sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Setor público consolidado tem déficit primário de R$ 25,491 bi no mês




BRASÍLIA  -  
(Atualizada às 11h40) O setor público não financeiro registrou, em setembro, déficit de R$ 25,491 bilhões em suas contas primárias. Em agosto, o déficit foi de R$ 14,460 bilhões. Com isso, o setor público tem déficit pelo quinto mês seguido, algo inédito na série do BC.

Os números foram divulgados, há pouco, pelo Banco Central (BC), e referem-se ao desempenho fiscal de União, Estados, municípios e empresas sob controle dos respectivos governos, excluídos bancos estatais, Petrobras e Eletrobras. Em setembro do ano passado, fora registrado déficit primário de R$ 9,048 milhões. 
De janeiro a setembro, o país passou a registrar um déficit primário de R$ 15,286 bilhões - o primeiro para o acumulado do ano registrado na série histórica. Até agosto, havia saldo positivo nas contas primárias do setor público.
Medido em 12 meses, o superávit primário caiu de R$ 47,498 bilhões em agosto, para R$ 31,055 bilhões em setembro de 2014. Medido em proporção do PIB o esforço fiscal passou de 0,94% para 0,61% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo BC, pior resultado da série histórica iniciada em 2002.
Para este ano, o governo se comprometeu a entregar um superávit primário de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do PIB. São R$ 80,8 bilhões do governo central (União, Previdência e BC), ou 1,55% do PIB, e outros 18,2 bilhões de Estados e municípios, o que equivale a 0,35% do PIB. 
Para essa conta fechar o governo tem de economizar R$ 114,3 bilhões no último trimestre do ano, ou o equivalente a R$ 38,1 bilhões por mês, algo nunca registrado.
Antes do BC, o Tesouro Nacional informou que o governo central, que reúne as contas do próprio Tesouro, Previdência Social e Banco Central, registrou déficit primário de R$ 20,399 bilhões em setembro deste ano. Em comparação, o nono mês de 2013 teve déficit primário de R$ 10,428 bilhões. É o quinto déficit consecutivo e o pior resultado para todos os meses desde o início da série histórica, que começa em janeiro de 2007.
Déficit nominal
No conceito nominal de resultado fiscal, que inclui os gastos com juros, houve déficit de R$ 69,376 bilhões em setembro - o triplo do resultado negativo visto no mesmo mês do ano passado, de R$ 22,896 bilhões. A conta de juros alcançou R$ 43,885 bilhões no mês passado, contra R$ 17,016 bilhões em agosto e R$ 13,848 bilhões em setembro do ano passado.
No acumulado dos 12 meses terminados em setembro de 2014, quando o valor líquido pago em  juros atingiu R$ 280,793 bilhões, houve déficit nominal de R$ 249,738 bilhões, o que representa 4,92% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo Banco Central para o período. Esse é o maior déficit em 12 meses desde dezembro de 2003 (5,24%). A situação piorou em relação ao período de 12 meses terminados em agosto de 2014, quando o déficit nominal foi de 4,03% do PIB. 
No acumulado do ano, o pagamento de juros soma R$ 209,143 bilhões (5,53% do PIB) e o déficit nominal é de R$ 224,429 bilhões (5,94% do PIB). Em igual período do ano passado, a conta de juros somava R$ 177,206 bilhões (4,87%) e o déficit nominal era de R$ 132,241 bilhões (3,7% do PIB).
Dívida líquida 
A dívida líquida do setor público não financeiro avançou em termos nominais em setembro. O saldo passou de R$ 1,812 trilhão em agosto para R$ 1,822 trilhão no mês passado. Em relação ao Produto Interno Bruto estimado pelo Banco Central (BC), a dívida líquida permaneceu em 35,9%. No entanto, o BC projetava queda para 35%.
No ano, a relação entre dívida líquida e PIB sobe 2,4 pontos percentuais, resultado da apropriação de juros e valorização cambial, que foram apenas parcialmente amortecidos pelo crescimento do PIB.
(Eduardo Campos e Lucas Marchesini | Valor)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Primeiro embarque de minério no porto do Açu

