segunda-feira, 30 de junho de 2014

Execução orçamentária no primeiro quadrimestre de 2014 em São João da Barra

A execução orçamentária em São João da Barra, no primeiro quadrimestre de 2014, apresenta uma excelente evolução das receitas tributárias, com a realização de 104,10% do valor orçado para todo o ano. Em quatro meses as receitas tributárias realizadas somaram R$24,2 milhões, valor equivalente a 55,9% do valor realizado em 2013. 
A evolução das receitas tributárias tem como base o Imposto sobre Serviços decorrente das obras do porto do Açu. Apesar do forte crescimento dessa receita, o município continua apresentando dificuldades na alocação orçamentária na conta de investimento. Enquanto a conta de pessoal e encargos consome 50% das receitas correntes realizadas, o investimento absorve somente 0,9% desse grupo de receitas. No ano passado somente 2,5% das receitas correntes foram alocados em investimento e, segundo indicações da execução em 2014, parece que será mantida a velha tradição do uso excessivo e perigoso de recursos em custeio.  

sábado, 28 de junho de 2014

Uma boa experiência a ser conhecida

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/06/1476721-parque-tecnologico-reune-start-ups-e-impulsiona-economia-criativa-no-rs.shtml

A ideia de parques tecnológicos operando com sucesso depende, fundamentalmente, da cultura do ambiente. Incubar empresas é muito diferente de disponibilizar espaços físicos e equipamentos para empreendedores. No cerne desse processo de incubação está a transferência do conhecimento formal e a sua interação com as experiências de negócios dos empreendedores. Entretanto, o conhecimento formal da universidade está distribuído pelos centros de pesquisa e precisam se integrar no objeto da solução dos problemas que, por sua vez,  tem natureza interdisciplinar. Conclusão, se não existe uma cultura de cooperação e reciprocidade no ambiente, a ideia de incubação vira uma tentativa de cópia de modelos que não são universais. Assim, o gasto de energia é insuficiente para a internalização de resultados efetivos.  

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Copa do mundo e economia

A copa do mundo deixa um legado importante para a reflexão econômica. No contexto da globalização as diferenças, quando bem trabalhadas, se caracterizam em um diferencial importante, enquanto que a tentativa de ser simplesmente igual, pode se transformar em um grande problema. Vejamos o poder esportivo globalizado da Europa. A Espanha, principal candidata ao título, além da Inglaterra e Itália, também na cabeça das apostas entre principais candidatos, foram despachadas, prematuramente, para casa por países, teoricamente, menos importantes. Por outro lado, a América Central representada por Porto Rico e a América do Sul representada pelo Chile, Uruguai, Argentina e Colômbia, mostraram ao mundo as vantagens do uso de potencialidades essenciais. Vimos florescer a entrega, a concepção de grupo, a ideia de pertencimento, elementos imbricados na cultura desses países, em substituição ao modelo único importado. E o Brasil? Veste o modelo global europeu, já que os seus jogadores atuam na Europa, ou tem acentuado as diferenças próprias, as quais podem potencializar as vantagens competitivas necessárias a elevação do país ao ponto maior da competição? 

terça-feira, 24 de junho de 2014

O emprego formal em maio na região Norte Fluminense

O saldo do emprego formal acelerou em maio na região Norte Fluminense, batendo 2.133 novos empregos. Em abril foi registrado um saldo de 733 empregos. O inicio da safra de cana-de-açúcar teve um papel importante nessa evolução, fundamentalmente, nos municípios de Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itabapoana.
Campos gerou um saldo de 1.442 empregos no mês, ou 67,6% do saldo da região, acumulando um saldo 2.383 empregos no período de janeiro a maio. Deste saldo, 1.196 ou 50,2% foram gerados nos setor sucroalcooleiro; 1.126 empregos foram gerados na construção civil; 324 empregos foram gerados no setor de serviços e 94 empregos foram gerados na indústria de transformação.
Macaé gerou um saldo de 274 empregos no mês e um saldo acumulado de -823 empregos eliminados. Deste saldo acumulado, o setor extrativo mineral eliminou 299 empregos, a industria de transformação eliminou 177 empregos, o comércio eliminou 262 empregos e o setor de serviços eliminou 175 empregos.
São Francisco de Itabapoana gerou 362 novas vagas no mês, acumulando 427 empregos de janeiro a maio, cuja participação do setor sucroalcooleiro chegou a 427 novas vagas no mesmo período.
Já São João da Barra gerou 44 novas vagas em maio, acumulando 488 vagas no período janeiro a maio. Os setores responsáveis foram a construção civil e a indústria de transformação. 

domingo, 22 de junho de 2014

Execução orçamentária no período janeiro-abril de 2014 em Campos dos Goytacazes

O resultado da execução orçamentária do primeiro quadrimestre do ano, em Campos dos Goytacazes, ratifica o padrão de eficiência dos últimos anos. Considerando a realização das receitas e a liquidação das despesas médias em torno de 1/3 das previsões como base de análise, podemos observar uma boa regularidade das receitas e despesas orçamentárias. As receitas correntes realizadas no período somaram R$760,0 milhões, equivalentes a 31,43%. Nesse grupo sobressaem as receitas tributárias (receitas próprias) com R$84,8 milhões ou 42,14% do valor previsto para todo ano fiscal. 
As despesas correntes liquidadas no período somaram R$618,6 milhões, equivalentes a 34,27%, enquanto que no grupo das despesas de capital o valor do investimento liquidado somou R$134,2 milhões ou o equivalente a 28,81% da previsão anual. Entretanto, o valor empenhado do investimento no mesmo período somou R$323,8 milhões, ou o equivalente a 69,5% do valor previsto para o ano fiscal. 
A manutenção do presente esforço garantirá a trajetória de crescimento relativo dos últimos anos das receitas próprias e do investimento no ano corrente.    

