quarta-feira, 30 de março de 2011

O que representa a greve dos trabalhadores do Porto do Açu?

Estou finalizando uma pesquisa sobre o Complexo Portuário do Açu, cujo objetivo é entender a natureza de sua configuração, além de identificar ações potenciais de capacitação das estruturas locais em direção a inserção local a esse novo movimento. Tal experiência tem me levado a criticar o uso da nomenclatura Distrito Industrial, que tem sido utilizado erroneamente. A presente ocorrência de paralisação das atividades pelos trabalhadores da construção civil que exigem o cumprimento de regras previamente estabelecidas e não respeitadas pela empresa responsável pela construção do porto é um grande problema e corrobora com a minha visão crítica.

Sem querer ser competitivo, lembro a grande contribuição de Becattini sobre o tema:

Becattini (1998) define então o "Distrito Industrial como uma entidade sócio-territorial que é caracterizada por uma coexistência ativa entre uma comunidade aberta, onde há grande afluxo de bens e pessoas, e um conjunto segmentado de empresas. Já que essas pessoas e empresas dividem o mesmo espaço geográfico, elas se interpenetram, isto é, atividades produtivas e a vida cotidiana se interceptam. O distrito se torna, assim, uma amálgama de competitividade, cooperação, costumes e instituições informais".

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Como visto, esse ensinamento nos orienta para o esforço de induzir o fortalecimento das relações econômicas locais através da ação coletiva. O exercício quando bem orientado tende a fortalecer as raízes da confiança entre os diversos agentes, que mesmo resistindo inicialmente, tenderão a se doar a partir da internalização de resultados conseqüentes da cooperação. Desta forma, fortalece a tese de que é essencial construir capital social em espaços deteriorados pela desconfiança mútua.


Conclusão: a falta de respeito as regras institucionais alimenta a desconfiança e deteriora o tecido social, elemento não compatível com o conceito de Distrito Industrial.






terça-feira, 29 de março de 2011

Volta a tona a discussão sobre a importância da atividade econômica de base


Divulgação da Câmara Municipal de São João da Barra

Produtores do Quinto Distrito lotam sessão da Câmara de São João da Barra Cerca de 150 pequenos produtores rurais do Quinto Distrito lotaram o plenário da Câmara Municipal de São João da Barra nesta segunda-feira (28). Eles foram até a sede do município para fazer uma manifestação pacífica contra a forma como vem ocorrendo a desapropriação para a criação do Distrito Industrial no entorno do Porto do Açu. Os produtores aproveitaram para participar da sessão ordinária. No entanto, não houve deliberação por falta de quórum (nenhum vereador da bancada governista esteve presente). Daí, o segundo secretário da Câmara, Antônio Manoel Machado Mariano (Zezinho Camarão), pediu ao presidente da Casa, Gerson da Silva Crispim para que fosse exibido o vídeo da reunião que houve no último domingo (27), em Água Preta, com várias lideranças políticas da região, dentre elas, a deputada estadual, Clarissa Garotinho, e o deputado federal, Anthony Garotinho. Mais uma vez, Gersinho prometeu colocar a Câmara à disposição dos produtores, afinal, tratam-se de “inúmeras famílias que estão sendo prejudicadas”. Uma delas é a de Jair Alves de Almeida, 68 anos. “Todo mundo está assustado. A gente está vendo uma quadrilha impondo poder e lei. Eles acham que são os donos da verdade. Até hoje, não consegui negociar as minhas terras”, contou.

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Entendo que é um grande momento para o Legislativo propor a elaboração de um modelo de restruturação produtiva para o setor agrícola, orientado pela organização produtiva nos moldes do agronegócio.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Piscicultura uma alternativa para a geração de trabalho e renda

