quinta-feira, 30 de abril de 2015

Revista de Extensão da UENF

http://www.uenf.br/portal/index.php/br/revista-da-extens%C3%A3o.html

Navegue na revista de extensão da UENF e tenha a cesso à trabalhos relevantes sobre diversos temas de importância para a nossa realidade.

sábado, 25 de abril de 2015

Fundo do FGTS deve socorrer o BNDES

JOÃO VILLAVERDE E MURILO RODRIGUES ALVES - O ESTADO DE S.PAULO
24 Abril 2015 | 02h 07

Aporte de R$ 10 bilhões está sendo negociado pelo ministro da Fazenda,Joaquim Levy, e pelo presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho

"JÁ QUE O GOVERNO FEDERAL NÃO PODE SOCORRER O BNDES, EM FUNÇÃO DA EXIGÊNCIA DO EQUILÍBRIO FISCAL, QUE TAL O TRABALHADOR SUBSIDIAR O SEU ROMBO, PROVOCADO POR EMPRÉSTIMOS DUVIDOSOS ?"  

O governo Dilma Rousseff pretende estruturar uma operação bilionária e polêmica. Nada menos do que R$ 10 bilhões do fundo criado com uma fatia de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) devem ser aportados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A operação tem sido conduzida pessoalmente pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que também pertence ao conselho de administração do BNDES, e pelo presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho. Ambos, Levy e Coutinho, têm buscado integrantes do comitê de investimento do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) nos últimos dias para defender o aporte de dinheiro do fundo ao banco.
O ministro da Fazenda está determinado a acabar com os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES, como forma de melhorar a transparência das contas públicas e, principalmente, atingir a meta fiscal deste ano. Mas, diante da falta de crédito privado na proporção demandada pelo mercado, o papel do BNDES continua importante, dentro da lógica do Ministério da Fazenda. A saída para reforçar o capital do banco sem, no entanto, envolver dinheiro do Tesouro foi buscar o FI-FGTS - fundo que foi criado com o objetivo de ser uma alternativa a bancos públicos e privados no financiamento de projetos de infraestrutura.
Em 2008, mesmo ano em que os repasses bilionários do Tesouro ao BNDES começaram, o FGTS já tinha contribuído para reforçar o caixa do banco, com um repasse de R$ 7 bilhões em debêntures (títulos de dívida de longo prazo). Atualmente, a dívida do BNDES com o fundo está em R$ 4,7 bilhões, o equivalente a 15% do patrimônio líquido do FI-FGTS.
A operação que está sendo preparada agora por Levy e Coutinho e que envolverá R$ 10 bilhões do FI-FGTS tem sido feita por meio de conversas informais. O assunto está na pauta da próxima reunião do comitê, marcada para a quarta-feira da semana que vem.
Membros do comitê que decide os aportes do fundo criticam a proposta. "Dar dinheiro para cobrir o rombo do BNDES? O Tesouro não pode mais fazer isso e agora quer colocar na conta dos trabalhadores?", afirmou um deles ao Estado, sob condição de anonimato.
O FI-FGTS teve no ano passado mais de R$ 10 bilhões em caixa para investir em projetos de infraestrutura. Porém, teve de reduzir o apetite por conta do risco crescente das empreiteiras, com os desdobramentos da Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobrás.
A lei que criou o fundo, em 2007, permite que a Caixa proponha ao conselho curador do FGTS (composto por representantes do governo, dos trabalhadores e dos patrões) a aplicação de mais dinheiro no FI-FGTS até atingir o limite de 80% do patrimônio líquido do FGTS - atualmente em R$ 75 bilhões, segundo último dado disponível. Até o momento, o conselho curador do FGTS autorizou o repasse ao FI-FGTS de R$ 29,3 bilhões e o reinvestimento de R$ 7,4 bilhões.
Procurada, a Caixa afirmou que o regulamento do FI-FGTS impõe "caráter absolutamente confidencial" a todos os documentos e assuntos analisados nas reuniões do comitê de investimento. A revisão dessa condição, segundo o banco estatal, está no momento em discussão no conselho curador do FGTS. Sobre a operação com o BNDES, a Caixa informou que as debêntures emitidas em 2008 "vêm atendendo integralmente as condições inicialmente estabelecidas".

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Orçamento público alocado em turismo e emprego no comércio em SJB

São João da Barra-RJ, classificada como cidade turística, sede do complexo portuário do Açu e produtora de petróleo, alocou e liquidou R$16,5 milhões em 2013 na conta de "TURISMO". Gerou somente 44 empregos formais no comércio em todo ano.
Em 2014, considerando o período de janeiro a outubro, o municípios liquidou R$12,4 milhões em "TURISMO", gerando apenas 7 empregos formais no comércio.
"É provável que o município tenha o custo de emprego mais caro do mundo".

