domingo, 30 de dezembro de 2012

FELIZ 2013

Avaliação do economista Ranulfo Vidigal

A boa teoria nos ensina que a política (polítics) é a arena natural da resolução dos conflitos entres os diversos interesses legítimos das sociedades democráticas. No Brasil, na década atual predomina um pacto pluri-classista, onde a hegemonia do processo ainda é mantida pelo capital financeiro e o agronegócio, na dianteira da captura do excedente gerado pela intensa acumulação de riqueza.
Por outro lado, a locomotiva chinesa mantém intacta, pelo menos por hora, a melhoria dos termos de troca e os ganhos com a venda de matérias primas no exterior, como é o caso do minério de ferro, soja, café, carne e açúcar.

No Brasil, entretanto, qualquer tentativa de acelerar o crescimento em 2103, tende a esbarrar na limitação da oferta de energia, cujo cenário é de alto risco, na medida em que é de apenas 11%, o estoque de água em nossos reservatórios. A produtividade e o desenvolvimento dependem muito da equação energética de cada nação.

No Estado do Rio de Janeiro, o ano que se inicia será de preparação para os dois eventos de ponta da cadeia internacional de esportes e entretenimento – Copa do Mundo e Olimpíadas. Os gargalos são a logística de transportes, a oferta de saúde e o cuidado com o meio ambiente.

Já o Norte-fluminense, embora viva uma conjuntura virtuosa de investimentos privados, na logística portuária, agronegócio, construção civil e serviços, sofre o risco de perda de parcela de sua indenização oriunda da produção de petróleo e gás.

Nossas principais cidades, quando comparadas com outras de igual porte, pelo interior de nosso país revelam claros de sinais de dinamismo e progresso. Entretanto, ainda necessitam de políticas públicas de infraestrutura, educação, saúde, bem como de um planejamento de longo prazo que potencialize a plena utilização do capital natural, da força de trabalho e da inovação.

A guerra fraticida que se observa no Congresso Nacional pela partilha dos royalties, pouco contribui para o fortalecimento do pacto federativo de nossa nação. O excessivo poder financeiro concentrado em Brasília é uma grande distorção.

Só a descentralização dos recursos e o fortalecimento das municipalidades poderia permitir a conquista de um processo de desenvolvimento mais equilibrado, de um país tão cheio de potencialidades como revela ser o nosso Brasil.

Ranulfo Vidigal – mestre e doutorando em políticas públicas estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Retrospectiva Econômica na região Norte Fluminense em 2012



A economia da região Norte Fluminense, assim como a do Estado do Rio de Janeiro, apresentou um quadro de desaceleração em 2012. Os sinais dos reflexos da crise econômica internacional se acentuam sobre diversos aspectos. No fundamento emprego formal, a desaceleração foi muito forte, declinando o saldo acumulado no período de janeiro a novembro de 2012 em 43,67%, em relação ao mesmo período de 2011. Dos 20.966 empregos criados em 2011 (janeiro a novembro), sobraram somente 9.155 para o mesmo período de 2012. Nesse balanço, Campos dos Goytacazes que tinha uma participação relativa de 37,83% no emprego da região em 2011, perdeu posição contabilizando 24,29% neste ano, enquanto Macaé aumentou a sua participação de 57,04% em 2011 para 58,44% em 2012 e São João da Barra aumentou sua participação de 3,89% em 2011 para 11,43% em 2012.

O emprego na indústria de transformação também desacelerou em 2012, contabilizando um saldo de 1.541 empregos, contra um saldo de 2.243 no mesmo período de 2011.  No comércio não foi diferente, enquanto em 2011 o saldo foi de 1.899 empregos, em 2012 o saldo gerado foi de 308 empregos.

No setor bancário, ao contrário, o saldo de depósitos a vista apresentou um crescimento nominal de 13,42% no período de janeiro a setembro de 2012, com relação ao mesmo período de 2011. Nas operações de crédito, o crescimento nominal foi de 30,0% e nas operações de depósito a prazo, o crescimento atingiu 19,13% no período analisado. No presente balanço, Campos dos Goytacazes perdeu participação nos depósitos a vista, já que participava com 42,80% no total da região em 2011, atingindo 39,65% em 2012. Os municípios de Macaé e São João da Barra, por sua vez, aumentaram as suas participações. O primeiro passou de 48,83% para 50,41% e o segundo de 1,95% para 2,53%.

Nas operações de crédito, a participação relativa de Campos caiu de 49,58% em 2011 para 49,31% em 2012. A participação de Macaé que era de 39,92% em 2011, caiu para 39,92% em 2012, enquanto São João da Barra aumentou a sua participação de 1,36% para 2,36% no mesmo período analisado. Finalmente, nas operações de depósito a prazo, o município de Campos tinha uma participação relativa ao Estado de 51,46% em 2011, caiu para 47,52% em 2012; Macaé aumentou a sua participação de 38,49% em 2011 para 39,59% em 2012 e São João da Barra aumentou a sua participação de 6,52% em 2011 para 8,78% em 2012. 

