sexta-feira, 25 de abril de 2014

Jornal Valor Econômico

A redução na produção de automóveis já provoca demissões na cadeia do setor automotivo. As dispensas são pulverizadas e atingem principalmente trabalhadores das pequenas empresas, mas compõem um mercado de trabalho radicalmente diferente daquele do início do ano passado em todo o setor automotivo. De janeiro a março de 2013, a indústria de material de transporte (segmento que envolve montadoras, autopeças e outros subsetores no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) abriu 13,9 mil novas vagas. No mesmo período deste ano, o setor fechou 1.071 postos de trabalho em todo país, aponta o Caged.
            Alguns polos automotivos estão sendo mais afetados, como o ABC paulista, a gaúcha Gravataí e a fluminense Porto Real. No ABC, a indústria de material de transporte eliminou 1.746 vagas no primeiro trimestre, percentual equivalente a 2,4% de todas as pessoas empregadas no setor até o fim de 2013.
            Em Gravataí e Porto Real o número absoluto de corte de empregos é menor, mas proporcionalmente o impacto é maior. Na cidade gaúcha que sedia a fábrica da General Motors o saldo negativo entre admissões e demissões indica o fechamento de 472 vagas, equivalente a 4,9% do total de pessoas empregadas pelo setor em Gravataí. Em Porto Real, o saldo negativo de 371 empregos eliminados representa 6% do total de trabalhadores empregados no setor no fim de dezembro.
            As demissões são pulverizadas e atingem principalmente pequenas empresas, segundo os sindicatos de trabalhadores. Em alguns casos, o movimento ainda não foi percebido pelas entidades. No Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, por exemplo, a direção considera a situação do mercado de trabalho "estável", diz o diretor Valcir Ascari. A informação de que o Caged indica fechamento de 472 vagas na indústria de material de transporte do município foi recebida como novidade. "Não sentimos essa redução", disse Ascari.
            Outra diferença na base sindical gaúcha foi o acordo salarial. O sindicato negociou com a General Motors um reajuste de 7%, o que significa aumento real de 1,3% pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), percentual inferior ao dos últimos dois anos quando superou 2%.
            Na base dos metalúrgicos do ABC (São Bernado, Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires), levantamento do próprio sindicato indica que foram fechadas 1.012 vagas no setor automotivo no primeiro trimestre, situação bem diferente das 100 vagas criadas em igual período de 2013. "Esse movimento vem das pequenas empresas que sentem redução dos pedidos das montadoras e não possuem fôlego para segurar os trabalhadores", diz Wagner Santana, secretário-geral do sindicato.
            Nas montadoras e grandes autopeças, diz Santana, outros expedientes foram colocados em prática, como programas de demissão voluntária, licença remunerada ou "layoff" para evitar a demissão de funcionários qualificados. "Mas já sentimos o sinal amarelo no setor", resume o sindicalista.
            Em outra base metalúrgica do ABC, a cidade de São Caetano, onde está a fábrica da General Mortos, foram fechados 407 postos de trabalho na indústria de material de transporte no primeiro trimestre. De acordo com o presidente do sindicato local dos metalúrgicos, Aparecido Inácio da Silva, esse número envolve boa parte dos 348 trabalhadores que aderiram ao Programa de Demissões Voluntárias (PDV) da GM. "As outras demissões são espalhadas e essa situação reflete a instabilidade da economia, o aumento da taxa de juros, a retração do consumidor", diz ele, criticando o que ele classifica como "falta de rumo do governo na área econômica".
            Os dados do Caged mostram que boa parte dos trabalhadores que aderiram ao PDV da GM aproveitaram a situação para pedir aposentadoria. Do total de 407 vagas eliminadas de janeiro a março, 337 desligamentos decorreram de pedidos de aposentadoria. Outra mudança no mercado de trabalho neste início de ano é a redução do número de trabalhadores que pede demissão. No ano passado, eles responderam por 15% dos desligamentos do setor na cidade de São Bernardo, percentual que caiu para 7% neste início de 2014.
            O coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na região metropolitana de São Paulo, Alexandre Loloian, chama atenção para outra mudança no comportamento do emprego no ABC paulista. A pesquisa, feita em conjunto pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que nos últimos 12 meses voltou a aumentar o número de trabalhadores sem carteira e por conta própria na região, enquanto o total de assalariados com carteira assinada caiu 2%. Na comparação com fevereiro de 2013, o total de trabalhadores contratados sem vinculo formal subiu 7% e o de autônomos, 17%.
            "Esse comportamento foge do padrão dos últimos anos e o aumento dessas vagas reflete a insegurança dos empregadores e a procura por outra ocupação para evitar o desemprego", diz Loloian. Na região, a taxa de desemprego está se comportando, por enquanto, dentro do padrão. Ficou em 10,3% em fevereiro, acima dos 9,5% de igual mês do ano passado. Na indústria, foram fechadas 34 mil vagas desde dezembro, das quais seis mil no setor metal-mecânico, mas esse movimento é normal no início do ano, pondera Loloian.
            Santana, dos Metalúrgicos do ABC, lista três frentes de negociação para tentar minimizar - e conter - o efeito negativo da queda da produção sobre o emprego. Um programa de renovação da frota de caminhões (com crédito para a compra de caminhões novos), crédito para automóveis com apoio dos bancos públicos (no ano passado, cita ele, 1,6 milhão de pedidos de crédito foram negados e se apenas 20% deles fossem atendidos poderia se ter um mercado extra de 300 mil veículos) e novas regras de proteção do emprego, com ampliação do uso do chamado "layoff". Pelas regras atuais, diz ele, o uso desse instrumento está limitado a cinco meses e ao valor do seguro-desemprego.

