sábado, 29 de junho de 2013

Royaties de petróleo em junho na região Norte Fluminense

O valor relativo a transferência de royalties de petróleo em junho, nos municípios da região Norte Fluminense, foi menor 8,15% do que o o mesmo valor em maio. Conforme a tabela, Campos dos Goytacazes manteve a liderança com recebimento de R$45,2 milhões, seguido por Macaé com R$32,6 milhões, São João da Barra com R$7,2 milhões e Quissamã com R$6,0 milhões. O total destinado aos municípios dos Estado do Rio de janeiro também apresentou queda de 6,68% em relação ao mês anterior.
Observando o gráfico, podemos verificar uma queda na participação percentual do valor destinado a região em junho, comparativamente ao mês anterior. A trajetória da participação regional apresenta um tendencia de queda ao longo dos meses. Em janeiro 46,14% do total destinado aos municípios dos Estado eram absorvidos pela região Norte Fluminense. Em junho, este percentual caiu para 43,21%. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

VAI PASSAR

Os primeiros desdobramentos da ida às ruas dos manifestantes revela, além da ação dos governos municipais e estaduais na redução das tarifas urbanas, um Congresso Nacional que já deu respostas com votações importantes negando a tentativa de implantação da PEC 37 e aprovando a destinação dos royalties para a educação e saúde.

A juventude exige padrão de qualidade “FIFA” para as políticas públicas de educação, saúde e mobilidade urbana, entre outras, o que requer uma agenda planejada, com compromissos, projetos e programas para atacar, de forma consequente, nossos problemas do dia a dia.

Sabemos todos que cada plano tem que estar municiado de um caderno de encargos, constando metas, prazos, avaliações periódicas e controle social para obter resultados palpáveis e concretos. Por outro lado, nossa democracia é jovem (25 anos) e ainda frágil.

Relembrando nossa história, até o início do século XX prevaleceu o voto censitário, onde somente a renda e a propriedade (concentradas) davam o direito a participar do sufrágio universal. A Lei Saraiva acabou com estas regalias, mas manteve de fora dos direitos políticos os analfabetos. O voto feminino só ocorreu no Brasil em 1932. Além do mais, somente depois de uma longa ditadura que vigorou entre 1964 e 1985, através da Constituição Cidadã de 1988 é que o sufrágio universal chegou para todos os cidadãos brasileiros.

É neste contexto, que uma educação pública de qualidade e com conteúdo se faz urgente e necessária, de modo a fazer crescer o grau de formação política de nossa juventude. Uma primeira leitura das pesquisas com os manifestantes, nos revela  a presença de valores liberais e individualistas e certa despolitização negando a importância da disputa política na definição dos destinos de nossa nação. Uma maior educação política de nossos jovens incluiria a exata noção do papel do Estado, partidos políticos, sistema eleitoral, financiamento de campanha e demais fatores na evolução de uma sociedade democrática.

Nos novos tempos, o marketing eleitoral precisa ser substituído pela verdadeira política. Em paralelo, a força do poder econômico precisa estar regulado pela necessária busca do bem comum e as administrações públicas tecnocráticas terão que se aproximar das comunidades, através de uma maior participação popular na definição dos orçamentos e gastos públicos.

A garotada clama por mais direitos civis (liberdades), políticos (participação) e sociais na forma de incremento na distribuição do produto social e seu excedente. Trata-se de um movimento com ideologia de caráter liberal, com liderança difusa e uma estrutura pouco hierarquizada que busca uma sociedade com serviços públicos mais eficientes e renda menos desigual.


Ranulfo Vidigal – mestre e doutorando em políticas públicas estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Prioridades da execução orçamentária em São João da Barra

As receitas correntes realizadas em 2011 no município de São João da Barra somaram R$347,9 milhões, entretanto as despesas liquidadas por função somaram R$213,7 milhões no mesmo ano. 
O gráfico apresenta as funções e os valores liquidados correspondentes. Dentre as principais funções, a saúde absorveu R$47,7 milhões ou 22,34% do total das despesas, a administração liquidou R$38,2 milhões ou 17,86%, a educação liquidou R$35,7 milhões ou 16,72% e urbanismo liquidou R$35,2 milhões ou 16,48%.
Segundo a execução apresentada, uma forte prioridade foi dada a função administração, abaixo somente da função saúde. A função urbanismo apresentou a mesma importância da educação, o turismo apresentou um grau de importância quatro vezes maior do que a agricultura, enquanto a função assistência social apresentou um grau de importância seis vezes maior do que a agricultura. Os valores relativos a conta de restos a pagar não foram considerados na presente análise.

