sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Indicadores Financeiros em 2010

O ano de 2010 fecha com o ouro atingindo a marca de 32,26% de rentabilidade, a maior entre as outras operações financeiras. As aplicações em CDBs atingiram 9,97%, os Fundos DI 9,66%, a caderneta de pouçança 6,90% e a poupança um rendimento no ano de 1,04%. O dólar, na contra-mão, apresentou uma perda de 4,42% no ano, enquanto que a variação de preços medida pelo Índice Geral de Preços Ampliado bateu 11,32% no ano.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO

DESEJO A TODOS OS LEITORES E SEGUIDORES UM FELIZ ANO NOVO
Abraços, Alcimar Chagas

Complementando a Discussão Orçamentária em São João da Barra

Visando contribuir no processo de discussão sobre a questão orçamentária em São João da Barra, disponibilizo mais informações que serão importantes para uma melhor reflexão sobre o assunto.
A tabela apresenta um comparativo entre os valores orçamentários previstos e realizados em 2009 e 2010, considerando que em 2010 fiz algumas estimativas para o fechamento.
Observe que existem problemas na formulação do orçamento, já que a diferença entre os valores previstos e os realizados aumentou em 2010, comparativamente a 2009. O total de Receita orçamentária realizada em 2009 foi 28,3% menor do que a sua previsão no mesmo ano, enquanto que em 2010 essa diferença poderá aumentar para 30,4%. Outro previsão bastante comprometida se deu em relação as Receitas Tributárias. Em 2009 o valor realizado superou a previsão em 25,7% e em 2010 o valor realizado deverá ficar 48,8% abaixo do previsto.

As previsões das Transferências Constitucionais também apresentam fortes distorções, já que em 2009 o valor realizado foi 31,8% menor do que a previsão e em 2010 o valor realizado poderá ficar 29,6% abaixo do valor previsto. Quero insistir que a não consideração de elementos importantes na formulação da peça orçamentária, tais como, a análise da conjuntura econômica interna a cidade e cenários econômicos externos, sempre induzirá a erros grosseiros de elaboração e, consequentemente, o comprometimento da gestão orçamentária no exercício corrente.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Porto do Açu e o Negócio de Minério de Ferro

Matéria do Jornal Estado de São Paulo de hoje
Clarissa Mangueira, da Agência Estado

LONDRES - A mineradora global Anglo American disse que obteve tarifas de longo prazo atrativas para seu projeto de minério de ferro no Brasil, em troca de assumir uma parcela maior dos custos de desenvolvimento do porto de Açu. A Anglo American possui uma fatia de 49% no porto, enquanto a LLX Logística detém os 51% restantes. Às 10h45 (de Brasília), as ações da mineradora subiam 1,33% na Bolsa de Londres.

"Nós asseguramos agora uma posição de custo extremamente competitiva para o nosso projeto de minério de ferro Minas-Rio no Brasil", afirmou a executiva-chefe da companhia, Cynthia Carroll, num comunicado.

A Anglo American concordou em pagar US$ 525 milhões adicionais para desenvolver o porto de Açu, o que levará a participação da companhia no custo de desenvolvimento do porto para US$ 1,2 bilhão, dos valor total de US$ 1,5 bilhão, de acordo com um porta-voz da mineradora.

No acordo com LLX, a Anglo American assegurou um contrato fixo de 25 anos, segundo o qual a mineradora pagará uma tarifa bruta portuária de US$ 7,10 por tonelada, ou de US$ 5,15 por tonelada uma vez que a participação da empresa no porto seja levada em conta. A tarifa portuária será aplicada à primeira fase do projeto Minas-Rio, que está previsto para produzir 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Se o volume de minério de ferro transportado superar esse montante, será aplicada uma tarifa bruta mais baixa de US$ 4,25 por tonelada, desde que não haja necessidade de expansão portuária.

A Anglo American espera iniciar a construção do projeto em março e afirmou que serão necessários de 27 a 30 dias para a realização do primeiro transporte de minério de ferro proveniente da mina. O porta-voz da companhia afirmou que a capacidade portuária será mais do que suficiente para cobrir a primeira fase do projeto, sem fornecer mais detalhes. As informações são da Dow Jones.