Transcrevo neste espaço, matéria do programa "Pequenas Empresas" da TV Globo do último domingo.
27/03/2011 08h00 - Atualizado em 27/03/2011 09h41 Projeto com criação de tilápias cria negócios e gera renda no ES Comunidade de pescadores saiu da pobreza e virou dona de três negócios. Criação de tilápias, peixaria e restaurante saem de projeto de psicultura. Do PEGN TV Um projeto no Espírito Santo ensina um grupo de pescadores a criar tilápias, com suporte e orientações. Além de gerar trabalho e renda, a experiência na área da psicultura já abriu novas oportunidades de negócios e multiplicou a renda. Uma comunidade de pescadores saiu da pobreza e virou dona de três negócios: uma criação de tilápias, uma peixaria e um restaurante. A multiplicação de renda é resultado de muito trabalho no município de Serra. Os pescadores têm 156 tanques-rede na Lagoa do Juara. São mais de 70 mil tilápias. Todo dia, às 6h, uma equipe distribui ração e recolhe alguns peixes. É assim desde que o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) chegou à comunidade com o projeto de piscicultura. O projeto começou em 2002, com o estudo da água da Lagoa do Juara. Especialistas avaliaram a profundidade, a transparência, a quantidade de nutrientes e de oxigênio “A gente encontrou a comunidade numa situação muito precária. O bairro era pouco habitado, não havia asfalto, não tinha linha de ônibus. A comunidade, como um todo, necessitava obter renda e as dificuldades eram muito grandes devido ao baixo grau de escolaridade”, diz Adriano Matos Rodrigues, do Sebrae em Vitória. O grande desafio foi ensinar a criar os peixes ao invés de pescá-los. “Ninguém conhecia uma tilápia criada na gaiola. O pescador conhece peixe. Mas tem uma diferença do pescador para o piscicultor. O pescador tira da água o que é da água. E o piscicultor explora a água. O que não é da água ele põe lá e cria”, explica João Valadão Primo, da Associação de Pescadores. Projeto O projeto começou em 2002, com o estudo da água da Lagoa do Juara. Especialistas avaliaram a profundidade, a transparência, a quantidade de nutrientes e de oxigênio. Os primeiros 12 tanques só chegaram em 2004, depois que a Prefeitura de Serra doou R$ 40 mil para o projeto. A Fundação Banco do Brasil doou mais R$ 150 mil. Dinheiro suficiente para comprar ração, alevinos, o barco para o transporte dos peixes e mais tanques-rede. Aí foi só escolher a espécie certa. “A tilápia, a gente já detém a tecnologia de produção. E a aceitação do pescado, no mercado de restaurantes, no mercado popular também, que são as pessoas que vêm comprar, levar para suas residências, a tilápia tem uma boa aceitação”, diz Rodrigues, do Sebrae. Os peixes são alimentados a cada seis horas. “Tem que cuidar bem desses peixes aí, porque eles é que põe dinheiro lá em casa”, afirma o pescador Sidmar Dias de Oliveira. Vendas A cada semana os pescadores tiram quase 2 mil tilápias da lagoa. As tilápias são vendidas na peixaria da associação, mas nem sempre foi assim. Antes a produção era levada para quatro feiras livres. “Serviu para divulgar. Na feira livre, foi uma propaganda boca a boca. A gente falando com o freguês, e o freguês falando com o outro, e a gente foi divulgando”, explica Primo. Hoje os clientes vêm de Serra, Vitória e várias cidades da região. O motivo é simples. “Pega ele fresquinho na hora (...). Fica mais gostoso. O sabor é outro”, opina o consumidor José de Almeida Soares. Em um mês são vendidas 7 toneladas de peixe. O freguês pode comprar tilápia in natura ou só o filé. “Quase toda a semana a gente compra um pouquinho”, diz o consumidor Nílton Valgas. “Hoje foram mais ou menos 5 ou 6 quilos”, diz. Restaurante A banca, contudo, não dá conta de vender todos os peixes. Por isso, o pessoal criou um novo negócio. Um restaurante que serve cinco receitas com tilápia. O restaurante foi construído com a ajuda de uma grande empresa local, que doou quase R$ 400 mil. Quem cuida da cozinha são as esposas dos pescadores. A cozinheira Maria Madalena Peres busca os peixes todas as manhãs. Ela é casada com o vendedor Jaílson Oliveira, mas mesmo assim faz questão de avaliar o produto. “Negócios à parte. O peixe tem que estar sempre fresquinho”, diz a cozinheira. Cada associado, como o vendedor Jaílson, ganha R$ 1,1 mil por mês. A vida melhorou muito. “Consegui comprar um carrinho, um terreno também, paguei tirando daqui. Para mim tá uma maravilha, tá ótimo, graças a Deus”, diz o vendedor. Os pratos mais pedidos no restaurante são as iscas fritas e a moqueca de tilápia. Em um domingo ensolarado, o restaurante serve mais de 800 pessoas. “Outras tilápias que eu já comi, em outros municípios, eles criam a tilápia em tanque fechado, então fica aquele gosto de barro. Aqui não, é criada a tilápia em ambiente natural, água corrente, ela é gostosa, é um peixe gostoso”, Simone Farage. Aprendizado Os negócios trouxeram independência financeira aos associados. “É muito bom não ter uma pessoa para ficar mandando na gente. É muito bom a gente ser dona”, diz Maria Madalena. O pescador Natanael Silva estudou só até a terceira série. Mesmo assim foi nomeado tesoureiro do grupo e aprendeu com o Sebrae a gerenciar as finanças. “Hoje, mesmo sem estudo, eu cuido de uma conta bancária que movimenta mais de meio milhão de reais por ano”, afirma. Artesanato O Sebrae planeja, ainda, montar um núcleo de artesanato para aproveitar a taboa e o couro de tilápia. “Esse trabalho vai ser focado em pessoas que não estão hoje vinculadas ao projeto. Para a gente ampliar o número de pessoas com renda aqui na própria comunidade”, diz Rodrigues, do Sebrae.


