domingo, 31 de julho de 2011

Expansão da UENF para a Região Noroeste Fluminense

Palestra apresentada na reunião sobre o processo de expansão da UENF no Noroeste Fluminense no município de Itaperuna. (Blog O Vagalume)

Vídeo

sábado, 30 de julho de 2011

Taxa de crescimento da remuneração média em São João da Barra

A trajetória de evolução da taxa real de remuneração do emprego formal em São João da Barra, mostra um quadro de oscilação incompatível com a conjuntura de investimentos no complexo portuário do Açu. O gráfico mostra um crescimento da remuneração média do trabalho de 7,38% em 2005 com base em 2004 e o seu declínio acentuado com registro de queda de 4,0% em 2006 ano base 2005. Em 2006 a taxa apresentou um crescimento de 13,67% em relação a 2005, potencializando um novo crescimento de 22,35% em 2008, ano base 2007, em função momento de pico das obras de construção da estrutura do porto. Em 2009 foi verificado um menor crescimento de 13,13%, com base em 2008, para em seguida declinar em 2010, onde se verificou uma queda de 7,60% com base em 2009. O deflator utilizado foi o IGP-M.

A UENF no processo de expansão para a Região Noroeste Fluminense

Representantes da UENF debatem expansão da instituição com representantes políticos da Região Noroeste Fluminense em Itaperuna. Na foto da Fundação São José, sede do evento, o vice-reitor Édson Corrêa da Silva, o presidente da Fenorte Almy Júnior, o prefeito de Itaperuna Fernando Fernandes, o reitor da UENF Silvério de Paiva Freitas, o prefeito de Itaocara Alcione Corrêa de Araújo e o prefeito de Cambuci Oswaldo Botelho.

O evento contou ainda com a participação de representantes dos municípios de Italva, Cardoso Moreira (região norte), Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua e Varre-Sai, além de representantes da UENF e de instituições locais.

Um aspecto fundamental consolidado com a reunião foi a visão de território, entendido e aceito por todos, como base para o sucesso do objeto de expansão da UENF para a região, já que a cooperação e reciprocidade substituem a concorrência entre os municípios. O consenso de que o esforço de fortalecimento da região, vista como unidade integrada, é essencial para o fortalecimento das unidades municipais, e não o contrário, foi verificado, assim como a percepção de que na conseqüência pode ocorrer o desenvolvimento socioeconômico com a geração de externalidades, alterando positivamente as condições atuais de cada município. Outro elemento tratado no campo da informação se relaciona a formulação de estratégias para a formação de aglomerações produtivas no espaço regional, a partir da identificação e planejamento dos recursos potenciais localizados.

Desdobramentos de cunho político e técnico ocorrerão nos próximos quinze dias, de maneira que o documento de base, elaborado pela UENF em decorrência do processo de discussão anterior, possa ser concluído no corrente esforço democrático, para posterior apresentação ao governador.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Capacitação para o trabalho? Como?

Alguns registros sobre a GIT no Projeto do Açu na reunião do Comudes
(Blog do Roberto Moraes)



Vale registrar o comentário cheio de cuidados, mas firme, da professora Inguelore Scheunemann, coordenadora da Gestão Integrada do Território (GIT) pelo IBio (Instituto Bio Atlântica) junto ao grupo EBX, na reunião da manhã desta segunda feira, do Comudes (Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável de Campos) sobre a questão da educação:

“É muito baixo o nível da educação básica na região. Até os cursos oferecidos pela empresa as pessoas não conseguem ter acesso. Assim, as pessoas vão ficar à margem dos melhores empregos e vão ter que atuar no suporte, apoio e serviços e para isto precisarão também ser treinados. Desta forma, pessoas de fora terão que ser chamados para atuar, porque muitos aqui não têm como atuar por conta dos problemas da educação básica. Porque não dará tempo de formar as pessoas. Esta região não vai ser palco apenas do que está proposto no distrito industrial. Ações precisam ser articuladas de forma supra-municipal.”


