quarta-feira, 30 de maio de 2012

Economia Criativa

A Pró-Reitoria de Extensão da UENF, através do professor Alcimar das Chagas Ribeiro, participa do lançamento do Observatório Brasileiro da Economia Criativa, nesta sexta feira, dia 1/6 no Ministério da Cultura em Brasília. A criação do Observatório tem por objetivo permitir a centralização e fácil acesso a dados e informações sobre o campo criativo brasileiro, inclusive sobre sua influência no desenvolvimento do País, favorecendo assim, debates sobre o tema e o fomento a um ambiente acadêmico-prático de estudos e pesquisas.

Sustentabilidade econômica local no contexto dos investimentos exógenos


Com muito prazer participei ontem, juntamente com o professor José Luiz Viana da UFF, do II Mosaico do Instituto Federal Fluminense – IFF. Das nossas palestras, identificamos pontos comuns. Por exemplo, os investimentos privados do porto Açu são importantes, entretanto, o problema está na estrutura fragilizada do território sede. Dificuldades no ensino fundamental, baixa qualificação da mão-de-obra e ausência de investimento na infraestrutura são gargalos que inibem a absorção dos benefícios provenientes dos investimentos. Neste caso, as possíveis soluções de reestruturação local e regional passam pela instituição de governos fortes, capazes de se relacionar com os empreendedores numa condição de independência e como defensor da sociedade, planejar a organização produtiva a partir dos recursos locais e estimular um processo de coordenação institucional para a produção de bens e serviços de maior valor agregado e com a inserção de conhecimento. Isso leva a necessidade de melhor profissionalização do poder público.

domingo, 27 de maio de 2012

MUDANÇA DE PARADIGMA


Análise do economista Ranulfo Vidigal

"Na última semana, nossa região foi destacada no principal jornal de finanças do país – Valor Econômico, enfocando a longa agonia da indústria canavieira e seus desafios. Contudo, temos ainda grupos empresariais que acreditam na região criando novas plantas industriais em Campos e Quissaman e prometendo investir 800 milhões de reais, nos próximos quatro anos. Trata-se da associação entre o Fundo BNY Mellon e o Grupo Canabrava. São empreendimentos que buscam a inovação, como é o caso da geração do excedente, em relação ao consumo na produção, da energia oriunda do bagaço de cana. Outro ponto acertado é a aposta no investimento na melhoria da produtividade agrícola – grande Calcanhar de Aquiles da atividade sucroalcooleira no Norte Fluminense.
A lei Rosinha e o Fundecam são parceiros de primeira hora do empreendimento do grupo, localizado em Travessão de Campos, que emprega direta e indiretamente mais de mil trabalhadores e deve moer nesta atual safra mais de um milhão de toneladas de cana de açúcar produzidas fundamentalmente em Campos e São Francisco de Itabapoana.
Antes da Revolução Francesa, os fisiocratas já apostavam na geração de excedentes, emprego e renda na agricultura de alta produtividade. Coube ao economista David Ricardo, ainda no século XVIII, desenvolver a teoria da renda diferencial da terra de maior rendimento, em detrimento das terras menos produtivas.
Com o etanol em alta, a frota de veículos flexfuel crescendo e o açúcar com preços remuneradores, a mecanização da colheita, sem demissão em massa e a justa remuneração do produtor são pontos positivos para nossa economia em transformação". 

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

Nosso comentário:

Ranulfo, o desenvolvimento econômico como liberdade, segundo Amartya Sen, é fundamentalmente endógeno, exigindo aspectos relacionados a identificação e planejamento dos recursos locais (tangíveis e intangíveis). Nesse caso, o setor sucroalcooleiro tem muita representatividade e, ao contrário do que muitos pensam, precisa ser potencializado, seja para a produção de açúcar e alcool ou na produção de bens diferenciados de alto valor com base em conhecimento. O setor é, essencialmente, importante porque traz consigo história, saberes, gera emprego e se organiza produtivamente em cadeia, além da fundamental memória tecnológica. Vejo que o problema do setor é de organização produtiva, já que vivemos moderanmente um paradigma de flexiblização produtiva baseada na tecnologia eletro-eletrônica, diferente, portanto, da rígida organização taylorista-fordista. Por outro lado é preciso entender que as condições físicas relacionadas ao setor também mudou, já que as propriedades são menores e os custos de transação são elevados por conta da necessidade de inovação.
Parabéns pela análise.

