segunda-feira, 30 de março de 2015

Capacitação para gestão de negócios


Escola de Extensão tem curso de Contabilidade e Gestão de Negócios

A Escola de Extensão da UENF inscreve de 30/03 a 13/04/2015 para novo curso: “A Contabilidade como Instrumento de Gestão de Negócios”. O curso tem como público alvo, empresários, gerentes, estudantes, além de gestores públicos e privados.
O objetivo do curso, que terá carga horária de 32 horas, é instrumentalizar os profissionais responsáveis pela gestão empresarial para intervenção nos processos industriais, comerciais e de serviços, aumentando a lucratividade do negócio e capacitando a organização para a evolução competitiva no mercado. A coordenação é do professor Alcimar das Chagas Ribeiro, economista, doutor em Engenharia de Produção e consultor de empresas.

sexta-feira, 27 de março de 2015

PIB estagnado em 2014

Conforme esperado, o crescimento do PIB em 2014 bateu 0,1%, em relação ao ano anterior. O gráfico do IBGE mostra a desaceração do PIB a partir de 2010. A visão minimizadora do presidente Lula, classificando os reflexos da crise internacional como simples "marolinha", ou seja, sem grandes impactos para a economia do país, foi equivocada, e o pior é que foi seguida pela atual presidente. A aposta no consumo interno, subsídios de toda natureza e na manutenção do processo de transferência de renda, sem se importar com a oferta agregada (a produção real), potencializou o endividamento do governo e das famílias, destruindo os fortes fundamentos da economia antes da crise externa. A conta muito salgada está sendo cobrada a população, já pressionada pela retração da renda disponível e pelo desemprego. Teremos anos difíceis pela frente!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Rendimento do trabalho assalariado em Campos dos Goytacazes

Segundo dados da RAIS 2013, do Ministério do Trabalho, Campos dos Goytacazes iniciou 2014 com um estoque de 98.220 empregos formais, volume equivalente a 2,14% do número de emprego do estado. No gráfico, estão dispostos os percentuais de participação dos setores de atividade na remuneração total do trabalho formal em Campos dos Goytacazes e no estado do Rio de Janeiro.
Conforme podemos observar, a participação dos setores de serviços e administração pública são bastante significativos, tanto em Campos, como no estado. O setor de administração pública em Campos apresentou um participação de 36,35% da remuneração total, seguido pelo setor de serviços com uma participação de 27,56%. Ai temos um problema, se considerarmos que mais de 2/3 do rendimento do trabalho tem origem em setores que não criam riqueza. Esses setores têm baixo padrão de conhecimento e baixa remuneração. A indústria de transformação, setor gerador de riqueza e fomentador de elos das cadeias produtivas, apresentou a ínfima participação de 6,53%, quase a metade da participação setorial no estado, enquanto a construção civil apresentou uma participação de 7,32%. Outro setor gerador de riqueza, a agropecuária, teve uma participação de 1,37% na remuneração total do emprego no município. 
Esse quadro não deixa dúvida de que é essencial fomentar atividades geradores de riqueza no município. Os setores agropecuário e industrial precisam ser olhados pela ótica do conhecimento e da organização em cadeias produtivas. Tais estratégias são capazes de potencializar a geração de riqueza, com reflexos no emprego e na renda, elevando o sistema econômico a um patamar mais sofisticado de rendimentos crescentes.

domingo, 22 de março de 2015

Um retrato da política no Estado do Rio de Janeiro

"A presente matéria deveria ser um instrumento de reflexão nas escolas e em todas as organizações não governamentais. A população precisa entender melhor o processo de destinação dos recursos públicos. Os desmandos indicados na matéria tem seus reflexos no abandono da saúde pública, na fragilização da educação, no aumento da pobreza e no aprofundamento da exclusão social".  Leia e repasse aos amigos.

