segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO!

http://www.youtube.com/watch?v=siDrTB0NCIY

Uma contribuição para uma boa gestão pública na RNF

Olhando de fora o processo de gestão pública nos municípios da região Norte Fluminense, me chama atenção algumas questões, que diria, são problemáticas. São elas: a verticalização das funções administrativas; a super proteção à liderança maior; a prepotência do poder; e o foco excessivo nas questões de política partidária.

A verticalização das funções administrativas pode ser vista na individualização das secretarias. Os secretários, na busca de soluções para os seus problemas internos, ignoram o fato de que esses problemas são de ordem interdisciplinar, portanto, dependem também de outras secretarias. O exemplo da merenda escolar é típico. O atendimento à demanda de alimentos da secretaria de educação, depende da oferta planejada pela secretaria de agricultura, a qual exige um processo de organização da produção que deve ter o apoio da secretaria de planejamento. No campo da operação, é fundamental a participação do meio ambiente junto a agricultura e ao transporte, além das relações externas com centros de pesquisa e extensão no seu entorno. Contrariamente, o que se vê na realidade é uma relação de concorrência entre os secretários e, naturalmente, a dificuldade no tocante a otimização dos recursos públicos.

A super proteção ao prefeito representa um outro problema sério. Os principais assessores normalmente não permitem que problemas importantes cheguem até o prefeito. A "cultura da proteção" os leva a minimizar questões mais sérias e potencializar elogios que garantam um discurso, politicamente, mais agradável aos ouvidos da população. Com isso os problemas vão sendo jogados para "baixo do tapete", até que o próximo governo, quando de oposição, apontem as mazelas e os seus causadores. Este é mais um capítulo de uma novela sem fim.  

A prepotência do poder está na cultura estabelecida de que o grupo eleito pelo povo subordina o conjunto da sociedade, portanto ouvir não é uma prática comum. Essas pessoas imaginam que detém o saber e que o restante da população deve simplesmente aceitar as orientações de cima. Trata-se de um grave erro, já que o atual estágio da democracia não elege, necessariamente, os indivíduos mais preparados e aptos à arte de governar.

Finalmente, o foco excessivo nas questões de ordem partidária tende a aniquilar o processo de gestão pública, já que a função política está sempre acima da função técnica. Na verdade, tal fato ocorre por conta da frágil democracia que orienta a organização da sociedade. Chegar e permanecer no poder exige articulações interesseiras e desprovidas muitas vezes da ética necessária. Em função disso, inexiste uma estrutura técnica permanente capaz de tocar as atividades de rotina, as indicações de pessoal seguem o critério político e os especialistas independentes são vistos como inimigos, já que divulgam dados e informações em condição de incompatibilidade com os discursos que objetivam a publicidade pessoal.     

Esta é uma realidade que precisa ser mudada, já que é desperdiçadora de recursos, cria obstáculos a um maior padrão de eficiência ao processo de gestão e prorroga o estágio de subdesenvolvimento da região.
Relembrando:

"desenvolvimento deve ser entendido como um estágio de atendimento pleno as necessidades básicas da população (saúde, educação, habitação, alimentação, lazer). Traduzindo um estagio de felicidade!"

sábado, 28 de dezembro de 2013

Retrospectiva econômica da região Norte Fluminense em 2013 pela ótica do emprego

A retrospectiva econômica da região Norte Fluminense pela ótica do emprego, define bem o perfil do sistema. A região começou o ano de 2013 com um saldo negativo de 1689 empregos em janeiro. Macaé teve um papel forte pela desaceleração na atividades industrial e de serviços, que somadas eliminaram 1.250 vagas. Campos dos Goytacazes pela desaceleração no comércio eliminou 272 vagas, enquanto São João da Barra eliminou 214 vagas, pela desaceleração do setor de construção civil.

Em fevereiro, o saldo foi positivo por conta de 1.331 vagas criadas no mês, onde São João da Barra iniciou um processo de recuperação por conta da atividade de construção civil, seguido por Macaé através dos setores de construção civil e serviços. Campos com uma menor contribuição acelerou o setor de serviços.

O mês de março manteve o resultado positivo pela geração de 1.752 novas vagas de emprego, puxadas por Macaé, através dos setores de construção civil e serviços. Campos, com uma menor participação contribui com 281 vagas no setor de serviços.