 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A trajetória de Eike Batista segundo "The Economist"

A revista britânica “The Economist” exalta o homem mais rico do Brasil, o empresário Eike Batista. Considerado o "vendedor do Brasil", segundo a revista, fez fortuna ao apostar em pontos fortes e fracos do país: vendeu recursos minerais e reformulou a infraestrutura precária.
Faltou o editor relatar que o empresário usa recursos comuns com o aval do Estado e a sociedade absorve as externalidades negativas, com reflexos perversos que podem levar a miséria.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Royalties em maio na região Norte Fluminense

A ANP depositou os valores de royalties de petróleo de maio. A região Norte Fluminense recebeu R$122,2 milhões no mês e um acumulado de R$589,2 milhões no período de janeiro a maio.
Campos dos Goytacazes recebeu R$55,6 milhões no mês e R$265,3 milhões no acumulado.
Macaé recebeu R$42,7 milhões no mês e R$201,7 milhões no acumulado, enquanto São João da Barra recebeu R$9,9 milhões no mês e R$56,1 milhões no acumulado
A participação percentual da receita de royalties da região em relação a receita do estado é declinante em 2012, conforme apresenta o gráfico.



Divulgação IFF Campos


Impactos do porto do Açu na contra mão do discurso

Os bilhões de investimento na construção do porto do Açu não geram emprego no comércio em São João da Barra. Observem que nos primeiros quatro meses de 2012, o município destruiu 20 empregos no setor (admissões menos demissões). Em janeiro o setor apresentou um saldo positivo de 18 empregos, caindo fortemente em fevereiro quando gerou um saldo negativo, que permaneceu nagativo em março e abril. Considere ainda que o os gastos públicos em 2011somaram um valor em torno de R$ 5,0 milhões até outubro.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Emprego em abril nos municípios com menos de 30 mil habitantes na região Norte Fluminense

Os saldos de emprego formal gerados nos municípios com menos de 30 mil habitantes (metodologia do MTE), são apresentados na tabela ao lado. São João da Barra lidera com um saldo de 500 empregos acumulado no ano. Em segundo lugar, Conceição de Macabu apresenta um saldo de 100 empregos no período, seguido Cardoso Moreira com um saldo de 47 empregos acumulados e Carapebus com um saldo de 18 empregos acumulados no quadrimestre. Quissamã foi o único município a destruir empregos no período analisado.  

A GERAÇÃO DE RIQUEZAS


O economista Ranulfo Vidigal em sua reflexão sobre desenvolvimento econômico

"A riqueza de uma nação ou região é sempre decorrência do aprimoramento das forças produtivas do trabalho, bem como da habilidade, destreza, frugalidade e bom senso com que o trabalho é executado na busca de uma maior produtividade, na visão de um dos primeiros pensadores da economia, Adam Smith, no século dezoito. Nascia aí a idéia de excedente, oriundo do trabalho produtivo corporificado no valor das mercadorias produzidas pelas indústrias das cidades de modo a superar o custo necessário para produzi-las, através divisão das tarefas e da busca da eficiência.
Um outro autor importante, Davis Landes buscou identificar os fatores não-econômicos que explicam o desenvolvimento das nações mais prósperas. E cita em sua obra, o papel de fatores como recursos naturais, nível de escolaridade da força de trabalho, geografia, clima, religião, ensino e cultura em seu sentido mais amplo, como itens que explicam as diferenças de rendas individuais, regionais e entre nações.  Para o autor, os valores a as atitudes vigentes em uma sociedade, como liberdade individual, curiosidade, criatividade, além da vontade individual de buscar a acumulação são fatores determinantes na capacidade de consolidação de processos de desenvolvimento.
O desenvolvimento é uma transformação da estrutura produtiva e das capacidades para suportá-lo, e requer a aplicação dos avanços tecnológicos e habilidades organizacionais que permitam atingir uma maior produtividade sistêmica da sociedade. É um esforço coletivo sistemático e necessita de uma estrutura política, institucional e cultural, que assegure sustentabilidade econômica, social e ambiental".