            O sindicato, junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), sugeriu ao governo criar um fundo com os recursos da multa adicional de 10% sobre o saldo do FGTS (que já existe) para compensar parte das despesas que as empresas têm no afastamento de um funcionário. Santana explica que no caso de uma redução de jornada de 20%, esse fundo poderia ser usado para evitar redução de salários. No caso, o fundo custearia parte da redução dos salários, que não teriam o corte proporcional de 20%.

"Não adiantou o governo escolher setores vencedores, como o automobilístico, para a distribuição de benefícios fiscais, justificados na defesa do emprego. Com o incentivo, o governo enfraqueceu o seu caixa e deixou de investir em áreas fundamentais, além de não ter conseguido o objetivo final. O emprego desabou e esses setores vão cobrar mais incentivo".  Estão atirando no escuro!

Gregos driblam crise e criam novas empresas

NIKI KITSANTONIS
DO "NEW YORK TIMES", EM ATENAS

Para Natalie Kontou, 32, a crise grega levou a algo positivo e inesperado. Após perder o emprego em uma revista em 2011, ela agora administra uma empresa com alguns amigos, oferecendo passeios ao crescente número de turistas no país.
Inaugurada com orçamento de € 5.000 (R$ 15.400) em 2013, a Athens Insiders agora busca financiamento para se expandir.
Com o desemprego no nível recorde de 28% -e acima de 60% para os menores de 24 anos-, muitos gregos deixaram de esperar que o governo faça o país caminhar novamente com as próprias pernas.
Milhares de empresas naufragaram sob a recessão, agora no sexto ano. Mas o governo diz que mais de 41 mil novas companhias foram criadas em 2013, em sua maioria varejistas e em áreas que poucos avaliam como inovadoras.
Mas a Endeavor Greece, ONG que apoia o empreendedorismo, contabilizou 144 start-ups com espírito empreendedor -nove vezes mais do que em 2010.
Cerca de uma dúzia de incubadoras e condomínios de empresas competem entre si para desenvolver as melhores ideias de negócios, ajudando a arcar com os custos operacionais e oferecendo orientação profissional.
Uma das incubadoras, chamada Enter Grow Go, colocou a Athens Insiders sob suas asas, junto com outras 20 start-ups, e tem o apoio do Eurobank, terceiro maior banco de financiamento grego.
A Romantso é o condomínio de empresas mais novo de Atenas. Lá, dezenas de designers, fotógrafos e artistas da web pagam em torno de € 300 por mês (R$ 924) de aluguel por um escritório com estética ousada.
A renda é complementada com os lucros de um bar no local, patrocínios e seminários pagos. O criador do condomínio, Vassilis Haralambidis, 37, disse que seu objetivo é "deter a miséria".
"Nós víamos que as pessoas estavam entorpecidas, que o país estava indo na direção errada, e decidimos fazer alguma coisa."
