sábado, 27 de abril de 2013

Equívocos do crescimento econômico: a luz sobre São João da Barra

Visando um melhor entendimento sobre como se comporta o município de São joão da Barra, a luz do processo de fortes mudanças provocadas pelos investimentos privados no Porto do Açu e das robustas trasnferências de royalties e participações especiais, oriundas da produção de petróleo, centramos o nosso esforço de análise no setor financeiro. A tabela apresenta os saldos de depósito a vista do setor privado e depósitos a prazo no período de 2005 a 2012. As hipóteses nesse caso, seriam de reflexos substantivos nas contas de depósito a vista do setor privado, aumento do crédito e, consequentemente, uma maior dinãmica do setor econômico local.
O gráfico dá uma melhor idéia sobre essa trajetória, onde verifica-se crescimento dos depósitos a vista do setor privado, até com certa compatibilidade com a oferta de crédito, porém o crescimento dos depósitos a prazo (aplicações financeiras), evolui de forma incompatível com o ingresso dos depósitos privados. 
Segundo o economista carioca Claudio marouvo, ocorre uma dissociação dos depósitos a prazo a partir de 2009, sendo necessário a verificação da existência de outra origem de recursos e a sua característica concentradora ou não. 
Realmente, uma outra fonte importante são as receitas de royalties que originam substanciais gastos públicos e podem estar alimentando as operações de depósito a prazo. Observa-se um crescimento dessa receita da ordem de 226,67% em 2008, com base em 2007, e a manutenção nesse novo patamar com menores taxas de crescimento até 2012. Neste caso, observa-se que a renda é extremamente concentradora e não gera externalidades positivas para a população local. A ausência de crescimento no Valor Adicionado Fiscal, o encolhimento das ativides agrícola e pesqueira, a debilidade do comércio na geração de emprego, mostrando com isso, a fraqueza da atividade de turismo, representam indicadores que corroboram com a tese de que a gestão equivocada do orçamento público têm concentrado riqueza e os investimentos privados não tem contribuído para dinamizar a economia local.

O Dilema das Políticas de Combate as Desigualdades Socioeconômicas



Tenho observado que as discussões pertinentes ao combate às desigualdades socioeconômicas em territórios mais fragilizados, tanto no campo da sociologia quanto da economia, têm caminhado para o consenso onde a sociedade organizada representa o pilar fundamental para que o processo obtenha êxito.  

Nesse contexto, especificamente na função econômica, surgem conceitos importantes como organização da produção em rede, governança institucional para fortalecimento da ação coletiva, participação qualificada do governo e indução à formação de aglomerações produtivas; enquanto na função sociológica, os conceitos são de redes de proteção social, empoderamento da sociedade sobre o governo, fortalecimento da educação fundamental e garantias para o exercício da cidadania dos indivíduos.

O presente consenso é fruto do aprendizado na esteira do tempo, que acentuou as imperfeições do mercado, no que diz respeito à garantia de melhor distribuição da riqueza, assim como, na fragilidade do governo no papel de protetor da sociedade contra as imperfeições do mercado. Neste caso, apesar do importante entendimento consensual sobre o papel da sociedade organizada no combate às desigualdades socioeconômicas, o processo não é automático e a solução para esse grave problema ainda está distante.

Tomando como exemplo o território da região Norte Fluminense, berço de importantes investimentos na área petrolífera e de infraestrutura portuária, vemos a fragilidade das estruturas sociais. As instituições são frágeis e gera um nível elevado de desconfiança; as organizações não governamentais são pouco representativas; é fraca a cultura de participação popular e predomina um forte empoderamento das forças políticas sobre a sociedade. Esse contexto acaba inibindo o avanço competitivo do sistema econômico que, por não poder avançar segundo as leis do mercado, depende, fundamentalmente, de uma coordenação institucional que é inexistente, em função da fragilidade do capital social no território.

