quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Renda Básica de Cidadania


Avaliação do economista Ranulfo Vidigal

Vivemos um período no mundo de intensa transformação técnico-científica, com novos modos de vida humanos, individuais e coletivos, bem como consumo de massa, acesso às mídias sociais e novos comportamentos e modismos ditados pelos meios de comunicação, que definem a subjetividade individual e coletiva. A prosperidade e a busca de novas oportunidades é o objetivo mais importante da população jovem na sociedade, nos dias atuais.
Nosso país, contudo, ainda convive com forte desigualdade de renda e oportunidades. Embora reconheçamos a mudança recente na direção de uma forte redução, tanto da pobreza, quanto da indigência, o quadro de iniqüidades é ingrato e incômodo. Dotar os indivíduos de ativos que lhe permitam aferir renda é a única saída para esta questão.
Segundo o filósofo Aristóteles, a finalidade da política é a vida justa, aquela que torna iguais aos desiguais. Entretanto, para se alcançar justiça política é necessário realizar-se antes a justiça distributiva. Permitir uma chance a todos, de acordo com suas potencialidades e de modo tal que possa atender suas necessidades básicas.
A repartição dos bens e riquezas em uma sociedade não se faz a partir da quantidade de trabalho de cada um, mais a partir do aproveitamento da riqueza social, ou seja, quem não trabalha também tem esse direito, principalmente quando o motivo é o desemprego involuntário. Além disso, a paz interna de um a sociedade exige que não haja miséria sem desigualdades profundas.
A justiça distributiva, portanto deve tratar desigualmente os desiguais para tratá-los iguais. Os bens materiais e espirituais de uma sociedade pertencem a todos. E neste sentido, os que tem poder político e econômico são moralmente obrigados pela filosofia cristã a proceder com justiça e sensatez perante a desigualdade social, discernindo a necessidade de cada um e permitindo a oportunidade a todos. É ilusório pensar que todos os pobres são potencialmente empreendedores, ou seja, a porta de saída dos programas sociais precisa vir acompanhada de crédito solidário, instrução e qualificação dos componentes das famílias consideradas abaixo da linha de pobreza.
Uma condição importante é a mudança estrutural da economia, com geração de empregos de qualidade e salários adequados. Enquanto houver os sobrantes do mercado de trabalho a renda mínima é fundamental.
Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas,estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Royalties em fevereiro na região Norte Fluminense

O montante de royalties transferido aos municípios da região Norte Fluminense em fevereiro pela ANP, superou em 5,04% o valor transferido em janeiro. Entretanto, a participação percentual da região em relação ao Estado caiu de 43,22% em janeiro para 42,83%  em fevereiro. 
Em fevereiro, Campos ficou R$56,8 milhões ou 46,67% do total transferido para região. Macaé, recebeu R$42,2 milhões ou 34,59% e São João da Barra recebeu R$9,1 milhões ou 7,48% do total destinado a região.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Porto do Açu: uma avaliação pela ótica do emprego

O número de pessoas ocupadas, com carteira assinada, em São João da Barra aumentou de 3.994, em 2006, para 8.426 em 2011, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Tal evolução representa um crescimento de 110,97% no período. O gráfico mostra esta evolução desagregada por setor de atividade, onde o investimento na construção do porto do Açu mostra a sua importância no processo. O emprego no setor de construção civil, base dessa primeira etapa, cresceu 903,20% e impulsionou um crescimento de 210,12% no setor de serviços. É importante relacionar essa evolução aos esforços de investimento privado no projeto portuário, cuja cifra já chegou nos R$ 3,0 bilhões, sem esquecer que o orçamento público do município, perto de meio bilhão, é invejável por conta da grande participação de royalties de petróleo.
Entretanto, nesse mar de recursos, observa-se que o emprego no setor agropecuário caiu 32,06% e a indústria de transformação perdeu 23,59% do emprego em 2011, comparativamente ao ano 2006.
Teoricamente, todo esse processo de mudança no território, onde se verifica a presença de aproximadamente 40 empresas em operação na retroárea do porto do Açu, uma movimentação substancial de veículos e pessoas em direção ao município, deveria apresentar reflexos mais representativos ao sistema econômico local. Parece que tal fato não ocorre, pois o emprego no comércio cresceu somente 49,04% no período de 2006 a 2011 e a movimentação econômica, levando em consideração o valor adicionado fiscal, pouco evoluiu. O índice de participação no ICMS de 2008, calculado pelo valor adicionado fiscal do ano de 2006, foi 0,437 e o mesmo índice para 2013, calculado pelo valor adicionado de 2011, foi de 0,489. Um crescimento inexpressivo, considerando todo o processo de transformação que está ocorrendo no município. Mais complicado fica ainda a situação, se considerarmos os diversos impactos (sociais, ambientais, culturais, etc) de natureza negativa. Parece que a idéia relacionada a "maldição dos recursos naturais" está muito presente nesse processo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Destruição de emprego em janeiro de 2013 na região Norte Fluminense

