quinta-feira, 30 de maio de 2013

Análise da Riqueza Brasileira no I Trimestre de 2013

O Produto Interno Bruto - PIB do Brasil, atingiu o valor de US$1,11 trilhão no primeiro trimestre de 2013. Comparativamente ao último trimestre, foi contabilizado um baixo crescimento de 0,6%, salvo pela agricultura que cresceu 9,7%. A indústria declinou 0,3% e o setor de serviços cresceu 0,5%. Pela ótica da demanda, a despesa de consumo das famílias se mostrou fraca, com crescimento de 0,1%. O anterior incentivo ao consumo em um ambiente de facilidades de crédito com baixas taxas de juros e prazos elásticos, geraram endividamento que, com o crescimento inflacionário recente, deprimiu a capacidade de compra dos consumidores.
Nas operações de comércio exterior, foi verificada uma queda nas exportações de 6,4% e um crescimento nas importações de 6,3%, indicando que parte importante do incentivo à produção nacional foi aproveitada pelos países que exportam para o Brasil. Isto é, contribuímos para a geração de emprego no exterior.
Na comparação do I trimestre de 2013, com o mesmo trimestre de 2012, foi contabilizado um crescimento de 1,9% do PIB, onde a agricultura cresceu 17% impulsionado pela soja, milho, fumo e arroz. A indústria caiu 1,4% impulsionada pela indústria extrativa mineral, construção civil e indústria de transformação, enquanto o setor de serviços cresceu 1,8%. Neste período a exportação caiu 5,7% e a importação cresceu 7,4%, mostrando que o quadro não satisfatório permanece.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Indicativos de declínio da produtividade da atividade petrolífera na região Norte Fluminense

Os municípios produtores de petróleo da região Norte Fluminense vem perdendo participação no total da receita distribuída aos municípios brasileiros. A figura apresenta as participações dos municípios produtores da região em maio de 2004 e maio de 2013. Carapebus apresentou a maior perda de participação, ou 47,15%, seguido por Quissamã com 38,46%, Macaé 34,54%, Campos 22,15% e São João da Barra com 7,22%, a menor perda de participação entre os produtores. O sinal amarelo logo se transformará em vermelho sem que se estabeleça um entendimento sobre a melhor utilização desses recursos em direção a uma economia sustentável e geradora de bem estar para a população.

Royalties em maio na região Norte Fluminense

Os valores correspondem as transferência de royalties para os municípios da região Norte Fluminense. Campos recebeu R$49,2 milhões, seguido por Macaé com R$35,8 milhões, Quissamã com R$7,0 e São João da Barra com R$7,0 milhões.
A região apresentou uma participação percentual no mês de 43,9% em relação ao total distribuído aos municípios do país. O gráfico apresenta a trajetória da participação regional em 2013, indicando queda nos meses de fevereiro, março, abril e maio em relação a janeiro.

Conjuntura do Estado do Rio de Janeiro

Análise do economista Ranulfo Vidigal

O desenvolvimento capitalista significa, basicamente, expansão continuada da produção, ampliação do mercado e acumulação de capital crescente. Nesse contexto, o novo mundo pós-crise tende a ser intensivo em conhecimento e inovação, precisa ser mais eficiente na questão da natureza, ou seja, produzir com baixo teor de carbono e, em paralelo, entender que a sociedade organizada vai buscar o crescimento econômico com inclusão e justiça social.
Uma das condições básicas para o desenvolvimento econômico – a ampliação dos mercados tem necessariamente uma natureza espacial. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem sua trajetória demográfica muito associada ao seu grau de urbanização, o que implica em forte pressão pela qualidade dos serviços públicos. Entre 1940 e 2010, a economia fluminense cresceu, em média 4,2%, abaixo da média brasileira. Em 1940, o Rio tinha um PIB percapta 2,3 vezes maior do Brasil, enquanto em 2010 é de apenas 30% superior à média brasileira. Por outro lado, com o item energia ( petróleo, gás, etanol e atômica) representando forte participação na formação do emprego e da renda, a segunda unidade da federação brasileira precisa planejar seu futuro próximo levando em consideração a modificação recente da equação energética mundial, com a entrada no mercado do gás de xisto americano e o risco de redução acentuada na cotações internacionais das commodities energéticas.
Na estrutura produtiva do Estado, o agronegócio é fraco, e o setor que mais contribuiu para acumulação recente do PIB foi a intermediação financeira, embora empregando pouco. O Rio apresenta um ciclo industrial menos sincronizado com o ciclo nacional, e a renda petrolífera, embora  expressiva é preciosa e deve ser poupada. O desempenho do Rio foi satisfatório nas décadas de 40 e 50, e muito fraco entre 1940 e 2000. Na atualidade, a maior parcela do valor adicionado do Rio é do setor de serviços industriais ou utilidade pública (eletricidade, gás e água), comércio e construção civil. Em síntese, a estrutura econômica do estado é, em boa medida, herança da forte urbanização. Outra observação importante é a pequenísse participação da agropecuária, que se revela preocupante. A composição do PIB fluminense tem quase 1% para a agricultura, 26% para a indústria e 73% para os serviços.
Os destaques do Rio são: a economia criativa, comércio, finanças, pesquisa científica e tecnológica, turismo petróleo e gás, Indústria metal-mecânica, petroquímica, canavieira, logística portuária e serviços. Na onda de transformação espacial por que passa o Estado, estamos convivendo com bolhas imobiliárias e reestruturações urbanas - características do novo ciclo expansivo liderado pela industrialização do interior fluminense.


Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

sábado, 25 de maio de 2013

Instituições, Comportamento e Modernização Local

Posso afirmar que pelo menos há dez anos venho defendendo a alternativa de qualificação do ambiente, como elemento essencial para o desenvolvimento local. Na prática, qualificar o ambiente quer dizer induzir a mudanças no padrão de comportamento dos indivíduos, através do fortalecimento das instituições (políticas, econômicas e culturais). Efetivamente, a sociedade precisa se organizar em núcleos de interesse (comercial, religioso, cultural, agropecuário, etc.), para ocupar o seu devido lugar, ou seja, de subordinar as forças políticas, de maneira que possa ocorrer um processo de alocação mais eficiente dos recursos em benefício da população. O quadro atual é exatamente inverso, a sociedade é subordinada as forças políticas, fato que tem possibilitado um conjunto de ações arbitrárias e de pouca relevância socioeconômica, com reflexos no aprofundamento do quadro de subdesenvolvimento em alguns territórios.

Observa-se claramente que a prepotência do poder não reconhece práticas exitosas vividas em períodos anteriores, confunde a sociedade, ignora a força do conhecimento e pratica um discurso de valorização pessoal e corporativo, em detrimento do real comprometimento em relação ao bem estar da população.

O anuncio sobre a implantação de um projeto de piscicultura, feito pelo governo de São João da barra, corrobora com esta tese. Propositalmente tentam apagar a experiência do Projeto Capacitar, que concorreu ao edital do Programa Fome Zero do Governo Federal em 2004, se beneficiando de recursos que possibilitaram a construção de sua sede neste mesmo município, onde importantes conhecimentos sobre a piscicultura de tilapia foram gerados, inclusive com publicações em congressos e revistas especializadas.

As retrógradas práticas que impõem descontinuidade de projetos importantes estão vivas e interessam aos grupos que querem se perpetuar no poder. A estratégia de apresentar velhas experiências como novas ações, considerando que a sociedade tem memória curta e um alto padrão de dependência social, só alimentam o subdesenvolvimento.


Quanto ao projeto em planejamento, apesar de não ser especialista, mas por ter vivenciado a experiência anterior, não tenho dúvidas quanto o fracasso do mesmo. A geografia no município não é propícia, tecnicamente, para a construção de tanques escavados e a alternativa seria o retorno ao projeto de tanques cobertos em solo arenoso, cuja tecnologia social de organização é ponto crucial do negócio e, me parece, desconhecida do grupo envolvido.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