Democracia e Desenvolvimento Econômico

Artigo publicado no Jornal O Diário - 25/06
de Alcimar das Chagas Ribeiro

O aprofundamento das discussões que venho exercitando sobre desenvolvimento econômico, tem fortalecido a ideia de que o estagio atual da democracia brasileira apresenta aspectos que inibem a construção de um ambiente propício ao desenvolvimento socioeconômico. 

Naturalmente é preciso considerar as diferenças regionais e a capacidade de competição das empresas. Neste caso, o nosso foco de análise está nas regiões periféricas que apresentam dificuldades frente ao sistema econômico de coordenação pelas regras de mercado.

Desta forma, uma alternativa se constituiria através da existência de um espaço social com facilidade de articulação para a construção de redes e sistemas de governança. Este ambiente poderia motivar a construção de ações coletivas em direção ao desenvolvimento, aqui entendido como acesso real dos indivíduos as necessidades fundamentais (trabalho, renda, saúde, educação, moradia e lazer).

Lamentavelmente, resultados de diversos trabalhos científicos tem apontado características bem diferentes em  alguns espaços na região Norte Fluminense. Alto grau de individualismo e descaso com relação à "coisa pública" tem sido uma prática recorrente. Exemplo como a passividade da população em relação aos impactos dos investimentos nos setores petrolífero e portuário e, fundamentalmente, em relação à ineficiência da execução orçamentária nos municípios mais afetados por esses investimentos, corrobora com a ideia da necessidade do fortalecimento da democracia.

Tal fato depende da participação efetiva dos membros da sociedade, através dos diferentes organismos sociais constituídos na menor unidade de organização, que é o município. Institucionalmente, essas unidades  apresentam uma condição de independência política e econômica. 


Assim, o exercício da cidadania poderá promover a articulação em rede, fortalecer as relações democráticas, oxigenar as instituições e potencializar o desenvolvimento pela utilização eficaz dos recursos locais tangíveis e intangíveis. 

sábado, 22 de junho de 2013

Excelente análise do movimento

http://www.valor.com.br/video/2495481371001/o-futuro-incerto-das-manifestacoes

Segue a crise no grupo EBX

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,malan-tourinho-e-ellen-gracie-deixam-conselho-da-petroleira-ogx,157271,0.htm

Uma lição dos protestos no País

Uma importante lição que fica da onda de protestos em todo país é que o povo é mais forte do que as forças políticas e governos constituídos. Aliás, uma condição natural no processo democrático que estava adormecida, em função da subserviência dos entes da sociedade aos poderes executivos, cuja coerção, em alguns casos, se estende ao legislativo e ao judiciário pela força do orçamento.

Fica claro nesse momento que é preciso inverter a ótica e que a sociedade deve se constituir como subordinadora e não subordinada do poder público. Porém é preciso entender a necessidade de se organizar localmente, já que o que existe de fato na organização social são os municípios. Neles é que as pessoas vivem, trabalham, consomem e, naturalmente, precisam atender as suas necessidades básicas de saúde, educação, lazer, etc.

Nesse contexto, em que os governos municipais são independentes orçamentariamente e politicamente, os indivíduos precisam fortalecer as suas organizações sociais representativas de classes, de maneira que se de uma participação efetiva nas discussões sobre a alocação dos recursos orçamentários e, naturalmente, na definição das melhores estratégias dirigidas para o desenvolvimento socioeconômico local.