A Realidade Orçamentária e Práticas de Execução

Segundo matéria publicada pelo Jornal O Globo de hoje, o Governo Federal realizou somente 26% do total de investimentos aprovado pelo Congresso Nacional em 2010. Do total de R$69,5 bilhões de investimentos aprovados, somente R$18,4 bilhões foram efetivamente concluídos e pagos até 25 de dezembro. Uma prática que vem inviabilizando a execução orçamentária do exercício é a realização dos "restos a pagar" (despesas de anos anteriores não pagas no exercício correspondente), que neste ano supereram o valor da execução das despesas de investimentos de 2010. De qualquer forma, o que chama a atenção é a dificuldade em gastar os recursos alocados em investimento. Só para lembar, investimento representa criar condições necessárias para o processo de reprodução econômica e garantia futura de melhor condição de vida para a população. Em contrapartida, o custeio representa a utilização dos recursos em necessidades presentes sem o comprometimento necessário com o futuro.
A presente dificuldade relativa ao uso dos recursos orçamentários de investimento, parece ser uma realidade em todo o país. Recentemente, o município de São Joaõ da Barra foi palco de grandes discussões sobre suplementação orçamentária e conflito entre o Legislativo e o Executivo. A luz dessa discussão observamos que este município, com uma robusta dotação orçamentária de R$355.952.391,00 em 2010 e alocação de R$114.186,261,70 para investimentos no mesmo exercício, só conseguiu liquidar o montante de R$2.995.613,70 até junho de 2010. Esta realização orçamentária em investimento representa em termos relativos, somente 2,62% do total previsto. Porém, se considerarmos até esta data as despesas empenhadas em investimento, o valor sobe para R$10.597.813,80 representando 9,28% do total orçado para o ano. Com base nesses dados do TCE-RJ, podemos concluir que a presente discussão sobre recursos para custeio em um contexto de dificuldades de realização de gastos em investimento, parece uma contradição.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Aspectos da Conjuntura Econômica na Região Norte Fluminense em 2010

Seguindo a conjuntura econômica brasileira, a economia fluminense vai fechar 2010 com resultados bastante significativos, a exemplo da produção industrial que crescerá a uma média maior do que a média nacional. A Região Norte Fluminense, objeto de nossa análise, também apresentará indicadores muito importantes neste ano que se encerra.
Seguindo a trajetória nacional, a oferta de crédito no sistema bancário da região deverá fechar o ano expressando um crescimento nominal de aproximadamente 25% em relação a 2009. O sistema bancário de Campos dos Goytacazes será responsável por cerca de 50% dessa oferta, enquanto que o sistema bancário de Macaé responderá por 40% do total do credito negociado. O valor esperado relativo a operações de crédito no sistema bancário da região poderá chegar a R$2.015.660.171,00 em 2010, contra R$1.612.528.137,00 no ano passado.

O nível de emprego na região em 2010 superou, substancialmente, o ano passado, cujo saldo negativo, representou a destruição de 817 empregos. A região gerou de janeiro a novembro deste ano, um representativo saldo entre admissões e desligamentos da ordem de 16.554 novos empregos, sendo o município de Campos responsável por 50,65% e Macaé responsável por 45,28% desse total.

As operações de comércio exterior corroboram com a boa conjuntura regional. O saldo superavitário até novembro de 2010 chegou ao valor de US$365.012.217 que é maior 219,77% do que o saldo superavitário de US$114.147.763 apurado em 2009. Nas atividades de comércio exterior, o município de Macaé se destaca em função da indústria petrolífera.

No contexto das contas públicas, a expectativa é de um crescimento nominal de 13,74% nas transferências constitucionais em 2010 com relação a 2009. Tendo em vista a consistente representatividade dessas transferências nas receitas orçamentárias, o crescimento indicado tem um papel relevante. Entretanto a visão, ainda parcial, é de que o nível de investimento nos municípios da região não apresenta avanço. Permanecem em 2010 fundamentos antigos, tais como: uma forte dependência do poder público local as transferências governamentais, receitas tributárias excessivamente baixas e uma grande dificuldade dos municípios em fazer investimentos. Observa-se que parte relevante das receitas orçamentárias tem sido dirigida para custeio.

A visão de ordem sistêmica apresenta resultados importantes, porém, extremamente concentrados. Campos dos Goytacazes conta com uma indústria açucareira em decadência, porém ainda muito importante na geração de emprego, tendo em vista a sua natureza, estabelecida através de elos da cadeia produtiva (atividade agrícola, indústria, serviços diversos e comércio). Por outro lado a construção civil, impulsionada por investimentos públicos e privados, favoreceram também o emprego neste ano pelas boas condições de crédito, poupança privada e orçamento público. A indústria petrolífera em Macaé mantém a sua dinâmica, já que concentra um grande número de empresas nacionais e estrangeiras que com a superação da crise financeira internacional, potencializou o emprego no município. São João da Barra apresenta a sua contribuição, ainda que pequena, já que conta com fortes investimentos no Complexo Portuário do Açu.
Em 2011, espera-se um crescimento mais moderado, já que as boas condições de 2010 geraram certo descompasso entre demanda agregada e a oferta agregada, acelerando o nível inflacionário e a necessidade de maior controle sobre a massa monetária, o que poderá fazer subir os juros para inibir o excesso de consumo. Os municípios da região devem investir no planejamento das atividades domésticas no próximo ano, de forma a melhorar o seu poder competitivo e diminuir a atual dependência aos recursos externos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Créditos de Royalties e Participação Especial da atividade petrolífera na Região Norte Fluminense em 2010

A tabela ao lado apresenta os valores de royalties de petróleo, creditados em dezembro nos municípios da Região Norte Fluminense e os valores acumulados em 2010. Campos dos Goytacazes liderou a lista com uma receita acumulada de R$482 milhões, seguido por Macaé com uma receita de R$ 356 milhões. São João da Barra ocupou a terceira posição com uma receita acumulada de R$ 98,3 milhões, seguido por Quissamã com R$72,6 milhões.