UENF promove debate sobre riqueza e desigualdade

O tema "Da Riqueza ao Desenvolvimento Sustentável: O Dilema Regional, foi debatido nesta terça feira, no auditório do Laboratório de Engenharia de Produção da UENF, pelos economistas Alcimar Chagas (UENF), Ranulfo Vidigal (UFRJ) e Roberto Rosendo (UFF), tendo a professora Jacqueline Cortes da UENF como moderadora. 
Para uma platéia composta de professores e estudantes de graduação e pós-graduação, o debate evoluiu apresentando um panorama da conjuntura econômica nacional e regional, acentuando  algumas fragilidades que corroboram para um quadro de desigualdade socioeconômico, mesmo em regiões favorecidas por substancial fluxo de investimento. As atividades petrolíferas e de infraestrutura portuária foram citadas como exemplo desse problema. Alguns pontos convergiram para o consenso entre os economistas, tais como: a ausência de um estoque de capital social necessário ao desenvolvimento da região, a fraca interação entre o governo e a academia e a fraca base industrial, geradora e distribuidora de riqueza. Esses fundamentos têm inibido a absorção de externalidades positivas, oriundas dos investimentos públicos e privados que se fazem presentes pelo menos a três décadas na região, indicou Alcimar Chagas. 
O economista Roberto Rosendo, acentuou a importância do governo, da política e do planejamento, no processo de transformação social, enquanto o economista Ranulfo Vidigal em concordância com Alcimar Chagas, falou sobre a importância do fortalecimento relacional entre governo e academia, além da necessidade do planejamento de ações endógenas voltadas para o desenvolvimento econômico, considerando as vantagens comparativas regionais.
Uma alternativa consensual entre os economistas é de que o desenvolvimento, diferente do crescimento econômico, deve passar pelo fortalecimento das instituições. Somente estas possibilitarão um ambiente propício a geração de riqueza, com um padrão de distribuição capaz de combater o processo de desigualdade perverso que aniquila parte da sociedade regional. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Evolução do emprego formal em São João da Barra no período de janeiro a abril

A trajetória do emprego formal em São João da Barra, neste ano, ratifica  a onda de preocupação em relação a forte desaceleração verificada nas atividades de construção naval no porto do Açu, e sua extensão para as outras atividades. Em abril foram registrados 581 desligamentos no município, leia-se porto do Açu, gerando um saldo negativo de 197 empregos no mês. 

Emprego formal em abril de 2013 na Região Norte Fluminense

A região Norte Fluminense gerou um saldo acumulado de 2.691 empregos no período de janeiro a abril de 2013. O município de Macaé gerou 1.536 empregos, ou 57,08%  do total, seguido por Campos dos Goytacazes com 685 empregos, ou 25,46% e São João da Barra com 335 empregos, ou 12,45%.
Setorialmente, Campos gerou 37 empregos na indústria de transformação, 114 empregos na construção civil, 742 empregos em serviços e 144 empregos na agropecuária. O comércio destruiu 405 empregos no período analisado.
Em Macaé, foram gerados 2.301 empregos na construção civil, 503 empregos no setor de serviços e 5 empregos na agropecuária. A indústria de transformação destruiu 896 empregos e o comércio destruiu 455 empregos no mesmo período.
Em São João da Barra, foram criados 58 empregos na indústria de transformação e 311 empregos na construção civil. O comércio destruiu 11 empregos, o setor de serviços destruiu 5 empregos e a agropecuária destruiu 10 empregos.

domingo, 19 de maio de 2013

Da grande moderação à longa recessão



"Análise do economista Ranulfo Vidigal"

Até meados da primeira década do atual século tivemos no mundo, a combinação virtuosa de crescimento elevado e baixa inflação, ou seja, predominou a estabilidade da demanda efetiva frente a choques conjunturais – estes últimos, aliás, fenômenos naturais na economia capitalista. Algumas explicações para tal fenômeno estariam na integração da China à economia internacional ofertando manufaturas produzidas a baixos custos salariais, bem como mudanças estruturais em favor dos serviços na composição da geração da riqueza planetária e, finalmente, mercados financeiros sujeitos a menores níveis de riscos, diante de políticas monetárias “ajustadas” ao ciclo de negócios da economia privada.

Passados cinco anos do início da crise deflagrada pela “bolha imobiliária americana”, as perspectivas da economia internacional para um futuro próximo não são muito auspiciosas, mediante um comércio de anêmica expansão, elevados níveis de desemprego na Europa, crescente desigualdade de renda nos Estados Unidos, estoque de crédito se reduzindo e confiança do empresariado fraca, diante dos baixos níveis de atividade manufatureira e déficits fiscais e cambiais insolúveis em países de grande porte na cena econômica mundial.

