RIQUEZA SUSTENTÁVEL E INCLUSÃO SOCIAL



Experiências interessantes ocorreram esta semana em duas palestras proferidas por mim, junto ao Conselho do FUNDECAM e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial em Campos dos Goytacazes. Considero que dentre outros, dois pontos merecem destaques. O primeiro identifica a postura pró-ativa do principal grupo de assessores do governo municipal, totalmente aberta ao debate técnico na busca de alternativas para transformar o município em uma unidade mais autônoma e independente das receitas finitas de royalties e, fundamentalmente, na busca de estratégias potenciais para o desenvolvimento socioeconômico local.  A reflexão sobre um diagnóstico mais aprofundado indicou, consensualmente, a necessidade de um planejamento dos recursos tangíveis e intangíveis, selecionando as vantagens comparativas, e a sua utilização na indução a produção de bens e serviços. Esses, naturalmente, articulados em cadeias produtivas, apoiadas pelo conhecimento para atingir um maior valor agregado, refletindo no aumento do produto, do emprego e do rendimento crescente na matriz econômica.


No segundo caso, a discussão foi norteada em direção a identificação de alternativas sustentáveis para a inserção dos grupos menos favorecidos no atual modelo de acumulação capitalista. Neste caso, a reflexão que precisa ainda ser aprofundada, diz respeito ao comportamento da própria sociedade local.  Baseado na dicotomia Mercado x Governo, considerando que o mercado gera riqueza, mas não garante a inserção de todos, e que o Governo somente distribui a riqueza gerada, sobra à alternativa da coordenação institucional. É importante o entendimento de que esse processo não ocorre automaticamente, exige a composição de uma estrutura de capital social (laços de confiança, normas, sistemas, redes de interação e cadeias de relações sociais) no ambiente em avaliação.


Ai está realmente um nó que precisa ser desfeito. Os sistemas econômicos de territórios com similaridade de Campos dos Goytacazes, dificilmente conseguirão alçar padrões de competitividade com inclusão social de acordo com o padrão global de coordenação via mercado. Existe a predominância de pequenas unidades de produção com dificuldade tecnológica, escala e gestão, além da baixa qualificação da mão-de-obra, enquanto que o governo isoladamente apresenta carências que inibem o mesmo processo. Entretanto, o governo integrado a sociedade organizada pode articular um processo de governança em direção ao fortalecimento das fragilidades competitivas identificadas microeconomicamente. Estamos falando de dois aspectos fundamentais, ou seja, comprometimento do governo e construção da capacidade de organização da sociedade. Existem indicações de que o ambiente carece de confiança, predomina o individualismo, a dependência e o empoderamento da forças políticas. Entendo que o exercício do debate e do fortalecimento da participação popular são elementos essenciais para o processo de mudança tão necessário a geração de riqueza sustentável e maior inclusão social.


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