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Emprego no comércio no primeiro trimestre de cada ano

Uma grande contradição pode ser observada nos números de geração de emprego no comércio, nos meses de janeiro, fevereiro e março de cada ano, nos municípios selecionados. 
São João da Barra e Quissamã são produtores de petróleo e classificados como municípios turísticos, enquanto São Francisco de Itabapoana e São Fidélis não são produtores de petróleo e tem sua economia baseada na agropecuária. São João da Barra  é o que mais gasta em festas com o argumento de fortalecer o comércio. Veja que nos últimos nove anos, o município só gerou 21 empregos no comércio, considerando o primeiro trimestre de cada ano, enquanto Quissamã gerou 28 empregos no mesmo período. Sem petróleo, São Francisco de Itabapoana gerou o dobro das vagas de emprego no comércio de São João da Barra e São Fidélis gerou um número de vagas de emprego formal no comércio 314,3% maior do São João da Barra e 210,7% maior do saldo de Quissamã. 
Mais um dado para a reflexão sobre a importância do petróleo na geração de bem estar da população local.

Emprego formal em março na região Norte Fluminense

O emprego formal apresentou evolução no mês de março, comparativamente a fevereiro deste ano. O saldo de emprego no país atingiu 19.282 vagas, enquanto no Estado do Rio de Janeiro atingiu 4.118 vagas (em fevereiro foram eliminadas 11.101 vagas).
Na região Norte Fluminense foi verificado uma expansão do emprego formal em março, onde foram geradas 967 novas vagas, puxadas pelo municípios de Macaé. No mês de fevereiro foram eliminadas 1.706 vagas.
A tabela apresenta os resultados de março e o saldo acumulado no primeiro trimestre de 2015. Campos dos Goytacazes eliminou 225 vagas no mês, ampliando o saldo negativo para 1.669 vagas eliminadas no trimestre. O comércio foi o setor mias afetado com a eliminação de 730 vagas, seguido pela indústria de transformação com a eliminação de 349 vagas. A agropecuária eliminou 326 vagas e a construção civil eliminou 124 vagas no trimestre. Somente o setor de serviços ficou positivo com 164 vagas geradas no trimestre.
Macaé gerou 1.207 vagas em março, mas no trimestre o saldo é negativo em 971 vagas eliminadas. O setor de construção civil eliminou 517 vagas, seguido pelo comércio com 385 vagas eliminadas, o setor extrativo mineral com 160 vagas eliminadas e a industria de transformação com 75 vagas eliminadas. Somente o setor de serviço gerou um saldo positivo de 222 vagas no trimestre.
O município de São João da Barra eliminou 65 vagas em março e ampliou o saldo negativo para 511 vagas eliminadas no trimestre. Destas, a construção civil eliminou 306 vagas, o setor de serviços eliminou 188 vagas e o comércio eliminou 24 vagas no trimestre. 
Apesar do respiro em março, a situação continua bastante preocupante.

Petrobrás: quanto do teu sal são lágrimas?

THE ECONOMIST - O ESTADO DE S. PAULO

23 Abril 2015 | 11h 05

A Petrobrás abre o jogo com os investidores

Saber o pior pode ser o primeiro passo para uma recuperação. Mas não é garantia de que ela acontecerá. Ontem, com enorme atraso, a Petrobrás divulgou seu balanço financeiro de 2014, depois de auditores terem vasculhado os livros da empresa à procura de informações sobre anos de fraudes e malversações que fazem parte do maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no Brasil. A estatal de petróleo anunciou que R$ 6,2 bilhões (US$ 2,1 bilhões) foram surrupiados de seus cofres. Entre outras más notícias, destaca-se a baixa contábil de R$ 44,6 bilhões, causada sobretudo pela revisão no valor dos investimentos no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e na refinaria de Abreu e Lima. O prejuízo líquido de 2014 ficou em R$ 21,6 bilhões, contrastando com um lucro de R$ 23,6 bilhões em 2013.
Fazer a faxina na Petrobrás (e no sistema político brasileiro) é uma tarefa de longo prazo. No curto prazo, a maior preocupação da companhia é simplesmente sobreviver, apesar da produção em queda, dos preços do petróleo em baixa, dos problemas de caixa e da conta gigantesca a ser paga pela exploração de seus ativos mais preciosos: os campos do pré-sal.
A publicação do balanço auditado era uma questão de vida ou morte. Os credores poderiam ter exigido o pagamento antecipado de dívidas no valor de US$ 54 bilhões, se a empresa não divulgasse os resultados de 2014 até 30 de abril. A farra de empréstimos promovida pela direção anterior fez da Petrobrás a companhia mais endividada do mundo e a deixou - quando o escândalo veio à tona - sem acesso aos mercados de capital.
A transparência em relação ao passado não aplacará os acionistas americanos, que estão furiosos com a gestão desastrosa da empresa. Alguns inclusive já entraram na Justiça. Mas, por ora, os investidores parecem dispostos a conceder à nova diretoria, comandada pelo ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, uma chance: As ações da Petrobrás se estabilizaram nos últimos meses, embora ainda estejam muito abaixo de seu patamar mais elevado.
Bendine diz que economizará recursos cancelando o pagamento dos dividendos deste ano, cortando os gastos de capital e se desfazendo de US$ 14 bilhões em ativos até o fim do ano que vem - se vai encontrar compradores para eles é outra história.
O futuro da companhia não depende apenas de seus executivos. É preciso que os políticos, além de parar de roubar, abstenham-se de interferir. O PT da presidente Dilma Rousseff obrigou a Petrobrás a vender petróleo importado com prejuízo, a fim de manter os preços baixos nos postos de combustível do país. Isso provocou uma sangria financeira na empresa. Agora o governo permitiu um aumento nos preços, mas persistem as pressões políticas, como a exigência de que a Petrobrás pague dividendos elevados, que ajudam a manter em pé as combalidas contas públicas do país. O governo também insiste na ideia de que a Petrobrás conduza a exploração dos campos do pré-sal - uma tarefa para cuja realização a empresa talvez tenha competência técnica, mas não recursos.
Alguns desses problemas cairão no colo da Shell. A gigante anglo-holandesa acaba de adquirir a empresa de energia britânica BG, que tem importantes parcerias com a Petrobrás. Bendine cogita ampliar as parcerias. A Shell dispõe de dinheiro em caixa e know-how, mas talvez prefira avançar com cautela num país em que à vanglória sobrevém a ruína e onde o que não falta é incúria e improbidade.

