sexta-feira, 30 de março de 2012

Os BRICS e a nova geografia econômica mundial

A visita da presidente Dilma a India alertou para a necessidade de desoneração do sistema produtivo brasileiro. O dólar valorizado combinado com uma estrutura tributária pesado afeta o poder competitivo da indústria, porém um maior comprometimento com a inovação é essencial. O retorno da presidente indicará novos caminhos para inibir indicativos de desindustrialização no Brasil.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ainda sobre o projeto de piscicultura....

Postado por José Alves


Triste Fim

Nobre Professor,

Lamentavelmente o grande projeto de psicultura Capacitar para Tranformar, chega ao seu ocaso. Nós que tivemos a oportunidade de vê-lo nascer, produzir os seus frutos e agora somos obrigados a assistir o seu sepultamento.Vivenciei diversas vezes, o professor Alcimar passar em frente a nossa casa em Atafona, nas manhãs de domingo com o seu bugre amarelo a caminho do local denominado ruínas da marinha, onde encontrava-se implantado tal projeto, de forma abnegada, para gerenciá-lo. Talvez pensasse que através do seu esforço e idealismo pudesse mais tarde fundar uma escola de pesca, para profissionalizar e qualificar os pescadores, ou seja, o capital social da região, dando-lhe dignidade e agregando valor para que eles pudessem se independer das garras ferozes do poder publico local. Pois sabe ele melhor do que ninguém, que atividade pesqueira na região encontra-se com os dias contados. E o projeto capacitar para transformar poderia ser um instrumento de resgate. Tivemos inúmeras vezes degustando as tilápias produzidas nos tanques do projeto, em diversas festividades de São João da Barra, esses eventos serviam para divulgar e conscientizar a população da cidade, da importância de se ter uma alternativa de desenvolvimento econômico, com o signo do povo da terra de Narcísia Amália. Infelizmente entenderam de forma errada. Paciência!Agora verifica-se que o projeto soçobrou por falta de apoio e compreensão de setores de São João Barra, que não valorizaram a prata da casa. É muito duro! Essa talvez fosse uma iniciativa ímpar de se buscar um desenvolvimento econômica orgânico, ou seja, o povo de São João da Barra teve a chance de elaborar um projeto com o perfil da própria terra e infelizmente deixou que ele se acabasse. Tal projeto poderia conviver perfeitamente com os grandes e agressivos investimentos, que estão por vir. Nada impediria que crescesse e continuasse a dar frutos. Por razões óbvias e interesses já conhecidos da elite que hoje domina São João Barra, a opção foi pelo seu rechaçamento.Agora é tarde, não adianta chorar o leite derramado! O preço com certeza virá. Quem vai pagá-lo? A história nos dirá.


José Alves
Economista


sábado, 24 de março de 2012

Resultado do comércio exterior na região em fevereiro de 2012

A movimentação de comércio exterior nos municípios da região Norte Fluminense em fevereiro é apresentada na tabela. Macaé apresentou um saldo superavitário de US$ 418,9 milhões, resultado da exportação de US$ 500,3 milhões e importação de US$ 81,3 milhões. Campos dos Goytacazes contabilizou um saldo deficitário de US$ 1,5 milhão e São Francisco de Itabapoana contabilizou um saldo superavitário de US$ 150,0 mil.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O fim do projeto de piscicultura integrada em Atafona financiado pela Petrobrás