A produtividade da bacia petrolífera de Campos, medida pela transferência de royalties de petróleo para os municípios produtores, declinou em 2012 em relação a 2011. Enquanto a região experimentou um crescimento nominal de 11,84%, o repasse para o Estado do Rio cresceu 19,14% no mesmo período analisado.  A participação relativa da região no repasse para o Estado foi de 46,48% em 2011, caindo para 43,61% em 2012. Ao longo de 2012, os percentuais apresentaram uma trajetória de queda, conforme o gráfico a seguir. Em janeiro, a participação da região era de 45,14% do repasse para o Estado, caindo para 43,36% em dezembro do mesmo ano.











Fonte: ANP (os dados representam somente o repasse mensal de royalties. Não estão incluídas as participações especiais).

Conclusivamente, as operações de comércio exterior registraram um saldo deficitário de US$ 26.660.463 em Campos dos Goytacazes e um saldo superavitário de US$ 2.706.413.043 em Macaé, no período de janeiro a novembro de 2012.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Royalties de petróleo em dezembro de 2012 na região Norte Fluminense

A transferência das parcelas de royalties de petróleo na região Norte Fluminense, referente a dezembro de 2012, coloca Campos na liderança com um depósito de R$55,4 milhões e um acumulado de R$ 631,8 milhões no ano. Macaé vem a seguir com um depósito de R$ 40,6 milhões no mês e um acumulado de R$ 476,9 milhões no ano, seguido por São João da Barra com um depósito de R$ 8,9 milhões no mês e um acumulado de R$ 114,1 milhões no ano. A participação da região no valor transferido para o Estado do Rio atingiu 43,36% no mês e 43,61% no ano.
O gráfico apresenta a trjetória das participações percentuais dos valores transferidos para a região em relação ao Estado. Observa-se um tendência de queda na participação percentual da região. Em janeiro a participação regional era de 45,14%, caindo para 43,36% em dezembro.

sábado, 22 de dezembro de 2012

A região Norte Fluminense perde participação na geração de emprego frente ao Estado

Aprofundando a análise sobre o emprego formal, verifica-se uma forte desaceleração da participação relativa do emprego na região Norte Fluminense em relação ao Estado, em  novembro e no período de janeiro a novembro de 2012, comparativamente ao ano de 2011. Em novembro de 2012, o saldo na região foi negativo em 1.961empregos, com uma participação negativa de 14,82% do saldo de 13.233 empregos gerados no Estado. No acumulado a participação da região atingiu 5,53% em relação ao Estado. Em novembro de 2011, o emprego gerado na região  atingiu 0,14% de participação do emprego no Estado, enquanto que no período de janeiro a novembro do mesmo ano, a participação alcançou 9,84%.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Emprego formal na região Norte Fluminense em novembro de 2012

A movimentação do emprego formal nos municípios da região Norte Fluminense em novembro, indica que os maiores contabilizaram resultados negativos no mês. No caso de Campos e São Francisco de Itabapoana, o final da safra de cana-de-açúcar confirma o seu perfil sazonal, registrando um grande número de desligamentos. Em São João da Barra, as obras do porto do Açu evoluem com períodos de contratações e desligamentos, enquanto em Macaé o setor de serviço destruiu 428 vagas no mês. O emprego consolidado no período de janeiro a novembro, coloca Macaé na liderança com um saldo de 5.350 vagas de emprego em 2012, distribuidas em 30,02% no setor de serviços, 45,87% no setor de construção civil, 13,83% no setor de indústria de transformação e 3,1% no comércio.
Campos dos Goytacazes gerou um saldo acumulado de 2.224 vagas no ano, distribuidas em 64,57% na agropecuária e 80,67% no setor de serviços. A construção civil destruiu 1.542 vagas e o comércio 39 vagas no ano.
São João da Barra gerou 1.046 vagas de emprego no ano, distribuidas em 60,23% na construção civil, 33,94% na indústria, 9,08% no setor de serviços, com destruição de 10 vagas no comércio.
São Francisco de Itabapoana gerou 130 vagas no ano, distribuidas em 27,86% no setor agropecuário, 28,57% no comércio e 41,43% no setor de serviços.  
Em novembro, foram desligados 1.870 trabalhadores no setor agropecuário em Campos e São Francisco de Itabapoana, por conta no final da safra de cana-de-açúcar.

FELIZ NATAL E UM ANO NOVO REFLETO DE SUCESSO

Aos amigos do blog economia norte fluminense, com um forte abraço de Alcimar Chagas.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Conflitos aprofundados no AÇU



O Estudo de Impacto Ambiental datado de 2006, contratado pela empresa MPC – Mineração, Pesquisa e Comércio Ltda do grupo MMX, relativo à construção do Porto do Açu em São João da Barra, trás, dentre outros, dois impactos importantes e suas respectivas medidas compensatórias. O primeiro impacto, diz respeito à Geração de Conflitos com a População Local, envolvendo especialmente pescadores e agricultores, em função de sua vulnerabilidade. A medida compensatória assumida neste caso contempla a identificação dos diferentes grupos sociais e seus interesses, realização de campanhas de esclarecimento sobre o empreendimento, criação de canais de comunicação que facilitem o diálogo com essas populações. O segundo impacto, diz respeito à interferência com a pesca artesanal. Neste caso, fica acentuado o compromisso de apoio as atuais formas de sustento desse grupo social. Quero lembrar que seis anos já se passaram e esses compromissos firmados entre o grupo empresarial e a sociedade local, com o aval do órgão ambiental INEA, parecem muito distantes. LAMENTÁVEL!

sábado, 15 de dezembro de 2012

PIB: somente um resultado contábil



Por que o PIB (Produto Interno Bruto) não representa um indicador adequado para se avaliar o padrão de riqueza e o bem estar social dos habitantes de uma sociedade? Conceitualmente, trata-se da soma, em unidades monetárias, de todos os bens e serviços finais produzidos numa região, e é usado para mensurar a atividade econômica de uma região (País, Estado, Município, etc.).  O PIB per capita seria, portanto, o indicador da riqueza individual desses espaços. Nesse caso, alguns problemas distorcem a idéia da utilização do PIB em sua finalidade de verificar a prosperidade das regiões.