A nossa visão:


Enfim, a nossa visão critica sobre o discurso de capacitação profissional é confirmada pela representante da empresa contratada pela EBX para promover a Gestão Integrada de Território. É a mais pura verdade, não poderemos ter exito na empreitada de capacitação para o trabalho se a educação de base adormece, por total abandono do poder público. Relembro que é obrigação do governo municipal cuidar do ensino fundamental. Aliás, não se trata de uma critica sem fundamento, basta verificar a avaliação realizada pelo IBED. Este ano haverá nova avaliação e tudo leva a crer que a desinformação não tem possibilitado a articulação de estratégias no sentido de mudanças no terrivel quadro atual. É lamentável, mas desta maneira não haverá inserção local.

terça-feira, 26 de julho de 2011

EBX e seus projetos de responsabilidade social

"Representantes da EBX apresentam projetos de responsabilidade social em SFI..... - Folha da Manhã", 26/7.

Nosso comentário......
Muito surpreendente o grande interesse do grupo X em conversar com os governos e fugir da discussão com a sociedade civil. Dois seminários foram organizados pelo Movimento Social Nossa São João da Barra, para discutir as medidas compensatórias do porto do Açu, com total ausência da empresa, apesar de ter sido convidada (esteve presente no primiero e não discutiu e simplesmente não apareceu no segundo).

Os novos ingredientes para o sucesso de setores econômicos tradicionais

R$60 milhões para a modernização do setor leiteiro. Com esta medida o Estado do Rio de Janeiro pretende dinamizar a sua cadeia produtiva leiteira.

"A nossa contribuição vai no resumo da recente pesquisa realizada no Laboratório de Engenharia de Produção da UENF, sobre o setor na Região Noroeste Fluminense".

Pesquisa realizada sobre a eficiência operacional das cooperativas leiteiras da Região Noroeste Fluminense, indicaram que os fundamentos do cooperativismo (adesão voluntária, controle democrático, independência e autonomia, treinamento e formação de pessoal, interação e preocupação com os participantes) são conflitantes com o discurso favorável dos diretores dessas organizações. A conclusão foi consolidada cruzando a percepção dos produtores e instituições locais com a percepção dos gestores das mesmas cooperativas.

Apesar do processo de adesão ocorrer em função da necessidade de melhorar o escoamento da produção, eliminar desperdícios, reduzir os custos de produção e melhorar os resultados operacionais dos cooperados, a forma de administração das cooperativas se apresenta centralizada, com as decisões tomadas somente pelos dirigentes.

Não foi identificada relação de interação entre as cooperativas entrevistadas, já que existe forte competição entre elas. A função de treinamento e formação de pessoal é fraca e a preocupação com os interessados fica subordinada a interesses do grupo gerenciador. Foi detectada certa desconfiança dos interessados em relação aos gestores, o que leva a percepção de que o olhar arcaico sobre o sentido da cooperação inibe uma organização produtiva exitosa

Neste contexto, as transferências de grandes volumes de recursos financeiros podem ser insuficientes para a solução dos problemas. A orientação nesses casos é combinar recursos tangíveis, como o financeiro e o tecnológico; com recursos intangíveis, como confiança, cooperação e reciprocidade. O aprendizado com a pesquisa indica que é necessário um novo olhar para organizações produtivas dessa natureza e elementos como: a visão de território, a gestão do conhecimento e a indução a formação de aglomerações produtivas localizadas, se constituem em fundamentos essenciais para a dinâmica competitiva das mesmas organizações.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O papel do movimento social nossa São João da Barra

Tenho observado a falta de entendimento de alguns sobre o verdadeiro objetivo do Movimento Social Nossa São João da Barra (MSNSJB). Quero reafirmar que o movimento não é oposição a nenhuma força partidária nem aos investimentos oriundos do porto do Açu. O movimento pretende ajudar a sociedade a se organizar, entender o processo atual de mudanças e se inserir na discussão sobre o seu próprio futuro. Quero dizer que desta forma, ocorre um melhor equilíbrio de forças que faz bem a todos (governo, empresa e a população). O quadro atual, de concentração de forças na empresa e no governo, é perverso e dá margem para as arbitrariedades que estão ocorrendo.