http://oglobo.globo.com/rio/dos-92-prefeitos-do-estado-do-rio-70-deles-sao-alvo-de-investigacao-na-justica-15666462

quarta-feira, 18 de março de 2015

Emprego formal em fevereiro na região Norte Fluminense

Foram eliminados 11.101 empregos no Rio Janeiro e 2.415 empregos no país, em fevereiro. No bimestre, o estado do Rio de Janeiro eliminou 51.759 empregos e o país eliminou 84.189 empregos. 
Na região Norte Fluminense, apesar da eliminação de um número menor de vagas em fevereiro, com relação a janeiro, foi mantida a tendencia de queda no nível de emprego.
Campos dos Goytacazes eliminou 570 empregos em fevereiro e 1.444 empregos no bimestre. O comércio foi o setor que mais desempregou, eliminando 610 vagas no bimestre, seguido pela construção civil com eliminação de 146 vagas e industria de transformação com a eliminação de 160 vagas.
Macaé eliminou 890 empregos em fevereiro e 2.178 empregos no bimestre. O setor de serviços eliminou 926 vagas de emprego no bimestre, seguido pelo setor de construção civil com 563 vagas eliminadas e do setor de comércio com a eliminação de 384 vagas.
São João da Barra eliminou 189 empregos em fevereiro e 446 vagas no bimestre. O setor de construção civil eliminou 226 vagas e a construção civil eliminou 237 vagas no bimestre. 
Conforme os números apresentados, o quadro econômico é preocupante na região do petróleo e da infraestrutura portuária.

domingo, 15 de março de 2015

Em movimento desacelerado

THE ECONOMIST
10 Março 2015 | 02h 01

Um caso de corrupção alastrada envolvendo a gigante Petrobrás se apresenta como uma ameaça à implantação de um mal necessário, a reforma política