As autoridades gregas também dão apoio ao movimento, assim como ocorre na França e na Espanha, onde o desemprego entre jovens também é alto.
O governo reduziu a burocracia que desestimulava os empreendedores no passado. Uma nova legislação permitirá que se possa criar uma empresa em um dia.
A volta da Grécia ao mercado financeiro, com uma oferta de títulos de cinco anos, em 10 de abril, teve uma demanda muito forte dos investidores e o governo viu a venda como uma prova da recuperação do país.
Neste ano, cerca de 16 mil pequenas e médias empresas receberão dinheiro de um programa de apoio da União Europeia, que distribuirá € 1 bilhão (R$ 3,1 bilhões) em subsídios. Outros € 130 milhões (R$ 400 milhões) já foram distribuídos.
Mas alguns aspirantes a empreendedores dizem que, em vez de competir por dinheiro da União Europeia, preferem recorrer a investidores que ofereçam o custeio de parte do negócio ou a firmas de capital de risco que possam propiciar experiência junto com investimentos em participações.
Várias empresas novatas tiveram sucesso, algumas com ajuda de fundos gregos de capital de risco, que investiram € 20 milhões (R$ 61,6 milhões) em 20 start-ups nos últimos dois anos, de acordo com a Associação Helênica de Capital de Risco.
O Taxibeat -um aplicativo de celular que permite às pessoas escolherem táxis com base na nota dada por passageiros anteriores- foi criado em Atenas, em 2011, e já foi implantado em França, México, Brasil e Peru.
Depois de obter € 3,5 milhões (R$ 10,78 milhões) em capital de risco grego, a start-up obteve no ano passado mais € 3 milhões (R$ 9,24 milhões) da em Hummingbird Ventures, de Londres.
Os criadores do Taxibeat dizem que o aplicativo não é lucrativo na Grécia, mas tem 1 milhão de usuários em seus vários mercados.
A Bugsense, que monitora falhas de software em aplicativos para celulares, foi adquirida no ano passado pela Splunk, com sede em San Francisco.
Esses desbravadores servem de inspiração para seus compatriotas inexperientes, como os da Athens Insiders.

"Sei que é uma coisa arriscada, mas vamos nos manter nisso", disse Kontou, cuja empresa planeja roteiros em cinco línguas e está explorando suas opções financeiras. "Se nós, jovens gregos, não tentarmos criar algo novo, quem vai fazer isso?" 

"Belo exemplo para um país que sofre com fortes desequilíbrios econômicos. O Brasil, apesar da condição bem diferenciada, deveria se espelhar em experiências dessa natureza. Aliás, o nosso estado e, fundamentalmente, a região Norte Fluminense, devem aprender com essa experiência, ao invés de se acomodar frente a riqueza concentrada, oferecida pelo petróleo e suas derivações".

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Projeto Minas-Rio atinge 88% do cronograma


JORNAL VALOR ECONÔMICO

Por Olívia Alonso, Francisco Góes e Marcos de Moura e Souza | De São Paulo, do Rio e de Belo Horizonte