Em abril, o saldo ainda positivo em 1.297 vagas, recebeu a importante contribuição de Macaé com 869 vagas criadas, basicamente na construção civil, enquanto Campos dos Goytacazes com 588 novas vagas, mostrou uma boa distribuíção nos setores de serviços, construção civil, agropecuária e comércio. São João da Barra negativou o saldo com a eliminação de 197 vagas na construção civil.

No mês de maio os reflexos da crise do grupo EBX, especificamente, no braço petrolífero que arrastou a construção naval, eliminou 1.406 empregos em São João da Barra, aniquilando o saldo da região que ainda foi positivo em 317 vagas. Campos equilibrou a situação pelo inicio da safra de cana-de-açúcar onde o setor agropecuário disponibilizou mais de 1.000 vagas, seguido pelo setores de industria de transformação e serviços. Macaé apareceu com uma pequena contribuição de 169 vagas puxadas pela construção civil.    

Em junho, Campos dos Goytacazes consolidou a sua posição de liderança na região pelo aquecimento do setor sucroalcooleiro e pela boa dinâmica nos setores de indústria de transformação e serviços. Macaé contribuiu com a geração de 553 novas vagas nos setores de construção civil e serviços, enquanto São João da Barra eliminou mais 402 vagas nos setores de construção civil, indústria e serviços.

Em julho Macaé acelerou o setor de construção civil e gerou 653 novas vagas, seguido por Campos dos Goytacazes que gerou 262 novas vagas nos setores de serviço e construção civil. São João da Barra eliminou mais 66 vagas no mês.

Em agosto o saldo de emprego na região se manteve positivo em 1.171 vagas, com os principais municípios apresentando saldo positivo. Macaé com 795 novas vagas puxadas pela construção civil, Campos dos Goytacazes com 262 novas vagas puxadas pelo comércio e pela construção civil. São João da Barra iniciou um processo de contratação lenta, gerando um saldo positivo de 144 vagas no mês.

Em setembro o saldo da região permaneceu positivo com 1.336 novas vagas, onde Macaé liderou o processo com 784 novas vagas por conta da aceleração no setor de construção civil. Campos gerou 352 novas vagas bem distribuídas nos setores de construção civil, agropecuária, serviços e comércio. São João da Barra gerou saldo positivo de 144 novas vagas na construção civil.

No mês de outubro observou-se uma desaceleração do emprego em Macaé, por conta da eliminação de vagas nos setores de industria de transformação e serviços. O saldo da região ficou em 595 vagas, sendo 368 vagas criadas por Campos nos setores de construção civil, comércio e serviços. Macaé criou 109 novas vagas na construção civil e São João da Barra criou 93 vagas nos setores de serviço, industria de transformação e construção civil.

Em novembro o saldo na região ficou negativo com 877 vagas eliminadas. Campos dos Goytacazes puxou a queda com a eliminação de 405 vagas, onde o setor agropecuário eliminou 989 empregos em função da aproximação do fim da safra de cana-de-açúcar e da moagem nas usinas. Macaé eliminou 397 vagas de emprego nos setores de industria de transformação e serviços, enquanto São João da Barra manteve o processo de recuperação leve, gerando 174 novas vagas no setor de construção civil.

Conclusivamente, ficou evidenciado que a região carece de um setor industrial de base sustentável para irrigar os setores de serviços e comércio. Macaé é totalmente dependente das atividades ligadas ao setor de petróleo, o qual seria interessante se a riqueza gerada fosse internalizada localmente, o que não ocorre. Existe um fluxo de transferência da riqueza gerada para outras regiões que pode ser visto claramente no resultado do emprego no comércio. O município eliminou este ano 383 vagas de emprego no comércio.

São João da Barra apresenta o mesmo quadro. O emprego gerado se concentra nas atividades de construção na retro área do porto do Açu. O resultado negativo de 920 vagas eliminadas no período de janeiro a novembro deste ano é fruto da crise nas empresas  OGX e OSX do empresário Eike Batista. 


Em Campos dos Goytacazes ainda é visível a importância do setor sucroalcooleiro, em decadência, na questão do emprego. No primeiro semestre, com o inicio da safra, o setor agropecuário chegou a atingir 70% do emprego gerado no mês de junho. No segundo semestre, entretanto, observou-se um certa diversificação de atividades, sobressaindo a construção civil, a indústria de transformação, serviços e comércio. No fechamento do saldo acumulado em novembro, Campos liderou o emprego na região com um saldo de 4.621 novas vagas, sendo 30,4% no setor de serviços; 30,1% no setor agropecuário; 13,4% no setor da indústria de transformação; 14,0% na construção civil e 8,5% no comércio.  