No Brasil, nossos líderes políticos nos últimos dez anos aproveitaram a janela de oportunidade oferecida pela melhora dos termos de troca com o exterior, fruto de uma forte demanda asiática por alimentos, minérios e energia e promoveram um crescimento econômico, com expansão do emprego de salários de base e inclusão social lastreada em políticas públicas de transferência de renda. Um olhar mais atento, entretanto, aos novos sinais emitidos pelo mercado de fatores de produção nacional, nos permite vislumbrar escassez relativa de mão de obra, baixa na produtividade industrial e sinais de conflito distributivo entre os custos salarias e os níveis de lucros necessários para alavancar, via poupança privada, os novos investimentos em setores importantes da atividade produtiva brasileira.

Outro preço importante de nossa economia – a taxa de câmbio - ainda mantém-se apreciada e vem ajudando muito no controle da inflação, o que por seu turno, mantém o poder de compra dos salários, mas enfraquece o grau de competitividade de nossa indústria, muito pressionada pela demanda que “vaza” para o exterior, através das importações. A olhos vistos cresce sorrateiramente a restrição externa da economia brasileira, em função da estagnação do comércio internacional, reversão dos termos de intercâmbio com exterior (que parecem revelar fim de ciclo) e fragilidades crescentes das contas externas de países vizinhos como a Argentina e a Venezuela. Trocando em miúdos, em 2013, o déficit em transações correntes do Balanço de Pagamentos do nosso país tangencia a faixa dos três por cento do PIB, como decorrência de fatores tais como: queda forte das exportações, elevação das compras no exterior, aluguel de máquinas e viagens internacionais.

Diante do paradigma ideológico de caráter planetário atual que privilegia a riqueza na forma de renda financeira, os juros médios do endividamento interno brasileiro sangram a capacidade de investimento do setor público, na medida em que custam anualmente cinco por do PIB, três vezes mais quando comparados internacionalmente. Desatar este nó e dotar o país de um mercado de capitais mais robusto poderia gerar a poupança líquida adicional para expandir setores importantes de nossa atividade econômica. Nos dias atuais, lucros retidos, investimentos diretos estrangeiros e os recursos do BNDES são responsáveis por mais de 90 por cento das fontes de expansão do investimento na economia brasileira.

De certa maneira, já começa a ficar nítido entre os analistas mais argutos que, as contradições associadas a uma conjuntura internacional de difícil resolução, no curto prazo, tendem a reduzir o ritmo da velocidade de transferir o ganho líquido da atividade produtiva aos estratos de menor renda da sociedade brasileira, como acorreu nos anos mais recentes, com inegável sucesso eleitoral. De modo tal que, para manter as conquistas associadas à desconcentração da renda novas frentes de expansão terão que surgir no capitalismo brasileiro.

Aparentemente, as áreas que se revelam promissoras estariam associadas à nossa exuberante biodiversidade, nossa alta produtividade agrícola, nosso mercado interno de massas e o nosso elevado déficit de eficiência da nossa infraestrutura de saneamento básico, habitação popular, estradas, ferrovias, rodovias, mobilidade urbana, portos e aeroportos.

Enfrentar esta tarefa com chances de sucesso é desafiante e requer um poder público, planejador, atuando de modo eficiente e matricial, uma carga de impostos menos regressiva, uma biodiversidade melhor protegida, uma força de trabalho com maior nível de escolarização, uma indústria de capital focada na inovação e competitiva internacionalmente, um sistema de bem estar social promovedor de incremento da produtividade e redução dos riscos laborais, juros reais compatíveis com o nível internacional e regras do jogo que transmitam a confiança ao empresariado nacional e internacional.
Ranulfo Vidigal – mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

sábado, 18 de maio de 2013

Riqueza e Prosperidade Sustentável: o dilema regional



A Feira de Responsabilidade Social Empresarial Bacia de Campos, debateu o tema “Da Riqueza à Prosperidade Sustentável”, nesta semana em Macaé. Tive a honra de participar da mesa, juntamente com o professor Silvério de Paiva Freitas (Reitor da UENF) e Martinho Santa Fé (moderador e organizador do evento). Penso que, dado a importância do tema, a sua ampliação reflexiva é essencial e pretendo colocar algumas idéias sobre a questão.