Como verificado existe um grande gargalo estrutural, cuja solução passa por uma robusta transformação sociocultural, onde a reestruturação do capital social tem um papel essencial no combate às debilidades socioeconômicas regionais. Trata-se de um processo de recondução cultural que exige tempo e comprometimento dos agentes e atores interessados. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Movimentação Bancária na região Norte Fluminense em janeiro de 2013

A movimentação bancária nos municípios da região Norte Fluminense no mês de janeiro, apresenta algumas nuances interessantes. Campos dos Goytacazes, com a maior estrutura bancária da região, lidera nas operações de crédito com um saldo de R$1,8 bilhão, seguido por Macaé com um saldo de R$1,4 bilhão e São Fidélis com saldo de R$127,8 milhões. Importante observar que São João da Barra fica abaixo de São Fidélis e São Francisco de Itabapoana na liberação de operações de crédito no mês. 
Nas operações de depósito a vista do setor privado, a liderança é de Macaé com um saldo de R$334,0 milhões, seguido por Campos com saldo de R$232,6 milhões. Os municípios de São João da Barra, São Fidélis e São Francisco de Itabapoana contabilizaram saldos bem próximos. 
Nas operações de depósito a prazo, Campos volta a liderar com saldo de R$936,7 milhões, seguido por Macaé com saldo de R$790,0 milhões e São João da Barra com saldo de R$174,9 milhões. 
Uma questão interessante é a incompatibilidade entre os saldos depósitos a vista e a prazo com a operações de crédito em São João da Barra, fundamentalmente, pela condição de sede de importantes investimentos privados e pela condição de município produtor de petróleo.
O gráfico mostra os saldos de depósito a prazo no mês de janeiro nos anos de 2011, 2012 e 2013.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Royalties em abril na região Norte Fluminense

Os valores de royalties transferidos pela ANP em abril, para a região Norte Fluminense, são apresentados  na tabela. Campos recebeu R$48,2 milhões, seguido por Macaé com R$35,9 milhões, São João da Barra com R$7,6 milhões e Quissamã com R$6,8 milhões. A região recebeu R$103,6 milhões no mês ou 42,96% do total distribuído a todos os municípios do Estado do Rio de Janeiro.
O gráfico apresenta a participação percentual dos valores transferidos a região Norte Fluminense em relação ao total transferido aos municípios do Estado. Observa-se uma perda de participação da região no contexto dos Estado, nos meses de 2013.

A MAIOR INVENÇÃO DA HUMANIDADE

Análise do economista Ranulfo Vidigal

As cidades atraem um número cada vez maior de moradores. Em 1900, apenas 15 cidades possuíam mais de hum milhão de habitantes, hoje são mais de 400. Nos núcleos urbanos convivemos com trânsito congestionado e filas nos cinemas e supermercados. Com tantos problemas que geram, as cidades são também o melhor lugar para se encontrar as soluções.
Mas, o que leva tanta gente optar por se instalar nas cidades, dado que mais da metade da população opta por viver atualmente em zonas urbanas.  A resposta a está indagação está na oportunidade de estudar e se qualificar, conhecer outras pessoas, fazer negócios, conseguir um emprego e interagir culturalmente. Aliás, este ambiente torna as cidades um local propício para a inovação e a criação de conhecimento. Historicamente, a maior parte dos grandes inventos surgiu e proliferou nas cidades.
A cidade de Campos tem como seu maior ativo intangível suas universidades que cuidam de 25 mil alunos, bem como seu parque de pesquisas, que no futuro muito breve estará interligado na rede de fibra ótima pública permitindo a criação de uma grande biblioteca virtual, com livros, teses, dissertações e monografias dos diversos cursos existentes em nossa cidade.
Quando olhamos as megatendências para o mundo, nas décadas futuras, constatamos que o processo de urbanização deve se acelerar e aumentar o peso das médias cidades na geração de bens, serviços e conhecimento qualificado. Por outro lado, com a expansão do processo de mundialização do capital, as cidades cada vez mais competem entre si para atrair as melhores empresas e os melhores cérebros. Este contexto coloca enormes pressões por investimentos públicos em saneamento, educação, transportes, segurança e gestão de resíduos sólidos.
O adensamento demográfico é uma forma inteligente de amenizar as deficiências de infraestrutura urbana. O reaproveitamento dos centros históricos é outra característica desta tendência permitindo aos moradores, por exemplo, uma menor perda de tempo nos deslocamentos entre suas moradias e o local de trabalho.
Em síntese, investir em infraestrutura como vem fazendo o poder público em Campos é crucial, bem como é muito importante criar centros de excelência em educação e treinamento, afinal o que faz a grande diferença é a produtividade sistêmica de uma sociedade e o sucesso de qualquer localidade é decorrência da qualidade das pessoas que moram nela.


Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Análise da variação do emprego na microrregião Campos em março com base em janeiro de 2013

Uma observação mais detalhada sobre a trajetória do saldo de emprego formal na microrregião Campos dos Goytacazes, nesse primeiro trimestre do ano,  mostra um crescimento mais consistente da microrregião em relação ao Estado. O crescimento de 168,07% do saldo consolidado do emprego na microrregião superou o crescimento de 162,31% no estado, com importante participação do município de Campos dos Goytacazes, que apresentou um crescimento de 203,31%.
Na análise setorial, a microrregião apresenta vantagem competitiva sobre o estado na indústria de transformação e no setor de serviços, enquanto o município de Campos tem vantagem somente no setor de serviço. No caso do forte crescimento do saldo de emprego no setor de industria de transformação, deve-se considerar, além da contribuição de Campos, a participação de São João da Barra, por conta das atividades no porto do Açu. O saldo nos setores de comércio e construção civil declinaram na microrregião e no município de Campos dos Goytacazes em março com relação a janeiro. A figura a seguir apresenta os percentuais de evolução do emprego setorialmente e de forma consolidada para a microrregião Campos, o estado do Rio de Janeiro e o município de Campos.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Inicio da Safra


Análise do economista Ranulfo Vidigal

Nossa região é produtora de uma importante energia renovável, o etanol. Na safra que se inicia, o Norte Fluminense deve produzir cem milhões de litros deste combustível movimentando uma parcela não desprezível da frota de veículos do país. O Estado do Rio de Janeiro importa 80% do etanol consumido. Portanto, existe campo para planejar a expansão desta cultura em nosso município.
A cadeia produtiva do etanol vai do plantio de cana de açúcar, até a fabricação de maquinas e equipamentos para atender às novas usinas. Recentemente, nossa cidade ganhou uma unidade industrial em Travessão e, proximamente, Quissamã vai ganhar uma destilaria com capacidade de moagem para hum milhão e meio de toneladas anuais.
A crescente importância do etanol na matriz energética brasileira coincide com o despertar dos movimentos ambientalistas na Europa e Estados Unidos, exigindo um combustível mais limpo e, neste particular, o nosso país desponta como um importante fornecedor dessa energia limpa e renovável para o mundo.
Trata-se de um setor que emprega anualmente cinco mil trabalhadores formais e gera um valor adicionado de quase trezentos milhões de reais, mas sofre de um problema estrutural, ou seja, a baixa produtividade da terra na nossa região, bem como a forte redução da área plantada.
Alias, não podemos desconsiderar a recente bolha imobiliária vigente na região com a chegada do porto do Açu e suas implicações sobre o uso do solo urbano  e a disponibilidade de terra para o plantio agrícola.
Para que a cana colhida em Campos e região tenha maior lucratividade, pelo menos 20% do canavial tem que ser renovado anualmente, caso contrário a plantação envelhece e a produção cai. A cana de açúcar chegou ao Brasil Colônia em 1532, plantada em São Paulo, depois em Pernambuco e Bahia. Atualmente o etanol brasileiro é reconhecido como o mais eficiente do mundo, e junto com o açúcar todo o setor se expande através da plantação com métodos modernos, mecanização das usinas e distribuição de produtos nos supermercados e nos postos de gasolina.
Só a cooperação e a divisão do trabalho permitem maior produtividade e progresso para toda nossa região.

RANULFO VIDIGAL – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Empego formal em março de 2013 na região Norte Fluminense

O saldo consolidado de emprego formal na região Norte Fluminense melhorou em relação ao mês anterior. Foram gerados 1.394 empregos em março, enquanto que em fevereiro o saldo foi negativo em 358. Macaé, Campos dos Goytacazes e São João da Barra contribuíram nesse resultado. 
Em Campos, o saldo acumulado apresentou a seguinte distribuição: 8 vagas no setor extrativa mineral, -19 vagas na indústria de transformação, 31 vagas SIUP, -52 vagas na construção civil, -449 vagas no comércio, 552 vagas no setor de serviços e 26 vagas na agropecuária.
Em Macaé, a distribuição foi a seguinte: 2 vagas na extrativa mineral, -964 na indústria de transformação, 66 vagas no SIUP, 1.548 vagas na construção civil, -308 vagas no comércio, 319 no setor de serviços e 4 vagas na agropecuária.
O saldo acumulado no trimestre em São João da Barra, seguiu a seguinte distribuição: 80 vagas na indústria de transformação, 475 vagas na construção civil, -12 vagas no comércio, -2 vagas no setor de serviços, -4 na administração pública e -5 na agropecuária.
O gráfico apresenta a evolução do emprego no comércio em São João da Barra. Observa-se uma sequencia de saldos negativos de dezembro de 2012 a março de 2013.