Complementam a receita mensal de royalties, as participações especiais pagas ao longo do anos aos municipios produtores de petróleo. Nesta modalidade Campos liderou com com uma receita acumulada de R$615,4 milhões, seguido por São João da Barra, com uma receita acumulada de R$ 104,8 milhões, Macaé com R$91,3 milhões, Quissamã com R$19,9 milhões e Carapebus com R$1,9 milhão.

Somando as duas parcelas, Campos obteve uma receita acumulada oriunda da atividade petrolífera de R$ 1.097.471.700,24
Carapebus obteve uma receita no valor de R$ 29.383.979,70
Macaé obteve uma receita no valor de R$ 447.324.737,99
Quissamã obteve uma receita no valor de R$ 92.538.364,33
São João da Barra obteve uma receita de R$ 203.134.028,20

O conflito sobre a questão orçamentária em São João da Barra: uma visão por traz dos fatos

De toda a confusão criada em São João da Barra sobre a suplementação orçamentária, o meu pitaco é de ordem técnica, o que leva a seguinte pergunta: qual é o verdadeiro problema que originou o presente conflito? Na verdade, a ausência de competência na formulação do orçamento. Tecnicamente, a concepção de um orçamento deve respeitar quatro etapas fundamentais, a saber: projeção das receitas orçamentárias através de critérios rigidamente técnicos, projeção das necessidades no contexto das funções, definição dos programas por função e elaboração de projetos dentro dos programas estabelecidos. Como exemplo, usaremos didaticamente a problemática da discórdia entre o executivo e o legislativo.

No orçamento aprovado para 2010, deveria constar no conjunto das funções absorvedoras de necessidades, a função turismo e lazer, a qual levaria ao esforço de identificação de programas, como por exemplo, dentre outros, o programa “contratação de shows profissionais” (artistas de renome nacional) e os respectivos projetos associados. Neste caso cada contrato seria classificado como um projeto, com o respectivo valor de contratação e estrutura necessária, forma de desembolso e análise do custo/benefício.

Esta análise seria resultado da comparação entre a projeção do desembolso dos recursos orçamentários do projeto e a projeção dos benefícios em função do quantitativo de turistas atraídos pelo evento, o gasto médio individual, o número de comerciantes locais e externos envolvidos, os empregos diretos gerados, o grau de absorção local das externalidades positivas e, fundamentalmente, o custo de oportunidade. Quer dizer; quais os projetos que o município deixaria de realizar para que este projeto fosse realizado. Tal fato prende-se ao conceito de que os recursos são escassos e as necessidades são ilimitadas, daí a necessidade de definir prioridades no contexto orçamentário.

Esta rotina deve ser considerada para a identificação das outras funções, seus programas e projetos relacionados. Complementarmente, a gestão orçamentária é essencial no sentido de cumprir os elementos estabelecidos no orçamento, de maneira a inibir situações complexas como ter dinheiro e não ter orçamento ou mesmo ter orçamento e não ter dinheiro.

Diante desses princípios, pode-se confirmar a ineficiência técnica no processo de construção do orçamento municipal, cuja prática histórica orienta a alocação das receitas orçamentárias por secretarias. As mais importantes, segundo o critério de confiança do gestor, recebe mais recursos e durante a gestão as articulações permitem transferências, segundo o interesse do grupo gestor, que normalmente não conta com oposição legislativa.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Movimentação do Emprego em Novembro nos Municípios com menos de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense


A tabela apresenta a movimentação do emprego em novembro, nos municípios com menos de trinta mil habitantes na Região Norte Fluminense. Conceição de Macabu apresenta um saldo negativo de emprego nos período de janeiro a novembro, enquanto Quissamã apresenta o maior saldo no conjunto desses municípios. As ocupações com os maiores saldos no município foram: professor do ensino fundamental com 102 novos empregos, salva vidas com 93 empregos, costureiro da atividade de confecção com 38 empregos, agropecuária com 33 empregos.
São João da Barra, apesar dos investimentos nas obras do complexo portuário do Açu, gerou um número menor de emprego do que Quissamã. As ocupações com os maiores saldos no município foram: servente de obras com 140 empregos, motorista de caminhão com 57 empregos, porteiro com 33 empregos e soldador com 28 empregos.

A figura ao lado apresenta a trajetória dos saldos de emprego no período de janeiro a novembro em São João da Barra. Observa-se uma trajetória de declínio no segundo semestre do ano.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Uma avaliação da Atividade Agrícola de São João da Barra

No período entre os anos de 2007 a 2009, a agricultura em São João da Barra vem mantendo os seus indicadores com ausência de variações significativas. Na lavoura temporária, a cana-de-açúcar lidera com 91,90% da área colhida nos três anos consecutivamente, seguida pela cultura do abacaxi com 5,74% da área colhida, mandioca com 1,44% e as culturas de batata-doce e melão distribuídas nos 0,96% restantes da área cultivada. A área total de 3.482 hectares colhida em 2007 na lavoura temporária é a mesma em 2009 e menor 23,29% da área colhida em 2005.

No que diz respeito à produção total, observa-se a manutenção da produção de cana-de-açúcar em 179.200 toneladas ao ano no período analisado. Entretanto, a produção do abacaxi caiu de 5,0 milhões de frutos em 2007 para 4,6 milhões de frutos em 2008 e 2009. O valor monetário da produção total, entretanto, depois de apresentar uma queda de 2,87% em 2008 com base em 2007, cresceu 28,29% em 2009 em relação a 2008, em função da forte recuperação do preço da cana de açúcar que apresentou um crescimento de 48,16% em 2009 com base em 2008.