A região Norte Fluminense, assim como o Estado do Rio de Janeiro, experimentaram uma forte queda no nível de emprego em janeiro de 2013. Foram 24.650 vagas de emprego destruidas no Estado e 1.725 vagas na região. "Destruição significa saldo negativo entre admissões e desligamentos". Esses resultados foram muito inferior aos resultados de janeiro de 2012, quando o Estado registrou uma saldo negativo de 594 empregos e a região um saldo positivo de 804 empregos no mesmo mês.
Na região Norte Fluminense, o município de Campos dos Goytacazes contabilizou um saldo negativo de 272 empregos, cuja concentração se deu no comércio com destruição de 210 vagas de emprego. Os setores de indústria de transformação, construção civil e agropecuário, apresentaram saldos de emprego negativos de 39; 39 e 54 sucessivamente. O setor de serviços criou 54 novas vagas em janeiro.
Em macaé, o saldo negativo atingiu 1.250 vagas de emprego no mês. O setor que mais contribuiu negativamente foi a indústria de transformação com a destruição de 959 vagas. A construção civil gerou 490 vagas, o comércio destruiu 227 vagas e o setor de serviços destruiu 532 vagas no mês.
O município de São João da Barra também apresentou um saldo negativo de 214 empregos, cuja concentração se deu no setor de construção civil que destruiu 221 vagas de emprego. 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Jornal Valor Econômico



15/02/2013 às 18h19

Ação da OGX fecha no menor preço em quatro anos


Por Téo Takar | Valor

SÃO PAULO - As ações ON da OGX mergulharam nos últimos minutos do pregão desta sexta-feira, com o disparo das chamadas ordens “stop loss”, que visam limitar as perdas dos investidores.

Segundo operadores, não houve fatos novos em torno da empresa de petróleo de Eike Batista. O movimento foi meramente técnico e especulativo. Quando o papel atingiu R$ 3,53, menor cotação registrada na semana passada, os sistemas automáticos dispararam novas ordens para liquidar posições no papel.

A ação terminou em baixa de 6,48%, a maior queda entre as componentes do Ibovespa, cotada a R$ 3,46. Trata-se do menor preço do ativo desde 8 de dezembro de 2008, quando fechou valendo R$ 3,35.

Desde seu pico histórico, em 15 de outubro de 2010, quando fechou a R$ 23,27, a ação já mergulhou 85%. A mínima histórica do papel é de R$ 2,50, em 6 de novembro de 2008.




"O mercado acionário é cruel quando falta o fator confiança"

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A problemática dos royalties de petróleo

http://www.usp.br/agen/?p=127717

Pesquisa descrita na tese de livre-docência de Postali, defendida em julho de 2012.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O segredo do sucesso