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Trajetória da renda média do trabalho em Campos e São João da Barra

A trajetória da renda média do trabalho formal em Campos dos Goytacazes e São João da Barra é apresentada no gráfico. Observa-se que a renda em Campos, superior a renda de São João da Barra até 2007, declinava a cada ano. Em 2004 era equivalente a 3,0 salários mínimos, chegando a 2,47 salários mínimos em 2007. No período entre 2008 a 2010, a trajetória muda. A renda atinge 2,51 SM;  2,58 SM e 2,59 SM em 2008, 2009 e 2010 sucessivamente. Em 2011, ocorre uma leve queda e a renda alcança 2,46 SM. Nesse período a renda média em São João da Barra supera a renda de Campos em função das obras do Porto do Açu. No período entre 2004 a 2006 a renda no município também é declinante, se recuperando a partir de 2007, atingindo 3,07 SM em 2011.
Deve se considerar, entretanto, que o aumento da renda em São João da Barra se deu em função da contratação de ocupações mais qualificadas, especialmente na construção civil pesada, cujos profissionais são de outras regiões. Neste caso existe uma fuga de recursos do local de geração. O emprego no comércio é o primeiro a sentir. Veja que em 2011, auge do processo de construção do porto, o município gerou somente 21 novos empregos no comércio. Considerando os fortes investimentos privados, além do orçamento público potencializado por royalties de petróleo, o resultado é pífio.  

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Os limites do crescimento

Por Martinho Santafé

A necessidade de se construir mais um porto na região para atender à crescente demanda das atividades de exploração na Bacia de Campos é absolutamente inquestionável. Há cerca de 15 anos, entrevistei para O Debate o então gerente geral da Petrobras em Macaé e este informou que o terminal portuário de Imbetiba já se encontrava em estado de absoluta saturação. Obras pontuais e paliativas foram realizadas ao longo deste período, sem solucionar o problema.

Por outro lado, o argumento de apoiar a obra prevista para ser construída na área urbana de Macaé sob a justificativa de gerar recursos que, teoricamente, possam ser revertidos em benefício da população é, no mínimo, questionável, mesmo que haja uma salutar preocupação com a saúde financeira do município, cuja folha de pagamento já alcança a marca histórica de R$ 1 bilhão.

Estou em Macaé desde 1981 e venho escutando justificativas como esta há mais de 30 anos. Só ainda não vi resultados consistentes, muito pelo contrário. Mas vi muita gente ganhando dinheiro com esse discurso.
De acordo com o EIA/Rima do empreendimento, a instalação do porto provocará “o aumento da migração populacional, aumento da oferta de trabalho e a intensificação do fluxo de veículos pesados, interferindo assim na mobilidade urbana”. Diz mais: na parte ambiental, “a interferência na relação da fauna e da flora terrestres e no ecossistema marinho será  mitigada através da realização de 28 programas de controle”.

Ora, o porto não vai surgir em uma área desabitada, mas em uma cidade já saturada e um litoral coalhado de embarcações e de campanhas sísmicas, e que vêm sendo impactados há mais de três décadas. Será que eles vão suportar a mais este assédio do poder econômico? E será que os cardumes, a restinga de Jurubatiba e remanescente dela, o Arquipélago de Santana, a Lagoa de Imboassica, os manguezais do Rio Macaé serão devidamente “alertados” sobre esses “programas de controle”? Na teoria, a prática é outra.

A cidade está sendo impiedosamente asfixiada, com sua parte urbana consolidada se expandindo para o interior, sobre a área rural, exigindo nivelamento de terrenos que funcionavam como amortecedores de cheias e com ecossistemas aquáticos ricos em vida. As conseqüências são a perda da biodiversidade e as enchentes que trazem conseqüências cada vez mais dramáticas. Quem vive nas áreas de risco sabe disso.
Quanto a essas questões abordadas no EIA/Rima (ou externalidades, na linguagem macroeconômica), o empreendedor esclarece que “esses aspectos contarão com a dedicação e a parceria do governo municipal, um processo já planejado pela empresa”.