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

sábado, 19 de maio de 2012

Os municípios destaques na geração de emprego no Estado do Rio de Janeiro

Os maiores saldos de emprego formal em abril, no Estado do Rio de Janeiro, são apresentados na tabela. Depois da capital, Macaé é o destaque com 3.539 empregos gerados no primeiro quadrimeste de 2012. Na comparação com o mesmo período de 2011, observa-se uma queda de 8,6%. Queimados ocupa o segundo lugar com 3.268 empregos, seguido por Itaborai, Duque de Caxias, Niterói, Itaguai, Nova Friburgo e Campos dos Goytacazes.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Micro e Pequenas Empresas

Divulgação solicitada pelo Sr. Gilberto Soares dos Reis, gerente do Sebrae.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Empregos gerados em abril nos municípios com mais de 30 mil habitantes na região Norte Fluminense

O emprego formal em abril nos municípios com mais de 30 mil habitantes, na região Norte Fluminense, é apresentado na tabela. Macaé apresentou o maior saldo. Foram gerados 758 empregos no mês e 3.539 no quadrimestre. Do saldo acumulado, o setor de serviços participou com 68,8% o setor de construção civil participou com 21,7% o setor de indústria de transformação participou com 12,1%. O setor de comércio destruiu 376 empregos no período.
Campos dos Goytacazes gerou 243 emprego em abril e 1.139 empregos no quadrimestre. Do acumulado, o setor de serviços participou 74,0% o setor de construção civil participou com 66,1% o setor agropecuário participou com 24,7%. O setor de comércio destruiu 846 empregos no período.
São Fidélis gerou 52 empregos no quadrimestre e São Francisco de Itabapoana gerou 22 empregos no mesmo período.

Lei de acesso à informação pública

A estratégia de negar aprovação a um pedido de informação pública, como acontece na relação do Legislativo e Executivo, não pode ser mais aceita passivamente. A Lei de acesso a informação pública, sancionada em novembro de 2011 pela Presidente da República, entrou em vitor nesta última quarta feira. No caso dos municípios, terão que resolver o seu despreparo e regumentar o processo de acesso imediatamente, já que prazo de 180 dias para se adaptar se esgotou.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Comentários do economista José Alves


Publicamos a aqui os comentários do economista José Alves

"Parabéns ilustre Mestre,Ficamos felizes em verificar que São João da Barra, apresenta aos seus filhos, uma possibilidade de se viver numa sociedade alternativa, onde à educação não é apenas uma despesa ou uma rubrica orçamentária. Mas sim um canal de transformação social, formando cidadãos comprometidos com as grande causas sociais. Felicidade maior, é saber que o caminho da aludida sociedade está sendo construído por pessoas que sempre estiveram à frente do seu tempo, como é o caso do professor Alcimar, com a sua capacidade articuladora reúne forças e esforços, para tentar empreender os seus sonhos.  Parabéns também a professora Nilza, que corrobora com o grande e audacioso Projeto Capacitar".