Um bom exemplo para São João da Barra...................

sexta-feira, 25 de março de 2011

Visão equivocada do Movimento Nossa São João da Barra

Postagem do Jornal A Folha da Manhã sobre o Movimento Nossa São João da Barra


Campos
Por Saulo Pessanha, em 24-03-2011 - 12h09
A Frente Democrática de Campos formada por um leque de partidos, todos de oposição à prefeita Rosinha Garotinho (PMDB), pode estar fazendo escola. Em São João da Barra, foi criado o Movimento Nossa São João da Barra como desdobramento da I Conferência Local de Controle Social. Os mentores sustentam que a iniciativa não tem vinculação partidária.
Mas é improvável que o mote não seja a eleição municipal de 2012. Até porque o Movimento Nossa São João da Barra objetiva incentivar a população a uma maior participação “nas questões relevantes da sociedade, de forma que política públicas de qualidade possam ser implementadas em SJB, refletindo no bem estar da população”.
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Naturalmente, não poderia deixar sem resposta e enviei meus comentários........


Prezado Saulo Pessanha, a minha intervenção objetiva, tão somente, contribuir para um melhor entendimento sobre o Movimento São João da Barra. Verdadeiramente, não se trata de um movimento partidário e também não sofreu nenhuma influência da Frente Democrática Campos. A nossa motivação está na experiência do projeto de extensão da UENF, conduzido pelo professor Hamilton Garcia, que tem nos apoiado brilhantemente. É importante também frisar que o nosso movimento não representa oposição a nenhum político nem partido. Trata-se de um movimento para apoiar uma melhor organização da sociedade civil. A democracia pressupõe organização partidária e organização de entidades civis, de forma que haja um melhor equilíbrio de forças na sociedade, inibindo o possível controle total dos políticos sobre os outros atores sociais. O município de São João da Barra passa por um momento histórico importante e não pode apresentar aos agentes externos uma estrutura social totalmente esgarçada, conforme a existente atualmente e que todos conhecemos. Entendemos que existem recursos humanos importantes no município e que são capazes de contribuir de sobremaneira, entretanto não os identificamos porque as condições ambientais não os permitem exercitar a plena cidadania, já que inexistem ou estão desativados, os mecanismos de organização e fortalecimento social. Como presidente da comissão executiva do movimento, reafirmo que não sou político. Sou economista, professor pesquisador da UENF, nascido e residente em São João da Barra e preocupado com a população, frente a esse turbilhão (Porto do Açu) que muda definitivamente a geografia, a economia e a estrutura sócio-cultural do município.
Cordialmente, Alcimar das Chagas Ribeiro

Discussão sobre a Economia Local na Radio Ultra

Estive na radio Ultra para uma discussão sobre a economia sanjoanense com Betinho Dauaire. Realmente fiquei feliz por verificar o esforço do Betinho em pesquisar sobre temas econômicos importantes e por ter conduzido a discussão com muita competência. Foi uma discussão estritamente técnica que se transformou numa conversa de fácil assimilação para os sanjoanenses. Temas como orçamento, tributação, emprego, investimento, etc., foram debatidos levando boa informação aos ouvintes. Experiências como essa precisam ser ampliadas, pois acredito que a população quer que São João da Barra sirva como exemplo positivo, mostrando a região que dispõe tanto de profissionais, quanto de projetos capazes de potencializar o seu futuro. Parabéns ao Betinho Dauaire e sua equipe pela iniciativa.

