segunda-feira, 29 de junho de 2015

Lições do improvável

JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO

Precisamos aprender muito!

Apesar de seus defeitos, Cingapura é raro exemplo de harmonia social.


Pensando na resistente divisão racial dos EUA, fiquei intrigado com algumas lições de uma fonte improvável: Cingapura. Preparando-me para uma viagem até lá na semana passada, como convidado da Universidade Nacional de Cingapura, perguntei ao vice-premiê, Tharman Shanmugaratnam, o que ele considerava o maior sucesso do país. Imaginei que fosse falar de economia, já que o PIB per capita da cidade-Estado hoje excede os de EUA, Japão e Hong Kong. Mas ele falou de harmonia social.

“Éramos uma nação improvável”, disse Shanmugaratnam. A ilha coberta de pântanos, expulsa da Malásia em 1965, tinha uma população poliglota de migrantes com inúmeras religiões, culturas e crenças. “O interessante e único em Cingapura, mais do que a economia, são nossas estratégias sociais. Nós respeitamos as diferenças das pessoas, mas moldamos uma nação e tiramos proveito da diversidade”, ele explicou numa entrevista.

Como Cingapura conseguiu? Obrigando a diversidade étnica em todos seus bairros. Mais de 80% dos cingapurianos vivem em moradias públicas, todas bem consideradas, algumas até de luxo, Cada quarteirão, distrito e enclave tem cotas étnicas.
É isso que as pessoas querem dizer quando falam de Cingapura como um “Estado babá” e o premiê prontamente admite. “A política social em boa medida intrusiva de Cingapura se revelou o mais importante”, diz ele. “Quando se garante que cada bairro seja misto, as pessoas fazem as coisas do dia a dia juntas, se acostumam umas com as outras e, o que é mais importante, seus filhos frequentam as mesmas escolas. Quando os garotos crescem juntos, eles começam a compartilhar um futuro juntos.”

Essa crença estava no cerne de muitos esforços do governo federal americano nos anos 50 e 60 para acabar com a segregação em escolas e integrar bairros – mediante ordens judiciais, leis de habitação e ação executiva. Esses esforços foram em grande parte abandonados nos anos 80, e, desde então, os dados mostram que os EUA permaneceram notavelmente segregados. 

Em Boston, por exemplo, 43,5% da população branca vive em áreas que têm pelo menos 90% de brancos e uma renda média quatro vezes maior que a linha de pobreza, conforme revelaram pesquisadores da Universidade de Minnesota. Em St. Louis, essa proporção da população branca é de 54,5%. Essa segregação residencial se traduziu em acesso desigual a segurança, saúde básica e, o crucial, escolaridade.

Apesar de a Suprema Corte ter ordenado o fim da segregação escolar há 61 anos, as escolas se tornaram, aliás, mais homogêneas nas duas últimas décadas. Uma pesquisa da ProPublica revela que o número de escolas que eram menos de 1% brancas cresceu de 2.762 em 1988 para 6.727 em 2011. 
Um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) no ano passado descreveu como uma sala de aula se parece para o aluno branco típico dos EUA. Dos 30 alunos, 22 são brancos, dois são negros, quatro latinos, um asiático e um “Outro”. 

Essas revelações não surpreenderiam os cingapurenses. “O funcionamento natural da sociedade raramente conduz a comunidades diversificadas e integradas”, explicou Shanmugaratnam. “Conduz mais provavelmente à desconfiança, à segregação e até à intolerância.” 

Cingapura é um caso incomum. É uma pequena cidade-Estado. Ela tem seus críticos, que apontam para um sistema quase autoritário que tolhe a liberdade de expressão e coloca sérios obstáculos a partidos de oposição. 

Cingapura pode fazer coisas que democracias ocidentais não podem. Ela também teve seus próprios problemas raciais.
Dito isso, acredito que Cingapura é um exemplo de uma sociedade diversificada que conseguiu permanecer unida e com a qual poderíamos aprender – Cingapura certamente também poderia aprender algumas lições com as democracias ocidentais.

“Não se pode simplesmente supor que o funcionamento natural do mercado ou da sociedade produzirá harmonia social ou oportunidades iguais. Não produzirá”, disse Shanmugaratnam. 