Excelente reflexão do economista Ranulfo Vidigal
 
Uma das principais revistas de economia e negócios do mundo capitalista - THE ECONOMIST – destaca em sua edição mais recente a agenda reformista posta em prática nos países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia) e seus bons resultados. Nestas nações predomina um alto índice de desenvolvimento humano – IDH, excelente aproveitamento dos talentos, renda bem distribuída, competitividade econômica e confiança nas instituições públicas.
A Noruega é a primeira colocada nos rankings internacionais de prosperidade econômica e desenvolvimento humano; a Finlândia e a Dinamarca têm ótimos desempenhos no índice que mede a percepção da corrupção. A Suécia é a segunda colocada no quesito desburocratização dos pequenos negócios e na questão relativa à inovação tecnológica.
Trata-se de um exemplo de modelo de setor público, cuja gestão resulta em uma máquina ágil e eficiente. Com auxílio da tecnologia da informação, o desempenho de todas as escolas e hospitais é medido e a plena transparência permite o acesso a todos os registros oficiais.
As lideranças políticas escandinavas andam tranquilamente de bicicleta nas ruas de suas cidades, enquanto por aqui, nossos dirigentes andam em carros luxuosos e segurança caríssima. Se a elite desperdiça, o trabalhador brasileiro, de um modo geral é criativo, colaborador, fiel, embora apresente alta tolerância para conviver com a informalidade.
O modelo daqueles países do norte da Europa permite combinar capitalismo competitivo, com um poder público eficaz, que emprega trinta por cento da força de trabalho. No Brasil, em média, o emprego público representa cerca de dez por cento da força de trabalho contratada formalmente. Somente municípios pequenos, ou com baixo dinamismo econômico apresentam uma força de trabalho em proporção elevada empregada nos governos.
A poupança pública por lá não é desperdiçada pagando juros astronômicos da dívida interna, como em nosso país, mas é empregada na constituição de Fundos Soberanos que, aplicados adequadamente, renderão dividendos no futuro para a sociedade com um todo. As futuras reservas da produção petrolífera da camada pré-sal poderiam constituir uma modalidade semelhante, com vistas à aplicação em projetos educacionais e ambientais, por exemplo.
A principal lição está no entendimento de que a popularidade dos dirigentes políticos daqueles países é decorrência da boa gestão da coisa pública, de um Estado que embora custe caro, funciona adequadamente e provê uma justa acessibilidade às políticas públicas fundamentais para a qualidade de vida. Ao contrário de nosso país onde uma família paga 40 por cento de sua renda em impostos e ainda tem que contratar saúde privada e escola particular.

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em Políticas Públicas, estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Indice de Participação no ICMS na região Norte Fluminense

Os índices de participação no ICMS dos municípios da região Norte Fluminense, são apresentados na tabela. Macaé tem o maior índice; 4,962 em 2013, porém segue uma trajetória de declínio, apesar de sede da atividade petrolífera do país. Campos dos Goytacazes tem o segundo índice, 4,400 refletido em uma trajetória de crescimento desde 2010.
Quissamã ocupa o terceiro lugar com um índice 1,457 também refletido em uma trajetória de crescimento. São João da Barra e Carapebus apresentam o mesmo índice de 0,489 em 2013, porém Carapebus segue uma trajetória de crescimento desde 2010, enquanto São João da Barra declínou o seu índice em 2012, voltando a cresceu em 2013. Para esse município, observa-se que os investimentos no porto do Açu parece não ter influência na economia local, principalmente quando comparado com Carapebus.
Uma situação ainda mais complicada para São João da Barra é a posição de São Francisco de Itabapona. O município alcançou  0,547 de  participação no ICMS, com crescimento de 2,82% em relação ao índice de 2012, enquanto São João da Barra, com um índice inferior, cresceu somente 2,52% no mesmo período. É importante observar que São Francisco de Itabapona não é produtor de petróleo e não recebeu investimentos privados como São João da Barra. Os outros municípios estão estáticos.

