços: as reformas implementadas pelo presidente Enrique Peña Nieto, talvez consertem isso. Outros citam a cultura jurídica frágil, pouco eficaz na garantia ao cumprimento de obrigações contratuais, e a violência criminal como fatores que desestimulam o investimento. O problema de fundo é a diferença de produtividade entre as empresas grandes e modernas, instaladas em sua maior parte no Norte do país, e os pequenos produtores informais da região Sul.
O mesmo se aplica a outros países. "O problema dos países latino-americanos é que eles não foram capazes de reproduzir, em escala nacional, as experiências que deram certo em suas regiões mais desenvolvidas", diz Hausmann. Para que isso aconteça, é preciso melhorar os transportes, aumentar a capacitação, estimular a competição e disseminar a tecnologia. Enquanto durou o boom das commodities, muitos governos puderam ignorar esse desafio. Agora não podem mais.