Uma reflexão sobre o emprego em Campos do Goytacazes

Uma reflexão mais detalhada sobre o emprego em Campos dos Goytacazes nos mostra uma situação preocupante: a natureza sazonal e descontínua desse indicador essencial do desenvolvimento socioeconômico. Conforme pode-se observar na comparação das trajetórias do emprego total e do emprego no setor agropecuário em 2009 e 2010, está acentuada a sazonalidade do emprego do setor sucroalcooleiro com fortes admissões no início da safra e um processo importante de desligamentos ao final da mesma. Como o setor se apresenta em declínio, o saldo líquido final é negativo, o que representa destruição de empregos a cada ano. Em 2009 o saldo negativo foi de 614 vagas destruídas, enquanto em 2010 o saldo negativo avançou para 1.442 vagas destruídas.
Um outro setor de importância na geração de empregos é a construção civil entretanto, por natureza, não garante um processo sustentável no tempo. Os projetos de construção civil públicos ocorrem num período de tempo razoavelmente curto e se encerram, eliminando as vagas criadas anteriormente. Os projetos privados, por sua vez, dependem de outros elementos, tais como: condições de financiamento público e, fundamentalmente, capacidade de demanda agregada que é função do emprego e renda gerados localmente. Em 2010, este setor garantiu o saldo positivo de emprego no município, porém a fragilidade das atividades econômicas de base deixa sempre a insegurança em relação a dinâmica do emprego para o próximo ano. Na verdade esse quadro está refletido em toda a Região Norte Fluminense, com excessão de Macaé que conta com uma base empresarial ligada a indústria petrolífera que é capaz de gerar uma dinâmica importante de trabalho e renda de forma continuada.
O gráfico ao lado apresenta a trajetória do saldo de emprego no setor sucroalcooleiro nos meses de janeiro a dezembro de 2009 e 2010 e os saldos acumulados nos referidos anos.

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