Questões levantadas como combate à corrupção, melhor gestão dos recursos públicos, respeito ao cidadão, etc., passam pelo fortalecimento da democracia que é resultado de um processo de organização, participação e exercício de cidadania. Ações pontuais, sem um foco definido, tornam-se ondas de alto risco democrático.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Emprego formal em maio na região Norte Fluminense

O saldo de emprego formal na região Norte Fluminense declinou 75,56% em maio com relação a abril, puxado por São João da Barra. Campos dos Goytacazes contabilizou um saldo acumulado de 2.109 vagas de emprego no período de janeiro a maio, com o setor agropecuário concentrando 1.240 vagas ou 58,8%, serviços 866 vagas ou 41,06% e indústria de transformação 374 vagas ou 17,73%.
Macaé gerou 1.705 emprego no período de janeiro a maio, onde a construção civil concentrou 2.733 vagas ou 160,29% e o setor de serviços 226 vagas ou 13,26%.
São João da Barra destruiu 1.406 vagas de emprego em maio e 1.071 vagas no período de janeiro a maio.
O gráfico apresenta a trajetória do saldo de emprego no período de janeiro a maio de 2013. Observa-se uma forte queda no saldo de emprego por conta do processo de desaceleração dos investimento na área porto do Açu.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Projeto da UENF dissemina aspectos da história local em São João da Barra

Projeto de extensão da UENF avança envolvendo alunos da escola pública em São João da Barra. Com o objetivo de disseminar aspectos da história local os bolsistas apresentam  seminários nas escolas e trabalham na construção de uma cartilha ilustrada para distribuição e incentivo ao debate.
Desdobramentos importantes são observados com a mudança de estratégias. Inicialmente com foco nos alunos do ensino médio, agora o projeto formula ações para o ensino fundamental, com envolvimento dos diretores, professores e pessoal de apoio. Atividades como seminários, exposição de fotos antigas, peças teatrais, vídeos, etc. estão sendo estruturadas para disseminação nas escolas e outras entidades sediadas no município.
As imagens retratam o evento denominado "Café Literário" organizado pela escola Dr. Newton Alves que assumiu o projeto como institucional para o ano de 2013. Os alunos já experimentam o processo de discussão de pesquisa e exposição de documentos e fotos antigas do município, alimentando discussões sobre o modo de vida em momentos diferentes da história.
As atividades compõem o objetivo principal do projeto, cuja premissa define que o conhecimento da história fortalece o senso de pertencimento dos indivíduos, levando-os a cuidar, proteger o patrimônio material e imaterial da cidade, além de fortalecer o seu comprometimento com o bem estar coletivo. 

O projeto em seu segundo ano, atua com os bolsistas Débora Soares Longue, Chrisson Monteiro Roza, Francisco de Assis e coordenação do professor Alcimar das Chagas Ribeiro no Laboratório de Engenharia de Produção da UENF.