Reforçando o papel do movimento, a cobrança que para muitos pode caracterizar política oposicionista, na verdade pretende discutir as responsabilidades da empresa que estão instituídas formalmente nos relatórios de análise ambiental, assim como, o verdadeiro papel do governo, nesse contexto.

No momento, o movimento discute essas medidas compensatórias por temas específicos. A agricultura foi o primeiro tema escolhido, dando origem a um seminário para discutir a estrutura técnica dos projetos indicados pelo governo e pela empresa X, sobre o eles denominam de “Fortalecimento da Agricultura”. O que muito nos estranhou foi que apesar do convite ter sido feito as duas instituições, as mesmas não compareceram, demonstrando desinteresse na discussão sobre suas obrigações com a sociedade.

Este quadro de desinteresse, entretanto, não tira a força do movimento que já definiu duas ações para o mês de agosto. O tema agricultura terá desdobramento, assim como a busca de um melhor entendimento jurídico sobre a questão da desapropriação no quinto distrito.

Este é o MSNSJB e o seu papel foca no fortalecimento da sociedade, o que contraria a situação atual de alta concentração de força no governo, não permitindo nenhuma possibilidade da sociedade civil se manifestar sobre os seus próprios interesses. Assim, espero ter contribuído para sanar as dúvidas existentes.

domingo, 24 de julho de 2011

Royalties em julho na Região Norte Fluminense

A transferência de recursos oriundos dos royalties de peytróleo em julho, somou R$108,5 milhões nos cofres dos municípios da Região Norte Fluminense. O saldo acumulado no período de janeiro a julho foi de R$699,6 milhões. Campos dos Goytacazes registrou R$49,2 milhões no mês e um acumulado de R$320,1 milhões, Macaé recebeu R$36,3 no mês e R$232,0 milhões no acumulado, São João da Barra recebeu R$12,1 milhões no mês e um acumulado de R$72,5 milhões e Quissamã recebeu R$5,9 milhões em julho e R$44,3 milhões no acumulado.
Do total de R$ 227,3 milhões transferidos para o Estado do Rio de Janeiro em julho, a região teve uma participação de 47,76% e no acumulado no período janeiro a julho a participação regional chegou a 47,444% do total trnsferido para o Estado.

sábado, 23 de julho de 2011

Movimentação do emprego nos municípios com menos de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense em junho

O saldo de emprego em junho, nos municípios da tabela ao lado, declinaram em relação ao mês anterior. São João da Barra apresentou o maior saldo, enquanto Carapebus destruiu empregos no mês. No acumulado do semestre, São João da Barra gerou 489 empregos líquidos, Carapebus gerou 63 empregos e Conceição de Macabu gerou 51 empregos. Cardoso de Moreira e Quissamã destruiram empregos no mesmo período.

O gráfico ao lado apresenta a trajetória do emprego em São João da Barra nos meses de janeiro a junho. Na comparação entre o saldo do presente semestre em 489 empregos gerados, observa-se uma queda de 26,35% em relação ao saldo de 664 empregos gerados em junho de 2010.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Emprego nos maiores municípios da Região Noroeste Fluminense em junho

Os dados dispostos na tabela indicam a movimentação do emprego nos maiores muncípios da Região Noroeste Fluminense, no mês de junho. Itaperuna lidera com um saldo de 66 empregos no mês e um saldo acumulado de 424 empregos no semestre. O setor de serviços representou 49,29% do total ou 209 empregos, a indústria de transformação representou 50,70% ou 215 empregos e o setor de comércio representou 5,66% ou 24 empregos.
O município de Bom Jesus do Itabapoana gerou um saldo de 63 empregos em junho e um saldo acumulado de 184 empregos no semestre. Do total, o comércio participou com 69,02% ou 127 empregos, o setor de serviços participou com 30,97% ou 57 empregos e o setor de construção civil participou com 8,15% ou 15 empregos.
O município de Santo Antônio de Pádua gerou um saldo de 122 empregos no mês e um saldo acumulado de 181 empregos no semestre. A indústria de transformação representou 43,09% ou 78 empregos, a construção civil representou 34,25% ou 62 empregos e a administração representou 32,04% ou 58 empregos.