Um dos principais projetos da anglo-sul-africana Anglo American em todo o mundo, o Minas-Rio já recebeu investimentos de US$ 5,6 bilhões até o momento, 63% de uma previsão de US$ 8,8 bilhões, e está em suas fases finais, quase totalmente construído. Do total, R$ 2,6 bilhões foram contratados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo apurou o Valor. O restante têm saído do caixa do grupo Anglo American e de outras instituições financeiras.
Com quatro anos de atraso em relação ao cronograma inicial, o Minas-Rio terá seu primeiro embarque de minério de ferro ainda neste ano, na expectativa da Anglo American. Após diversos contratempos, o projeto estava 88% completo no fim de março, segundo informações obtidas com exclusividade pelo Valor PRO, serviço de tempo real do Valor.
Esse status leva em conta o progresso das obras, os suprimentos necessários, a pré-operação e o licenciamento ambiental, segundo a companhia. Até o fim do ano, a Anglo espera concluir os 12% restantes.
Dividido em quatro partes, o projeto já tem uma delas totalmente construída, que é o mineroduto de 525 km. Maior duto de minério de ferro do mundo, o canal atravessa 32 municípios de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Também compõem o mega-projeto a mina de ferro e uma planta de beneficiamento, ambas em Conceição do Mato Dentro (MG), além de terminal no porto do Açu, com uma unidade de filtragem de minério, que ficam em São João da Barra (RJ).
A Anglo American afirma que finalizou a construção da linha de transmissão de energia, de 230 kV e 187 torres, que em 2012 foi motivo de uma das três ações civis movidas contra o Minas-Rio. O Ministério Público de MG pedia a suspensão da obra por seus danos à flora e à fauna locais. As outras duas ações, do mesmo ano, estavam relacionadas com uma caverna, o que exigiu que a empresa elevasse seu raio de proteção, e com obras da mina, do beneficiamento e do mineroduto.
Ainda segundo o levantamento da Anglo, a unidade de beneficiamento estava ao fim de março com 87% de avanço físico, sendo 95% das obras civis completas e 78% da montagem eletromecânica finalizada. O terminal de minério de ferro do Porto do Açu, por sua vez, estava 79% concluído, sendo que a unidade de filtragem está pronta, em fase de testes.
A partir do início das operações, a empresa estima um período de aceleração ("ramp-up", no jargão técnico) de 18 meses para que chegue à capacidade total de produção, de 26,5 milhões de toneladas/ano de minério de ferro.
Mas o início das operações ainda depende da obtenção das licenças de operação (LO). No total, a companhia precisa de quatro aprovações, uma para a mina e a unidade de beneficiamento, uma para o mineroduto, uma para o terminal portuário e outra para a linha de transmissão de energia.
Em novembro, a Anglo começou a protocolar as solicitações de conversão das licenças de instalação em licenças operacionais. Agora, depende de um conselho ambiental de Minas Gerais, do qual faz parte a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que vai decidir sobre a mina e o beneficiamento, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), responsável por avaliar o mineroduto, e pelo o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), que analisa o porto.

Em Minas Gerais, a Semad tem seis meses para emitir um parecer técnico deferindo ou não o pedido da empresa. Esse prazo pode ser prorrogado por mais quatro meses, segundo informou a assessoria de comunicação da secretaria. Posteriormente, um conselho cuja formação é dividida entre representantes do governo e da sociedade, vai dar seu parecer final, que será votado pela chamada unidade regional colegiada do Jequitinhonha, com integrantes da Polícia Militar, Ministério Público do Estado, federações de indústria, Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e outras entidades. (Colaborou Fábio Pupo, de São Paulo)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Análise do Valor Adicionado na região Norte Fluminense

Olhando a trajetória da linha de participação do valor adicionado da região Norte Fluminense no total do estado, podemos considerar uma boa evolução no tempo. Em 2002, o valor adicionado da região era equivalente 8,4% do total do estado, chegando em 2008 com uma participação de 14,4%. Após três anos de queda, o ano de 2012 apresentou uma importante recuperação, aumentando a participação para 14,9% em relação ao valor total do estado.
Apesar da boa evolução da região, o aumento da riqueza não foi bem distribuída. A figura a seguir, mostra que a riqueza foi concentrada.
Da participação de 8,4% da região no estado em 2002, Macaé participava com 3,47% e Campos com 3,20%, ou seja, os dois municípios representavam 79,4% da massa de riqueza na região.
Na evolução para 2012, Macaé cresceu a sua participação para 6,67%, enquanto Campos dos Goytacazes evoluiu a sua participação para 4,01%. Neste ano, da participação de 14,9% da região no estado, os dois municípios diminuíram a sua representatividade na região para 71,8%, em função do crescimento da participação de Quissamã de 0,97% em 2002, para 1,33% em 2012. Mesmo assim, a riqueza continuou concentrada em Macaé e Campos, apesar da boa ascensão de Quissamã.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Renda média do trabalho em Quissamã e São João da Barra