O projeto de piscicultura integrada, ação do programa capacitar para transformar sistemas de produção local, está sendo concluído. Dez anos se passaram depois das articulações iniciais em torno dessa idéia que, apesar de ter chegado ao final de uma forma alheia a nossa vontade, possibilitou resultados importantes. O conhecimento internalizado gerou publicações científicas, domínio sobre processos e produtos, confiança entre os envolvidos e inovações importantes para a atividade.
Os principais motivos pelo encerramento do projeto estão cristalizados no ambiente sociocultural, ou seja, o forte individualism
o, a concentração de poder do executivo local que permite aniquilar as ações que não são do seu interesse, a excessiva dependência econômica da população ao poder público, a ausência de um perfil empreendedor localmente e um acentuado desinteresse da população por questões de ordem coletiva.
Entretanto, o encerramento anotado não significa abandono dos ideais. Como sabemos, o município de São João da Barra vive um grande paradoxo, onde a riqueza do petróleo e os recentes investimentos em infraestrutura portuária, com perspectiva de porto indústria, acentuam declínio econômico e empurra parte da população para espaços de exclusão. Neste caso, entender as origens dos problemas elencados e formular políticas públicas com capacidade de fortalecer as atividades econômicas domésticas pode ser o caminho essencial par
a a inclusão mais ampliada da população.
Visando contribuir nesse processo, estruturamos um projeto de resgate da história local, cujo objetivo é produzir conteúdos, a partir da pesquisa bibliográfica e da pesquisa de campo, para disseminação nas escolas e na sociedade, de forma que a mesma sociedade possa repensar comportamentos e quebrar hábitos que são verdadeiros gargalos ao desenvolvimento econômico sustentável.

O projeto funcionará no prédio da piscicultura em Atafona com três bolsistas da escola municipal Newton Alves na mesma localidade, os quais terão a oportunidade de aproximação com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF e abertura de um canal de informação potencial para a sua evolução profissional. O prédio já conta com uma biblioteca em formaç
ão e ficará aberto para visitação e uso do material bibliográfico bastante diversificado.

A imagem mostra o resultado do processamento da tilapia cultivada em tanques forrados com lona. Em pequenas áreas improdutivas é possível obter alimento de alta qualidade. Só lamentamos a falta de apoio a projeto de tamanha relevância.

Transferência de royalties em março para a região Norte Fluminense

Os valores de royalties transferidos pela ANP para a região Norte Fluminense em março, são apresentados na tabela. Campos dos Goytacazes recebeu R$ 54,8 milhões no mês, acumulando uma receita de R$ 158,0 milhões no trimestre deste ano.
Macaé aparece logo a seguir com uma receita de R$ 41,5 milhões no mês, acumulando R$ 120,0 milhões nesse primeiro trimestre do ano.
São João da Barra ocupa o terceiro lugar com uma receita de R$ 11,5 milhões no mês e um acumulado de R$ 35,4 milhões no trimestre, seguido por Quissamã com R$ 7,5 milhões no mês e R$ 23,1 milhões acumulados no ano.
A região ficou com 43,98% dos R$ 275,4 milhões distribuidos para o estado do Rio de Janeiro em março deste ano. Porém, observa-se que a participação proporcional da região é declinante nos três primeiros meses de 2012. Em janeiro, a participação relativa atingiu 45,14 em fevereiro caiu para 45,05% e em março a participação atingiu 43,98%.

quarta-feira, 21 de março de 2012

domingo, 18 de março de 2012

COMPLEXO PORTUÁRIO DO AÇU E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO UMA VISÃO CRITICA


Tenho me esforçado para entender o momento de transformação socioeconômico por que passa a região Norte Fluminense. Uma percepção inicial é de que os investimentos exógenos recém chegados ao território estão ancorados em recursos naturais e atendem as necessidades do país, especialmente, no que diz respeito a logística portuária que representa um sério gargalo a competitividade brasileira.

Porém, no contexto regional é essencial entender a natureza desse novo ambiente que conflita realidades bem diferentes. As atividades recém chegadas apresentam um teor de inovação incompatível com as atividades desenvolvidas localmente e a possibilidade de adaptação se torna extremamente difícil. A ausência de planejamento anterior ao investimento, assim como, a inexistência de ações voltadas para uma melhor adaptação do ambiente local ao processo de mudanças, representa um gargalo inibidor da necessária inserção local.