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Jornal Estado de São Paulo

GRANDES OBRAS DEIXAM COMO HERANÇA PROGRESSO E CAOS
Altamira, no Pará, e Porto Velho, em Rondônia, se transformam com a construção de usinas hidrelétricas
Renée Pereira (texto) e Sergio Castro (fotos)

A construção de grandes obras sempre transforma as cidades que estão no seu entorno, para o bem ou para o mal. Sem planejamento adequado, todos os ganhos econômicos conseguidos com o aumento da população, consumo e renda se transformam em desequilíbrios difíceis de serem revertidos. Quando a obra é concluída, sobram problemas. O nível de desemprego aumenta num cenário quase sempre de índices de criminalidade elevados. Os comerciantes fecham os estabelecimentos e correm para a próxima oportunidade.
Na reportagem deste domingo, relatamos o dia a dia de Altamira, que vive o auge da construção da Hidrelétrica de Belo Monte, e Porto Velho, que começa a sentir a ressaca do fim das usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira. Os dois empreendimentos já foram feitos sob as regras de exigência de condicionantes para amenizar os impactos ambientais e sociais. 
As cidades têm aproveitado para obter melhorias em serviços essenciais para a população, como saneamento básico, construção de escolas e hospitais. A ideia é conseguir que os empreendimentos deixem um legado importante para a população, já que ao fim das obras o impacto nas finanças da região é elevado e certo. O objetivo é evitar que casos antigos, como o do antigo Projeto Jari e Tucuruí, se repitam. 
O Projeto Jari foi idealizado pelo americano Daniel Keith Ludwig, que sonhou construir um império na Amazônia com atividades voltadas à exploração de celulose, pecuária e agricultura. Iniciado na década de 60, o projeto (que vingou apenas na parte da celulose) criou duas cidades opostas. Do lado do Amapá, a cidade dos trabalhadores virou uma imensa favela sobre palafitas, já considerada a maior do mundo. Do outro lado, no Pará, o distrito de Monte Dourado é uma comunidade planejada, nos moldes da classe média americana. Em Tucuruí, depois que a construção da usina acabou, a economia minguou e a população ficou sem emprego e renda.
COM BELO MONTE, ALTAMIRA TEM DIAS DE CIDADE GRANDE
 Desde que a bilionária Hidrelétrica de Belo Monte, no oeste do Pará, começou a ser construída, Altamira vive dias de cidade grande. O trânsito é caótico, a população não para de crescer e os índices de criminalidade aumentam. Por outro lado, o município ganhou novas redes de varejo, obras de infraestrutura e novos projetos comerciais, como shopping centers. Por enquanto, a população só consegue ver a parte ruim. Se antes a opinião sobre a usina era dividida, hoje a maioria se diz contra.
A principal reclamação é com os constantes congestionamentos e com o aumento da criminalidade. Em menos de três anos, a frota de automóveis cresceu 83%. A de motocicletas, 113%. A cidade tem sido campeã nacional na comercialização de motos. Apenas numa loja são vendidas entre 130 e 150 unidades por mês - número que ajuda no aumento de acidentes no trânsito. Nos últimos três meses, duas mortes de ciclistas chocaram a cidade. Uma delas ocorreu na Avenida Djalma Dutra, principal rua de Altamira, onde a bicicleta da vítima está pendurada no poste do semáforo, como forma de protesto.
“Só estamos vendo os malefícios da obra. Aqui era tranquilo. Agora vira e mexe uma pessoa morre atropelada”, afirma o guarda de trânsito Mizael Carneiro. Outro problema causado pelo aumento da frota é a falta de lugar para estacionar. Sem espaço disponível nas ruas estreitas da cidade, os raríssimos estacionamentos cobram preço semelhantes aos de São Paulo. Uma hora custa R$ 10. Um mês, R$ 390. “Tanto transtorno não compensa”, diz Ocleci Polla, dona de uma loja de chocolates.
Além do aumento de carros e motos nas ruas, os congestionamentos têm sido causados por obras de saneamento, que interditam várias ruas. Como parte do Projeto Básico Ambiental, a Norte Energia - concessionária de Belo Monte - está construindo 220 quilômetros (km) de rede de esgoto e 170 km de tubulações de água potável. Até agora foram concluídos 134 km de esgotamento sanitário e 108 km de rede de água. A oferta de água potável na cidade será reforçada com a construção de oito reservatórios.
Hoje Altamira não tem sistema de coleta e de tratamento de esgoto e o atendimento de água encanada é restrito a 14% do município. A obra colocará a cidade entre as poucas do Estado com saneamento básico. Mas, como nem tudo pode ser perfeito, a grande polêmica do momento é quem fará a ligação entre residências e rede, diz o empresário Waldir Antonio Narzetti. 
Como as casas foram construídas sem essa infraestrutura, o investimento para se conectar ao sistema deve ficar por volta de R$ 4 mil - dinheiro que muitos moradores não têm. A Norte Energia fará todo o investimento da rede e, quando concluída, entregará para a prefeitura. Mas, segundo Narzetti, a discussão é que a responsável pelo saneamento da cidade é a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), que não consegue resolver nem os problemas de vazamento. 
O empresário conta que outro investimento de extrema importância para a cidade já tem sentido os efeitos da má gestão. A Norte Energia construiu um aterro sanitário e entregou para a prefeitura. “Mas já está dando problema, pois não tem recebido o tratamento adequado.” 
Narzetti questiona a lentidão dos investimentos da Norte Energia, mas reconhece que se a usina não estivesse em construção a cidade nunca teria saneamento básico ou asfalto no trecho urbano da Transamazônica. “Espero que todo o transtorno de hoje possa ser traduzido em melhorias no futuro.” A chegada da hidrelétrica transformou a cidade num canteiro de obras. Os outdoors anunciam venda de espaços em galerias, construção de shoppings, universidades e bairros planejados. Hoje há entre 8 e 10 loteamentos sendo vendidos. Altamira ganhou até um hotel em formato de castelo.
Por outro lado, o aumento do número de trabalhadores na hidrelétrica - são 25 mil no total - e novos moradores impulsionaram os índices de criminalidade. O superintendente regional da Polícia Civil, Cristiano Marcelo do Nascimento, conta que, de 2010 para cá, o número de homicídios cresceu 61% e o de estupros, 66%. O consumo de drogas também subiu. “Em 2010, 22 traficantes foram presos; e em 2013, 178. Neste ano deve passar de 200.” O delegado diz que 90% da droga consumida é crack. “Um grama de cocaína custa R$ 70. É caro para a população local.”