O processo de geração de riqueza na região Norte Fluminense ocorre, pelo menos há trinta e cinco anos, com a chegada da Petrobrás em Macaé. Em função da atividade petrolífera, teve início uma importante aglomeração produtiva que fixou muitas empresas estrangeiras e nacionais no município, e espraiou externalidades para Campos, Rio das Ostras e outros. Em complemento aos investimentos produtivos privados e do Governo Federal, os municípios viram crescer os seus orçamentos por conta dos royalties e participações especiais, fundamentalmente, os produtores de petróleo. Estamos falando de uma grande transformação no perfil da região que se apoiava no setor sucroalcooleiro com sinais de decadência, no setor agropecuário, pesca e pequenos negócios.

Passadas três décadas, o próprio Prefeito de Macaé fez uma declaração corajosa e merecedora de todo respeito, neste mesmo evento, onde alertava a sociedade para os sérios problemas sociais que estariam a pressionar a pobreza e a miséria de parte expressiva da população. Neste município gerador de riqueza, realmente é bem acentuada a pobreza, a violência a ausência de saneamento básico, etc.

Outros movimentos geradores de riqueza ocorrem na região a partir de 2007, com o inicio das obras do Porto do Açu em São João da Barra e, posteriormente, com o inicio das obras portuárias no complexo Barra do Furado, nos municípios de Campos e Quissamã. Nesta trajetória de importantes investimentos, temos que refletir sobre a perspectiva dessa riqueza se transformar em prosperidade sustentável. Esse processo é automático?

Podemos afirmar que não, até pela trajetória temporal já mostrada. A região Norte Fluminense apresenta uma economia debilitada, indicando que a riqueza gerada flui para outras regiões, materializando baixa externalidade positiva localmente.

Observa-se a ausências de atividades industriais que poderiam permitir uma cadeia produtiva mais articulada e geradora de trabalho, e em consonância com o padrão de conhecimento regional. As ocupações oriundas dos projetos portuários, petróleo, siderurgia, naval, enérgico, etc., não inserem os nossos trabalhadores com carência de escolaridade e experiência profissional. Neste caso ocorre a importação de mão de obra com a transferência da riqueza gerada e a internalização das externalidades negativas. Os indicadores econômicos da conjuntura atual, tais como: valor adicionado, investimento público, emprego no comércio, operações bancárias de crédito, preços relativos, renda do trabalho, etc., confirmam que os investimentos exógenos geradores de riqueza não inserem as populações locais, ao contrário, geram muitas dificuldades sociais e ambientais.

Insistimos na saída via conhecimento, onde poderíamos identificar os recursos tangíveis e intangíveis que representam vantagens comparativas na região. Esses seriam planejados e transformados em vantagens competitivas, através de uma coordenação institucional, onde a universidade, as organizações não governamentais e o próprio governo, pudessem exercer o seu papel de indução a prosperidade sustentável nesse ambiente debilitado, apesar da riqueza aparente. Diria que é uma questão de comprometimento, vontade política e, fundamentalmente, reconhecer as fragilidades.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Uma reflexão importante sobre a Petrobrás e seu papel no desenvolvimento econômico do País


http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1261149-outrora-agil-petrobras-personifica-a-lentidao-da-economia-brasileira.shtml

O desafio do crescimento da agricultura familiar através da merenda escolar


A publicação da lei que autoriza a criação de convênios e contratos para aquisição de produtos agrícolas do pequeno produtor rural, com destino a merenda escolar em Campos dos Goytacazes, representa um passo importante para o fortalecimento do setor, porém o êxito não é automático. Há de se considerar gargalos importantes, tais como: isolamento das unidades produtivas, baixa capacidade de investimento, baixa diversificação  de culturas, baixa produtividade, restrição de oferta, dificuldade na gestão, baixo padrão de informação, forte dependência à intermediação, etc.  Soma-se a esse conjunto de debilidades, um comportamento reativo de desconfiança em relação aos pacotes informacionais "despejados de cima para baixo".

Trata-se de um substancial desafio que passa, fundamentalmente, por uma reflexão sobre a estrutura organizacional do próprio governo. A prática de individualização das funções (secretarias), dificulta o processo de articulação e otimização dos recursos orçamentários, além de impor dificuldades para a implementação de projetos relevantes.