Entretanto, é comum a visão otimista no contexto dos discursos e propagandas veiculadas, especialmente, pelo empreendedor e pelo poder público, cuja base está nos documentos oriundos do estudo de impacto ambiental, contratado pelo empreendedor e, portanto, ajustados as necessidades de aprovação pelos órgãos ambientais. Estes não apresentam nenhum tipo de inviabilidade, pois todos os impactos (ambientais, sociais e econômicos) são devidamente mitigados por programas de compensação que, por sua vez, não são implementados integralmente, dado a acomodação da sociedade que não exerce o seu papel fiscalizador e cobrador.

Assim, pode-se considerar que esses argumentos são inconsistentes para explicar um ambiente exitoso de desenvolvimento econômico. Historicamente, as diferenças não tratadas no interior de um sistema econômico, resultam em um grande problema de difícil solução. A formação de riqueza de forma abrupta em um território fragilizado pressiona a demanda por bens e serviços que são escassos, replicando no aumento inflacionário.

Na evolução, a mudança que ocorre no nível do estilo de vida localmente acaba por excluir grupos de indivíduos que não se adaptam ao movimento de mudanças. Esse processo de inadequação fomenta a formação de favelas, alimenta a miséria e acelera a violência urbana.

A nossa visão pessimista é embasada na análise da trajetória histórica da economia local e na análise dos recentes indicadores gerados no período de construção da estrutura portuária, indicando que dificilmente evoluirá outro cenário diferente do especificado que orienta para fortes contradições socioeconômicas.

sábado, 17 de março de 2012

Firjan avalia a gestão fiscal nos municípios brasileiros

A Firjan divulgou ampla pesquisa sobre o Índice Firjan de Gestão Fiscal, criado para avaliar a qualidade da gestão fiscal dos municípios brasileiros. A metodologia define cinco indicadores no cálculo do índice: Receitas próprias, Despesa de Pessoal, Investimento e Liquidez e custo da dívida, cujas notas de avaliação variam de o a 1. Os conceitos variam de A a D, sendo A representado por uma gestão de excelência com notas superiores a 0,8. O conceito B representa uma boa gestão com notas entre 0,6 a 0,8. O conceito C representa uma gestão de dificuldades com notas entre 0,4 e 0,6 e D representa uma gestão crítica com notas inferiores a 0,4. Segundo a avaliação da Firjan, somente 95 municípios ou 2% tem nota de excelência de gestão fiscal no Brasil.
Na região Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes tem uma boa gestão com nota 0,7972 e Carapebus tem uma gestão crítica com nota 0,2577. São João da Barra não aparece na avaliação em função de não ter disponibilizado os dados na base da Secreatria do Tesouro Nacional.

Exportações brasileiras no bimestre janeiro/fevereiro de 2012

As exportações brasileiras somaram US$ 34,1 bilhões no primeiro bimestre de 2012. Foi verificado um crescimento de 6,9% nesse período em relação ao primeiro bimestre do ano anterior, quando o valor das exportações atingiram US$ 31,9 bihões. A distribuição percentual das exportações brasileiras entre os principais blocos econômicos, no primeiro bimestre, coloca a Ásia na liderança com 25,12%, seguido pela America Latina e Caribe com 23,10% e União Europeia com 20,83%.
Os Estados Unidos aparece em quarto lugar com uma participação de 13,59%.

Observa-se na variação entre o primeiro bimestre de 2012 com relação ao primeiro bimestre de 2011, um crrescimento de 38,2% no comércio com os Estados Unidos, enquanto que a relação comercial com a Europa Oriental declinou 38,8% no mesmo período.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Emprego formal em fevereiro na região Norte Fluminense

A tabela apresenta a movimentação do emprego formal na região Norte Fluminense em fevereiro de 2012. O município de Macaé lidera com 898 empregos gerados no mês e 1.445 empregos no ano. Campos dos Goytacazes gerou 255 empregos no mês e 279 empregos no ano, seguido por São João da Barra que gerou 36 empregos no mês e 196 empregos no ano. São Fidélis e São Francisco do Itabapoana geraram 30 empregos cada um no ano, enquanto que Carapebus, Quissamã e Cardoso Moreira destruiram empregos no ano.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Movimentação do emprego em janeiro de 2012 nos menores município da região Norte Fluminense

