segunda-feira, 25 de junho de 2012

CIDADE DIGITAL


Mais uma boa análise do economista Ranulfo Vidigal

"A revolução da informação digital que predomina neste início de século gera uma forte articulação entre a economia de escalas, automação industrial e volume crescente de empregos produtivos. Neste dia 4 de julho próximo sai o Índice Brasil de Cidades Digitais – um indicador que mede o grau de cidadania digital nos quase seis mil municípios brasileiros. Nossa cidade, que sequer figurava no mapa até recentemente está colocada hoje na quadragésima sexta posição no ranking nacional.
Campos possui hoje implantada uma rede de 52 km de fibra ótica, constituindo a primeira INFOVIA MUNICIPAL (Macaé possui apenas 10 km), o que coloca a municipalidade em destaque entre as cidades de porte médio do interior brasileiro. Esta rede vai, em futuro breve, interligar todas as universidades da cidade, bem como permitir a implantação de 15 Praças Digitais, destacando-se a Praça de São Salvador, Jardim São Benedito, Praça do Liceu, entre outras.
Esta INFOVIA vai propiciar também a execução de projetos em parceria com o Governo Federal dentro do Plano Nacional de banda larga, que levará internet gratuita a custos acessíveis aos micro empreendedores individuais, ou interligar a rede de sinais de trânsito centralizando o monitoramento e controle das principais vias, de modo a dar maior celeridade ao deslocamento e evitando os engarrafamentos diários, tão frequentes na atualidade nos horários de rush.
Outra meta da prefeita Rosinha é implantar, através da INFOVIA, quiosques de autoatendimento dos serviços públicos levando o poder local a estar maior próximo do contribuinte de cidadão comum e agilizar serviços como a marcação de uma consulta médica na rede municipal de saúde, ou solicitar a matrícula de seu filho na rede escolar de Primeiro Grau.
O mundo atento à velha lição das revoluções científicas, artísticas, produtivas e políticas acompanha com grande interesse a chamada revolução molecular-digital que disponibiliza em tempo real as informações estratégicas para a melhoria da qualidade de vida do cidadão. Nossa cidade, cujo maior ativo intangível é o seu parque universitário, ganha destaque com a conclusão da INFOVIA."
 
Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

domingo, 24 de junho de 2012

O cultivo de beterraba branca na França


 http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/06/tecnologia-francesa-e-capaz-de-produzir-sementes-de-beterraba-branca.html

O que sempre estamos repetindo (a importância da agricultura com nova organização e baseada no conhecimento) pode ser visto na matéria do Globo Rural de hoje. Trata-se da força da agricultura na França, no que diz respeito ao cultivo da beterraba branca para a produção de açúcar e etanol. São aproximadamente 400 mil hectares  destinados a cultura que alimenta a pesquisa e a produção de sementes num mercado de R$1,4 bilhão. Os Fisiocrátas franceses já diziam, na metade do século XVII, que a terra é uma dádiva e só ela pode gerar resultado líquido na economia.
 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Emprego Formal em maio na região Norte Fluminense

A movimentação do emprego formal em maio, na região Norte Fluminense, apresenta Macaé na liderança. O município gerou 639 empregos no mês e 4.272 empregos no período janeiro a maio. Deste total, o setor de serviço participou proporcionalmente com 62,71% a construção civil participou com 19,15% e a indústria de transformação com 17,51%.
O município de Campos dos Goytacazes gerou 773 empregos em maio e 2.042 empregos no período janeiro a maio. Deste total, o setor agropecuário participou proporcionalmente com 67,48%. É importante observar a força do setor sucroalcooleiro, cujo processo de operação inicia, mais fortemente, em maio com 1.100 empregos gerados no mês, ou 79,83% do total do emprego acumulado no setor. O setor de serviços participou proporcionalmente com 52,30%, a indústria de transformação participou com 15,38%, enquanto o comércio elimou 798 empregos no período analisado.
São João da Barra gerou 239 empregos no mês e 739 empregos no período, com uma forte concentração na construção civíl. Foram  693 empregos por conta das obras do porto do Açu.
São Francisco de Itabapoana gerou 632 emprego no mês e 654 empregos no período. O inicio da safra da cana-de-açúcar refletiu positivamente no município, onde o setor agropecuário foi responsável ppela geração de 600 empregos em maio e 567 empregos no acumulado.