Em 8 de março, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, aproveitou um discurso televisionado sobre o Dia Internacional da Mulher para justificar a necessidade de apertar o cinto. Isso seria necessário para fechar um déficit orçamentário de 6,75%, evitar um doloroso rebaixamento na classificação de crédito e reativar uma economia enfraquecida. Num eco da campanha eleitoral do ano passado, a presidente atribuiu as mazelas econômicas do País diretamente à crise financeira global (e a uma seca recorde em 2014). O governo fez o máximo que pôde para enfrentar esses eventos adversos, a presidente explicou. "Agora precisamos dividir parte desse esforço entre todos os setores da sociedade."
Como fizera na eleição, a presidente não mencionou que a maioria dos grandes mercados emergentes, e muitos vizinhos latino-americanos, se saíram melhor que o Brasil. Mas, seja como for, muitos brasileiros não a estavam escutando, Tão logo a presidente apareceu no ar, várias cidades grandes reverberaram com o barulho de panelas sendo batidas. Numa exibição sem precedente de desagrado com seu governo, milhares foram às janelas e varandas com utensílios de cozinha. Em seu apartamento em São Paulo, este correspondente mal conseguiu ouvir o que a presidente estava dizendo por cima da barulheira, que durou quase todos os 15 minutos do pronunciamento pré-gravado.
Mais preocupante que o panelaço para Dilma, porém, foi a bomba-relógio detonada no começo do fim de semana. Em 6 de março, Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal, divulgou a lista de políticos que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, gostaria de ver investigados em conexão com um multibilionário esquema de propinas descoberto um ano atrás na Petrobrás, a gigante estatal de petróleo. Zavascki aprovou a maioria dos pedidos de Janot. Como o Supremo precisa concordar com qualquer investigação de qualquer um que goze de privilégios parlamentares, a decisão libera procuradores e a polícia para caçar pistas que apontem para parlamentares.
Será a maior investigação do gênero da história brasileira. Zavascki abriu 21 inquéritos sobre 50 indivíduos, entres os quais 22 deputados federais e 12 senadores. A título de comparação, o mensalão - um esquema que operou de 2003 até vir à luz em 2005 e em que o PT de Dilma arranjava o pagamento de propinas regulares a aliados parlamentares em troca de seus votos - começou com uma simples investigação. Aquele escândalo feriu o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o antecessor de Dilma, e colocou alguns dos principais luminares do PT atrás das grades.
O "petrolão" provavelmente será ainda mais danoso. Apesar de a própria presidente não estar sendo investigada, todos menos dois dos 49 suspeitos têm vínculos com a coalizão governante liderada pelo PT. A petição de Janot descreve uma "complexa organização criminosa" em que companhias construtoras que ganharam contratos com algumas divisões da Petrobrás desviaram cerca de 3% do valor dos contratos para subornar políticos. Alguns receberam propinas únicas, outros aparentemente recebiam pagamentos mensais de RS 30 mil a R$ 500 mil, a depender de sua influência.
A "lista de Janot" inclui nomes de peso: Humberto Costa, líder do PT no Senado; Gleisi Hoffmann, outra senadora do PT que foi chefe de gabinete de Rousseff em 2011-14; o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Antonio Palocci, que antecedeu Gleisi por um curto período de tempo na chefia de gabinete até renunciar em razão de um escândalo não relacionado em 2011 (e havia sido anteriormente ministro da Fazenda de Lula), será investigado por um tribunal inferior. Ele é suspeito de aceitar doações ilegais de campanha durante a eleição de 2010, quando coordenava a campanha de Dilma.
A oposição de centro-direita não saiu ilesa, tampouco. Antonio Anastasia, um influente senador e braço direito de Aécio Neves, o candidato presidencial derrotado do PSDB, também está na mira de Janot. Todos são suspeitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Todos negam qualquer irregularidade.
Como era esperado, Janot também visou a Eduardo Cunha e Renan Calheiros, os poderosos presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente. Ambos são membros do PMDB, o principal aliado na coalizão do PT. Além de rejeitarem imediatamente como inverídicas as suspeitas do procurador, a dupla partiu para a ofensiva. Cunha tuitou que as petições de Janot eram "uma piada" e acusou Janot de postura tendenciosa ao colocar todos os citados na mesma lama. O deputado pareceu sugerir que isso teve a intenção de diluir o papel do PT no escândalo, num esforço para ganhar a simpatia de Rousseff, presumivelmente para que ela nomeie o procurador-geral para um segundo mandato quando o primeiro expirar em setembro. Calheiros chegou a sugerir que o Congresso devia montar o seu próprio inquérito no escritório do procurador.
Isso é fantasioso. O procurador-geral da República é constitucionalmente independente do Executivo, e Janot tem exercido ferozmente essa independência. Ele apontou políticos do círculo íntimo da presidente e, além da nomeação de Dilma, Janot precisa de aprovação do Congresso para permanecer em seu posto. Se essa fosse sua maior preocupação, ele poderia ter jogado leve com a liderança do Congresso.
Cunha e Calheiros sabem disso. A explosão provavelmente teve mais a ver com a crescente animosidade contra a presidente Dilma Rousseff, tanto de sua base insatisfeita como dos brasileiros em geral. Antes mesmo do panelaço, o índice de aprovação da presidente caíra pela metade desde o início de seu segundo mandato em janeiro; o PMDB não quer afundar com ela. A legenda também acalentou agravos sobre nomeações ministeriais (seus líderes achavam que receberiam mais).
O PMDB agora se sente marginalizado da tomada de decisões presidenciais. Por exemplo, o partido não foi consultado sobre a maioria dos cortes de gasto e altas de impostos que estão sendo promovidos pelo novo ministro da Fazenda para colocar a casa fiscal em ordem. Sob o fogo de Janot, o PMDB pedirá mais influência. Há conversas sobre uma nova nomeação do ministério responsável pela ligação com o Congresso. A presidente Dilma também poderá trazer Michel Temer, o presidente do partido e seu vice-presidente, para o pequeno círculo de seus confidentes íntimos do PT que determina a política.
Se for bem-sucedida, essa tática poderá esfriar os ânimos no Congresso no curto prazo. Mas dada a complexidade do esquema de corrupção e o número de pessoas sob investigação, pode demorar anos até alguém ser formalmente acusado, quanto mais condenado.
À medida que a polícia cavar mais fundo no caso, mais nomes de políticos possivelmente aflorarão. A investigação de Janot está de olho em divisões da Petrobrás, em que o PT e o PMDB são suspeitos de ter uma influência ainda maior.
Nada disso favorece as reformas econômicas. Os congressistas que tentam limpar seus nomes estarão temerosos de irritar ainda mais os eleitores ao apoiar medidas econômicas impopulares (eles já são objeto da ira dos batedores de panelas sobre a alegada propina).
A cada dia, porém, as reformas estão se tornando mais urgentes. O real caiu 5% ante o dólar na semana passada em meio à incerteza política que cercou a divulgação da "lista de Janot". A inflação atingiu 7,7% em fevereiro, o valor mais alto em uma década (impelida, em parte, pelas elevações há muito atrasadas nos preços regulados dos combustíveis e da eletricidade). O Banco Central elevou as taxas de juros na semana passada; em 12,75%, elas voltaram ao patamar em que estavam pouco depois de a presidente Dilma assumir seu primeiro mandato em 2011, e acima dos 7,25% em 2012-13. O desemprego está crescendo, ainda que de um nível inferior recorde de menos de 5%.
Dilma Rousseff faria bem em se acostumar com o som dos panelaços.