Cenário Nebuloso para o Porto do Açu


Tudo leva a crer que o projeto do Porto do Açu vive um momento de importante crise. Circulam informações sobre problemas de ordem técnica nos pilares da ponte, questionamentos jurídicos nos processos de desapropriação das áreas utilizadas pelo mineroduto, demandas judiciais sobre a desapropriação das terras no Açu e pressão dos trabalhadores sobre ineficiência na gestão de recursos humanos das empresas. Por outro lado, no que diz respeito a capacidade do principal empreendedor viabilizar o Distrito Industrial, a situação também piorou muito, do momento em que o Grupo X vive uma  crise de confiança no mercado acionário. Conforme podemos observar, a situação é critica, apesar de sua condição estratégica para o país, o que poderá viabilizar alternativas através da intervenção governamental. Isso não altera o cenário nebuloso que se desenha.

sábado, 13 de abril de 2013

Um olhar da economia local pelas operações bancárias

Preferência pela liquidez quer dizer manter os recursos indisponíveis para aplicação naquele ambiente, em função da baixa confiança e baixa capacidade de rendimentos adequados. Nesse caso, quanto menor o índice de preferência pela liquidez, mais confiável é o ambiente econômico para a aplicação de recursos. No caso do PLB dos bancos, a liberação de crédito para negócios nas cidades, vai depender do grau de confiança que eles, os bancos, tem em relação as cidades em que operam.   
Vejam que São João da Barra, apesar da condição de produtor de petróleo e sede do projeto do Porto do Açu, apresenta a pior condição, na visão dos bancos sobre dinâmica econômica e confiança, comparativamente a São francisco de Itabapoana e São Fidélis. 
 O gráfico apresenta os índices para os anos de 2006, 2010, 2011 e 2012. Observe que enquanto São Fidélis melhora o seu índice a cada ano (0,25; 0,14; 011 e 010), São João da Barra com índices muito maiores, piora em 2010, com base em 2006, melhorando um pouco em 2011 e voltando a piorar em 2012.
São Francisco de Itabapoana, apesar de ter um pequeno crescimento no índice em 2012, apresenta uma condição também superior a São João da Barra. 
Esses indicadores reforçam a discussão sobre os impactos de investimentos milionários em cidades de economia frágil. Pelo que temos visto, os R$5,0 bilhões gastos nos últimos seis anos no município não conseguiam alterar positivamente o estado da economia local.

Operações bancárias na região Norte Fluminense

A fechamento da movimentação bancária em dezembro de 2012, mostra a liderança de Campos dos Goytacazes na região nas operações de crédito. O município contabilizou um saldo de  R$1,7 bilhão, seguido por Macaé com um saldo de R$1,4 bilhão. Entre os menores municípios, destaque para São Fidélis que contabilizou um saldo de operações de crédito da ordem de R$ 124,8 milhões, valor muito superior aos R$56,5 milhões de São João da Barra.
Nas operações de depósito a vista no setor privado, Macaé lidera com um saldo de R$348,5 milhões, seguido por Campos com um saldo de R$275,1 milhões. Nesta operação, São João da Barra contabilizou um saldo de R$17,5 milhões, valor próximo de R$13,1 milhões de São Francisco de Itabapoana e R$12,2 milhões de São Fidélis. Tal fato chama atenção, já que o município de São João da Barra está envolvido num processo de investimento, além da sua condição de produtor de petróleo, muito diferente dos dois municípios citados.
O gráfico apresenta a trajetória do saldo de deposito a prazo em São João da Barra. Nesta operação o município se distancia e muito dos menores, indicando uma grande mazela. Depósito a prazo representa aplicações financeiras, cuja ocorrência se dá em um ambiente onde a renda do trabalho é muita baixa e o emprego no comércio é negativo. Fundamentalmente, observa-se uma forte concentração de renda em um sistema econômico recessivo.