Índice de Participação Municipal para 2013 no Estado do Rio de Janeiro

O índice de participação municipal para distribuição do ICMS em 2013, divulgado pela Secretaria Estadual de Fazenda do Rio de janeiro, apresenta algumas curiosidades. A tabela selecionou os municípios com coeficientes maior que 1,00 nos anos de 2013 e 2012 com as varições percentuais correspondentes. Na região metropolitana, somente os municípios de Belford Roxo e Niterói apresentaram crescimento do índice em 2013 com base em 2012, ou seja, 9,46% e 11,23% sucessivamente. Porém, na mesma região, quatro municípios experimentaram queda no índice. Duque de Caxias retraiu 3,3%; Nova Iguaçu 1,45%; Rio de Janeiro 1,0% e São Gonçalo perdeu 2,59% no período.
A baixada Litorânea, através dos municípios de Cabo Frio e Rio das Ostras, apresentou ganho no índice de 2,83% e 0,26% sucessivamente.
A região Costa Verde surpreendeu com o substancial crescimento do índice em 44,74% em Mangaratiba, enquanto que os municípios de Angra dos Reis perdeu 13,85% e Itaguai perdeu 0,08%.
Na região Médio Paraiba, foi verificado crescimento de 2,24% do índice no município de Resende e uma queda de 2,94% em Volta Redonda.
Na região Serrana, Petrópolis viu a sua participação no ICMS cair 10,66% em 2013 com base em 2012.
Finalmente a região Norte Fluminense, apresentou crescimento de 3,41% no município de Campos dos Goytacazes e crescimento de 4,52% em Quissamã. A baixa na participação do ICMS na região coube a Macaé  que perdeu 2,46% em 2013 com base em 2012. 
Considerando que o índice de participação municipal é baseado no Valor Adicionado que cada município realiza, ou seja, fundamentalmente a conjugação da dinamica oriunda dos negócios na cidade e a capacidade de geração de receitas próprias, chama atenção a situação dos municípios dependentes de investimento nas atividades petrolíferas e infraestrutura portuária, tais como: Macaé, Itaguai, Duque de Caxias e Angra dos Reis. A tese de "maldição dos recursos naturais" cada vez mais ganha corpo. Por outro lado, Mangaratiba mostrou a força do turismo como importante atividade endógena, enquanto na região Norte Fluminense, Campos e Quissamã mostraram que é possivel avançar com atividades internas e bem planejadas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Flutuação do emprego formal em São João da Barra em 2012




A percepção de que os eventos carnavalescos em São João da Barra incentivam o comércio local é incorreta. Os dados do MTE sobre a flutuação do emprego em 2012 comprovam que os substanciais gastos orçamentários não provocaram a criação de emprego no município. O gráfico acima apresenta o saldo de emprego gerado em 2012, acentuando os setores de indústria de transformação, construção civil e serviços, todos relacionados ao projeto do porto do Açu. A análise das ocupações com maiores saldos confirmam a tese. No setor industrial, predominam as ocupações de alimentador de linha de produção com salário médio de admissão de R$ 1.434,74 e assistente administrativo com salário médio de R$ 6.972,96. Na construção civil, sobressaem as ocupações de pedreiro, servente de obras e apontador de mão-de-obra, com salários médios de admissão de R$ 1.077,95; 855,15 e 1.326,22 sucessivamente.

Importante observar que essas ocupações são cíclicas, dependendo das diferentes fases das obras. Em 2011, as ocupações com maiores saldos foram: servente de obras, carpinteiro, pedreiro, contínuo e armador de estrutura de concreto armado, cujo saldo de emprego total gerado somou 1.075 vagas, contra 855 vagas em 2012. Ou seja, o emprego nesse ano declinou 20,47% em relação a 2011.

Teoricamente, os gastos públicos deveriam impulsionar o emprego no comércio, cujo resultado foi sofrível. No ano de 2012 o saldo foi negativo, representando a destruição de 29 empregos formais. O balanço anual neste ano indicou 315 admissões e 344 desligamentos no setor. 
O intrigante é que os gastos públicos não geram emprego internamente, enquanto o porto do Açu gera emprego para profissionais de fora, por conta da exigência de qualificação, cuja renda não é internalizada pelo município.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Uma década de pecuária em São João da Barra

São João da Barra, especialmente a região ao sul do município, confirma a caracteristica histórica de vocação voltada para a atividade pecuária. Verificou-se um crescimento importante no efetivo bovino na última década, onde o estoque saiu de 11.903 cabaças em 2001 para 21.365 cabeças em 2011, caracterizando um crescimento de 79,49% no período. A participação regional cresceu de 2,12% em 2001 para 3,19% em 2011. 
Na atividade de vacas ordenhadas, o crescimento do efetivo foi mais modesto, ou seja, 12,96% indicando uma maior dinamica para a atividade de gado de corte. A participação regional permamenceu estabilizada em 1,63% no mesmo período.
O valor da produção leiteira apresentou um crescimento expressivo, o que comprova melhoria técnica no trato com os animais. O avanço nominal no valor da produção foi de 665,70% em 2011, com base em 2001. A participação percentual no valor da produção regional que era de 1,63% em 2001, cresceu para 4,64% em 2011. É importante observar que esse expressivo crescimento da atividade não se deu em função de políticas públicas articuladas para esse fim, trata-se de iniciativas individuais de investimentos privados que alcançaram exito no jogo de mercado. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O perfil da pecuária na região Norte Fluminense