“O governo – um governo eleito – tem um papel. E não se trata de discursos e símbolos. Trata-se de mecanismos e programas específicos para alcançar os resultados que todos buscamos.” Algo a se considerar no momento em que os EUA, na esteira da tragédia na Carolina do Sul, discutem estandartes e símbolos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

domingo, 28 de junho de 2015

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Mudanças permanentes exigem novas praticas

Não poderia deixar de expressar a minha opinião sobre a reunião realizada hoje no CDL, sob coordenação da secretaria de desenvolvimento do municípios de Campos dos Goytacazes. Com o tema proposto para discussão  "Cenário Econômico: alternativas para superar a crise, na verdade não aconteceu um debate e sim uma bela explanação do secretário de governo e ex governador Antony Garotinho, sobre o projeto de antecipação dos royalties de petróleo de autoria dos senadores Marcelo Crivella (PR/RJ) e Rose de Freitas (PMDB/ES), aprovado no senado.

Antony Garotinho apresentou, com muita clareza, todo o processo evolutivo de institucionalização das rendas de royalties de petróleo como garantia para operação financeira. Primeiro na questão da solução da dívida pública do estado do Rio de Janeiro, ainda quando governador, depois na antecipação de receitas orçamentárias para os municípios produtores, face a crise internacional que derrubou o preço do barril de petróleo.

Sobre os esforços no campo fiscal, o secretario informou que o governou conseguiu reduzir R$800 milhões, cortando gastos, fundamentalmente de custeio, o que, sem dúvida, foi um grande feito. Quanto a recuperação das receitas por intermédio da antecipação dos royalties, o secretario conseguiu mostrar a inexistência de impactos para os próximos governantes e para as outras esferas de governo que também não serão afetadas, já que esses recursos serão captados de fundos no exterior. Segundo o secretário a operação impactará no ingresso de divisas para o país, além de resolver os problemas fiscais dos municípios em dificuldade.

O que me chamou a atenção foi o otimismo exagerado de tal engenharia financeira resolver os problemas desses municípios. Não resolverão, já que existe uma cultura do desperdício orçamentário que é evidente. Insisto que Campos ainda tem um diferencial em relação aos outros municípios. Vejo um  nível de responsabilidade mais elevado no esforço para reduzir a dependência orçamentária, em relação as receitas de petróleo, além do padrão de excelência na alocação em investimento. Os outros municípios produtores da bacia de Campos apresentam resultados muito inferiores, com exceção de Rio das Ostras.

Entretanto, os problemas não se resumem na questão fiscal. Uma outra questão é o baixo padrão de desenvolvimento econômico da região. Campos como o mais importante município da região, antes da crise do petróleo, já apresentava uma forte fragilidade em seu sistema econômico. Em 2013 a parcela correspondente a 80% da renda do trabalho assalariado estava concentrada nas atividades relacionadas a administração pública, ao comércio e serviços. Isso é ruim porque os serviços no municípios são de baixo conhecimento e baixo rendimento, enquanto o comércio não produz riqueza e sim transfere. Oriundos da atividade industrial, somente 5% da renda do trabalho, o que ratifica a minha preocupação. Neste caso, fica evidente que a solução permanente está no fomento a atividades produtivas.

É evidente que o governo não pode ser responsabilizado por tudo, entretanto o automaticismo keynesiano (o gasto do governo irriga a economia que cresce), pensado pela prefeita também não existe. A solução para o desenvolvimento econômico sustentável deve ser pensada no escopo do longo prazo e o governo tem um papel preponderante nesse processo. É necessário aproveitar a energia despendida em ações isoladas, que se encerram em si mesmas, para pensar estrategicamente o processo de geração de riqueza e melhoria de vida da população. Nesse caso, deve-se construir um cronograma onde possam ocorrer debates sobre temas específicos e ações coordenadas por um processo de governança institucional. Essa visão tira o foco da política e desloca para a importância do conhecimento cientifico, da pactuação de objetivos entre organizações governamentais e não governamentais e da ação coletiva. 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Saldo das operações financeiras na região Norte Fluminense em dezembro de 2014