No caso específico da "Merenda Escolar", quatro pontos são essenciais: diagnóstico (oferta e demanda), planejamento, governança e experimentação. A ocorrência de  êxito exige uma visão sistêmica, já que existe  o Programa Federal, a demanda do Governo Local, as organizações locais e o sistema produtivo. Deve-se intervir no problema da desconfiança, através do uso de metodologias sociais, preparando o ambiente para o exercício operacional com base no princípio da ação coletiva. Um postulado fundamental é que,  individualmente, os produtores não conseguem atender os parâmetros exigidos pelas regras do comércio, onde predomina a coordenação de mercado. A alternativa, neste caso, seria a formulação de uma rede de proteção apoiada na governança, onde a articulação entre os agentes e  atores interessados possa potencializar rendimentos crescentes no setor. O papel da rede seria dotar o experimento dos recursos necessários, quais sejam, recursos materiais; financeiros; tecnológicos; logísticos; gerenciais, etc., de forma a eliminar as imperfeições impostas pelas regras de mercado e fortalecer os fundamentos facilitadores de maior independência setorial, através do aumento do produto, da produtividade, da renda e do emprego localmente.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Saldo das operações bancárias em fevereiro na região Norte Fluminense

Os saldos das operações bancárias de crédito, depósito a vista e depósito a prazo na região Norte Fluminense, são apresentados na tabela. Campos contabilizou R$1,8 bilhão de crédito e Macaé contabilizou R$1,4 bilhão. Nas operações com depósito a vista privado, Macaé contabilizou R$304,5 milhões, seguido por Campos dos Goytacazes com R$247,5 milhões. Na conta de depósitos a prazo, Campos contabilizou R$1,0 bilhão, seguindo por Macaé com um saldo de R$802,9 milhões. 
De acordo com o conceito de preferência pela liquidez bancária, que diz respeito a disposição dos bancos em disponibilizar crédito localmente, observa-se um bom comportamento dos municípios da região, com exceção de São João da Barra e Cardoso Moreira. A medida de preferência pela liquidez bancária se dá pela divisão dos depósitos a vista pelo crédito, e quanto maior for esse coeficiente, pior é a situação do município em termos de crédito. Nesse caso, o sistema bancário tem um baixo padrão de confiança no sistema econômico, preferindo aplicar os recurso fora do município. Por esta análise, destaca-se São Fidélis com coeficiente 0,09; Campos com 0,14; São Francisco de Itabapoana 0,15; Conceição de Macabu 0,16; Quissamã 0,18; Carapebus 0,19; Macaé 0,22; São João da Barra 0,30 e Cardoso Moreira 1,91. 

domingo, 5 de maio de 2013

Projeto de Extensão da UENF promove ação de fortalecimento da cooperação com a Escola Estadual Dr. Newlton Alves em Atafona - SJB


O projeto de extensão da UENF "Resgate e disseminação da história local: uma estratégia para a mudança sociocultural e econômica", cumprindo a sua agenda de disseminação da história local, apresentou palestras durante a reunião do Conselho de Classe da Escola Estadual Dr. Newton Alves em Atafona, nos dias 02 e 03 de maio. Os bolsistas Francisco Moreira, Débora Longe e  Chrisson Roza apresentaram os resultados parciais da pesquisa bibliográfica para os professores da instituição que contribuíram criando um ambiente de reflexão importante.  

A ação teve como objetivo, buscar apoio dos diretores e professores da escola para o desdobramento do projeto, o qual tem como planejamento, atuar junto aos alunos do ensino fundamental. Neste caso, a estratégia consiste em incentivar o aprendizado e melhor absorção do conhecimento de forma lúdica, através da produção peças teatrais,  esquetes, etc. Segundo a percepção dos envolvidos, os resultados foram bastantes favoráveis e atenderam o objetivo. Uma próxima apresentação do projeto ocorrerá no dia 20 de maio na Escola Municipal Domingos Fernandes da Costa em São João da Barra.

sábado, 4 de maio de 2013

Mudanças no Horizonte


Análise do economista Ranulfo Vidigal

Até o inicio da presente crise financeira iniciada em 2008, predominava a visão liberal do mercado auto-regulável no mundo ocidental.  Em paralelo, fortalecia-se o capitalismo de estado chinês, baseado em acesso aos grandes mercados de matérias primas e consumo de massa, orientado para parcerias publico-privadas e convivendo em um ambiente de uso intenso de inovações incrementais, bem como no barateamento do custo salarial e câmbio competitivo.