Anglo American realiza primeiro embarque de minério 

de ferro do Projeto Minas-Rio

A Anglo American anuncia o primeiro embarque de minério de ferro do Projeto Minas-Rio, dentro do prazo e do orçamento previamente informados.
A Anglo American anuncia o primeiro embarque de minério de ferro do Projeto Minas-Rio, dentro do prazo e do orçamento previamente informados. O primeiro navio com mais de 80 mil toneladas de minério de ferro para o mercado de pellet feed foi carregado no terminal dedicado de exportação de minério de ferro no Porto do Açu, Rio de Janeiro, no dia 25 de outubro, e a embarcação está atualmente a caminho da China.
Mark Cutifani, presidente global do Grupo Anglo American, disse: “A realização do primeiro embarque de minério de ferro do Projeto Minas-Rio é uma grande vitória do nosso time e um dos três principais compromissos com nossos acionistas este ano. O Minas-Rio é um depósito mineral excepcional em termos de escala e qualidade, o que nos permitirá disponibilizar pellet feed da mais alta qualidade no mercado para nossos clientes no Oriente Médio e Ásia, proporcionando-nos uma clara vantagem competitiva. Apesar do cenário desfavorável de preços que vivemos no momento, a característica integrada do Sistema Minas-Rio, da mina ao porto, nos garante custos operacionais atrativos e nos permitirá manter uma posição competitiva a longo prazo.”
Paulo Castellari, presidente da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil da Anglo American, acrescentou: “Estamos muito contentes com a realização do primeiro embarque do Projeto Minas-Rio e essa é uma prova do grande esforço e dedicação de todo o time, incluindo nossas empresas contratadas, fornecedores, parceiros e o apoio das autoridades reguladoras e do governo no Brasil ao longo dos anos. Nosso foco daqui em diante é alcançarmos nossa capacidade de produção anual de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro nos próximos 18-20 meses, e na manutenção de licenças e de autorizações necessárias à medida que avançamos na nossa operação.”
Sobre o Projeto Minas-Rio
Um dos principais empreendimentos globais da Anglo American, o Minas-Rio atingirá uma capacidade anual de produção de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro. O projeto inclui uma mina de minério de ferro e unidade de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, em Minas Gerais; o maior mineroduto do mundo, com 529 km de extensão e que atravessa 32 municípios mineiros e fluminenses; e o terminal de minério de ferro do Porto de Açu, no qual a Anglo American é parceira da Prumo Logística com 50% de participação, localizado em São João da Barra (RJ).
Sobre a Anglo American
A Anglo American plc. é uma das maiores companhias de mineração do mundo, com sede no Reino Unido e ações negociadas nas bolsas de Londres e Joanesburgo. Seu portfólio de negócios atende às diferentes necessidades dos clientes e abrange commodities de alto volume – minério de ferro e manganês; carvão metalúrgico e carvão mineral; metais básicos e minerais – cobre, níquel, nióbio e fosfatos; e metais e minerais preciosos – nos quais é líder global em platina e em diamantes.
A Anglo American é comprometida com a realização de um trabalho alinhado aos seus stakeholders - investidores, clientes, parceiros e empregados - para criar valor sustentável que faz a diferença, respeitando os mais altos padrões de segurança e responsabilidade em todos os seus negócios e localidades. As operações de mineração, projetos de expansão e atividades de exploração da empresa estão presentes no sul da África, América do Sul, Austrália, América do Norte, Ásia e Europa.
A empresa atua no Brasil desde 1973 e hoje está presente no País com quatro produtos: minério de ferro, com o Minas-Rio, o maior projeto de exploração de minério de ferro em desenvolvimento no mundo; níquel, com operações nos municípios de Barro Alto e Niquelândia, em Goiás; fosfato, com as operações nos municípios de Ouvidor (GO), Catalão (GO) e Cubatão (SP), e nióbio, presente nos municípios de Catalão e Ouvidor, em Goiás.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Depois das comemorações, a triste realidade!

Passado o momento do marketing político, onde os discursos costumam ser fantasiosos e descompromissados com a realidade, descemos ao mundo real. Nesse mundo não existe espaço para fantasias, os problemas são reais e são sentidos por todos os mortais. Não tem como ignorá-los, sob pena da população ter que pagar com juros, a conta que costuma ser muito salgada.

Aliás, a prática de esconder problemas foi observada nesse governo. A proximidade da eleição gerou preocupação em relação aos indicadores não exitosos, alimentando estratégias perversas ao sistema econômico. O caso da gestão artificial do preço da gasolina, para combater a inflação, gerou graves problemas financeiros à Petrobrás e impôs forte quebradeira ao setor sucroalcooleiro, que viu o etanol perder competitividade, dado o rebaixamento do preço da gasolina. No caso da energia elétrica, a redução artificial do preço para os consumidores criou problemas de caixa para as empresas de distribuição e inibiu o investimento no setor. Recursos públicos entraram em ação para evitar maiores problemas.


Importante observar que a inflação não se abateu frente as medidas tomadas, já que outros fatores que a alimentam foram ignorados. O caso da ampliação da demanda, por conta dos programas sociais, sem a respectiva ampliação da oferta, se caracterizou num grave problema. A inflação continuou numa trajetória ascendente neste ano. Veja a trajetória da inflação no gráfico.
Se a inflação está em alta, o emprego desacelera fortemente. No período de janeiro a setembro deste ano foram gerados 730.123 empregos no país, contra 1.037.752 empregos no mesmo período do ano passado, ou seja, uma redução de  29,4% em 2014.

Para piorar a situação, as contas do balanço de pagamentos não fecham. O saldo de transações correntes foi deficitário em US$ 54,8 bilhões no período de janeiro a agosto. No campo comercial, a diferença entre exportações e importações também é crítica. O saldo acumulado no período de janeiro a setembro  foi deficitário em US$ 0,7 bilhão.