Os saldos das operações bancárias em dezembro de 2014, nos municípios da região Norte Fluminense, são apresentados na tabela. Campos dos Goytacazes contabilizou R$2,7 bilhões de operações de crédito, seguido por Macaé com R$2,0 bilhões de saldo. Já em relação a depósitos a vista do setor privado, Macaé contabilizou R$321,2 milhões, seguido por Campos dos Goytacazes com um saldo de R$236,4 milhões. 
Entre os menores municípios, as contradições são bem acentuadas. Vejam que os saldos de operações de crédito e depósitos a vista do setor privado, nos municípios São Fidélis, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra são bem próximos, mesmo sendo esses municípios bem diferentes. São João da Barra é produtor de petróleo e sede do Porto do Açu, enquanto que os outros dois municípios tem sua base econômica no setor agropecuário. Finalmente, o saldo de depósito a prazo de R$166,7 milhões em São João da Barra, confirma o perverso padrão de concentração da riqueza.  

terça-feira, 23 de junho de 2015

Indaiatuba tem a melhor gestão fiscal em São Paulo


Em uma postagem anterior, mostramos a fragilidade da economia de Campos dos Goytacazes que apresentou uma concentração de 36% da renda do trabalho assalariado no setor de administração pública e somente 7% na indústria de transformação. Validamos a análise com a constatação de uma gestão crítica das receitas próprias, segundo a avaliação do Índice Firjan de Gestão Fiscal.
Olhando os dados da Gestão Fiscal em São Paulo, nos deparamos com Indaiatuba, município campeão do estado com um IFGF 0,8513 (gestão excelente). O município tem 226.602 habitantes e 72.457 empregos em 2013.
Vejam no gráfico que Indaiatuba concentrou 48,05% da renda do trabalho assalariado na indústria de transformação, o que faz toda diferença. Neste município, o trabalho produtivo está presente irrigando o comércio e as atividades de serviço. Em 2013, o total da renda no município somou R$191,4 milhões para 72.457 postos de trabalho, enquanto que em Campos a renda somou R$180,1 milhões para 98.222 postos de trabalho. A renda média em Indaiatuba atingiu R$2.641,29 neste ano, enquanto em Campos a renda média atingiu R$1.833,16 ou uma valor menor 30,6% na comparação com Indaiatuba.

Lançamento do livro de Carlos Sá na ACL


Ai está um momento em que dá orgulho de ser sanjoanense. Lançamento do livro do Carlos Sá na ACL em Campos dos Goytacazes. O escritor de São João da Barra foi muito prestigiado pelos campistas e todo evento nos encheu de felicidade. A presença do jovem Danilo Barreto, sanjoanense graduando em Administração Pública na UENF, fortalece as nossas expectativas quanto ao surgimento de novas lideranças potencias. Parabéns Danilo, continue trilhando o caminho do conhecimento e não se distancie do grupo minoritário defensor da ética, do respeito a coisa pública, do fortalecimento dos laços comunitários e da luta pela redução da desigualdade social. Parabéns ao Carlos Sá que contou com a presença do vereador Aluízio Siqueira (presidente da Camara de São João da Barra), Aurinho e Dr. Antônio Nunes.

Índice Firjan de Gestão Fiscal na região Norte Fluminense

A Firjan divulgou os indicadores de gestão fiscal do ano base 2013 para os municípios do Brasil. Na região Norte  Fluminense, os resultados comprovam os problemas já indicados por esses blog. O estudo avaliou a receita própria, o gasto com pessoal e encargos, o gasto em investimento, a liquidez e o custo da dívida para cada município. Com avaliação de 0 a 1, os conceitos são distribuídos em gestão excelente (notas superiores a o,8); gestão boa (nota entre 0,6 a 0,8); gestão com dificuldade (notas entre 0,4 a 0,6) e gestão crítica (notas abaixo de 0,4). 
Conforme apresentado na tabela, Campos dos Goytacazes tem a melhor gestão fiscal da região com avaliação 0,7001, entretanto ocupa somente a 8ª posição no estado. Conforme já havíamos divulgado, a execução dos gastos com pessoal e investimento representam pontos forte no municípios, enquanto as receitas próprias representa ponto fraco, ratificando a fragilidade do sistema econômico produtivo. 
São João da Barra apresenta um gestão fiscal de dificuldade (0,5785), já que a execução com gastos de pessoal e encargos e investimento é muito ruim. 
O municípios do Rio de Janeiro lidera o índice de gestão fiscal no estado, seguido por Rio das ostras, Itaboraí, Quatis e Barra do Pirai. 
A rota do petróleo precisa melhorar muito a gestão fiscal, assim como o seu sistema econômico.