sábado, 12 de maio de 2012

Operações bancárias em fevereiro de 2012 na RNF

Os saldos das operações bancárias em fevereiro de 2012, são apresentados na tabela ao lado. Campos dos Goytacazes apresentou o maior saldo de R$1,3 bilhão em operações de crédito, seguido por Macaé com um saldo de R$1,1 bilhão e São Fidélis com um saldo de R$109,5 milhões.
na conta de depósito a vista do setor privado, Macaé contabilizou o maior saldo de R$282,9 milhões, seguido por Campos dos Goytacazes com um saldo de R$227,6 milhões e São João da Barra com R$11,5 milhões. 
Na conta de depósito a prazo, Campos dos Goytacazes voltou a liderança com um saldo de R$911,3 milhões, seguido por Macaé com um saldo de R$710,2 milhões e São João da Barra com um saldo de R$203,2 milhões.
Na comparação com fevereiro de 2011, Campos apresentou um crescimento de 27% nas operações de crédito, enquanto Macaé apresentou um crescimento de 33,3% no mesmo período. Nas operações depósito a vista do setor privado, Campos declinou 5,8% enquanto Macaé cresceu 12,3%. Nas operações de depósito a prazo, Campos cresceu 39,8%, Macaé cresceu 70,3% e São João da Barra cresceu 258,0%.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A UENF em interação com a escola pública em Atafona - São João da Barra


Os alunos da escola pública Newton Alves de Atafona – São João da Barra visistaram as instalações do Projeto Capacitar e tiveram a oportunidade de conhecer melhor a Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF, seus cursos e alguns de seus projetos de intervenção na região, com objetivo de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. A geógrafa Nilza Franco, coordenadora da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares – ITEP, acompanhada de seus bolsistas, apresentaram aos alunos  a idéia realacionada a incubadora de negócios, os fundamentos da economia solidária e como iniciativas a partir do uso de recursos rejeitados, podem melhorar a vida de grupos de pessoas no campo do trabalho.

Na ocasião, pelo menos três projetos de extensão da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) se articularam em torno de potenciais ações compartilhadas. O projeto da incubadora de empreendimentos populares, coordenado pela geográfa Nilza Franco, o projeto de resgate da história local coordenado pelo professor Alcimar Chagas e o projeto de cidadania coordenado pela professora Wania Mesquita, identificaram pontos comuns e garantiram trabalhar estratégias  conjuntos, de maneira a fortalecer a presença da universidade na minimização dos problemas socioeconômicos locais.

terça-feira, 8 de maio de 2012

As escolhas equivocadas na execução das despesas orçamentárias em São João da Barra


O município de São João da Barra inicia as obras de construção do Parque de Exposição Agropecuário e Industrial, cujo valor é de R$ 4,3 milhões.  Esta é uma importante prioridade para o governo que demonstra, com este projeto, desconhecer, efetivamente, as verdadeiras necessidades do município. Primeiro, uma estrutura como essa pressupõe a existência de atividades agropecuárias fortes localmente, o que não é verdade. Veja na figura acima a trajetória da área colhida em hectare de lavoura temporária no período 2005/2010.
Trata-se de uma trajetória declinante aos longos dos anos, culminando com uma acentuada queda de 23,0% em 2010 comparativamente a 2005.
Uma segunda questão também crítica são as prioridades orçamentárias do governo. O gráfico a seguir apresenta a participação percentual dos gastos na agricultura e na atividade de urbanismo no total das despesas orçamentárias. Pode-se observar que a atividade agrícola está longe de ser prioridade, já que a sua participação orçamentária não passa de 2% das despesas totais, indicando ser contraditório o parque de exposição, considerando que a pecuária também não é prioridade para o governo. Nesse caso, o parque seria voltado para a realização de shows que levam os recursos do município?