A região Norte Fluminense se apresenta como destaque na atividade pecuária na década 2001 a 2011, comparativamente as outras regiões do Estado, segundo indicadores do IBGE. A região que contabilizou 562.137 cabeças de bovino em 2001 cresceu 19,29% em 2011, com o registro de 670.462 cabeças. A sua participação percentual no estoque do Estado que era de 28,44% em 2001, subiu para 30,76% em 2011, maior participação entre as regiões do estado.  O município destaque na região é Campos dos Goytacazes que contabilizou 251.535 cabeças em 2011, representando 52,17% do total da região. O município de São Fidélis mostrou uma evolução de 33,09% no período, saindo de um estoque bovino de 66.123 cabeças em 2001 para 88.000 cabeças em 2011. Macaé cresceu o seu estoque em 17%, saindo de 84.617 cabeças em 2001 para 99.000 cabeças em 2011 e São Francisco de Itabapoana cresceu 16,65%, saindo de 71.105 cabeças em 2001 para 82.942 cabeças em 2011.
Na pecuária leiteira, a região apresentou uma participação percentual de 21,43% em relação ao Estado em 2011, mostrando uma evolução de 3,33% com base a sua participação em 2001. São 91.575 vacas ordenhadas em 2011, número superior 13,11% as 80.963 vacas de 2001. Nesta modalidade, mais uma vez Campos dos Goytacazes se destaca com um estoque de 28.235 vacas ordenhadas em 2011, ou uma participação percentual de 30,83% do total na região.
Na análise relacionada ao valor da produção leiteira, a região Norte Fluminense apresentou uma participação de 13,73% do valor total do estado em 2011. Comparativamente a 2001, o valor da produção na região cresceu nominalmente 169.74%. Apesar de a região ter apresentado um crescimento de 20,74% para 21,43% na participação do estoque de vacas ordenhadas no estado, a participação do valor da produção caiu de 14,43% para 13,73% em relação ao estado, no período analisado. Nesse indicador, Campos dos Goytacazes apresentou um crescimento nominal de 204,48% em 2011, com base em 2001. O valor da produção leiteira somou R$ 18,2 milhões em 2011.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Movimentação bancária em novembro de 2012 na região Norte Fluminense

A movimentação bancária em novembro de 2012 contabiliza um saldo de R$1,7 bilhão de crédito em Campos dos Goytacazes, R$ 1,4 bilhão em Macaé e R$ 121,8 milhões em São Fidélis. Este município chama a atenção pelo grande volume de operações de crédito, comparativamente a São João da Barra e Quissamã, produtores de petróleo e sede de importantes investimentos em infraestrutura portuária. 
Nas operações de depósito a vista do setor privado, Macaé lidera com um saldo de R$ 301, 1 milhões em novembro, seguindo por Campos dos Goytacazes com um saldo de R$ 239,4 milhões. Os municípios de São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e São Fidélis ficaram bem próximos, fato curioso, já que São Francisco de Itabapoana e São Fidélis não são produtores de petróleo e não são beneficiarios dos investimentos exógenos que dirigidos para São João da Barra.
nas operações de depósito a prazo, são João da Barra apresenta uma condição bem superior aos menores municípios. O gráfico apresenta a evolução dos depósitos ao longo dos meses de 2011 e 2012. Observa-se um crescimento consistente dessa operação ao longo do ano de 2011.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Arte, Cultura e Festas Populares