Concretamente, não resta dúvidas de que as estratégias baseadas no incentivo à demanda, tais como: desoneração de impostos, subsídios, flexibilização de encargos sociais e  transferência de renda, não apresentaram os impactos esperados. O saldo em transações correntes é deficitário, a inflação é ascendente, o crescimento do Produto Interno Bruto - PIB é quase nulo, o saldo da balança comercial é deficitário, o emprego está desacelerando, o investimento é baixo e existe uma real crise de confiança. Quer dizer, no curto prazo a situação é dramática.

sábado, 25 de outubro de 2014

O emprego nas regiões Norte e Noroeste Fluminense em 2014

Olhando para a trajetória do emprego formal nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, somos levados a refletir sobre os reais reflexos dos grandes investimentos exógenos nas economias interioranas. Vejam que as regiões apresentam características bem diferentes. Enquanto a região Norte Fluminense é produtora de petróleo e sede de um dos maiores projetos de infraestrutura portuária do país, o complexo portuário do Açu, a região Noroeste concentra as sua atividades no setor agropecuário, pequenas indústrias e serviços correlatos. 
Estudos da Firjan, sobre expectativas de investimento para o período 2012 - 2014, indicam R$ 26,0 bilhões para a região Norte e R$ 0,8 bilhão para a região Noroeste, ou seja, a região Norte tem uma expectativa de investimento 32,5 vezes maior do que a região Noroeste Fluminense no período analisado. 
Outro aspecto importante diz respeito ao tamanho do orçamento público. O fato da região Norte ser produtora de petróleo, lhe garante transferências substanciais de royalties de petróleo e participações especiais da ANP, o que não ocorre com a região Noroeste fluminense que, como área limítrofe, apresenta fortes dificuldades orçamentárias.
Considerando esses aspectos, podemos reafirmar que os grandes investimentos exógenos, especialmente, baseados em recursos naturais, a exemplo da região Norte Fluminense, tem pouca eficácia em relação a geração de empregos. Avaliando a trajetória do emprego nas regiões selecionados em 2014, vemos que a região Norte gerou 5.498 empregos, com benefício das contratações para atividade sazonal do setor sucroalcooleiro em Campos dos Goytacazes, que gerou 3.746 empregos, ou 68% do total. Isso quer dizer para o final do ano devemos esperar mais demissões do que admissões. 
A região Noroeste gerou 1.222 empregos, com Itaperuna e Itaocara concentrando 683 empregos ou 59% do total. Importante observar que os empregos estão relacionados com as atividades locais, cujos esforços são endógenos.
Esses indicadores fortalecem a nossa tese sobre a necessidade de elaborar projetos baseados em recursos locais, sob a égide de uma coordenação institucional. 
Assim, podemos concluir que os grandes investimentos exógenos não vão alterar o quadro socioeconômico regional.
  
  

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A deterioração da economia brasileira no governo Dilma

A campanha da candidata Dilma Rousseff desinforma a população quando compara os indicadores econômicos do governo PT com o governo do PSDB. Não é possível fazer essa comparação sem levar em consideração a conjuntura em cada momento. A análise do governo PSDB (1995-2002), exige um retorno á história, resgatando a conjuntura da década de oitenta. Para os analistas,  uma década perdida, onde a hiperinflação e os juros na estratosfera desorganizou, substancialmente, a economia do país. Diversos planos tentaram, sem êxito, eliminar a inflação que à época empobrecia a população e inviabilizava a produção. O país convivia com altas taxas de desemprego, baixo padrão de renda do trabalho e um forte aprofundamento da pobreza.

A luta contra a hiperinflação entrou pela década de noventa, gerando a renúncia do presidente Collor de Mello em 1992, quando assumiu o presidente Itamar Franco, no final do mesmo ano. Nomeado ministro da fazenda, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso passou a comandar uma tropa de excelentes economistas, dentre eles, André Lara Resende e Pérsio Arida, conseguindo, finalmente, estabilizar a economia com o Plano Real em 1994. Com alta popularidade pelo feito, Fernando Henrique foi eleito presidente e governou o país por dois mandatos. Nos dois mandatos seguinte, Lula pôde conduzir um país estruturado e sem as mazelas tão profundas do período anterior. Tanto é verdadeira essa afirmativa que o próprio Lula tratou de manter as bases da estabilização econômica criadas pelo governo do PSDB, mesmo sendo censurado em alguns momentos por seus pares.

Se a comparação entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula não é tão simples, em função das diferentes conjunturas, a comparação do último mandato de Lula com o mandato da Dilma é possível e aconselhável, de forma a constatar como o país se fragilizou nestes últimos quatro anos.