Em queda, indústria vira a vilã da renda no Brasil


O total de salários pagos pela indústria no Brasil teve no ano passado a primeira queda desde 2003, e a tendência é um novo recuo neste ano, resultado de reajustes menores e de mais demissões –o que tem reflexos importantes no consumo e na arrecadação de impostos.

A indústria concentra a maior taxa de formalização (75%), o segundo maior contingente de trabalhadores (21,5 milhões) e paga, proporcionalmente, os melhores salários: 25% dos que ganham mais de R$ 4.000 ao mês no país trabalham no setor.

"A indústria será a vilã da renda daqui em diante, algo muito diferente do que ocorreu na recuperação de 2004 a 2008, no governo Lula", diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Desde 2003, início da série calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o total de salários pagos pela indústria nunca havia caído. A primeira queda, de 0,1% no ano passado, deve se acentuar neste ano (ver quadro acima).

O desemprego no setor deve ser a principal causa da diminuição da renda total, que vinha funcionando nos últimos anos como um dos motores da economia, da concessão de crédito (por causa da alta formalização) e da arrecadação.

O setor responde por 36% da arrecadação de impostos, por causa da sua longa cadeia produtiva e do valor agregado de seus produtos.

EMPREGO

Nos últimos três anos, o emprego industrial caiu cerca de 6%. Só em São Paulo, que concentra 45% das indústrias, foram 220 mil cortes, mais da metade em 2014.

No ano passado, a produção industrial caiu 3,3%, mas grandes empresas seguraram funcionários, mais treinados que na maioria dos setores, esperando uma recuperação.
"O emprego só se mantém se a produção se firmar, e isso não está no horizonte", diz Rogério César de Souza, economista-chefe do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

No primeiro bimestre, a indústria paulista fechou 7.000 vagas. Dos 22 setores acompanhados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), 15 cortaram, 4 contrataram e 3 mantiveram o quadro.

"A única esperança são os setores exportadores, por causa da alta do dólar. Para os demais, a perspectiva é muito ruim", diz Paulo Francini, diretor da Fiesp.

O setor de máquinas e equipamentos está entre os mais afetados. Com 250 mil empregos, cortou 15 mil vagas em 2014 e deve eliminar outras 30 mil neste ano.

"Teremos uma derrama no emprego. Contando 2015, a queda na produção e no faturamento chegará a 30% em quatro anos. Uma hecatombe", diz Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, que reúne os fabricantes do setor.

Como concordar com o discurso do governo, que continua a forçar a ideia de que os fundamentos econômicos do país são fortes?

sexta-feira, 13 de março de 2015

A trajetória dos royalties de petróleo nos municípios de Campos e Macaé

Importantes transformações ocorreram no setor de petróleo no país, no final dos anos noventa. Com a   extinção do monopólio foram criados critérios para a distribuição dos royalties, oriundos da exploração, em benefício dos estados e municípios envolvidos. As mudanças tiveram grande impacto nos orçamentos dos municípios da bacia de Campos. Entretanto, o gráfico já apresenta, na trajetória histórica dos indicadores de participação relativa em relação ao total, uma tendência de retração relativa ao longo dos anos, gradualmente. Em 2001, o município de Campos dos Goytacazes tinha uma participação de 5,13% do total distribuído no país, retraindo para 3,41% em 2014. Já o município de Macaé, que tinha 3,66% de participação em 2001, registrou uma participação de 2,65% em 2014.
Esse processo é natural, já que os poços produtores tendem a reduzir a sua produtividade com o tempo, quando ficam mais maduros. Por outro lado, a descoberta de novos poços amplia o espaço produtor, criando novos fluxos de produção para outras direções espaciais.  
O problema é que os beneficiários deveriam entender essa situação e, fundamentalmente, ter otimizado o uso desses recursos. Tudo leva a crer que na prática a situação foi bem diferente. A expectativa com as rendas do petróleo sempre em evolução e uma acomodação natural aos novos patamares orçamentários, gerou uma superestrutura pública consumidora de recursos na função custeio, enquanto a infraestrutura social e econômica ficou estancada. 
Com a crise atual, agora é o momento para desconstruir a visão corrente e construir uma visão de futuro, onde os recursos locais tangíveis e intangíveis possam induzir um novo processo de formação e distribuição de riqueza em um melhor padrão de sustentabilidade. 