MORADORES DEIXAM PALAFITAS E OCUPAM NOVAS CASAS DE 60 M²
Loteamento fica mais distante, mas moradores estão livres dos riscos provocados pelo lixo espalhado, esgoto a céu aberto e constantes inundações
ALTAMIRA - Foram 15 anos de muitas noites em abrigos, de móveis perdidos pela cheia do Rio Xingu e medo de perder a vida. “Todo inverno era a mesma coisa. A água subia 2,4 metros e tinha de sair correndo de casa”, lembra Eduardo Barbosa da Silva, de 56 anos. Há três meses, os dias de agruras vividos nas palafitas de Altamira terminaram e, enfim, ele tem uma casa de verdade para morar com a mulher e os filhos. “O conforto que temos aqui nem se compara com a vida que tínhamos nas palafitas.”
O imóvel faz parte do Projeto Básico Ambiental da Hidrelétrica de Belo Monte. Todas as palafitas (casas de madeira construídas sobre estacas em áreas que são alagadas na época de chuvas) de Altamira serão destruídas e os moradores deslocados para as 4.100 casas em cinco novos bairros que estão sendo construídos pela Norte Energia, empresa que detém a concessão da usina. 
Silva se mudou para o bairro Jatobá, o primeiro a ser entregue pela companhia, que já tem 229 famílias. São 1.235 residências, todas no mesmo formato. As casas têm 60 metros quadrados (m²), com três quartos, sala, cozinha e banheiro num terreno de 300m². Para diferenciar, cada morador escolheu a cor que queria para a frente da residência. A de Silva é azul.
Ao contrário das palafitas, que ficam próximas da região central da cidade, os novos bairros são mais afastados - cerca de 15 minutos do centro. O trajeto até Jatobá é ruim, com ruas de terra e esburacadas. Mas, no bairro, as vias são amplas e pavimentadas. O melhor de tudo, no entanto, é que os moradores estão livres dos riscos que as palafitas representavam, com lixo espalhado por todo lado, esgoto a céu aberto e constantes inundações.
“Aqui é longe, mas as crianças podem brincar sossegadas”, afirma Benigna Rabelo Dutra, de 57 anos, que passou boa parte da vida na zona rural. Para escapar da malária que ameaçava a saúde dos filhos, mudou-se para a cidade e foi viver num assentamento. Ali, teve de conviver com as constantes enchentes a cada inverno. Com seis filhos e 24 netos, ela banca sozinha as seis pessoas que moram na nova casa. Sobrevive da aposentadoria e da venda de chopp, mas conhecido como geladinho ou chup-chup no Sudeste.
Apesar das dificuldades, ela mostra com orgulho as aquisições e melhorias feitas no imóvel. Na sala, o sofá e a mesa são forrados com tecidos verdes, trocados toda semana. O rack e a TV de 42 polegadas foram adquiridos recentemente. “Antes não dava para fazer nada, pois a cada chuva corríamos o risco de perder tudo.”
No fundo da casa, ela construiu uma cozinha ampla, onde só falta colocar as “lajotas”. “E ainda vai ter uma churrasqueira, que acabei de comprar.” Silva também tem planos de ampliar o imóvel. “Quero construir mais dois quartos, uma cozinha e fazer muro em volta de toda a casa”, diz ele, que recebe um salário mínimo do INSS, depois que perdeu uma perna. “Não é muito, mas graças a Deus me ajuda bastante.”
À espera da casa nova. Enquanto Benigna e Silva festejam a vida nova, outros esperam ansiosos para deixar de vez as palafitas. Francisca do Socorro das Chagas ainda não faz ideia de quando vai mudar. Sua casa, no entanto, parece não aguentar muito tempo. Construída à beira de um córrego, a casa está tombada para um lado e as pontes de acesso com as tábuas soltas, um perigo para as crianças que transitam sem parar pelo local. “Quero mudar logo, mas ninguém diz quando será. A única coisa que sei é que iremos para o bairro São Joaquim.”
A filha de Maria Aparecida Silva está prestes a fazer a mudança, também para o São Joaquim. Durante a visita da reportagem, sua filha tinha ido olhar a casa nova. “Minha neta chora toda vez que vê um vizinho mudar. Ela sempre diz que não dá para brincar aqui. De um lado corre o risco de cair na água, do outro pode ser atropelada pelos carros.” Naquele dia, o barraco da vizinha que havia acabado de mudar estava sendo desmontado. As empresas responsáveis pela demolição contam que, se deixarem um dia o barraco vazio, no dia seguinte aparece alguém para ocupar. “E depois só pagando para eles saírem”, conta um funcionário da empresa contratada pela Norte Energia.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Politica econômica dirigida para grupos de interesse não garante competitividade industrial