Resultados do Balanço da Petrobrás auditado

Um passo importante no processo de recuperação da Petrobrás foi dado com a divulgação do Balanço de 2014 auditado. Foi registrado um prejuízo de R$21,587 bilhões (em 2013 foi contabilizado lucro de R$23,6 bilhões). Certamente, as informações divulgadas, de forma transparente, vai melhorar a confiança dos acionistas, do mercado e da sociedade, entretanto, acentua a problemática da corrupção e da ineficiente gestão no passado recente. O rombo somou R$50,4 bilhões, sendo R$44,3 bilhões oriundos da redução dos ativos, fundamentalmente, nos projetos das refinarias de Abreu Lima em Pernambuco e Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj. Como fatores responsáveis, foram identificados a quada do preço do petróleo, a redução da demanda e os atrasos em projetos de refino. Uma outra parcela de R$6,2 bilhões, relativos a baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente (corrupção), completa o rombo registrado. Este valor pode aumentar com o avanço das investigação.

Entrevista sobre empreendedorismo

http://youtu.be/vE_okCTmDMA

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Queda das rendas de petróleo na Bacia de Campos

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/04/queda-no-repasse-dos-royalties-do-petroleo-afeta-cidades-do-rio.html

Terceirização da atividade-fim

Excelente análise sobre terceirização
José Pastore
Jornal Estado de São Paulo
Os parlamentares agiram de forma muito construtiva ao aprovar a terceirização para qualquer atividade. Logo após, porém, intensificou-se uma verdadeira batalha campal contra a permissão da terceirização para as atividades-fim. Alguns dizem que isso levará as empresas a terceirizar todas as suas atividades, outros argumentam que essa permissão provocará desemprego, há ainda os que veem pela frente uma deterioração salarial.
1) Nenhuma empresa tem vantagem em terceirizar tudo. Há funções que jamais serão terceirizadas. Por exemplo, os bancos não vão terceirizar os caixas das agências, tendo em vista a estreita relação que eles têm com os clientes e o acesso às suas contas bancárias. Nem uma siderúrgica vai terceirizar os que supervisionam os altos-fornos e os laminadores, porque sua operação exige grande familiaridade com os equipamentos e requer a confiança do empresário. Há muitos exemplos.
No caso de atividade-fim, as empresas contratarão tarefas específicas que são mais bem desempenhadas por terceiros. Por exemplo, uma firma de tecnologia de informação utilizará os serviços de TI de profissionais especializados nos subsistemas que compõem os trabalhos da contratante. Uma siderúrgica contratará uma empresa que limpa altos-fornos, sem desligá-los. E assim por diante. Ademais, daqui para a frente a terceirização ficará mais cara, pelas despesas referentes às novas obrigações estabelecidas no PL 4330/2004. A contratante pensará duas vezes antes de terceirizar uma atividade-fim que hoje realiza com pessoal próprio a custo menor.
2) No que tange ao medo do desemprego, convém dizer que a terceirização provoca uma expansão do mercado de trabalho, e não o seu encolhimento. Quando uma construtora terceiriza os serviços de terraplenagem, concretagem e eletricidade de um prédio, por exemplo, ela reduz o custo de produção pelo fato de utilizar os profissionais dessas áreas nos momentos necessários. Com isso, o produto final (apartamento) tem um preço acessível aos compradores, o que amplia o mercado de consumo de imóveis, gera novos investimentos e cria mais empregos. Se, em lugar de terceirizar, ela tivesse de comprar o equipamento caríssimo para a terraplenagem e ainda manter em seu quadro de pessoal, com ociosidade, os profissionais mencionados, o preço final do apartamento seria exorbitante e acessível a uma pequena elite, reduzindo o mercado imobiliário, os novos investimentos e a geração de empregos. Terceirização é propulsora do emprego, e não do desemprego.
3) No que tange à pressuposta deterioração da renda dos terceirizados, convém lembrar que por trás do salário está a velha lei da oferta e da procura. Quando a economia se aquece, o consumo aumenta, as empresas vendem mais, a necessidade de pessoal se amplia e os salários sobem. Quando a economia esfria, dá-se o inverso. Isso vale tanto para pessoal fixo como para trabalhadores terceirizados.
A empresa que tenta fugir dessa realidade cria problemas para si mesmo. Numa economia aquecida, uma remuneração abaixo da média leva as empresas a perder empregados para os concorrentes que pagam melhor.
É um mito, portanto, achar que a terceirização achatará os salários. Inúmeros estudos mostram que, no início, as empresas terceirizam atividades mais simples e com o tempo incorporam novas tecnologias, passando a terceirizar atividades mais complexas, que, por sua vez, exigem a requalificação dos seus empregados. Trabalhadores qualificados são mais disputados e para atraí-los ou retê-los as empresas têm de elevar o seu salário e oferecer benefícios atraentes.
Em suma, a terceirização nada tem que ver com as apreensões indicadas. Trata-se de um processo de divisão do trabalho que redunda em crescimento da economia e do emprego. No mundo inteiro ela se amplia e se torna mais complexa.
* Professor da FEA-USP, presidente do Conselho de Empregos e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP e membro da Academia Paulista de Letras