terça-feira, 22 de março de 2011

Arrecadação de Royalties de Petróleo na Região em Março

A tabela ao lado apresenta os valores correspondentes a compensação de royalties de petróleo para os municípios da Região Norte Fluminense, em março de 2011. Campos dos Goytacazes ficou com a maior parcela, no valor de R$45,1 milhões, seguido por Macaé que recebeu o valor de R$31,5 milhões. Em terceiro lugar, São João da Barra aparece com R$10,0 milhões e a seguir Quissamãn com R$6,5 milhões.
A arrecadação de Campos, em março, superou em 078% a arrecadação de fevereiro, enquanto que Macaé arrecadou menos 6,49%. Quissamã arrecadou menos 3,95% e São João da Barra cresceu a sua arrecadação em 0,45% no mesmo mês.
No trimestre, Campos já recebeu de royalties o equivalente a R$130,4 milhões, Macaé recebeu R$95,6 milhões, Quissamã recebeu R$19,2 milhões e São João da Barra recebeu R$29,2 milhões.

domingo, 20 de março de 2011

Uma visão sobre a Despesa de Investimento na Região Norte Fluminense

A aplicação dos recursos orçamentários em um montante satisfatório e dentro de padrões de qualidade, caracteriza um fundamento econômico essencial para o desenvolvimento econômico local. Diante desse princípio, a investigação de como os municípios da região tratam a questão, auxilia um melhor entendimento da dinâmica econômica de cada município e as perspectivas de curto e médio prazo.
A tabela acima apresenta na primeira coluna a dotação orçamentária do investimento para 2010, a coluna seguinte o percentual deste valor em relação ao total da receita orçamentaria para o mesmo ano. Na terceira coluna, os valores correspondentes a investimentos liquidados até agosto de 2010 e a ultima coluna, o percentual do investimentos liquidados em relação a sua dotação.
Uma primeira leitura nos leva a entender que os municípios apresentam muita dificuldade para aplicar esses recursos. Talvez essa dificuldade esteja atrelada a ausência de equipes de planejamento e, naturalmente, a inexistência de projetos relevantes. Como é mais fácil gastar recursos em custeio, a visão de curto prazo é priorizada em detrimento da visão de prazo mais longo.
Observe que apesar da dotação do investimento, em termos de previsão, alcançar um padrão razoável (Campos 31,5%; Cardoso Moreia 34,9%, São João da Barra 33,8%, etc.), o percentual de liquidação acumulado até agosto de 2010 é lamentável. Mesmo considerado baixo, Macaé apresentou o melhor aproveitamento, já que liquidou 57,5% da dotação anual, seguido por Campos que liquidou 46,9%. Com o pior resultado, surge São João da Barra com um percentual de liquidação da despesa de investimento em 3% da dotação. Este dado chama a atenção, já que o município é sede do complexo portuário do Açu, cujo empreendimento exige investimentos públicos de grande monta. Afinal, neste caso é necessário a dotação de infraestrutura de saneamento básico, educação, estradas, qualificação para o trabalho e geração de conhecimento. É importante a visão de que o investimento presente garante uma melhor condição econômica e social no futuro, enquanto que o gasto em custeio atende necessidades presentes, as quais não são sustentáveis no longo prazo.

O gráfico ao lado apresenta os percentuais de dotação e liquidação do investimento para cada município. No consolidado, a região alcançou um percentual de 39,96% de liquidação do investimento nos oito primeiros meses do ano. Esse percentual é muito pequeno, já que tudo indica que serão transferidos pagamentos de 2010 para 2011, gerando dificuldades para o processo de execução orçamentaria.