JUVENTUDE NAS RUAS

A efervescência dos movimentos populares nas principais praças dos centros urbanos pelo Brasil, ou de brasileiros em cidades importantes como Londres, Paris e Los Angeles, nos Estados Unidos nos leva a refletir sobre o que tem acontecido em nosso país nos últimos dez anos, suas implicações e seus desdobramentos. Em primeiro lugar, apesar dos inegáveis avanços econômicos recentes, ainda somos uma sociedade com alta desigualdade de renda e infraestrutura de má qualidade, que se reflete na baixa competitividade de nossos produtos no exterior, de modo tal que, nossas exportações mantém-se estagnadas em 1,7 % do total mundial, desde os anos 1980.
Neste contexto, voltamos a ser uma economia de baixo crescimento econômico e a curva de geração de empregos formais está inegavelmente com inflexão negativa, diante de uma conjuntura de mudanças dos fundamentos da economia internacional. Isto já se reflete nos movimentos dos preços relativos dos ativos financeiros, em escala planetária e. Em paralelo, a China ao reduzir seu extraordinário ritmo de crescimento contém a vantagem relativa que os países sul - americanos tinham até recentemente. Em outras palavras, a janela de oportunidades que permitiu ao Brasil, acumular reservas internacionais e promover políticas de inclusão e promoção do bem estar, com recursos fiscais fartos acabou.
Seremos doravante uma economia, com piora em nossas contas externas, refletindo-se em um aumento do dólar, pois os recursos especulativos no mercado financeiro internacional estão voltando para a economia mais segura do mundo – a americana. Por outro lado, os preços de nossas principais matérias primas de exportação, como soja e minério de ferro caem. Hoje setenta por cento de nossas exportações são matérias primas alimentares e minerais. Tudo isso, como resultado da escassez de liquidez (dólares) que já predomina no mundo financeiro. Nesta nova conjuntura, a inflação já está se acelerando e o poder de compra dos salários das famílias está caindo.
Em linhas gerais, a sensação de bem estar reverte-se rapidamente e os problemas de destinação dos recursos públicos escassos fica patente. Senão vejamos, quando em uma cidade como São Paulo de grandes engarrafamentos, ou no Rio de janeiro - onde dez por cento do gasto familiar é com transporte público, os gestores de políticas públicas gastam bilhões com estádios que só servirão para uma importante competição internacional - a Copa do Mundo, a população observa e clama pelos seus direitos. Principalmente aquele cidadão que paga altos impostos e constata com tristeza que sobram gramados bem cuidados e faltam hospitais de qualidade. Por outro lado, com o fortalecimento da internet e das redes sociais o controle das informações, pelos meios de comunicação tradicionais, perde força de modo rápido.
Em síntese, no mundo social, onde predomina uma nova consciência da população jovem aparentemente “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Incluindo neste pacote o prestígio dos partidos, do Congresso e consequentemente, ganha visibilidade o poder da mobilização social nas ruas e esquinas de nosso Brasil.


Ranulfo Vidigal – mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto d Economia da UFRJ.

Crise na OSX

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/as-licoes-do-investidor-que-perdeu-um-imovel-em-acoes-da-ogx

domingo, 16 de junho de 2013

Contribuições para a reflexão sobre a agricultura em São João da Barra

Com a divulgação das diretrizes e propostas para o desenvolvimento do setor  agrícola em São João da Barra, por ocasião da 2ª Conferencia  Estadual de Desenvolvimento Rural, apresento a apresente análise como contribuição as ações futuras.

A atividade agrícola no município operou uma área colhida de lavoura temporária de 2.931 hectares em 2011, área 28,51% menor do que a área de 4.100 hectares colhida em 2006. Com baixa diversificação de culturas e forte concentração, em 2011 a cultura de cana-de-açúcar ocupou 88,71% da área colhida, o abacaxi 8,53%, a mandioca 1,77% e a batata doce 0,68%.

A análise do valor econômico, entretanto, mostrou uma situação oposta. Foi observado um forte crescimento 228,42% nesta modalidade, por influencia da valorização do abacaxi e da cana-de-açúcar no mercado. Neste mesmo período o abacaxi teve uma perda de produtividade de 13,33%, enquanto a cana-de-açúcar ganhou 26,67%, considerando produção/área colhida.

Na atividade da lavoura permanente o município operou em 171 hectares em 2011, área 23,02% maior do que a área colhida em 2006. Repetindo a baixa diversificação, a cultura de coco-da-baía ocupou 52,63% e a cultura da goiaba ocupou 40,94%.  

O valor da atividade apresentou um crescimento de 166,52% em 2011, com base no ano de 2006. Os fatores responsáveis foram o crescimento da área colhida, o crescimento de 170% na produtividade do coco-da-baía e o crescimento de 20% na produtividade da goiaba. Há de se considerar ainda uma boa valorização dessas cultura no mercado.


Apesar do bom resultado em termos de produtividade do valor monetário, o setor está longe de uma condição razoável, exigindo a formulação de políticas públicas para o seu fortalecimento, que passa por um esforço de planejamento rural, inserção de conhecimento técnico, gestão profissional e uma boa dose de comprometimento. Não acredito que ações externas oriundas do Governo Estadual possam contribuir nessa direção. O problema é institucional e as ações de natureza endógena.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Operações bancárias em março na região Norte Fluminense

As operações bancárias na região Norte Fluminense em março de 2013, seguem mantendo o padrão da movimentação de 2012. Campos dos Goytacazes lidera as operações de crédito com R$1,8 bilhão, seguido por Macaé com saldo de R$1,5 bilhão. Nas operações de depósito a vista do setor privado, Macaé lidera com saldo de R$301,9 milhões, seguido por Campos dos Goytacazes com saldo de R$253,5  milhões. Nas operações de depósitos a prazo, Campos dos Goytacazes volta a liderar com saldo de R$1,0 bilhão, seguido por Macaé com saldo de R$802,0 milhões.