terça-feira, 21 de abril de 2015

Execução orçamentária no Estado do Rio de Janeiro em 2014

A execução orçamentária no Estado do Rio de Janeiro em 2014, considerando as previsões anuais, mostrou-se ajustada nas contas de receitas realizadas e despesas liquidadas, com exceção da conta de investimentos que ficou abaixo de 70% do valor previsto. 
O resultado orçamentário foi superavitário em 0,68%. As receitas tribuárias apresentaram uma participação relativa de  64,81% das receitas correntes, enquanto as transferências correntes representaram 9,7% das receitas correntes.

No grupo das despesas liquidadas, as de pessoal e encargos representaram 31,49%, enquanto os investimentos representaram 13,2% das receitas correntes realizadas.

Na alocação por função, destacam-se os encargos especiais da dívida  interna, no montante de R$19,0 bilhões liquidados ou 32,9% e a previdência social com R$13,5 bilhões ou 23,4% das receitas correntes realizadas. A administração consumiu R$2,6 bilhões ou 4,5%, a saúde R$5,1 bilhões ou 8,8% e a educação R$6,2 bilhões ou 10,7% das receitas correntes realizadas. 
Uma situação extremamente difícil!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Execução orçamentária em São Francisco de Itabapoana em 2014

São Francisco de Itabapoana foi o primeiro município da região Norte Fluminense a fechar a contabilidade de 2014. A tabela mostra os resultados da execução orçamentária no município. Podemos observar uma previsão super dimensionada, já que as receitas orçamentárias realizadas chegaram a 76,35% do valor anual previsto. Já as despesas orçamentárias liquidadas chegaram a 76,66%. Foi registrado, entretanto, um leve superavit orçamentário de  0,031%.
Em uma avaliação vertical, podemos observar que as receitas próprias representaram 4,54% das receitas correntes e as transferências intergovernamentais representaram 89,32%  das receitas correntes. 
No campo  das despesas, as referentes a pessoal e encargos representaram 59,03%, enquanto as de investimento representaram 7,1% das receitas correntes.
Na alocação por função, a administração consumiu R$41,3 milhões ou o equivalente a 38,48% das receitas correntes realizadas. A educação consumiu R$40,2 milhões ou 37,47% e a saúde consumiu R$9,5 milhões ou o equivalente a 8,75% das receitas correntes realizadas. Os resultados mostram um baixo padrão de investimento e pouca preocupação com a saúde.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Afinal, o petróleo salva?

Em uma amostra de dezoito municípios do Estado do Rio de Janeiro, selecionados pelos critérios "produtores de petróleo" e "não produtores com um bom padrão de desenvolvimento", segundo a Firjan, pode-se observar indícios da acomodação orçamentária dos municípios produtores às rendas de petróleo, assim como o baixo padrão de eficiência gerencial no uso dos mesmo recursos.  

Nesta relação, os municípios produtores de petróleo se destacam entre os maiores orçamentos por habitante no estado, porém a classificação no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IDMF) é contraditória.

Quissamã se destaca entre os municípios produtores na 2ª posição com um orçamento de R$11,2 mil por habitante e uma contraditória 15ª posição do ranking de desenvolvimento. A seguir, São João da Barra ocupa a 3ª posição com um orçamento de R$10,5 mil por habitante porém, no ranking do desenvolvimento, ocupa a 10ª posição. O municípios de Macaé ocupa a 4ª  posição com um orçamento de R$7,7 mil por habitante, ocupando a 7ª posição no ranking do desenvolvimento. Carapebus ocupa a 5ª posição com um orçamento de R$6,2 mil por habitante e a 18ª posição no ranking do desenvolvimento. Armação de Búzios ocupa a 6ª posição com um orçamento de R$6,0 por habitante e a 14ª posição no ranking do desenvolvimento. Rio das Ostras ocupa a 7ª posição com um orçamento de R$5,5 mil por habitante e a privilegiada 6ª posição no ranking do desenvolvimento. Campos dos Goytacazes ocupa a 8ª posição com um orçamento de R$4,5 mil por habitante e a 17ª posição no ranking do desenvolvimento.