Arrecadação de Royalties em junho na região Norte Fluminense

Os valores de royalties transferidos em junho para os municípios da região Norte Fluminense, são apresentados na tabela ao lado. Campos dos Goytacazes recebeu R$ 49,1 milhões, valor  11,74% menor do valor de maio. Macaé recebu R$35,3 milhões, valor menor  17,14% do valor de maior de maio. Quissamã recebeu R$ 5,3 milhões, valor menor 10,91% do valor de maior e São João da Barra recebeu R$ 10,7 milhões, valor maior 8,28% do valor de maio.

Apesar dos principais produtores ter perdido receita no mês, a remuneração total da região aumentou. A sua participação na receita total do estado é apresentada no gráfico. No mês de junho ocorreu a maior participação, ou seja, 47,10% que é superior a participação de 44,08% em maio.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hoje o caixa de São João da Barra foi irrigado com R$8.551.573,06 de royalties de petróleo, somando um acumulado R$64.667.286,89 no ano. Somado a esse valor, o município já recebeu este ano R$60.543.017,87 de participações especiais. Ou seja, sem nenhum esforço já caiu no caixa este ano R$ R$125,1 milhões relativos a petróleo.
Uma notícia triste é que o comércio destruiu 20 empregos este ano. Foram 96 admissões contra 116 demissões de janeiro a abril, segundo o MTE. Que quadro!

Execução Orçamentária em Macaé no período janeiro a abril de 2012

Macaé apresentou a execução orçamentária do período janeiro a abril de 2012. As receitas correntes realizadas somaram R$ 625,7 milhões ou 42,7% do valor previsto para o ano. As receitas tributárias somaram R$ 191,8 milhões ou 52,3% da previsão anual, enquanto as transferêncais correntes somaram R$ 335,6 milhões ou 36,2 da previsão.
As despesas correntes liquidadas somaram R$ 294,3 milhões ou 27,9% da previsão anual, os gastos com pessoal e encargos liquidados somaram R$ 179,4 milhões ou 27,2% da previsão, enquanto o investimento liquidado somou R$ 24,9 milhões ou 10,3% da previsão anual. 
Proporcionalmente as receitas totais realizadas no período, as tributárias representaram 23,23% as depesas com pessoal representaram 28,67% e a despesa com investimento liquidada atingiu 3,98%.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

ARTE, CULTURA E ESCLARECIMENTO


O economista Ranulfo Vidigal fala sobre CULTURA

"A prefeita Rosinha assinou recentemente o convenio com a ONG Orquestrando a Vida, com a meta de criação da Orquestra de Coro de nosso Teatro Trianon. Uma atitude inteligente, que prestigia os talentos de nossa terra. A música erudita, a cada dia ganha mais adeptos e a cidade só tem a ganhar com esta iniciativa. Basta não esquecer que cinco por cento do PIB da cidade do Rio de Janeiro é resultado de seu setor cultural.
Aliás, há poucas semanas, na tradicional Igreja de São Francisco de Campos eu tive a rara oportunidade de assistir a um belíssimo espetáculo da turma afinada, liderada pelo maestro Jony William e que apresentou barítonos de alta categoria.
O historiador Fernando Antonio lembra, com muita propriedade, a vinda do pianista Artur Moreira Lima na Praça de São João Batista, para tocar melodias que encantaram o público sanjoanense, nos idos dos anos 1990. Confesso que sou um amante da música.
Para diversos autores, a arte nunca é reflexo da vida social corrente, mas sim uma figura avançada daquilo que a vida social ainda não é capaz de pensar, ou seja, daquilo que ainda não tem forma no interior de nossa forma hegemônica de vida.
Em paralelo, o tempo é o formador da cultura e da história. Um intelectual, de um modo geral, leva muito tempo para escrever sua obra, um bom livro, filme ou peça teatral.
Quando a arte perde a força de ser a figura de uma comunidade por vir, então a vida social não é capaz de enxergar a imagem utópica de uma nova sociedade possível.
Quando o movimento de uma mudança perde força, o primeiro sintoma deste esgotamento é exatamente o fim da criação na arte.
Vivemos tempos em que a economia capitalista vê a cultura, o entretenimento e o turismo cultural como setores fundamentais, apenas para a produção de mercadorias simbólicas, afastando das mesmas seu espírito crítico.
Em paralelo, o setor das finanças transformou a obra de arte em um simples ativo financeiro sedento de “valorização”. Tais fatos retiram da arte sua força política e transgressora bloqueando a natureza produtiva do pensamento.
Na contemporaneidade presenciamos um comportamento padronizado das famílias, onde as redes de parentesco tendem a se reduzir ao mínimo, a vida doméstica é engessada pela mídia que, ao invés de instruir, incentiva o consumismo desenfreado. Neste ambiente, as utopias parecem coisa do passado.
Portanto, estes são tempos onde necessitamos de uma cultura esclarecedora que permita a convivência harmônica, com o meio ambiente e com as relações sociais fraternas. Momento adequado para um enriquecimento dos modos de vida e sensibilidade".