Movimentação do emprego formal em junho nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense

A movimentação do emprego formal nos maiores municípios da Região Norte Fluminense, em junho, acentua a importância do setor agropecuário. Campos dos Goytacazes gerou 2.831 novos empregos em junho e acumulou 6.519 no semestre. Deste total, o setor agropecuário participou com 53,76% ou 3.505 empregos, o setor de serviços participou com 15,66% ou 1.021 empregos, a construção civil participou com 13,22% ou 862 empregos e a indústria de transformação participou com 9,44% ou 616 empregos.


Macaé gerou 1.178 novos empregos no mês e acumulou 6.100 empregos no semestre. Deste total, o setor de serviços participou com 65,08% ou 3.970 empregos, a indústria de transformação participou com 18,21% ou 1.111 empregos e a construção civil participou com 12,91% ou 788 empregos.

O município de São Francisco do Itabapoana gerou 728 empregos no mês e acumulou 742 empregos nos semestre. O setor agropecuário participou com 98,24% ou 729 empregos e o setor de serviços participou com 4,85% ou 36 empregos.
O gráfico acima, apresenta a trajetória do saldo mensal de emprego em Campos dos Goytacazes e Macaé nos meses de janeiro a junho.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Saldo de Emprego na Região Noroeste Fluminense

A figura ao lado apresenta o saldo de emprego com carteira assinada nos municípios da Região Noroeste Fluminense, no período de janeiro a dezembro de 2010 e no período de janeiro a abril de 2011. O município de Itaperuna concentra o maior saldo na região, com 960 novos empregos criados em 2010 e 150 empregos criados no primeiro quadrimestre de 2011. Bom Jesus do Itabapoana aparece logo a seguir com um saldo de 182 empregos em 2010 e 69 empregos em 2011 até abril. Os municípios de Natividade, Porciuncula, Santo Antônio de Pádua, São José de Ubá e Varre-Sai, destruíram emprego nesse quadrimestre do 2011.

sábado, 16 de julho de 2011

Área colhida de lavoura temporária e culturas na Região Noroeste Fluminense em 2009

A atividade agrícola de lavoura temporária na Região Noroeste Fluminense se apresenta mais bem distribuída do que a lavoura permanente. Do total de 13.905 hectares colhidos, 2.415 hectares ou 18% estão em Itaocara, 1.894 hectares ou 14% estão em Itaperuna, 1.864 hectares ou 13% estão em Varre-sai, 1.102 hectares ou 8% estão em Bom Jesus do Itabapoana, assim como Italva, seguidos pos São José de Ubá com 7%, Santo Antônio de Pádua e Natividade com 5%.

Na composição das culturas, a cana-de-açúcar ocupa 4.924 hectares ou 36%, milho ocupa 3.639 hectares ou 26%, feijão ocupa 2.097 hectares ou 15%, arroz ocupa 1810 hectares ou 13% e a cultura do tomate ocupa 1.310 ou 9% da área colhida total.
As culturas estão assim distribuidas por municípios:
Arroz: 13,8% em Cambuci; 13,8% em São José de Ubá; 16,6% em Itaperuna; 13,8% em Italva; 11,9% em Santo Antônio de Pádua.
Feijão: 58,2% em Varre-Sai; 11,9% em Natividade; 6,2% em Porciúncula.
Milho: 22% em Itaperuna; 16,2% em Varre-Sai; 9,6% em São José de Ubá.
Tomate: 30,5% São José de Ubá; 30,5% em Cambuci e 9,5% em Itaperuna.
Cana-de-Açucar: 40,6% em Itaocara; 12,2% em Bom Jesus do Itabapoana; 11,8% em Itaperuna e 9,1% em Cambuci.

