Uma visão sobre a conjuntura econômica do município de Campos dos Goytacazes

Uma leitura sobre a trajetória econômica do município de Campos dos Goytacazes nos leva a verificar alguns indicadores importantes, como o comportamento das receitas orçamentárias, receitas tributárias, gastos com investimento, participação no ICMS e o nível de emprego. O gráfico apresenta a variação percentual real das receitas orçamentárias, tributárias e investimento, no período 2006 a 2010, tendo como base o ano de 2005. Através dele pode-se verifica-se que as receitas correntes apresentaram crescimento de 18,26% em 2006, ano base 2005, crescimento de 7,44% em 2007/2005, crescimento de 28,78% em 2008/2005, crescimento de 11,94% em 2009/2005 e crescimento de 31,73% em 2010, ano base, 2005. Compondo o grupo das receitas correntes, as transferências de royalties de petróleo têm um papel fundamental, porém é importante a observação de que as receitas tributárias apresentaram um padrão de crescimento acima do crescimento das receitas orçamentárias, o que mostra um quadro positivo, já que as mesmas receitas correspondem a uma melhor dinâmica da atividade econômica interna, especialmente, por conta da atividade de serviços.

Outra questão importante é observar que o nível dessa receita precisa continuar crescendo, já que a sua relação nas receitas correntes é baixa, atingindo uma média de 5,92% no período analisado.

Por outro lado, a despesa de investimento também apresenta uma boa trajetória, com exceção do ano de 2009, onde apresentou um declínio na comparação com o ano de 2005. Em 2010, o crescimento real de 272,88% em relação a 2005 foi muito importante, onde o nível de investimento em termos nominal alcançou 23,95% das receitas orçamentárias.

A trajetória do índice de participação no ICMS mede o valor adicionado no município a cada ano. Este valor é muito importante, já que representa a real dinâmica da economia local, ou seja, o resultado do funcionamento das atividades comercial, industrial e de serviços. Como o índice representa a economia de dois anos atrás, observa-se que em 2003 o município perdeu participação no ICMS, refletido no índice de 2005. Posteriormente, observa-se uma trajetória crescente, entretanto ainda abaixo de 2001 e 2002, indicando que existe espaço para o crescimento econômico. Situações como a informalidade e a dificuldade em criar sinergia entre as ações implementadas, podem estar se consolidando como gargalos ao avanço mais rápido da economia local.

Complementarmente, uma avaliação mais aprofundada do emprego no município pode ratificar a presente análise. Na verificação do emprego gerado, tem-se uma contabilização de um saldo acumulado de 6.830 empregos no período de janeiro a julho de 2011, distribuído em 53,86% no setor agropecuário, 15,00% no setor de serviços e 11,83% no setor de construção civil. Tal indicação mostra claramente um forte perfil de sazonalidade em sua formação, o que não é saudável. O emprego precisa ser sustentável e sua ocorrência exige atividades econômicas organizadas em cadeias produtivas, cuja base deve ser composta de produtos de alto valor. Os empregos gerados no setor sucroalcooleiro tendem a zerar no término da safra, assim como, a construção civil também não garante um nível de emprego sustentável, já que os investimentos têm prazo para se findar. Conforme pode-se observar, pelo menos, 65% no total dos empregos gerados dependem dessas atividades.


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