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

domingo, 17 de junho de 2012

Percentual do grupo da população sem rendimento nos municípios produtores de petróleo na RNF

O IBGE divulgou o resultado do censo de 2010 sobre rendimento por classe nos município do país. Uma grande contradição é o percentual da população com dez anos ou mais sem rendimento nos municípios produtores de petróleo na região Norte Fluminense. Veja no gráfico que em Campos dos Goytacazes foi identificado 160.691 indivíduos ou 40,50% sem rendimento. A segunda maior concentração está na classe de mais de 1/2 a 1 salário mínimo com 96.221  ou 24,25% dos indivíduos.
Carapebus tem 4.381 indivíduos ou 38,16% sem rendimento e 2.526 indivíduos ou 22,0% na classe mais de 1/2  a 1 salário mínimo.
Macaé tem 62.116 indivíduos ou 35,32% sem rendimento e 41.051 indivíduos ou 23,34 na classe mais que 1 a 2 salários mínimos (melhor posição entre os seus pares).
Quissamã tem 6.544 indivíduos ou 37,99% sem rendimento e 4.142 indivíduos ou 24,05% na classe mais de 1/2 a 1 salário mínimo.
São João da Barra tem 10.991 indivíduos ou 38,69% sem rendimento e 7.920 inidvíduos ou 27,88% na classe mais de 1/2 a 1 salário mínimo.

sábado, 16 de junho de 2012

Uma política cultural sustentável


Do momento em que se discute a erradicação da pobreza e o uso sustentável dos recursos, é essencial entender a sociedade através dos valores culturais, cristalizados nas manifestações artísticas, sociais, lingüísticas e comportamentais. Porém as ações voltadas para a cultura de forma estática, ou seja, cultura somente como arte e lazer, é fruto de uma visão pontual e incompleta que não se desdobra em desenvolvimento sócio-cultural. A política cultural em São João da Barra é muito próxima dessa concepção pontual, onde gastos em prédios, equipamentos e eventos isolados são desconectados de um planejamento eficaz que geram desperdício de recursos financeiros.

Contrariamente, a valorização da cultura local como elemento simbólico, deve compor um planejamento em busca de negócios diferenciados que tendem a criar identidade social e senso de pertencimento, fortalecendo, economicamente, o ambiente. Neste caso, a cultura torna-se aliada a economia com a geração de negócios diferenciados e profissionalizados. Estes são orientados em cadeias produtivas valorizando o trabalho, gerando renda, diminuindo a pobreza e criando ciclos econômicos sustentáveis. Alguns exemplos de saberes locais, nesse contexto, são: a construção naval, a agricultura familiar, a pesca artesanal, a cozinha a base de pescado, o artesanato, as manifestações culturais históricas, a criatividade individual esparsa, etc., que hoje não geram riqueza pela inexistência de gestão pública.