A hegemonia americana se fortalece desde 1871, quando o PIB dos Estados Unidos ultrapassou o Reino Unido. Diversos estudiosos nos mostram que o “soft power” do país mais importante do planeta tem como mola propulsora o dólar flexível, o poderio militar, a tecnologia de ponta das grandes empresas e o predomínio cultural do “american way life”.

Nesta conjuntura, um novo desenho institucional e de governança mundial se firma no horizonte, com a estratégia americana se re-industrialização de sua economia lastreada em um custo decrescente do fator energia, bem como na organização da formação de novos blocos comerciais - a leste com continente europeu e a oeste com os países da área do Pacífico, onde se incluem os tigres asiáticos (Japão e Coreia), e países latino-americanos como Chile e Peru.

Neste cenário, a China mais uma vez usará a ciência e a tecnologia para reinventar-se e depender menos da demanda externa na formação da renda, optando por “explorar” de forma mais intensa seu gigante mercado de quase um bilhão e meio de consumidores. Vale ressaltar que, do comportamento da economia chinesa dependem fortemente os países exportadores de matérias primas alimentares, minerais e energéticas. É o caso, especificamente, da África e da América Latina incluindo-se o Brasil. Apenas a titulo de ilustração, é importante destacar que uma tonelada de exportação brasileira para o gigante asiático vale apenas duzentos dólares, enquanto uma tonelada importada pelo nosso país custa dez vezes mais.

Neste contexto, nosso país planeja intensificar o que eu considero um choque de capitalismo neodesenvolvimentista, de aproveitamento intenso de seu mercado de consumo de massas, e de uso inteligente das cadeias produtivas de commodities com mais valor agregado, como forma de voltar a crescer, gerar empregos, elevados salários e financiar as politicas publicas de proteção, inclusão social e redução das desigualdades pessoais e regionais de renda.

O desenvolvimento econômico envolve mudança estrutural e aumento da produtividade dos fatores de produção, via inovação. E assim sendo, apesar da intensa dominância financeira do modelo brasileiro de desenvolvimento é imperativo que a politica econômica busque o controle da inflação (dada a sua influência sobre o poder de compra dos salários), a geração de excedentes exportáveis que mantenham intacta o nível de divisas necessárias para importar bens e tecnologia de ponta, bem como não perder de vista o objetivo da inclusão social, na medida em que ainda somos um dos cinco países mais desiguais do mundo.

Diante de um mundo mais intensivo em tecnologia, torna-se imperativo avançar no nível de escolarização da população brasileira e na formação de tecnologias adequadas à nossa realidade. Por outro lado, o desenvolvimento nas dimensões do território, do meio ambiente, da inclusão social e da questão institucional, exige um poder público matricial, enxuto, planejador e eficiente, bem como uma carga tributária melhor distribuída.

Ranulfo Vidigal – mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

O papel do sistema financeiro no processo de crescimento econômico: o caso da região Noroeste Fluminense


Buscando relacionar a dinâmica econômica municipal com a oferta de crédito bancário, a aluna do LEPROD/UENF Natália Rodrigues da Costa, orientada pelo professor Alcimar Chagas, analisou os municípios da região Noroeste Fluminense, de forma a verificar o papel da moeda endógena no crescimento econômico. Além do postulado keynesiano de preferência pela liquidez, a pesquisadora utilizou o método shift-share como elemento de decomposição da trajetória local em relação á trajetória regional. O objetivo foi verificar, através dos resultados, se o nível de crescimento das modalidades de crédito influenciou, de forma efetiva, o crescimento econômico setorial, confirmando o principio teórico.

A análise foi realizada nos períodos 2001 a 2003 / 2003 a 2005 / 2005 a 2007 e 2007 a 2009, para os setores agropecuário, industrial e de serviços. A síntese dos resultados indicou que o setor agropecuário apresentou uma melhor dinâmica no primeiro período, onde os municípios cresceram num padrão acima dos 25% de crescimento da região, com exceção de Aperibé, Cambuci e Itaocara. Neste mesmo período o crédito agrícola nos municípios cresceu em torno de 59%, acima do crescimento da região, cujas exceções foram Itaperuna e Miracema com retração do crédito. No segundo período, foi registrada uma estagnação no setor, apesar da expansão do crédito agrícola tanto nos municípios quanto na região. O mesmo ocorreu no terceiro período, quando os municípios de Cambuci, Italva e Itaperuna, apresentaram taxas de crescimento do crédito agrícola de 90%, 89% e 121%, ou seja, bem superiores a taxa de crescimento regional de 42%. No último período de 2007 a 2009, apesar de uma melhora no nível de crescimento econômico nos municípios de Bom Jesus do Itabapoana, Italva, Itaperuna, Natividade, Porciúncula e Santo Antônio de Pádua, o mesmo não acompanhou o crescimento do crédito na região.