Entre os outros municípios, destaca-se São Fidélis com um saldo de R$129,5 milhões de operações de crédito, valor superior ao saldo de R$63,0 milhões contabilizados em São João da Barra e R$83,4 milhões em São Francisco de Itabapoana.

As operações de depósito a prazo em São João da Barra, com um saldo de R$187,3 milhões, representam um forte padrão  de concentração de renda com baixa dinâmica econômica, indicado no alto grau de preferencia pela liquidez dos bancos (baixa confiança no sistema econômico e redirecionamento dos recursos para outros centros).  

terça-feira, 11 de junho de 2013

Crescente Desconforto

"Análise do economista Ranulfo Vidigal"

As principais instituições que assessoram os bancos e financeiras brasileiras apontam um cenário externo de mudança, com deterioração nos termos de troca da balança comercial com o exterior, menor crescimento da economia chinesa e dólar forte, em decorrência da recuperação da economia americana. Sinal amarelo, portanto, por aqui.

Historicamente todas as crises brasileiras decorreram de um ambiente externo hostil. A exceção, foi à crise recente de 2008 onde a vulnerabilidade externa era baixa. Assim, Lula acelerou a inclusão social e reduziu as desigualdades. Entretanto, este período virtuoso, não foi aproveitado para construir a necessária mudança estrutural da economia brasileira, na direção de uma indústria  inovadora, eficiente e competitiva.

Entre 1930 e 1980, a industrialização substitutiva de importações no Brasil, teve sempre um forte papel estatal no planejamento e na industrialização, em associação com o  capital estrangeiro, de grande participação no setor de bens duráveis, (no consumo de automóveis e eletrodomésticos), e de bens de capital ( máquinas e equipamentos).

A projeção de uma taxa de cambio para os próximos meses no patamar de R$2,10 (dois reais e dez centavos) não deve permitir uma expressiva recuperação industrial, na medida em que o dólar ainda barato, torna as importações atrativas. Isto, contudo, favorece ao controle da inflação, crucial para a estabilidade política do governo.

A sensação de bem estar tende a tornar-se menor, sempre que a velocidade do crescimento no emprego desacelera, (como ocorre atualmente) ou quando o poder de compra dos salários é corroído pela alta dos alimentos e serviços de primeira necessidade, como também ocorre atualmente.
O baixo crescimento com a alta inflação, trás a desigualdade que mata o desenvolvimento genuíno. Se a riqueza se concentra em poucas mãos, a crise é inevitável, pois a polarização na renda reduz o crescimento na geração de bens.

Nas ultimas três décadas o mundo tornou-se cada vez rico e o Brasil deixou de ser um pais de elevadas taxas de crescimento. Tal fato inclusive, reduziu o incremento da produtividade e manteve nossa distribuição de renda entre as mais injustas da planeta.

Ranulfo Vidigal – mestre e doutorado em politicas públicas, estratégia e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

sábado, 8 de junho de 2013

Estudo da dinâmica estrutural-diferencial da microrregião do Vale do Paraíba Fluminense (RJ) no período de 2007 a 2012

     * Alcimar Chagas, Jéssica Faez, Jéssica Barroso e Thays Lacerda 
Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF

O Projeto de iniciação científica do Laboratório de Engenharia de Produção da UENF, premiado no V CONFIC (Congresso de Iniciação Científica e Tecnológica), discutiu a dinâmica do emprego na microrregião do Vale do Paraíba.  A partir da utilização do método estrutural-diferencial (shift-share), o saldo de emprego por setor de atividade foi desagregado a nível de município para a microrregião indicada.