Refletindo sobre desenvolvimento econômico

http://fmanha.com.br/blogs/ventonordeste/2013/04/13/afinal-qual-desenvolvimento-queremos/

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes discute alternativas de governabilidade no município

http://uenf.br/dic/ascom/informativo-da-uenf-10-04-13/

A trajetória de Eike Batista na visão de Everaldo Gonçalves

Muitíssimo preocupante a visão do autor do artigo sobre Eike Batista.
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/98156/Eike-do-come%C3%A7o-ao-fim%21.htm

Matéria da SECOM / Campos sobre palestra do economista Ranulfo Vidigal


As tendências e demandas que podem ocorrer no município de Campos nos próximos anos e a realidade atual no âmbito econômico foram apresentadas na tarde desta segunda-feira (8), pelo economista Ranulfo Vidigal, na Câmara Municipal de Vereadores. A palestra “O dinamismo recente na economia de Campos e as perspectivas de transição que se busca do Cheque Cidadão à profissionalização no âmbito local”, divulgou números alarmantes.

De acordo com o economista, até 2030, mudanças significativas devem ocorrer em todo o mundo. No Brasil, a realidade não deve ser diferente. Ranulfo afirma que nos próximos 20 anos, o país deve passar por uma expansão do consumo de massa, além dos investimentos, cada vez mais intensos, em recursos naturais e em infra-estrutura. No entanto, segundo o economista, atualmente é necessário que os governos municipal, estadual e federal invistam cada vez mais nas demandas recentes, como a economia pautada na produção de matérias-primas, investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, além de uma nova inserção no que diz respeito à divisão internacional do trabalho.


No que diz respeito aos investimentos que chegam à região norte fluminense, Ranulfo afirma que é importante que o município de Campos também se comprometa com criação de políticas públicas voltadas ao futuro. Essa necessidade torna-se ainda mais fundamental tendo em vista a iminência da redistribuição dos royalties do petróleo. Ranulfo mostrou, em gráficos, os Índices de Participação dos Municípios (IPM)-ICMS, onde foi possível analisar que Campos passou por uma queda significativa em 2005, mas vem recuperando os números gradativamente. 

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% da população do município já é urbana, mas 7,92% ainda encontra-se não alfabetizada, número considerado alto. O economista também alertou sobre o alto índice de desemprego, microempresários inadimplentes e empregos sem carteira assinada no município. “Esse número é preocupante, principalmente quando realizamos um diagnóstico da população municipal com todo o norte fluminense. Por exemplo, das 37.773 pessoas desempregadas na região, 21.645 estão em Campos”, falou.

 

Ranulfo divulgou ainda o comparativo do ISDM com o orçamento anual de Campos e de outras cidades de mesmo porte. O município é o que recebe maior arrecadação, 2.300 milhões, mas a população residente e a consequente demanda por recursos também é mais elevada. Em arrecadação per capta, por exemplo, Campos ocupa o 14º lugar na lista, abaixo de Quissamã, São João da Barra, Macaé, Casimiro de Abreu e outros municípios da região.

 

O crescimento recente da economia do município e a descentralização dos royalties através dos investimentos públicos também foram abordados pelo economista durante a palestra. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), nos últimos 20 anos, as despesas de investimento municipal aumentaram 1.046,96% e a dependência dos royalties diminuiu mais de 10%.


— O crescimento do município não pode estar só pautado no gasto público, pois o recurso é finito principalmente com a tentativa de retirada de recursos de indenização da produção petrolífera da Bacia de Campos. É importante que o governo invista, principalmente, planejamento macro regional e logístico e também na capacitação da força de trabalho, para possamos desfrutar de um futuro seguro para as famílias que residem no município — concluiu o economista. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