Por outro lado, a prioridade em termos de gastos em urbanismo confirma a visão de desconhecimento do governo sobre as reais necessidades locais. O município gastou mais em urbanismo do que em educação e saúde no período analisado. A participação percentual desse gasto nas despesas totais é apresentada no gráfico, juntamente com a participação dos gastos em agricultura. Observe que em 2010 as atividades de urbanismo consumiram 35% das despesas totais e em 2011, os gastos considerados são somente do primeiro semestre do ano. A observação critica é a fraca resposta em termos de benefícios para a população relativo a esses gastos
Conforme mostram os indicadores as prioridades na utilização dos recursos orçamentários pelo governo são equivocadas, porém dado a inexistência de informação, sobressaem os discursos falsos e sem fundamento. O quadro apresentado coloca o município em uma situação muito difícil.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A SUSTENTABILIDADE É UM MITO?


Uma excelente análise do economista Ranulfo Vidigal

"Na economia ambiental figuram três vertentes interpretativas, acerca da questão no capitalismo contemporâneo. Para a corrente mais conservadora, os problemas sociais e ambientais são derivados de “falhas de mercado”, constituem-se em resultados indesejáveis que tendem a ser resolvidos pelo próprio funcionamento do sistema, de forma espontânea ou induzida.
Uma segunda interpretação afirma que o mercado, somente parcialmente, absorve os custos sociais ou ambientais, e desde que pressionado pela sociedade, através dos movimentos sociais exercendo pressão política externa, sobre a economia. Para esta corrente, a sustentabilidade seria atingível mediante a subjugação da racionalidade econômica à racionalidade ambiental.
Uma terceira posição importante defende a idéia de que os custos sociais e ambientais são inerentes ao funcionamento do moderno sistema produtivo de mercadorias e, assim sendo, não poderá deixar de gerá-los, sob pena de aprofundar a tendência de queda na taxa de lucro do sistema, com conseqüências negativas para o processo de acumulação de capital.
Diante da aproximação da data inicial da RIO+20 e do fortalecimento da temática na agenda da sociedade brasileira cabe uma indagação preliminar. Que temas serão prioritários? Na visão de um dos mais importantes intelectuais presentes nas discussões sobre desenvolvimento sustentável nos últimos quarenta anos – Maurício Strong, uma prioridade é medir responsabilidades, dado que desde Estocolmo (1972) até os dias atuais, os governos fizeram grandes promessas e se as mesmas fossem cumpridas não teríamos problemas tão expressivos de meio ambiente como presenciamos na atualidade. Ou seja, medir o que foi feito diante do todo que foi prometido nestas últimas décadas seria uma boa lição de casa.
Maurício Strong nos brindou com a definição de eco desenvolvimento que pressupõe uma solidariedade sincrônica com os povos atuais, ao deslocar o enfoque da lógica da produção para a ótica das necessidades fundamentais da população.
Ignacy Sachs - outro importante estudioso do desenvolvimento sustentável - definiu as cinco dimensões da sustentabilidade do eco desenvolvimento: a primeira de dimensão social abrangendo o espectro das necessidades matériais e não-materiais dos seres humanos; a segunda relacionada à questão econômica que supões a alocação e gestão eficiente dos recursos; na seqüência teríamos a sustentabilidade ecológica compreendendo o uso dos recursos potenciais inerentes aos variados ecossistemas compatíveis e com sua mínima deterioração; a quarta seria a sustentabilidade espacial de modo a evitar excessiva concentração geográfica das populações; e finalmente a sustentabilidade cultural centrada no respeito às especificidades de cada ecossistema, de cada cultura e de cada local.
Todas estas são questões muito urgentes e muito importantes para o desenho futuro de nossa região norte fluminense, diante do acelerado ritmo de investimentos públicos e privados que marcam presença em nosso território. A sociedade precisa ficar atenta e acompanhar a implantação dos projetos que trazem externalidades positivas e negativas.
Afinal todo “eldorado” tem um custo social, ambiental e cultural".

