O Futuro de Campos



Uma excelente análise do economista Ranulfo Vidigal
 
A cidade de Campos do Goytacaz tem a maior população da Região do Norte Fluminense, com quase 600 mil habitantes. Situada entre as cidades de Macaé e de São João da Barra que expandem suas bases da economia em função do “efeito- reprodutor” de empregos gerados pela indústria petrolífera e pelo pólo portuário de escoamento de minério de ferro para exportação, fica ilhada pelas duas metrópoles estratégicas na formação do produto interno bruto fomentado pelo crescimento da indústria. A economia do município, com forte presença do agronegócio, ainda é dependente dos investimentos públicos feitos pelo poder público local.  O setor de serviços, seguindo uma tendência mundial tem peso significativo na formação da renda e geração de empregos formais. Vivemos, contudo, uma conjuntura virtuosa que fortalece os vetores da cadeia produtiva industrial.

Os dados do produto interno bruto do município divulgado pelo IBGE, em 2010, são de R$ 25 bilhões, e a renda per capita é crescente. Os números são significativos em termos absolutos, mas não representam a realidade econômica da cidade, se for retirada a renda do produto da riqueza do petróleo que é extraída da bacia de Campos e repatriada para as sedes e matrizes das empresas multinacionais. A falta de encadeamentos dinâmicos entre os diversos setores ainda é uma fraqueza de nosso ciclo produtivo.

Neste cenário, o setor acadêmico tem função importante em propor soluções que possam ser implantadas na esfera municipal, repensando o futuro da Região do Norte Fluminense sem as receitas dos royalties do petróleo. Pergunta-se: como alocar a oferta de jovens recém-formados no setor de serviços da economia campista? São 2 mil alunos universitários formados por ano, nas  instituições de ensino agregando 30 mil alunos matriculados de todas as cidades da região. O mercado não absorve toda esta população de jovens que sonharam com o diploma de curso universitário, mas que não conseguem uma vaga no mercado de trabalho. O direcionamento da capacitação é um desafio que se impõe.

Na gestão pública, a prefeita Rosinha Garotinho tem feito esforços de manter suas diretrizes de políticas públicas voltadas para a distribuição mais justa dos frutos de uma sociedade rica e desigual. Em paralelo, busca  novos paradigmas de gestão ou de modelagem administrativa.

Repensar o futuro de Campos do Goytacaz, é dever do governante que estiver de plantão no poder,  projetando um futuro para seus habitantes e olhando pelo retrovisor para evitar o receituário dos economistas neoliberais que se instalaram no poder e fracassaram. A sociedade organizada e suas lideranças devem projetar o amanhã, sempre pensando que a solidariedade é a grande marca do novo modo de ser, e que o individuo não é um centro de custo dos modelos de economia competitiva, mas o capital humano que revoluciona o mundo.
Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

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