Por uma nova organização do setor sucro alcooleiro

http://www.fmanha.com.br/economia/subvencao-da-cana-aprovada-pela-presidente-dilma-rousseff
Apesar de importante para o Estado do Rio de Janeiro, a ação que regulamenta a subvenção da cana-de-açúcar em seu benefício, não pode ser vista como solução para o setor. O reconhecimento pelo governo Federal sobre as boas praticas da Coagro sim, representa um fundamento substancial, já que dirige o olhar para um novo formato de organização produtiva. A visão convencional de operação que exige do  setor a verticalização produtiva, grandes escalas, grandes investimentos, inovação e competitividade no contexto micro econômico, precisa ser substituida por uma visão operativa de escala no território, organização em cadeias produtivas, cooperação, reciprocidade e exploração de nichos de produtos de alto valor agregado. Este sim representa o caminho alternativo para o setor que é uma riqueza cultural do Estado e precisa ser preservado por sua capacidade de geração de emprego e renda.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

BNDES e CEF viabilizam recursos para a construção naval no Açu

O projeto de construção naval da OSX, de Eike Batista, obteve empréstimo de R$ 2,7 bilhões do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e da Caixa Econômica Federal.
A operação tem prazo de 252 meses (21 anos) para ambas as instituições financeiras, com 42 e 36 meses de carência para amortização do principal e 36 e 30 meses de carência para pagamento de juros junto ao BNDES e CEF, respectivamente.
A taxa média de juros prevista é a variação cambial mais 3,38% ao ano, com pagamentos mensais junto às amortizações do principal após a carência. 
Palavras do empresário....
"A UCN (Unidade de Costrução Naval) Açu é um extraordinário instrumento para o desenvolvimento da produção de petróleo e gás do Brasil. A contratação do financiamento do FMM [Fundo da Marinha Mercante] reafirma a importância estratégica de sua implantação para o nosso país", disse em nota Eike Batista, presidente do Conselho de Administração da OSX. 
A nossa visão é de que o governo do município de São João da Barra precisa assumir uma postura de indenpendência para negociar com as empresas a implementação efetiva das medidas compensatórias, de forma a proteger a população do processo de geração de riqueza concentrada e excludente.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Elinor Ostrom

Morreu a economista norte-americana Elinor Ostrom. A professora da universidade de Indiana que provou a existência de uma terceira via de gestão dos recursos comuns. A primeira mulher a vencer o Prêmio Nobel de Economia desenvolveu importantes pesquisas, cujos resultados contrariaram a visão corrente, a qual considerava como alternativas para evitar o esgotamento dos recursos comuns, a privatização ou a intervenção do Estado. Para a economista é possível a via da gestão comunitária, onde um processo de governança econômica pode evitar o esgotamento de recursos comuns e o aprofundamento da pobreza. 
Esta reflexão nos leva ao momento de transformação da região Norte Fluminense, indicando que é necessário aprofundar o debate sobre os reflexos dos investimentos exógenos, ancorados em recursos naturais, do complexo portuário do Açu. Neste momento, é essencial pensar estratégias para conter uma possível tragédia sócio-ambiental, seja pelo uso inadequado dos recursos ou pela exclusão da comunidade.


Grupo de debate sobre SJB no facebook

Convido a todos para conhecer o grupo de debate

http://www.facebook.com/groups/336746393057697/
O grupo tem como objetivo provocar um debate político no campo das idéias em São João da Barra. A população merece ser respeitada.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

MUDANÇA DE CICLO


O economista Ranulfo Vidigal avalia a conjuntura econômica internacional.