domingo, 21 de junho de 2015

O frágil sistema econômico em Campos dos Goytacazes

Uma análise da economia de Campos dos Goytacazes, pela ótica do emprego e da renda, confirma a fragilidade do sistema econômico, fundamentalmente, a sua estrutura produtiva. O relatório mais atualizado da RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) referente a 2013, mostra que 36,34% da renda do trabalho assalariado está concentrada no setor de administração pública e 27,56% no setor de serviços. Se considerarmos o comércio com 18,24% , podemos afirmar que 82,14% da renda é oriunda de atividades não industriais. O comércio somente transfere produtos fabricados em outras regiões, enquanto o setor de serviço tem baixo padrão de conhecimento e baixo salário, assim como o setor de administração pública.
A setor industrial é responsável somente por 6,53% da renda do trabalho assalariado, o que representa um grande problema, já que a indústria de transformação gera riqueza e estrutura cadeias produtivas essenciais para a transformação do sistema econômico.
Complementando a análise, os dados do CAGED do período de janeiro a maio de 2015, mostra um quadro crítico. Foram eliminados 2.132 empregos no período, onde o comércio eliminou 810 vagas, a indústria eliminou 603 vagas, a construção civil 590 vagas, a agropecuária 356 vagas. Somente o setor de serviços gerou saldo produtivo de 528 vagas no período.
As ocupações com os maiores saldos foram as de técnico de enfermagem, com salário de admissão de R$1.315,94 e contínuo com R$937,81 de salário de admissão. 
Já as ocupações com os menores saldos foram as de vendedor no comércio varejista, cultura da cana-de-açúcar e oleiro na fabricação de tijolos, com os seguintes salários de admissão: R$997,57 ; R$833,00 e R$932,27 consecutivamente.
Conforme observado nos números, o município carece de atividades produtivas, o que coloca o município sob riscos. A estrema dependência das transferências constitucionais, especialmente, royalties de petróleo, traz muita insegurança.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Movimentação do emprego formal em maio na região Norte Fluminense

O emprego formal no mês de maio confirma as expectativas de retração da economia. O país eliminou 115.599 vagas de emprego no mês e 278.334 vagas no período de janeiro a maio. O estado do Rio eliminou 11.105 vagas no mês e 71.345 vagas no período de janeiro a maio, enquanto a região Norte Fluminense eliminou 611 vagas de emprego em maio e 4.616 no período de janeiro a maio. 
Macaé eliminou 2.259 vagas no período, sendo 993 vagas na construção civil, 529 vagas no comércio, 324 vagas no setor de serviços, 269 vagas no setor extrativa mineral, 87 vagas na industria de transformação e 15 vagas na agropecuária. 
Campos dos Goytacazes eliminou 2.133 vagas no período, sendo 810 vagas no comércio, 603 vagas na indústria de transformação, 590 vagas na construção civil, 356 vagas na agropecuária. O setor de serviços gerou resultado positivo com 528 vagas, com destaque para as ocupações de técnico em enfermagem e contínuo com os maiores saldos.
O município de São João da Barra eliminou 298 vagas no período, sendo 164 vagas no setor de serviço, 134 vagas na construção civil e 25 vagas no comércio.
Como podemos observar, os grandes investimentos não estão respondendo as necessidade de emprego da região. 