Distribuição da área colhida em hectare da lavoura permanente na Região Noroeste Fluminense em 2009

A agricultura de lavoura permanente na Região Noroeste Fluminense, vista através da área colhida, corresponde a 11.054 hectares, concentrados em 45,5% no município de Varre-Sai, ou 5.028 hectares de área colhida, 34,7% em Porciuncula ou 3.834 hectares colhidos e 14% em Bom Jesus do Itabapoana, ou 1.546 hectares. A cultura de café ocupa 10.562 hectares, ou o equivalente a 95,5% da área total. Destes, os municípios de Varre-Sai participa com 47,3%, Porciúncula participa com 36% e Bom Jesus do Itabapoana com 14,5%. Além do café, o cultivo de coco-da baia, manga, banana, laranja, goiaba e maracujá são cultivados em menores áreas. O gráfico acima apresenta a participação dos outros municípios da região no total de área colhida em 2009.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Depósitos totais por região no Estado do Rio de Janeiro em 2010

A tabela apresenta a distribuição percentual dos depósitos totais (depósito a vista de governo, depósito a vista do setor privado e depósito a prazo) por regiões do Estado do Rio de Janeiro, em dezembro de 2010. Observa-se uma forte concentração na Região Metropolitana com 92% do total, ou R$77 bilhões.
A Região Serrana aparece em segundo lugar com um saldo de depósito total de R$1,6 bilhão, seguida da Região Norte Fluminense com um saldo de R$1,5 bilhão, acima do saldo de R$1,2 bilhão da Região do Médio Paraiba.

O gráfico ao lado aponta os percentuais para cada região do Estado.

domingo, 10 de julho de 2011

Contribuições do MNSJB para o planejamento da agricultura familiar no contexto das compensações do Porto do Açu

Os programas de compensação do porto do Açu têm sido conduzidos pelo empreendedor, estrategicamente focados em demandas pontualizadas, ou seja, atendimento a demandas isoladas que não substituem as obrigações legais do empreendedor, nem atendem as necessidades da sociedade atingida diretamente pelas obras de construção do porto.

É importante observar não tratar-se de afirmação leviana, já que a mesma pode ser comprovada pelo teor do primeiro Relatório de Impactos Ambientais (RIMA) do ano de 2006, documento responsável pela autorização pelos órgãos ambientais das obras do porto no ano de 2007. A página 131 deste documento registra o seguinte impacto:

“Tendo em vista que na área de interesse do empreendimento, já se observam alguns conflitos em torno da ocupação do território e do uso dos recursos naturais ali disponíveis, envolvendo pescadores e agricultores, é possível que a tensão aumente e fomente novos conflitos. A repercussão dessa situação no cotidiano das populações tradicionais pode ser grande, uma vez que esses grupos tendem a ser os mais vulneráveis”...........

Como compromisso, a empresa assume neste documento a responsabilidade de identificar os diferentes grupos sociais de forma a controlar potenciais conflitos, além de fortalecer canais de comunicação que facilitem o diálogo com as populações mais vulneráveis. Pois bem, queremos discutir questões como esta. O que tem sido feito de fato? Que resultados foram alcançados?

Cinco anos depois do referido documento, o empreendedor disponibiliza pela internet uma divulgação oficial sobre programas socioambientais, cujos parágrafos sobre o tema agricultura estão reproduzidos a seguir:

.........“A LLX firmou ainda, o Convênio com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pesca e Agricultura do Estado do Rio de Janeiro para implantação de projetos visando a melhoria de tecnologia agrícola e geração de renda para o setor de agricultura que visa implantar uma área agrícola destinada à difusão de tecnologias de produção em São João da Barra”.......

“Para os produtores rurais de São João da Barra, a LLX oferece programas sociais e de geração de renda. São projetos do Plano de Investimento Social da Agricultura Familiar já em andamento no município”.