Desta forma podemos inferir que a produtividade média da cana de açúcar, considerando produção/área plantada, foi nula, já que o rendimento permaneceu em 56 toneladas por hectare nos três anos. O cultivo do abacaxi, o segundo mais importante do município, apresentou uma queda de 8% no rendimento médio, caindo de 25 mil frutos por hectare em 2007 para 23 mil frutos por hectare em 2008 e 2009. Os outros produtos (mandioca, batata-doce, melão e tomate, mantiveram o mesmo rendimento médio nesse mesmo período).

Na produção agrícola de lavoura permanente, o cultivo de goiaba e coco-da-baía concentra 93,17% área colhida total de 161 hectares em 2009. A área colhida de goiaba permaneceu em 70 hectares nos anos de 2007, 2008 e 2009, enquanto que a área colhida de coco-da-baía permaneceu em 70 hectares no mesmo período. A quantidade produzida de goiaba permaneceu em 2.100 toneladas, enquanto a quantidade produzida de coco-da-baía permaneceu em 1,6 milhões de frutos nos anos de 2007, 2008 e 2009.

O valor da produção também não apresentou nenhuma variação, contribuindo a goiaba com R$1,2 milhão e o coco-da-baía com R$640,0 mil na receita total de R$1,8 milhão nos anos analisados. Também na atividade de cultura permanente podemos confirmar a inexistência de produtividade.

Os dados são do IBGE

sábado, 18 de dezembro de 2010

Movimento de emprego em novembro nos municípios com mais de 30 mil habitantes na Região Norte Fluminense



A movimentação do emprego nos municípios da Região Norte Fluminense, com mais de 30 mil habitantes, apresenta evolução no saldo em Macaé e Campos dos Goytacazes. O município de São Francisco de Itabapoana negativou o bom saldo gerado ao longo do ano, mostrando a dependência a cana de açúcar. O saldo de emprego sobe substancialmente no inicio da safra e declina fortemente no final do ano. O municipio de São Fidélis também negativou o saldo positivo anterior, ficando Campos e Macaé como concentradores de emprego no conjunto desses municípios. O saldo de emprego acumulado no ano em Campos está distribuido nas seguintes ocupações: 1.138 vagas na indústria de transformação, 2.908 vagas na construção civil, 1.889 vagas em serviços, 1.650 vagas na agropecuária e 884 vagas no comércio. Em Macaé a distribuição é a seguinte: 6.164 vagas em serviços, 704 vagas na indústria de transformação, 851 vagas no comércio e 256 vagas na indústria extrativa mineral.



A figura ao lado, apresenta a trajetória do saldo mensal de geração de emprego nos municipios de Campos e Macaé. Observa-se em Campos a força do setor canavieiro que no início da safra em maio contribuiu fortemente para o pico de geração de emprego. Macaé apresentou uma trajetória menos sazonal em função da forte atividade de serviços, podendo fechar o ano muito próximo ou acima do bom saldo gerado em Campos em 2010.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entendendo Os Espaços Locais Além dos Modelos Convencionais de Comunicação

A III Conferência Local de Controle Social: O Complexo do Açu, Impactos e Oportunidades, promovida por MNC, ITEP-PROEX/UENF, OCSP, com apoio da UENF, IFF, CEPECAM/UCAM e sob a coordenação do professor Hamilton Garcia (Coordenador de Extensão-CCH/UENF) e Nilza Franco (ITEP-PROEX/UENF), ontem no centro de convenções da UENF, foi bastante concorrido e dentre os diversos pontos de substancial relevância, dois serão realçados nesta discussão. O primeiro diz respeito à disposição do grupo empresarial X em se constituir como empreendedor ativo e indutor do fortalecimento dos atores que compõem o território, no que diz respeito a sua inserção ao processo de transformação. O segundo diz respeito a feliz constatação da existência, especialmente, em Campos dos Goytacazes, de uma massa critica importante no contexto da pesquisa acadêmica e disposta a entender o novo momento, contribuindo para a formação de melhores resultados socioeconômicos para a região.

Uma outra questão que merece ser realçada e que norteou todo o debate está relacionada ao programa de gestão integrada do território que será coordenado pelo empreendedor. Neste aspecto, vejo algumas dificuldades, como o que talvez possa chamar de “rigidez do saber”. O empreendedor imagina que através da orientação de especialistas estrangeiros é possível integrar o território de forma a inibir o isolamento da aglomeração industrial e a exclusão da sociedade local. Primeiro vejo certas contradições no conceito de território, que deve ser visto como um espaço relacional e não um espaço físico. Neste caso, existe um saber e uma cultura local que deve ser considerada. É preciso entender que existe na região a predominância de um frágil tecido social que tem alimentado elementos, como: a desconfiança, a deterioração de valores, o desrespeito a regras institucionais, o individualismo e a forte dependência econômica de um grande grupo de indivíduos a política partidária. Um ambiente assim constituído não responde a ações coletivas e reagem a qualquer tipo de integração. Tal fato, inclusive, tem desmotivado iniciativas empreendedoras, tanto nas atividades urbanas, quanto nas atividades rurais.