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

domingo, 6 de maio de 2012

O sistema bancário como indutor do desenvolvimento local


É comum a discussão sobre desenvolvimento econômico regional endógeno a partir da atividade produtiva de bens e serviços. Neste caso, a organização das empresas em rede, a integração da produção no território e a inovação são elementos essenciais.
Entretanto, a mesma discussão pode ocorrer através de outra concepção. Trata-se da moeda endógena como fator de desenvolvimento regional. Neste caso, a rede bancária entendendo que o sistema econômico local é dinâmico e merecedor de confiança, direciona crédito para empurrar a produção de bens e serviços. A endogenia se caracteriza pela ação induzida, planejada e controlada internamente.    
Nesse contexto, o conceito fundamental é o postulado pós-keynesiano de preferência pela liquidez, no qual os bancos influenciam o grau de desenvolvimento das regiões. Esses definem a quantidade de crédito para investimento no sistema produtivo em função da preferência pela liquidez, tanto dos bancos, quanto do público.
O índice de preferência pela liquidez dos bancos representa o seu próprio interesse quanto à alocação de seus recursos. Os bancos querem maximizar lucros e decide por maior ou menor liquidez, conforme o grau de desenvolvimento e segurança oferecida por cada região. Neste caso, o coeficiente de liquidez surge da equação depósitos a vista sobre operações de crédito, o qual refletirá a medida com que os bancos gerenciam a sua preferência pela liquidez, tornando seus ativos mais ou menos líquidos, segundo a região em que operam. Neste caso, quanto maior o índice, maior a preferência pela liquidez dos bancos, ou seja, menos empréstimos e mais dificuldades para a atividade econômica real que precisa de investimentos
Assim, pode-se afirmar que regiões que apresentam alta preferência pela liquidez costumam apresentar problemas de crédito e, conseqüentemente, dificuldade para se desenvolver, já que os bancos redirecionam seus recursos para regiões mais dinâmicas e ofereçam mais confiança. Ocorre ai o fenômeno caracterizado como fuga dos recursos da periferia para o centro mais desenvolvido.
Veja o caso de São João da Barra que, apesar de sediar substanciais investimentos privados, apresenta o pior índice de liquidez bancário, na comparação com Campos e São Francisco de Itabapoana. Neste caso, claramente o sistema bancário indica baixa confiança no sistema econômico, preferindo deslocar os recursos que, teoricamente, poderiam ser disponibilizados como crédito local, para outros mercados mais dinâmicos e com mais credibilidade. Esse indicador confirma um quadro econômico preocupante, onde três pilares sobressaem: o volumoso orçamento do governo com forte dependência de royalties de petróleo, os investimento privados puxados por grandes que usam recursos naturais e a atividade doméstica que se fragiliza. 
Estamos diante de um grande problema! 

sábado, 5 de maio de 2012

Projeto Capacitar para Transformar busca integração inter projetos sociais


Visando integrar projetos de natureza semelhante, o projeto Capacitar para Transformar com sede no Balneário em Atafona – SJB, recebe a geógrafa e mestre em Planejamento Regional Nilza Franco da UENF, que apresentará as linhas da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares – ITEP, sob a sua coordenação. Na ocasião ainda será abordada a dimensão da política pública de economia solidária e seu desenvolvimento na região Norte Fluminense, sobressaindo quatro projetos possíveis se serem desenvolvidos também em São João da Barra: ‘Mobilização e Sensibilização para a Formação de Empreendimentos Populares’, ‘Design Solidário e Curadoria de Produtos’, ‘Fortalecimento da Rede de Economia Solidária do Norte Fluminense’ e ‘Incubação Produtiva’. A idéia é expandir ações de extensão ligadas a UENF no território da São João da Barra fortalecendo laços com esta comunidade e a comunidade acadêmica.

Ficaremos muito honrados com a sua presença.
Local: Projeto capacitar para Transformar (balneário de Atafona – SJB)
Data e hora: Quinta feira dia 10 de maio as l4:30 horas

sexta-feira, 4 de maio de 2012

As exportações de minério de ferro em abril de 2012

A exportação de minério de ferro em abril apresentou uma queda na receita em US$ de 7,53%, enquanto o volume em tonelada embarcado declinou 7,23%. Os preços tem se mantiveram estáveis nesse quadrimestre do ano. 
O gráfico apresenta a trajetória dos preços praticados nos meses de 2011 e 2012. Observa-se que os preços em 2012 ficaram abaixo dos preços praticados em 2011.