sábado, 19 de março de 2011

O Porto do Açu e a Trajetória do Emprego em São João da Barra

A investigação sobre a trajetória do emprego em São João da Barra é importante, pois possibilita verificar o real impacto dos investimentos do complexo portuário do Açu nesse indicador. Adicionalmente, possibilita comparar o nível efetivo da geração de emprego nesta fase de construção com os números divulgados pela imprensa em termos de previsão. As obras foram iniciadas no final de 2007 e em 2008, foram contabilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, 728 novos empregos no município. Como a média, considerando os primeiro sete anos da década, atingiu 78 empregos anualmente, não resta dúvida que o empreendimento teve uma papel relevante no saldo de 2008. Entretanto, em 2009 o saldo despencou para 238 empregos líquido no ano, ou seja, um declínio de 67,30% em relação ao ano anterior. O ano de 2009 praticamente repetiu 2008, onde foi contabilizado em saldos de 257 novos empregos, ou seja, um leve crescimento de 7,53% em relação ao ano anterior. O ano de 2011 começou trazendo um certo pessimismo, já que janeiro gerou somente 18 novas vagas de emprego. Na comparação entre janeiro de 2011 com janeiro de 2010, observa-se uma queda de 66,03%.

Conforme pode-se verificar no gráfico ao lado, depois do forte aumento do emprego em 2008, houve uma acentuada queda em 2009 e praticamente a manutenção do saldo em 2010. As obras do porto propriamente se encontram em sua fase final, aguardando a próxima fase de operação. Mesmo com a expectativa de novos empreendimentos, o nível de emprego gerado se encontra muito aquém do prometido e o processo de operação do porto exigirá um número infinitamente menor de trabalhadores, agora com um padrão de qualificação mais sofisticado. Esta análise corrobora com a nossa tese de que a dependência do ambiente econômico local a projetos de natureza exógenos, representa um grande risco de geração e concentração de riqueza, com reflexos na exclusão social. Uma alternativa ao problema é combinar a presente situação, investimentos endógenos a partir do planejamento dos recursos tangíveis e intangíveis. Evidente que fundamentos como escala territorial orientada pela cooperação e reciprocidade, escolha de produtos com maior valor agregado e maior interação entre governo, empresas e universidade, são essenciais nessa nova modelagem.

Relatório da II Conferência de Controle Social em São João da Barra

Foi realizada nesta sexta, dezoito de março, a segunda Conferência Local de Controle Social, no auditório do Clube União dos Operários, em São João da Barra, cuja pauta tratou sobre a implantação do Comitê do “Movimento Nossa São João da Barra”, cujo objetivo central é induzir uma participação mais ativa dos sanjoanenses nas questões importantes de ordem coletiva e da implantação da comissão Executiva, responsável por pensar e promover a discussão de temas que atenda a evolução social no presente contexto de transformação econômica, social e ambiental no município.

Com uma presença bastante representativa, setores como: a agricultura, comércio, meio ambiente, poder legislativo local, serviços profissionais, turismo, educação, cultura, comunicação e ciência e tecnologia, tiveram suas questões acentuadas e discutidas de forma relevante.

Após a confirmação de comprometimento desses atores sociais em relação a sua participação no presente comitê, algumas propostas de possíveis ações foram colocadas em discussão. Dentre elas: o acompanhamento das publicações oficiais, sua análise e divulgação para a sociedade como um todo; o acompanhamento das discussões nos conselhos municipais, ou a verificação de sua operacionalidade; a criação de uma rede social para o debate sobre temas importantes de interesse social; o acompanhamento do programa de gestão de território do grupo EBX; o acompanhamento da execução dos projetos de compensação relativo aos investimentos do Complexo Portuário do Açu; e a organização de seminários envolvendo temas de interesse coletivo.

Como primeira ação a ser implementada, foi aprovado por unanimidade o planejamento de uma conferência para discutir aspectos relevantes relacionados às obras do complexo portuário do Açu e seus reflexos. A conferência tratará de temas ligados aos setores: agricultura, turismo, educação, cultura, comunicação e pesca. Durante as próximas três semanas os líderes que tem atuação nesses setores elaborarão conteúdos relevantes e estruturados a partir de elementos como: problema, conseqüências, possíveis causas e possíveis soluções, os quais serão lapidados para apresentação na conferência com data ainda a ser definida.

A segunda parte do encontro tratou da aprovação da comissão executiva do movimento, cuja composição é a seguinte: Alcimar das Chagas Ribeiro, Áureo Bomgosto, Francisco de Assis, Sérgio Soares, Domingos Vieira e Júlio Macedo.