Traduzindo o “blá-blá-bla” corporativo para a linguagem popular: a empresa, que está recebendo o terreno de graça (às custas dos contribuintes), poderá “ceder engenheiros e outros consultores para assessorar a prefeitura nessas questões” – segundo informou um dos diretores -, mas quem assumirá os custos dos mencionados problemas sociais, urbanos e ambientais será a própria prefeitura que, como é do conhecimento de todos, não emite cédulas de reais, de dólares nem de euros.

Portanto, é a população que irá pagar pelas externalidades negativas desse grande empreendimento. E certamente a folha de pagamento e outras despesas de custeio da prefeitura de Macaé  serão infladas de forma avassaladora para atender toda essa demanda criada pelo empreendedorismo privado.

É mais um bom exemplo da fórmula imbatível do capitalismo brasileiro, cujos protagonistas, em sua maioria, são ferrenhos defensores da “livre iniciativa”, traduzida dessa forma: o financiamento é do BNDES, os lucros são das empresas e os custos das externalidades negativas vão para o colo do poder público.

Onde fica a resiliência?

Na reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Commads) realizada quarta-feira (18) no Paço Municipal da prefeitura de Macaé, comecei minha intervenção sugerindo que o Estudo e o Relatório de Impactos Ambientais do empreendimento deveriam ir além das externalidades (positivas e negativas) econômicas, sociais e ambientais das áreas do entorno da obra, mas também de toda a cidade, avaliando, por exemplo, o grau de resiliência de Macaé em relação a obras de grandes dimensões como aquela.
 
Lembrei que há 35 anos, a cidade recebeu uma obra com teor impactante similar (o terminal da Petrobras em Imbetiba, só que na época da ditadura, quando a opinião popular não mínima importância) e que os atores atuais deveriam olhar para o passado e aprender a “lição de casa”. No entanto, observando as reações otimistas da governança empresarial, dos representantes do poder público e, naturalmente, dos notórios especuladores imobiliários, podemos desconfiar que eles não entenderam o recado. Estamos todos parecendo nadar em um hipotético futuro de “mar de almirante”, ignorando o temporal que se avizinha.

Argumentei que quem cresce indefinidamente é o câncer, que faz tão mal ao nosso organismo, e que chega um momento em que uma cidade de porte médio como Macaé, com uma configuração geográfica altamente complexa e frágil e com uma história de degradação ambiental e social já conhecida em todo o mundo, deveria refletir sobre o modelo econômico mais conveniente e o que realmente interessa à sua população. E saber discernir os verdadeiros interesses dos grupos que não vivenciam o cotidiano conturbado da cidade, mas querem a todo o custo lucrar com as oportunidades nem sempre benéficas para a maioria.
Deveria também refletir sobre as mazelas sociais, a mobilidade urbana à beira do caos, a insegurança crescente, a degradação do patrimônio ambiental, a especulação imobiliária, as enchentes e, principalmente, a sensação de impotência diante dos interesses econômicos.
Essa postura conceitualmente crítica sobre o chamado “desenvolvimento econômico”, que tem sido reproduzida em nível global, ao contrário do que possa parecer, não está sendo exercida pelos “ambientalistas de carteirinha”, mas por um número crescente de economistas mais prestigiados do planeta, inclusive vários Prêmios Nobel.

Macaé, apesar de ser acolhedora e bela em sua incrível diversidade, continua sofrendo um apagão de bom senso porque suas lideranças políticas e empresariais têm assumido há décadas o discurso do crescimento ilimitado e sem controle, como se a cidade tivesse a obrigação (e a devida resiliência) de servir indefinidamente a causa do petróleo.
Mas é preciso ter limites e o que vemos cotidianamente em Macaé sinaliza que este momento chegou.

A vocação de uma cidade não seria oferecer qualidade de vida aos seus habitantes? Não estaria na hora de dar uma pausa a esse “desenvolvimento econômico” que até hoje poucos entenderam o que realmente significa, para repensar a cidade que queremos?

Sinceramente, acho que esse discurso desenvolvimentista é ilusório, pois para cada R$ 1 milhão injetado na economia local pelas empresas, o poder público (com recursos dos cidadãos) tem que gastar pelo menos R$ 5 milhões para suprir demandas nas áreas de saúde, educação, obras, mobilidade urbana, habitação, saneamento, segurança e tantas outras mais. Ah, sim, e uma folha de pagamento em torno de R$ 1 bilhão e que tende a crescer. Os números não mentem!