A movimentação do emprego nos municípios com menos de 30 mil* habitantes, na região Norte Fluminense, em janeiro de 2012, apresentou São João da Barra na liderança com um saldo de 160 empregos gerados. Conceição de Macabu aparece a seguir com 41 empregos gerados e, com um número menor, aparece Quissamã com 5 empregos no mês. Carapebus e Cardoso Moreira geraram saldos negativos. Carapebus destruiu 8 empregos, enquanto Cardoso Moreira destruiu 4 empregos no mês.

* São João da Barra, apesar de ter uma população acima de 30 mil habitantes, ainda se encontra no grupo dos municípios com menos de 30 mil habitantes para efeito da contagem do emprego na metodologia do MTE.

"Uma viagem pelas terras Eikeanas"

Viajando pelas teras "Eikeanas" ou antigas terras do quinto distrito de São João da Barra, comecei a refletir sobre a Democracia. Na minha memória surgiu uma imagem daquelas terras pobres, sem nenhuma infraestrutura, sem a presença do Estado que, propositalmente, abandona essas populações a própria sorte. Em alguns momentos esses esquecidos cidadãos são importantes, quando se constituem como eleitores e os políticos é que precisam deles.
Entretanto, a situação real não era a do meu pensamento. A antiga região pobre agora é recortada por boas estradas, construidas pelo capital privado que, estrategicamente, dotou a mesma região de infraestrutura para depois se apropriar da mesma com aval do Estado. Estas terras são importantes pela localização, já que ficam nas proximidades do mar, recurso natural, que vai possibilitar forte acumulação de riqueza a grandes empresas densas em tecnologia.
A natureza nos negócios futuros assentados nesse recurso natural, localizado nesse território, muito contribuirá para a economia do país, além de maximizar a riqueza dos seus acionistas. A questão é que os donos beneficiários desse mesmo recurso natural perderam a liberdade de uso, além de terem que arcar com as externalidades negativas que, como avalanche, deixarão feridas difíceis de serem curadas.
Sobre as terras expropriadas dos produtores rurais, agora pode-se ver placas indicando que é uma propriedade privada (do grupo empresarial) e ninguém deve ultrapassar. Que contradição!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Desapropriação no Açu - São João da Barra

Mensagem da professora Ana Costa da UFF - Campos dos Goytacazes

Novas expropriações no 5º distrito/Açu-SJB

Aqui está tudo que sobrou de décadas de trabalho na roça do Seu Totonho\5º distrito/Açu. 13/03/2012.

No ano passado em um trabalho de campo no 5º distrito/Açu-SJB, com a uma turma de alunos da UFF de Campos, fomos recebidas pelo Sr. Totonho, pequeno agricultor, que tem no seu pedaço de terra, a sua vida, a sua história e de sua família, o seu ganha pão e o seu maior orgulho, que é de ter herdado de seus pais a habilidade de cuidar e cultivar aquela área.
E ontem, quando ele acorda e caminha para molhar o seu plantio, como fazia todas as manhãs, ele é impedido pela PM de se aproximar da sua roça. Então ele diz: eu nunca recebi nada do Estado, mas hoje acabei recebendo sim, mas foi a polícia.
É muito difícil para nós que temos acompanhado estes agricultores, não só na sua luta para se manterem com dignidade em suas terras - que o Estado/Sergio Cabral e o Eike Batista (Complexo Portuário do Açu),insistem em expropriar - mas também na lida do dia a dia, plantando, colhendo, comercializando seus produtos, distribuindo com seus vizinhos e com os visitantes, acompanhar aquelas máquinas monstruosas, destruindo plantações, tombando árvores que levaram décadas para crescerem e claro, tentando destruir a história daquela gente . Foi duro, muito duro...
Estou falando do seu Totonho, mas poderia está falando de tantos outros, como a Dona Rute, da dona Maura, do Seu Jair, do Juarez, que teve que sair algemado e levado preso, imagina o significado dessa violência para um trabalhador?
Às vezes, ficamos tão indignados com o que passa na tv, mas não nos damos conta, que ao nosso lado, tem homens, mulheres, crianças, idosos, todos trabalhadores, que estão tendo todos os seus direitos cruelmente, violados.