Na avaliação integral do período, foi registrado um forte declínio de 68,83% em 2012, com base em 2007. Apesar da queda observada, os setores de administração pública e comércio apresentaram taxas de crescimento no período. A administração pública se recuperou do saldo negativo de 2007, enquanto que o setor de comércio apresentou um crescimento de 25% no período analisado. A representação percentual dos saldos setoriais no emprego total em 2012 acentuou o setor de serviços com 56,99% e o comércio com 72,54%.

O gráfico abaixo apresenta a trajetória do saldo de emprego por setor de atividade na microrregião.


Segundo o conceito de vantagem competitiva especializada, taxa de crescimento setorial superior ao Estado, os setores mais dinâmicos dessa microrregião foram a Indústria de Transformação e os Serviços Industriais de Utilidade Pública. 

Os municípios em destaque no setor de indústria de transformação foram: Barra Mansa, Itatiaia, Quatis, Rio Claro e Volta Redonda, que apresentaram resultados bem positivos, apesar da crise da indústria no País e seus reflexos no Estado do Rio de Janeiro.

No setor de serviços indústria de utilidade pública, os municípios em destaque foram: Itatiaia, Pinheiral, Pirai, Porto Real e Resende. O crescimento neste setor está relacionado a demanda gerada por serviços público de concessão do Estado, em função do crescimento desses municípios.

Pelo exposto, fica evidente a importância da atividade industrial para o desenvolvimento local regional, já que a mesma potencializa outras atividades importantes e necessárias a estruturação das cadeias produtivas. As limitações econômica da microrregião Campos estão baseadas, exatamente, na ausência de sistemas industriais includentes de mão de obra e geradores de rendimento crescente.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sustentabilidade ou irresponsabilidade? confusão conceitual na EBX

A nossas reflexões sobre os investimentos do Complexo Portuário do Açu sempre se basearam em sua natureza, ou seja, característica exógena e ancorada em recursos naturais. Neste caso, a proteção do território do seu entorno é essencial e obrigatória, tendo o Governo um papel de relevância no processo de articulação com os agentes envolvidos.

Alertamos que tal condição não ocorria, já que o poder público, tanto Estadual, como Municipal, optou pela proteção aos agentes produtivos em detrimento da sociedade. A prova concreta desta afirmação está no abandono das medidas compensatórias pactuadas nos estudos socioambientais e nas audiências públicas. Posso lembrar das prometidas ações para o fortalecimento do comércio local, agricultura familiar, além da criação de alternativas para inibir problemas na pesca artesanal.

Apesar da tentativa de ampliação dessas ideias, as respostas do empreendedor e do governo rotulavam os críticos de inimigos do "desenvolvimento", alimentando a expectativa da população com gastos pontuais e sem nenhuma relevância sustentável. Como exemplo, a construção de consultório dentário para pescadores, distribuição de brindes em eventos organizados pelo poder público, maquiagens em obras públicas, etc.

A crise deflagrada no grupo empresarial joga a tona questões importantes, já levantadas anteriormente, como a criação de expectativas sem o compromisso com a sua realização. O município já foi comparado à cidade de Xangai, viagens internacionais foram promovidas para observação dos modelos de distritos industriais na Europa e o comprometimento com a sustentabilidade foi estampado nas publicações sobre gestão de território.

Finalmente, com a notícia de extinção da diretoria de sustentabilidade, acompanhada de muitas demissões no grupo EBX, reacendem as nossas expectativas sobre o futuro do projeto e a sociedade precisa cobrar responsabilidade do poder público que contribuiu para esse quadro de incerteza e dificuldades para a população.



terça-feira, 4 de junho de 2013

Exportação de minério de ferro em maio de 2013

As exportações de minério de ferro apresentaram um crescimento de 16,39% no volume embarcado em toneladas, 16,35% no valor da receita e a manutenção do preço em maio, com relação a abril de 2013.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, foi verificado um crescimento de 1,39% no volume embarcado em toneladas, crescimento de 7,17% nas receitas em dólares e uma crescimento de 5,74% no preço médio praticado.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços praticados nos meses de janeiro a maio de 2012 e 2013.