No grupo dos municípios não produtores de petróleo, Resende ocupa o 1º lugar no ranking do desenvolvimento, apesar da 12ª posição no ranking orçamentário com R$2,6 mil por habitante. Volta Redonda ocupa o 2º lugar do ranking do desenvolvimento, apesar da 11ª posição no ranking orçamentário com R$2,8 mil por habitante. Nova Friburgo ocupa a 3ª posição no ranking do desenvolvimento, apesar da 18ª posição no ranking orçamentário com R$1,7 mil por habitante. A tabela, a seguir completa as informações para os outros municípios.

A tabela acima, apresenta dados para outros municípios de forma a permitir uma boa avaliação sobre o uso das rendas de petróleo no desenvolvimento municipal. Conforme já repetido, grandes volumes de recursos financeiros parece não ser garantia de desenvolvimento. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Recuperação econômica mundial é desigual segundo FMI

O Fundo Monetário Internacional apresentou Boletim sobre as perspetivas da economia mundial para 2015 e 2016. O prognostico de crescimento mundial não sofre alterações, já que a expectativa é de crescimento de 3,5%  em 2015 é de 3,8% em 2016. Por outro lado, o crescimento se apresenta divergente, ou seja, maior nas economias avançadas e menor nas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento. Finalmente, os riscos macroeconômicos são reduzidos, porém os financeiros e os geopolíticos são aumentados.
Segundo a visão do FMI, a trajetória de declínio no preço do petróleo teve uma papel importante na transferência de riqueza no cenário mundial, elegendo vendedores e perdedores. Os países importadores se beneficiaram, contrariamente aos exportadores. O caso do Brasil é paradoxal, já que o crescimento negativo de -1% em 2015 derruba as projeções para a América do Sul e América Latina. A gestão macroeconômica contraditória e o baixo padrão de investimento privado contribuíram para a baixa performance do país.

Com forte queda no preço do minério, S&P avalia rebaixar ‘rating’ de Vale.

RIO - A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) afirmou nesta segunda-feira que poderá cortar em duas ou três semanas os ratings da Vale e de outras sete mineradoras, por conta da redução dos preços estimados para o minério de ferro neste e nos próximos anos.

Durante as próximas semanas, a S&P vai avaliar com mais detalhes os planos das empresas para lidar com o impacto negativo da queda dos preços do minério nos fluxos de caixa, disse a empresa em comunicado.

A S&P classifica a Vale com o rating "BBB+", três degraus acima do chamado grau especulativo. Ou seja, mesmo que seja rebaixada em duas notas, a Vale continuará mantendo seu grau de investimento.

Dentre as outras empresas que tiveram seu rating colocado em observação negativa pela S&P estão as concorrentes de peso Rio Tinto e BHP Billiton, que ao mesmo tempo que colaboram com o excesso de oferta, sentem os efeitos negativos da queda dos preços na receita de venda do minério.

A S&P reduziu sua expectativa de preço médio do minério de ferro de agora até o fim do ano para US$ 45 por tonelada, ante expectativa anterior de US$ 65 por tonelada.
Para 2016, a agência revisou a estimativa para US$ 50 por tonelada, ante US$ 65 na previsão anterior, e para 2017 acredita que a média seja de US$ 55 por tonelada, ante US$ 70 em sua última expectativa.

A revisão foi motivada, segundo a S&P, pela permanência da forte expansão da oferta de minério no mercado internacional, o ritmo menor que o esperado da saída dos produtores de alto custo e o crescimento mais lento da economia chinesa.

"Em nossa opinião, o grave desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado de minério de ferro deve continuar nos próximos dois anos", afirmou a S&P, em comunicado.

Para a S&P, os preços menores da matéria-prima do aço podem não apenas enfraquecer o fluxo de caixa operacional e a alavancagem financeira de algumas mineradoras, como também afetar a capacidade de resistência dessas empresas.

As outras empresas que tiveram seus ratings colocados em observação negativa foram Anglo American, CAP, Exxaro Resources, Fortescue Metals Group, and Eurasian Resources Group (ERG).

"JORNAL O GLOBO"

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Contradições da democracia

O governo da presidente Dilma é muito ruim. Entretanto, não devemos esquecer que ela acabou de ser eleita e que vivemos em uma democracia. Os insatisfeitos devem se organizar para fortalecer a democracia e, consequentemente, escolher melhor os futuros políticos, tanto na esfera executiva, como na esfera legislativa. Aliás vejo nessas manifestações muitas contradições. A matéria do fantástico de domingo apresenta um quadro estarrecedor sobre o uso dos recursos públicos e que afeta todo o país, sem que os respectivos moradores desses municípios se manifestem. O país se articula contra a presidente da república e esquece do seu próprio quintal, os municípios onde as pessoas vivem. A matéria que está logo a seguir, mostra municípios ricos (receitas correntes / população) com índices de miséria exorbitante. A maior aberração no país é um município produtor de petróleo (Presidente Kennedy - ES), que tem um orçamente de R$28 mil para gastar com cada morador, valor maior 11,2 vezes a média nacional e problemas de toda natureza. 
Apesar de não ter sido citado na matéria, o município de São João da Barra-RJ também pode ser considerado nesse contexto. O município tem um orçamento de R$11,4 mil para gastar com com cada morador, valor 4,8 vezes maior do que a média nacional e problemas sérios de infraestrutura social e econômica. A população precisa estar atenta para esta questão. Os políticos já começam a se articular para as eleições do ano que vem. Se liga!