A avaliação do setor industrial no primeiro período acentua a importância de Itaperuna com um crescimento de 119% contra 58% na região, enquanto os outros municípios apresentaram um crescimento médio de 31%. A modalidade financiamento neste período é declinante. O segundo período mantém o desempenho anterior, com recuperação do crédito. No terceiro período verifica-se um baixo crescimento, com a exceção de Porciúncula que cresce 32% contra a média de 9% no setor, com aumento do crédito em todos os municípios, com exceção de Lage do Muriaé. No quarto período, o crescimento econômico não acompanhou o crescimento de crédito.
O setor de Serviços apresentou uma trajetória similar, onde o crescimento econômico não acompanhou o crescimento da oferta de crédito. Os municípios de Aperibé, Bom Jesus de Itabapoana, Itaperuna e Porciúncula, se destacaram neste setor.

A conclusão da pesquisa é de a oferta de crédito, como elemento isolado, não foi capaz de provocar crescimento econômico equivalente, segundo o principio da moeda endógena. Esses resultados confirmam o nosso entendimento de que municípios mais frágeis, economicamente, exige a presença de uma coordenação institucional que apoie um melhor planejamento dos recursos locais e um processo de governança para aumentar os rendimentos crescentes. É necessário um olhar sistêmico, já que ações pontuais dificilmente conseguirão colocar essas economias na rota do crescimento sustentável.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Movimentação do Minério de Ferro no comércio exterior em abril de 2013

As exportações de minério de ferro mantém um certo equilíbrio nos primeiro meses do ano. O volume embarcado cresceu 3,42% em abril, em relação a março, e a receita em US$ cresceu 1,42%, por conta da queda de 1,99% no preço por tonelada.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, foi verificado um crescimento de 9,42% no volume embarcado, uma queda de 1,22% na receita em US$ e uma queda de 7,46% no preço médio praticado em abril de 2013.
O gráfico apresenta a trajetória dos preços por tonelada nos quatro primeiros meses de 2013 e 2012. Observa-se uma leve recuperação em 2013 a partir de fevereiro, apesar do padrão inferior ao ano passado.

Movimentação do Açúcar em Bruto no comércio exterior em abril de 2013

As exportações brasileiras de Açúcar em Bruto, em abril de 2013, caíram em relação a março do mesmo ano. O volume  embarcado em tonelada declinou 14,6%, enquanto a receita em US$ recuou 15,76%.  O preço por tonelada apresentou uma leve queda de 1,37% em relação a março.
Comparativamente ao mesmo mês do ano passado, foi verificado em abril de 2013, um crescimento de 133,93% nas receitas em US$, um crescimento de 196,27% no volume embarcado e uma queda de 21,02% no preço médio praticado.
O gráfico apresenta a evolução dos preços praticados nas exportações de açúcar em bruto nos quatro meses de 2013 e 2012. Observa-se um patamar de preços em 2013, em torno de 20% abaixo dos preços de 2012.

Exportações brasileiras por blocos econômicos no período janeiro a abril de 2013

As exportações brasileiras para os blocos econômicos, no período de janeiro a abril de 2013, caíram 4,26% em relação ao mesmo período de 2012. A maior taxa de crescimento de 13,86% se deu nas operações com o Oriente Médio e a menor queda de 21,20% ocorreu nas operações com os Estados Unidos. Foram verificados ainda, um crescimento de 2,55% nas exportações para a Ásia e uma queda de 10,39% nas exportações para a União Européia.
As participações percentuais dos blocos econômico nas exportações brasileiras, no período janeiro a abril de 2013, são apresentadas no gráfico. A Ásia absorveu 30,99%, a América Latina 20,88%, a União Européia 19,77% e os Estados Unidos 9,99%. Importante observar que mesmo a China, Europa e Estados Unidos tendo aumentado o volume de importação, a participação percentual do Brasil diminuiu, o que fortalece a indicação de perda de competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.