Dilma anuncia estímulos à indústria nesta quarta-feira
LAÍS ALEGRETTI E NIVALDO SOUZA   - O ESTADO DE S. PAULO
17 Junho 2014 | 21h 01

Objetivo é buscar uma aproximação com um dos setores mais críticos da política econômica, cada vez mais atraído pelos candidatos de oposição
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff reúne nesta quarta-feira, 18, no Palácio do Planalto, empresários de várias áreas para anunciar medidas de apoio à indústria e tentar aproximação política com um dos setores mais críticos da política econômica de seu governo, cada vez mais atraído pelos candidatos de oposição Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). 
Na reunião do Fórum Nacional da Indústria, transferida da sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o Palácio do Planalto a pedido de Dilma, a presidente deve atender parte das reivindicações feitas pelo setor produtivo no fim de maio. E também sinalizar com medidas futuras, sugerindo um eventual apoio à sua reeleição. É o terceiro encontro com empresários em um mês. 
Dilma deve anunciar alterações no chamado Refis, reduzindo o “pedágio” para adesão ao programa de refinanciamento de dívidas fiscais, além de comunicar a retomada do programa de devolução de parte dos impostos pagos por exportadores (Reintegra), apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. 
A presidente também deve anunciar a extensão, até o fim de 2015, do Programa de Sustentação de Investimentos (PSI), criado em 2009 para conter a crise financeira global, que já desembolsou R$ 283 bilhões até abril deste ano com juros subsidiados pelo Tesouro. Além de criar uma linha de financiamento à renovação do parque fabril.
Parte dessas medidas entrariam em vigor somente em 2015, o que selaria um pacto do governo com empresários satisfeitos. Há três semanas, Dilma anunciou a manutenção da desoneração da folha de pagamentos para 56 setores, o que deve custar R$ 21,6 bilhões neste ano. 
A equipe do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda trabalhava na tarde de ontem nos últimos detalhes das medidas. “Vão ser anunciadas amanhã (hoje). Não posso adiantar nada. Ainda estamos elaborando as medidas”, disse ao chegar ao Ministério da Fazenda, em Brasília. 
No radar, está ainda o adiamento, e até a alteração, da chamada Norma Reguladora 12, que elevou de 40 para 340 os itens obrigatórios de segurança para fabricantes e usuários de maquinários novos e usados. 
Seu impacto foi estimado em R$ 100 bilhões pela CNI nos segmentos metalomecânico, plástico, construção civil e alimentício. 
O governo prepara, segundo uma fonte envolvida nas discussões, uma melhoria nas condições para adesão ao Refis. Os empresários querem reduzir a 5% do valor da dívida a entrada única exigida para entrar no programa. Dilma estava disposta a atender ao pedido, como informou o Estado no fim de maio. O governo, entretanto, pode não ceder completamente na redução das alíquotas de 10% até R$ 1 milhão e 20% acima de R$ 1 milhão. Esses índices já foram aprovados no Congresso. No fim de maio, Mantega informou que a Receita Federal avaliaria o pedido. 
Em 2013, o governo arrecadou R$ 21,8 bilhões com a reabertura do “Refis da crise” e a renegociação de dívidas fiscais de bancos e multinacionais brasileiras no exterior. Neste ano, outros R$ 12,5 bilhões do Refis devem engordar os cofres públicos. 
No Reintegra, o governo deve colocar como opção a ser acionada “quando houver necessidade e espaço fiscal”, segundo a fonte. Nas condições anteriores, o programa devolvia às empresas exportadoras 3% do faturamento com a exportação de manufaturados. Em 2013, custou R$ 3 bilhões. 