Execução orçamentária em Macaé no ano fiscal de 2011

O município de Macaé fechou a execução orçamentária de 2011. Segundo os valores divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, foi contabilizado um superavit corrente no exercício fiscal de R$142,0 milhões.
A realização das receitas correntes superou em 17,95% o valor previsto, enquanto as despesas correntes liquidadas representaram 96,46% do valor previsto no ano.
As receitas tributárias realizadas no valor de R$ 435,6 milhões, representaram proporcionalmente 28,10% das receitas correntes realizadas no ano e as transferências correntes representaram 60,32% das receitas correntes no mesmo período.
No grupo das despesas, verificou-se que as despesas com pessoal e encargos no valor de R$510,2 milhões, representaram proporcionalemnte 32,92% das receitas correntes, enquanto que as despesas com investimento em R$154,7 milhões, representaram 9,98% das receitas correntes realizadas no ano fiscal de 2011.

terça-feira, 13 de março de 2012

A atividade industrial brasileira sofre com a desaceleração da economia mundial

O ano de 2012 inicia com queda da atividade industrial no Brasil. A atividade consolidada de janeiro de 2012 registrou uma queda de 3,4% em relação a janeiro de 2011. O Estado de Santa Catarina registrou o pior resultado ou queda de 10,3%, seguido pelo estado do Rio de Janeiro com uma queda de 9,2% no mesmo período.
Os estados de Ceará no nordeste e Pará no norte, registraram queda de 8,3% e 8,5% consecutivamente no período analisado.
No grupo do estados que apresentaram resultados positivos, destaque para Goiás que cresceu 25,4% em função das suas atividades agroindustriais, seguido por Pernambuco com 11,3% e Rio Grande do Sul com com 7,8%.
Como podemos observar, a desaceleração da economia mundial tem afetado a dinâmica econômica brasileira.

Ainda sobre investimentos exógenos e recursos internos disponíveis.....

Leiam a intervenção do economista José Alves

É verdade professor,
Estamos diante do antigo e mesmo dilema. Não temos mão-obra nem conhecimento suficiente para encararmos os novos desafios, que aparecem nos nossos caminhos.
Infelizmente no Brasil a educação ainda é um tabu, não se investe em ciência e tecnologia, temos que importá-la de outros países e ficarmos à reboque.

Como bem salientou, o governo deveria ser o principal agente para fomentar o processo de desenvolvimento, mas ele tropeça nas próprias pernas, atendendo a demandas imediatas e de curto prazo. Os homens públicos da política brasileira preocupam-se com o próximo mandato e não com a próxima geração. É a pura sede incessante pelo poder.


Em razão desta sanha tresloucada, quem perde é o país e por sua vez, à sociedade. Agora surgem novos desafios e novamente somos obrigados a recorrer a terceiros, pois não temos expertise para enfrentá-los. Vem o pré-sal e não se tem tecnologia e mão de obra. Vem o Porto do Açú a mesma coisa. Lamentável!!!


José Alves

Economista


domingo, 11 de março de 2012

A difícil equação da combinação dos pilares do desenvolvimento econômico

O cenário econômico brasileiro da indústria de petróleo e gás acentua uma demanda urgente da Petrobrás por equipamentos essenciais para a exploração de petróleo no pré-sal. Tal condição esbarra na carência de fornecedores nacionais qualificados, em função do baixo padrão da mão-de-obra que é oriunda da desqualificação da educação. Um mergulho nesse quadro pode ajudar um melhor entendimento do ciclo de investimentos que afeta o estado do Rio de Janeiro, especialmente, a região Norte Fluminense.