Olhando a evolução do PIB (riqueza gerada pelo país); do comércio exterior (inserção externa do país); da formação bruta do capital fixo (investimento agregado) e a escalada da Inflação (corrosão do poder de compra da população), não ficam dúvidas sobre o processo de decadência econômica do país no governo Dilma, nesses quatro anos.










Observe que no período 2007-2010, Lula governava o país, quando explodiu a crise financeira nos Estados Unidos, no final de 2008. Neste ano o PIB cresceu 5,2% contra 6,1% no ano anterior. A crise afetou fortemente o país, gerando uma queda de 0,3% em 2009, apesar do governo considera-la como uma marolinha. De fato, pode-se verificar uma forte recuperação do PIB, que cresceu a taxa de 7,5% em 2010, último ano de Lula.

No período seguinte, sob o comando da presidenta Dilma, claramente, o quadro é desalentador. Já em 2011 observa-se uma forte desaceleração do PIB, com o crescimento de 2,7%. Em 2012, ocorreu uma nova desaceleração com crescimento de 1%, seguido por uma pequena recuperação, onde foi contabilizado um crescimento de 2,3% em 2013, voltando a desacelerar mais fortemente em 2014, onde o crescimento no período de janeiro a junho bateu 0,5%.










Um segundo indicador de tamanha importância é o comércio exterior. No gráfico observa-se uma trajetória de forte queda do saldo da balança comercial (exportação menos importação). No governo Lula, apesar da desaceleração, o país acumulou um saldo de U$$ 110,3 bilhões, enquanto no período seguindo da presidente Dilma, o saldo acumulado foi de US$ 52,5 bilhões, ou seja, queda de  52,4% em relação imediatamente anterior.










O gráfico apresenta as taxas de investimento para os dois períodos. Observe que no período Lula (2007-2010), a média de investimento no país atingiu 18,5%, mesmo com o advento da crise americana, enquanto no governo Dilma (2011-2014 até setembro), a média chegou 18,1%, porém a tendência de desaceleração é evidente.










A inflação média anual no governo Lula atingiu 5,15%, enquanto no governo Dilma a taxa atingiu 5,71%, faltando considerar o último trimestre do ano. A expectativa é de que a inflação deste ano passe o teto da meta que é de 6,5%, com forte risco da indexação de preços, que alimenta a espiral inflacionária.

Importante observar que esse processo de deterioração econômica, ocorre em um ambiente de diversos incentivos a atividade industrial, com a eliminação e redução da tributação, políticas de transferência de renda e flexibilização de encargos sociais sobre folha de pagamento.

Conclusivamente, pode-se afirmar que está instalado na economia brasileira um quadro de resultados que são muito contraditórios, ou seja, ocorrem incentivos diversos ao setor produtivo, mas o crescimento da riqueza é pífia. Por outro lado, o aumento das taxas de juros e mecanismos similares não freiam a escala inflacionária. Como resultado, a receita orçamentária do governo se fragiliza e o equilíbrio da balança de pagamentos fica comprometido, além do comprometimento do futuro do próprio país. Esses argumentos justificam a busca de alternativas!