Considero que a indução é essencial para quebrar os presentes gargalos, entretanto além da visão holística, faz-se necessário a implementação de ações que gerem resultados incrementais e gradativos de maneira a animar setores importantes que, na esteira desses exercícios, possam ir construindo uma melhor condição de confiança e melhorando o tecido social, de maneira a fortalecer a capacidade de respostas aos programas mais robustos de inserção da sociedade local ao novo movimento de forte transformação, ora em andamento.

Nesta estratégia, o saber local, tanto formal quanto informal, costuma ser mais importante do que o saber internacional que é desconectado da realidade local e que, no máximo, pode se constituir num pacote tecnológico com alta credibilidade para os acionistas do grupo empresarial, entretanto sem possibilidade de alcançar objetivos práticos mais relevantes.

De qualquer forma, essas iniciativas provocam discussões importantes e geram um aprendizado que, certamente, auxiliará a construção do processo de amortecimento dos desequilíbrios que são próprios desse tipo de investimento.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Entendendo o Novo Ciclo Econômico em São João da Barra Através do Contexto Histórico

O município de São João da Barra vivencia o seu segundo ciclo de crescimento econômico com o advento do complexo portuário do Açu, em construção há três anos. Nos dois momentos ocorreu o que podemos classificar de “acidente histórico”, capitaneado por uma vantagem de localização baseada em recursos naturais, mais especificamente, o Rio Paraíba do Sul e Oceano Atlântico, consecutivamente.

Outras coincidências são importantes, no entendimento do processo evolucionário da presente aglomeração industrial. No início do século XVIII, as dificuldades para transportar mercadorias até os mercados mais importantes e a viabilidade técnica de uso do Rio Paraíba do Sul, qualificaram São João da Barra como base logística para os produtos das regiões norte e serra fluminense, interior de Minas Gerais e Espírito Santo. Durante aproximadamente 150 anos os navios partiam do município, escoando açúcar, farinha de mandioca, charque bovino, madeiras-de-lei, derivados de leite, frutas, café, leguminosos e hortaliças para os portos de Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Santos.

Toda essa movimentação transformou o município que atraiu empresários importantes com investimentos, especialmente, no ramo da construção naval. O município chegou a ter uma base industrial composta de seis estaleiros que movimentavam muitos trabalhadores e geravam riqueza para os empresários. Estes investiam na construção de suntuosos casarões e outras atividades culturais de forma a melhor usufruir de todo status, próprio do presente surto de prosperidade, enquanto a massa de salários incrementava o comércio local e regional.

A cidade experimentou um importante crescimento econômico durante o período de 1740 a 1880 e o conseqüente declínio no final do século XIX. A crise nos engenhos em função da queda da oferta de trabalho escravo, a abertura do canal Campos Macaé, a liberação da navegação de cabotagem aos barcos de bandeira estrangeira e a chegada da estrada de ferro, representaram elementos importantes no processo de perda do poder competitivo do transporte de cabotagem, desmontando toda a estrutura industrial que como alternativa de sobrevivência foi conduzida para o Rio de Janeiro, deixando para trás um ambiente decadente de pobreza. No século XX, a cana-de-açúcar em decadência e a fábrica de bebidas, iniciado nos primeiros anos do século, evitaram o pior.

Algumas considerações sobre a decadência da estrutura portuária do município levam a importantes questões de ordem econômica, como: a falta de investimentos para inibir problemas relativos ao assoreamento no Rio Paraíba; condições inadequadas de armazenamento dos produtos; custo elevado do frete e baixa produtividade operacional; e questões de ordem não econômicas, como: interferência política na indicação profissional sem a adequada qualificação e uma postura de acomodação da sociedade local frente ao desmanche da estrutura industrial. Um outro elemento importante relaciona-se a não internalização sistematizada e com resultados econômicos do conhecimento específico da construção naval pelas gerações seguintes.

Considerando o aspecto temporal e, naturalmente, a evolução tecnológica nesses duzentos e cinqüenta anos, dentre os modernos gargalos competitivos, o relacionado ao escoamento de produtos em direção aos mercados mais importantes, continua sendo uma fonte de problemas. Os portos brasileiros compõem o chamado “Custo Brasil”, fator que inibe o avanço do comércio internacional e tira a competitividade de setores importantes da economia brasileira, pressionando o emprego e a renda interna.

Neste cenário, o município volta a se habilitar como base logística para o escoamento de minério de ferro de Minas Gerais e outros produtos de qualquer parte, já que apresenta condições de viabilidade técnica e competitiva perante os portos mais importante do país. A presente estrutura logística, construída numa retro área com acesso ao oceano Atlântico, poderá atrair diferentes aglomerações industriais em busca de vantagens competitivas.

Entretanto é essencial um melhor entendimento sobre a presente trajetória histórica, de forma a auxiliar no processo de fortalecimento do espaço sócio-territorial para uma melhor inserção socioeconômica. Desta maneira, podem-se inibir os riscos e as externalidades negativas oriundas do primeiro ciclo econômico.

