O emprego nas regiões Norte e Noroeste Fluminense em 2014

Olhando para a trajetória do emprego formal nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, somos levados a refletir sobre os reais reflexos dos grandes investimentos exógenos nas economias interioranas. Vejam que as regiões apresentam características bem diferentes. Enquanto a região Norte Fluminense é produtora de petróleo e sede de um dos maiores projetos de infraestrutura portuária do país, o complexo portuário do Açu, a região Noroeste concentra as sua atividades no setor agropecuário, pequenas indústrias e serviços correlatos. 
Estudos da Firjan, sobre expectativas de investimento para o período 2012 - 2014, indicam R$ 26,0 bilhões para a região Norte e R$ 0,8 bilhão para a região Noroeste, ou seja, a região Norte tem uma expectativa de investimento 32,5 vezes maior do que a região Noroeste Fluminense no período analisado. 
Outro aspecto importante diz respeito ao tamanho do orçamento público. O fato da região Norte ser produtora de petróleo, lhe garante transferências substanciais de royalties de petróleo e participações especiais da ANP, o que não ocorre com a região Noroeste fluminense que, como área limítrofe, apresenta fortes dificuldades orçamentárias.
Considerando esses aspectos, podemos reafirmar que os grandes investimentos exógenos, especialmente, baseados em recursos naturais, a exemplo da região Norte Fluminense, tem pouca eficácia em relação a geração de empregos. Avaliando a trajetória do emprego nas regiões selecionados em 2014, vemos que a região Norte gerou 5.498 empregos, com benefício das contratações para atividade sazonal do setor sucroalcooleiro em Campos dos Goytacazes, que gerou 3.746 empregos, ou 68% do total. Isso quer dizer para o final do ano devemos esperar mais demissões do que admissões. 
A região Noroeste gerou 1.222 empregos, com Itaperuna e Itaocara concentrando 683 empregos ou 59% do total. Importante observar que os empregos estão relacionados com as atividades locais, cujos esforços são endógenos.
Esses indicadores fortalecem a nossa tese sobre a necessidade de elaborar projetos baseados em recursos locais, sob a égide de uma coordenação institucional. 
Assim, podemos concluir que os grandes investimentos exógenos não vão alterar o quadro socioeconômico regional.
  
  

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