Com um estratosférico (para os padrões brasileiros) orçamento de R$ 2 bilhões, Macaé não tem sido capaz de realizar o que centenas de municípios em todas as regiões do país, com orçamentos infinitamente inferiores, estão conseguindo. Mas apesar disso, o falso discurso do “desenvolvimento econômico” ainda prevalece entre as elites, talvez porque elas estejam sempre dispostas a se entender para usufruir qualquer cenário que se apresente, desde que ofereça lucros compensadores.


Pessoas e instituições que continuam defendendo esse modelo ultrapassado e perigoso de crescimento infinito e sem controle, como solução mágica para tudo, estão agindo como aqueles que querem curar o alcoólatra servindo doses cada vez maiores de cachaça. O resultado é catastrófico!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Perfil do emprego em novembro na região Norte Fluminense

O emprego formal desacelerou no País. Foram criadas 47,4 mil novas vagas em novembro, contra 94,8 mil vagas em outubro. No acumulado de janeiro a novembro, foram criadas 1,18 milhão de vagas formais no Brasil. O Estado do Rio de janeiro, acelerou o emprego em novembro. Gerou 16,9 mil novas vagas contra 6,6 mil vagas em outubro. No acumulado de janeiro a novembro, o saldo no Estado foi 75,4 mil empregos.
Na região Norte Fluminense foi verificada uma forte desaceleração. Enquanto em outubro foram geradas 595 novas vagas de emprego, no mês de novembro foram eliminadas 877 vagas. O setor sucroalcooleiro em Campos dos Goytacazes teve um papel importante, com a destruição de 989 empregos no setor no mês.
O saldo acumulado de emprego no período de janeiro a novembro, no município, somou 4.621 vagas, com a liderança do setor de serviços com 1.407 vagas criadas no ano, seguido pelo setor agropecuário com 1.392 vagas criadas. A construção civil gerou 647 vagas e a indústria de transformação 620 vagas. Apesar do recuo em novembro, o município apresentou uma boa distribuição do emprego no acumulado, fato que repercutiu na boa performance no comércio, que gerou 395 novas vagas no período.
Macaé também desacelerou em novembro e manteve um resultado acumulado abaixo de de Campos, com um saldo de 4.202 vagas de emprego. Diferente de Campos, a distribuição do emprego por setor não é boa. A concentração está na construção civil com 6.193 vagas criadas. A indústria de transformação tem saldo negativo de 1.933 vagas destruídas e o comércio apresenta um resultado negativo de 383 vagas eliminadas. O setor de serviços gerou 582 vagas e agropecuária gerou 13 empregos no ano.
São João da Barra apresenta um quadro de recuperação do emprego depois do pico da forte crise em agosto. O saldo acumulado continua negativo em 920 vagas destruídas no ano, sendo 787 na construção civil, 161 na industria de transformação e 11 no setor de serviços. O emprego no comércio apresentou um saldo positivo de 52 novas vagas criadas no ano. Mesmo positivo, o saldo é menor do que o saldo criado em São Fidélis de 69 vagas no comércio este ano. Este município apresentou um saldo de 209 novos empregos, bem distribuídos  entre os setores: foram 32 vagas na indústria de transformação, 6 vagas na construção civil, 69 vagas no comércio, 70 vagas em serviços e 24 vagas na agropecuário.  

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL!

Desejo a todos os amigos um FELIZ NATAL e um ANO NOVO de realizações. Espero que em 2014 possamos apresentar avaliações econômicas mais favoráveis à nossa população.  Abraços a todos!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

As contradições da riqueza vista pelo olhar do Produto Interno Bruto-PIB

O conceito de Produto Interno Bruto-PIB, formulado com o objetivo de medir riqueza na década de quarenta, representa a soma, em termos monetários, de todos os bens e serviços finais, produzidos durante um determinado período de tempo em uma região (país, estados e municípios). Apesar de sua relação com riqueza, deve-se ter muita cautela com a sua avaliação, já que em alguns casos a forte concentração em uma parcela menor da população, acaba escondendo o problema da pobreza e da exclusão social.

Outra questão importante é o superdimensionamento de seu valor, como ocorre no caso dos municípios produtores de petróleo. Neste caso, o setor industrial contabiliza robustos valores monetários oriundos da atividade desenvolvida em alto mar, que na realidade não interfere no dia-a-dia da economia, a não ser pela compensação dos royalties e das participações especiais pela produção.