A assessoria do professor Hamilton Garcia da UENF e seus bolsistas foi essencial na evolução desse processo, que já definiu o próximo passo para o dia oito de abril, onde será estruturado completamente a Conferência proposta, assim como a definição da data e local de sua implementação.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Emprego nos municípios com menos de 30 mil habitantes em janeiro de 2011 na Região Norte Fluminense

Os municípios da região começaram o ano de 2011 com declínio na geração de emprego. A tabela apresenta indicadores de admissão, desligamento e saldo de emprego em janeiro. No agregado foram gerados somente dois novos empregos em janeiro deste ano, enquanto que em janeiro de 2010 foram gerados no agregado 414 novos empregos. O município de São João da Barra, pelo fato de sediar as obras do complexo portuário do Açu, apresentou um saldo muito pequeno, ou seja, 18 novos empregos no mês.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Tragédia do Japão representa ameaça ao complexo portuário do Açu?



Matéria do Jornal a Folha de São Paulo sobre a perspectiva da exportação de Minério de Ferro do Brasil.



A tragédia no Japão deve afetar as exportações de minério de ferro, que representa metade do que é vendido pelo Brasil ao país.
A curto prazo, pode ocorrer um adiamento e até a suspensão dos embarques, já que a logística está prejudicada, avalia o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro.
A tragédia deve afetar os preços no mercado global. Pelo menos três siderúrgicas foram afetadas pelo desastre, o que pode provocar uma oferta adicional do minério no mercado "spot" (à vista).

"É possível que o minério que havia sido contratado por essas empresas seja direcionado ao mercado "spot", pressionando os preços [para baixo]", diz o analista de siderurgia do banco Sicredi, Carlos Kochenborger.

O impacto dessa desvalorização no próximo reajuste trimestral, no entanto, ainda é incerto. Para Jim Forbes, da PricewaterhouseCoopers, o efeito será diluído pelo novo modelo de precificação.

"Eventualmente, pode ocorrer uma queda na quantidade do que é exportado para o Japão", afirma Castro.

A Vale diz que, por enquanto, as operações estão mantidas. O Japão é o segundo maior importador global de minério e responde por 11% da receita da Vale. O produto representou 53% das vendas brasileiras ao país.

terça-feira, 15 de março de 2011

Emprego em fevereiro nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense

O emprego em fevereiro, nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense, apresentou resultados positivos em Campos, Macaé e São Fidélis. Campos dos Goytacazes gerou um saldo de 114 empregos no mês e um saldo acumulado de 546 novos empregos até fevereiro. Destes, o setor de serviços contribuiu com 308 empregos, a indústria de transformação com 110 novos empregos, a construção civil com 100 e o setor agropecuária com 92 novos empregos.
Macaé , apresentou um saldo de 889 novos empregos em fevereiro e um saldo acumulado nos dois meses do ano de 1.616 novos empregos. Destes, a atividade de serviços participou com 1.472 empregos, a indústria de transformação com 222, a construção civil com 45 novos empregos.
São Fidélis gerou 19 empregos no mês e 34 no bismestre, com destaque para o comércio que gerou 28 novas vagas.
São Francisco de Itabapoana perdeu 7 vagas em fevereiro e destruiu 65 vagas no acumulado.

Movimentação das Commodities Minério de Ferro e Açúcar no Comércio Exterior

As tabelas apresentam a movimentação dos commodities minério de ferro e açúcar em bruto em fevereiro de 2011. Seguindo a trajetória de crescimento de 2010, a exportação de minério de ferro em US$ cresceu 7,71% em fevereiro, o volume em tonelada cresceu 2,38% e o preço em tonelada cresceu 5,19% com base em janeiro. O preço de US$ 117,5 praticado em fevereiro de 2011 cresceu 136,41% em relação ao preço de US$49,7 praticado em fevereiro de 2010.
O desastre natural que assola o Japão deverá influenciar nos negócios com minério nos próximos meses, já que o país é um grande consumidor dessa matéria prima para as suas siderurgias.