A figura mostra a evolução do salário médio do trabalho nos municípios de São João da Barra e Quissamã, segundo o IBGE. 
Podemos observar a superioridade da renda do trabalho em Quissamã, que ao longo do período analisado, ficou sempre acima de São João da Barra, com exceção do ano de 2007, quando registrou o mesmo número de salários mínimos de renda média mês. Em relação a São João da Barra, observa-se o aumento da renda em 2007 quando as obras do porto do Açu foram iniciadas. Neste ano a média salarial mensal chegou a três salários mínimos, caindo fortemente nos dois anos seguintes e mantendo o salário médio abaixo de 2006, quando atingiu 2,3 salário mínimos de média. Esse indicador confirma a critica sobre o aumento do volume de emprego no município, por conta do porto do Açu, porém com baixa qualidade. O município de Quissamã, apesar de menor e sem os benefícios dos investimento sediados em São João da Barra, apresentou uma condição substancialmente melhor.    
Mais uma vez insistimos na critica sobre os discursos permeados de otimismo exagerado sobre grandes investimentos exógenos.

sábado, 19 de abril de 2014

A Improdutividade inibe o desenvolvimento


O economista escocês Adam Smith já dizia no século XVIII que o desenvolvimento é função do trabalho produtivo. Se ele tinha razão, estamos perdidos! Veja a matéria do jornal "The Economist".

O frágil discurso governista


O governo insiste no "samba de uma nota só"; neste caso, a propaganda sobre a baixa taxa de desemprego, para tirar o foco dos indicadores problemáticos, tais como: inflação, comércio exterior, atividade industrial, investimento, energia, juros, etc. Neste ano de eleição, a estratégia é fabricar noticias favoráveis a gestão pública, minimizando os gargalos evidentes.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Emprego no comércio no primeiro trimestre do ano

Os dados da tabela mostram os saldos de emprego gerados no primeiro trimestre de cada ano no comércio, nos municípios de São João da Barra, Quissamã, São Francisco de Itabapoana e São Fidélis. São João da Barra e Quissamã são produtores de petróleo e, teoricamente, municípios "turísticos". 
Evidente que os resultados são drásticos. Apesar da recuperação de São João da Barra em 2014, com a geração de 14 empregos, depois de amargar dois anos com saldo negativo, o total de 45 empregos em um período de oito anos é injustificável. Nesse período o porto do Açu consumiu R$5,5 bilhões e o orçamento público engordou com as receitas de royalties. Vejam que São Fidélis, sem royalties e sem porto, apresentou o maior saldo de emprego no comércio entre os quatro municípios.
Outros dados que nos deixam estarrecidos, são os gastos na função turismo em São João da Barra. Nesses sete anos foram gastos no turismo local a bagatela de  R$103,5 milhões, para a geração de 31 empregos no comércio. Vejam que o emprego como justificativa para a gastança no turismo não justifica. Parece ratificar a maldição do petróleo, ou seja, muito dinheiro e pouca responsabilidade na sua utilização!
  

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O quadro do emprego formal em março na região Norte Fluminense

Um trimestre negro para o emprego na região Norte Fluminense. O saldo no período de janeiro a março é negativo em -175 empregos na região. O saldo no Estado do Rio também é negativo de -4.333 empregos no mesmo período.
Nesse quadro dramático, Campos dos Goytacazes gerou um saldo acumulado positivo de 154 empregos no trimestre, que foi impulsionado pela construção civil com 631 empregos, seguido da agropecuária com 80 empregos e o setor de serviços que gerou 62 empregos no trimestre. O comércio destruiu 551 empregos e a industria de transformação 76.
Macaé destruiu 811 empregos no trimestre. O setor e serviços liderou o processo com um saldo negativo de -280 empregos, seguido pelo comércio com um saldo negativo de -271 empregos, industria de transformação com saldo negativo de -91 e a construção civil com um saldo negativo de -64 empregos destruídos no trimestre.
São João da Barra apresentou um melhor quadro, com um saldo positivo de 372 empregos gerados no trimestre. A construção civil com 206 novos empregos puxou o resultado, seguido pela industria de transformação com 104 empregos, serviços com 68 e o comércio com 14 empregos gerados no trimestre.
Em Cardoso Moreira predominou o setor de construção civil; em Conceição de Macabu, o setor de serviços; em Quissamã, a indústria de transformação; e em São Fidélis a construção civil e o setor de serviços.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O "X" dos negócios de Eike Batista!