domingo, 19 de outubro de 2014

Ataques à História

Excelente análise de Miriam Leitão

O Globo
Deveria ser a safra dos debates profundos sobre o país, sobre suas dificuldades reais e a procura de solução para os inúmeros problemas que já existem e os que podem ser previstos. Mas os marqueteiros vestem a realidade com frases de fantasia, confortáveis para os candidatos, e afiam armas. Alguns fatos são deturpados e a história recente é reescrita até ficar irreconhecível.
É óbvio que foi o ex-presidente Fernando Henrique quem venceu a hiperinflação. Foi ele quem levou para o governo Itamar Franco os economistas com a tecnologia e a destreza para montar um plano que atendia a dois pedidos dos cidadãos: ser feito às claras, sem sustos e perdas, e matar o dragão que sobrevivera a cinco planos e devorava as finanças das famílias. Foi FH quem superou os desafios para consolidar o real e começou a reorganizar o estado. Acusar aquele governo de inflação alta é desonestidade.
Na distopia de George Orwell, 1984, os poderosos reescrevem a história. Quem viu a longa luta do Brasil para ter uma moeda estável sabe quem liderou a vitória sobre a inflação e lembra dos benefícios dessa conquista para as pessoas.
As ideias do PT sobre o combate à inflação eram toscas e perigosas. Seus economistas defenderam teses que nunca deram nem dariam certo; ou, o que é pior, um plebiscito sobre pagar ou não a dívida interna. Não pagá-la seria tomar o dinheiro de quem investiu em títulos públicos, como fez o ex-presidente Collor. O plebiscito e uma auditoria nas aplicações dos brasileiros foram defendidos pelo PT dois anos antes de assumir o poder. Se aplicasse o programa em 2003 teria destruído o real. Cotejar números descarnados dos fatos é um desrespeito à memória do país.
O PT não faria a estabilização e hoje a ameaça. Não são “choques de preços” que explicam a inflação estar acima do teto da meta. Inesperados sempre ocorrem e é por isso que existe a margem de flutuação. O governo atual aceitou uma inflação mais alta. A taxa passou o mandato inteiro arranhando ou furando o teto, porque perdeu o espaço para acomodar os choques. O PT deve a Antonio Palocci e à ajuda de Arminio Fraga ter vencido as naturais desconfianças sobre a capacidade do partido de conduzir a economia. Arminio socorreu o país em dois momentos-chave: ao assumir o Banco Central no meio da crise cambial, em 1999, e na transição política, em 2002. Ninguém é obrigado a gostar dele, mas esses são os fatos.
Da mesma forma que o PSDB tem o mérito de ter atendido a demanda do país por uma moeda estável; o PT tem o mérito de ter atendido a demanda do país por redução da pobreza e da miséria, e por ter ampliado os programas de renda mínima. Quem começou a defendê-los como política pública foi o senador Eduardo Suplicy. Repórteres iam ouvi-lo sobre qualquer assunto, e tinham uma aula sobre as políticas de transferência de renda.
Estudos foram feitos por especialistas em combate à pobreza. A política foi testada em municípios dirigidos por partidos diferentes: Campinas, PSDB; Brasília, PT; Belo Horizonte, PSB. Quando chegou ao governo federal, o valor da bolsa era pequeno. Mas aquela experiência trouxe dois avanços: iniciou a montagem de um cadastro dos beneficiários e vinculou o benefício à presença na escola. Outra preocupação do governo FH é que a bolsa não fosse vista como uma concessão partidária, mas um direito do cidadão.
A ideia inicial do PT, o Fome Zero, seria um retrocesso: era entregar selos para serem trocados por comidas, como os “food stamps", política testada nos Estados Unidos na Depressão e que virou programa social a partir dos anos 1960. O Fome Zero não saiu do papel, o governo corrigiu a rota e criou o Bolsa Família. A presidente Dilma colocou os focos nos mais pobres e o governo dedicou-se à busca ativa, que é procurar os que mais precisam. Prisioneiros das armadilhas do Brasil profundo, eles não tinham sequer noção dos seus direitos. A estabilização e a redução da pobreza são conquistas do país que nenhum governo deve ameaçar.
O combate à corrupção é uma demanda do Brasil e a presidente Dilma a enfraquece quando bate no peito e diz “a minha Polícia Federal”. Lembra muito a frase: “o Estado sou eu”.  

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Eike se livra da dívida de R$ 13,8 bilhões da OGX e deixa empresa

RAQUEL LANDIM
DE SÃO PAULO

Quase um ano depois de pedir a recuperação judicial da OGX, Eike Batista conseguiu se livrar da dívida de R$ 13,8 bilhões da petroleira.
Os acionistas da empresa aprovaram na quinta-feira em assembleia a troca da dívida por ações.
O ex-bilionário deixa oficialmente de ser o controladora e os credores passam a deter 71,4% da companhia.
A OGX entrou em colapso em meados do ano passado, depois que admitiu que suas reservas de petróleo estavam superestimadas. O desastre da petroleira arrastou todo o grupo X.
Eike e seus ex-diretores estão sendo processados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pelo Ministério Público por "insider trading" –negociar ações com informações privilegiadas. Eles negam as acusações.
Com a conversão da dívida, a reestruturação da OGX, comandada pela Angra Partners, chega ao final. O juiz deve aprovar em breve a saída da recuperação judicial.
"Os credores e o judiciário carioca colaboraram muito para garantir o futuro da empresa", diz Márcio Logo, do escritório Sergio Bermudes, que representa Eike.
A OGX deve voltar em breve a ter ações negociadas na bolsa. A companhia vai emitir mais de 86 milhões de novas ações a R$ 160 cada e distribuir aos credores.
MINORITÁRIO
Eike se tornou o minoritário na empresa que já foi a estrela do seu império. Ele, que era dono de metade da companhia, hoje detém 19% de participação –14% diretamente e outros 5% por meio da empresa naval OSX.
Os demais minoritários da antiga OGX viram seu patrimônio derreter e também terão apenas 14% da empresa.
No segundo trimestre de 2015, Eike será diluído novamente e ficará com apenas 9% da OGX.
A empresa recebeu um empréstimo de US$ 215 milhões dos credores, que também será convertido em capital.