Quer dizer, não se consegue abrir esta caixa preta, onde se deduz que existe uma divulgação sobre ações em benefício da sociedade que não se verificam de fato. Aliás, tomamos conhecimento por ocasião do seminário da existência de um convênio entre a Universidade Federal Rural, Governo Local e a empresa, com objetivo de desenvolver um planejamento para o fortalecimento da agricultura familiar. As informações foram passadas durante o seminário pelo engenheiro agrônomo Pedro Nilson Alves Berto, que em respeito ao movimento e a sociedade respondeu o nosso chamado e indicou algumas ações já efetivadas e outras em estagio de planejamento.
Já realizadas, se encontram o esforço de legalização de algumas associações e a aquisição de tratores para compor uma patrulha mecanizada para os produtores associados. Ainda em estagio de planejamento, encontram-se ações para implantação de estufas para produção de mudas e cultivo, realocação de produtores com apoio institucional para uma nova área denominada vila da terra, processos de melhoria para o escoamento da produção e implantação de projetos do tipo de organização denominada Mandala.

A nossa visão consiste no fato de que o presente convênio não contraria a idéia de fomentar ações isoladas distante das obrigações legais da empresa e da necessidade da sociedade. As ações no âmbito de dotar as associações de tratores e outros recursos materiais, apesar de importantes são insuficientes para alcançar o objetivo de fortalecimento da agricultura. Os problemas do setor são muito mais profundos e precisam ser tratados com estratégias de âmbito sistêmico e não pontual.

A visão sistêmica de planejamento deve partir de um melhor entendimento sobre a atividade, a qual apresenta um declínio em termos de produção e produtividade no tempo. Outros fatores relevantes a considerar são: a pequena área disponível para o cultivo associada a cada produtor, a dificuldade do mesmo em captar recursos financeiros, a inviabilidade econômica em função do alto custo de preparação do solo e outros insumos, a oferta individual incompatível com a demanda de mercado e, sobretudo, a condição desfavorável do produtor frente à coordenação do mercado.

No ambiente dessa natureza, o modelo de competitividade agrícola foge da visão tradicional. Neste caso, é preciso dotar o setor primeiramente de recursos intangíveis, ou seja, faz-se necessário resgatar confiança e gradativamente ir construindo redes relacionais características de capital social, recurso que poderá garantir a sustentabilidade da atividade. Um segundo passo é usar o processo de governança criada em função do esforço inicial para formar aglomerações produtivas no âmbito do território, diferente da visão individual de organização produtiva na propriedade isolada. As aglomerações no território resolvem os problemas relacionados à baixa escala, já que a escala passa a ser do território em função da divisão do trabalho entre propriedades que passam a agir cooperativa e reciprocamente.

O novo modelo de cooperação, posterior a efetivação desses primeiros passos, avança com maior independência e sustentabilidade para criar elos das cadeias produtivas, desenvolvendo outras atividades complementares a atividade básica de cultivo. O leite pode virar doces diversos e queijos, as frutas podem virar sucos ou doces, a mandioca vira farinha, o urucum vira calorífico, e seguem as cadeias planejadas se integrando a outras atividades de serviços, gerando um circulo virtuoso de rendimentos crescentes com geração de emprego e renda e se integrando sem dificuldade aos investimentos industriais modernos.

Este novo modelo exige um contingente multidisciplinar de alto conhecimento que no contato com o conhecimento pratico gera novos conhecimentos e permite o êxito de atividades mais fragilizadas que não vingam a luz do modelo tradicional.

sábado, 9 de julho de 2011

Agricultura e políticas compensatórias do Porto do Açu: a triste constatação

Mais uma vez a tentativa de discutir políticas compensatórias no âmbito do porto do Açu, pelo Movimento Nossa São João da Barra, ficou prejudicada pela ausência dos principais atores, ou seja, o governo e o empreendedor. Não é novidade que o empreendedor tem obrigações legais e morais no que diz respeito a compensar o município, já que interfere na geografia, na economia, no meio ambiente e na vida das pessoas em busca de lucro e que o governo tem o papel de defender a sociedade dos impactos negativos que são próprios de investimentos dessa magnitude.

