Perspectivas para a Região Norte Fluminense: Otimisto exagerado?

A matéria do Jornal o Diário " Campos, o Eldorado do NF", me incentivou a investigar a trajetória do saldo do emprego em Campos, já que existe um crescimento econômico médio da ordem de 12,4% no período de 2002 a 2007, conforme a matéria, fato este que, obrigatoriamente, deve refletir positivamente na geração de trabalho. Para fins de comparação usamos os indicadores de Londrina no Paraná, cidade com uma população próxima de Campos dos Goytacazes.



Conforme indicado no gráfico, a trajetória do saldo de emprego em Campos, com relação ao saldo gerado no Estado, apresenta uma trajetória de declínio, além de uma pequena participação relativa. O ano de 2002 o município apresentou a melhor participação, ou seja, 5,59% em relação ao Estado, declinando até 2009, com recuperação em 2010, considerando o período de janeiro a julho. Avaliando as ocupações geradoras dos maiores saldos, aparecem os trabalhadores da cana-de-açúcar, trabalhadores da pecuária de gado, trabalhadores de serviço de limpeza, servente de obras e recepcionistas.
A mesma análise foi realizada para a cidade de Londrina no Paraná. Observamos indicações de queda de 2001 a 2006, com boa recuperação em 2007 que se estendeu até 2010. Quanto a participação relativa do saldo de emprego gerado em relação ao Estado, a situação de Londrina é bem mais favorável do que a de Campos. Enquanto este município apresenta uma média de 2.054 empregos ano, no período analisado, Londrina apresenta uma média de 5.288 empregos ano para o mesmo período. Importante observar que Campos tem um PIB de R$20 bilhões enquanto que em Londrina este valor é em torno de R$8 bilhões.
Esta análise ajuda a fortalecer a tese de que a avaliação econômica somente a partir do PIB é muito frágil, especialmente na Região Norte Fluminensne, cuja indústria petrolífera distorce profundamente os indicadores econômicos dos municípios produtores.
Não nego que tenho uma ponta de preocupação com a presente euforia, relacionada a mega projetos como: estrutura portuária, petróleo, refinarias etc. A avaliação centrada no elemento quantitativo, sem considerar questões qualitativas, pode ser frustrante.

Comentários

  1. Prezado Professor Alcimar. Muito bom seu artigo. Espero que nossos governantes, ao lerem, se lerem, acordem para o profundo teor de sua matéria. Sem uma visão maior, de Região Integrada, não vamos obter os resultados economicos, a curto prazo, tão desejados. Parabens.

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  2. Prezado Barreto, muito obrigado pelos comentários. Realmente, existe uma grande euforia em relação ao futuro, porém me parece que os obstáculos presentes não são tratados devidamente, o que é um grande problema. Um grande abraço

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  3. Prezado Professor Alcimar. Ao comentar a minha postagem, abrimos um link, para debater-mos, devidamente, a meu ver, como reduzir as provações que estamos passando, pelo Progresso que chegou à nossa Região. Será que nossos governantes estão antenados? Se não estiverem, bateremos, se assim posso dizer, em suas portas para acordarem, para, no mínimo, reduzirem os impactos negativos, que já chegaram. Voltaremos ao assunto.

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  4. Prezado Barreto, o meu sentimento é de que os governantes precisam melhorar a sua visão sobre desenvolvimento socioeconômico, que é diferente de crescimento econômico. Projetos como Porto do Açu e Barra Furado tem natureza exógena (de fora para dentro)e a capacidade de gerar bruscas mudanças. Entretanto, a velocidade com que ocorrem não permite um processo razoável de adaptação na sociedade local, fato gerador de gargalos perversos como favelização, miséria, inflação, etc. Neste caso, a gestão pública precisa ser profissionalizada para diminuir o tempo necessário para a devida insersão da sociedade as mudanças que ocorrem. As praticas voltadas especificamente para o partidarismo precisam ser flexibilizadas, cedendo lugar ao conhecimento, maior profissinalização no serviço público. Só assim poderemos planejar melhor as nossoas cidades, melhorando a vida de seus habitantes.

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  5. Prezado Alcimar. Vamos continuar, alertando os governantes, para terem uma visão governamental abrangente. Ações pontuais, sem planejamento estratégico macro, não conseguirão produzir os sonhados e possíveis avanços de qualidade vida. Tambem concordo com seu ponto de vista, de que, sem profissionalização governamental, não atingeremos as metas factíveis de serem obtidas. Vamos continuar.

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