A leitura do The Economist sobre a economia brasileira

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,the-economist-por-que-o-brasil-precisa-mudar,1578351

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Açu muda a vida no norte do estado

Jornal O Dia

Chegada do porto provoca explosão dos aluguéis e movimenta a economia de São João da Barra

EDUARDO OLIVEIRA
Rio - O Porto do Açu não trouxe apenas polêmicas ambientais, como a que O DIA mostrou ontem, com o avanço do mar sobre a área costeira, que já atingiu ruas próximas à praia. A chegada do megaempreendimento de Eike Batista, hoje nas mãos da Prumo Logística, gerou mais emprego e desenvolvimento em São João da Barra, no Norte Fluminense, mas, em contrapartida, também fortes impactos sócio-econômicos.
GALERIA: Veja fotos do Porto do Açu, em São João da Barra

O custo de vida na pequena cidade de pouco mais de 32 mil habitantes subiu, elevando, principalmente, o preço dos aluguéis. “Terrenos que custavam R$ 2 mil hoje em dia valem de R$ 40 mil a R$ 50 mil”, avalia o prefeito José Amaro de Souza, o Neco (PMDB).
No entanto, ele prefere ver essa valorização por outro aspecto. “Os moradores podem ganhar mais dinheiro com os aluguéis dos imóveis. Além disso, a especulação imobiliária ajudou os habitantes daqui”, ressaltou. José Valnei, de 57 anos, dono do Quiosque do Bigode, que fica no polo gastronômico do distrito de Grussaí, confirma. “Conheço vários moradores que alugavam seus imóveis por R$ 4 mil no verão inteiro e agora cobram o mesmo valor por apenas um mês.” 

De olho na chegada de trabalhadores, Mayra Alaluna, que veio da cidade de Carmo, vai expandir sua pousada
Foto:  Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Os valores são inflados pela procura de empresas que alugam imóveis para trabalhadores do porto. É o caso da mineira Mavind Indústria Mecânica Ltda. O técnico mecânico Sidnei Alves, 35, está com mais cinco pessoas em uma residência, em Grussaí. “Moro em Belo Horizonte e desde março estou na cidade. Vou ficar mais um mês e meio aqui”, disse. Já seu colega de trabalho, Antônio Eustáquio, 66, está hospedado no Hotel do Sesc. “Os 90 empregados da Mavind estão em casas alugadas ou no Sesc. Nossa empresa fez essa escolha”, comentou. 
O economista e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Alcimar Chagas, diz que a criação do porto não trouxe as benesses que poderiam gerar. “A geração de riqueza oriunda do ciclo portuário não garante a inserção da população nesse contexto. Em uma região pobre, que recebe muita gente rica e importante, os preços sobem. Aí, começa um processo de favelização e violência”, alertou.
O pescador Fábio Ricardo, 37, reclama da restrição da área para a pesca, após a construção do porto. “Não posso mais pescar no Açu porque os navios passam e cortam as nossas redes. Perdi umas 32. Tive mais de R$ 15 mil de prejuízo. Agora só posso pescar em Atafona, mas, por causa do porto, o rio desceu mais de dois metros”, lamentou.
Investimentos na hotelaria
Sem nenhum hotel na cidade, a opção são as pequenas pousadas. De olho no movimento de trabalhadores vindos de fora da região e nos benefícios que a criação do porto poderia gerar, Mayra Alaluna, 24, saiu há dois anos, junto com seu marido, Hafiz Sayegh, 28, da cidade de Carmo, no Centro-Fluminense, para montar sua pousada. “Compramos uma casa de quatro quartos e transformamos em seis suítes. Mas é pouca coisa. Muitos trabalhadores queriam vir para cá, mas não tínhamos mais espaço. Agora, estamos reformando para aumentar para 10”, explicou.
O espanhol Henrique Neto, 50, trabalha na empresa de logística Fomento de Construcciones Y Contratas (FCC) que está instalada no Porto do Açu. Morador da região da Galícia, ele se hospeda 90 dias na Pousada Mediterrâneo, em Atafona, e volta para sua cidade natal, onde fica um mês. “Trabalho há um ano aqui e estou maravilhado. Sou marinheiro, já viajei pelo mundo todo e aqui é muito belo. Estou gostando muito e espero continuar mais uns dois anos.”
Zona industrial atrai 10 empresas
Para receber novos empreendimentos, especialmente os ligados aos setores de petróleo e logística, o município criou a Zona Industrial do Porto do Açu (Zipa). Com 1.924 hectares — correspondente a quase dois mil campos de futebol —, a área está recebendo 10 empresas.
Para atrair os investimentos, o município usa como base de cálculo para os impostos a alíquota mínima. De acordo com o secretário de Fazenda Edson Claudio Machado, o IPTU é calculado em 0,5% e o ISS, 2%. “Ainda estamos estudando o que isso vai causar nos cofres da prefeitura, já que a nossa fonte de renda principal é o ISS”, disse o secretário de Planejamento Sidney dos Santos.