A exportação de açúcar em bruto em abril

O valor das exportações da commodity açúcar em buto do Brasil, no mês de abril, declinou 30,26% em relação a março. O volume embarcado foi menor 30,51% no mesmo período, enquanto o preço US$/T cresceu 0,32% em abril com relação a março.
O gráfico apresenta a trajetória do volume embarcado e dos preços praticados nos primeiros quatro meses de 2012. Obeserve que enquanto os preços mantem uma certa regularidade, o volume embarcado declina acentuadamente. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Exportações brasileiras no período janeiro - abril de 2012

As exportações brasileiras por blocos econômicos no período janeiro a abril são apresentadas na tabela.  As exportações para o continente asiático continuam superando os outros blocos e, neste período, apresentou um crescimento de 13,02%  em relação a igual período de 2011. Os Estados Unidos apresentou um crescimento robusto de 32,73% no quadrimestre de 2012, comparativamente ao mesmo período de 2011. Contrariamente, as exportações para a Europa Oriental apresentou um queda de 41,66% em 2012, comparativamente a igual período de 2011.
O gráfico a seguir apresenta a participação percentual dos blocos econômicos nas exportações brasileiras no período janeiro-abril de 2012.
A Ásia apresentou uma participação de 28,94% do valor total exportado no período, seguido da America Latina com 21,51% e da União Européia com 21,12%.



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Análise do setor sucroalcooleiro fluminense

Em 4 de maio de 2009 a segunda postagem do blog economia norte fluminense fazia a seguinte análise sobre o setor sucroalcooleiro fluminense:
O setor sucroalcooleiro fluminense, apesar da evidente decadência, continua muito importante para a região norte fluminense. Segundo dados da CONAB (2008), em Castro e Ribeiro (2009), na safra de 2008 foram moidas 3,6 milhões de toneladas de cana. Este valor ficou abaixo da média estadual que é de 4,8 milhões de toneladas e representa 0,9% de toda cana da região sudeste. O artigo de Castro e Ribeiro (2009), indica que na safra de 2008 esta parte da cadeia produtiva operou com 10.000 fornecedores de cana, 10.000 trabalhadores, 6 usinas e uma distilaria, além de organizações de apoio como: universidades, sindicatos, associações e cooperativas.

Veja a análise atual do setor pelo engenheiro florestal e mestre em engenharia de produção, Rogério  Ribeiro de Castro da UENF.