O dinamismo da economia campista


Análise do economista Ranulfo Vidigal

Na última segunda feira, atendi ao honrado convite da Câmara de Vereadores da nossa cidade para discutir com a sociedade organizada, os gargalos que precisam ser superados no sentido de que tenhamos um desenvolvimento com sustentabilidade econômica, social e ambiental.  O mundo vive algumas tendências inegáveis como: acelerada urbanização, demanda crescente por energia, crescimento da classe média, envelhecimento relativo da população e crescente importância da educação continuada e da inovação tecnológica.
Alias, na mais importante economia do mundo, os Estados Unidos da America, a grande discussão atual gira em torno da capacitação da força de trabalho para o novo ciclo expansivo capitalista que se desenha no horizonte. Neste ambiente, as demandas mais importantes para o Brasil são: discutir sua inserção na divisão internacional do trabalho e incrementar o investimento em P & D(Pesquisa e Desenvolvimento).
Na palestra, com base em estatísticas do IBGE afirmei que a nossa cidade vive um ciclo expansivo na sua economia, comprovado pela recuperação da participação relativa na geração de valor adicionado - “riqueza” registrada pela arrecadação do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS). Por outro lado, destaquei a pesquisa da Fundação Getulio Vargas de São Paulo relativa ao índice de desenvolvimento municipal (ISDM,) que coloca Campos no mesmo nível de qualidade de vida de cidades como Uberlândia e Uberaba no triangulo mineiro, Santos e Ribeirão Preto no interior paulista, Joinvile em Santa Catarina, Londrina no Paraná e Juiz de Fora no interior mineiro.
Entretanto, o crescimento do município não pode nem deve estar pautado somente no investimento publico municipal, como ocorre na atualidade, pois estamos diante dos recursos finitos da indenização da produção petrolífera em nossa bacia, como fonte de financiamento e, assim sendo, temos que enfrentar nossas dificuldades relacionadas à baixa produtividade de nossas terras, bem como a concentração do capital econômico e da renda salarial.
Diante das mudanças recentes da economia brasileira, tais como expansão do consumo de massas e dos investimentos em recursos naturais e infraestrutura nossa missão é aumentar a produtividade da mão de obra local, superar os pontos de estrangulamento e aproveitar o atual ciclo expansivo da economia de nossa cidade para reduzir a taxa de desemprego estrutural para um nível aceitável internacionalmente conjugando crescimento com qualidade de vida.
Ranulfo Vidigal, mestre e doutorando em políticas publicas estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

sábado, 6 de abril de 2013

Proex promove integração de projetos de extensão



A Pró-Reitoria de Extensão da UENF - PROEX promove com sucesso a integração entre projetos de extensão. Neste fim de semana, está acontecendo o evento intitulado "Olhares da juventude em São João da Barra: oficina de produção de vídeo”, sob a coordenação da professora do CCH Wania Mesquita. O evento está se desenvolvendo nas instalações do projeto Capacitar para Transformar em Atafona, sede do projeto “Resgate e Disseminação da História de São João da Barra”, coordenado pelo professor do CCT e assessor da PROEX Alcimar das Chagas Ribeiro.

Esse tipo de ação já ocorreu em outra oportunidade, onde foi verificada a parceria entre os professores Ronaldo Novelli do CBB e Alcimar das Chagas Ribeiro do CCT. A percepção dos professores envolvidos é de que esse comportamento colaborativo é fundamental e deve ser estendido por toda a comunidade acadêmica, já que cria um ambiente mais saudável, potencializa a produtividade e otimiza recursos importantes.

Os alunos envolvidos são estudantes do ensino médio das escolas Estaduais de Barcelos e Atafona em São João da Barra.


Fotos: Artur Gomes

RIQUEZA SUSTENTÁVEL E INCLUSÃO SOCIAL



Experiências interessantes ocorreram esta semana em duas palestras proferidas por mim, junto ao Conselho do FUNDECAM e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial em Campos dos Goytacazes. Considero que dentre outros, dois pontos merecem destaques. O primeiro identifica a postura pró-ativa do principal grupo de assessores do governo municipal, totalmente aberta ao debate técnico na busca de alternativas para transformar o município em uma unidade mais autônoma e independente das receitas finitas de royalties e, fundamentalmente, na busca de estratégias potenciais para o desenvolvimento socioeconômico local.  A reflexão sobre um diagnóstico mais aprofundado indicou, consensualmente, a necessidade de um planejamento dos recursos tangíveis e intangíveis, selecionando as vantagens comparativas, e a sua utilização na indução a produção de bens e serviços. Esses, naturalmente, articulados em cadeias produtivas, apoiadas pelo conhecimento para atingir um maior valor agregado, refletindo no aumento do produto, do emprego e do rendimento crescente na matriz econômica.