O risco do endividamento público com garantia em royalties de petróleo

Um olhar mais detalhado para a movimentação dos royalties de petróleo, parcela mensal distribuída para os municípios da Bacia de Campos, podemos observar que o problema da perda de receita não está atrelada somente a queda do preço do barril de petróleo, ocorrida a partir do segundo semestre de 2014. Temporalmente, outros fatores estão agindo sem que os interessados tenham notado. Tal fato mostra a ausência de planejamento no uso desse mesmo recurso que, por natureza, é finito. O gráfico mostra que a parcela relativa correspondente aos municípios produtores da Bacia de Campos, em relação ao total distribuído aos municípios do Brasil,  vem declinando desde 2005. Observem que em 2001, os municípios da Bacia de Campos ficavam com uma parcela equivalente a 46,41% do total distribuído a todos os municípios do país, fatia que cresceu para 49,79% em 2003 e 50,45% em 2005. A partir desse ponto, a trajetória é declinante, atingindo 36,26% em 2014 e 33,55% em 2015, período de janeiro a maio.
Considerando que a Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, é a mais importante do país, a perda relativa de participação dos municípios fluminense, tem relação com  a redução da produtividade dos poços da Bacia. Esse fato não tem sido levado em consideração pelos municípios beneficiados.
O momento é de discussão sobre a ida dos municípios produtores ao mercado financeiro para recompor seus orçamentos, reduzidos pela queda das receitas de royalties. É preciso refletir muito sobre essa decisão, já que empréstimos são taxados por juros salgados e a garantia proposta de royalties futuros apresenta uma certo dose de incerteza. Alguns elementos são essenciais nessa análise, tais como: risco de paralisação de plataformas (acidentes e manutenção); preço do petróleo em baixa; redução do nível de investimento no setor petrolífero; redução da produtividade dos poços da Bacia de Campos; crise da Petrobrás; regulamentação diferente do pré-sal; mudanças de ordem politica na redistribuição do royalties; gestão orçamentária ineficaz, etc.
A alternativa ao endividamento público, nesse caso, passa pela reestruturação dos gastos públicos e pelo planejamento econômico do espaço local. Complementarmente, deve-se trabalhar no sentido de identificar os recursos tangíveis e intangíveis potenciais para a geração de riqueza, assim como, gerar esforços para fortalecer as relações entre universidade - empresa - governo.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Brasil: atrasos pela frente



O ESTADO DE SÃO PAULO

Governo quer atrair investimento privado para estradas, ferrovias e aeroportos, mas isso deve demorar.


Aeroporto de Porto Alegre é um dos que serão oferecidos pelo governo à iniciativa privada

Aeroporto de Porto Alegre é um dos que serão oferecidos pelo governo à iniciativa privada


Como a comida estragada na velha piada, a infraestrutura brasileira é ruim - e insuficiente. Ao avaliar a qualidade dessa infraestrutura, o Fórum Econômico Mundial coloca o Brasil na 120.ª posição entre 144 países. As estradas e os aeroportos são particularmente ruins. Com o grande déficit orçamentário e o alto custo dos empréstimos, o governo não está em posição de gastar o próprio dinheiro para consertar o problema. Assim, a presidente Dilma Rousseff deixou de lado seus instintos esquerdistas para atrair o investimento privado em infraestrutura. Na terça-feira, ela anunciou novas concessões que devem trazer R$ 198 bilhões (US$ 64 bilhões) em investimentos nos próximos dois anos.
Ela já tentou isso antes. Em 2012, o governo buscou R$ 210 bilhões em investimentos do setor privado por meio de concessões. O resultado foi um quinto desse valor, que só foi conseguido depois que o governo desistiu de controlar as taxas de retorno. As concessões mais lucrativas encontraram interessados em projetos que incluem aeroportos internacionais em São Paulo e Rio de Janeiro. Mas nenhum interessado arrematou as 14 ferrovias nem os mais de 160 terminais portuários públicos em oferta.
Os termos da nova rodada de concessões permanecem vagos, mas é provável que sejam mais atraentes. Dessa vez, o governo parece disposto a deixar o setor privado assumir a liderança. O governo vai encolher as dimensões das combalidas operadoras de ferrovias e aeroportos públicos, dependendo menos de empréstimos subsidiados do BNDES.
A regulamentação será menos instável, prometem as autoridades. Depois de anos de interferência e desconfiança, o governo parece ansioso para restaurar suas boas relações com o empresariado.
Como resultado, o governo não deve ter dificuldade para encontrar investidores em quatro aeroportos para cidades de médio porte como Fortaleza e Porto Alegre. Como nos centros maiores, esses aeroportos já existem e geram dinheiro, mas precisam ser ampliados e administrados com mais eficiência.
As estradas também deverão atrair compradores, embora a meta do governo de vender o direito de operar 4.400 quilômetros até o fim de 2016 pareça ambiciosa. Após quase dois anos de deliberações, o Tribunal de Contas da União autorizou finalmente em maio a abertura de concorrência para terminais de carga em portos estatais.
Como antes, são as ferrovias que parecem mais duvidosas. Quase a metade do investimento prometido será gasto em ferrovias, incluindo cerca de R$ 25 bilhões em projetos existentes, diz Paulo Resende, um especialista em infraestrutura na Fundação Dom Cabral. Outros R$ 40 bilhões ajudarão a financiar um plano grandioso para ligar os Oceanos Atlântico e Pacífico através de Brasil e Peru, a ser construída em parte com dinheiro chinês. Ela poderá não ser construída jamais; com a iminente ampliação do Canal do Panamá, sua lógica econômica parece fraca. Mesmo que seja, nem um único trilho será colocado até bem depois de Dilma deixar o cargo em 2018.
Embora a Ferrovia Transoceânica ser, de longe, o plano mais quixotesco, outros projetos também parecem remotos. Muitas das maiores empresas brasileiras de construção estão ligadas a conglomerados industriais que estão atolados no escândalo multibilionário de corrupção que cerca a gigante estatal de petróleo, Petrobrás. As empresas estrangeiras estão esperando a poeira baixar e a economia morosa do País retomar o crescimento. As intenções da presidente são boas. Na verdade, diz Cláudio Frischtak da consultoria Inter. B, Dilma apresentou um plano de investimento para o seu sucessor.
© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR AUGUSTO CALIL E CELSO PACIORNIK, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Trabalho produtivo e geração de riqueza