Crise instaurada no Brasil afeta região pela dependência do petróleo

Jornal URURAU

Queda do preço do barril acarretou em demissões em massa e cortes no salário
 Ururau/Arquivo/Reprodução

Queda do preço do barril acarretou em demissões em massa e cortes no salário

Enquanto no Rio de Janeiro 50 mil trabalhadoresperderam emprego com o escândalo da Petrobras, nos municípios produtores da região Norte Fluminense como Campos, São João da Barra, Macaé, Quissamã e Carapebus, a crise na indústria petrolífera mediante a queda do preço do barril de petróleo, acarretou em demissões em massa e cortes no salário.
A perda de arrecadação com royalties e participações especiais com a produção de petróleo é hoje estimada em 2,6 bilhões. Já a queda com a arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é estimado em cerca de R$ 2,4 bilhões. Só aí são R$ 5 bilhões que se somam às dívidas e às dificuldades de buscar alternativas de receitas.
De acordo com o economista, mestre e doutor em Engenharia de Produção, Alcimar das Chagas Ribeiro, a crise instaurada no Brasil afeta fortemente a região pela dependência do petróleo.
“O primeiro ponto da crise é inerente a própria corrupção, é o que está acontecendo com o Rio, onde várias empresas que tinham contratos com a Petrobras foram forçadas a demitir seus funcionários e isso evoluiu para uma série de desempregos nos últimos meses. O outro ponto da crise é oriunda dos royalties e é nesse sentido que entra a nossa região, pois com a queda do barril, as receitas dos municípios dependentes do petróleo começaram a sofrer fortemente”, avaliou o economista.
Chagas revelou que a crise mediante dos orçamentos dos royalties e das participações especiais, é de médio prazo e não vai terminar logo, visto que, a Petrobras já teria declarado que irá reduzir seus investimentos em 30%, afetando com isso, toda a cadeia que é dependente da estatal.
Outra consideração é que o preço do barril de petróleo vem despencando gradativamente nos últimos meses, cerca de 50%, tendo em vista que em julho do ano passado o barril custava em torno de US$ 115 e hoje não chega aos US$ 50.
“Essa crise é internacional e enquanto tiver uma oferta grande de petróleo no mundo, os preços do barril continuarão em baixa. A expectativa é de que dois ou três anos os preços do petróleo não se recupere, isso é ruim pra gente porque somos exportadores e se o preço está baixo, então nossa receita é menor”, pontuou o professor esclarecendo que 82% do petróleo produzido no Brasil está na Bacia de Campos e em decorrência disso, o Rio recebe royalties e participações especiais.
RIO DE JANEIRO EM CRISE
Para o professor e engenheiro, Roberto Moraes, a situação orçamentária e fiscal do Estado do Rio de Janeiro é complicada. Segundo ele, são muitas dívidas e cortar os investimentos não é suficiente. Além disso, o quadro de pessoal do estado é o que compromete o menor percentual do orçamento entre todos os 27 estados da federação. 
O caso é ainda mais complicado porque não apenas o setor de petróleo, mas, a tríade petróleo-porto-indústria naval, com forte base na economia fluminense, acabam afetados. Foi o que aconteceu no início de fevereiro, quando cerca de 400 trabalhadores metalúrgicos do consórcio Integra, que presta serviços ao Complexo Portuário do Açu, em São João da Barra (SJB), foram demitidos. 
A Integra, que chegou a ter 700 funcionários e hoje trabalha com 100, abrange a antiga OSX e a Mendes Júnior, citada no esquema do mensalão.
“Uma das poucas distinções entre o estado e as prefeituras é que as últimas não possuem o peso das extraordinárias dívidas do governo estadual, embora esse possua alternativas de gerar receitas que os municípios não têm às mãos. É tempo de reconhecer o que significa ter e viver numa economia tão impactada globalmente e por manipulações geopolíticas. No mínimo devemos aprender a interpretar as questões estruturais, quase sempre vinculadas ao ‘andar superior’”, analisou Roberto Moraes.
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quarta-feira, 11 de março de 2015