Um primeiro problema diz respeito à concentração de riqueza, o Brasil é um exemplo vivo. Outro exemplo ocorre nas regiões que recebem investimentos estratégicos baseados em recursos naturais ou em grandes projetos de infraestrutura, como a região Norte Fluminense. No caso da atividade petrolífera, onde a produção do petróleo se dá em alto mar, o sistema econômico do município produtor não mantém nenhum tipo de integração com essas atividades, com exceção de Macaé que é sede das estruturas físicas do setor. Mesmo assim, pelo fato da natureza sofisticada das atividades, os atores e agentes locais não são inseridos na proporção desejável, por incompatibilidades diversas. Assim as rendas do petróleo acabam sobrevalorizando a dinâmica econômica local. Tanto isso é verdade, que quando olhamos o PIB per capita de Quissamã, da ordem de R$ 153.770,00 somos levado a dizer que o município é um dos dez mais ricos do país, cuja riqueza per capita é quase dez vezes maior do que a riqueza per capita do Brasil. Até que ponto isso é real?

A outra situação diz respeito aos grandes projetos, especialmente em infraestrutura, cuja base se assenta em recursos naturais. Normalmente são pequenos municípios que recebem bilhões em investimento, cujas atividades são incompatíveis as atividades locais. Neste caso, ocorre um grande fluxo de riqueza que é transferida para os centros, espraiando as externalidades negativas por todo o território. O exemplo mais próximo é o do porto do Açu, cujo investimento de R$ 2,6 bilhões em cinco anos gerou uma massa de riqueza não fixada localmente, enquanto que as mazelas estão cada vez mais presentes (especulação imobiliária, violência urbana, trânsito pesado, crise social pelo processo de desapropriação, crescimento inflacionário, etc.).  

Por conta das questões elencadas, é consenso, mundialmente, a tese de que o PIB está muito longe de ser um indicador que represente, de fato, o padrão de desenvolvimento socioeconômico das regiões. O bem estar de uma sociedade não está relacionado ao volume de riqueza gerada e sim a forma como se dá o processo de geração e distribuição dessa riqueza. Para finalizar, convido o leitor a refletir sobre os sistemas econômicos dos municípios de São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, considerando que são vizinhos e que São João da Barra é produtor de petróleo e sede do porto do Açu. Outra reflexão pode ser realizada para a comparação entre os municípios capixabas de Venda Nova do Imigrante na serra e Presidente Kennedy no litoral, sedo esse produtor de petróleo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Divulgação



III Festival de Economia Solidária neste final de semana no Jardim do Liceu
Será neste final de semana, sexta, sábado e domingo, dias 14, 15 e 16, no Jardim do Liceu, em Campos, a realização do III Festival de Economia Solidária, promovido pelo Fórum de Economia Solidária de Campos, com apoio da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares (ITEP), vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).
No evento vai circular a moeda sócio-ambiental “Motirõ”, que será trocada por óleo vegetal usado, numa parceria com a Rede Nacional do Disque Óleo Vegetal Usado, posto de coleta de Campos dos Goytacazes. O “Motirõ” poderá ser usado na compra dos produtos de inclusão produtiva que serão comercializados no festival. Além da comercialização de produtos, haverá na programação palestras, oficinas e apresentações culturais.
O III Festival de Economia Solidária tem como parceiros, além da ITEP/PROEX/UENF, a Secretaria de Família e Assistência Social de Campos, Secretaria de Agricultura e Pesca de Campos, Fundação Municipal Zumbi do Palmares, Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos (Codemca), Secretaria de Serviços Públicos, Campos Luz, Guarda Civil  Municipal e o Instituto Solar Brasil de Desenvolvimento Saúde e Pesquisa (Isobras).
Confiram a programação:
14/12 - Sexta
10h- Abertura a visitação ao público no espaço de comercialização, apresentações artísticas e circulação da moeda social
Espaço Cultural - Jorge da Paz 
10:00 – Oficinas com a Inclusão Produtiva
11:30 - Capoeira
14:00– Oficina com a Inclusão Produtiva
17:00- Palestra (  ITEP/UENF) Villa Maria
              O Papel do Design na          Reciclagem/Reaproveitamento de Produtos- Carlos Guilherme e Andrea

18:00h- Abertura oficial do III Festival de Economia Solidária – 2012
18:15  - Banda Forró diDoido
19:00 - Palestra (  ITEP/UENF) Villa Maria
              Cidades Criativas-Lívia Amorim   
19:00 – Cozinha Quilombé
20:00 Encerramento