Ranulfo Vidigal 
 
O poeta Ferreira Gullar, com sua genialidade afirma que a arte somente existe porque a vida não se basta. A escritora Daniela Castro, em artigo recente para uma importante revista de circulação nacional – Carta Capital - diz que: ”a arte joga com o inegociável da vida social. Ela desestabiliza o estabelecido, fricciona, negocia, destrói, revela, ilustra, enfim dialoga com a matriz ideológica que sustenta certa hegemonia de valores”.
Sabemos todos que há uma cultura letrada ou erudita, onde eu destacaria as óperas, as grandes peças teatrais e a música de grandes compositores como Mozart e Vila Lobos; uma cultura popular de cunho folclórico – onde destacam-se o carnaval e as festas juninas nordestinas,e ainda,  uma cultura de massa ou industrial que atinge várias classes, através do cinema criado em hollywood, ou através das redes de televisão. As duas últimas, na opinião dos especialistas tendem a crescer, pois estariam amparadas por aparelhos econômicos sólidos, ou seja, a universidade e o mercado cultural representado por empresas e pela mídia.
Normalmente, um ciclo de expansão desenvolvimentista, como o que estamos prevendo para a região norte-fluminense, com a chegada de plantas industriais e geração de novas oportunidades de emprego, estimula o fortalecimento da cultura de cada localidade atingida. Ações de cultura, de um modo geral, justificam-se por meio de dois eixos: ou o fortalecimento da economia criativa, ou o uso da cultura como instrumento de integração social das classes, ainda pouco incluídas no processo de geração e divisão do excedente econômico fomentado na dinâmica de cada sociedade.
Nossa cidade de Campos possui um numero expressivo de equipamentos culturais, como teatros, cinemas, casas de espetáculo e um dispêndio orçamentário com a atividade, bastante significativo, em comparação com outras cidades de igual porte. Aproveitando as facilidades da tecnologia digital e a extensão da fibra ótica pública, a cidade vai passar a contar com um cyber-café público em um futuro próximo. Neste ponto de encontro, além do acesso gratuito à internet banda larga, os cidadãos vão ter um espaço para encontros e debates sobre a realidade local.
Nossa cidade tão rica em atividades festivas tradicionais vai estudar, detalhadamente, sua cadeia produtiva da cultura, com o intuito de potencializar o surgimento de talentos locais, na música , no balé, na dança, no teatro e na literatura. Sartre dizia com  propriedade: “o homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo”. E ser livre é cultivar o saber, sem as amarras do preconceito. Nesta tarefa, a arte exerce um papel central de libertação e bem estar. 

Ranulfo Vidigal – economista, mestre  e doutorando em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Os sinais da crise internacional no comércio exterior do Brasil

Janeiro negro para as commodities de interesse da região Norte Fluminense (açúcar e minério de ferro). Conforme a tabela, a movimentação de açúcar em bruto contabilizou uma queda de 15,93% no volume embarcado em janeiro, comparativamente a dezembro de 2012, enquanto o preço médio praticado declinou 20,21% na compração com janeiro de 2012.
Os negócios com minério de ferro também indicaram queda. O volume embarcado em janeiro de 2013 recuou 23,56% em relação a dezembro de de 2012, enquanto o preço declinou 9,22% em relação a janeiro de 2012. 
Conforme pode verificado, a crise internacional vai aumentando a sua pressão, fragilizando os negócios do país com o exterior.