Saboreando um excelente doce de cajá, feito pela minha mãe, veio em minha mente uma clara reflexão sobre regiões que criam riqueza e regiões que consomem riqueza criada fora dos seus limites. Em São João da Barra, a matéria prima do doce citado, via de regra geral, costuma ser tratada como lixo, assim como, a acerola, o pero, a carambola, dentre outras frutas. O desconhecimento sobre a importâncias desses recursos no processo de geração de riqueza é a base central da retração do trabalho produtivo e da renda correspondente, com reflexo no aprofundamento da pobreza. Lembro-me muito bem da pequena fábrica de doces no quintal da minha casa, onde uma diversidade de produtos fabricados, como a goiabada, a bananada, o doce de pero, de abacaxi com coco, etc., ganhavam o mercado de Campos e região, cuja renda contribuiu de, sobremaneira, na minha formação acadêmica. Aliás, eu mesmo cheguei a comercializar em torno de duas toneladas de goiabada mês em restaurantes industriais no Rio de janeiro, na década de oitenta. Ai está um exemplo do processo de geração de riqueza, a partir do trabalho produtivo.

Contraditoriamente, enquanto boa parte do território do estado do Rio de Janeiro insiste em ignorar os recursos da terra e seu desdobramento industrial, uma fruta de origem brasileira, porém desconhecida por aqui, faz muito sucesso e gera muitos empregos na Nova Zelândia. Trata-se da Feijoa, conhecida na Serra Gaúcha como goiaba do mato. Neste país a fruta é consumida in natura e serve como matéria prima para geleias e sucos industrializados. A popularidade estampada em outdoors chamou a atenção de pesquisadores que, após analisar as propriedades da mesma, comprovaram a sua eficácia para a saúde.

Outros exemplos dessa natureza podem também ser identificados no Brasil, como as frutas do cerrado e do nordeste que são processadas em sorvetes, sucos e doces em compota, construindo a base endógena da prosperidade em diversos espaços.

Porém, em boa parte do território do Rio de Janeiro está fora de moda falar em atividades tradicionais, já que os milhões de dólares dos setores petrolífero e de infraestrutura portuária acrescentam mais status à uma sociedade que gera extrema desigualdade. Observa-se uma forte dependência da região petrolífera fluminense às atividades econômicas baseadas em recursos naturais, cujos investimentos exógenos demandam habilidades e competências inexistentes no entorno das instalações, condição promotora da exclusão de trabalhadores e empreendedores da mesma região. O resultado disso tudo é que pouco fica da riqueza gerada e, no contra ponto, sobra um processo inflacionário perverso, além da violência, desorganização social e miséria.


Esse contexto nos leva a refletir sobre diversas questões fundamentais, tais como: (i) a indústria de transformação é essencial; (ii) é importante conhecer o potencial de vantagem comparativa; (iii) é fundamental incentivar a ampliação da base de negócios; (iv) a inovação depende da interação universidade-governo-indústria; e (v) a governança territorial viabiliza a competitividade em regiões periféricas.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Para refletir!