Paradoxalmente, o quadro que se vê é outro. O empreendedor usa e abusa da comunicação enganosa sobre ações inexistentes, enquanto o governo avalia tal prática e incorpora o discurso do empreendedor, não cumprindo o seu papel na sociedade. Desta forma, o governo de São João da Barra segue os rumos do governo do Estado, misturando ligações institucionais com pessoais, com conseqüente abandono do seu real papel de fiscalizador e protetor da sociedade.

Mesmo com prejuízo o seminário possibilitou uma boa discussão, já que conseguiu mobilizar profissionais do mais alto conhecimento ligado à academia, membros do movimento e produtores rurais do quinto distrito, que com sensibilidade e experiência de vida contribuíram de sobremaneira para a concretização do evento. Evidente que ficou um vazio e uma profunda tristeza na constatação da falta de comprometimento do governo e do empreendedor, ainda mais quando se tem conhecimento da contratação por parte do empreendedor de uma organização para implantar a gestão integrada de território, com instalação na cidade de algo que eles chamam de centro de conhecimento. Neste caso, só resta à pergunta: como pode alguém falar de integração com a sociedade, centro de conhecimento e outras falácias e quando chamado para um debate técnico, foge da discussão?

Já sabemos que para a empresa é muito mais cômodo o relacionamento só com o governo, já que a sociedade apresenta dificuldades de organização e por isso não tem voz. Neste quadro, o governo usa a proximidade para capitalizar interesses muito particulares, enquanto a empresa toca o seu projeto sem grandes preocupações. Entretanto, mesmo com as reais dificuldades, o movimento continuará a sua trajetória no sentido de contribuir para que esta parcela da sociedade se insira na presente discussão. O empreendedor precisa responder os questionamentos sobre as comunicações falsas relacionadas aos programas socioambientais e o governo precisa responder os questionamentos sobre o abandono das funções que representam seu verdadeiro papel social. Continuaremos na luta para que as medidas compensatórias saiam do discurso e se transformem em realidade, afinal as obras do porto do Açu completarão quatro anos no final deste ano e os impactos positivos apresentados nos relatórios de impacto ambiental que servem de base para liberação dos projetos pelos órgãos ambientais, ainda não se materializaram.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Seminário para discutir políticas em benefício do setor agrícola

"O Movimento Social Nossa São João da Barra, tem o prazer de convidá-lo para o seminário que discutirá políticas para o setor agrícola, no contexto das compensações do Porto do Açu, na próxima sexta feira, dia 08 de julho, as 18:00 horas na Câmara Municipal de São João da Barra. Sua participação é muito importante, já que o movimento luta pelos interesses na sociedade sem voz".