"Os economistas das diversas correntes sejam liberais, conservadores ou progressistas discordam sobre vários pontos, quanto ao desdobramento do manejo da política econômica e seus reflexos sobre a vida do cidadão comum, mas concordam em uma questão estratégica sobre a economia brasileira: o comportamento das contas externas, representado pelo Balanço em Transações Correntes e seu dequilíbrio será sempre uma forte restrição que altera, de fato, os graus de liberdade e a capacidade dos policy-makers formularem as alternativas mais adequadas para conjugar crescimento econômico, controle de preços e distribuição de renda.
Persistindo a desaceleração do comércio internacional, a retração dos fluxos de crédito e a redução acentuada dos investimentos externos, a tendência é de que tenhamos uma crescente deterioração dos termos de troca de nossos produtos no exterior. E assim sendo, torna-se preocupante observar que de forma sistemática, nos anos recentes, nossas contas externas estão apresentando um déficit em transações correntes que cresce, e este ano deve atingir 2,4% do PIB estimado em 2,5 trilhões de dólares. Este cenário preocupa, em decorrência da conjuntura externa problemática e incerta.
Os líderes políticos do capitalismo ocidental à beira da depressão na União Européia – onde se tentou a constituição inédita da criação de uma moeda, sem a existência de um Estado soberano, buscam instituir um regime fiscal disciplinar austero, para manter orçamentos equilibrados e reduzir o tamanho do Walfare State, na suposição de que agindo assim possam criar espaço para que os empreendedores aproveitem este recuo do Estado e criem riqueza apostando em novos investimentos, novas plantas e novos empregos. Trata-se de uma tentativa com alta probabilidade de frustração.
Esta maré conservadora vai na linha contrária à do New Deal, posto em prática nos anos trinta do século passado, que tirou o mundo da crise, via intervenção estatal, regulamentação da finança e promoção de programas de proteção social.
A gravidade da situação nos países ricos põe em relevo o desempenho determinante dos Bancos Centrais, na gestão macroeconômica injetando dinheiro para salvar os sistemas financeiros de seus países. O FMI reconhece que a economia global está numa fase perigosa e o Banco Central Europeu criou um programa de refinanciamento para emprestar recursos para o combalido sistema financeiro do velho continente.
Na arquitetura atual do capitalismo desregulado, as finanças públicas e o manejo da dívida pública são componentes estratégicos das finanças globais, ou seja, não existe Banco Central sem um robusto Tesouro Nacional. Contudo, a crise ao desacelerar a demanda efetiva reduz, ao mesmo tempo, os recursos fiscais, além de aumentar os encargos oriundos do forte desemprego. Neste ambiente, a lógica financeira submete as decisões de investimento produtivo – aquele que gera empregos e renda – ao imediatismo, face ao choque de desconfiança que impera.
Com a crise sistêmica no Primeiro Mundo capitalista sobram mercadorias, imóveis, créditos podres e famílias endividadas. As exigências dos acionistas e administradores da riqueza financeira impõem às grandes empresas cortes de pessoal e geração de caixa buscando lucros de curto prazo. O aprofundamento da recessão européia, associada à semi-estagnação americana- incapaz de criar empregos suficientes em um ano eleitoral decisivo – além da previsão de desaceleração suave dos BRICs deve representar, pelo menos no curto prazo, um freio na demanda internacional por nossas commodities agrícolas, energéticas e minerais. Como exemplo, a demanda chinesa por aço despencou 8 por cento, nos últimos meses.
Este quadro de mudança de humor, volatilidade e risco de ruptura, por si só, pode redundar na deterioração dos termos de troca tanto do Brasil, quanto de toda América Latina. Por outro lado, embora tenhamos um bom nível de reservas cambiais, nosso estoque não é formado como resultado de uma expressiva performance na balança comercial, mas através de haveres junto a credores internacionais revelando fragilidade.
Nas últimas semanas, diante da fuga dos investidores para a liquidez e para a segurança,o dólar que vinha de uma forte queda se re-valorizou, diante das principais moedas pelo mundo e o título de 10 anos do Tesouro dos EUA pagam a irrisória taxa de 1,5 por cento ao ano, abaixo da expectativa de inflação.
No Brasil, nossa taxa de câmbio já se desvalorizou em cerca de 25 por cento, nível que por enquanto não assusta em termos de inflação, em decorrência do ambiente de deflação no cenário internacional. Isto deve permitir ao Banco Central trazer a taxa SELIC para níveis nominais e reais mais compatíveis com os praticados nas nações de porte semelhante à nossa.
O afrouxamento da política monetária, em conjunto com os níveis salariais em leve crescimento deve acelerar a velocidade cruzeiro da economia, no segundo semestre, embora não devam permitir, estatisticamente, um desempenho do PIB muito superior a 2%, para uma inflação em torno de 5% e uma taxa de câmbio acima de 2 reais.
Curiosamente, enquanto o Primeiro Mundo apresenta taxas elevadas de desemprego, com a Organização Internacional do Trabalho estimando em 60 milhões o número de desempregados pós - 2008, no Brasil a população economicamente ativa cresce 1,3 por cento ao ano, mas a demanda por mão de obra ainda está aquecida e faltam engenheiros e outras profissões importantes, como é o caso da construção civil.
A crise internacional é uma ótima oportunidade para estimularmos a produção de bens públicos essenciais, que não custam os dólares que tendem a ficar escassos, como é o caso do saneamento básico, da habitação popular, do planejamento dos transportes nos grandes centros urbanos, dos serviços de saúde, educação e da inovação. Diante de um mundo em processo acelerado de mutação, tais investimentos vão segurar o nível de empregos e, em paralelo, aumentar a produtividade sistêmica de nossa economia.
Os fatos históricos nos permitem prever a tendência inexorável do capitalismo de superar as barreiras à auto-expansão do capital, por meio da destruição criativa dos arcabouços sociais, em que antes se baseava a expansão econômica, bem como através das mudanças da organização técnica e produtiva. Isto ocorre, através da atuação da mão visível do Estado provocando mudanças adequadas das leis e das instituições e submetendo os governos a fortes restrições sociais. A crise – um problema de fundo essencialmente político - instaurou uma guerra fratricida entre o capital velho, que reluta em se desvalorizar e o capital novo que ainda não encontrou formas de se impor. Pensadores importantes identificaram na economia de mercado uma realidade com grande poder de destruição e perceberam que seu avanço na busca da acumulação exige a necessidade de forte regulação para ordenar as chamadas mercadorias fictícias: terra (meio ambiente), trabalho (emprego) e dinheiro (setor financeiro)".

