Desenvolvimento econômico e seus estágios

O presente artigo do economista Ranulfo Vidigal apresenta uma excelente reflexão sobre desenvolvimento econômico, que compartilho com os amigos leitores.

Economistas devem estar sempre preocupados com a operação das economias reais e no poder transformador do processo de desenvolvimento.
O desenvolvimento é um processo com características quantitativas associadas à taxa de crescimento agregada, bem como relacionado à transformação estrutural do sistema produtivo.
A primeira fase da nova escalada na acumulação de capital em nossa região está associada à criação de empregos nos setores que praticam salários baixos. Os dados do CAGED-MTE relativos ao não de 2011 revelam que em São João da Barra, as obras do futuro Porto do Açu foram responsáveis pela contratação de cerca de mil e quinhentos trabalhadores com um salário em torno de 1,5 salários mínimos.
Em Campos, cidade universitária que conta com uma economia mais diversificada, o “boom” imobiliário, o plantio da safra agrícola, as obras públicas da prefeitura, o comércio e os serviços contrataram 15 mil trabalhadores, mas também praticando salários médios em torno de 1,5 salários mínimos.
O desenvolvimento econômico resulta em crescimento elevado da renda per capta, aumento de produtividade associado a mudanças estruturais da sociedade. A idéia do desenvolvimento enquanto processo envolve a necessidade de mudanças institucionais e culturais na sociedade. A estratégia do desenvolvimento deve estar baseada no crescimento industrial, combinado com a incorporação da ciência e da tecnologia, o que fortalece a mudança estrutural.
O desenvolvimento é um processo endógeno na vida social de uma região e não pode ser explicado apenas por variáveis econômicas, pois requer uma alteração na mentalidade da coletividade. O principal problema de uma industrialização acelerada e intensiva em capital é a baixa capacidade de gerar fontes de emprego para a numerosa e crescente população que vive em condições precárias em setores urbanos marginalizados ou na agricultura de subsistência.
O verdadeiro desenvolvimento também precisa trazer autonomia política. O método adequado para analisar o desenvolvimento democrático de uma sociedade, é verificar a proporção de bens e serviços essenciais para sustentação da vida humanas acessíveis por fora das transações do mercado.
O desenvolvimento excludente ocorre quando a vontade popular fica sempre subordinada aos imperativos do núcleo responsável pela acumulação de capital. Nestas “democracias de baixa intensidade”, a cidadania é frágil e os direitos como educação, saúde, seguridade social, cultura e lazer estão presos ao processo acelerado de mercantilização.
O quadro de exclusão ocorre quando o trabalho humano, a terra e os bens da natureza são convertidos em simples mercadorias. A natureza não é criada pelo homem, mas a atuação humana transforma a natureza, não apenas transforma como também a destrói. Entre o lucro, as pessoas e o planeta a crise ambiental tendem a forçar a humanidade a mudar de paradigma. No Norte fluminense não será diferente.
Uma convenção sobre desenvolvimento é um dispositivo cognitivo compartilhado por uma população, que segue um comportamento adotado por todos os membros desta população na suposição de que os mesmos compartilham desta idéia hegemônica. Uma convenção surge na interação entre os atores sociais, o que requer o surgimento de instituições que exerçam o papel de permitir à sociedade a capacidade de lidar com os problemas da incerteza, da coordenação e da definição das regras do jogo no novo período que se inicia.

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

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