A maldição dos grandes investimentos exógenos

"Vejam a confirmação das nossas discussões"


Edição do dia 12/04/2015
12/04/2015 23h17 - Atualizado em 12/04/2015 23h17

Cidades com maior arrecadação por habitante têm serviços precários

Em boa parte dos municípios no topo da lista das cidades que mais têm dinheiro para gastar por ano com cada habitante, o IDH é incompatível com a quantidade de dinheiro nas mãos das prefeituras.

Pra você, o que seria uma cidade perfeita? Um lugar com rede de esgoto, bons hospitais e escolas? Asfalto, transporte de qualidade, casas confortáveis pra todo mundo?
Você vai ver que em algumas das cidades mais ricas do Brasil, essa realidade não existe. O Fantástico encomendou um estudo à universidade de São Paulo - a USP - e descobriu que nas cidades brasileiras com maior arrecadação por habitante, o dinheiro dos impostos não se transforma em qualidade de vida para os moradores.
“Muita gente desempregada”, diz uma mulher.
“Morar aqui é difícil. É difícil para tudo”, lamenta outra.
“Está aí, provado, para vocês verem aí o desleixo da própria prefeitura”, aponta um homem.
Você diria que essas cidades do Brasil estão no topo da lista das que mais têm dinheiro para gastar por ano com cada habitante? Um estudo inédito, feito pela Universidade de São Paulo a pedido do Fantástico, revela que lugares são esses.
“Nós tomamos o valor da receita corrente de todos os municípios brasileiros, fizemos a atualização monetária e dividimos pela estimativa da população desse município, de acordo com dados do IBGE”, explica Fernando de Souza Coelho, professor de políticas públicas da USP.
O resultado foi surpreendente. Em boa parte deles, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que mede a qualidade de vida, é incompatível com a quantidade de dinheiro nas mãos das prefeituras.
“Cada prefeito tem R$ 2,5 mil para gastar com cada habitante. Essa é a média nacional. Esses municípios chegam a estar sete, oito, nove vezes acima dessa média”, aponta o professor Coelho.
O Fantástico foi visitar três municípios que lideram essa lista em suas regiões: Presidente Kennedy, no Espírito Santo, primeira do sudeste e do Brasil em arrecadação por habitante; São Francisco do Conde, na Bahia, líder no Nordeste; e o município gaúcho de Pinhal da Serra, na região Sul.
Começamos por São Francisco do Conde. Chegamos em um dia chuvoso. E o que vimos foi uma cena impressionante: moradores usam barro para construir uma casa para Atanael Gomes. A dele está caindo.
“Meu sonho é eu ter uma casa de construção, onde eu possa botar minha família e não se preocupar com chuva, com vento”, conta o pescador.
O bairro não recebe água encanada. Em um pequeno lago, todos aproveitam para se limpar. Mesmo lugar usado pelos animais. O caminhão-pipa que a prefeitura manda não é suficiente. Por isso, é preciso acordar cedo.
“Eu acordei era três e meia. Seis e dez, quando ele chegou”, conta uma mulher. 
Dona Maria Alice Machado Silva chegou tarde.
Fantástico: Já não tem água nenhuma?
Maria Alice: Não. É muita humilhação.
Maria da Paixão Moreira de Jesus usa o córrego para não gastar água boa. “Para lavar roupa, prato, tomar banho, tudo é aqui”, afirma.
80% da arrecadação de São Francisco do Conde vem da refinaria Landulfo Alves. Só dela, em 2014, saíram R$ 365 milhões. Ou seja, R$ 1 milhão, por dia, para um município de 38 mil habitantes.
Graças ao petróleo, o município tem quase R$ 13 mil por habitante, cinco vezes a média nacional. Só que mais da metade da população não tem rede de esgoto. E um quarto vive na miséria.
Nos últimos 10 anos, todos os ex-prefeitos foram indiciados por desvio de dinheiro público. “Eles não tinham o menor respeito com o dinheiro público”, afirma José Nogueira Elpídio, delegado de Polícia Federal. 
Em um dos casos, em 2009, a prefeitura contratou uma empresa para construir uma escola. Mas a obra nunca foi feita. No terreno, cheio de lama, e que hoje serve de pasto para os cavalos, era para estar uma escola municipal. A prefeitura cercou o terreno, colocou uma placa com o prazo para conclusão da obra, mas retirou tudo e ninguém no bairro sabe o que aconteceu.
“Até hoje a gente espera e não tem nada”, conta a moradora Antônia Nunes da Conceição.
Fantástico: E foi pago qual valor a essa empresa?
Delegado: A quantia superior a R$ 7 milhões.
Em nota, a prefeitura diz que gastou cerca de R$ 3 milhões com parte da obra, mas o contrato com a empresa responsável foi encerrado, porque ela não cumpriu o cronograma. E que uma nova empresa já foi contratada para começar a construção. Sobre os outros problemas, admite que ainda não foram totalmente sanados. Mas que criou programas que ajudaram várias famílias a sair da situação habitacional de risco e emergência. E que está elaborando projetos na área de abastecimento de água e esgoto. 
Próxima parada: Presidente Kennedy, no Espírito Santo, campeão nacional de arrecadação por habitante, graças ao petróleo e à indústria naval. O valor chega perto dos R$ 28 mil por morador, onze vezes a média nacional. Em meio a tanta riqueza, quase 70% dos 11 mil moradores não têm esgoto.