"A moagem 2012/13 inicia-se no Norte Fluminense com a decretação de falência da Usina Sapucaia, que foi uma das mais importantes usinas da região e, segundo jornal local, teria setenta milhões de reais em dívidas.
Além desta má notícia, segundo o Levantamento de Safra (abril/2012) da CONAB, órgão do Ministério da Agricultura, para esta safra a área cultivada com cana-de-açúcar no Estado do Rio de Janeiro terá uma diminuição de 6%. A produtividade que já era a menor do Brasil cairá em 2,6%, representando uma produção de apenas 48,7 toneladas por hectare e, por último, teremos uma redução na produção global de cana passando de 2.065,51 milhões de toneladas para 1.891,0 ou queda de 8,4%.
Um dos problemas para recuperação do setor, além da conhecida falta de recursos, é a carência de grandes áreas disponíveis para o cultivo de cana com uso intensivo de tecnologia –  plantio, irrigação e colheita mecanizada entre outros. Nos municípios de Campos e São João da Barra já há especulação e elevação do preço de terras por conta do Porto do Açu. Com o aumento do preço da terra, eleva-se o custo de aquisição ou arrendamento de áreas para as três usinas restantes.
A proposta de criação de Condomínios Rurais, em que várias fazendas individuais seriam reunidas sem as cercas para facilitar a mecanização e aumentar a escala de produção, foi uma boa idéia que não conseguiu ser propagada, provavelmente, devido a fatores culturais próprios da nossa região.
A experiência exitosa da Coagro, uma cooperativa de fornecedores de cana que conseguiu recuperar a antiga Usina São José, poderia ser tentada na recuperação da Usina Santa Cruz e da já citada Sapucaia, mas pode-se questionar a viabilidade econômica de plantio de cana para pequenos produtores, em vista do preço pago pela tonelada de cana e pelo valor da terra.
Os pequenos produtores de cana, para não perder essa importante cultura agrícola já enraizada em nossa região, poderiam investir na produção própria de derivados da cana, como a cachaça, o açúcar mascavo e ainda o melado e a rapadura. Esses produtos possuem valor agregado mais elevado, se tornando uma opção mais rentável para o agricultor de pequeno porte.
A união e a cooperação destes pequenos produtores – agricultores familiares, assentados -, com apoio de instituições de fomento, ensino e pesquisa, poderia ser o embrião de uma nova organização produtiva, com intuito de preservar a cultura e criação de um pólo de derivados da cana, de alta qualidade e com respeito à natureza".

A primeira postagem do blog e sua atualização segundo a conjuntura atual

No dia 2 de maio de 2009 o blog economia norte fluminense publicou a sua primeira postagem, caracterizando a região. Neste momento o valor do PIB regional a preços de mercado para o ano de 2005 somava R$9.234.002.000,00 e o PIB per capita era de R$12.282,38 na região. 

Atualizando a postagem para a conjuntura atual, verifica-se que o PIB regional a preços de mercado para o ano de 2009 somou R$30.383.864.000,00 representando um crescimento nominal da ordem de 229,0% em relação a 2005, enquanto que o PIB per capita regional em 2009 foi de R$39.423,00 representando um crescimento de  220,9%. A figura a seguir apresenta os valores de PIB per capita em 2005 e 2009 referente aos municípios e região. O município de Quissamã apresentou o maior PIB per capita em 2009, dado a sua condição de produtor de petróleo e de sua pequena população.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Seminário Internacional

DIVULGAÇÃO
A pedido do economista Ranulfo Vidigal, divulgamos o seminário internacional sobre Governança Ambiental,  Biodiversidade e Cultura no Rio de Janeiro.
Local: Casa de Rui Barbosa
Data: 7 a 10 de maio de 2012

Execução Orçamentária em Macaé no primeiro bimestre de 2012

O processo de execução orçamentária no primeiro bimestre de 2012, no município de Macaé é apresentado na tabela. O valor de receitas correntes realizado no período chegou a R$ 311,9 milhões, representando 21,3% do valor orçado para o ano, enquanto que as receitas tributárias alcançaram R$ 91,9 milhões ou 25,0% do valor previsto para todo o ano. As receitas próprias realizadas representaram 29,5% das receitas correntes realizadas no bimestre.
As despesas correntes liquidadas no mesmo período somaram R$ 113,2 milões ou 11,8% da previsão para o ano. As despesas de pessoal e encargos liquidadas somaram R$ 67,2 milhões  e representaram 21,5% das receitas realizadas, enquanto que as despesas com investimento somaram R$ 1,1 milhão ou 0,35% das receitas realizadas no bimestre.

Evento cultural

                                          Divulgação

Três anos de existência do blog economia norte fluminense

Neste mês de maio, o blog economia norte fluminese comemora três anos de vida. Para brindar os nossos queridos leitores, vamos reproduzir as postagens publicadas ao longo de maio de 2009 e atualizá-las para o cenário atual. Acreditamos que possamos ter uma boa visão sobre a evolução da conjuntura econômica regional. A partir de amanhã iniciaremos essa discussão.