Emprego formal em setembro na região Norte Fluminense

O emprego em setembro avançou em relação a agosto no país. Foi gerado um saldo de 123.785 empregos contra 101.425 em agosto. No período de janeiro a setembro, foram gerados 730.124 empregos contra 1.037.752 no mesmo período de 2013.
No estado do Rio de janeiro, o saldo em setembro registrou 12.686 empregos, contra 10.962 empregos em agosto. Já no período de janeiro a setembro deste ano, foram gerados 41.792 empregos contra 51.809 empregos no mesmo período de 2013. Conforme pode ser verificado a desaceleração no emprego é forte no país e no estado.
A região Norte Fluminense também apresentou desaceleração. Em setembro foi gerado apenas uma vaga de emprego contra 706 vagas em agosto, já no período de janeiro a setembro foram gerados 6.495 novas vagas de emprego, contra 8.623 vagas no mesmo período de 2013.
Campos lidera na região este ano com 3.746 novas vagas, sendo 21,73% na construção civil, 21,09% no setor de serviços, 6,86% no setor de industria de transformação. O emprego no comércio é negativo com 86 vagas eliminadas.
Macaé gerou 1.584 novas vagas no período, sendo 75,06% no setor de construção civil, 43,31% em serviços e 18,05% no setor de indústria de transformação. O setor extrativa mineral eliminou 554 vagas e o comércio eliminou 83 vagas no período. 
Já São João da Barra, gerou 346 vagas no período janeiro a setembro, sendo 78,32% na indústria de transformação, 17,05% na construção civil e 15,32% no setor de serviços. Os setores de comércio e agropecuário eliminaram vagas de emprego no período.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Premio Nobel para Regulação de Mercados

O economista francês Jean Tirole, vencedor do Nobel de Economia 2014 - REMY GABALDA / AFP


JORNAL O GLOBO

ESTOCOLMO - O economista Jean Tirole venceu o Prêmio Nobel de Economia, informou nesta segunda-feira a Academia Sueca de Ciências. Primeiro francês a ser laureado na categoria desde 1988, Tirole se destacou por seu trabalho na área de regulação de mercados: suas teorias ajudam governos a controlar melhor as grandes empresas, principalmente em setores onde o monopólio ocorre mais naturalmente. O laureado tem 61 anos e leciona na universidade de Tolouse, na França.

Segundo a Academia, Jean Tirole é “um dos mais influentes economistas do nosso tempo”. A entidade destaca que é comum que alguns setores sejam dominados por poucas empresas, o que costuma gerar efeitos “socialmente indesejáveis”, como preços altos demais, que não sejam baseados nos custos do produto.
“Desde os anos 1980, Jean Tirole tem dado fôlego novo à pesquisa desse tipo de falhas do mercado. A sua análise de empresas com poder no mercado une teoria a questões de políticas, como como os governos deveriam lidar com os cartéis, e como eles deveriam regular monopólios”, disse a Academia, em comunicado.

TEORIA PARA DOMAR AS GIGANTES
  • O trabalho de Tirole é aplicado a setores onde ocorre o que os economistas chamam de monopólio natural, como infraestrutura e telecomunicações. Esses mercados tendem a não ter uma concorrência em segmentos com muitas companhias, onde a relação entre oferta e demanda consegue, teoricamente, dar conta de manter o preço baixo e a qualidade em alta.
Boa parte da produção do economista se dedica, portanto, a estabelecer os parâmetros para regular mercados naturalmente com poucos companhias, sem prejudicar a economia. Uma das conclusões é que cada setor tem uma dinâmica própria.
Segundo Edmar de Almeida, professor do Instituto de Economia da UFRJ, o pensamento de Tirole influenciou, por exemplo, o movimento de regulação do setor elétrico e de telecomunicações no Brasil, nos anos 1990.

— Certamente o trabalho do Tirole influenciou toda a leva de reformas no Brasil. Contribuiu para a teoria de regulação, amplamente utilizada na década de 1990. Por exemplo, tarifas que eram definidas simplesmente pelo custo do serviço passaram a ser definidas por teto de preço. São mecanismos tarifários como esse que tentam emular as situações de mercado — explica o especialista.

A coordenadora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da FGV, Joisa Campanher Dutra, explicou que Tirole fez contribuições valiosas, ao lado de Jean-Jacques Laffont (morto em 2004), para analisar o conjunto de conflitos para o regulador quando há poucas ou apenas uma empresa atuando em determinado setor. São situações em que há assimetria de informações, ou seja, a empresa que presta o serviço detém mais informações que o regulador. Isso ocorre, por exemplo, em setores como energia, telecomunicações, saneamento, fornecimento de gás, entre outros.

— Tirole contribuiu, por exemplo, com a ideia de que é possível oferecer diferentes opções, cardápios e menus de contratos para gerar os incentivos corretos. Ele tem a avaliação de que é preciso avaliar os diferentes setores e diferentes regiões, que podem apresentar diferentes dilemas. Não há uma solução única — apontou Joisa.

Coordenadora de Estudos de Regulação e Mercados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Lucia Helena Salgado e Silva destacou a importância de Tirole para a teoria moderna da regulação econômica baseada em incentivos.

O economista Aloísio Araújo, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), considerou positivo o prêmio ter saído nesta área e destacou a importância do trabalho de Tirole, com quem conversou recentemente, em uma passagem pela universidade de Harvard, nos EUA.