Marcos Pedlowski

15:03 (Há 1 hora)
para pedlowma, Cco:mim
http://blogdopedlowski.com/2015/06/08/ship-to-ship-no-porto-do-acu-sob-o-designio-do-improviso-quem-se-responsabilizara-pelos-eventuais-desastres-ambientais/
 

Ship to ship no Porto do Açu: sob o desígnio do improviso, quem se responsabilizará pelos eventuais desastres ambientais?

É até compreensível que os atuais controladores do Porto do Açu, comandados pelo fundo de private equity EIG Global Partners, queiram tirar o pé do atoleiro e encontrar novas formas de gerar retorno para o empreendimento. Uma das novas e decantadas opções é o uso do Terminal 1 para o transbordo de petróleo na operação conhecida como “ship to ship” (Aqui!) a partir de um contrato com a BG Brasil. Afinal de contas, agora que o minério de ferro está dando prejuízo para a Anglo American, há que se achar alguma saída para que o Porto do Açu não seja completamente inviabilizado.
Agora o que eu gostaria de ter lido ou ouvido e não constatei foram notícias relacionadas ao estabelecimento de planos de contingência ou, tampouco, do estabelecimento de um fundo de compensação ambiental para eventuais acidentes ambientais que o uso do Terminal 1 para este tipo operação poderá gerar. Se os que se preocupam com a viabilidade do Porto do Açu se dessem ao trabalho de verificar na internet, encontrariam “n” exemplos da adoção dessas medidas em outros locais do planeta onde a operação “ship to ship” é utilizada.
shiptoship
E o pior é notar o silêncio ensurdecedor por parte dos órgãos ambientais (IBAMA e INEA) em relação à cobranças que deveriam estar sendo feitas para que essa improvisação no uso do Terminal 1 (que certamente tem tudo para se tornar permanente) não se dê sem que as devidas salvaguardas sejam estabelecidas e as medidas de mitigação estejam estabelecidas e prontas para serem implementadas no primeiro sinal de problema.  
oil-spill
Pelo que pode se notar, todos estão esperando para chorar lágrimas de crocodilo sobre o óleo derramado. E, sim, depois que ninguém venha reclamar que não foram avisados!

sábado, 6 de junho de 2015

O Porto do Açu e suas derivação: como fica o território de entorno?

O primeiro ciclo portuário de São João da Barra durou aproximadamente 150 anos. A estratégia fundamental dos investimentos estava atrelada a necessidade de transportar a produção do interior fluminense e das regiões limítrofes do Espírito Santo e Minas Gerais. O porto gerava emprego e renda porque escoava a produção regional (açúcar, madeira, farinha, café, carnes, etc.).

O Porto do Açu, contrariamente, tem como objetivo escoar produtos que geram emprego em regiões distantes. O mesmo não apresenta afinidade, em termos negócios e ocupações, com a sua proximidade. Desta forma, é muito representativo para o país que apresenta gargalos importantes, fundamentalmente, em portos. Quanto aos benefícios para o território de influencia? A história comprovará que a nossa visão crítica é coerente.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Royalties em maio na região Norte Fluminense

As receitas mensais de royalties de petróleo cresceram 17,7% em maio, com relação abril, na região Norte Fluminense. Apesar do crescimento da receita no mês, é evidente a perda de participação temporal da região no total distribuído pela ANP. A queda de arrecadação da região Norte Fluminense em maio deste ano, atingiu 31,9% em relação a maio do ano passado, enquanto a queda no total dos municípios do Rio de Janeiro atingiu 27,3% e a queda nos municípios do país atingiu 27,0% no mesmo período. Observem que a região apresenta um diferencial de perda de receita de 4,6% na comparação com o total dos municípios do Rio de Janeiro e um diferencial de perda de 4,9% na comparação com o total dos muncúrios do país.
A alternativa de endividamento presente com garantias nas receita futuras de royalties precisam ser muito bem avaliadas.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Resultado da Balança Comercial em maio

O resultado da Balança Comercial do país melhorou em maio, porém o saldo acumulado em 2015 continua deficitário. Em maio as exportações somaram US$16.769 bilhões, as importações US$14.008 bilhões, gerando um saldo superavitário de US$2.761 bilhões. No acumulado do ano, as exportações somaram US$74.700 bilhões, as importações US$77.005 bilhões, com um saldo deficitário de US$2.305 bilhões. O saldo em maio de 2014 foi deficitário em US$4.860 bilhões.