Conferência Local de Controle Social

Divulgação

III Conferência Local de Controle Social: O Complexo do Açu, os Impactos e as Oportunidades 1ª etapa: 16/12, 5ªf, 17:30, na UENF (auditório IV do Centro de Convenções) promoção: MNC, ITEP-PROEX/UENF, OCSP. apoio: UENF, IFF, CEPECAM/UCAM. coordenação: Hamilton Garcia (Coordenador de Extensão-CCH/UENF), Nilza Franco (ITEP-PROEX/UENF). mesa de abertura: Almy Carvalho (Reitor da UENF), Hélio Gomes (Pró-Reitora de Pesquisa/IFF), Rogério Matoso (Presidente da Câmara de Vereadores de Campos) e Aurélio Lorenz (MNC/OCSP). mesa de palestrantes: Paulo Monteiro (Diretor de Sustentabilidade do Grupo EBX) Romeu Neto (Diretor de Pesquisa e Pós Graduação/IFF-Campos) Eraldo Bacelar (Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Petróleo/PMCG) Alcimar Chagas (Economista/UENF) Aristides Soffiati (Historiador/UFF-Campos) participação especial no púlpito: … debatedores no púlpito: Luiz Concebida (Gerente Regional da FIRJAN/NF) Roberto Moraes (Pró-Reitor de Desenvolvimento Institucional/IFF-Campos) manifestação especial do plenário: Nilza Franco (Coordenadora do ITEP/UENF) Sérgio Rangel (Empresário do ramo hoteleiro/SJB) Davi Nascimento (Líder do Assentamento Marrecas) Rodolfo Ribeiro (Líder da Colônia de Pescadores Z19/Farol de São Tomé) Lerieste Silva (Presidente da Associação de Moradores da Instancia da Penha)
OBS: atualizado em 13/12/10.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As distorções provocadas pelo PIB nos municípios produtores de petróleo

O IBGE divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) de 2008. Conceitualmente o PIB representa a soma da produção final, medida em valores monetários num país, estado ou município em um determinado ano. Resumindo, indica a riqueza gerada num determinado espaço territorial. Será mesmo?
Na verdade esse indicador que já foi tão relevante para verificar a riqueza associada aos países, parece que, em alguns casos, mais confunde do que explica. Vejamos o caso dos municípios produtores de petróleo da Região Norte Fluminense, cujos valores contabilizados não compatibilizam com a real situação econômica dos mesmos. A indústria petrolífera de águas profundas por sua natureza não apresenta uma maior proximidade com esses municípios, a não ser Macaé que sedia um número substancial de empresas do setor.
Então podemos observar na tabela acima valores sem muito significado como o PIB per capita de Quissamã em R$177.851,28 e o PIB per capita de São João da Barra em R$88.534,47. Observe também que Conceição de Macabu apresentou o menor PIB per capita no valor de R$7.075,16, somente 3,97% do PIB per capita do seu vizinho Quissamã.
Por outro lado, Campos como o município mais importante da região apresentou um PIB per capita de R$67.445,76, abaixo de São João da Barra e Quissamã.
Agora vejamos que um indicador importante para medir a dinamica econômica local é o Índice de Participação Municipal no ICMS. O calculo desse repasse aos municípios leva em consideração o valor adicionado fiscal relativo a circulação de mercadorias e prestação de serviços realizados no território, o qual representa 3/4 do valor total. Assim, quanto maior a movimentação econômica no espaço, maior o índice de repasse. Vejamos que Macaé apresentou o maior índice da região em 2010, cuja base é o exercício econômico de 2008. Campos aparece em segundo lugar, seguido por Quissamã. Observe que São João da Barra tem um índice menor do que o de São Francisco de Itabapoana, quer dizer que esse município apresentou uma maior dinamica econômica do que São João da Barra com todo petróleo.

Ainda para facilitar o presente entendimento, calculamos o coeficiente de custo/benefício através da relação PIB a preços correntes e emprego gerado em 2008 para alguns municípios de porte médio em alguns Estados da Federação. É razoável tal associação, já que geração de riqueza deve provocar geração de emprego. Neste caso, Campos dos Goytacazes chama atenção por apresentar o maior índice de custo/ benefício na relação PIB emprego, ou seja, 14,6. Esse índice indica que para cada emprego foram consumidos R$14,6 milhões. Naturalmente, quanto menor a relação melhor é a situação do município.
Dentre os municípios selecionados, observamos que Serra, no Espirito Santo, apresentou um índice de 2,0 o que define que para cada emprego gerado foram consumidos R$2,0 milhões, ou seja, o custo/benefício de Serra equivale a 13,7% do custo de Campos. Outros municípios de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande dos Sul, sem a "riqueza" de petróleo do Rio de Janeiro, apresentaram indicadores substancialmente melhores, o que confirma que o PIB, especialmente, nos municípios produtores de petróleo distorce os verdadeiros resultados econômicos.
Olhamos ainda a participação da indústria de transformação no PIB desses municípios e verificamos que Campos concentra 83% do PIB na indústria, enquanto Serra concentra 37%, Barueri 15%, Araucaria 37%, Itajai 10% e Canoas 30%. Quer dizer, fica evidente que o uso do PIB, no caso dos municípios produtores de petróleo, pode distorcer potenciais análises econômicas no sentido da definição de políticas públicas .