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,prejuizo-da-osx-braco-naval-do-grupo-ebx-cresce-para-r-2-4-bi-em-2013,182305,0.htm

O fechamento contábil das empresas do "ex grupo X" em 2013, apresentaram resultados lastimáveis. A OSX, braço da construção naval, em recuperação judicial, registrou um prejuízo de R$2,4 bilhões, enquanto a OGPar (antiga OGX) registrou um prejuízo de R$17,435 bilhões no mesmo ano. A empresa do ramo de petróleo conseguiu contabilizar uma das maiores perdas do ano entre as companhias de capital aberto da América Latina e Estados Unidos.
Completando o quadro, a ENEVA (ex MPX) e a PRUMO (ex LLX), já vendidas, amargaram prejuízos de R$942 milhões e R$116 milhões, respectivamente. Somando a brincadeira, o rombo é de R$20,893 bilhões em 2013.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Evolução do Salário Mínimo no Brasil

A politica de crescimento real para o salário mínimo no país, continua firme nos propósitos do governo. O novo valor calculado e encaminhado, através do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2015 é de R$779,79, o que representa um aumento nominal de 7,7% em relação ao valor de 2014.
Observando a trajetória mostrada pelo gráfico, podemos ver que a linha de crescimento do salário mínimo avança sempre acima da linha da inflação, medida pelo INPC. Considerando a recomposição da inflação do ano anterior, podemos observar ganhos reais ao londo dos anos de 2007 a 2015. O ponto de pico foi em 2012, quando o salário mínimo apresentou um crescimento de 14,13% e a inflação de 2011 chegou a 6,06%.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Investimentos bilionários e suas contradições

Dentre os diferentes indicadores econômicos que são utilizados para análise do desenvolvimento local/regional, a taxa de criação de novos negócios tem uma papel fundamental. Naturalmente, novas firmas em funcionamento pressionam a demanda por mão de obra, aumenta a oferta de bens e serviços, aumenta a arrecadação pública e, consequentemente, a renda individual.

Os investimentos privados instalados na região Norte Fluminense, especialmente, o porto do Açu em São João da Barra, trouxeram uma grande expectativa sobre a criação de novas firmas, além de uma consistente geração de emprego e transformação no comércio. Os estudos de impacto ambiental do porto do Açu, dentre outras externalidades positivas, acentuam fortemente esse cenário.   

Aliás, conforme relatado na nossa análise anterior, essas expectativas estão cada vez mais presentes nos discursos de importantes lideranças da região, as quais costumam lançar mão de um discurso político em detrimento de uma análise técnica. 

Com o objetivo de auxiliar o entendimento sobre a conjuntura local/regional, apresentamos no gráfico a evolução dos números de estabelecimentos e empregados com carteira assinada, no fechamento dos anos 2009; 2011 e 2013.

Os números preocupam e não são coerentes com o quadro de investimento na região. Tenho pensado que a nossa economia tem a característica de destruir fundamentos consolidados da teoria econômica.

Vejam que apesar de toda movimentação financeira pública e privada na região, a taxa de geração de negócios em 2013 foi negativa de -1,12%, ou seja, em dezembro de 2013 o MTE contabilizou 26.972 empreendimentos na região, contra 27.277 empreendimentos em dezembro de 2011.

Já o número de empregados com carteira assinada apresentou um aumento de 9,66% nesse período, aumento que poderíamos afirmar insuficiente para a atual conjuntura. Esse pequeno incremento ainda se concentra em Macaé e São João da Barra, mostrando uma outra debilidade regional.


