As distorções do mercado mundial de açúcar

Jornal Valor Econômico





GENEBRA  -  
Sob pressão do Brasil e outros produtores de açúcar, a Índia respondeu hoje, em reunião na Organização Mundial do Comércio (OMC), que os novos subsídios para exportação da commodity não vão passar de US$ 80 milhões.

Os indianos insistiram que, apesar de o programa de subsídios ter sido aprovado pelo governo, os pagamentos ainda não foram efetuados. E que a medida visa diversificar suas vendas de açúcar.
A resposta inquietou ainda mais parceiros como a Austrália, que notaram que a ajuda de 3.300 rupias por tonelada exportada equivale a algo como 14% a 16% do preço mundial do açúcar e, a Índia, como terceiro exportador da commodity, distorce os preços do mercado internacional.
O Valor apurou que, durante o Comitê de Agricultura da OMC, a delegação da India foi pesadamente questionada, tanto pelo Brasil, Austrália, União Europeia e Colômbia, como pelos EUA, Paquistão, Canadá, Tailândia, Paraguai, El Salvador e Nova Zelândia.
A demanda geral foi para a Índia remover imediatamente os subsídios a exportação, ainda mais que o país se comprometeu na OMC a não usar esse tipo de ajuda aos produtores.
O Brasil e outros parceiros insistiram que mesmo o artigo (9.1) do acordo da OMC, que permitia a um país em desenvolvimento subsidiar marketing e transporte interno de produtos, já não está mais em vigor.
A Índia prometeu dar explicações “detalhadas” por escrito, mas a mensagem é de que devem manter a ajuda a seus produtores de açúcar.
Os indianos foram questionados também sobre subsídios para a produção de arroz.
"Decisão da Índia tende a desorganizar ainda mais o mercado global de açúcar com prejuízos para o Brasil. Para piorar a situação o intervencionismo do governo brasileiro nesse setor não dá sinais de mudanças e o setor amarga uma forte quebradeira". 

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