Esta é a realidade da rota do petróleo brasileira, onde municípios como Presidente Kennedy (ES), Campos dos Goytacazes, Quissamã, e São João da Barra (RJ), especialmente, apresentam valores de PIB per capita não compatíveis com a dinâmica do sistema econômico.

O gráfico acima apresenta os valores de PIB per capita para países da Europa, Brasil e os principais municípios da região Norte Fluminense.

Observe que Presidente Kennedy apresenta um PIB per capita maior quase três vezes do PIB per capita de Luxemburgo, que é o maior da Europa. Na comparação com o PIB per capita do Brasil, o mesmo município capixaba supera em 18 vezes. O mesmo município também supera largamente países importantes da Europa com: Noruega, Suíça, Suécia, Alemanha, Finlândia, França, Itália, etc. Como visto, uma situação no mínimo  esdrúxula.

Ainda fortalecendo a presente tese, este município, que podemos classificar de mais "rico do mundo", segundo a metodologia do PIB per capita, apresenta uma estrutura econômica bastante medíocre. Gerou 105 empregos em 2011, sendo: 15 na indústria de transformação, 25 na construção civil, 34 no comércio, 23 na atividade de serviços e 5 no setor agropecuário. O valor das receitas correntes neste ano somou R$227,2 milhões, sendo R$4,4 milhões de receitas próprias ou o equivalente a 2% das Receitas Correntes. As transferência correntes somaram R$209,0 milhões, sendo R$184,2 milhões correspondentes a royalties de petróleo. Este município investiu somente R$12,1 milhões em 2011, ou o equivalente a 5,3% das receitas correntes.


Informações adicionais como uma estrutura de trabalhadores correspondente a 2040 empregados, sendo 1380 alocados no serviço público e uma renda média mensal do trabalho de 2,4 salários mínimos neste mesmo ano, corroboram com a nossa critica ao PIB como indicador de riqueza e bem estar social. Definitivamente esses sistemas econômicos não avançaram, segundo o indicador do PIB per capita.  

domingo, 15 de dezembro de 2013

A dinâmica econômica do Rio de Janeiro na ótica da distribuição do ICMS

O processo de descentralização econômica do Estado do Rio de Janeiro parece seguir em direção oposta aos grandes investimentos nas atividades de petróleo e infraestrutura portuária. Observando a variação percentual da participação regional na arrecadação de ICMS, verifica-se que a região Norte Fluminense, rota do petróleo e localização dos portos, perdeu 1,98% no índice para 2014 (referência da movimentação econômica de 2012), em relação ao ano anterior. A queda só não foi maior em função do resultado positivo de Macaé, sede das empresas do ramo de petróleo. Os outros municípios não responderam aos estímulos dos investimentos públicos e privados. 
No conjunto das regiões que apresentaram resultados positivos, a região Noroeste cresceu a participação em 1,26%, impulsionada pelos principais municípios de Itaperuna e Santo Antônio de Pádua.  
A região Metropolitana cresceu 1,71%, impulsionada por Niterói, enquanto os melhores resultados se concentraram na região Centro Sul com 2,41%, impulsionada pelo município de Três Rios e na região Litoral Sul Fluminense, cuja evolução foi de 8,33%, puxada pelo município de Angra dos Reis. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

A real imagem do sistema econômico da região Norte Fluminense

O Índice de Participal Municipal no ICMS representa um indicador importante por espelhar a movimentação econômica no município, ao fim de cada ano fiscal. Esse índice, que tem como base a movimentação econômica de dois anos atrás, é apurado em função do volume de ICMS gerado. Desse valor total, 25% são distribuídos para os municípios com base, fundamentalmente, no valor Adicionado Fiscal que cada um gera (vendas, compras e estoques). Como visto, a trajetória do indicador mostra a dinâmica do sistema econômico em cada município. 
Partindo desse princípio, apresentamos a tabela acima que mostra os índices para 2014 e 2013 nos municípios comparáveis na região Norte Fluminense.  
O que chama a atenção é o fato de Quissamã, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra, perderem participação no índice divulgado para 2014, cuja base é a economia de 2012. Somente São Fidélis avançou minimamente no índice de 2014 com base em 2013. Esse quadro negro se repete em toda a região, com exceção de Macaé. Mais uma vez fica a indagação: Qual é o papel das receitas de royalties e dos investimentos privados da atividade portuária na dinâmica econômica dos municípios beneficiados?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Reflexos da crise internacional!

