Merenda Escolar e Produção de Alimentos

O Fantástico de domingo, na tv globo, apresentou o quadro deprimente, relacionado a gestão da merenda escolar em diversas cidades do Brasil. Qualquer palavra que se queira usar para expressar a indignação com a situação se torna irrelevante. Sinceramente, o destino das pessoas envolvidas deveria ser a cadeia por alguns anos.

Para quem não viu a matéria, na investigação sobre a forma de gestão da merenda escolar, foram identificadas situações, como: imposição de fornecimento de alimentos por empresas contratadas, propina generalizada, consumo de alimentos estragados pelos alunos, nenhuma higiene no manejo dos alimentos, alimentos juntos com animais no mesmo ambiente, suspensão das aulas por falta de alimento, cardapio em desajuste com o que era servido de fato, alunos com dores estomacais, em função de alimentos não adequados, etc.

Evidente que nenhuma cidade da Região Norte Fluminense fez parte dessa pesquisa, porém essa discussão chama a atenção e exige uma profunda reflexão em todas as cidades da federação.

Veja na tabela acima, os valores transferidos pelo Governo Federal para apoiar a alimentação na educação básica. Além desses valores, existem as receitas próprias e outras transferências, como no caso dos produtores de petróleo, os roylaties que podem ser usados na construção de uma infraestrutura de investimento para o fortelecimento da agricultura familiar em cada município. No caso especifico de São João da Barra, onde muito se fale em distritio indistrial, tenho insistido que o governo e, especialmente, o empreendedor do porto do açu, deveriam pensar na possibilidade de fomentar um distrito industrial voltado para o setor agropecuário. Hoje, o município conta com uma atividade agrícola de subsistência e de baixo conhecimento, portanto, necessitando de apoio para a sua diversificação, descoberta de novos produtos com maior valor agregado, organização para aumento da escala e garantia de fornecimento. Como o governo local importa de outras regiões os alimentos para as suas escolas, a sua participação nesse distrito não seria problema. Poderia garantir a manutenção do fornecimento da própria agricultura familiar local. Por outro lado, o empreendedor que intefere num bem comum (recursos naturais) precisa agir no sentido de compensar os atingidos, aliás a responsabilidades social e ambiental não está no DNA das empresas? Os outros parceiros ligados a pesquisa, formação profissional, extensão, etc., já estão no território e não teriam dificuldade em participar dessa nova organização produtiva. Fundamentalmente, vejo que é a garantia do comprometimento, diferente do discurso, e a ação em direção a construção da confiança junto aos atores produtivos, que poderão viabilizar um programa dessa magnitude e, consequentemente, equilibrar as forças no território. As peças estão dispostas no tabuleiro, a jogada exige compromisso e busca do conhecimento.

Comentários

  1. É mestre, para fazer o que precisa ser feito precisamos do fundamental: cabeças pensantes e com moral!
    Uma pena que as "mentes coroadas" que vemos por aí gostam mesmo é de participar da cadeia produtiva da pilantraria nacional:
    O empreiteiro ganha a licitação da merenda, mas tem que participar da caixinha do político, então, para economizar, corta-se a quantidade a ser fornecida e a qualidade especificada!
    E as crianças continuarão a comer arroz mofado, com feijão com caruncho e a velha salsicha embutida!
    É uma vergonha!
    E mais triste ainda, é constatar que os pais dessas mesmas crianças continuam a votar nos políticos pilantras que fornecem essa ração podre para seus filhos, em troca de uns caraminguás na véspera das eleições!

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  2. Realmente, só nos resta trabalhar no campo da informação. Quem sabe as pessoas comecem a compreender o seu verdadeiro papel social e possam rever o seu comportamento em relação a arbitrariedades dessa natureza. Enquanto isso, continuamos cumprindo o nosso papel.

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