As maiores economias do mundo conseguiram crescer mais em 2014 do que em 2013

A matéria comprova que a crise internacional exerce papel parcial no desequilíbrio dos fundamentos da economia brasileira. Ou seja, a fragilidade competitiva da economia interna é real e não permitiu a internalização de benefícios, decorrentes da recuperação em andamento das economia mais puntantes do mundo. Desta forma, não é correto transferir a responsabilidade das nossas fraquezas para o resto do mundo. Parte dos problemas foram criados pelo governo atual.

http://www.valor.com.br/internacional/3947882/vinte-maiores-economias-do-mundo-cresceram-mais-em-2014-ante-2013

sábado, 7 de março de 2015

O Ajuste Fiscal de Dilma

O tamanho do problema para o trabalhador brasileiro!

http://www.estadao.com.br/infograficos/economia,o-ajuste-fiscal-de-dilma,372254

Produtores de açúcar do Brasil atacam OMS

JAMIL CHADE - O ESTADO DE S. PAULO
05 Março 2015 | 17h 50
GENEBRA - Os produtores de cana-de-açúcar do Brasil, os maiores fornecedores do alimento no mundo, atacaram a decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de propor a governos uma redução dramática no consumo de açúcar de adultos e crianças. Para o setor, as recomendações da agência de Saúde da ONU "desviam a atenção" e "não refletem as evidências científicas disponíveis", além de gerar um impacto econômico negativo. 
Na quarta-feira, 4, a OMS revelou o resultado de mais de um ano de trabalho e que culminou com a recomendação de que, para uma melhor saúde entre a população, o açúcar não deve representar mais de 10% da energia consumida por uma pessoa por dia. No caso da América do Sul, isso representaria uma redução de 60% no consumo. 
Para promover essa redução, a OMS sugere que governos elevem impostos para bens como refrigerantes e alimentos processados, além de proibir a publicidade para crianças. Outra sugestão é de que os alimentos tragam etiquetas para deixar claro a quantidade de açúcar em cada um deles. 
O governo brasileiro indicou que vai esperar até a reunião da OMS de meados do ano para tomar uma "posição política" sobre o assunto. O Brasil é hoje o maior exportador de açúcar do mundo. 
Mas, nesta quinta-feira, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) deixou claro que não está de acordo com a posição da OMS e admite o impacto econômico da proposta. "Recomendações desta natureza não só podem impactar negativamente em um dos setores mais relevantes do ponto de vista socioeconômico para o País, como também na liberdade de escolha e necessidades individuais da população", atacou a entidade em um comunicado.
"A UNICA acredita que esta recomendação da OMS desvia o foco de atenção da sociedade no que diz respeito à promoção de hábitos saudáveis como um todo", insistiu, apontando para a necessidade de um "estilo de vida equilibrado" e que "envolve uma dieta saudável, prática de exercícios físicos, sono adequado, uma série de hábitos em conjunto e não tem uma relação exclusiva com a eliminação do açúcar ou de determinado ingrediente da alimentação". 
O setor também ataca a proposta de novos impostos. "Taxar alimentos e bebidas não contribui para a luta contra a obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis", declarou.
Científico. Para a UNICA, a posição da OMS não responde às pesquisas realizadas nos últimos anos. "O consumo de açúcar isoladamente não pode ser apontado como causa da obesidade, diabetes ou outras doenças graves", insistiu a entidade. 
Outro argumento é de que o consumo de açúcar "não causa um pico glicêmico no sangue" e apontam que "o diabetes é causado por uma combinação de fatores genéticos e hábitos de vida".
A UNICA também contesta o resultado da OMS de que a queda no consumo de açúcar levaria a uma redução de cáries. "Nos dias atuais, o risco de cárie dentária é quase inexistente com a adoção de higiene oral adequada e com o uso de flúor em cremes dentais e na água", argumentou. 
Até mesmo a relação entre a obesidade e o açúcar é questionado pela UNICA. "Os açúcares, individualmente, não provocam o aumento de peso", disse. "Não há provas consistentes de que açúcares afetam a obesidade mais do que qualquer outro macronutriente", alegou. "O aumento da obesidade é causado não só pelo acréscimo no consumo calórico, mas também pela redução da atividade física", completou.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Royalties em fevereiro na região Norte Fluminense