Parece até uma estradinha zona rural. Mas é o centro de Presidente Kennedy. Tem um pouquinho de pavimentação. E, se andar mais uns 200 metros, nem isso, chega-se à prefeitura e à câmara municipal.
“É tudo de terra. Nós amanhecemos, nós almoçamos, jantamos, café da manhã, do lanche, dormir, é poeira”, conta a diarista Anabela Costa.
Além disso, as más condições na saúde pública chamam atenção. Seu José Hora não conseguiu tratamento, no município, para a mulher. Ela morreu em janeiro.
Fantástico: Isso revolta o senhor?
José: Meu Jesus do céu. Acho que revolta todo mundo. Qualquer pessoa que perda uma pessoa na família revolta.
O Fantástico foi com ele até o posto de saúde, desta vez, para tentar achar um exame que ele procura há meses. Mas o posto estava fechado.
Homem: Nós estamos em uma reunião de trabalho.
Fantástico: Mas a população fica do lado de fora, sem explicação?
Homem: Quem tiver que ser atendido vai ser atendido.
Fantástico: Chegou o exame, Seu José?
José: Chegou, graças a Deus.
Fantástico: 9 de janeiro? Está desde 9 de janeiro de 2014? A gente está em 2015.
Cerca de 8,5% da população vivem em pobreza extrema. Seu Aldeir Peixoto caminha em meio aos destroços da casa que veio abaixo com uma ventania.
Seu Aldeir: Eu vim mais a assistente social. Chegamos aqui, ela filmou e falou que ia dar um jeito e até hoje não deu jeito.
Fantástico: E isso faz quanto tempo?
Seu Aldeir: Faz sete meses.
A casa da vizinha também está em situação precária. “Minha casa está muito ruim, muito ruim. Toda quebrada”, conta ela.
Fantástico: A senhora sabia que essa prefeitura tem muito dinheiro?
Moradora: O povo fala, minha senhora.
Fantástico: E para senhora?
Moradora: Nada. Ajuda de nada. Só de Deus.
O dinheiro que falta para a população pode ter ido para o bolso de políticos, segundo a Polícia Federal.
A atual prefeita responsabiliza as administrações passadas pela situação. “Eu não posso responder pela gestão passada. Eu investi, de 2013 a 2014, R$ 30 milhões na saúde, fora outras secretarias”, afirma a prefeita Amanda Quinta Rangel.
Fantástico: Qual é a ligação com o ex-prefeito?
Prefeita: Eu era funcionária da ex-gestão.
Fantástico: Qual cargo?
Prefeita: Secretária.
Fantástico: Secretaria de?
Prefeita: Cultura. Não houve nada envolvido com meu nome.
Fantástico: Vocês são parentes?
Prefeita: Sobrinha.
Do Espírito Santo, seguimos para Pinhal da Serra, no Rio Grande do Sul. A economia do município gira em torno da usina hidrelétrica Barra Grande. São R$ 9 mil, em média, para gastar com cada habitante. Três vezes mais que a média nacional. Mesmo assim, praticamente, nenhum dos cerca de dois mil moradores têm rede de esgoto.
A prefeitura escavou uma vala para trazer o esgoto das casas de cima, deixou tudo aberto e, para chegar na casa do Seu José Alves Rodrigues, a gente tem que atravessar uma montanha de barro. A casa dele ficou isolada.
Fantástico: Agora o senhor tem esgoto na porta da sua casa?
Seu José: Na porta da minha casa. Vai ficando um mau cheiro, fazendo o caos aí na minha casinha.
Fantástico: Esse aqui é o banheiro do senhor? E pra tomar banho?
Seu José: Pra tomar banho, eu tomo banho nas casas, do rapazinho aqui de perto.
Fantástico: O senhor tem que pedir favor pra tomar banho?
Seu José: Sim, pra tomar um banho, botar uma roupa.
“Segundo a Organização Mundial de Saúde, 80% das doenças e até um terço da mortalidade está direta ou indiretamente ligada às questões de saneamento básico”, afirma o professor Coelho.
A prefeitura de Pinhal da Serra diz que sabe dos problemas da falta de esgoto, pavimentação e habitação. E que a cidade não possui estação de tratamento de esgoto, mas que todas as casas têm fossa séptica.
Na última etapa da nossa viagem, vamos até Minas Gerais mostrar um exemplo oposto: Santa Rita do Sapucaí conta com um orçamento por habitante inferior à média nacional. Apesar disso, o município tem um alto IDH, que é o índice que mede a qualidade de vida. Quase toda a população tem saneamento básico, mas o destaque fica com a educação.
Aula de artes, informática, coral. Todo mundo com uniforme. Parecia que estavam esperando. Mas a visita foi surpresa.
Fantástico: Com que tipo de recursos o senhor conta na escola?
Professor Luis Carlos dos Santos: Contamos com os computadores tem acesso à internet.
Fantástico: Desde a escola fundamental até o ensino superior, dá para fazer em Santa Rita do Sapucaí?
Francisco de Paula Caruso, morador: Tudo em Santa Rita, não precisa sair daqui, não.
Mas a cidade é uma rara exceção. A pesquisa listou os 280 municípios com maior arrecadação por habitante do país e constatou: “Em torno de 200 deles, se apresentam os mesmos problemas”, aponta professor Coelho.
Domingos da Cruz Serra, que vive em São Francisco do Conde desde que nasceu, demonstra um misto de esperança e desilusão. “A gente quer nossa rede de esgoto, quer o asfalto, a água para a gente beber, e nós não estamos conseguindo achar. Eu espero um futuro melhor. Mas a gente não consegue esse futuro melhor”, afirma o comerciante.