O açúcar em bruto também segue a trajetória ascedente nos negócios no comércio exterior. Em fevereiro de 2011 o valor em US$ cresceu 1,89% em relação a janeiro, o volume em tonelada cresceu 2,28% e o preço por tonelada declinou 0,37% em relação a janeiro. O preço de US$556,5 por tonelada praticado em fevereiro de 2011 superou em 21,61% o preço de US$457,6 praticado em fevereiro de 2010.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Valores de ICMS Transferidos pelo Estado aos Municípios da Região Norte Fluminense em janeiro de 2011

Os valores correspondentes a transferência de ICMS do Estado para os municípios da Região Norte Fluminense, são apresentados na presente tabela. Macaé recebeu R$23,6 milhões, a maior parcela na região, representando um crescimento nominal de 15,41% em relação a Janeiro de 2010. Considerando a inflação medida pelo IGP-M no período em 11,5%, o município contabilizou um crescimento real de 3,5%.
Campos dos Goytacazes, aparece em segundo lugar com uma arrecadação de R$18,7 milhões, crescimento nominal de 14,24% em relação a janeiro de 2010 e crescimento real de 2,46% no mesmo período.
Em terceiro lugar, Quissamã recebeu R$6,1 milhões, valor 16,72% maior do que o valor de janeiro de 2010. Sem a inflação, Quissamã apresentou rendimento real de 4,68%.
São Francisco de Itabapoana aparece em quarto lugar na região, com R$2,3 milhões e uma queda real de 1,73% em relação a janeiro de 2010. São João da Barra aparece em quinto lugar com uma arrecadação de R$2,1 milhões e um crescimento de 1,77% no período.
Carapebus é o sexto município com uma arrecadação de R$2,0 milhões, crescimento real de 12,63%. São Fidélis é o sétimo com arrecadação de R$1,3 milhões, valor menor 1,73% do valor de janeiro de 2010, descontando a inflação. Conceição de Macabu ocupa a oitava posição com R$1,2 milhão de arrecadação, queda de 1,04% em relação a janeiro de 2010, descontando a inflação e finalmente, Cardoso Moreira que aparece em último lugar com uma arrecadação de R$1,0 milhão, valor menor 7,67% do valor recebido em Janeiro de 2010, descontando a inflação.

terça-feira, 8 de março de 2011

Variação da Participação Percentual dos Municípios no valor Adicionado Regional

Ainda buscando um melhor entendimento sobre a dinâmica econômica dos municípios da Região Norte Fluminense, apuramos a variação percentual do valor adicionado em 2009 com base em 2000. Todos os municipios, com excessão de Macaé, apresentaram declínio desse indicador, conforme o gráfico acima. A riqueza gerada na região ficou concentrada em Macaé que apresentou um crescimento de 60,13% em sua participação no valor adicionado total nesse período. Dos municípios produtores de petróleo, Campos declinou 26,38%, Carapebus declinou 30,30%, Quissamã declinou 27,14% e São João da Barra declinou 25%.
Definitivamente, é necessário pensar um modelo económico capaz gerar e distribuir melhor a riqueza na região.

Valor Adicionado Fiscal na Região Norte Fluminense

O valor Adicionado Fiscal nos municípios da Região Norte Fluminense, divulgado pela Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, ratifica a baixa dinâmica econômica na região. Os discursos otimistas em relação a economia da região não são confirmados nesses indicadores. Existe um erro claro na avaliação quando associam desenvolvimento econômico a aumento da Receita Orçamentária. Essas são contaminadas pelas transferências de royaties da indústria petrolífera.

Na tabela acima, confrontando os valores adicionados de 2008 com os de 2009, pode-se observar que somente Cardoso Moreira, Conceição de Macabu e São Fidélis, conseguiram registrar crescimento em 2009 com base a 2008. Complementarmente, pode-se verificar em 2009 uma participação da região em 13,18% no valor total transferido pelo Estado. Este percentual é inferior a participação de 14,21% em 2008, neste caso, uma queda nominal de 0,90%.

O gráfico ao lado, apresenta as variações percentuais descontadas da inflação dos dois anos acumulada em 7,95%.


sábado, 5 de março de 2011

IPM / ICMS em 2011 na Região Norte Fluminense

A tabela ao lado apresenta os Índices de Participação no ICMS para os municípios da Região Norte Fluminense em 2011. Com um IPM / ICMS de 5,334 Macaé lidera na região, seguida por Campos com 4,239 e Quissamã em terceiro lugar com 1,398.

