Uma visão sobre a Despesa de Investimento na Região Norte Fluminense

A aplicação dos recursos orçamentários em um montante satisfatório e dentro de padrões de qualidade, caracteriza um fundamento econômico essencial para o desenvolvimento econômico local. Diante desse princípio, a investigação de como os municípios da região tratam a questão, auxilia um melhor entendimento da dinâmica econômica de cada município e as perspectivas de curto e médio prazo.
A tabela acima apresenta na primeira coluna a dotação orçamentária do investimento para 2010, a coluna seguinte o percentual deste valor em relação ao total da receita orçamentaria para o mesmo ano. Na terceira coluna, os valores correspondentes a investimentos liquidados até agosto de 2010 e a ultima coluna, o percentual do investimentos liquidados em relação a sua dotação.
Uma primeira leitura nos leva a entender que os municípios apresentam muita dificuldade para aplicar esses recursos. Talvez essa dificuldade esteja atrelada a ausência de equipes de planejamento e, naturalmente, a inexistência de projetos relevantes. Como é mais fácil gastar recursos em custeio, a visão de curto prazo é priorizada em detrimento da visão de prazo mais longo.
Observe que apesar da dotação do investimento, em termos de previsão, alcançar um padrão razoável (Campos 31,5%; Cardoso Moreia 34,9%, São João da Barra 33,8%, etc.), o percentual de liquidação acumulado até agosto de 2010 é lamentável. Mesmo considerado baixo, Macaé apresentou o melhor aproveitamento, já que liquidou 57,5% da dotação anual, seguido por Campos que liquidou 46,9%. Com o pior resultado, surge São João da Barra com um percentual de liquidação da despesa de investimento em 3% da dotação. Este dado chama a atenção, já que o município é sede do complexo portuário do Açu, cujo empreendimento exige investimentos públicos de grande monta. Afinal, neste caso é necessário a dotação de infraestrutura de saneamento básico, educação, estradas, qualificação para o trabalho e geração de conhecimento. É importante a visão de que o investimento presente garante uma melhor condição econômica e social no futuro, enquanto que o gasto em custeio atende necessidades presentes, as quais não são sustentáveis no longo prazo.

O gráfico ao lado apresenta os percentuais de dotação e liquidação do investimento para cada município. No consolidado, a região alcançou um percentual de 39,96% de liquidação do investimento nos oito primeiros meses do ano. Esse percentual é muito pequeno, já que tudo indica que serão transferidos pagamentos de 2010 para 2011, gerando dificuldades para o processo de execução orçamentaria.

Comentários

  1. Vergonha esses dados de SJB, é assim que estamos construindo o amanhã?! Absurdo e absurdo!!!

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  2. É verdade Denis. É urgente o esforço de profissionalização da gestão pública. O município precisa de bons projetos de investimento para inibir os absurdos nos gastos de custeio de curto prazo.

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  3. Parabéns pela participação do Sr.no programa do Betinho na Ultra hoje, espero que boa parte da cidade tenha entendido que só o porto não é suficiente para tamanhos desafios que a cidade enfrente. Quem é comerciante sabe que a cidade não anda bem a tempos e que esse crescimento tão anunciado para nós quase não chegou. Enfim, precisamos sim de gente com conhecimento técnico para ajudar a mudar essa realidade, espero que o próximo prefeito tenha essa visão e principalmente vontade de fazer (unir política a técnica), como você falou bastante claro hoje no programa. É o mínimo que esperamos do próximo governo, já que no atual só vemos a cidade naufragando aos poucos e sem rumo.

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