15/12 - Sábado
10h- Abertura a visitação ao público no espaço de comercialização, apresentações  artísticas e circulação da moeda social
Espaço Cultural -  Jorge da Paz 
10:00  Oficina Campos EcoSol – crochê tunisiano com Cláudia
11:00  Oficina Campos EcoSol – tricô com Rutiléia
11:30 - Capoeira
14:00 – Oficina Campos Ecosol – caixas com Enilza e Maria José
15:00 – Oficina Campos Ecosol – bijoux com Fabiana
17:00 – Palestra (  ITEP/UENF) Villa Maria
   Economia Solidária: uma nova alternativa de vida e de economia -Talita Barros                                                         
18:00  - Roda de samba e relançamento do cd Bambas da Planicie (Jorge da Paz, Geraldo Gamboa e Mariel Tancredo)
19:00 – Cozinha Quilombé
20:00 - Encerramento

16/12 – Domingo
10h- Abertura a visitação ao público no espaço de comercialização, apresentações  artísticas e circulação da moeda social
Espaço  Cultural   Jorge da Paz
10:00 – Oficinas com a Inclusão Produtiva
11:00 -  Projeto Forró entre Amigos
16:00 – Palestra (  ITEP/UENF) Villa Maria
    Moedas Sociais e Banco do Povo: uma alternativa de crédito para os grupos de Economia Solidária - Nilza Franco
17:00- Roda de Samba com Lene Moraes
18:00  - Encerramento

Blog Ciência - UENF

http://uenfciencia.blogspot.com.br/2012/12/o-pib-regional-parte-por-parte.html

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Câmara de Vereadores de São João da Barra


Regressão Salarial e Inflação de Ativos

Análise do economista Ranulfo Vidigal

Importantes economistas da corrente heterodoxa, ao interpretar o quadro recente da economia mundial defendem a tese central, segundo a qual com a globalização da economia mundial, desde os anos 1980 vivemos uma radical alteração no modelo de crescimento e desenvolvimento da economia norte-americana e demais países centrais do capitalismo. O antigo modelo macroeconômico pré-1980 centrado em pleno emprego, salários reajustados de acordo com a produtividade do trabalho, regulamentação financeira e de incentivos aos investimentos produtivos foi substituído, no pós-1980 pelo modelo macroeconômico da globalização neoliberal com estagnação do salário real, desemprego e demanda agregada puxada por “bolhas” financeiras.

O neoliberalismo é uma doutrina baseada no individualismo metodológico e supõe uma economia tendendo sempre para o equilíbrio natural, desconsidera os fatos históricos e parte do princípio da maximização do lucro empresarial e da satisfação do consumidor.

Um dos componentes atuais da demanda agregada no EUA tem sido a inflação de ativos, que compensa a queda histórica nos rendimentos do trabalho. A economia norte-americana tem necessitado, recorrentemente, de bolhas financeiras e bolhas no mercado de hipotecas para garantir tanto crescimento como o pleno emprego. De fato, há uma combinação perversa entre o modelo de crescimento doméstico americano e seu receituário de expansão global, principalmente para os países da periferia, como é o caso do Brasil, ainda preso na armadilha das metas de inflação, superávit primário, câmbio flutuante e, conseqüentemente, baixo crescimento. O novo modelo que privilegiou a componente financeira da acumulação de capital gerou uma crescente instabilidade macro-econômica no mundo como um todo.

Embora sejam plenamente reconhecidos, os fatores microeconômicos da atual crise, o que se observa no pensamento conservador é uma grande resistência, tanto entre economistas como entre políticos em admitir as causas macroeconômicas da crise. O discurso microeconômico sobre falhas meramente pontuais dos mercados desvia a atenção em relação aos mecanismos estruturais que são de difícil correção e que exigem mudanças mais radicais. O discurso micro, por outro lado, não questiona os assuntos mais amplos do atual modelo de crescimento econômico, que alarga as disparidades de renda entre indivíduos e nações. Organizações supra-estatais como o FMI e o Banco Mundial também se recusam veementemente a questionar os problemas estruturais.

A grande transformação de caráter ideológico ocorreu há cerca de trinta anos. Ali, o modelo macro que reinou depois da segunda guerra mundial até o fim dos anos 1970, que teve como princípios básicos as políticas de pleno emprego, que garantiam que os salários fossem reajustados de acordo com a produtividade do trabalho esgotou-se. O modelo implementado após 1980 quebrou o compromisso com o pleno emprego, desconectou o crescimento dos salários da produtividade do trabalho e, por fim, se assentou na expansão do crédito e das dívidas pública e privada para estimular a demanda agregada. A expansão do crédito e das dívidas, por seu turno, produziu “bolhas de ativos”, e conseqüentemente aumentos na demanda agregada, apesar da estagnação dos rendimentos do trabalho.

O boom financeiro acoplado à menor regulação e às inovações financeiras veio associado a elevados níveis de alavancagem bancária e expansão da securitização de ativos. Em paralelo, os trabalhadores continuaram sendo, pressionados pela flexibilização do mercado de trabalho, pelo deslocamento de empresas norte-americanas para outros continentes e pelas políticas governamentais que tenderam a diminuir o estado de bem-estar social originalmente criado após a crise de 1929. As recentes manifestações na Itália, Portugal, Grécia e Espanha confirmam esta situação.