Conclusivamente, os dados apresentadas fortalecem a tese sobre a incapacidade dos grandes investimento exógenos de transformar regiões fragilizadas economicamente ou de baixo crescimento, sendo necessárias outras estratégias. 

sábado, 12 de abril de 2014

O problema da energia no País!

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,pib-brasileiro-pode-crescer-menos-de-1-em-2014-se-houver-racionamento,181859,0.htm

Grandes mentiras e contradições sobre a situação da energia no País. "A que ponto chegamos"! 
O governo tem medo de assumir a possibilidade de racionamento por conta das eleições de 2014, podendo deixar o anuncio para 2015, transferindo prejuízos mais robustos para os brasileiros. 
Uma outra alternativa, seria minimizar o problema aumentando preço e custo para os consumidores e, consequentemente, pressionando a inflação. Também, não desejável em ano de eleição.
A desarrumação presente da economia, tem um fator importante que é a desaceleração da oferta, cuja alternativa é o crescimento do investimento que precisa de energia.

Reflexos na região Norte Fluminense:
É neste cenário que surgem noticias sobre novos investimentos para a região, além de nova previsão para o inicio de operação do porto do Açu e empresas parceiras. Antes existiam dois projetos de geração de energia a carvão e a gás que foram abortados. Pergunto: Essas plantas vão consumir energia de onde?

Operações bancárias na região Norte Fluminense em 2013

O sistema bancário da região Norte Fluminense fechou o ano de 2013 com crescimento nominal dos saldos da principais operações acima da inflação medida pelo IGP-M.  
Os saldos das operações de crédito, depósito a vista do governo, depósito a vista do setor privado, depósito em poupança e depósito a prazo, são apresentados na tabela para os nove municípios da região.
O crédito cresceu 22,56% em 2013 com base em 2012, contra um IGP-M de 5,52%, enquanto o saldo de depósitos a vista privado cresceu 8,5%, o saldo em poupança cresceu 25,0% e o saldo de depósito a prazo caiu 1,74%. Neste caso, somente o depósito a prazo apresentou uma variação negativa de 7,35% (variação negativa de 1,74 acrescida do IGP-M).

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terça-feira, 8 de abril de 2014

Sem um diagnóstico socioeconômico real a região não decola!

As expectativas de importantes lideranças sobre a transformação regional, em função dos robustos investimentos privados nos setores de petróleo e infraestrutura portuária, são muito otimistas porque não é comum a análise conjuntural mais aprofundada. Como sabemos, não é tão simples o acesso aos dados econômicos da região, além do desinteresse em muitos casos. Assim, é mais pratico o discurso vazio e sem fundamentos mais apropriados.

A minha critica tem como base as afirmações exageradas com viés de positividade sobre a economia da região. Muitas lideranças, em defesa da prática corporativista, acentuam uma importância de sua entidade ao processo de transformação socioeconômica da região que é desmedida.

Na verdade o quadro é bem diferente, de fato a região é palco de grandes investimentos que se arrastam por décadas. Macaé foi eleita sede da atividade petrolífera já na década de setenta e a chamada Bacia de Campos, hoje produz mais de 80% do petróleo nacional. Em decorrência, os municípios engordaram seus orçamentos, especialmente, os chamados produtores de petróleo.

Mais recentemente, outros investimentos para o pré-sal e em infraestrutura portuária foram dirigidos para a região. Para São João da Barra veio o porto do Açu e para Quissamã/Campos o empreendimento de Barra do Furado. São investimentos robustos que somaram mais de R$5,0 bilhões nos últimos sete anos, somente na construção do porto.

Mais investimentos estão programados para os próximos anos na atividade de petróleo e em portos, o que contribui para os efervescentes debates sobre a transformação regional.

Voltando ao passado, quero contribuir para essa discussão informando que a grande diferença está no ingresso de recursos num patamar muito diferente do que estávamos acostumados. Com isso, o sistema bancário evoluiu em número de agências, depósito a vista privado, operações e crédito, etc., porém não se efetivou o redepósito, o que seria a absorção num maior padrão da riqueza gerada. Para ser mais direto, foi gerada riqueza que não ficou, pelo menos no padrão esperado.

