As ações individualizadas e pontuais não inibirão os gargalos na Região Norte Fluminense

É inegável o esforço de busca de soluções de cunho econômicas na região, entretanto vejo que a energia gasta está sempre focada pontualmente, ou seja, sem considerar uma necessária visão sistêmica do contexto em discussão. Vejamos a questão associada ao processo de reestruturação do Fundecam que, apesar de essencial, depende de sólidas intervenções em estágios anteriores para garantia de um processo de pleno êxito.

Temos insistido que os gargalos presentes na economia regional não serão solucionados através unicamente da oferta de recursos tangíveis (máquinas, equipamentos e dinheiro). Se fosse o caso, o setor sucroalcooleiro não viveria o atual estado de coma. Aliás, os municípios produtores de petróleo não estariam amargando as dificuldades relacionadas a questões fundamentais, como: educação, saúde, saneamento e emprego.

Se corretamente reconhecemos a importância das pequenas e médias unidades produtivas na formação de produto, emprego e renda; temos que reconhecer que dificilmente elas poderão se inserir ao sistema de acumulação capitalista, em função da deficiência de escala, dos custos elevados, inacessibilidade à informação, da ausência de habilidade gerencial, baixa inovação, etc. Desta forma, é fundamental o esforço de busca de formas alternativas de organização produtiva, que possam permitir um melhor estagio competitivo ao sistema econômico regional.

A literatura tem apresentado um vasto número de experiências de pleno êxito, cuja base está na ação coletiva. Esta por sua vez depende de certo grau de confiança, elemento essencial da estrutura de capital social instalado em cada local.

Ai está um forte gargalo identificado nas pesquisas empíricas que investigaram as praticas econômicas na região, especialmente, nos setores sucroalcooleiro, pecuária de leite e cerâmico. O individualismo é acentuado e a desconfiança entre os atores, em função de quebra de contrato formal, é presente nos resultados das pesquisas. Um ambiente com essas características precisa tratar questões econômicas, a partir da integração de conceitos essencialmente econômicos a conceitos sociológicos. Quero dizer que o primeiro passo é construir confiança, tarefa complexa que exige conhecimento multidisciplinar, além de metodologias específicas para abordagem e indução à formação de capital social necessário a formação da base para a intervenção econômica. A presente estratégia integra aspectos econômicos e sociológicos e induz a formação de um processo de governança que vai permitir a ação coletiva.

Na esteira desse processo pode ser construído uma nova forma de organização produtiva, baseado em pequenas empresas, cuja escala é integrada pelo território, em função da cooperação e reciprocidade construída. É evidente que a sustentabilidade do sistema exige a participação de outros agentes e atores com interesse na região, ou seja, as universidades, as associações de apoio e o governo. Fora este caminho, dificilmente as ações pontuais e individualizadas terão sucesso.

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