Agronegócio. Além do aumento, de 25% para 26%, na mistura de etanol na gasolina (mais informações nesta página), o governo prepara outras medidas para o setor sucroalcooleiro. Uma delas é a inclusão no Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), orçado em R$ 25 bilhões e disponível apenas a produtores de grãos, como milho e soja, que podem obter até R$ 10 milhões a juros de 4,5% ao ano. O governo estuda também um reforço no programa Inovar-Auto para incentivar as montadoras a melhorar o desempenho do etanol. / COLABOROU MAURO ZANATTA.

Operações bancárias em março na região Norte Fluminense

Os saldos das operações no setor bancário em março deste ano, na região Norte Fluminense, fortalecem aspectos da nossa tese sobre o  baixo aproveitamento das externalidades positivas nos municípios, relativas aos grandes investimentos em petróleo e infraestrutura portuária. Um indicador importante, em função da chegada de diversas empresas, seria os depósitos a vista no setor privado. Porém, o crescimento nominal na região de 11,67% em relação a março do ano passado, ano da crise do grupo EBX, confirma a nossa expectativa não tão otimista. Avaliando os principais municípios da região, identificamos um crescimento nominal de 6,11% em Campos dos Goytacazes, crescimento nominal de 16,48% em Macaé, queda do saldo de 6,32% em São João da Barra. O município de São Francisco de Itabapoana, fora da rota dos grandes investimentos, cresceu 37,35% do saldo de depósito a vista do setor privado em março deste ano, em relação a março do ano passado.

Outro indicador financeiro importante são as operações de crédito, já que tem o papel de fomentar investimentos produtivos. Olhando os saldos nos municípios da região,  chama atenção São João da Barra, sede do complexo portuário do Açu. Veja que o saldo correspondente a liberação de crédito em março no município atingiu R$88,4 milhões, valor inferior 39,9% ao saldo de R$147,2 milhões liberado em São Fidélis. Lembramos que esse município não é produtor de petróleo e nem tem investimentos em portos. Também São Francisco do Itabapoana, com a mesma condição de São Fidélis, contabilizou um saldo de crédito de R$105,3 milhões, saldo superior 19% ao de São João da Barra.


Afinal, um município contemplado com investimentos de R$ 5,8 bilhões somente nas obras do porto do Açu, além da condição de produtor de petróleo, como o caso de São João da Barra, obrigatoriamente tinha que apresentar resultados substancialmente diferentes. Neste caso, está cristalizada a ideia de fuga de riqueza para outras regiões.

domingo, 15 de junho de 2014

Um modelo a ser seguido na região Norte Fluminense!

15/06/2014 09h00 - Atualizado em 15/06/2014 09h45
Turismo rural no ES gera renda e mantém cultura de imigrantes
Programa Caminhos do Campo gera mais de dois mil empregos na região.
Propriedades ficam entorno da Pedra Azul, na região serrana do estado.

