O papel da organização coletiva da produção


Globo Rural (3/2/2013)
Produtores de café associados mudam de vida no ES

Projeto une lavouras mais produtivas com preservação do meio ambiente.
Associação mudou a realidade dos agricultores da comunidade.
A comunidade Palmeiras, cujo nome vem das palmeiras que dominam o morro, fica no município de Mimoso do Sul, perto da divisa com o Rio de Janeiro. O lugar, formado por 40 famílias, se destaca pelo plantio de banana e, principalmente, pelas lavouras de café conilon, produto mais importante da região. As áreas de cultivo são pequenas e variam de três a cinco hectares.
O agricultor José Cláudio Carvalho e a esposa, Rosa Machado, nasceram e cresceram na comunidade.
As transformações em Palmeiras começaram em 1991, ano em que um madeireiro de fora da cidade comprou um lote de terra e começou a cortar árvores no alto do morro. O desmatamento, que colocava em risco as nascentes e os rios da comunidade gerou uma reação. Pela primeira vez, os agricultores decidiram agir em grupo.
No início, a associação, fundada em 1992, enfrentou dificuldades. Como a experiência era nova, muitas pessoas desconfiavam desse trabalho. Aos poucos, com muitas conversas, acertos e erros, as reuniões foram ficando cheias e o resultado apareceu.
Na primeira mudança, os agricultores começaram a trabalhar nas lavouras em um esquema de mutirão. No trabalho em grupo, os vizinhos não precisavam mais gastar com mão de obra na hora da colheita.
Motivados pelo novo ambiente de trabalho, os agricultores decidiram resolver a questão da baixa produtividade das lavouras de café, outro problema sério da comunidade. Para isso, entraram em contato com entidades de pesquisa e assistência técnica da região.
As melhorias causaram uma disparada na produtividade das lavouras. Antes, os agricultores não colhiam mais do que 10 sacas por hectare, hoje, a colheita na mesma área, passa facilmente de 70 sacas.
Uma das maiores dificuldades dos agricultores de Palmeiras era vender bem a produção de café. Cada família comercializava suas sacas por conta própria e como o volume era pequeno, os atravessadores desvalorizavam o grão.
A virada começou quando a associação entrou em contato com o Cetcaf, Centro Tecnológico do Café, uma organização não-governamental que faz pesquisa e transferência de tecnologia. O objetivo era montar uma unidade moderna de beneficiamento que permitisse tanto o trabalho em grupo quanto a melhoria da qualidade do café.
Com o projeto do Cetcaf e apoio da cooperativa local, a beneficiadora saiu do papel em 2006. Os equipamentos foram todos doados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
A venda do café também passou a ser feita de maneira coletiva, o que garante preços melhores. Além do ganho extra pela qualidade, o agricultor José Cláudio Carvalho diz que, de uns anos pra cá, o café da comunidade passou a ser exportado para a Europa com um selo social, o que aumenta ainda mais o preço do produto.
O chamado fair trade, que quer dizer comércio justo ou comércio solidário, foi conseguido em um projeto da Cafesul, a cooperativa da região. Para manter a distinção, os agricultores têm que manter as crianças na escola, seguir as leis do trabalho e respeitar a natureza.
A associação também resolveu diversificar e apostar em novas fontes de renda para a comunidade. Confira o vídeo com a reportagem completa e conheça o trabalho das agricultoras com a industrialização caseira.

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