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

PIB municipal 2008

Mensagem da Fundação CEPERJ

PRODUTO INTERNO BRUTO DOS MUNICÍPIOS

O Produto Interno Bruto dos municípios do Estado do Rio de Janeiro em 2008, calculado pelo IBGE, em parceria com os órgãos estaduais de estatística, dos quais faz parte a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro – CEPERJ/Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas - CEEP, revela a distribuição regional da atividade econômica dos 92 municípios fluminenses, na qual não se observou alteração nos principais postos entre 2007 e 2008. Nos últimos anos vem se confirmando um processo de desconcentração espacial da atividade produtiva da Região Metropolitana. Assim, esta Região continuou a ter participação preponderante, porém declinante, com 70,5% em 2007 e 67,8% em 2008. As demais, ganharam participação: a Norte Fluminense (10,8% em 2007 e 13,0% em 2008); a Médio Paraíba (6,0% e 6,2%); a Baixadas Litorâneas (5,7% e 5,9%); exceto a Serrana (3,4% em 2007 e 2008). Vale registrar que nas Regiões Norte Fluminense e Baixadas Litorâneas a atividade de extração de petróleo e gás assume grande destaque e, na Médio Paraíba, é a atividade automobilística que tem mais impulsionado a economia.

Em relação ao desempenho municipal em 2008, cinco municípios destacaram-se na liderança das participações no PIB do estado e concentraram 68,1% da economia fluminense, contra 69,1% em 2007: Rio de Janeiro (47,2% em 2007 e 45,1% em 2008); Duque de Caxias (9,5% e 9,4%); Campos dos Goytacazes (7,0% e 8,5%); Niterói (3,0% e 2,7%); e Nova Iguaçu (2,3% e 2,4%). O Município de São Gonçalo, no quinto lugar em 2007, com 2,5%, perdeu essa posição para Nova Iguaçu em 2008. A participação do interior, confirmando sua trajetória de ascensão, passou de 52,8% para 54,9%, registrando acréscimo de 2,1 p.p.

Em termos do PIB per capita, ocorreram alterações nos principais municípios. Em 2007, os cinco primeiro lugares foram de Quissamã, Porto Real, Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes e Armação de Búzios. Em 2008, coube a Porto Real a primeira posição, seguido por Quissamã. Já o terceiro posto ficou com São João da Barra que, em 2007, ocupava o décimo terceiro lugar. Rio das Ostras e Campos dos Goytacazes ficaram, respectivamente, na quarta e na quinta posição. Cabe lembrar que, em Porto Real, encontra-se uma montadora de veículos, enquanto que nos demais municípios ocorre a extração de petróleo.

Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Movimentação Bancária em Setembro na Região Norte Fluminense


Os valores na tabela representam os saldos das operações no sistema bancário em setembro, nos municípios da região Norte Fluminense. Macaé contabilizou R$266,3 milhões de depósito a vista no setor privado, valor superior ao volume de R$216,3 milhões em Campos dos Goytacazes.
No que diz respeito a operações de crédito, Campos superou Macaé, contabilizando R$955,1 milhões contra R$794,1 milhões em Macaé.
Na soma dos depósitos a vista e a prazo, Campos contabilizou R$859,5 milhões no mês, contra R$582,3 milhões em Macaé.


Analisando os índices de preferência pela liquidez do público e dos bancos, pode-se observar um comportamento muito equilibrado no município de Campos. Neste caso, quanto menor o índice melhor a confiança entre bancos e clientes e, naturalmente, melhor o ambiente para investimentos produtivos.
Veja que somente Campos e São João da Barra, apresentaram índices de preferência pela liquidez do público mais baixos, o que indica um bom padrão de confiança do público em relação ao sistema bancário local. Os outros municípios apresentaram índices altos, indicando pouca disposição do público em transformar depósitos a vista em aplicações localmente.
Quanto ao padrão de confiança do sistema bancário, em relação ao público, observa-se que em Cardoso Moreira os bancos não estão dispostos a disponibilizar créditos para o sistema econômico, já que a relação depósito a vista /crédito é extremamente alto. O segundo maior índice ocorreu em São João da Barra, onde o crédito não se mostrou compatível com o valor de depósito a prazo no mês analisado. Lembrando que o crédito é fundamental para investimentos produtivos e geração de empregos.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Feliz Natal



Para os amigos que fazem parte dessa rede de discussão, esperando que no próximo ano possamos contribuir ainda mais para o processo de geração de informações importantes sobre a nossa região. Um forte abraço de Alcimar Chagas Ribeiro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Comércio Exterior de Minério de Ferro Brasileiro


O comércio exterior de minério de ferro vem ocorrendo a luz de forte pressão dos prinicipais compradores, especialmente, a China, que busca limitar o processo de correção dos preços contratuais. A própria China já declarou a intenção de fazer robustos investimentos na exploração de minério internamente, de maneira a diminuir a dependência atual aos fornecedores, dentre eles, o Brasil que é um parceiro muito importante.
Conforme pode ser verificado na figura abaixo, uma trajetória crescente nos preços praticados ocorreu no período de janeiro a setembro deste ano, perdendo folego e caindo em outubro e novembro.