Do Globo Rural
As pequenas propriedades da região central do Espírito Santo encontraram no agroturismo a solução para melhorar a renda das famílias. O roteiro chamado de Caminhos do Campo é cheio de novidades para quem deseja conhecer o jeito simples do capixaba levar a vida.
O último levantamento feito pelo Incaper registrou 500 famílias cadastradas no programa. No conjunto, elas movimentam cerca de oito milhões de reais por mês. O programa garante mais de dois mil  empregos na região.
Fica no município de Domingos Martins. A região foi colonizada pelos imigrantes italianos na segunda metade do século dezenove. Nos restaurantes típicos pode-se provar a comida caseira, com destaque para a polenta cozida ou frita na chapa. Tudo produzido pelas mãos calejadas do povo local.
Além de comer e beber a vontade, no local os visitantes podem pescar, colher frutas e provar os produtos regionais: são vinhos, cachaças, queijos, presuntos, e doces de dar água na boca. No final é bom dar uma paradinha para apreciar o sabor dos cafés especiais uma marca registrada dessa região.
Além da beleza da paisagem que encanta o turista, essa região central do Espírito Santo tem um relevo e um clima que favorecem muito a produção dos cafés de alta qualidade. Carlos Alberto Altoé colhe por ano, 450 sacas de café arábica. Com a chegada dos turistas, Carlos e muitos produtores investiram no beneficiamento do café para vender no sítio ou nas lojas da cidade. 
Os grãos são escolhidos a dedo. A máquina comprada recentemente torra cinco quilos de café a cada quinze minutos. O restante do processo é manual. A mesma mão que plantou e produziu o café, cumpre agora a função de embalar, pesar e comercializar o produto.
Com a venda direta, Carlos está conseguindo ganhar o dobro pela saca de café. “A gente adquiriu conhecimento, visitações, cursos... A satisfação de colocar um produto que a gente produz para o consumidor”, diz o agricultor. 
Antes de investir na  compra dos equipamentos os produtores passaram por um treinamento como explica Evair Vieira, presidente do Incaper, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. “O agricultor tem que estar treinado para ir na lavoura e pela cor, pelo tempo, pela umidade do ar, saber se está no momento certo da colheita, para que ele não comprometa em nenhuma fase, até na torrefação, aquilo que a natureza produziu, que é uma raridade um café como esse”, diz.
Tudo isso foi feito pensando em oferecer um produto de qualidade aos turistas que visitam a região. Os sítios foram mapeados e incluídos na rota chamada de Caminhos do Campo.
Os turistas podem se hospedar nas posadas ou participar do dia a dia do campo, dormindo nos sítios que oferecem esse serviço.
A família Busato produz de tudo um pouco. Eles preparam canjica de milho triturado no moinho de pedra, café torrado e moído na hora, e tem até o cantinho da cachaça, produzida com as variedades de cana da região.
Tudo pode ser comprado no local, menos os queijos parmesão e suíço, que são vendidos só por encomenda. O prazo de entrega vai depender do tempo de maturação que se deseja. Um parmesão bem curado, por exemplo, tem que descansar de oito meses a um ano.
Vendendo um quilo de queijo a R$ 45, o agricultor Lúcio Buzato tem uma renda quatro vezes maior que a venda do leite in natura.  Ele diz que o sucesso não se deve a receita que é padrão para esses queijos, mas sim ao capricho no preparo artesanal e a qualidade do leite.
São dezoito vacas das raças girolando e gercey tratadas  com silagem de milho e concentrado. A média anual do rebanho gira em torno de onze litros por vaca por dia. Os queijos podem ser enviados pelo correio, mas muita gente prefere buscar o produto no sítio.
A pioneira do agroturismo nessa região foi a matriarca da família Buzato, dona Íria, que faleceu há dez anos. Ela viu neste mercado uma oportunidade para melhorar a renda das famílias e aproveitar o talento das mulheres na culinária e no artesanato. Hoje quase todos os sítios da região têm algo a oferecer aos turistas.
Entre as atrações do município de Venda Nova do Imigrante está o socol, que é um presunto maturado feito com o lombo do porco fresco. Os temperos são sal, pimenta do reino e alho. Depois de embalado o presunto vai curar durante três meses numa temperatura em torno de 19 graus no verão.
Carmen, moradora da região, produz além do socol, sabonete de leite de cabra. As embalagens são coloridas para marcar o perfume das ervas do campo que ela usa na receita.
No sítio Penha Azul, os turistas podem visitar a produção de morangos e provar os bolos, geléias e compotas.
A família Tonole vive num sítio de 40 hectares, onde a cultura principal é a uva. São seis mil pés a maior parte uva de mesa, das variedades isabel e niágara. No verão, época de colheita, o sítio chega a receber até 500 pessoas em um domingo. Quem serve de guia são as netas do proprietário Felipe Tonole, que comprou o sítio há mais de 50 anos. O cultivo não leva agrotóxico, por isso o pessoal é convidado para provar e sentir a diferença de sabor  entre elas. A maior renda do sítio vem da venda da uva in natura, mas ainda sobra para fazer suco e vinho tinto.
Além de resgatar receitas antigas e manter viva a cultura local, o agroturismo está criando novas oportunidades para filhos e netos dos imigrantes dessa região serrana do Espírito Santo.


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Debate sobre a economia regional na Câmara Municipal de Conceição de Macabu

Por Daniella Costantini e Ramon Mulin (Conceição de Macabu-RJ).

Palestra do economista e professor do Laboratório de Engenharia de Produção da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF, Alcimar das Chagas Ribeiro, marcou o Lançamento do livro de sua autoria "A Economia Norte Fluminense: análise da conjuntura e perspectivas", nesta quarta feira, 11 de junho, no auditório da Câmara Municipal de Conceição de Macabu. Com a presença de vereadores, secretários municipais, professores e estudantes, diversos temas econômicos, relativos a região Norte Fluminense, foram debatidos. A conclusão tirada da discussão é de que existe um otimismo exagerado, das principais lideranças, sobre a garantia de bem estar da população em decorrência dos grandes investimento. Para o professor, assim como os royalties de petróleo contribuíram para uma certa acomodação dos gestores públicos beneficiários, o ingresso dos novos investimentos privados nos setores de petróleo e infraestrutura portuária fortalece esse mesmo comportamento, o que pode aprofundar o subdesenvolvimento na região. O economista ainda chamou a atenção sobre a confusão conceitual entre crescimento e desenvolvimento econômico. Concluiu que o crescimento econômico concentrado provoca o empobrecimento daqueles que não participam do mesmo processo, afirmando que tal fato já está ocorrendo na região. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A ação coletiva como estratégia de solução de problemas

Mesmo reconhecendo que o ser humano é individualista por natureza, cada vez mais vejo fortalecida a minha percepção de que é possível a interação entre pessoas em busca de um objetivo comum, onde a individualidade dá lugar ao coletivo. Longe de ser fácil, processos dessa natureza precisam ser exercitados a partir de ações indutoras e capazes de sensibilizar os interessados sobre benefícios comuns. Estou vivenciando pela menos duas experiências com essas características e vou divulgar os resultados parciais brevemente.     

sábado, 7 de junho de 2014

Contradições da riqueza! Petróleo, porto, royalties, para onde vai?