Vale destacar a dificuldade de adaptação dos agentes econômicos, fundamentalmente o governo, frente aos processos de mudanças mais substanciais provocados pela inovação tecnológica. No período entre 1979 e 1983, ocorreu o fim do ciclo chamado “boom econômico”, onde o país contabilizou crescimento em torno de 8 a 10% do PIB ao ano e, posteriormente, o início da maior recessão já verificada, a qual materializou a chamada década perdida (anos oitenta).


Olhando especificamente o fim do ciclo do boom econômico, presenciava-se a robustez da construção naval do país com importância para o Rio de Janeiro e sua localização no entorno da baia de Guanabara. Com fortes investimentos financiados pelo Fundo da Marinha Mercante o setor atuava alimentando a indústria de petróleo, ainda em seus primeiros anos de exploração no pós - sal. As dificuldades observadas eram bem parecidas, já que a Petrobrás iniciava a sua trajetória frente a chamada terceirização de atividades, buscando parceiros para fornecimento de serviços considerados fora do escopo de seu objetivo fim. Essa estratégia esbarrou na debilidade de uma oferta adequada de mão-de-obra técnica, levando a empresa a muitas aventuras de desperdícios e grandes prejuízos coorporativos. Importante ainda observar que o fim deste ciclo de crescimento deixou marcas profundas no país e na grande região do Rio de Janeiro, tais como: pobreza acentuada, violência, degradação do meio ambiente, desorganização social com a divisão do poder com a indústria do tráfico de drogas, deterioração da alta estima da população, etc.


Estamos diante de um novo ciclo quase 35 anos depois, onde a discussão retorna no contexto de fortes mudanças que levam a mesma Petrobrás a um estagio mais sofisticado de produção, o pré-sal. Vejam que o problema retorna também, ou seja, estamos diante de uma situação clara de dependência tecnológica aos parceiros internacionais, debilidades dos fornecedores internos e fragilidade na base educacional responsável pela preparação do indivíduo para o trabalho. O nó está formado, confirmando que três décadas não foram suficientes para as adaptações necessárias.


A relação com o novo momento de grande transformação na região Norte Fluminense, cujo carro chefe é o complexo portuário do Açu, é que a sua viabilidade técnica e econômica já era conhecida há pelo menos quinze anos. No ano de 2000 o então secretário estadual de governo Wagner Victer apresentou em São João da Barra um projeto de US$ 100 milhões que teoricamente envolveria Petrobrás, empresa privadas e Governo do Estado, o qual não foi adiante. Conhecendo a trajetória econômica do Brasil e seus gargalos estruturais, a questão relacionada a portos se acentuava a cada ano e foi a chave que impulsionou a decisão sobre os investimentos atuais do porto do Açu e de Barra do Furado no consórcio Campos / Quissamã.


Podemos observar que o tempo também não foi suficiente para uma melhor preparação do ambiente regional frente a necessidade de mão-de-obra e outras necessidades. A fragilidade da estrutura pública e a debilitada estrutura educacional dificultam uma melhor absorção das externalidades positivas dos investimentos e não permitem a formulação de ações de proteção contra as externalidades negativas. Neste momento, vale a consideração de que as perspectivas sobre esse novo ciclo podem não ser tão otimistas quanto os discursos atuais, baseados somente nos estudos de impacto ambiental contratados pelo empreendedor. A história viva nos mostra os caminhos e seus espinhos.

terça-feira, 6 de março de 2012

Intervenção do economista e professor José Alves

Publico neste espaço, a intervenção do economista e professor José Alves.