O modelo neoliberal do chamado consenso de Washington foi exportado para outros países, através do FMI e do Banco Mundial. Em grande medida, tais políticas favoreceram a precarização das condições de trabalho no mundo afora. O resultado foi a regressão das condições daqueles que ainda encontram trabalho. No Brasil, apesar do forte incremento na empregabilidade, o mercado formal de trabalho atinge tão somente metade da força de trabalho disposta a buscar uma atividade produtiva. Por outro lado, enquanto a renda média da parcela 1% mais rica da sociedade (o topo da pirâmide) atingir 16 mil reais, a renda média do brasileiro comum é de apenas 1.300 reais.

O controle da inflação dos bens de consumo foi colocado à frente da garantia de pleno emprego. E o “controle da inflação” certamente não incorporou o controle da inflação de ativos. Ao contrário, as taxas de crescimento do PIB estiveram correlacionadas positivamente com a taxa de inflação dos ativos imobiliários. No mundo em crise, de fato, ainda estamos presenciando um processo intenso de transferência da renda dos salários para os lucros. Ainda mais, porque a tênue recuperação atual, lastreada em juros nominais muito baixos e grande oferta de liquidez, se deu novamente com inflação de ativos, alto desemprego e tentativa de desmonte do walfare state na Europa.

Por fim, temos as economias subdesenvolvidas de nosso continente que se caracterizam por grandes disparidades de renda, alta informalidade no mercado de trabalho, atraso tecnológico, baixo grau de industrialização, exportação de produtos primários e pequena participação nos processos decisórios dos organismos internacionais econômicos. O necessário reposicionamento, diante do novo cenário que se avizinha na fase de superação da atual crise internacional exigirá do Brasil uma estratégia tecnológica, energético-ambiental, econômica e política que permita romper com este paradigma e garanta maior homogeneidade de renda, desenvolvimento sustentável, maior produtividade, diversificação da produção e distribuição de renda e riqueza.

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

Livro Economia Norte Fluminense

https://mail.google.com/mail/?shva=1#inbox/13b81f45d314fa4a

Lançamento do livro "Economia Norte Fluminense" na Câmara de Vereadores de São João da Barra.

Revendo a discussão sobre crescimento e desenvolvimento econômico

A publicação do inicio do ano, mas muito atual e interessante para reflexão.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/35898-desafio-da-regiao-e-converter-riquezas-em-inclusao-social.shtml
Desafio da região é converter riquezas em inclusão social
www1.folha.uol.com.br
É inegável a perspectiva de crescimento econômico do norte fluminense. Na região, está situada a bacia petrolífera de Campos, responsável pela produção de 85% do petróleo nacional, e o complexo portuário do Açu,

sábado, 8 de dezembro de 2012

Operações bancárias na região Norte Fluminense em setembro de 2012

A movimentação bancária em setembro, na região Norte Fluminense, registrou um crescimento de 11,52% nas operações de crédito e 0,87% nos depósitos a vista do setor privado em Campos dos Goytacazes, considerando como base o mês anterior. Em Macaé houve crescimento de 2,44% nas operações de crédito e 10,11% nos depósitos a vista do setor privado e em São João da Barra 1,32% nas operações de crédito e 3,11% nos depósistos a vista privado.
No mês de setembro, Campos liderou a movimentação de crédito com um saldo de R$ 1,6 bilhão, seguido por Macaé com um saldo de R$ 1,3 bilhão. Nos depósitos a vista do setor privado, Macaé liderou com R$ 294,2 milhões, seguido por Campos com R$ 231,0 milhões.
Os saldos das operações de crédito e depósito a vista do setor privado em São João da Barra, estão bem próximos dos verificados em São Fidélis e São francisco de Itabapoana, o que surpreende, já que São João da Barra é produtor de petróleo e sede do porto do Açu.
   O gráfico ao lado apresenta a evolução dos depósitos a prazo em São João da Barra. Nesta operação, observa-se um forte crescimento a partir de julho de 2011.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Exportações brasileiras por blocos econômicos em Novembro de 2012

A trajetória de queda nas exportações brasileiras para os blocos econômicos, continuou em novembro de 2012. A Europa Oriental apresentou a maior queda na demanda pelos produtos brasileiros, ou seja, 19,03% em novembro de 2012 com base no mesmo mês do ano passado. A américa Latina vem logo a seguir com uma queda de 10,28% e a União Européia com uma queda de 6,75%. O único bloco que apresentou crescimento foi os Estados Unidos, com uma variação positiva de 6,62% em novembro de 2012, com base no mesmo mês do ano passado. No total, foi verificada uma queda de 4,74% no período analisado.
O gráfico apresenta a participação dos blocos econômicos nas exportações brasileiras de novembro de 2012. O maior bloco importador de produtos brasileiros continua sendo a Ásia com uma participação percentual de 30,83%, seguida pela América Latica e Caribe com uma participação percentual de 20,84% e a União Européia com uma participação de 20,30%. Os Estado Unidos vem apresentando uma participação percentual em evolução e em novembro atingiu 11,16%.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Caminho da Independência