— Fico muito contente. O comitê da Suécia está mantendo o alto padrão de escolha — lembrou Araújo, destacando que o Brasil pode aprender com o trabalho do laureado:
— Acho que temos muito que avançar. Têm grandes ramos que a gente pode melhorar. No ramo bancário, temos bons avanços, como o da portabilidade.
A Academia definiu o trabalho do francês como o de um "engenheiro".
— Como um engenheiro, ele oferece as ferramentas para resolver problemas que se aplicam, independentemente das preferências políticas — disse Tore Ellingsen, presidente do comitê do prêmio, após ser perguntado se a escolha havia sido política, em um momento de crise de regulação do setor bancário na Europa.

ANÚNCIO SURPREENDEU PREMIADO

A notícia surpreendeu o economista, que agradeceu aos amigos e dedicou o prêmio a Jean-Jacques Laffont, com quem desenvolveu o centro de estudos econômicos em Toulouse.

"Ainda não me recuperei (da emoção), mas imediatamente pensei em todos aqueles que me ajudaram com minha carreira, e minha família, é claro. E em particular a pessoa que começou o trabalho aqui em Toulouse, Jean-Jacques Laffont, que faleceu (em 2004) e provavelmente teria merecido estar comigo hoje recebendo o prêmio" afirmou o economista, em entrevista por telefone ao site oficial do Prêmio Nobel.

Havia uma expectativa entre especialistas de que o Nobel de Economia em algum momento premiasse a área de estudo da economia da regulação. Jean Tirole receberá um prêmio de 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,1 milhão). O prêmio de economia, oficialmente chamado de Prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, foi criado em 1968 e não fazia parte do grupo original de honrarias estabelecidas pelo magnata que criou a dinamite, definidas em seu testamento, em 1895.

A divulgação desta segunda encerra a sequência de prêmios deste ano. Na semana passada, a Fundação distribuiu cinco láureas, inclusive o Nobel da Paz, vencido pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai.




domingo, 12 de outubro de 2014

Próximo governo começa sob pessimismo

"Só Guido Mantega não enxerga essa situação"
  
ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO

O pessimismo de analistas em relação ao futuro da economia ao longo do próximo governo supera o registrado em 2002 quando o mercado temia a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
As projeções da última semana para os próximos quatro anos indicam cenário de atividade econômica mais fraca e inflação maior do que era esperado no mesmo período do ciclo eleitoral antes dos pleitos de 2010, 2006 e 2002.
A taxa de crescimento média projetada para o período entre 2015 e 2018 é de apenas 2,3%, ante 3,5% em 2002. Em 2006 e 2010, as expectativas eram de, respectivamente, 3,6% e 4,5%.
O pessimismo também é maior no que se refere à inflação, ao resultado fiscal do governo, ao desempenho da indústria e das contas externas.
Os dados são do relatório Focus, compilado semanalmente pelo Banco Central com projeções de cerca de cem instituições financeiras.
A lenta recuperação global, principalmente da Europa, após a crise de 2008 e a frustração com o desempenho da economia doméstica explicam as apostas negativas, segundo analistas.
"Em 2002, os Estados Unidos estavam saindo de uma recessão leve e a China crescia a 12%, 13% ao ano. Hoje, o mundo vive uma estagnação persistente", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.
O cenário externo negativo afeta o Brasil por diversos canais. O comércio de bens e serviços, por exemplo, perde fôlego, o que tem se traduzido em menor demanda pelas exportações do país.
Editoria de arte/Folhapress
Há uma longa lista de questões internas que também pesam sobre as projeções.
A expansão da força de trabalho foi um motor importante do crescimento mais robusto da economia brasileira em meados da década passada.
Mas esse impulso começou a perder força com a desaceleração do ritmo do aumento da população em idade ativa.
A saída para voltar a crescer mais fortemente é fazer com que os profissionais se tornem mais eficientes.
"É preciso aumentar a produtividade. Você precisa começar a fazer mais com o mesmo contingente de mão de obra e depois com menos gente", diz Borges.
Segundo economistas, esse é um dos maiores desafios que o Brasil enfrenta. Por isso, consideram fundamentais avanços mais significativos na qualidade da educação e da infraestrutura, em pesquisa e desenvolvimento e inovação.
O diagnóstico, porém, é que o país avançou pouco nessas frentes em anos recentes.
"O governo deu passos na direção certa, mas cometeu erros como querer fixar a taxa de retorno dos investimentos privados e entrou em choque com o mercado", diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
PESO DE DILMA
Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências, diz que as projeções dos últimos meses para os próximos anos embutem um peso maior de vitória da presidente Dilma Rousseff.
Ela ressalta que, em meados de 2002, quando Lula divulgou a "Carta ao Povo Brasileiro", indicando que manteria o compromisso com políticas como metas de inflação e responsabilidade fiscal, o temor de ruptura em relação ao PT no governo diminuiu.
"Dilma não divulgou nenhuma carta, não emitiu ainda nenhum sinal de que alteraria suas políticas em um eventual segundo mandato", afirma a economista