Ilustre Professor,
Realmente o processo de industrialização da China é avassalador, como bem ressaltou o artigo em tela, através de uma grande demanda por matéria prima-prima oriunda dos países da América Latina, com destaque especial para o Brasil que se configura no cenário internacional como grande exportador de commodities.
Entretanto, os chineses buscam hoje uma maior inserção na economia internacional, sobretudo no Brasil, que apresenta atualmente indicadores econômicos mais favoráveis do que em algumas economias desenvolvidas, cenário econômico este que vem atraindo grandes investidores em diversos setores, inclusive os agressivos e indomáveis capitalistas chineses.
O Brasil na verdade, continua como exportador de produtos primários, de pouco valor agregado, além de enfrentar um processo de desindustrialização, em decorrência da atual taxa de câmbio, onde o padrão monetário nacional encontra-se valorizado. A indústria brasileira sofre um processo de concorrência desleal em relação aos bens e serviços estrangeiros, por diversos fatores, um deles chama-se carga tributária e o câmbio, como salientado acima.
A única forma de reversão da atual conjuntura econômica, passa pelo investimento em ciência e tecnologia, ou seja, em produtos que possuem grande valor agregado, como bem ressaltou o professor Alcimar.

Abrs.,
José Alves
Economista


domingo, 4 de março de 2012

A estratégia de restruturação econômica da China e os reflexos para a economia brasileira

Matéria do Globo deste domingo mostra a consistente estratégia de internacionalização da economia chinesa. Na verdade, o forte processo de industrialização da China é dependente de matéria prima do exterior, especialmente, de países com recursos naturais abundantes. Neste caso, destacam-se os continentes da África e América Latina, com uma boa presença do Brasil que, segundo pesquisa não oficial, recebeu US$ 16,7 bilhões de investimentos diretos no período de 2009 / 2011, enquanto que as estatísticas oficiais registraram a entrada de US$ 3,0 bilhões no período 2005 / 2011. A diferença é porque as pesquisas oficias não captaram os ingressos indiretos através de Hong Kong e outros paraísos fiscais. É importante observar que a China está buscando fortemente uma maior independência dos países fornecedores de matéria prima como o Brasil, adquirindo, através de participação acionária, negócios nos setores de energia, mineração, metalurgia e siderurgia, além de recursos naturais em alguns casos subvalorizados por conta de crises econômicas. Segundo a mesma pesquisa, os investimentos da China no mundo já chegaram a US$ 300 bilhões.
Em que ponto a presente estratégia chinesa afeta o Brasil?
Os indicadores do comércio exterior mostram que a China tem um papel preponderante na demanda externa brasileira, a qual se baseia, exatamente, na aquisição de matérias primas para a sua industrialização. Isso quer dizer que a busca da independência chinesa a essas matérias primas causa impactos sérios a economia brasileira. Porém, uma alternativa para o Brasil seria ampliar o investimento na geração de oferta de produtos com maior valor agregado, ampliando a sua capacidade competitiva junto às grandes nações, o que parece não ser tão simples, dado os indicadores de exportação por fator agregado.

Observando a participação percentual dos principais compradores na pauta de exportação brasileira, verifica-se que no período de 2006 a 2011 (em 2011 análise consiste no primeiro semestre), os Estados Unidos perdeu participação de forma acentuada. Em 2006 era o principal país comprador com uma participação de 18% na pauta, caindo para 9,9% em 2011.
Contrariamente, a China que ocupava o terceiro lugar em 2006 com 6,1% de participação, evoluiu para o primeiro lugar em 2011 com uma participação de 16,9% na pauta de exportação.

Na avaliação sobre o percentual da exportação por fator agregado, acentua-se a preocupação em relação a uma inserção qualitativa do Brasil no mercado global. O gráfico apresenta a trajetória de declínio da participação percentual da exportação dos produtos manufaturados, caindo de 54,3% em 2006 para 36,7% em 2011 e a trajetória ascendente da participação percentual da exportação dos produtos básicos. Em 2006 representava 29,3% subindo para 47,5% em 2011. Essa inversão representa um grande gargalo competitivo do Brasil e ratifica as futuras dificuldades, em função da estratégia chinesa.