Análise do economista Ranulfo Vidigal

Diante da correta atitude tomada pelo poder central de respeito aos contratos, manutenção da indenização petrolífera para estados e municípios produtores e vinculação das futuras receitas do pré-sal às políticas públicas de educação, devemos refletir sobre o momento atual, perspectivas e lições do episódio.
Primeiramente, é importante destacar o papel dos meios de comunicação e da união da classe política e empresarial, no processo de mobilização popular contra a perda de direitos consolidados para o nosso Estado e prefeituras. A “guerra” não terminou, mas a batalha vencida tranqüiliza os dirigentes e garante os orçamentos autorizados pelo poder legislativo, tanto dos Estados, quanto das municipalidades.
Sabemos todos que a economia do Rio, concentra cinco importantes complexos produtivos, a saber: petróleo e gás, ciência e tecnologia, saúde, construção civil e cultura, lazer e esportes.
Torna-se fundamental compreendermos o momento atual que vive o mercado mundial de energia – matéria prima crucial em qualquer expansão futura do processo de expansão capitalista no mundo ocidental. As recentes descobertas no Canadá, Estados Unidos, Golfo da Guiné na África, Mar Cáspio e Brasil, tendem a aumentar a oferta mundial de energias não renováveis e estabilizar o preço internacional do petróleo, na faixa estimada pela Agência Internacional de Energia, em torno de 80 dólares o barril.
Em termos conjunturais de curto prazo, a decisão econômica de maior importância virá do entendimento entre o presidente americano Barack Obama e o Congresso, em torno do déficit público da economia mais importante do mundo. Tudo leva a crer que a resolução dessa questão pode desacelerar a economia americana, ao longo de 2013. Por outro lado, a estagnação econômica européia e japonesa tende a forçar a economia chinesa a manter o ritmo de crescimento mais lento. Este conjunto de hipóteses representaria a perspectiva de um comportamento gravoso das matérias primas exportadas pelo Brasil, com preços cadentes ou estáveis.
Para o norte fluminense, em particular, a missão mais importante é desenvolver políticas de encadeamento dos setores industriais em processo de implantação, de modo a combinar crescimento econômico, com geração de empregos de qualidade e maior autonomia na obtenção de recursos fiscais, em relação às receitas finitas do petróleo.

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

Royalties e educação de qualidade

Mais uma matéria divulgada pelo Jornal Nacional da TV Globo, que confirma a tese de que grandes volumes de recursos prometidos para a Educação não garante educação de qualidade e transformadora. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Educação se resolve com comprometimento....

Vejam que o problema crônico da educação do Brasil não está relacionado a falta de recursos financeiros, assim como, a nova determinação sobre a aplicação da totalidade dos royalties na mesma função, não garantirá sucesso automaticamente. A
população de cada cidade deve acompanhar e cobrar o uso do orçamento.
Esta cidade na matéria do Globo, tem 11 mil habitantes e uma receita orçamentária de R$ 17,1 milhões, com aplicação de R$ 5,0 milhões em educação.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/12/pb-estudantes-conquistam-medalhas-na-olimpiada-de-matematica.html

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Gestão Orçamentária em Macaé no primeiro semestre de 2012



A gestão orçamentária no primeiro semestre de 2012 em Macaé, registrou um nível de 65,46% de realização das receitas correntes, 81,45% de receitas tributárias e 55,91% de transferências correntes, em relação aos valores previstos para 2012.
No grupo das despesas, a liquidação das despesas correntes atingiu 62,72%, as despesas com pessoal e encargos atingiram 73,78 e a despesa com investimento atigiu 23,57%.
Nesse mesmo semestre, as receitas próprias realizadas atingiram uma participação percentual de 31,16% em relação as receitas correntes realizadas e os gastos em investimento liquidados, representaram 5,86% das receitas correntes realizadas no periodo analisado.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A Economia Norte Fluminense em livro

A segunda edição do livro "A Economia Norte Fluminense: análise da conjuntura e perspectivas", foi lançada neste sábado, na Bienal em Campos dos Goytacazes. Apoiado pela Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima, orgão da Prefeitura Municipal de Campos, o livro discute a conjuntura econômica recente dos nove municípios da região, focando temas como emprego; nível de riqueza; setor financeiro; agricultura, comércio e indústria; gestão orçamentária, etc. O projeto é fruto da cooperação técnica entre a UENF (Proex - Leprod) e a Prefeitura de Campos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Royalties de Petróleo: os riscos da dependência



O esperado veto parcial da Presidência da República a nova proposta de distribuição de royalties de petróleo no país, aconteceu. Fiel as bases da democracia e demonstrando respeito à coordenação econômica do mercado, a presidente acentuou a real importância da manutenção da confiança, fazendo valer as regras estabelecidas relativas aos contratos já firmados. Essa decisão é um sinal para o mundo de que no Brasil respeita as regras estabelecidas e, portanto, não existe risco para os investidores externos interessados no país.
Entretanto, apesar do sucesso obtido pelos estados produtores, é importante atentar para as seguintes questões: (i) a pressão política em relação a redistribuição dos royalties não está terminada, (ii) existe uma outra pressão, relacionada ao encurtamento do ciclo produtivo, em função de sua natureza finita. No ano de 2012, até novembro, a participação das receitas de royalties dos municípios produtores da região Norte Fluminense em relação ao Estado, caiu de 45,14% para 42,03%. Ainda sobre os novos contratos, as regras serão diferentes e o pré-sal representa uma grande incógnita.

