Uma abordagem endógena para o desenvolvimento em ambientes frágeis

Jornal O Diario

Publicado em 06/05/2015


Alcimar das Chagas Ribeiro
economista, D. Sc.
O quadro de evolução desigual entre os países no mundo é uma realidade, assim como, no ambiente interno dos países. No caso do Brasil, esse processo se mostra muito acentuado. Regiões frágeis, economicamente, insistem na abordagem de desenvolvimento regional, onde grandes investimentos são ancorados em recursos naturais. Verifica-se que a riqueza gerada não inibe o processo de desigualdade e ainda aprofunda a pobreza nesses espaços. Um exemplo importante é a região Norte Fluminense, base de investimentos nos setores de petróleo e infraestrutura portuária. Com base em estudos da Firjan, a intenção de investimento público e privado nos biênios de 2010 a 2016 somou o equivalente a R$53,8 bilhões. Entretanto, cifras tão relevantes não provocaram as mudanças esperadas em termos socioeconômicos, já que as fragilidades do ambiente não permitiram a absorção das externalidades positivas, enquanto as externalidades negativas avançaram, aprofundando as mazelas sociais. As medidas compensatórias foram ignoradas, em função da desarticulação social e da base institucional fraca.

Com base nesse contexto, torna-se essencial fortalecer o ambiente institucional, de forma que o mesmo possa facilitar a inovação e o processo de governança indutora da ação coletiva. A estratégia base é o resgate da confiança entre os atores sociais e econômicos na definição de objetivos e metas para o desenvolvimento do território definido. Trata-se de um passo adiante da política regional, ou seja, a abordagem endógena representa um esforço local para a obtenção do desenvolvimento auto-sustentável, facilitando a introdução de inovações que levam a diversificação das atividades produtivas e de acesso ao mercado. A estratégia de pactuação de interesses comuns, envolvendo pequenas e grandes empresas, governo, organizações do conhecimento e outros organismos, representa a abordagem endógena de desenvolvimento econômico, capaz de responder, positivamente, o aumento do produto, do emprego e renda e, fundamentalmente, a redução da pobreza e da desigualdade entre atores sociais no interior de um mesmo ambiente.

Entretanto, essa abordagem exige a presença de mecanismos fundamentais, tais como: criatividade e empreendedorismo, inovação e recursos humanos, redes e cadeia de valor, instituições, capital social e governança, meio ambiente e recursos naturais e desenvolvimento policêntrico e infraestruturas, além de instrumentos ativos, como: centro de treinamento empresarial, treinamento em recursos humanos, redes de trabalho e cooperação, agencia de desenvolvimento local, infraestrutura de transporte e sistema de comunicação e conservação da cultura local. Como observado, as transformações socioeconômicas não ocorrem automaticamente, o ambiente precisa ser pró-ativo e reunir habilidades essenciais para o desenvolvimento.

 

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