Conforme expectativa, as receitas de royalties de petróleo recuaram em fevereiro de 2015. Campos dos Goytacazes recebeu R$35,9 milhões, valor menor 11,6% em relação a janeiro e menor 38,1% do valor recebido em fevereiro do ano passado.
Macaé recebeu R$29,9 milhões, valor menor 9,56% em relação a janeiro e menor 31,4% em relação fevereiro de 2014.
São João da Barra recebeu R$8,2 milhões, valor menor 4,9% em relação a janeiro deste ano e menor 28,7% em relação a fevereiro de 2014.
Em relação ao montante de R$400,3 milhões distribuídos para todos os municípios do país em fevereiro, a região Norte Fluminense recebeu R$82,9 milhões, ou o equivalente a  20,71%. Em fevereiro de 2014 a mesma participação alcançou 23,08% do total pago aos municípios do país.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Visão sobre a crise de municípios da rota do petróleo

Jornal O Diario

Publicado em 04/03/2015


Alcimar das Chagas Ribeiro
Economista e D. Sc.
O quadro de instabilidade fiscal nos municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos tem raízes na crise financeira americana e seus desdobramentos na Europa, Ásia e América Latina. Realmente a economia mundial se fragilizou afetando, de sobremaneira, os fundamentos econômicos no Brasil. Alguns indicadores fundamentais ilustram bem essa situação. No ano de 2007 o saldo da Balança Comercial alcançou US$ 40,0 bilhões, despencando para US$ -3,9 bilhões em 2014. O saldo da geração de emprego formal em 2007 bateu 1,6 milhões de vagas, desacelerando para o patamar de 152,7 mil em 2014. A inflação que atingiu 4,46% em 2007 subiu para 6,41% em 2014, enquanto o resultado primário do governo central que foi superavitário em 2,77% em relação ao PIB em 2007, inverteu em 2014 para um resultado deficitário de 0,34% em relação ao PIB. 

A afirmativa inicial de que o problema instalado na região é função do quadro apresentado confirma também a situação de total dependência financeira desses municípios às transferência constitucionais. Ou seja, a autonomia financeira é muito limitada. Se a conjuntura nacional e internacional vai bem, os municípios se acomodam a situação e gastam sem critérios. Se a mesma conjuntura vai mal, a culpa é externa ao ambiente, alguém provocou? A situação não é bem assim!

As transferências e, fundamentalmente, as rendas de petróleo, são finitas e, portanto, devem ser utilizadas no fortalecimento da infraestrutura de desenvolvimento socioeconômico dos municípios. Ou seja, na preparação do município, considerando um contexto de longo prazo (saneamento, água, energia, estradas, ciência e tecnologia, saúde, educação, habitação, estratégias de indução a formação de novos negócios, sistema de informação e comunicação, qualificação local para o processo de governança institucional, etc.). O fato da não ocorrência dessas ações não isenta os governo de culpa. A acomodação dos governantes aos transferências os torna parcialmente culpados pela crise instalada em seus municípios. É essencial uma responsável execução orçamentária, onde o padrão de investimento tenha um papel consistente. Os gastos exagerados em custeio, prática comum em muitos municípios da rota do petróleo, representam uma verdadeira aberração e um desrespeito as populações.

Enfim, é necessário reconstruir alguns aspectos democráticos por essas bandas. A condição de dependência da população as força políticas precisa se inverter, ou seja, a população precisa ocupar o seu lugar de empoderamento e ditar as normas. Os políticos devem seguir as diretrizes definidas pelas sociedade e não o contrário. Entendamos esse processo!

 

terça-feira, 3 de março de 2015

Exportação de açúcar em bruto em fevereiro de 2015

As exportações de açúcar em bruto do Brasil recuaram fortemente em fevereiro. A queda na receita foi de 54,23% em relação a janeiro, o volume embarcado em tonelada caiu 53,6% e o preço caiu 1,36% no mesmo período.
Na comparação entre fevereiro de 2015 com relação a fevereiro de 2014, a queda da receita em dólar atingiu 50,18%. O volume em tonelada embarcado caiu 44,83%, enquanto o preço caiu 9,66% no mesmo período.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços de negociação de açúcar em bruto. A queda, menos acentuada do que a de minério de ferro, é também preocupante, já que os negócios com commodities são representativos para o país.