Brasil e México derrubam a taxa de crescimento do PIB da América Latina em 2013.

http://www.valor.com.br/internacional/3369112/cepal-espera-crescimento-menor-da-america-latina-e-caribe-em-2013

Mais uma terrível avaliação!

Incrível que por estas bandas existem indivíduos que não acreditam!
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/12/1384155-eike-batista-aparece-em-lista-como-pior-presidente-executivo-de-2013.shtml

Verão, turismo e emprego!

Muitas expectativas são criadas em relação ao primeiro trimestre do ano, especialmente por conta do verão, férias, etc. Os balneários divulgam um recheado calendário de atividades para atrair "turistas" e comemoram uma forte expansão de emprego no comércio. Neste momento, o discurso reflete esta situação.
Visando contribuir em termos de informações reais sobre o passado, apresentamos o saldo de emprego gerado no primeiro trimestre de cada ano para os municípios de São João da Barra, Quissamã, São Francisco de Itabapoana e São Fidélis. 
Conforme pode-se observar, o município de São Francisco de Itabapoana gerou o maior número de emprego no período. Foram 53 novas vagas criada nesse período, considerando o primeiro trimestre. Quissamã gerou 43 empregos, São Fidélis 38 e São João da Barra, em último lugar, gerou 31 empregos no período. É importante observar que o município vencedor não é produtor de petróleo e não recebeu investimento privados como São João da Barra, por conta do porto do Açu. O mesma avaliação se ajusta a São Fidélis, cuja localização ainda é distante do litoral.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Uma preocupação considerável!

Uma preocupação real. Apesar da inegável capacidade de recuperação americana, superar crises dessa magnitude não é nada fácil. Indicadores isolados de curto prazo podem realmente gerar expectativas fantasiosas.

http://www.valor.com.br/internacional/3365496/nobel-de-economia-diz-que-ha-risco-de-recessao-global-em-2014

Execução Orçamentária em Campos dos Goytacazes em 2013

A execução orçamentária em Campos dos Goytacazes, no período de janeiro a outubro de 2013, se apresenta bem ajustada. As Receitas Correntes realizadas já atingiram 76,81% do valor orçado para todo o ano. As Receitas Tributárias atingiram 102,89%, enquanto as Transferências Correntes bateram 78,60% do valor total orçado.  No grupo das Despesas, observa-se uma gestão de equilíbrio, segundo as receitas previstas. Os gastos com salário e encargos atingiram 34,3% das receitas correntes realizadas, enquanto o investimento atingiu 16,8%. Do total de R$470,0 milhões previstos para alocação em investimento, o município já liquidou R$314,0 milhões até outubro. O ano de 2013 premiará a boa execução orçamentária em Campos dos Goytacazes.

Execução Orçamentária em São João da Barra em 2013

A execução orçamentária em São João da Barra, no período de janeiro a outubro de 2013, merece algumas observações. Tudo indica que as Receitas Correntes realizadas até o fim do ano fique 19,5% menor que o valor previsto. As receitas tributárias realizadas, por sua vez, devem superar em 31,2% o valor previsto, porém as Transferências Correntes, cuja participação é muito maior nas Receitas Correntes, devem ser menor 24,8% do valor previsto para todo o ano. 
Um outro aspecto é que as Despesas Correntes são aceleradas na perspectiva de uma receita que não ocorrerá em toda a sua magnitude. A despesa de salário e encargos nos dez meses do ano levou quase a metade do valor valor arrecadado, ou 48,8% das Receitas Correntes realizadas. Inversamente, se mantem a dificuldade de alocação de recursos em investimento. De R$22,2 milhões previstos para investimento no ano, foi liquidado até outubro o equivalente a 23,4% ou R$5,2 milhões. Quer dizer que nesses dez meses, o Investimento representou somente 1,9% das Receitas Correntes realizadas. 
O último bimestre, tendo em vista as festas de final de ano, pode dificultar o necessário esforço de melhoria da execução orçamentária para 2013. Agora é o momento de pensar 2014 e planejar um processo de maior eficiência. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Exportação de Minério de Ferro em novembro

O comércio de minério de ferro brasileiro apresenta uma certa estabilidade. A receita de novembro caiu 6,5% em relação ao mês anterior, porém apresenta um crescimento de 14,1% em relação ao mesmo mês de 2012. O volume embarcado no mês sofreu uma queda de 4,9% em relação ao mês anterior e apresentou uma queda 5,1% em relação ao mesmo mês de 2012. O preço médio praticado em novembro caiu 1,7% em relação ao mês anterior, porém cresceu 20,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O gráfico apresenta os preços praticados no período de janeiro a novembro dos anos 2012 e 2013. O preço de novembro de 2013 é maior 6,2% do preço praticado em janeiro de 2012.

