Uma contribuição para uma boa gestão pública na RNF

Olhando de fora o processo de gestão pública nos municípios da região Norte Fluminense, me chama atenção algumas questões, que diria, são problemáticas. São elas: a verticalização das funções administrativas; a super proteção à liderança maior; a prepotência do poder; e o foco excessivo nas questões de política partidária.

A verticalização das funções administrativas pode ser vista na individualização das secretarias. Os secretários, na busca de soluções para os seus problemas internos, ignoram o fato de que esses problemas são de ordem interdisciplinar, portanto, dependem também de outras secretarias. O exemplo da merenda escolar é típico. O atendimento à demanda de alimentos da secretaria de educação, depende da oferta planejada pela secretaria de agricultura, a qual exige um processo de organização da produção que deve ter o apoio da secretaria de planejamento. No campo da operação, é fundamental a participação do meio ambiente junto a agricultura e ao transporte, além das relações externas com centros de pesquisa e extensão no seu entorno. Contrariamente, o que se vê na realidade é uma relação de concorrência entre os secretários e, naturalmente, a dificuldade no tocante a otimização dos recursos públicos.

A super proteção ao prefeito representa um outro problema sério. Os principais assessores normalmente não permitem que problemas importantes cheguem até o prefeito. A "cultura da proteção" os leva a minimizar questões mais sérias e potencializar elogios que garantam um discurso, politicamente, mais agradável aos ouvidos da população. Com isso os problemas vão sendo jogados para "baixo do tapete", até que o próximo governo, quando de oposição, apontem as mazelas e os seus causadores. Este é mais um capítulo de uma novela sem fim.  

A prepotência do poder está na cultura estabelecida de que o grupo eleito pelo povo subordina o conjunto da sociedade, portanto ouvir não é uma prática comum. Essas pessoas imaginam que detém o saber e que o restante da população deve simplesmente aceitar as orientações de cima. Trata-se de um grave erro, já que o atual estágio da democracia não elege, necessariamente, os indivíduos mais preparados e aptos à arte de governar.

Finalmente, o foco excessivo nas questões de ordem partidária tende a aniquilar o processo de gestão pública, já que a função política está sempre acima da função técnica. Na verdade, tal fato ocorre por conta da frágil democracia que orienta a organização da sociedade. Chegar e permanecer no poder exige articulações interesseiras e desprovidas muitas vezes da ética necessária. Em função disso, inexiste uma estrutura técnica permanente capaz de tocar as atividades de rotina, as indicações de pessoal seguem o critério político e os especialistas independentes são vistos como inimigos, já que divulgam dados e informações em condição de incompatibilidade com os discursos que objetivam a publicidade pessoal.     

Esta é uma realidade que precisa ser mudada, já que é desperdiçadora de recursos, cria obstáculos a um maior padrão de eficiência ao processo de gestão e prorroga o estágio de subdesenvolvimento da região.
Relembrando:

"desenvolvimento deve ser entendido como um estágio de atendimento pleno as necessidades básicas da população (saúde, educação, habitação, alimentação, lazer). Traduzindo um estagio de felicidade!"

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