Exportação de minério de ferro em fevereiro de 2015

A receita de exportação de minério de ferro cresceu 6% em fevereiro, com relação a janeiro, o volume do embarque em toneladas cresceu 8% e o preço médio negociado caiu 2,3% no mesmo período. 
Na comparação entre fevereiro deste ano, com relação a fevereiro de 2014, observa-se uma queda de 42,15% na receita em dólar, crescimento 11,63% no volume embarcado e queda de 48,19% no preço médio. O gráfico apresenta a trajetória dos preços de minério de ferro nos anos de 2012, 2013, 2014 e 2015. Conforme pode ser observado, o ano de 2014 foi bastante complicado para os negócios com minério e 2015 deve piorar ainda mais.

Exportações por blocos econômicos em jan-fev de 2015

As exportações brasileiras por blocos econômicos seguem um problemático processo de deterioração. O bimestre jan-fev de 2015 registrou queda, em relação ao mesmo bimestre de 2014, para todos os blocos econômicos. Para a Europa Oriental a queda foi de 45,15%; para a África 27,91%; para a Ásia 27,63%; e para a América Latina 21,48%. 
O gráfico apresenta os percentuais de exportação por blocos econômicos no primeiro bimestre do ano. A liderança continua com a Ásia com 28% de participação, apesar do recuo dos 31% do mesmo bimestre de 2014. A America Latina apresentou uma participação de 21%, seguida pela União Européia com 20% e Estados Unidos com 15% de participação. Os outros blocos tem participação inferior a 10%.

Uma visão sobre a crise orçamentária dos municípios da rota do petróleo

O quadro de instabilidade fiscal nos municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos tem raízes na crise financeira americana e seus desdobramentos na Europa, Ásia e América Latina. Realmente a economia mundial se fragilizou afetando, de sobremaneira, os fundamentos econômicos no Brasil. Alguns indicadores fundamentais ilustram bem essa situação. No ano de 2007 o saldo da Balança Comercial alcançou US$ 40,0 bilhões, despencando para US$ -3,9 bilhões em 2014. O saldo da geração de emprego formal em 2007 bateu 1,6 milhões de vagas, desacelerando para o patamar de 152,7 mil em 2014. A inflação que atingiu 4,46% em 2007 subiu para 6,41% em 2014, enquanto o resultado primário do governo central que foi superavitário em  2,77% em relação ao PIB em 2007, inverteu em 2014 para um resultado deficitário de 0,34% em relação ao PIB.

A afirmativa inicial de que o problema instalado na região é função do quadro apresentado confirma também a situação de total dependência financeira desses municípios às transferência constitucionais. Ou seja, a autonomia financeira é muito limitada. Se a conjuntura nacional  e internacional vai bem, os municípios se acomodam a situação e gastam sem critérios. Se a mesma conjuntura vai mal, a culpa é externa ao ambiente, alguém provocou? A situação não é bem assim!

As transferências e, fundamentalmente, as rendas de petróleo, são finitas e, portanto, devem ser utilizadas no fortalecimento da infraestrutura de desenvolvimento socioeconômico dos municípios. Ou seja, na preparação do município, considerando um contexto de longo prazo (saneamento, água, energia, estradas, ciência e tecnologia, saúde, educação, habitação, estratégias de indução a formação de novos negócios, sistema de informação e comunicação, qualificação local para o processo de governança institucional, etc.). O fato da não ocorrência dessas ações não isenta os governo de culpa. A acomodação dos governantes aos transferências os torna parcialmente culpados pela crise instalada em seus municípios. É essencial uma responsável execução orçamentária, onde o padrão de investimento tenha um papel consistente. Os gastos exagerados em custeio, prática comum em muitos municípios da rota do petróleo, representam uma verdadeira aberração e um desrespeito as populações.


Enfim, é necessário reconstruir alguns aspectos democráticos por essas bandas. A condição de dependência da população as força políticas precisa se inverter, ou seja, a população precisa ocupar o seu lugar de empoderamento e ditar as normas. Os políticos devem seguir as diretrizes definidas pelas sociedade e não o contrário. Entendamos esse processo!