Isso quer dizer que a dependência as receitas de petróleo precisa ser reduzida por alternativas endógenas de fortalecimento da economia doméstica. O receituário baseado na redução da informalidade econômica; no fomento a novos negócios de maior valor agregado; no investimento em ciência e tecnologia; na criação de quadros rigidamente técnicos nos municípios, visando o planejamento e uso dos recursos tangíveis e intangíveis locais; e o incentivo ao fortalecimento das organizações sociais, representa uma estratégia potencialmente importante para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico local/regional.   

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Gestão Orçamentária em Campos dos Goytacazes em 2012

Os valores na tabela correspondem a gestão orçamentária de Campos dos Goytacazes, no período de janeiro a agosto de 2012. Neste mesmo período, o município realizou 75,68% das receitas correntes previstas para o ano, 78,29% das receitas tributárias e 73,34% das transferências correntes. No campo das despesas, foram liquidados 69,62% das despesas correntes previstas para o ano, 72,14% das despesas com pessoal e 66,09% das despesas com investimento.
Os números, ainda parciais, indicam a tendência de redução da dependências orçamentária em relação aos royalties de petróleo, já que a parcela de receitas próprias nesse período alcançou 7,54% das receitas correntes realizadas, além da manutenção da boa gestão orçamentária pela alocação da parcela satisfatória na rublíca de investimento. No período, esse valor alcançou R$321,6 milhões, ou o equivalente a 19,59% das receitas correntes realizadas.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Festival de Bandas na UENF

http://www.uenf.br/portal/index.php/br/festival-de-bandas-uenf-inscricoes-ate-12-dezembro.html

A evolução das receitas de royalties e a aplicação em investimento na região Norte Fluminense



A receita de royalties mensal (excluídas as parcelas de participações especiais) dos municípios produtores de petróleo da região Norte Fluminense, aumentou dez vezes no período de 1999 a 2012 (até novembro). Em 1999 este valor alcançou R$ 109,4 milhões, passando para R$ 1,2 bilhão em novembro de 2012. São João da Barra obteve o maior crescimento de 1.029,21%, seguido por Macaé com crescimento de 1.155,36%, Campos dos Goytacazes com crescimento de 1.089,55%, Quissamã com crescimento de 472,72% e Carapebus com um crescimento de 442,38% no período analisado.
Paralelamente foi verificado um importante crescimento nas receitas tributárias no mesmo período, com a liderança de Macaé. Em função da estrutura física da atividade petrolífera sediada no município, o crescimento da receita própria alcançou 3.114,34% em 2011 com base em 1999. São João da Barra apresentou um crescimento de 2.998,83% em função da construção do porto do Açu, iniciada no final de 2007. Quissamã cresceu 1.791,78% e Carapebus cresceu 1.267,07% no mesmo período. No consolidado, verificou-se um aumento da participação percentual das receitas tributárias nas receitas de royalties de 28,04% em 1999 para 50,79% em 2011.

Apesar da redução da dependência orçamentária as receitas de royalties, um problema é acentuado. Trata-se da dificuldade de alocação dos recursos em investimento. O total de investimento liquidado desses municípios em 1999 somou R$ 53,4 milhões, aumentando para R$ 482,2 em 2011. Na relação com o valor total de royalties recolhido, verifica-se um declínio da participação percentual de 48,83% em 1999 para 39,03% em 2011. Na visão desagregada, observa-se que enquanto Campos dos Goytacazes aumenta em 1.046,96% a parcela usada em investimento no período, Macaé aumenta 843,05%, São João da Barra 204,41%, Carapebus 64,34% e Quissamã cresce somente 36,50% no período analisado.
Fica constatado assim, que o aumento das receitas de royalties e o aumento das receitas próprias não possibilitaram um crescimento compatível no nível de investimento agregado, salvo os esforços verificados em Campos dos Goytacazes e Macaé.

A ENCRUZILHADA DO CRESCIMENTO



Uma avaliação do economista Ranulfo Vidigal sobre a temática do crescimento econômico.
A questão crucial, específica do campo da teoria do desenvolvimento econômico é tentar desvendar os motivos pelas quais algumas nações no mundo contemporâneo são mais prósperas que outras. Ou seja, é cada vez mais importante entender os fatores que explicam as diferenças de renda e padrões de acumulação de capital nas economias ao redor do mundo. Diversos autores associam este diferencial, ao papel exercido pelo progresso técnico, na medida em que a alocação em inovação e criação de novas idéias explica uma parte significativa das diferenças de níveis de crescimento e bem estar entre as nações. Outra explicação para o crescimento diferenciado dos países é o papel exercido pelas instituições. Estas, ao definirem as “regras do jogo” na sociedade exerceriam um papel-chave na estruturação dos incentivos necessários para as mudanças de caráter humano, do ambiente político, social e econômico - fundamentais no processo de mudança estrutural de uma sociedade pouco desenvolvida.
Junto com a questão cultural e geográfica, as instituições moldam os incentivos para os atores da sociedade capitalista exercendo forte influência sobre o ânimo dos agentes econômicos com vistas ao investimento em capital físico, humano, organizacional e tecnológico da produção de bens e serviços.
Analisando o comportamento recente da economia brasileira e empregando a teoria do crescimento endógeno desenvolvida pelo prêmio Nobel em economia Robert Solow, o acadêmico Samuel Pessoa da FGV produziu um interessante exercício de decomposição do crescimento econômico no Governo do presidente Lula, sob a ótica da curva de oferta de fatores produtivos existentes na economia brasileira, ou seja, capital, trabalho e tecnologia. Neste raciocínio, o estoque de capital seria constituído pelo investimento em máquinas, equipamentos e infraestrutura.
Cruzando diferentes estatísticas, o pesquisador concluiu que nos oito anos de Lula, o crescimento econômico se acelerou para uma média anual em torno de quatro por cento.  O fator trabalho contribuiu com 33 por cento deste resultado, taxa semelhante à contribuição da melhoria técnica, contra uma contribuição de 25 por cento do capital.
No Governo Dilma esta média de crescimento econômico caiu à metade, como decorrência da crise internacional e do arrocho das políticas fiscal e monetária da atual equipe econômica. Mudar este quadro e voltar à trajetória anterior seria ainda possível?