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

domingo, 10 de junho de 2012

O quadro da educação na região Norte Fluminense


O Censo do IBGE de 2010 levantou o nível de educação nos municípios do Brasil. Postamos aqui a situação na região Norte Fluminense, relativo aos grupos de pessoas com 10 anos ou mais, segundo as classificações: sem instrução ou fundamental incompleto, fundamental completo e médio incompleto, médio completo e superior incompleto, superior completo e não determinado.
Apuramos o percentual do grupo sem instrução e fundamental incompleto para os municípios, mostrado no gráfico. São João da Barra foi marcado, já que sedia um dos investimentos mais importantes do país, o complexo portuário do Açu. Neste caso, a pergunta que fica é a seguinte: é possível incluir trabalhadores locais a partir de um nivel educação tão deficiente? e ainda, os cursos de qualificação de curta duração resolvem essa situação? Estamos diante de um grande problema......

sábado, 9 de junho de 2012

Definição do Orçamento para SJB em 2013

São João da Barra  discute na próxima semana o orçamento para 2013. O valor previsto é de R$ 511,0 milhões. Observando a trajetória das Receitas Correntes realizadas no período 2007 a 2011 (até outubro), a presente previsão orçamentária para 2013 parece super dimensionada. O município tem realizado uma receita abaixo dos R$ 300,0 milhões e com uma equivalência em torno de 75% do orçado. Como em 2013, dificilmente, o quadro se alterará, em função do complexo portuário do Açu, não alcançaremos esse valor de receita em torno de R$ 500,0 milhões. Aliás, não está descartado o risco de uma redução das receitas de royaltes de petróleo. Acredito que um valor razoável seria em torno de R$ 370,0 milhões.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Contradições mostradas pelo setor bancário


A expressiva representatividade de São João da Barra, no que diz respeito a estrutura orçamentária (royalties de petróleo), investimentos privados (porto do Açu), em relação a São Fidélis, não reflete nas operações bancárias. Nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2012, os saldos de depósito a vista do setor privado nos dois municípios são bem próximos, em torno de R$ 11,5 milhões, o mesmo ocorre nas operações de crédito, saldo em torno de R$ 100,0 milhões, onde São Fidélis fica um pouco acima. Entretanto, o saldo de depósito a prazo (aplicações financeiras), São João da Barra dispara com saldo em torno de R$ 200,0 milhões, enquanto São Fidélis tem um saldo de R$ 20,0 milhões ou o equivalente a 10% de SJB.