domingo, 3 de julho de 2011

Noroeste e Norte Fluminense: dados sobre educação básica regional


Escondida por trás do estigma de região com menor PIB do estado do Rio de Janeiro, o Noroeste Fluminense, que antes vivia em função de uma matriz produtora baseada na exploração do gado leiteiro, pode surpreender quando o assunto é educação.
De acordo com o Mec, a região concentra a maioria dos municípios que encabeçam as listas dos maiores Idebs – índice que mede a qualidade da educação básica – do Estado do Rio de Janeiro. Na análise da educação do 1º ano (C.A.) ao 5º ano (4ª série), quatro das cinco cidades com os maiores Idebs no estado estão na região. Itaperuna, centro microrregional, aparece em 4º lugar, com um Ideb de 5,4. O primeiro lugar fica com Cambuci, 5,8.
Já na avaliação de 6º (5ª série) ao 9º ano (8ª série), um dado salta aos olhos. Dos 27 municípios que encabeçam a lista, 11 são da Região Noroeste Fluminense(que concentra 13 cidades). Ou seja, quase toda a Região está aí representada. Cambuci continua em um folgado primeiro lugar, com 5,9. Pádua, Natividade e Bom Jesus vêm pouco abaixo. Itaperuna fica em 27º, com Ideb de 4,0 , mesmo valor da média nacional.
É um tanto surpreendente que a Região menos conhecida de todo o estado esteja demonstrando avanços mais significativos no âmbito educacional. E ao analisarmos a situação do município de Itaperuna, observamos que educação é uma matéria que não fica só no ensino básico. Não são poucas as opções de Ensino Superior. A cidade concentra 3 universidades privadas de grande porte, assim como um Instituto Federal e alguns cursos avulsos de universidades públicas(Administração da Uff e Educação Física da UERJ). Isso serviu para dar à localidade o título de “cidade universitária”, impulsionando o fornecimento de serviços, grande movimentador da economia local atualmente.
Talvez não seja apenas por acaso que a Região Noroeste Fluminense também apareça expressivamente representada na Universidade Estadual do Norte Fluminense. É notável em todos os cursos a grande quantidade de estudantes vindos da Região. Contudo, análises mais profundas seriam necessárias para que se possa alcançar alguma conclusão.
Mas enquanto longe dos grandes investimentos a Região Noroeste aparentemente dá a largada estadual no quesito educação, no Norte Fluminense, cidades que estão nos holofotes do mundo devido à injeção de recursos privados relacionados à construção do Porto do Açu, amargam posições vergonhosas na classificação dos Idebs Municipais do estado.
São João da Barra e Campos dos Goytacazes são claros exemplos deste processo. Campos possuí Ideb de 3,2 para educação do 1º ao 5º ano, e 2,9 para 6º ao 9º. Já São João da Barra, localidade que aportará empresas de alta tecnologia, demandantes de recursos humanos fortemente qualificados, tem Ideb de 3,3 para os primeiros anos do Ensino Fundamental e 3,1 para os últimos anos do Ensino Fundamental.
Todavia, a maior surpresa aparece quando buscamos a classificação dos dois municípios no ranking dos Idebs municipais do estado do Rio. Para os primeiros anos do Ensino Fundamental, Campos e São João da Barra aparecem, respectivamente, em último e penúltimo lugar, de uma lista de cerca de 90 municípios! Para os últimos anos do Ensino Fundamental, as posições são de 88º lugar para Campos e 84º lugar para São João da Barra. Não foi, portanto, sensacionalista a afirmação de que estas localidades assumem posições verdadeiramente amargas, difíceis de serem digeridas, justamente por se referirem a um âmbito tão importante como a Educação Básica, crucial para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.


Rômulo Rodrigues de Carvalho, graduando em Engenharia de Produção na UENF

sábado, 2 de julho de 2011

Movimentação bancária nos municípios da Região Norte Fluminense em abril de 2011

A movimentação bancária de abril nos municípios da Região Norte Fluminense é apresentada na figura ao lado. O município de Campos dos Goytacazes apresentou o maior saldo de operações de crédito, ou seja, R$1,0 bilhão e Macaé contabilizou R$886,1 milhões. Nos depósitos a vista do setor privado, Macaé apresentou o maior saldo ou R$ 264,7 milhões, enquanto Campos dos Goytacazes contabilizou o valor de R$ 224,6 milhões.

O valor de R$88,3 milhões relativo as operações de crédito em São Fidélis mostra um bom nível de confiança dos bancos no sistema econômico, enquanto o município de São João da Barra apresenta uma forte trajetória dos depósitos a prazo. O gráfico apresenta a evolução dos valores nos quatro meses de 2011.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As receitas do petróleo nos municípios produtores da Região Norte Fluminense no primeiro semestre de 2011

Os valores contidos nas tabelas representam as receitas oriundas das participações especiais da produção de petróleo no primeiro semestre de 2011 e os valores de royalties recebidos pelos municípios produtores da Região Norte Fluminense no mesmo período. O municipio de Campos dos Goytacazes recebeu um valor acumulado de R$ 566,8 milhões, o



município de Macaé recebeu R$ 223,0 milhões, Carapebus recebeu R$14,9 milhões, Quissamã recebeu R$ 45,9 milhões e São João da Barra recebeu R$ 113,5 milhões no mesmo período.