O papel da organização coletiva da produção


Globo Rural (3/2/2013)
Produtores de café associados mudam de vida no ES

Projeto une lavouras mais produtivas com preservação do meio ambiente.
Associação mudou a realidade dos agricultores da comunidade.
A comunidade Palmeiras, cujo nome vem das palmeiras que dominam o morro, fica no município de Mimoso do Sul, perto da divisa com o Rio de Janeiro. O lugar, formado por 40 famílias, se destaca pelo plantio de banana e, principalmente, pelas lavouras de café conilon, produto mais importante da região. As áreas de cultivo são pequenas e variam de três a cinco hectares.
O agricultor José Cláudio Carvalho e a esposa, Rosa Machado, nasceram e cresceram na comunidade.
As transformações em Palmeiras começaram em 1991, ano em que um madeireiro de fora da cidade comprou um lote de terra e começou a cortar árvores no alto do morro. O desmatamento, que colocava em risco as nascentes e os rios da comunidade gerou uma reação. Pela primeira vez, os agricultores decidiram agir em grupo.
No início, a associação, fundada em 1992, enfrentou dificuldades. Como a experiência era nova, muitas pessoas desconfiavam desse trabalho. Aos poucos, com muitas conversas, acertos e erros, as reuniões foram ficando cheias e o resultado apareceu.
Na primeira mudança, os agricultores começaram a trabalhar nas lavouras em um esquema de mutirão. No trabalho em grupo, os vizinhos não precisavam mais gastar com mão de obra na hora da colheita.
Motivados pelo novo ambiente de trabalho, os agricultores decidiram resolver a questão da baixa produtividade das lavouras de café, outro problema sério da comunidade. Para isso, entraram em contato com entidades de pesquisa e assistência técnica da região.
As melhorias causaram uma disparada na produtividade das lavouras. Antes, os agricultores não colhiam mais do que 10 sacas por hectare, hoje, a colheita na mesma área, passa facilmente de 70 sacas.
Uma das maiores dificuldades dos agricultores de Palmeiras era vender bem a produção de café. Cada família comercializava suas sacas por conta própria e como o volume era pequeno, os atravessadores desvalorizavam o grão.
A virada começou quando a associação entrou em contato com o Cetcaf, Centro Tecnológico do Café, uma organização não-governamental que faz pesquisa e transferência de tecnologia. O objetivo era montar uma unidade moderna de beneficiamento que permitisse tanto o trabalho em grupo quanto a melhoria da qualidade do café.
Com o projeto do Cetcaf e apoio da cooperativa local, a beneficiadora saiu do papel em 2006. Os equipamentos foram todos doados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
A venda do café também passou a ser feita de maneira coletiva, o que garante preços melhores. Além do ganho extra pela qualidade, o agricultor José Cláudio Carvalho diz que, de uns anos pra cá, o café da comunidade passou a ser exportado para a Europa com um selo social, o que aumenta ainda mais o preço do produto.
O chamado fair trade, que quer dizer comércio justo ou comércio solidário, foi conseguido em um projeto da Cafesul, a cooperativa da região. Para manter a distinção, os agricultores têm que manter as crianças na escola, seguir as leis do trabalho e respeitar a natureza.
A associação também resolveu diversificar e apostar em novas fontes de renda para a comunidade. Confira o vídeo com a reportagem completa e conheça o trabalho das agricultoras com a industrialização caseira.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Exportações brasileiras por blocos econômicos em janeiro de 2013

O mês de janeiro de 2013 impôs o pior resultado, em termos de saldo comercial Brasil / resto mundo, nos últimos 24 anos. O saldo deficitário no mês foi contabilizado em US$ 4,035 milhões FOB, resultado das receitas de exportação em US$ 15,968 milhões e das importações em US$ 20,003 milhões.
A tabela apresenta as exportações por blocos econômicos no mês de janeiro nos anos de 2013 e 2012. A queda em janeiro de 2013 foi de 1,08% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As exportações neste mês para os principais parceiros comerciais como a Ásia, América latica e Estados Unidos, apresentaram queda em relação a janeiro de 2012.
O gráfico apresenta a participação percentual dos blocos econômicos nas exportações de janeiro de 2013. A Ásia, apesar da queda cintinua liderando com 24,95%, seguida pela América Latina e Caribe com 22,40%, União Européia com 19,77% e Estados Unidos com 11,99% do total exportado no mês.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O emprego formal em São João da Barra

O emprego desacelerou fortemente em 2012, no município de São João da Barra. A tabela apresenta os saldos por setor atividade nos últimos dois anos. Verifica-se uma queda de 20,47% no saldo de emprego total em 2012, comparativamente ao saldo de 2011. A construção civil puxou a desaceleração com uma queda de 61,79% no saldo de 2012. O saldo de emprego no comércio foi negativo, com a destruição de 29 vagas em 2012, depois de ter alcançado um saldo positivo de 39 vagas em 2011. Esse dado chama a atenção e indica que o emprego gerado no ambito do porto do Açu não tem refletido no comério local, diferentemente dos discursos correntes.