Questões a responder:

Ø      Quais são os reflexos positivos dos investimentos privados (porto do Açu)?
Ø      Como se dá a aplicação dos recursos públicos (royalties)?
Ø      Quem está alimentando essa conta de depósitos a prazo (aplicações financeiras)?

Movimentação bancária em março de 2012 na região Norte Fluminense

A movimentação bancária em  março, na região Norte Fluminense é apresentada na tabela ao lado.Campos dos Goytacazes contabilizou um saldo de R$1,3 bilhão em operações de crédito, o maior entre os nove municípios da região, enquanto Macaé liderou nas operação de depósito a vista do setor privado, com um saldo de R$ 286,5 milhões.
Algumas peculiaridades precisam de destaque, tais como: A movimentação de crédito em São Fidélis, cujo saldo contabilizado no mês chegou a R$ 111,5 milhões, superando São João da Barra que hospeda fortes investimentos privados. Outro aspecto interessante é o representativo saldo de depósito a prazo em São João da Barra, R$ 200,0 milhões em março, contra R$ 20,0 milhões em São Fidélis. Observe que São Fidélis tem um saldo de depósitos a vista do setor privado muito próximo do saldo de São João da Barra.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Previsão de Investimentos para o Rio de janeiro

O Estudo Decisão Rio da FIRJAN indica uma previsão de investimento da ordem de R$ 211,5 bilhões para o período 2012/2014 no Estado do Rio de Janeiro. A estimativa para a região Norte Fluminense é de R$ 26 bilhões no mesmo período. Como podemos ver, é urgente a profisionalização do setor pública, de forma induzir um processo de coordenação institucional em direção a uma melhor qualificação dos agentes econômicos. As externalidades positivas, decorrentes desses investimentos, precisam ser internalizadas no território.

Exportação de Minério de Ferro em 2012

A exportação de minério de ferro apresentou um crescimento nas receitas em dólar de 7% em maio com relação a abril. O volume em toneladas embarcado cresceu 5%, enquanto o preço médio se manteve, no período analisado.
Comparativamente a maio de 2011, verifica-se uma queda de 24% nas receitas correntes de maio de 2012 e uma queda de 25% nos preços médios praticados.
O gráfico apresenta a evolução dos preços praticados na exportação de minério em 2011 e 2012.

Exportação de Açúcar em Bruto do Brasil

A exportação da commodity açúcar em bruto apresentou um crescimento da receita em dólares de 208% em maio com relação a abril. O volume em toneladas cresceu 218%, enquanto o preço US$/ton caiu 3% no mesmo período.
Na comparação com maio de 2011, as receitas em dólares caiu 1%, enquanto o volume embarcado em toneladas  e o preço se mantiveram estáveis.
O gráfico apresenta a trajetória dos volumes exportados em toneladas e os preços médios praticados no período de janeiro a maio de 2012.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

INICIO DE SAFRA


Análise do setor sucroalcooleiro pelo economista Ranulfo Vidigal.