Tenho insistido na tese de que grandes investimentos em atividades desconectadas da cultura local, não garantem, automaticamente, desenvolvimento e bem estar social nos espaços envolvidos. Os municípios produtores de petróleo da região Norte Fluminense representam um retrato vivo dessa visão. Fortalecendo ainda mais essa visão, selecionamos quatro pequenos municípios na região sudeste para avaliar o índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), recém publicado pela entidade e relacionamos com o PIB e o PIB per capita correspondentes aos mesmos municípios. 
A tabela apresenta os dados para São João da Barra (RJ), Venda Nova do Imigrante (ES), Formiga (MG) e Águas de Lindóia (SP).
Conforme podemos observar, o município São João da Barra é diferenciado por ser produtor de petróleo e base dos investimentos do porto do Açu. O PIB contabilizado em 2011 somou R$6,0 bilhões e o PIB per capita de R$179.908,25. Esse valor é maior dez vezes o mesmo valor dos outros municípios, porém o índice de desenvolvimento medido pela Firjan é moderado, enquanto nos outros municípios a medida é de alto desenvolvimento. 
Outra questão importante é que os outros municípios alocam os recursos de forma endógena. Venda Nova do Imigrante atua fortemente na atividade agro turística; Água de Lindoia e Formiga atuam nas atividades de turismo e serviços complementares.  
Observem que os três municípios fora do Rio de Janeiro tem PIB per capita bem próximos, porém dez vezes inferior ao de São João Barra, o que não foi obstáculo para apresentar resultado superior na avaliação do índice da FIRJAN. Afinal, para onde caminha o fluxo de riqueza em São João da Barra?

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Exportação de minério em maio

O volume exportado de minério de ferro em maio foi maior 25,7% na comparação com abril, enquanto que o preço praticamente se manteve, com um leve crescimento de 1,2%. 
Em relação a maio do ano passado, o volume embarcado em maio de 2014 foi maior  12,9%, enquanto o preço declinou 22,2% no mesmo período.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços praticados nos negócios com minério de ferro. Observa-se uma tendencia de queda neste ano.

Exportação de Açúcar em maio

A exportação de açúcar em maio interrompeu a trajetória de queda neste ano. O volume embarcado cresceu 39,6% em relação ao mês anterior e o preço por tonelada cresceu 6,2% frente ao mesmo período. Apesar do avanço em relação ao mês anterior, a movimentação da commoditie no comércio exterior ainda é muito frágil. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o volume embarcado em maio deste ano foi menor 17,3%, enquanto o preço negociado foi menor 10,2%.
O gráfico mostra a trajetória dos preços praticados nos anos de 2012 a 2014. O mês de maio de 2014 interrompeu a tendencia de queda do primeiro quadriênio do ano.

Royalties em maio na região Norte Flumiense



Com atraso, a região Norte Fluminense recebeu R$120,3 milhões referente a parcela relativa aos royalties de maio. Houve um aumento nominal de 6,93% em maio, com relação a parcela recebida no mês anterior. Campos dos Goytacazes recebeu R$54,4 milhões  ou 45,2% do total, enquanto Macaé recebeu R$41,8 milhões ou 34,7%. Com participações menores, porém importantes, São João da Barra recebeu R$10,2 milhões ou 8,48% e Quissamã  recebeu R$7,7 milhões ou 6,42% no total distribuído na região. 
Na comparação com o valor acumulado de maio de 2010, verifica-se um encolhimento da participação percentual da região frente ao Estado. Enquanto o valor acumulado em maio de 2014 apresentou uma participação de 41,48% frente ao estado, no mesmo período de 2010 a participação da região no Estado foi de 49,96%. Uma perda de participação de 5,65% no período. A redução da produtividade nos poços da bacia de Campos e aspectos cambiais, podem estar por trás do problema.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Exportações por Blocos Econômicos em maio

A Balança Comercial brasileira foi superavitária em US$ 712 milhões em maio. As exportações somaram US$ 20.752 milhões e as importações US$ 20.040 milhões. O saldo acumulado no período janeiro a maio, entretanto, foi deficitário em US$ 4.854 milhões. No mesmo período de 2013, o saldo foi deficitário em US$ 5.381 milhões. 
A tabela apresenta as exportações por blocos econômicos no período janeiro/maio. Observa-se que a Ásia lidera com US$ 31.434 milhões, seguida pela América Latina com US$ 18.101 milhões, União Européia com US$ 16.658 e Estados Unidos com US$ 10.509 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2013, verifica-se crescimento nas exportações com a Ásia e Estados Unidos.
Porém, conforme pode-se verificar no gráfico, ocorre um aumento da concentração do comércio com a Ásia e uma retração relativa com os Estados Unidos. 