sábado, 3 de março de 2012

Execução Orçamentária no município de Quissamã em 2011

A execução orçamentária no município de Quissamã apresentou uma receita corrente de R$ 212,1 milhões. O valor realizado representou 102,3% do valor previsto em 2011. As receitas tributárias realizadas somaram R$ 9,1 milhões ou 121,1% do valor previsto no ano e as transferências correntes somaram R$ 195,9 milhões ou 100,4% do valor previsto.
No grupo das despesas, os gastos com pessoal e encargos em R$ 91,3 milhões ou 98,8% do valor previsto e as despesas com investimento em R$ 9,2 milhões ou 69,2% da previsão inicial para 2011.
As receitas tributárias realizadas representaram 4,3% das receitas correntes, as despesas com pessoal e encargos representaram 43,07% das receitas correntes e as despesas com investimento representaram 4,37% das receitas correntes.

Gestão Orçamentária em Conceição de Macabu em 2011

Conceição de Macabu apresenta a sua gestão orçamentária de 2011. No grupo das receitas correntes, pode-se observar a realização de 106,1% do valor previsto para o ano. As receitas tributárias (receitas próprias) realizadas alcançaram 121,5% da previsão e as transferências correntes 104,1% do valor previsto.

No grupo das despesas correntes, a liquidação ficou muito próximo da previsão. Foi liquidado 92,7% das despesas correntes e 97,0% das despesas com pessoal e encargos. No grupo das despesas de capital, a dificuldade em alocar os recursos de investimento é acentuada. Dos R$ 4,4 milhões previstos para o ano de 2011, somente R$ 921,9 mil foram liquidados.

Na relação entre as receitas correntes, as receitas tributárias realizadas de R$1,9 milhão são equivalentes a 4,05%. As despesas com pessoal e encargos no valor de R$24,3 são equivalentes a 51,81% e as despesas com investimento no valor de R$921,9 mil são equivalentes a 1,96% das receitas correntes.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Gestão Orçamentária em 2011 no município de Carapebus

Carapebus fechou a gestão orçamentária de 2011. Com uma estrutura bem equilibrada, realizou 109,88% das receitas correntes previstas, 154,46% das receitas tributárias e 109,25% das transferências correntes. As despesas correntes liquidadas ficaram bem próximas dos valores previstos.
As receitas próprias realizadas tiveram uma participação relativa de 3,0% em relação as receitas correntes.

As despesas com pessoal e encargos liquidadas representaram 45,71% das receitas correntes e os investimentos representaram 5,37%.

Movimentação da Balança Comercial Brasileira em 2012

As exportações brasileiras cresceram 6,09% em janeiro de 2012 em relação a janeiro de 2011, enquanto as importações cresceram 17,86% no mesmo período. O saldo em janeiro de 2012 foi deficitário em US$ 1,3 bilhão.
Em fevereiro, as exportações 7,74% em relação ao mesmo mês de 2011, enquanto as importações cresceram 5,01% no mesmo período. O saldo em fevereiro de 2012 foi superavitário em US$ 1,7 bilhão.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Negócios com açúcar em bruto do Brasil no comércio exterior

Os negócios no exterior com açúcar em bruto do Brasil, ao contrário do ocorrido com o minério de ferro, apresentou resultados positivos, comparativamente, ao ano de 2011. O volume embarcado em toneladas no mês de janeiro de 2012 cresceu 6,18% em relação ao mesmo mês de 2011, enquanto em fevereiro o crescimento foi 11,84%. O preço praticado em dólar cresceu 5,67% em janeiro de 2012 com relação a janeiro de 2011, enquanto que no mês de fevereiro o crescimento foi de 3,18%.

Negócios com minério de ferro brasileiro no exterior

O ano de 2012 começa com declínio no volume embarcado de minério de ferro para o exterior e no preço médio praticado. O volume em toleladas embarcado em janeiro foi menor 20,04% do que o volume embarcado em janeiro do ano passado e o preço declinou 9,67% no mesmo período.
Em fevereiro a queda no volume embarcado foi de 2,70% em relação a fevereiro de 2011, enquanto o preço declinou 17,79%. Esses resultados mostram os reflexos da crise internacional, especialmente, com os insumos industriais.