COMPLEXO PORTUÁRIO DO AÇU E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO UMA VISÃO CRITICA


Tenho me esforçado para entender o momento de transformação socioeconômico por que passa a região Norte Fluminense. Uma percepção inicial é de que os investimentos exógenos recém chegados ao território estão ancorados em recursos naturais e atendem as necessidades do país, especialmente, no que diz respeito a logística portuária que representa um sério gargalo a competitividade brasileira.

Porém, no contexto regional é essencial entender a natureza desse novo ambiente que conflita realidades bem diferentes. As atividades recém chegadas apresentam um teor de inovação incompatível com as atividades desenvolvidas localmente e a possibilidade de adaptação se torna extremamente difícil. A ausência de planejamento anterior ao investimento, assim como, a inexistência de ações voltadas para uma melhor adaptação do ambiente local ao processo de mudanças, representa um gargalo inibidor da necessária inserção local.

Entretanto, é comum a visão otimista no contexto dos discursos e propagandas veiculadas, especialmente, pelo empreendedor e pelo poder público, cuja base está nos documentos oriundos do estudo de impacto ambiental, contratado pelo empreendedor e, portanto, ajustados as necessidades de aprovação pelos órgãos ambientais. Estes não apresentam nenhum tipo de inviabilidade, pois todos os impactos (ambientais, sociais e econômicos) são devidamente mitigados por programas de compensação que, por sua vez, não são implementados integralmente, dado a acomodação da sociedade que não exerce o seu papel fiscalizador e cobrador.

Assim, pode-se considerar que esses argumentos são inconsistentes para explicar um ambiente exitoso de desenvolvimento econômico. Historicamente, as diferenças não tratadas no interior de um sistema econômico, resultam em um grande problema de difícil solução. A formação de riqueza de forma abrupta em um território fragilizado pressiona a demanda por bens e serviços que são escassos, replicando no aumento inflacionário.

Na evolução, a mudança que ocorre no nível do estilo de vida localmente acaba por excluir grupos de indivíduos que não se adaptam ao movimento de mudanças. Esse processo de inadequação fomenta a formação de favelas, alimenta a miséria e acelera a violência urbana.

A nossa visão pessimista é embasada na análise da trajetória histórica da economia local e na análise dos recentes indicadores gerados no período de construção da estrutura portuária, indicando que dificilmente evoluirá outro cenário diferente do especificado que orienta para fortes contradições socioeconômicas.

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