FELIZ 2013

Avaliação do economista Ranulfo Vidigal

A boa teoria nos ensina que a política (polítics) é a arena natural da resolução dos conflitos entres os diversos interesses legítimos das sociedades democráticas. No Brasil, na década atual predomina um pacto pluri-classista, onde a hegemonia do processo ainda é mantida pelo capital financeiro e o agronegócio, na dianteira da captura do excedente gerado pela intensa acumulação de riqueza.
Por outro lado, a locomotiva chinesa mantém intacta, pelo menos por hora, a melhoria dos termos de troca e os ganhos com a venda de matérias primas no exterior, como é o caso do minério de ferro, soja, café, carne e açúcar.

No Brasil, entretanto, qualquer tentativa de acelerar o crescimento em 2103, tende a esbarrar na limitação da oferta de energia, cujo cenário é de alto risco, na medida em que é de apenas 11%, o estoque de água em nossos reservatórios. A produtividade e o desenvolvimento dependem muito da equação energética de cada nação.

No Estado do Rio de Janeiro, o ano que se inicia será de preparação para os dois eventos de ponta da cadeia internacional de esportes e entretenimento – Copa do Mundo e Olimpíadas. Os gargalos são a logística de transportes, a oferta de saúde e o cuidado com o meio ambiente.

Já o Norte-fluminense, embora viva uma conjuntura virtuosa de investimentos privados, na logística portuária, agronegócio, construção civil e serviços, sofre o risco de perda de parcela de sua indenização oriunda da produção de petróleo e gás.

Nossas principais cidades, quando comparadas com outras de igual porte, pelo interior de nosso país revelam claros de sinais de dinamismo e progresso. Entretanto, ainda necessitam de políticas públicas de infraestrutura, educação, saúde, bem como de um planejamento de longo prazo que potencialize a plena utilização do capital natural, da força de trabalho e da inovação.

A guerra fraticida que se observa no Congresso Nacional pela partilha dos royalties, pouco contribui para o fortalecimento do pacto federativo de nossa nação. O excessivo poder financeiro concentrado em Brasília é uma grande distorção.

Só a descentralização dos recursos e o fortalecimento das municipalidades poderia permitir a conquista de um processo de desenvolvimento mais equilibrado, de um país tão cheio de potencialidades como revela ser o nosso Brasil.

Ranulfo Vidigal – mestre e doutorando em políticas públicas estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

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