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.

domingo, 25 de novembro de 2012

O perfil da atividade agropecuária na região Norte Fluminense

Baseado na publicação do IBGE, apresentamos o retrato da atividade agropecuária da região Norte Fluminense, através dos valores da agricultura temporária e permanente e da pecuária em 2011, indicando a posição de cada município. Uma primeira informação importante é que a região apresenta uma participação percentual de 43,72% na agricultura temporária em relação ao Estado. Na agricultura permanente, esse percentual cai para 10,09% e no total da agricultura, a participação é de 33,34%, ou seja, 1/3 da riqueza agrícola do Estado está na região Norte Fluminense. As culturas mais relevantes na agricultura temporária, são: cana-de-açúcar, abacaxi, mandioca, milho, arroz, feijão, melancia e tomate. Na agricultura permanente, as culturas mais importantes, são: coco-da-baia, maracujá, goiaba, banana, laranja, manga, uva e café.
Na atividade pecuária, a participação regional é de 13,10% do valor total do Estado.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Royalties em novembro de 2012 na região Norte Fluminense

A tabela apresenta os valores de royalties transferidos para os municípios da regiâo Norte Fluminense em novembro. Campos dos Goytacazes recebeu R$48,3 milhões, valor 10,05% menor do que a receita de outubro. O valor acumulado no ano somou R$576,4 milhões.
Macaé recebeu R$37,3 milhões no mês, valor 6,9% menor do que a receita de outubro. No acumulado a receita alcançou R$436,3 milhões.
São João da Barra recebeu R$6,6 milhões no mês, valor 21,56% inferior a receita de outubro. No acumulado a arrecadação somou R$105,1 milhões.
Quissamã recebeu R$7,6 milhões no mês, valor 6,75% menor da receita do mês anterior. O acumulado no ano chegou a R$83,8 milhões.
O gráfico mostra a trajetória da participação percentual correspondente a receita de royalties na região em relação a receita total do Estado do Rio de janeiro. Observa-se que em janeiro a participação representava 45,14% da receita do Estado, caindo para 42,03% em novembro.

CONFLITO DE INTERESSES



O capitalismo, ou a economia de mercado, supõe um crescimento infinito da produção e do consumismo, não considerando os limites físicos do planeta. Trata-se de uma “fábrica de desejos”. O atual momento histórico ao combinar três crises conjuntas, nos campos econômico, social e ambiental coloca em xeque este modelo.
O capitalismo tem sua técnica. As empresas fazem com que as necessidades (desejos) surjam, através da publicidade que molda comportamentos e incentiva as aquisições. Os bancos financiam as compras dos bens e serviços para satisfazer estas necessidades “criadas artificialmente”. E as indústrias produzem objetos cada vez mais obsoletos que aceleram o ciclo de vida e o consumo dos bens descartáveis. Embora a concorrência coloque todos contra todos, há sempre a necessidade de distribuir razoavelmente a renda, de modo a criar um mercado de consumo crescente.
Uma forma de distribuir a renda é através de políticas públicas educacionais, assistenciais e de saúde. Uma espécie de salário indireto para o trabalhador, objetivando uma igualdade de oportunidades e de resultados. Entretanto, o custeio destas ações ocorre através da cobrança de impostos sobre a propriedade, a produção, o consumo e a renda. Enquanto a classe trabalhadora paga os impostos indiretos associados principalmente ao consumo, os ricos lutam politicamente para livra-se da carga tributária sobre a produção e propriedade, bem como das regulações e restrições da legislação trabalhista e ambiental, de modo a tornar seus investimentos mais rentáveis.
Nesta estrutura assimétrica, na base da pirâmide temos algumas situações peculiares. Os pobres, que ainda representam 28 por cento da população brasileira percebem uma renda diária individual em torno de oito reais. Os vulneráveis, cuja remuneração diária não supera vinte reais e a nova classe média tem ganho diário de cerca de cem reais. Períodos de prosperidade e crescimento do emprego formal são altamente benéficos aos trabalhadores e geram lucros crescentes para o setor empresarial. Na crise, entretanto, o conflito distributivo se acirra. A renda fica estagnada, os empregos escasseiam e a regressão social se avoluma desencadeando um desconforto na sociedade, que acaba resultando em mudanças políticas, ou até no pacto de poder.
Um bom exemplo deste quadro está acontecendo em países da Europa. E no Brasil, a geração de empregos, ainda traz dividendos políticos. Mas, até quando?

Ranulfo Vidigal – economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.