Os indicadores de volume em tonelada, receita em dólar e preço, praticados em novembro deste ano, comparativamente a novembro de 2009, apresentaram os seguintes resultados: O volume exportado em novembro último foi maior 2,2% do que o volume exportado em novembro de 2009, entretanto a receita de novembro deste ano foi maior 146,1% do que a receita de novembro de 2009. Tal fato foi devido a boa recuperação do preço contratatual que em novembro último foi maior 141% do que o preço praticado em novembro de 2009. Essa é a razão da pressão chineza sobre os fornecedores de minério de ferro, matéria prima que alimenta o forte crescimento econômico desse país.

Movimento da Exportação de Açúcar em bruto do Brasil

A commodity açucar bruto manteve a crescente trajetória de exportação em novembro. O volume comercializado cresceu 14,2% em novembro com base em outubro, enquanto a receita em dólares cresceu 23,1% no mesmo período, favorecida pela valorização do preço em tonelada na ordem de 7,8%.
Considerando os indicadores de novembro de 2010 com relação a novembro de 2009, pode-se observar um crescimento nominal de 65,8% na receita em dólares, 118,3% no volume exportado e 14,8% no preço US$/ton.



A figura ao lado apresenta a trajetória dos preços praticados de janeiro a novembro de 2010. Observa-se que depois do pico em março, o preço entrou em declínio nos meses subsequentes até setembro, redirecionando sua trajetória em outubro e novembro.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Trajetória do Emprego Formal em São João da Barra e o Papel do Porto do Açu



A análise sobre a trajetória do emprego formal em São João da Barra, considerando os períodos 2003/2006 e 2007/2009, indica mudanças importantes e permite traçar um panorama prospectivo do emprego no município. A divisão temporal levou em consideração o inicio das obras do complexo portuário do Açu em setembro de 2007.
Inicialmente, podemos afirmar que houve um aumento significativo do emprego líquido no período 2007/2009, comparativamente ao período 2003/2006. Foram 1.131 empregos líquidos gerados no segundo período, contra 332 empregos líquidos no primeiro período, ou seja, um crescimento de 240,66% que podemos relacionar ao advento do complexo portuário do Açu. O município tinha uma participação relativa de 0,08% do emprego no Estado no primeiro período, passando no período seguinte para uma representação de 0,33%.
A confirmação sobre a importância desses investimentos no aumento do emprego no município e, fundamentalmente, na mudança da natureza do emprego, pode ser visualizada na tabela acima. O município que tinha na base da geração do emprego, ocupações como gari, vendedor de comércio varejista, trabalhador da agropecuária e oleiro da fabricação de tijolos, com a instalação do projeto do porto, incorporou novas ocupações, próprias da construção civil pesada e outros serviços inerentes a nova atividade.
Desta maneira, ocupações com habilidades específicas como: carpinteiro, eletricista de manutenção, soldador, operador de andaimes, motorista de caminhão e furgão, topógrafo e
serventes de obras foram demandadas nesta fase de construção do porto do Açu.
Importante observar que nos dois anos relacionados ao movimento das obras do porto, foram gerados 1.131 empregos líquidos. Neste ano, de janeiro a outubro, foram criados 337 novas vagas de emprego formal no município. Considerando tratar-se de uma fase de construção, onde o movimento de admissão é normalmente maior e existe espaço para mão-de-obra com menor qualificação, o emprego gerado, comparativamente ao volume monetário gasto em torno de R$1,7 bilhões, parece ser baixo. Em relação ao rendimento médio, pode-se considerar uma valorização real em torno de 49,05% em 2009, comparativamente a 2006.
Imaginamos que esses indicadores podem melhor orientar políticas pública em torno de melhor aproveitamento das oportunidades próprias de investimentos dessa magnitude.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Encontro de Erosão Costeira


Consulte www. andreambiental.blogspot.com para mais informações.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Royalties? Petróleo? Grandes Projetos? E ai?

O ambiente de incerteza que está sendo construído, já alguns anos, em função da pressão no país para uma nova forma destributiva dos royalties de petróleo, reforça a tese da necessidade implacável, especialmente, da Região Norte Fluminense -produtora de 85% dessa riqueza - de repensar o seu comportamento passivo em relação as atividades econômicas de base. Esses municípios precisam desenvolver um esforço mais efetivo em direção a geração de trabalho e renda, compatibilizando habilidades específicas locais com o conhecimento formal disponivel. A míope visão da solução regional impulsionada por grandes projetos exógenos e a expectativa da proteção política para a manutenção da receita de royalties, tem adormecido o poder público e inibido ações fundamentais de planejamento e constribuições no sentido de melhorar a capacidade do indivíduo (economicamente, culturalmente e socialmente), que não consegue romper o vício da depêndencia. A região se fragiliza institucionalmente, cada vez mais, por concentrar poder na esfera política e ignorar o fato de que vivemos na era do conhecimento e como tal, que o saber incorporado à força de trabalho representa o grande aparato tecnológico para o desenvolvimento sócioeconômico de cada espaço distrital. Acredito que ainda há tempo, é preciso entender tal necessidade.