Exportação de Açúcar em Bruto do Brasil em maio de 2013

A movimentação de commodities brasileiras no comércio exterior apresenta um crescimento, em relação ao mês anterior, de 12,25% no volume embarcado de açúcar em bruto, um crescimento de 9,62% nas receitas em dólares, com uma queda de 2,33% nos preços praticados em maio de 2013. 
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, observa-se uma queda de 16,64% nas receita de exportação, um crescimento de 4,57% no volume embarcado e uma queda de 20,28% nos preços praticados.

Exportações brasileiras no comércio exterior em maio de 2013

O Brasil contabilizou um saldo superavitário de US$760 milhões na Balança Comercial em maio e um saldo deficitário de US$5,4 bilhões no período de janeiro a maio do mesmo ano. 
As exportações por blocos econômicos apresentaram queda de 4,67% no período jan-maio de 2013, em relação ao mesmo período de 2012. Resultados positivos de crescimento foram observados nas operações com a Ásia 3,6% e Oriente Médio 9,82%. Os outros blocos listados na tabela, apresentaram queda no mesmo período.
O gráfico apresenta a participação percentual dos blocos econômicos nas exportações brasileiras de janeiro a maio de 2013. Observa-se importante participação da Ásia com 32,7%, seguido pela América Latina com 20,6%, União Européia com 19,4% e Estados Unidos com 10,1%.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sustentabilidade! Responsabilidade Social! Apenas discurso!

http://www.valor.com.br/empresas/3147042/ebx-extingue-diretoria-e-demite-mais-de-50-funcionarios

Alertamos para o discurso vazio do empreendedor do Porto do Açu, em relação a implementação das medidas compensatórias e a complacência do Governo. Está ai a comprovação de que estávamos certos. O Grupo EBX extinguiu a diretoria de Sustentabilidade, mostrando que questões importantes de proteção de recursos naturais e pessoas não interessam. Efetivamente, o que importa é grana no bolso! É uma pena que a sociedade não se manifeste sobre tema tão fundamental!

sábado, 1 de junho de 2013

Entendendo o subdesenvolvimento através do comportamento social

Pensar em desenvolvimento socioeconômico como acesso as necessidades essenciais (saúde, educação, trabalho, segurança, renda, etc.),  é entender o papel institucional e a sua eficiência operacional. Neste caso, o processo de governança induzido pelas forças políticas é fundamental, exigindo, portanto, um comportamento adequado das liderança políticas e sociais.  

Esta é a questão central e indicadora da distância que se encontra, especialmente,  as regiões Norte e Noroeste Fluminense de um ambiente qualificado para o desenvolvimento. Guardada algumas situações muito especiais, o traço comportamental das lideranças dessas regiões, inversamente, são favoráveis ao avanço do subdesenvolvimento. O que chamamos de "prepotência do poder" parece estar muito acentuada nas diferentes lideranças, ou seja: resistência para ouvir, auto defesa, super avaliação de suas ações, exagerada valorização corporativa, etc. Esse contexto institucional, dificilmente avançará para um quadro de desenvolvimento, segundo o conceito indicado.

E por que tal fato ocorre? Dentre outras explicações que devem existir, arrisco a reflexão sobre as seguinte questões: "As instituições moldam a política" e "As instituições são moldadas pela história". Ora, se considerarmos instituições como hábitos, normas, procedimentos ou outros mecanismos sociais de controle da sociedade, temos que o comportamento dos atores sociais se ajustam as instituições vigentes. Se estas instituições não são refletidas na cultura e na história local, precisamente, fundamentos como: senso de pertencimento, ética, valorização da ação coletiva, confiança, reciprocidade, etc., não estarão presentes no padrão esperado nesses locais.


É com base nessa percepção que apresento esta visão tão pessimista sobre o futuro regional. Existe um processo de "dormência" social, onde não se observa nenhum tipo de reação pró ativa, a não ser a busca da maximização dos interesses pessoais em detrimento do coletivo. 

Definitivamente, os indivíduos se acomodam as orientações de instituições frágeis e cheias de contradições que são perversas ao maior objetivo da sociedade que é o atendimento das demandas essências de sobrevivência do indivíduo.