domingo, 12 de abril de 2015

Ineficiência no uso das rendas do petróleo

O gráfico apresenta a participação percentual dos gastos com investimento público nas rendas de petróleo (royalties e participações especiais) nos municípios de Rio de Ostras e São João da Barra. A comparação é importante porque indica o gau de responsabilidade dos municípios com o uso dos recursos, oriundos do petróleo. Rio das Ostras conseguiu alocar em média 48% dos recursos de petróleo em investimento no período entre 2002 e 2012, enquanto São João da Barra alocou somente 8,6% no período entre 2002 e 2014. Nos últimos seis anos, o município de São João da Barra usou, ineficientemente, as rendas de petróleo para ampliar a máquina pública, fragilizando a infraestrutura social e econômica. Apesar do forte fluxo de investimento privado, em função do porto do Açu, o município enfrenta sérios problemas econômicos, já que a população não conseguiu se inserir nas diferentes fases do empreendimento. A crise que chegou, em função da redução de royalties petróleo, ICMS e investimentos privados, criará problemas muito sérios para o município que ainda não entendeu a nova realidade. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

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http://www.uenf.br/portal/index.php/br/escola-de-extens%C3%A3o-curso-contabilidade.html

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Uma visão econômica da região Norte Fluminense pelo sistema financeiro

os saldos das operações bancárias de crédito, depósito a vista do setor público, depósito a vista do setor privado e depósito a prazo em dezembro de 2014, são apresentados na tabela para os municípios da região Norte Fluminense. Campos dos Goytacazes, com a maior estrutura bancária da região, fechou o ano com um saldo de R$ 2,7 bilhões de operações de crédito, saldo de R$236,4 milhões de depósito a vista do setor privado e saldo de R$862,0 milhões de depósito a prazo. 
O município de Macaé, com a segunda maior estrutura bancaria, contabilizou R$2,0 bilhões de operações de crédito, R$321,2 milhões de depósito a vista do setor privado e R$767,5 milhões de depósito a prazo.
Em um patamar bem abaixo, os municípios de São Fidélis, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra, apresentam números parecidos, com ressalva para as operações de depósito a prazo. Importante lembrar que São João da Barra é produtor de petróleo e sede do complexo portuário do Açu, enquanto São Fidélis e São Francisco de Itabapoana contam com suas atividades tradicionais. 
No contexto dessas considerações, é curioso observar que São Fidélis contabilizou R$168,3 milhões de crédito, São Francisco de Itabapoana R$116,8 e São João da Barra somente R$103,9 milhões. Na operação de depósito a vista do setor privado os saldos são bem parecidos, porém nas operações de depósito a prazo, São João da Barra apresenta uma condição de substancial destaque com um saldo dez vezes maior em relação aos outros dois municípios.
Duas questões podem ser levantadas: a primeira é que parte substancial da riqueza gerada pelo petróleo e pela atividade de infraestrutura portuária, não fica no município de São João da Barra, já que os saldos de depósitos s vista do setor privado são similares nos três municípios. A segunda questão diz respeito a alta concentração da riqueza que fica, explicada pelo elevado saldo de depósito a prazo em SJB.
Um outro dado importante que permite avaliar a saúde da economia regional é o índice de preferência pela liquidez bancária (IPLB), o qual define a disposição dos bancos de disponibilizar crédito localmente. Esse índice é o resultado da relação do saldo dos depósitos a vista sobre o saldo das operações de crédito. Portanto, quanto menor o IPLB mais confiança o sistema bancário tem no sistema econômico do município e, portanto, mais possibilidades para a geração de negócios. Por esse indicador, São Fidélis tem o menor índice IPLB e, portanto, relativamente o maior grau de confiança do setor bancário. Campos ocupa a segunda posição, seguido por São Francisco de Itabapoana e Macaé. A quinta posição é ocupada por São João da Barra, reafirmando a discussão comparativa entre o mesmo município, São Fidélis e São Francisco de Itabapoana. Conclusão, as rendas de petróleo e os investimento no porto do Açu não fizeram de SJB um município melhor do que São Fidélis e São Francisco de Itabapoana (não produtores de petróleo e sem grandes investimentos de fora).