A tese de que crédito gera negócios, emprego e renda, parece não funcionar na região. Em janeiro de 2014 o Ministério do Trabalho registrou um crescimento de 9,65% no número de emprego formal na região e queda de 1,12% no número de estabelecimento, em relação ao mesmo mês de 2012. Vejam que esses números são incompatíveis com o quadro de investimento que estamos falando.


Outros indicadores econômicos como valor adicionado fiscal, salário médio do trabalho, emprego no comércio, arrecadação própria dos municípios, investimento público em Ciência & Tecnologia, somados aos indicadores de cunho social como: educação, saúde, saneamento que também são incompatíveis com o grande fluxo financeiro dirigido para a região. O que mudou na região que possa implicar em uma melhor absorção das externalidades oriundas dos futuros investimentos? 

sábado, 5 de abril de 2014

Exportação de Minério de Ferro em março de 2014

A exportação de minério de ferro cresceu 8,13% em março, considerando o volume embarcado, enquanto a receita cresceu 9,08%. Em relação a março de 2013, o volume embarcado em 2014 cresceu 8,39% , enquanto a receita caiu 4,34% no mesmo período.
O gráfico mostra a evolução dos preços de minério no mercado internacional. Em março houve uma leva recuperação em relação a fevereiro, porém ficou menor 11,73% em relação ao mesmo mês do ano passado.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Exportação de açúcar em março de 2014

Se mantém a tendencia de queda nas exportações de açúcar bruto do Brasil. O volume embarcado em março caiu 22,67% em relação a fevereiro, enquanto a receita em dólar caiu 25,82% no mesmo período. 
Na comparação com março de 2013, o volume embarcado caiu 24,58%, enquanto a receita caiu 38,72%.
A evolução dos preços da commoditie pode ser observada no gráfico. Em março, a queda foi de 4,06% em relação a fevereiro e 18,75% em relação a março de 2013.
Conforme podemos ver no gráfico, os preços de 2014 seguem a trajetória de queda já observada em 2012 e 2013.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Receita de Royalties em março de 2014

A tabela apresenta os valores de royalties depositados nos municípios da região Norte Fluminense em março.
Campos dos Goytacazes recebeu R$56,3 milhões e acumulou uma receita de R$168,1 milhões no primeiro trimestre deste ano. 
Macaé recebeu R$42,4 milhões no mês e acumulou R$125,9 no trimestre.
São João da Barra recebeu R$10,7 milhões no mês e acumulou R$32,7 no trimestre e Quissamã recebeu R$7,6 milhões e acumulou R$22,9 milhões no trimestre.
O valor transferido para a região representou 40,26% do total transferido para todos os municípios do Rio de Janeiro. Este percentual é menor do que os percentuais de janeiro e fevereiro.Em março de 2013 a participação da região no conjunto dos municípios do Rio de janeiro foi  43,98%.

Resultado da Balança Comercial brasileira no primeiro trimestre de 2014

A Balança Comercial Brasileira registrou superávit de US$ 112 milhões em março, valor inferior aos US$ 162 milhões do mesmo período do ano passado.
No primeiro trimestre deste ano, entretanto, o saldo foi deficitário em US$ 6,1 bilhões.
As exportações por blocos econômicos são apresentadas na tabela. Podemos observar,  na comparação do primeiro trimestre de 2014 com o primeiro trimestre de 2013, taxas de crescimento das exportações somente com a Ásia e com os Estados Unidos. Nos ostros blocos os resultados foram negativos. 
Observamos ainda uma tendencia de concentração das exportações brasileiras na China, enquanto que com os Estados unidos observa-se uma tendencia de queda. Esse fato é preocupante já que a dinâmica de crescimento econômico da China dá sinais de preocupação, além da estratégia de redução da dependência desse país em relação à fornecedores tradicionais de matérias-primas. 
O gráfico apresenta a participação percentual dos blocos econômicos nas exportações brasileiras no primeiro trimestre desse ano.
A Ásia concentrou 33,9%, seguida da América Latina e Caribe com 20,5% da União Européia com 18,0% e dos Estados Unidos absorveu 11,8%. Os demais grupos ficaram abaixo do 10%.