Exportação de minério de ferro em maio

A sequência de queda na exportação de minério se manteve em maio. O volume embarcado em tonelada caiu 3,6% com relação a abril, a receita caiu 19,9% e o preço caiu 16,8% no mês, em relação a abril. 
Na comparação com maio de 2014, o volume embarcado em maio de 2105 caiu 9,8%, a receita em dólar caiu 64,1% e o preço US$/T caiu 60,2% no mesmo período.

O gráfico apresenta a trajetória dos preços praticados nos anos 2012; 2013; 2014 e 2015. Neste ano o preço já caiu 34,6%. Períodos difíceis estão pela frente!

Exportação de açúcar em maio

O volume em tonelada de açúcar cresceu em maio, com relação a abril, porém está abaixo do volume embarcado em janeiro e março. Com relação a maio de 2014, o volume embarcado cresceu 11,4% porém o preço caiu 16,1% no mesmo período. 

O gráfico apresenta a evolução do preços nos anos de 2012; 2013; 2014 e 2015. A desvalorização do preço da commoditie é evidente, inclusive nos meses deste ano.

COAGRO: uma organização produtiva de sucesso


"Uma questão a ser pensada: Por que a Coagro avança em um ambiente econômico de declínio para o setor sucroalcooleiro ou energético? Na verdade, respondemos essa pergunta em 2010 com a pesquisa de mestrado em Engenharia de Produção da UENF da mestra Kátia Athayde. 
Ratificando a nossa tese, setores fragilizados não conseguem competir no mercado pela ótica microeconômica, onde a unidade produtiva atua individualmente. Nesse caso, a empresa precisa de competências essenciais, tais como: escala, projetos, recursos tecnológicos, financeiros, gestão estratégica, etc. No caso da Coagro, claramente existe uma organização produtiva típica de uma governança institucional. A cadeia se estrutura com a produção coletiva da matéria prima que se integra a unidade processadora e logística. O sistema realiza as combinações com elementos fundamentais, tais como: ação coletiva, confiança, reciprocidade, competência gerencial e interação universidade-governo-indústria, possibilitando a sua inserção competitiva no mercado e potencializando rendimentos crescentes, fato que vem garantindo a sustentabilidade da organização.  

Matéria Folha da Manhã

Pezão em Campos para assinatura de convênio com a Coagro

Fotos: Diego Corrêa
O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, está na usina Sapucaia, em Campos, para assinatura de convênio da Agência Estadual de Fomento (Agerio) com a Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro) para a implantação de um sistema de limpeza de cana a seco, em um investimento de R$ 11 milhões, dos quais a Agerio financiará R$ 6 milhões. Os secretários de Estado de Desenvolvimento Econômico, Marco Capute, e de Agricultura e Pecuária, Christino Áureo, acompanham Pezão, nesta segunda-feira, na visita à usina. Em seguida, o governador irá a Itaperuna, no Noroeste Fluminense, onde será inaugurado o núcleo da Defensoria Pública.
O aporte do Estado permitirá melhorias no processamento da cana, beneficiando nove mil cooperados e 2,5 mil funcionários da cooperativa. Os recursos se somam aos R$ 5,7 milhões já contratados para a compra de máquinas colhedoras, tratores e caminhões.
— Com o sistema, a Coagro poderá receber todo tipo de cana: crua ou queimada, inteira ou picada, atraindo uma série de benefícios. O primeiro é econômico, visto que o equipamento separa a palha da cana, que pode ser queimada no forno para gerar energia e, consequentemente, receita. O segundo é agrícola, uma vez que o produtor deixará de depender das caras colheitadeiras para oferecer sua cana. Em terceiro, temos o benefício ambiental, já que, com o sistema de limpeza de cana a seco, deixa de ser necessário queimar a cana para livrá-la da palha — ressaltou o presidente da Coagro, Frederico Paes.
A implantação do sistema de limpeza de cana a seco gerará, ainda, economia de recursos hídricos: 90% da água utilizada pela cooperativa passa a retornar tratada ao rio Muriaé. Além disso, a novidade incrementará a produção de biomassa por meio da queima da palha da cana, utilizada na geração de energia elétrica.