A distribuição percentual das exportações no período de janeiro a maio é apresentada no gráfico. A Ásia lidera com 34,9%, seguida pela América Latina com 20,1%, União Europeia com 18,5% e Estado Unidos com 11,7%.

domingo, 1 de junho de 2014

Amazônia atrai R$ 130 bilhões, mas enfrenta novos problemas

Renée Pereira - O Estado de S. Paulo
31 Maio 2014 | 17h 55

Usinas, portos e minas geram riqueza, mas podem provocar desequilíbrios
A riqueza mineral e o potencial da bacia hidrográfica fizeram da Amazônia um novo foco de investimentos do Brasil. Até 2022, o volume de obras anunciadas na região soma mais de R$ 130 bilhões, entre projetos de mineração, hidrelétricas e terminais portuários. Muito ainda deve vir pela frente, já que há vários estudos em andamento.  O problema será contornar os impactos ambientais que boa parte dos projetos trarão para a região.

Os empreendimentos vão ajudar a turbinar a economia do Norte. Estudo da consultoria Tendências mostra que, entre 2015 e 2018, os Estados da região vão crescer 3,8% ao ano - acima da média nacional de 2,9%. 
A renda familiar deverá seguir o mesmo ritmo e subir mais que o resto do País: 3,8%, ante 3,0%. Consequentemente, a população aumentará 1,35% ao ano no período (no Sul e Sudeste, a taxa ficará em 0,7%). 
Pelas últimas previsões feitas pelo IBGE, no ano passado, o Norte alcançou 17 milhões de habitantes. Até 2018, serão 18,2 milhões. Nesse período, a taxa de desemprego terá ligeira queda, dos atuais 6,6% para 6,4%.
A partir de hoje, o Estado publica uma série de reportagens sobre o novo ciclo de investimentos na Amazônia, os reflexos na vida da população local e na comunidade indígena e os impactos nas áreas de preservação ambiental. Os empreendimentos têm sido motivo de preocupação entre governantes locais e ambientalistas, que questionam os benefícios dos projetos bilionários. “O País precisa rever seu olhar sobre a Amazônia e redesenhar o padrão de ocupação da região. Caso contrário, daqui a 30 anos estaremos discutindo a coexistência entre crescimento e pobreza”, argumenta o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB).
Pelas últimas previsões feitas pelo IBGE, no ano passado, o Norte alcançou 17 milhões de habitantes. Até 2015, serão 18,2 milhões. Nesse período, a taxa de desemprego terá ligeira queda, dos atuais 6,6% para 6,4%.
Com o esgotamento de potenciais hidrelétricos e o estrangulamento do sistema portuário das Regiões Sul e Sudeste, a solução tem sido erguer usinas e portos no Norte. O movimento começou com as usinas do Rio Madeira e Belo Monte e deve seguir com outros 13 mil megawatts (MW) nos próximos dez anos. 

“Cerca de 60% do potencial hidrelétrico está na Região Norte, mas sabemos que apenas uma parte será explorada”, afirma o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Para permitir o início dos estudos de São Luiz do Tapajós e Jatobá, as próximas usinas a serem leiloadas, a presidente Dilma Rousseff criou uma medida provisória e alterou os limites do Parque Nacional da Amazônia e de uma série de florestas, campos e áreas de preservação ambiental.

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 “Essa é uma das questões mais delicadas na discussão sobre as hidrelétricas do Tapajós. Não faz sentido ter critérios para criar uma área de preservação e não ter nenhum para diminuir essa mesma área”, critica o superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Jean-François Timmers. Nada garante que em outros casos medida semelhante seja adotada.

Além das questões ambientais, as últimas construções têm provocado sérios problemas sociais, como o inchaço populacional em cidades com infraestrutura precária. Quando um projeto de bilhões de reais chega a um pequeno município, quase sempre com ausência do Estado e indicadores precários, ele desestabiliza o pouco de equilíbrio que a população tem, afirma o governador do Pará. Segundo ele, embora seja o segundo maior saldo da balança comercial brasileira, grande produtor de energia e de minério e ter o 4.º ou 5.º maior rebanho de gado, o Pará tem uma renda per capita de um pouco mais da metade da média nacional.

No caso dos portos, o impacto tende a ser menor durante as obras. Mas, com o aumento de caminhões nas estradas rumo aos terminais e a expansão dos comboios nos rios, o cotidiano da população local muda radicalmente. E a captura de benefícios é ainda mais difícil. Os terminais são operados por poucas pessoas, já que têm um elevado grau de automatização. 


“Na década de 70, fomos válvula de escape para a reforma agrária. Agora vamos ser para o esgotamento da logística? Não queremos ser apenas um corredor de passagem. Queremos que tenha projetos que agreguem valor aqui”, diz Jatene.

"A discussão apresentada na matéria parece lembar a situação na região Norte Fluminense. Simples assim ........ as atividades inerentes aos grandes projetos não nos pertencem e portanto não nos inserimos em um patamar acima da absorção dos impactos negativos. O resultado final é um grande déficit social no território de influencia".