Noroeste e Norte Fluminense: dados sobre educação básica regional


Escondida por trás do estigma de região com menor PIB do estado do Rio de Janeiro, o Noroeste Fluminense, que antes vivia em função de uma matriz produtora baseada na exploração do gado leiteiro, pode surpreender quando o assunto é educação.
De acordo com o Mec, a região concentra a maioria dos municípios que encabeçam as listas dos maiores Idebs – índice que mede a qualidade da educação básica – do Estado do Rio de Janeiro. Na análise da educação do 1º ano (C.A.) ao 5º ano (4ª série), quatro das cinco cidades com os maiores Idebs no estado estão na região. Itaperuna, centro microrregional, aparece em 4º lugar, com um Ideb de 5,4. O primeiro lugar fica com Cambuci, 5,8.
Já na avaliação de 6º (5ª série) ao 9º ano (8ª série), um dado salta aos olhos. Dos 27 municípios que encabeçam a lista, 11 são da Região Noroeste Fluminense(que concentra 13 cidades). Ou seja, quase toda a Região está aí representada. Cambuci continua em um folgado primeiro lugar, com 5,9. Pádua, Natividade e Bom Jesus vêm pouco abaixo. Itaperuna fica em 27º, com Ideb de 4,0 , mesmo valor da média nacional.
É um tanto surpreendente que a Região menos conhecida de todo o estado esteja demonstrando avanços mais significativos no âmbito educacional. E ao analisarmos a situação do município de Itaperuna, observamos que educação é uma matéria que não fica só no ensino básico. Não são poucas as opções de Ensino Superior. A cidade concentra 3 universidades privadas de grande porte, assim como um Instituto Federal e alguns cursos avulsos de universidades públicas(Administração da Uff e Educação Física da UERJ). Isso serviu para dar à localidade o título de “cidade universitária”, impulsionando o fornecimento de serviços, grande movimentador da economia local atualmente.
Talvez não seja apenas por acaso que a Região Noroeste Fluminense também apareça expressivamente representada na Universidade Estadual do Norte Fluminense. É notável em todos os cursos a grande quantidade de estudantes vindos da Região. Contudo, análises mais profundas seriam necessárias para que se possa alcançar alguma conclusão.
Mas enquanto longe dos grandes investimentos a Região Noroeste aparentemente dá a largada estadual no quesito educação, no Norte Fluminense, cidades que estão nos holofotes do mundo devido à injeção de recursos privados relacionados à construção do Porto do Açu, amargam posições vergonhosas na classificação dos Idebs Municipais do estado.
São João da Barra e Campos dos Goytacazes são claros exemplos deste processo. Campos possuí Ideb de 3,2 para educação do 1º ao 5º ano, e 2,9 para 6º ao 9º. Já São João da Barra, localidade que aportará empresas de alta tecnologia, demandantes de recursos humanos fortemente qualificados, tem Ideb de 3,3 para os primeiros anos do Ensino Fundamental e 3,1 para os últimos anos do Ensino Fundamental.
Todavia, a maior surpresa aparece quando buscamos a classificação dos dois municípios no ranking dos Idebs municipais do estado do Rio. Para os primeiros anos do Ensino Fundamental, Campos e São João da Barra aparecem, respectivamente, em último e penúltimo lugar, de uma lista de cerca de 90 municípios! Para os últimos anos do Ensino Fundamental, as posições são de 88º lugar para Campos e 84º lugar para São João da Barra. Não foi, portanto, sensacionalista a afirmação de que estas localidades assumem posições verdadeiramente amargas, difíceis de serem digeridas, justamente por se referirem a um âmbito tão importante como a Educação Básica, crucial para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.


Rômulo Rodrigues de Carvalho, graduando em Engenharia de Produção na UENF

Comentários

  1. Sensacional! A postagem é excelente, não só pelo objetivo de comparação entre as duas regiões, mas sobretudo por vermos que o Noroeste entra no cenário de estudos da UENF. Para nós além de ser uma grande honra, é muito gratificante, pois o Noroeste precisa mesmo do apoio da ciência e nada melhor do que através das universidades. Darcy Ribeiro deve estar orgulhoso, pois um de seus objetivos era levar a universidade pública para o interior a fim de promover o desenvolvimento local. Chegou até o norte fluminense, mas não deu tempo de levar até o Noroeste.

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  2. Angeline, estamos realmente interessados no noroeste. Ainda é um pequeno esforço, mas prometo que vamos avançar. Um grande abraço

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