"Embora nossa região venha recebendo nos anos mais recentes uma safra de investimentos produtivos em infraestrutura portuária, indústria naval, rede hoteleira e outros serviços nós não podemos desconsiderar a importância do setor sucro-energético na geração de renda e emprego nos principais municípios do norte fluminense.
Os dados do CAGED de emprego com carteira assinada de trabalhadores contratados para a lavoura canavieira ou para as unidades industriais remanescentes nos revelam um contingente de quase cinco mil trabalhadores, cujo salário médio gera uma circulação de demanda por produtos e serviços de primeira necessidade da ordem de mais de sessenta milhões de reais, em 2010.
A previsão de moagem de 2,6 milhões de toneladas representa uma renda agrícola superior a 150 milhões de reais para o ano corrente para pequenos médioas e grandes agricultores do NF, com geração de impostos e circulação de uma riqueza tradicional, embutida na cultura do nosso lugar.
Diante da grandiosidade, bem como da característica do nosso Estado ser importador de etanol e da nova fase, com a chegada do Grupo Canabrava inovando no campo do aproveitamento do bagaço de cana, os desafios para o futuro da indústria do agronegócio do açúcar, do álcool e da energia passam necessariamente por um choque de produtividade na terra e na manufatura, o que representa a busca da recuperação da capacidade de captar de recursos de longo prazo nas agencias de fomento, pela modernização de suas relações trabalhistas, respeito à legislação ambiental e fortalecimento dos investimentos em tecnologia agrícola e gerencial.
Em termos fiscais, a grande vantagem do Grupo Canabrava, se encontra na aprovação do diferencial de ICMS (uma alíquota que cai de 24 por cento para apenas 2 por cento), cuja aprovação beneficia também a futura planta de Quissaman. O desafio do grupo é reverter o quadro histórico de baixa produtividade do plantio, que atualmente é de apenas 50 toneladas por hectare, metade do alcançado no próspero Estado de São Paulo.
Uma das alternativas sugeridas pelos especialistas em sustentabilidade e economia verde supõe a escolha da bioenergia oriunda da cana de açúcar, como um bom substituto do alto teor de carbono embutido nas fontes energéticas não renováveis".

Ranulfo Vidigal- mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

Exportações Brasileiras por Blocos Econômicos no Período Janeiro - Maio de 2012


As exportações brasileiras no período de janeiro a maio de 2012 apresentaram um crescimento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2011. Verificou-se que o crescimento está num processo de desaceleração, já que no bimestre jan-fev o crescimento foi 6,9%, no trimestre jan-março o crescimento foi de 7,5%, no quadrimestre jan-abril 4,5% e no período jan-maio o crescimento foi de 1,5% em relação aos mesmos períodos de 2011.
A figura acima apresenta  a distribuição percentual das exportações no período de janeiro a maio de 2012. A Ásia continua na liderança entre os importadores de produtos brasileiros com 30,08%, seguido pela América Latina com 21,15% e União Européia com 20,27%. Uma observação importante é a evolução do crescimento da participação dos Estados Unidos.

sábado, 2 de junho de 2012

Lançamento do Observatório da Economia Criativa


A Pró - Reitoria de Extensão da UENF participou do lançamento do Observatório Brasileiro da Economia Criativa (Obec), nesta sexta feira 10 de junho, na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) em Brasília.
O Obec representa um instrumento de produção e difusão de informações quantitativas e qualitativas sobre a economia criativa brasileira. A expectativa do governo é de que a construção de dados e informações sobre a economia criativa possibilite a formulação das políticas públicas para o desenvolvimento justo e inclusivo do país.
O Obec congrega uma rede de observatórios estaduais e o Ministério da Cultura está investindo, neste ano, R$ 12,4 milhões em estudos e pesquisas sobre economia criativa. Deste total, R$ 7 milhões serão para a implantação dos observatórios estaduais e outros R$ 5,4 milhões serão repassados a fundações de amparo a pesquisas nos estados para bolsas de Mestrado e Doutorado em economia criativa.
Como atribuições fundamentais, os Observatórios Estaduais deverão desenvolver estudos e pesquisas para o Ministério da Cultura, realizar publicações em periódicos, organizar seminários e criar redes de pesquisadores. Nesse contexto, o esforço das universidades na identificação do estoque de capital intangível nos territórios estaduais, assim como, a indução ao desenvolvimento de negócios criativos e sustentáveis, considerando um processo de gestão eficaz, é essencial para a construção de novos modelos de desenvolvimento alternativos.
A definição sobre a localização dos Observatórios em cada Estado ainda não foi definida. Outros encontros ainda acontecerão e critérios serão estabelecidos democraticamente, segundo as iniciativas e experiências já realizadas.

http://www.youtube.com/watch?v=LKHC1tDEBPw&feature=relmfu

Fala da Secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura Dra. Claudia Leitão