Uma Visão Real da Economia Norte Fluminense

O verdadeiro retrato da dinâmica econômica da Região Norte Fluminense, pode ser ilustrado a partir do índice de Participação Municipal no Imposto sobre Circulação de Mercadorias. A formação do índice, segundo a Constituição Federal (art.158), estabelece que 25% do montante arrecadado do ICMS pelo Estado seja destinado aos municípios. Definida como Quota-Parte Municipal do ICMS (QPM/ICMS), este segue os seguintes critérios de distribuição: 75% da QPM-ICMS são distribuídos de acordo com o valor adicionado de cada município e os 25% restantes, cada Estado tem plena autonomia para estabelecer os critérios específicos de repasse aos seus próprios municípios.
Esta parcela de 75% representa, efetivamente, a dinâmica dos negócios realizados em cada município, portanto, é um bom indicador econômico. A tabela acima apresenta a variação percentual entre os índices para 2011, referente a movimentação econômica de 2009 e os índices para 2005, referente a movimentação econômica de 2003. Desta variação percentual no período, foi descontado o índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) do período de 2003 a 2009, acumulado em 49,37% e, finalmente, apurado o índice final descontado da inflação, o qual estamos chamando de "dinâmica econômica municipal".

O gráfico ao lado apresenta esses indices. Realmente, a partir dai pode-se verificar a fragilidade econômica da Região. Somente Macaé gerou resultado positivo. O crescimento do IPM-ICMS no período 2011 / 2005 foi de 77,50% que descontado do IGP-M possibilitou um crescimento real de 18,83% no período.
Observe que dentre os municípios produtores de petróleo, São João da Barra apresentou o pior resultado, ou seja, declínio de 19,26% no período. O grande volume de recursos investidos nas obras do complexo portuário do Açu nos anos de 2007, 2008 e 2009, não foi suficiente para evitar o resultado negativo no município. O IPM-ICMS para 2011 no município foi de 0,483 contra 0,469 em 2010, portanto, um crescimento pequeno de 2,98% sem descontar a inflação.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Economia Fluminense vista pela Fundação CEPERJ

Divulgação do Boletim de Conjuntura Econômica Fluminense - ano II número 12 da Fundação CEPERJ.
A economia do Rio de Janeiro retomou o crescimento em 2010.
Os resultados de 2010 indicam que a economia fluminense consolidou a sua recuperação, superando os impactos da chamada crise internacional, iniciada no final de 2008. Isto fica ainda mais evidente quando se comparam os resultados de 2010 em relação aos de 2009.
Nesse sentido, a Indústria Geral cresceu 11,8% em 2010, enquanto em 2009 registrou declínio de 3,8%. O Comércio Varejista expandiu-se em 10,4% em 2010, frente ao crescimento de 5,7% em 2009. Em termos de emprego formal, o acumulado de 2010 alcançou 217.805 empregos, enquanto em 2009 foi de 88.875 empregos. Finalmente, a arrecadação de ICMS cresceu 12,4% em 2010, contra 0,6% em 2009.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Debate sobre Corte Orçamentário e a Realidade da Região Norte Fluminense

A presente discussão sobre cortes e ajustes no Orçamento Federal de 2011, tendo em vista a necessidade de adequação as novas condições conjunturais, especialmente em relação aos índices de inflação ascendentes, motiva a investigação regional.
Olhando o processo de gestão orçamentaria nos municípios produtores de petróleo na Região Norte Fluminense, pode-se verificar as seguintes variações nas despesas correntes no período de 2010 ano base 2007. Campos dos Goytacazes apresentou um crescimento nominal 16,95% nas despesas correntes, Carapebus apresentou uma queda de 68,45% no mesmo período, Macaé apresentou um crescimento de 19,74%, Quissamã apresentou um crescimento de 3,70% e São João da Barra apresentou o maior crescimento, ou seja, 70,96% em 2010 com base a 2007.

Em relação às despesas com pessoal e encargos, Campos apresentou um crescimento de 47,24% em 2010 em relação a 2007, Carapebus apresentou uma queda de 70,91%, Macaé apresentou um crescimento de 19,06%, Quissamã apresentou um crescimento de 26,01% e São João da Barra apresentou um crescimento de 115,19% no período indicado.

A figura acima apresenta a relação percentual da despesa com pessoal / despesas correntes, onde pode-se verificar a trajetória de crescimento da presente despesa.