No segundo caso, a discussão foi norteada em direção a identificação de alternativas sustentáveis para a inserção dos grupos menos favorecidos no atual modelo de acumulação capitalista. Neste caso, a reflexão que precisa ainda ser aprofundada, diz respeito ao comportamento da própria sociedade local.  Baseado na dicotomia Mercado x Governo, considerando que o mercado gera riqueza, mas não garante a inserção de todos, e que o Governo somente distribui a riqueza gerada, sobra à alternativa da coordenação institucional. É importante o entendimento de que esse processo não ocorre automaticamente, exige a composição de uma estrutura de capital social (laços de confiança, normas, sistemas, redes de interação e cadeias de relações sociais) no ambiente em avaliação.


Ai está realmente um nó que precisa ser desfeito. Os sistemas econômicos de territórios com similaridade de Campos dos Goytacazes, dificilmente conseguirão alçar padrões de competitividade com inclusão social de acordo com o padrão global de coordenação via mercado. Existe a predominância de pequenas unidades de produção com dificuldade tecnológica, escala e gestão, além da baixa qualificação da mão-de-obra, enquanto que o governo isoladamente apresenta carências que inibem o mesmo processo. Entretanto, o governo integrado a sociedade organizada pode articular um processo de governança em direção ao fortalecimento das fragilidades competitivas identificadas microeconomicamente. Estamos falando de dois aspectos fundamentais, ou seja, comprometimento do governo e construção da capacidade de organização da sociedade. Existem indicações de que o ambiente carece de confiança, predomina o individualismo, a dependência e o empoderamento da forças políticas. Entendo que o exercício do debate e do fortalecimento da participação popular são elementos essenciais para o processo de mudança tão necessário a geração de riqueza sustentável e maior inclusão social.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Catadora de Caranguejo aprovada no mestrado da UENF

http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/rjintertv-2edicao/videos/t/norte-fluminense/v/ex-catadora-de-caranguejo-e-aprovada-em-mestrado-na-uenf/2496979/

Movimentação de Minério de ferro no comércio exterior em março de 2013

A receita em dólar da exportação de minério de ferro atingiu R$2.500,2 em março de 2013. Foi verificado um crescimento de 17,53% com base em fevereiro e um crescimento de 10,73% em relação a janeiro. O preço cresceu 7,68% em março com relação a fevereiro e 20,96% em relação a janeiro do mesmo ano. 
Na comparação com março de 2012, verifica-se uma queda de 9,93% na receita em dólar, queda de 18,02% no volume embarcado e crescimento de 9,92% no preço praticado.

Açúcar em Bruto no comércio exterior em março de 2013

A receita de exportação da commoditie Açúcar em Bruto cresceu 18,71% em março com base em fevereiro, porém ficou muito abaixo da receita de janeiro. Em relação ao preço praticado de US$453,4 em março, observa-se  uma queda de 0,46% em relação a fevereiro e queda de 3,74% em relação a janeiro.
Na comparação com março de 2012, verifica-se um crescimento de 93,65%% no volume da receita em março de 2013. Nesse mesmo período o volume embarcado cresceu 141,5% e o preço praticado caiu 19,67%. 

Expectativas não confirmadas

Uma pratica recorrente no discurso do grupo X. Reflitam sobre as políticas compensatórias do Porto do Açu. Onde estão os benefícios oriundos dos investimento, especialmente em São João da Barra, sede do projeto?
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1257106-agencia-de-classificacao-de-risco-rebaixa-nota-de-ogx-de-eike.shtml

terça-feira, 2 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Exportação Brasileira por Blocos Econômicos em março de 2013

As operações no comércio exterior geraram um superavit de US$ 164 milhões em março. Foram US$ 19.323 milhões de exportação e US$ 19.159 de importação.
O valor das exportações no primeiro trimestre de 2013 em US$ 50.839 milhões caiu 7,70% em relação ao mesmo período de 2012.
A tabela apresenta as exportações por blocos econômicos. Observa-se que somente com a África, Europa Oriental e Demais, ocorreu crescimento no período janeiro a março de 2013 em relação ao mesmo período de 2012. Com os Outros blocos os resultados foram negativos.
O gráfico apresenta a participação percentual das exportações por blocos econômicos. A Ásia continua na liderança com uma participação de 29,06%, seguido pela America Latina e Caribe com 20,93% e pela União Européia com 19,87%.