Exportação de açúcar em bruto em novembro

O mês de novembro manteve a trajetória de queda das exportações da commoditie açúcar em bruto. A receita caiu 12,6%, o volume embarcado caiu 11,6% e o preço caiu  1,2% em relação a outubro. Na comparação com novembro de 2012, verificou-se uma queda de 34,1% na receita em dólar, uma queda de 20,1% no volume embarcado e uma queda de 17,6% no preço por tonelada.
 O gráfico apresenta a evolução do preço por tonelada nos anos de 2012 e 2013. Conforme pode-se observar, o preço praticado em novembro de 2013 é menor 31,5% do preço praticado em janeiro de 2012.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Exportações brasileiras por blocos econômicos no período de janeiro a novembro de 2013

O saldo da Balança Comercial em novembro ficou positivo em US$1.740 milhões, resultado da exportação de US$20.862 milhões e da importação de US$19.122 milhões. No acumulado de janeiro a novembro, o saldo foi negativo em US$89,0 milhões. 
A tabela apresenta as exportações acumuladas por blocos econômicos. A Ásia e a América latina apresentaram crescimento de 3,95% e 3,85%, consecutivamente, em relação ao mesmo período de 2012. Os demais blocos apresentaram queda.
O gráfico apresenta a participação percentual dos blocos econômicos nas exportações brasileiras no período de janeiro a novembro. A Ásia lidera com 32,3%, seguida pela America Latina com 21,8%, União Européia com 19,9% e Estados Unidos com 10,2%.

Royalties em novembro de 2013 na região Norte Fluminense

Os valores correspondentes a arrecadação de royalties de petróleo em novembro, na região Norte Fluminense, são dispostos na tabela. Campos dos Goytacazes lidera com uma arrecadação de R$56,2 milhões no mês e um acumulado de R$575,1 milhões no período de janeiro a novembro de 2013. Macaé teve uma arrecadação de R$42,0 milhões no mês e um acumulado de R$426,0 milhões, seguido por São João da Barra, com uma arrecadação de R$10,6 milhões no mês e um acumulado de R$96,7 milhões. Importante observar que as parcelas correspondentes as participações especiais não estão incluídas nesta tabela.
Comparativamente ao ano de 2012, verifica-se uma queda de 2,07% na arrecadação da região em 2013, considerando o período analisado. Em Campos dos Goytacazes a queda na arrecadação foi de  0,23%, em Macaé a queda foi de 2,35% e em São João da Barra foi registrada a maior queda foi de 8,0%, no mesmo período.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Os investimentos do porto do Açu e seus reflexos no emprego no comércio em São João da Barra

Os saldos de emprego gerados em São João da Barra, no período de construção do Porto do Açu, evidenciam as contradições nos relatórios de impacto ambiental, que registram os impactos e as promessas de políticas compensatórias por conta das intervenções. Observem que as obras iniciam no final de 2007 e tem seu seu ápice em 2008. Ainda sem o impacto das obras, o ano de 2007 registra uma geração de 34 novas vagas no comércio. Em 2008, realmente observa-se um forte crescimento com o registro de 89 novas vagas no comércio. Em 2009 são geradas somente 10 vagas, em 2010 são geradas 28 vagas e em 2011 são geradas 39 vagas. Em 2012 observa-se um resultado negativo, onde as demissões superaram as admissões em 29 vagas e em 2013, até outubro, foram geradas somente 23 vagas. A conclusão que se chega é que as promessas de geração de emprego, em função das obras do porto do Açu, não se concretizaram. Somente nos anos de 2008 e 2011, o saldo de emprego superou 2007. Segundo esses indicadores do Ministério do Trabalho, os investimentos do porto do Açu não tiveram impacto no comércio, conforme promessa.